Open-access Cenário simulado de comunicação e trabalho em equipe para estudantes de enfermagem: construção e validação

RESUMO

Objetivos:  construir, validar aparência e conteúdo, e testar um cenário simulado para o desenvolvimento das competências de comunicação e trabalho em equipe em estudantes de enfermagem.

Métodos:  pesquisa descritiva, metodológico, desenvolvida em três estágios: construção do cenário e checklist; validação do cenário e checklist; e validação da simulação. Coleta de dados foi realizada entre maio de 2020 e abril de 2021, após aprovações éticas, com a participação de dez experts.

Resultados:  o cenário foi denominado “Comunicação e trabalho em equipe no ambiente hospitalar”. O checklist, composto por briefing, cenário em ação e debriefing, após Índice de Validade de Conteúdo, finalizou com 28 itens. Posteriormente, foi realizada a validação da simulação, por meio do acompanhamento da cinematografia do cenário e do checklist validado.

Conclusões:  o cenário cumpriu as fases exigidas para sua criação e avaliação, e poderá ser utilizado no desenvolvimento da comunicação e trabalho em equipe nos estudantes de enfermagem.

Descritores:
Treinamento por Simulação; Educação Interprofissional; Estudantes de Enfermagem; Comunicação; Equipe de Assistência ao Paciente.

ABSTRACT

Objectives:  to construct, validate appearance and content, and test a simulated scenario for the development of communication and teamwork skills in nursing students.

Methods:  descriptive, methodological research, developed in three stages: scenario and checklist construction; scenario and checklist validity; and simulation validity. Data collection carried out between May 2020 and April 2021, after ethical approvals, with the participation of ten experts.

Results:  the scenario was called “Communication and teamwork in hospital environments”. The checklist, composed of briefing, scenario in action, and debriefing, after Content Validity Index, ended with 28 items. Subsequently, the simulation was validated by monitoring the scenario’s cinematography and the validated checklist.

Conclusion:  the scenario fulfilled the phases required for its creation and assessment, and can be used in the development of communication and teamwork in nursing students.

Descriptors:
Simulation Training; Interprofessional Education; Students Nursing; Communication; Patient Care Team.

RESUMEN

Objetivos:  construir, validar apariencia y contenido, y probar un escenario simulado para el desarrollo de comunicación y trabajo en equipo en estudiantes de enfermería.

Métodos:  investigación descriptiva, metodológica, desarrollada en tres etapas: construcción de escenarios y lista de cotejo; validación de escenarios y lista; y validación de simulación. Recolección de datos realizada entre mayo de 2020 y abril de 2021, luego de aprobaciones éticas, con la participación de diez expertos.

Resultados:  el escenario se denominó “Comunicación y trabajo en equipo en el ámbito hospitalario”. La lista de verificación, compuesta por briefing, escenario en acción y debriefing, después del Índice de Validez de Contenido, finalizó con 28 ítems. Posteriormente se validó la simulación mediante el monitoreo de la cinematografía del escenario y la lista validada.

Conclusiones:  el escenario cumplió con las fases requeridas para su creación y evaluación y puede ser utilizado en el desarrollo de habilidades los estudiantes de enfermería.

Descriptores:
Entrenamiento Simulado; Educación Interprofesional; Estudiantes de Enfermería; Comunicación; Grupo de Atención al Paciente.

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento científico e tecnológico dos últimos dez anos no campo da saúde tem demandado profissionais que sejam cada vez mais analíticos e ativos, capacitados a resolver as exigências que surgem nos serviços de saúde(1). No hospital, ambiente complexo, procura-se, através da equipe interprofissional, que atua de maneira colaborativa e integrada, oferecer um atendimento seguro e de qualidade à comunidade(2).

