Open-access Sociabilidade de pacientes oncológicos masculinos com estomia: metassíntese qualitativa

RESUMO

Objetivos:  sintetizar evidências de estudos qualitativos produzidos na literatura sobre a sociabilidade de homens com estomia devido ao diagnóstico de câncer.

Métodos:  metassíntese qualitativa realizada em sete bases de dados com estudos publicados no período de 2004 a 2024. A amostra incluiu seis estudos, analisados pelo software MaxQDA®, validados pelo Critical Appraisal Skills Programme e sintetizados com base no conceito de sociabilidade.

Resultados:  quatro temas descritivos foram encontrados: a) Desafios no desempenho da sexualidade; b) Impactos físicos e emocionais: autoestima e isolamento social; c) Limitações sociais e estratégias para conviver com o estoma em sociedade; d) Alternância de comportamentos masculinos na estrutura familiar. Esses temas foram compreendidos pelo tema analítico: Sociabilidade masculina em transformação: experiências de homens com estomia.

Considerações Finais:  a masculinidade culturalmente construída molda a sociabilidade dos homens, mas viver com um estoma gera insegurança, redefine papéis sociais e impacta significativamente a dinâmica das relações públicas e privadas.

Descritores:
Saúde do Homem; Estomia; Comportamento Social; Neoplasias; Revisão Sistemática.

ABSTRACT

Objectives:  to synthesize evidence from qualitative studies produced in literature on the sociability of men with ostomies due to a cancer diagnosis.

Methods:  a qualitative metasynthesis was conducted in seven databases with studies published between 2004 and 2024. The sample included six studies, analyzed using MaxQDA® software, validated by Critical Appraisal Skills Programme, and synthesized based on the concept of sociability.

Results:  four descriptive topics were identified: a) Challenges in sexual performance; b) Physical and emotional impacts: self-esteem and social isolation; c) Social limitations and strategies for living with a stoma in society; d) Alternating male behaviors within the family structure. These topics were encompassed by the analytical topic: Male sociability in transformation: experiences of men with a stoma.

Final Considerations:  culturally constructed masculinity shapes men’s sociability, but living with a stoma generates insecurity, redefines social roles, and significantly impacts the dynamics of public and private relationships.

Descriptors:
Men’s Health; Ostomy; Social Behavior; Neoplasms; Systematic Review.

RESUMEN

Objetivos:  sintetizar la evidencia de estudios cualitativos publicados en la literatura sobre la sociabilidad de hombres ostomizados por cáncer.

Métodos:  se realizó una metasíntesis cualitativa en siete bases de datos con estudios publicados entre 2004 y 2024. La muestra incluyó seis estudios, analizados con el software MaxQDA®, validados por el Critical Appraisal Skills Programme y sintetizados con base en el concepto de sociabilidad.

Resultados:  se identificaron cuatro temas descriptivos: a) Desafíos en el desempeño sexual; b) Impactos físicos y emocionales: autoestima y aislamiento social; c) Limitaciones sociales y estrategias para vivir con una ostomía en sociedad; d) Comportamientos masculinos alternantes dentro de la estructura familiar. Estos temas se englobaron en el tema analítico: Sociabilidad masculina en transformación: experiencias de hombres con ostomía.

Consideraciones Finales:  la masculinidad culturalmente construida moldea la sociabilidad de los hombres, pero vivir con una ostomía genera inseguridad, redefine los roles sociales e impacta significativamente la dinámica de las relaciones públicas y privadas.

Descriptores:
Salud del Hombre; Estomía; Conducta Social; Neoplasias; Revisión Sistemática.

INTRODUÇÃO

Apesar dos avanços em seu tratamento, o câncer continua sendo um problema significativo para a saúde pública em todo o mundo. Em 2020, no âmbito global, houve um total de 19.292.789 novos casos da doença, com 9.958.133 mortes decorrentes(1). Esse diagnóstico envolve repercussões físicas e sociais, devido aos efeitos adversos do tratamento, que transformam significativamente seus corpos e suas vidas(2).

Estudo(3) enfatiza que, no âmbito global, os processos históricos e culturais associados à identidade masculina estão ligados a ideais de virilidade, poder e hierarquia nas relações de gênero. Esses fatores moldam o comportamento dessa população, afastando-os da busca por cuidados preventivos. Além disso, existem as demandas sociais que compõem a essência da masculinidade e exigem a busca por autonomia, força, controle das emoções e sentimentos como critérios para a plena masculinidade do indivíduo. Entretanto, esses ideais dificultam o diagnóstico precoce de doenças silenciosas, mormente o câncer intestinal e do aparelho urinário, que muitas vezes requerem a confecção de um estoma de eliminação(4). Logo, essa problemática, de grande relevância para a saúde pública, destaca a importância de ações essenciais para a atuação profissional no campo da enfermagem.

A literatura científica(5,6) também tem ressaltado que as representações culturais e identitárias associadas ao câncer e à masculinidade são influenciadas pela idealização social da figura masculina, podendo afetar significativamente a maneira como os homens enfrentam e lidam com a doença, repercutindo na maneira como cuidam do corpo, mantêm suas crenças e se relacionam com a saúde. Além disso, estabelecem vínculos entre a masculinidade e o contexto cultural, na busca por um padrão idealizado de domínio hierárquico sobre outros homens e mulheres, com comportamentos que negam a corporificação do adoecimento, enfraquecimento e vulnerabilidade(3). Nesse sentido, é essencial que as equipes de enfermagem estejam aptas para lidar com os aspectos relacionais de gênero nos processos saúde e doença, e manejo clínico das demandas e necessidades de saúde.

A confecção de um estoma de eliminação gera impactos físicos, psicológicos e sociais. Entre as limitações físicas nos homens, especialmente os cisgêneros, citam-se distúrbios sexuais, incluindo disfunção erétil, alterações no impulso sexual, e alterações na excitação, na libido e na fertilidade. Nas repercussões psicológicas, podem emergir vergonha, incômodo, medo, solidão, entre outros, que repercutem em aspectos sociais, como afastamento da família e do trabalho e isolamento social(7).

Para os homens, esses desafios se tornam fonte de fragilidade em seu papel na família e na sociedade(3), que afetam a reintegração social e incluem restrições impostas pelo procedimento, como o uso de banheiros públicos, problemas relacionados ao odor e extravasamento, além de limitações na prática de exercícios físicos e no lazer(8). Diante dessa vulnerabilidade, o homem passa por transformações no corpo e na identidade ao longo de seu curso de vida, adotando comportamentos de alienação em relação ao próprio corpo decorrente do sentimento de diferença, tornando um desafio interagir com outras pessoas(4,9).

Logo, a sociabilidade do homem com estomia assume um papel crucial como conceito analítico, pois é necessário compreender o fenômeno como um conjunto complexo de práticas e interações sociais que permeiam o campo social e da saúde; portanto, carece de atenção especializada dos profissionais de enfermagem e de saúde, o que justifica a realização deste estudo. A sociabilidade é compreendida como a estrutura de disposições individuais e coletivas dos agentes sociais, os sistemas simbólicos e as estruturas sociais nas quais ele está inserido. Dessa forma, vai além das interações superficiais entre os indivíduos, englobando relações de poder, lutas simbólicas, hierarquias sociais e identitárias(10).

Pesquisadores(11) destacam ainda a alarmante redução da sociabilidade em pessoas de meia-idade em países asiáticos e outros como Estados Unidos, França, Itália, Espanha e Austrália. Os efeitos dessa reclusão têm impacto direto na saúde humana: homens com baixos níveis de sociabilidade apresentam maior risco de mortalidade por doenças crônico-degenerativas, como o câncer. Diante desse fato, torna-se evidente que as relações sociais, as redes de apoio e o contexto social são fundamentais ao bem-estar físico e mental, influenciando as perspectivas, os comportamentos e até mesmo as oportunidades de acesso a cuidados e suporte em saúde(4,9).

Embora ainda não estejam sintetizadas, existem evidências qualitativas que descrevem o fenômeno e podem auxiliar enfermeiros e profissionais de saúde a fornecer um cuidado abrangente ao homem com estoma, o que revela uma lacuna expressa no conhecimento científico, a qual pode ser avançada com os achados aqui sintetizados. Assim, diante do contexto apresentado, em que a convivência com uma estomia abrange diversos aspectos da subjetividade humana ao envolver percepções e significados individuais e coletivos, para o campo da enfermagem, pesquisas como esta podem inspirar novas abordagens no cuidado de pacientes do sexo masculino que enfrentam o câncer e a estomia, marcando uma fase transformadora em suas vidas devido à singularidade de suas condições.

OBJETIVOS

Sintetizar as evidências de estudos qualitativos produzidos na literatura sobre a sociabilidade de homens com estomia devido ao diagnóstico de câncer.

MÉTODOS

Delineamento do estudo

A revisão sistemática qualitativa seguiu a metodologia de metassíntese em quatro etapas(12): (1) busca abrangente e sistemática da literatura, com recuperação de estudos relevantes; (2) avaliação da qualidade dos estudos incluídos; (3) classificação dos achados; e (4) elaboração de metassíntese dos resultados. A metassíntese qualitativa é um processo rigoroso e metódico que visa identificar, abstrair e sintetizar dados qualitativos para responder a uma específica questão de pesquisa.

O guia Enhancing Transparency in Reporting the Synthesis of Qualitative Research foi utilizado para relatar os elementos essenciais que devem compor uma síntese de evidências qualitativas(13). O protocolo desta metassíntese foi registrado no International Prospective Register of Systematic Reviews, sob Protocolo no CRD42024624100.

Estratégia de busca

Para elaborar a pergunta investigativa e a estratégia de busca, foi utilizado o modelo SPIDER(14). Para identificar os estudos elegíveis na literatura, foi realizada uma busca sistemática por dois pesquisadores (primeiro e último autor) independentes, em sete bases de dados, nesta ordem de acesso: US National Library of Medicine (PubMed); Cummulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL); Excerpta Médica dataBASE (Embase); Elsevier Science’s MegaSource (ScienceDirect); Science Citation Indexes (Web of Science); American Psychological Association (APA) PsycINFO; e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). A estratégia de busca foi desenvolvida combinando os termos dos Descritores em Ciências da Saúde, Medical Subject Headings (MeSH), Elsevier’s authoritative life science thesaurus e APA Thesaurus of Psychological Index Terms, além de palavras-chave da temática. Os termos foram associados pelos operadores booleanos OR e AND, de acordo com a especificidade de cada base de dados. Para exemplificar, o Quadro 1 apresenta a estratégia de busca avançada na base de dados PubMed seguindo o modelo SPIDER, a partir da qual se adaptaram as demais estratégias de acordo com as especificidades de cada base de dados.