Nesse setor complexo, o enfermeiro exerce papel essencial em relação à colaboração interprofissional(3). Sabe-se que a interprofissionalidade advém do trabalho colaborativo, não somente grupal. Assim, o enfermeiro, profissional articulador da equipe, necessita da aquisição de competências interprofissionais, como a capacidade de se comunicar e de colaborar em equipe. A comunicação é vista neste contexto como um elemento crucial para a construção de um bom relacionamento interpessoal entre os cuidadores, usuários e família. Já o trabalho em equipe permite a integração das diversas profissões e especialidades(4,5).

De tal modo, estudiosos defendem que a formação de profissionais com foco na interprofissionalidade é vantajosa para a aquisição de competências que contribuam para a prática colaborativa(6). Ressalta-se ainda que a educação interprofissional, dentro das universidades, tem como objetivo trabalhar o reconhecimento e respeito mútuo profissional, a ética, a clareza de papéis, a liderança, o gerenciamento de conflitos, a comunicação, a colaboração entre a equipe, e o cuidado integral ao paciente(7), a fim de auxiliar o estudante e os profissionais nos serviços de saúde.

Assim, visando garantir que os futuros enfermeiros aprimorem as capacidades de comunicabilidade e trabalho em equipe durante a prática clínica, deve ser criado um espaço de ensino para esta finalidade(8). Nessa situação, é essencial que os centros formadores integrem métodos ativos, como a simulação, com o objetivo de preparar o discente para a experiência prática e, assim, habilitá-lo para o mercado de trabalho.

Nesse pensamento, a simulação visa colocar em prática uma situação previamente elaborada, por meio de processos metodológicos, em um ambiente controlado e imersivo, com a finalidade de expandir as vivências dos participantes e proporcionar a impressão de um contexto real, em um ambiente específico(9), contribuindo, assim, para o aprimoramento das habilidades, conhecimentos e atitudes em estudantes(10). Cenários clínicos podem ser um recurso valioso, visando orientar os docentes a atividades de ensino e aprendizagem eficazes, e a validação de cenários é fundamental para a criação de situações que correspondam cada vez mais à realidade prática dos estudantes(11).

Durante o processo de validação do cenário por experts da área, todas as etapas da construção e preparação do cenário são avaliadas visando garantir a integridade, a reprodutibilidade e a conformidade com os padrões recomendados de simulação clínica. Esta avaliação pode ser realizada na presença do avaliador ou remotamente(12). Desta forma, acredita-se que a criação e aprovação de cenários clínicos, que aprimorem as competências interprofissionais dos discentes de enfermagem sejam essenciais, embora ainda sejam insipientes em muitas instituições de ensino superior no Brasil.

Embora a simulação clínica seja amplamente reconhecida, muitos estudos se concentram na avaliação de resultados clínicos e na aquisição de habilidades técnicas, negligenciando aspectos fundamentais das relações interpessoais. Portanto, a ausência de evidências consolidadas reforça a necessidade de novos estudos que explorem abordagens estruturadas e validadas para o uso de cenários clínicos no ensino da comunicação e do trabalho em equipe na formação de enfermeiros. Tais investigações são essenciais para embasar práticas educacionais mais eficazes e alinhadas com as demandas do cuidado em saúde, em que a colaboração e a comunicação são competências essenciais para uma práxis segura e qualidade assistencial.

OBJETIVOS

Construir, validar aparência e conteúdo, e testar um cenário simulado para o desenvolvimento das competências de comunicação e trabalho em equipe em estudantes de enfermagem.

MÉTODOS

Este estudo é proveniente de tese de doutorado (https://doi.org/10.11606/T.22.2023.tde-07122023-140656).

Aspectos éticos

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição proponente e da instituição coparticipante, onde a coleta de dados foi conduzida. Todos os envolvidos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias.

Desenho, período e localização do estudo

Investigação descritiva e metodológico, desenvolvida em três momentos: etapa I - construção do cenário simulado e checklist; etapa II - validação do cenário e checklist; e etapa III - validação da simulação. O artigo foi escrito conforme o Revised Standards for Quality Improvement Reporting Excellence 2.0(13).