Quadro 1
Modelo SPIDER da operacionalização da metassíntese

Assim, foi elaborada a seguinte pergunta de pesquisa: quais as evidências de estudos qualitativos sobre a experiência da sociabilidade de homens com estoma diagnosticados com câncer?

A busca foi realizada de forma independente pelo primeiro e último autor no mês de setembro de 2024, limitada ao resgate dos registros disponíveis no período de 20 anos (2004-2024) e conduzida conforme os passos propostos pelo fluxograma Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)(15), apresentado na Figura 1.

Figura 1
Fluxograma da operacionalização da metassíntese segundo o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses

Seleção dos estudos e critérios de inclusão e exclusão

Por meio da busca sistemática, identificaram-se 321 registros: 56 na base de dados PubMed, 33, na CINAHL, 171, na Embase, 20, na PsycINFO, cinco, na Web of Science, 33, na ScienceDirect e três, na LILACS. Duas referências foram obtidas por meio de busca assistemática. Portanto, foram capturadas 321 publicações.

Para otimizar o processo, dois pesquisadores, de forma independente (primeiro e último autor), selecionaram os estudos por meio da plataforma Rayyan®(16). O cegamento do processo foi assegurado, e as possíveis discordâncias foram resolvidas através de consulta a um terceiro revisor (terceiro autor). Inicialmente, os registros identificados foram carregados na plataforma e, após retirar as duplicatas, 285 foram analisados pela leitura dos títulos e resumos. Em seguida, foram aplicados os critérios de seleção, em que 164 registros foram excluídos por motivos como: estudos com métodos quantitativos, mistos (quali-quantitativas), estudos de revisão, e por não abordarem o fenômeno de interesse. Nesse processo, foram eleitos 51 registros, que foram analisados na íntegra, entre os quais foram excluídos 11 estudos por contemplarem amostra do público feminino e masculino, e 34 evidências, por não responderem à pergunta de pesquisa. Por fim, duas referências foram encontradas por outras fontes (citações dos estudos selecionados), e apenas uma foi incluída no estudo. O presente estudo incluiu referências originais escritas em português, inglês ou espanhol que abordaram a sociabilidade entre homens com estomias decorrentes de câncer no trato urinário e intestinal. Foram selecionadas publicações que utilizaram o método qualitativo e apresentaram os discursos da população masculina de forma individualizada, publicadas de janeiro de 2004 a outubro de 2024.

Foi excluída a literatura considerada cinzenta, como livros, Trabalhos de Conclusão de Curso, teses e dissertações, além de editoriais, cartas ao editor, estudos reflexivos e de revisão. Convém salientar que, ao respeitar a ordem de pesquisa das bases de dados, os registros duplos foram considerados uma única vez. Após a análise quanto à adequação aos critérios de inclusão e exclusão, seis estudos foram eleitos para a síntese final.

Avaliação da qualidade metodológica

Seguindo os critérios do checklist Critical Appraisal Skills Programme(17), dois pesquisadores avaliaram independentemente a qualidade dos estudos selecionados. Após a análise, as referências foram classificadas em duas categorias: A e B. A categoria A engloba as referências com baixo risco de viés, que atenderam a nove ou mais dos dez critérios avaliados. Já a categoria B compreende as referências com risco de viés moderado que atenderam a pelo menos cinco dos dez critérios analisados. Neste processo analítico, os artigos selecionados obedeceram à maioria dos critérios estabelecidos pelo instrumento, representando um baixo viés de risco. O Quadro 2 ilustra a avaliação dos estudos selecionados por ano, organizada pelo primeiro autor. É importante enfatizar que, durante esse processo, nenhuma referência foi excluída.

Quadro 2
Avaliação da qualidade dos estudos incluídos segundo o Critical Appraisal Skills Programme

Extração dos dados e elaboração da síntese

Para coletar os dados das evidências, empregou-se um instrumento adaptado do JBI, contemplando variáveis como título, autores, país, ano, local de publicação, fenômeno de interesse, objetivos do estudo, população e métodos(23). Com base nessas informações, analisaram-se as características das evidências, em uma perspectiva abrangente, utilizando o software MaxQDA®(24). O uso desse software possibilitou ampliar o conhecimento, ao explorar com maior profundidade os conteúdos extraídos e construir categorias de análise inicial. As características mencionadas permitiram resumir os principais achados das pesquisas, levando em consideração suas particularidades e identificando os conceitos de primeira ordem. Em seguida, esses conceitos foram comparados e agrupados por meio de uma abordagem interpretativa, resultando nos conceitos de segunda ordem(25).

Posteriormente, os resultados foram analisados com base na análise temática indutiva(26), seguindo as seguintes etapas propostas: familiarização com os dados; geração de códigos; busca por temas; revisão contínua dos temas; definição dos temas; e produção de uma interpretação explicativa. Para construir a síntese interpretativa, apresentada neste estudo por meio de temas descritivos para melhor compreender as perspectivas e experiências dos homens estomizados em seu processo de sociabilidade, foram analisados os conceitos de segunda ordem e elaborada a síntese interpretativa de terceira ordem sobre o fenômeno estudado.

RESULTADOS

A construção da presente metassíntese engloba a descrição dos resultados de seis estudos qualitativos. A amostra final foi organizada e classificada por título, país e ano de publicação, principais objetivos, população e contexto das pesquisas, como ilustra o Quadro 3.

Quadro 3
Caracterização dos estudos selecionados

A organização dos conceitos de primeira ordem é descrita a partir da síntese dos principais conceitos e ideias encontrados nos artigos originais. A síntese temática permitiu identificar quatro temas descritivos: (a) Desafios no desempenho da sexualidade; (b) Impactos físicos e emocionais: autoestima e isolamento social; (c) Limitações sociais e estratégias para conviver com o estoma em sociedade; (d) Alternância de comportamentos masculinos na estrutura familiar. Esses temas descritivos foram compreendidos por meio de um tema analítico intitulado “Sociabilidade masculina em transformação: experiências de homens com estomia”. A Figura 2 ilustra o processo de análise e produção dos temas.

Figura 2
Representação do processo de análise e produção dos temas

O tema analítico revela que as mudanças na sociabilidade masculina são vivenciadas com aflição emocional relacionada ao tratamento, reabilitação e adaptação a um novo estilo de vida. Os homens descrevem a experiência como uma perda de autonomia e virilidade, sentindo-se limitados em sua identidade social e emocional, como se estivessem perdendo os atributos tradicionalmente associados à masculinidade.

Impactos físicos e emocionais: autoestima e isolamento social

Desempenhar a sociabilidade após o estoma urinário é um processo que gera sofrimento psíquico pela dificuldade de manuseio do dispositivo. Ocorre também o sofrimento físico da incontinência urinária após o tratamento, que acarreta a perda da autoestima e aumento do isolamento social(18). Os homens com estomia enfrentam desafios na gestão da bolsa em público, o que limita suas atividades de lazer, especialmente fora de casa. A dependência de outras pessoas para transporte, a dificuldade de encontrar banheiros e o desconforto com a bolsa transformam em tarefas complicadas as atividades simples, como sair para um restaurante ou participar de eventos. Essas barreiras físicas e emocionais dificultam a manutenção de uma vida social ativa e espontânea(20).

Limitações sociais e estratégias para conviver com o estoma em sociedade

A mudança da imagem corporal fez os homens manterem seu corpo encoberto, utilizando estratégias para camuflar a aparência da bolsa coletora e do estoma, como o uso de roupas de tamanhos maiores. Esse comportamento reflete a tentativa de preservar a privacidade e evitar olhares curiosos ou julgamentos(9). A estomia limitou viagens e atividades de lazer, como natação, corrida e serviços de jardinagem. Para lidar com isso, alguns homens adotaram estratégias individuais, como carregar roupas extras quando estão fora de casa, manter-se próximo a banheiros(19), manter-se em jejum para evitar que o estoma fique produtivo(9) e adotar diferentes abordagens na interação social, desde compartilhar todos os detalhes sobre o estoma até ser mais reservado(19,22).

Desafios no desempenho da sexualidade

No prisma da sexualidade, a sociabilidade masculina provoca dor física durante a atividade sexual, a percepção do impulso sexual como algo inerente à masculinidade (uma obrigação), e é impactada por disfunção erétil, desconforto associado a odores e gases, medo e preocupação com odor e vazamento, além de timidez e vergonha ao estabelecer vínculos afetivos(9,21,22).

Alternância de comportamentos masculinos na estrutura familiar

A sociabilidade com a família também é ameaçada, pois os homens tendem a esconder dos familiares a dificuldade em lidar com a colostomia, isolando-se no processo de adoecimento. O suporte social na figura da esposa tem conotação de dependência infantil devido aos desvios da autossuficiência e da virilidade(22). Soma-se a isso a pressão para sustentar a família que, diante de entraves financeiros e burocráticos pelo adoecimento, intensifica o sentimento de inadequação e fracasso. Esses elementos evidenciam dimensões subjetivas e sociais que resultam em isolamento e sofrimento psíquico(21).

DISCUSSÃO

A análise dos estudos evidencia que, ao longo dos últimos 20 anos, as pesquisas focaram seus objetivos em temas bastante distintos, com o intuito de compreender as representações do estoma diante do processo de sociabilidade. Os estudos se voltaram para a sexualidade, impactos na relação conjugal, figura do apoio social, representações da estomia na vida cotidiana, suas limitações e forma de adaptação após a intervenção cirúrgica, modo de desempenhar o papel social, e como a masculinidade é impactada diante das limitações impostas pelo procedimento.

Assim, o papel do homem com estoma foi discutido com base em recortes específicos, embora a sociabilidade seja um fenômeno complexo, envolvendo relações e interações sociais que permeiam todos os aspectos da vida cotidiana. Essas relações se estendem desde os laços familiares até as interações sociais com pessoas desconhecidas na esfera pública; portanto, a complexidade por trás das interações é guiada por impulsos e instintos para reproduzir hierarquias e poder que formam a estrutura da sociedade(10).