Este estudo foi realizado, no período de maio de 2020 a abril de 2021, em uma instituição de ensino superior (IES) pública de Minas Gerais. O cenário simulado foi desenvolvido para discentes do último ano de graduação em enfermagem(14).

Como referencial metodológico, optou-se o modelo de design de Jeffries(15), que trabalha o apoio ao estudante, os objetivos da simulação, a resolução de problemas, a fidelidade e o debriefing. Ainda, teve como foco as diretrizes da International Nursing Association for Clinical Simulation and Learning(16), com base na educação interprofissional, respeitando as fases de briefing, cenário em ação e debriefing.

População ou amostra; critérios de inclusão e exclusão

Participaram da pesquisa dez experts/avaliadores: cinco na etapa de validação do cenário e checklist e outros cinco na etapa de validação da simulação. Destaca-se que os avaliadores que participaram da validação do cenário e checklist são diferentes dos que participaram da validação da simulação. Isso remete ao fato de os primeiros possuírem mais expertise em validação de instrumentos e os demais, em atividades simuladas e interprofissionalidade. Os avaliadores foram selecionados por amostra de conveniência. Para definir os avaliadores, empregou-se a adaptação de Fehring(17), e teve com foco a formação acadêmica e a experiência no ensino simulado ou interprofissionalidade. A seleção dos experts foi realizada pela análise do Currículo Lattes. Utilizou-se a seguinte pontuação para participar do estudo: doutorado em enfermagem: 4 pontos; mestrado em enfermagem: 3 pontos; dissertação na área: 2 pontos; artigos publicados na área: 1 ponto; prática assistencial ou docência na área: 2 pontos; e especialização: 2 pontos. A pontuação exigida foi de 7 pontos. Foram convidados em média oito avaliadores para cada etapa de validação via e-mail; desses, dez se disponibilizaram em participar, sendo cinco em cada fase.

Protocolo do estudo

Na etapa I, foi construído o cenário de simulação com detalhamento de cada item. O cenário levou em consideração a estrutura física disponível no laboratório da instituição, com a elaboração de uma enfermaria com materiais e equipamentos básicos, visando facilitar sua reprodução em diversas realidades sem afetar a complexidade e a fidelidade da simulação. Na sequência, foi construído o checklist, baseado em estudo(18), que apresentava quatro domínios: briefing; cenário em ação; debriefing; e avaliação geral.

Na etapa II, foram encaminhados o checklist e o cenário por e-mail para cinco experts, solicitando análise e resposta avaliação em duas semanas. Não houve necessidade de mais de uma rodada de validação. No entanto, para os experts que sugeriram várias modificações, foi reencaminhado o cenário, juntamente com o checklist corrigido, para uma nova apreciação, estabelecendo o consenso de concordância.

Após esse processo antecedendo a etapa III, foram realizadas a execução e a filmagem simultânea da simulação no laboratório de habilidades da IES em questão, com autorização de todos os participantes. A simulação contou a colaboração de seis atores/encenadores, todos trabalhadores da saúde, a fim de facilitar a a reprodução do cenário da prática clínica. Quatro desses profissionais receberam treinamento prévio do facilitador/pesquisador para desempenhar suas funções durante o cenário: um como paciente simulado, outra como filha/acompanhante, uma como enfermeira do período noturno e outra como médica. Duas enfermeiras representaram os discentes. É importante ressaltar que essas duas profissionais não receberam qualquer informação ou treinamento sobre a simulação. Os mesmos foram orientados quando chegaram ao laboratório que iriam participar de uma simulação de enfermagem: um como enfermeiro e o outro como técnico de enfermagem. A participação de estudantes reais foi impedida devido ao período pandêmico.

Durante a execução da simulação, o pesquisador/facilitador, em posse do cenário e do checklist, explicou cada etapa do cenário aos participantes/encenadores: descreveu o tempo de execução, o caso clínico e os objetivos do cenário; realizou a apresentação do ambiente, materiais e equipamentos disponíveis (briefing); e acompanhou e direcionou os participantes durante o debriefing.