Com base nos conceitos de primeira ordem, foi possível sintetizar os conceitos de segunda e terceira ordem, apresentaando-os em uma unidade de contexto interpretativo, discutido a seguir.

Sociabilidade masculina em transformação: experiências de homens com estomia

Ficou evidente que a presença de uma estomia na vida dos homens gera impactos significativos na sociabilidade. A adaptação ao estoma depende mormente da forma como eles exercem sua cultura e interagem socialmente, porquanto o procedimento redefine o processo de socialização ao exigir que os homens se ajustem aos padrões masculinos estabelecidos socialmente(9,18-22). Essa percepção social de como deve comportar-se é fator decisivo na forma como os homens reagem à convivência com o estoma: aceitar sua nova condição corporal é essencial para se integrar em um ambiente onde seu novo estilo de vida difere da cultura dominante de pessoas sem estomas(27).

Pesquisadores(3) enfatizam que o corpo masculino conecta o homem ao mundo, e as experiências físicas são influenciadas pelas categorias sociais e culturais da masculinidade própria de cada indivíduo. Essa percepção resulta de uma construção sociocultural que leva o indivíduo a compreender que o adoecimento o afasta do que é considerado normal, colocando-o na esfera do patológico, afetando seu corpo e o desviando de seu status social de poder anterior ao adoecimento. Dessa forma, a experiência de adoecer é influenciada por fatores sociais e econômicos, e sua interpretação é permeada pela cultura(28). Logo, programas educativos e o desenvolvimento de tecnologias focadas no cuidado em saúde devem alcançar essa população.

É necessário compreender que, após a construção de um estoma, o homem experiencia múltiplas fragilidades, como imagem corporal alterada, dificuldade em olhar, tocar e manejar o estoma, e desequilíbrio emocional, que refletem na percepção do seu papel na sociedade(2,9), porquanto, para muitos, sentir-se masculino é eivado de tensões, conflitos e estigmas que permeiam questões socioculturais de uma sociedade patriarcal(10). Portanto, a dominação masculina patriarcal e a escolha de um estilo de vida que se desvia da tradição historicamente estabelecida também influem na adoção desse comportamento(27).

Nesta metassíntese, na tentativa de autoproteção, a redução da interação social se apresenta como um dos principais mecanismos de defesa utilizados(18,19,22). Os motivos desencadeadores da reclusão se devem à dificuldade de manuseio e troca do equipamento coletor em locais públicos, à incontinência, à exposição dos excrementos, ao odor e à alteração da imagem corporal do corpo valorizado socialmente(18-20). Portanto, a sociabilidade associada à doença tem sua origem na denominada manifestação física da doença, referindo-se aos sintomas corporais que os indivíduos identificam e que, quando reconhecidos socialmente, confirmam as alterações no corpo, afetando a sua identidade(29,30). Essa interação ocorre tanto no aspecto psicológico, com os efeitos que um indivíduo exerce sobre os outros, quanto nos efeitos sofridos por si próprio. Ou seja, a sociabilidade é um acontecimento simultâneo, uma experiência viva na qual os indivíduos interagem para formar uma unidade social(10).

Consequentemente, esses homens, que foram socializados para se adequarem aos padrões masculinos, precisam (re)aprender suas interações sociais e redefinir seu papel nas relações de gênero. Quando adoecem, os homens vivenciam novas experiências de passividade, afetividade, dependência e fragilidade, e o poder que exerciam sobre si e sobre os outros se torna um fator moralmente limitante, o que impede que se sintam livres para expressar sua masculinidade(31). Isso ocorre porque o estoma exerce um impacto direto nas relações sociais, que tendem a se deteriorar durante o processo de aceitação da nova imagem corporal do homem com estomia(9,18-22).

A ação recíproca entre os indivíduos torna o adoecer também um fenômeno coletivo. Na teia do suporte social, a família é destacada na literatura(18-22), o que indica a necessidade do apoio à criação e ao fortalecimento das redes socioafetivas entre os grupos populacionais masculinos na sociedade em face das construções sociais das masculinidades(32-35). Os homens tendem a esconder de seus familiares a dificuldade em lidar com a colostomia, o que gera um abalo na relação familiar e conjugal(20,22). Em tal cenário, a defesa de comportamentos como a autossuficiência dificulta o processo de aceitar e conviver, porque contar com o auxílio da esposa desperta uma sensação de dependência infantil, uma situação que fere a masculinidade, pois o homem deve ser o protetor na relação conjugal(22).

Entre as evidências analisadas, a estomia interfere no condicionamento da sociabilidade e da atividade sexual, por sua repercussão no estado de saúde mental desse homem, demonstrado por ira, medo, receio, timidez e vergonha ao estabelecer relação afetiva com alguém(9). Assim, para vivenciar a sociabilidade após esse evento, o homem tende a desenvolver estratégias individuais mais adequadas à sua rotina. A literatura(9,19) destaca a prática de jejuar durante os períodos em que estão fora de casa para evitar a digestão dos alimentos e excreção das fezes(19), levar roupas extras quando estiver fora de casa, e situar-se quanto à posição de banheiros públicos em caso de emergência(20). Quanto à atividade sexual, o homem tende a priorizar posições sexuais que não envolvem contato com a bolsa coletora e, em alguns casos, evitar a atividade sexual, devido ao sentimento de vergonha(9).

Portanto, as necessidades do homem o fazem assumir diferentes formas de sociabilidade, considerando a situação em que se encontra. Essa interação multifacetada coexiste com a preocupação de refletir em seu círculo social os efeitos de conviver com um estoma(18,22). Assim, o homem experimenta sofrimento no corpo físico, pela anormalidade de sua fisiologia, e sofrimento no contexto social, pela limitação da sociabilidade(9,18-22). Por isso, a dinâmica da sociabilidade no contexto do adoecimento é vista como um recurso social de enfrentamento, tanto para os indivíduos doentes quanto para as agências sociais que exercem influência em sua vida. Com frequência, esse indivíduo busca gerenciar o processo de lidar com a doença, procurando alcançar o autodomínio e o controle sobre ela. Ou seja, viver com o estoma requer mudanças em vários aspectos do cotidiano, que geram sentimentos constrangedores e relações conflituosas, e a tentativa de retomar a normalidade é a concepção simbólica de honra que rege as expectativas e atuações do homem no lar e na vida social(21).

Para aprofundar as discussões futuras sobre a sociabilidade do homem com estoma, é necessário investir em novas pesquisas que explorem os contextos e as dinâmicas das relações sociais nesse cenário, sem recortes específicos. Isso envolve analisar os sentimentos, as relações interpessoais, o papel do cuidado, o suporte emocional e, principalmente, o desenvolvimento de novas identidades sociais após a confecção do estoma. Também envolve investir no incremento das especificidades das masculinidades no contexto do cuidado clínico em enfermagem e saúde, compreendendo melhor os processos de transição de saúde, doença e cuidado.

Limitações do estudo

É oportuno enfatizar que esta metassíntese apresenta algumas limitações. A análise foi restrita a referências em inglês, português e espanhol, e a busca foi realizada apenas em bases de dados específicas. Além disso, foram selecionados somente artigos disponíveis na íntegra, o que pode ter excluído alguns estudos relevantes que ampliariam a abrangência do trabalho. Também é importante salientar que, embora tenha utilizado indexadores internacionais, predominaram estudos com amostras brasileiras. Portanto, a inclusão de estudos empíricos com homens de outras regiões do mundo, especialmente no contexto oriental, pode contribuir para ampliar a compreensão do fenômeno em diferentes culturas.

Contribuições para a área da enfermagem

O presente estudo aporta contribuições substanciais para o avanço no conhecimento científico de escopo qualitativo acerca da problemática, reunindo evidências que podem guiar a tomada de decisão clínica e social no campo da enfermagem e saúde. Pode servir como base para o ensino na formação de enfermeiros, assim como na atuação na Atenção Primária à Saúde e na reabilitação. Além disso, contribui para avanços na implantação de políticas públicas focais, como aquelas direcionadas à pessoa com estoma intestinal, pessoa com deficiência e saúde integral masculina.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ser homem abrange uma identidade que também é construída socialmente, na qual a cultura masculina estabelece uma definição específica de masculinidade plena em dada sociedade. A sociabilidade está relacionada à convivência coletiva, cujos interesses e conteúdos materiais são guiados por impulsos e com finalidades singulares. Nesse contexto, a interação social é vista como uma relação mútua, na qual o indivíduo exerce influência sobre os outros e também é influenciado por eles.

No caso da sociabilidade masculina, a concepção simbólica de honra desempenha importante papel, estabelecendo as expectativas e comportamentos do homem em sua vida pessoal e social. Essa concepção muitas vezes está associada à virilidade, ao poder e à hierarquia nas relações de gênero, mas quando passa a conviver com um estoma, iniciam-se os sentimentos de incerteza, preconceito e insegurança, pois esse homem enfrenta uma mudança drástica em sua rotina e precisa se adaptar às imposições do procedimento, resultando em notável alteração e/ou inversão de papéis na dinâmica social.

  • FOMENTO
    O presente trabalho foi realizado com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Código de Financiamento 001, e da Universidade Federal da Fronteira Sul, por meio do edital nº 73/GR/UFFS/2023, código de aprovação PES-2023-0301.

DISPONIBILIDADE DE DADOS E MATERIAL

Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação.