Por fim, na etapa III, o checklist validado e a filmagem foram encaminhados por e-mail aos outros cinco experts/avaliadores para validação da simulação.

Análise dos resultados e estatística

Para a validação do cenário e checklist, foram analisados três critérios: aparência; clareza; e pertinência. A aparência é definida pelo formato de cada parte do instrumento. A clareza se refere à apresentação de um texto fácil e claro ao leitor. Já a pertinência considera se o texto é relevante e/ou apropriado(19). Cada elemento do instrumento poderia ser pontuado de 1 a 5 pontos pelos experts conforme a escala Likert, em que 1 representa a pontuação mais baixa e 5, a mais alta. A pontuação acima de 4 atendia os objetivos da pesquisa(19).

Posteriormente, realizou-se o cálculo do Índice de Validade de Conteúdo (IVC). O IVC examina o grau de consonância dos especialistas em relação às atividades e demandas do cenário simulado, considerando o mínimo 0,80 como aceitável(20). Para analisar e alinhar a consonância dos especialistas, foi utilizada a estatística AC1(21), sendo adotado o nível de significância de 5% (alfa = 0,05).

Para a validação da simulação, os examinadores, ao assistirem à filmagem, assinalavam no checklist a ocorrência das ações dos profissionais participantes em “positivo”, “negativo” ou “em partes”. Os experts também puderam realizar suas sugestões no instrumento, caso achassem pertinente.

RESULTADOS

Para alcançar o objetivo do estudo, conforme o referencial metodológico, é apresentado no Quadro 1 abaixo o cenário final validado pelos especialistas, descrevendo os seguintes tópicos: público-alvo; objetivos; tempo estimado; briefing; desenvolvimento do cenário; avaliação; ações esperadas dos estudantes; evolução; debriefing; ambiente; participantes; e materiais e equipamentos.

Quadro 1
Cenário simulado: comunicação e trabalho em equipe no ambiente hospitalar, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil, 2023

O checklist construído apresentava quatro domínios (domínio 1: briefing (7 itens); domínio 2: cenário em ação (16 itens); domínio 3: debriefing (7 itens); domínio 4: avaliação geral (4 itens)), totalizando 34 itens.

O domínio briefing é composto por orientações aos participantes para a atuação no cenário, como o número de participantes, tempo, objetivos, e presentação do ambiente, materiais e equipamentos. Já no domínio cenário em ação, ocorre o desenvolvimento da simulação em si. No domínio debriefing, o facilitador estimula os participantes para uma reflexão guiada, oferecendo feedback e discutindo pontos de melhoria, associando teoria com a prática. Na avaliação geral, foi disponibilizado um espaço de sugestões para os experts.

Foi realizado o cálculo do IVC a partir da avaliação dos especialistas. Foram avaliados os critérios de aparência, clareza e pertinência de cada item do instrumento.

Em relação ao domínio briefing, os sete itens exibiram IVC superior a 80% (0,8), valor mínimo para definir os itens como válidos. Assim, todos os itens foram mantidos. No domínio cenário em ação, dos 16 itens analisados, dois apresentaram IVC de 60% (0,6) nos critérios de aparência, clareza e pertinência, enquanto os outros apresentaram IVC de 80% (0,8). Portanto, foi levada em consideração a necessidade de reformular esses itens. Assim, para adequar o cenário, as sugestões dos avaliadores foram consideradas, tornando-o mais transparente, compreensível e de fácil replicação. Dessa forma, o domínio cenário em ação finalizou com 14 itens. Finalmente, o domínio debriefing obteve um IVC de 100% (1) para todos os itens, sem a necessidade de alterar sua estrutura, mantendo-se inalterada.

A validação do checklist foi finalizada após a conferência, organização, correção e aprovação final dos experts. O Quadro 2 apresenta a versão final do checklist, que inclui as etapas de briefing, cenário em ação e debriefing. É importante destacar que as ações dos participantes, categorizadas como “positivo”, “negativo” ou “em partes”, foram mantidas para facilitar sua replicação com os estudantes. O quarto domínio, referente à avaliação geral (4 itens), foi removido desta versão. O instrumento finalizou com 28 itens. Essa versão foi utilizada pelos especialistas durante a validação da simulação.

Quadro 2
Checklist final do cenário simulado, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil, 2023

Posteriormente, foi realizada a validação da simulação. Após análise da filmagem e dos cheklists assinalados, os experts consideraram que as atividades realizadas no briefing corresponderam ao checklist, marcando as ações como “positivas” no instrumento.

No contexto do cenário em ação, que exige dos participantes conhecimento, habilidades e atitudes, foi identificada uma divergência nas avaliações feitas pelos especialistas. Diante disso, os avaliadores destacaram a importância de praticar a higienização das mãos e cumprir com a Norma Regulamentadora 32 (sem uso de adornos, cabelos presos e unhas bem cortadas). Paralelamente, um dos especialistas sugeriu a aplicação de maquiagens simulando reações alérgicas, possibilitando uma análise mais detalhada das condições da pele e das lesões apresentadas pela paciente. Além disso, dois especialistas ressaltaram a necessidade de identificar o paciente com precisão, utilizando tanto a pulseira quanto a placa de identificação acima do leito. Eles também reforçaram a relevância de garantir a segurança no processo de administração de medicamentos. Por fim, foi recomendado que o cenário só fosse encerrado após os estudantes registrarem as informações no prontuário da paciente, incluindo o progresso observado e a verificação das medicações prescritas.

No domínio debriefing, que obteve 100% de respostas favoráveis, os avaliadores destacaram a necessidade de reiterar o objetivo do cenário, de evidenciar a importância do exame físico, que não foi realizado adequadamente, e destacar a importância da comunicação e da colaboração em equipe como competências essenciais do enfermeiro no contexto hospitalar, ilustrando com ações concretas e experiências práticas do ambiente em saúde.

DISCUSSÃO

Na criação de cenários clínicos simulados que sejam tanto válidos quanto confiáveis, é crucial incorporar métodos baseados em evidências, levando em conta a opinião de especialistas para assegurar que estejam em conformidade com as práticas recomendadas(22), conforme demonstrado neste estudo. Além disso, o desenvolvimento desses cenários deve ser cuidadosamente planejado e sistematizado, empregando instrumentos e ferramentas que ajudem o professor/facilitador durante a simulação(23).

Destaca-se ainda a importância de garantir que cada etapa do cenário esteja em concordância durante o processo de validação. Isso oferece a vantagem de criar um cenário clínico mais realista e alinhado ao tema proposto(19). Neste contexto, a validação do checklist realizada pelos experts conferiu mais credibilidade ao cenário, aproximando-o ainda mais da realidade.

No decorrer da execução e filmagem do cenário para sua validação, três etapas foram colocadas em prática: briefing; desenvolvimento do cenário; e debriefing. Durante o briefing, primeira etapa da simulação, conforme já descrito, é importante a apresentação do ambiente, objetivos, tempo e apresentação do caso aos participantes. Essas informações devem ser claras e objetivas, aproximando o estudante/profissional à realidade simulada(24,25). Já durante o cenário em ação, é essencial oferecer apoio e pista aos participantes, para que atinjam o objetivo proposto da simulação. Neste ínterim, é imprescindível atualizar os participantes sobre o progresso do caso clínico e as circunstâncias que o usuário/paciente se encontra naquele momento, para que o participante possa entender suas prioridades(26).

A simulação é reconhecida como um ambiente controlado que não oferece riscos ao paciente, assemelhando-se muito à realidade. Isso tem contribuído significativamente para que os estudantes reconheçam suas limitações e compreendam a importância de adquirir um conhecimento teórico sólido essencial para fundamentar a prática(27).

No debriefing, última etapa do cenário, cabe ao professor/facilitador sensibilizar os estudantes para compartilhar vivências e construir novos saberes(25,28). Neste momento, é imprescindível identificar as emoções, retirar as dúvidas, destacar as habilidades e restrições experimentadas pelos participantes durante a situação clínica e, simultaneamente, fomentar a integração entre teoria e prática, gerando maior interesse pelo assunto discutido e reflexão sobre a estratégia aplicada no cenário clínico(29). Assim, durante o debriefing, a discussão abordou: a comunicação e o trabalho em equipe em relação à passagem de plantão; a apresentação pessoal; a realização do exame físico; a avaliação da queixa do paciente; a análise de prontuário; a segurança do paciente em relação à higienização das mãos; a administração de medicamentos; a identificação correta do paciente; a comunicação eficaz entre paciente/familiar e equipe; a resolutividade do problema apresentado; e a evolução de enfermagem.

Ao sentir-se apoiado durante a simulação, o estudante tem mais facilidade para explorar e solucionar as questões apresentadas no cenário. O retorno do docente é de grande importância, pois permite que os mesmos reflitam sobre suas práticas e futuras atitudes profissionais(30). Desse modo, a experiência vivenciada pelos estudantes durante a simulação pode conduzir a um entendimento aprofundado das possíveis circunstâncias que podem surgir no trabalho do enfermeiro, e esta experiência, realizada em ambiente controlado, próximo ao real, corrige as falhas e promove mais segurança para atuar no campo prático(31).

Há uma série de vantagens ao adotar estratégias de ensino baseadas em metodologias ativas, como a simulação, que não requerem necessariamente alta tecnologia para assegurar o êxito do aprendizado(32). Ainda, métodos tradicionais e simulações podem ser implementados em conjunto, auxiliando o estudante a se sentir mais confiante e seguro para atuar na prática(33). Deste modo, ressalta-se a importância da divulgação de cenários clínicos validados, para que as IES possam utilizá-los nas suas respectivas disciplinas, visando ainda mais à aprendizagem do estudante(12).

Limitações do estudo

Apresenta-se como limitação um cenário específico do setor hospitalar, o que pode limitar sua aplicação em outros campos de assistência à saúde. No entanto, a comunicação e o trabalho em equipe são competências fundamentais do enfermeiro em toda a sua atuação profissional. Outra limitação se deve ao fato de o cenário não ter sido testado/validado pelos experts presencialmente no laboratório de habilidades/simulação junto aos discentes de graduação.

Contribuições para a área da enfermagem

Este estudo colabora com o desenvolvimento das premissas científicas, uma vez que possibilita que os cursos de graduação em enfermagem apliquem com os discentes um cenário validado com ênfase na comunicação e no trabalho em equipe, permitindo a expansão dos seus conhecimentos em uma vivência prática. Ademais, essa situação pode oferecer uma perspectiva mais abrangente do trabalho do enfermeiro, que ultrapassa a assistência, conduzindo esses futuros profissionais a uma práxis segura e colaborativa nas instituições de saúde.

CONCLUSÕES

Os cenários simulados se destacam como um recurso pedagógico eficaz que pode ser integrado ao currículo educacional, auxiliando o estudante na sua prática profissional. Portanto, este estudo apresentou a elaboração/criação e validação de simulação sobre as competências interprofissionais de comunicação e trabalho em equipe do enfermeiro no ambiente hospitalar. A validação, efetivada por especialistas, demonstrou a anuência das avaliações realizadas. O cenário e o checklist poderão ser empregados gratuitamente no ensino em enfermagem.

  • FOMENTO
    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil - Código de Financiamento 001.

DISPONIBILIDADE DE DADOS E MATERIAL

Os dados da pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.

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  • EDITOR CHEFE: Antonio José de Almeida Filho
  • EDITOR ASSOCIADO: Hugo Fernandes

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Dez 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    30 Dez 2024
  • Aceito
    15 Jun 2025
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