Referências bibliográficas

  • 1 Sung H, Ferlay J, Siegel RL, Laversanne M, Soerjomataram I, Jemal A, et al. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin. 2021;71(1):209-49. https://doi.org/10.3322/caac.21660
    » https://doi.org/10.3322/caac.21660
  • 2 Iskandar AC, Rochmawati E, Wiechula R. Experiences and perspectives of suffering in cancer: a qualitative systematic review. Eur J Oncol Nurs. 2021;54(3):102041-86. https://doi.org/10.1016/j.ejon.2021.102041
    » https://doi.org/10.1016/j.ejon.2021.102041
  • 3 Araújo JS, Zago MMF. Masculinities of prostate cancer survivors: a qualitative metasynthesis. Rev Bras Enferm. 2019;72(1):231-40. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0730
    » https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0730
  • 4 Ayaz-Alkaya S. Overview of psychosocial problems in individuals with stoma: a review of literature. Int Wound J. 2019;16(1):243-249. https://doi.org/10.1111/iwj.13018
    » https://doi.org/10.1111/iwj.13018
  • 5 Bowie J, Brunckhorst O, Stewart R, Dasgupta P, Ahmed K. Body image, self-esteem, and sense of masculinity in patients with prostate cancer: a qualitative meta-synthesis. J Cancer Surviv. 2022;16(1):95-110. https://doi.org/10.1007/s11764-021-01007-9
    » https://doi.org/10.1007/s11764-021-01007-9
  • 6 Dax V, Ftanou M, Tran B, Lewin J, Wallace R, Seidler Z, et al. The impact of testicular cancer and its treatment on masculinity: a systematic review. Psychooncol. 2022;31(9):1459-73. https://doi.org/10.1002/pon.5994
    » https://doi.org/10.1002/pon.5994
  • 7 Meira IFA, Silva FR, Sousa AR, Carvalho ESS, Rosa DOS, Pereira Á. Repercussions of intestinal ostomy on male sexuality: an integrative review. Rev Bras Enferm. 2020;73(6):e20190245. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2019-0245
    » https://doi.org/10.1590/0034-7167-2019-0245
  • 8 Alenezi A, McGrath I, Kimpton A, Livesay K. Quality of life among ostomy patients: a narrative literature review. J Clin Nurs. 2021;30(21-22):3111-23. https://doi.org/10.1111/jocn.15840
    » https://doi.org/10.1111/jocn.15840
  • 9 Araújo IFM, Sousa AR, Carvalho ESS, Pereira A. Sexuality of men experiencing intestinal ostomies: stories about feelings and meanings. Estima, Braz J Enterost Ther [Internet]. 2022[cited 2024 Dec 01];25;20:1-10. https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/1213
    » https://www.revistaestima.com.br/estima/article/view/1213
  • 10 Simmel G. Sociologia: estudios sobre las formas de socialización. Porto Alegre: Editora Fundação Fênix; 2021.
  • 11 Naito H, Nitta K, Lee M, Ushigusa T, Osawa M, Tabuchi T, et al. Physical health risks of middle-aged people with low social independence: fatal diseases in men, and little attendance to cancer screenings in both sexes. Peer J. 2023;11(8):e14904. https://doi.org/10.7717/peerj.14904
    » https://doi.org/10.7717/peerj.14904
  • 12 Sandelowski M, Barroso J. In: Company SP, editor. Handbook for synthesizing qualitative research. New York, NY: Springer Publishing Company; 2007.
  • 13 Tong A, Flemming K, McInnes E, Oliver S, Craig J. Enhancing transparency in reporting the synthesis of qualitative research: ENTREQ. BMC Med Res Methodol. 2012;12(1). https://doi.org/10.1186/1471-2288-12-181
    » https://doi.org/10.1186/1471-2288-12-181
  • 14 Sousa MSA, Wainwright M, Soares CB. Qualitative Evidence Synthesis: an introductory guide. BIS Bol Inst Saúde [Internet]. 2019[cited 2024 Dec 01];20(2):7-22. https://arca.fiocruz.br/items/07b5bb82-fed3-450a-8889-2ca825750787
    » https://arca.fiocruz.br/items/07b5bb82-fed3-450a-8889-2ca825750787
  • 15 Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutronet I, Hoffmann TC, Mulrow CD, et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ. 2021;372(71):1-9. https://doi.org/10.1136/bmj.n71
    » https://doi.org/10.1136/bmj.n71
  • 16 Ouzzani M, Hammady H, Fedorowicz Z, Elmagarmid A. Rayyan - a web and mobile app for systematic reviews. Syst Rev. 2016;5(1):210-22. https://doi.org/10.1186/s13643-016-0384-4
    » https://doi.org/10.1186/s13643-016-0384-4
  • 17 Critical Appraisal Skills Programme (CASP). CASP Checklist: 10 questions to help you make sense of a Systematic Review[Internet]. 2018 [cited 2024 Dec 01]. Available from: https://casp-uk.net/casp-tools-checklists/
    » https://casp-uk.net/casp-tools-checklists/
  • 18 Neris RR, Leite ACAB, Nascimento LC, García-Vivar C, Zago MMF. “What I was and what I am”: a qualitative study of survivors experience of urological cancer. Eur J Oncol Nurs. 2020;44:101692. https://doi.org/10.1016/j.ejon.2019.101692
    » https://doi.org/10.1016/j.ejon.2019.101692
  • 19 Bigum LH, Spielmann ME, Juhl G, Rasmussen A. A qualitative study exploring male cancer patients’ experiences with percutaneous nephrostomy. Scand J Urol. 2014;49(2):162-8. https://doi.org/10.3109/21681805.2014.938694
    » https://doi.org/10.3109/21681805.2014.938694
  • 20 Shipp S, McKinstry C, Pearson E. The impact of colorectal cancer on leisure participation: a narrative study. Brit J Occupational Therapy. 2015;78(5):311-9. https://doi.org/10.1177/0308022614562794
    » https://doi.org/10.1177/0308022614562794
  • 21 Dázio EMR, Sonobe HM, Zago MMF. The meaning of being a man with intestinal stoma due to colorectal cancer: an anthropological approach to masculinities. Rev Latino-Am Enfermagem. 2009;17(5):664-9. https://doi.org/10.1590/S0104-11692009000500011
    » https://doi.org/10.1590/S0104-11692009000500011
  • 22 Kandemir D, Oskay Ü. Sexual problems of patients with urostomy: a qualitative study. Sex Disabil. 2017;35:331-40. https://doi.org/10.1007/s11195-017-9494-8
    » https://doi.org/10.1007/s11195-017-9494-8
  • 23 Soares CB, Yonekura T. Systematic review of theories: a tool to evaluate and analyze selected studies. Rev Esc Enferm USP. 2011;45(6):1507-14. https://doi.org/10.1590/S0080-62342011000600033
    » https://doi.org/10.1590/S0080-62342011000600033
  • 24 Kuckartz U, Rädiker S. Analyzing Qualitative Data with MAXQDA: Text, Audio, and Video[Internet]. Springer International Publishing; 2019 [cited 2024 Jun 15]. https://doi.org/10.1007/978-3-030-15671-8
    » https://doi.org/10.1007/978-3-030-15671-8
  • 25 Drisko JW. Qualitative research synthesis: an appreciative and critical introduction. Qual Soc Work. 2020;19(4):736-53. https://doi.org/10.1177/1473325019848808
    » https://doi.org/10.1177/1473325019848808
  • 26 Braun V, Clarke V. Reflecting on reflexive thematic analysis. Qual Res Sport Exerc Health. 2019;11(4):589-97. https://doi.org/10.1080/2159676X.2019.1628806
    » https://doi.org/10.1080/2159676X.2019.1628806
  • 27 Frohlich DO. Self-disclosing my ostomy to the dominant culture: an autoethnography. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2012;39(6):627-31. https://doi.org/10.1097/WON.0b013e31826a4b83
    » https://doi.org/10.1097/WON.0b013e31826a4b83
  • 28 Contatore OA, Malfitano APS, Barros NF. Health Care: caregiver sociabilities and emancipatory subjectivities. Psicol Soc. 2018;30(1):1-10. https://doi.org/10.1590/1807-0310/2018v30177179
    » https://doi.org/10.1590/1807-0310/2018v30177179
  • 29 Pinto BK, Muniz RM, Bisognin E, Schek G, Mix PR, Zorzan RM. Experience of illness from prostate cancer: interface with masculinity from the perspective of Pierre Bourdieu. Res Soc Dev. 2022;11(4):1-11. https://doi.org/10.33448/rsd-v11i4.27056
    » https://doi.org/10.33448/rsd-v11i4.27056
  • 30 Neves EM, Lima DACA. AIDS Sociability: some reflections about association after the disease and social movements. Caos Rev Eletr Cienc Soc[Internet]. 2011 [cited 2024 Dec 15];18(1):21-31. Available from: https://periodicos.ufpb.br/index.php/caos/article/view/47050/28129
    » https://periodicos.ufpb.br/index.php/caos/article/view/47050/28129
  • 31 Conceição VM, Sinski KC, Araújo JS, Bitencourt JVOV, Santos LMS, Zago MMF. Masculinities and ruptures after penectomy. Acta Paul Enferm. 2022;35(2):eAPE03212. https://doi.org/10.37689/acta-ape/2022AO03212
    » https://doi.org/10.37689/acta-ape/2022AO03212
  • 32 Sousa AR, Félix NDC, Silva RAR, Carvalho ESS, Pereira A. Men’s health care: concept analysis. Invest Educ Enferm. 2022;41(1):e14. https://doi.org/10.17533/udea.iee.v41n1e14
    » https://doi.org/10.17533/udea.iee.v41n1e14
  • 33 Ferreira DS, Teixeira E, Brown DO, Koch R, Monteiro WF, Santos ER, et al. Content validation of an educational technology about men’s health. Rev Baiana Enferm [Internet]. 2020[cited 2024 Dec 15];34:e36344. Available from: https://www.revenf.bvs.br/pdf/rbaen/v34/0102-5430-rbaen-34-e36344.pdf
    » https://www.revenf.bvs.br/pdf/rbaen/v34/0102-5430-rbaen-34-e36344.pdf
  • 34 Nunes GBL, Barrada LP, Landim AREP. Concepts and practices of nurses of family health strategy: men’s health. Rev Baiana Enferm [Internet]. 2013[cited 2024 Dec 15];27(1):13-20. Available from: https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/6887/35720
    » https://revbaianaenferm.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/6887/35720
  • 35 Sousa AR, Vergara OJ, Araújo PO, Carvalho ESS, Araújo IFM, Silva RS. Transition of elderly men with prostate cancer: analysis of facilitating and difficulty conditions. Rev Pesqui Cuid Fundam. 2022;14:e12032. https://doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v14.12032
    » https://doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v14.12032
  • EDITOR CHEFE:
    Antonio José de Almeida Filho
  • EDITOR ASSOCIADO:
    Dulce Barbosa

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Dez 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    22 Fev 2025
  • Aceito
    22 Jul 2025
location_on
Associação Brasileira de Enfermagem SGA Norte Quadra 603 Conj. "B" - Av. L2 Norte 70830-102 Brasília, DF, Brasil, Tel.: (55 61) 3226-0653, Fax: (55 61) 3225-4473 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: reben@abennacional.org.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro