Open-access Impacto de escores prognósticos na avaliação da injúria renal aguda em pós-operatório de revascularização do miocárdio

RESUMO

Objetivo:  Determinar o impacto do Simplified Acute Physiology Score 3 e do Sequential Organ Failure Assessment na avaliação da gravidade de pacientes com injúria renal aguda no pós-operatório de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea.

Método:  Estudo de coorte retrospectiva, com amostra não probabilística. Realizou-se análise inferencial com testes qui-quadrado de Pearson, exato de Fisher e Mann-Whitney, com nível de significância de 5%.

Resultados:  A prevalência de injúria renal aguda foi de 31,4%. O Simplified Acute Physiology Score 3 e o Sequential Organ Failure Assessment apresentaram pontuações maiores nos pacientes com injúria renal (58 (48–64) versus 48 (37–57), p = 0,02; 7 (6–9) versus 6 (5–7), p = 0,003), além de maior tempo de permanência na terapia intensiva, de 8 (6–16) versus 6 (5–8) (p = 0,02) dias, respectivamente.

Conclusão:  Pacientes com injúria renal aguda permaneceram mais tempo na terapia intensiva, e o Simplified Acute Physiology Score 3 e o Sequential Organ Failure Assessment mostraram bom desempenho, evidenciando maior gravidade entre os pacientes com injúria renal aguda no pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio.

DESCRITORES
Cuidados Críticos; Escore Fisiológico Agudo Simplificado; Injúria Renal Aguda; Revascularização Miocárdica

ABSTRACT

Objective:  To determine the impact of the Simplified Acute Physiology Score 3 and the Sequential Organ Failure Assessment in assessing the severity of acute kidney injury in patients after cardiopulmonary bypass.

Method:  A retrospective cohort study with a non-probabilistic sample. Inferential analysis was performed using Pearson’s chi-square, Fisher’s exact and Mann-Whitney tests, with a significance level of 5%.

Results:  The prevalence of acute kidney injury was 31.4%. The Simplified Acute Physiology Score 3 and the Sequential Organ Failure Assessment showed higher scores in patients with kidney injury (58 (48–64) versus 48 (37–57), p = 0.02; 7 (6–9) versus 6 (5–7), p = 0.003), in addition to a longer stay in intensive care, 8 (6–16) versus 6 (5–8) (p = 0.02) days, respectively.

Conclusion:  Patients with acute kidney injury remained in intensive care longer, and the Simplified Acute Physiology Score 3 and the Sequential Organ Failure Assessment showed good performance, evidencing greater severity among patients with acute kidney injury in the postoperative period of coronary artery bypass grafting.

DESCRIPTORS
Critical Care; Simplified Acute Physiology Score; Acute Kidney Injury; Myocardial Revascularization

RESUMEN

Objetivo:  Determinar el impacto del Simplified Acute Physiology Score 3 y el Sequential Organ Failure Assessment en la evaluación de la gravedad de pacientes con lesión renal aguda en el postoperatorio de revascularización miocárdica con circulación extracorpórea.

Método:  Estudio de cohorte retrospectivo, con muestra no probabilística. El análisis inferencial se realizó mediante las pruebas chi-cuadrado de Pearson, exacta de Fisher y Mann-Whitney, con un nivel de significancia del 5%.

Resultados:  La prevalencia de lesión renal aguda fue del 31,4%. El Simplified Acute Physiology Score 3 y el Sequential Organ Failure Assessment mostraron puntuaciones más altas en pacientes con lesión renal (58 (48–64) versus 48 (37–57), p = 0,02; 7 (6–9) versus 6 (5–7), p = 0,003), además de una estancia más prolongada en cuidados intensivos, 8 (6–16) versus 6 (5–8) (p = 0,02) días, respectivamente.

Conclusión:  Los pacientes con lesión renal aguda permanecieron más tiempo en cuidados intensivos, y el Simplified Acute Physiology Score 3 y el Sequential Organ Failure Assessment mostraron buen desempeño, mostrando mayor gravedad entre los pacientes con lesión renal aguda en el postoperatorio de la cirugía de revascularización miocárdica.

DESCRIPTORES
Cuidados Críticos; Puntuación Fisiológica Simplificada Aguda; Lesión Renal Aguda; Revascularización Miocárdica

INTRODUÇÃO

A injúria renal aguda (IRA) é uma complicação após cirurgia cardíaca com incidências entre 5% e 42%, dependendo da gravidade, dos critérios diagnósticos utilizados e das características dos pacientes, o que afeta os resultados de curto e longo prazo(1). A gravidade da IRA é o principal determinante da mortalidade a curto e longo prazo, com taxas de 36,67% e 64,66%(2). Além disso, a IRA está associada ao aumento do tempo de internação hospitalar e dos custos totais relacionados à saúde(3).

A fisiopatologia da IRA associada à cirurgia cardíaca ainda não é totalmente compreendida. Geralmente, causas multifatoriais predispõem sua ocorrência durante os períodos pré-operatório, intraoperatório e pós-operatório, por envolver interações complexas entre fatores de risco do paciente, características da cirurgia e eventos clínicos subsequentes(4,5). Esses fatores atuam de maneira sinérgica e contribuem para o desenvolvimento de diferentes mecanismos da injúria renal. Assim, a precisão do cuidado é crucial, fundamentada na predição e personalização de estratégias centradas no paciente, implementadas precisamente no momento certo, durante o curso do gerenciamento clínico, para o alcance de melhores resultados clínicos(3). Isso inclui a identificação precoce de fatores de risco individuais, como comorbidades pré-existentes e parâmetros laboratoriais alterados, bem como a adoção de intervenções direcionadas(4).

A cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) predomina entre os procedimentos de cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea (CEC). Apresenta grande risco para o desenvolvimento de IRA, embora diferentes abordagens intervencionistas tenham impacto no início da IRA(4). Esse risco ocorre a partir da complexa interação entre a natureza invasiva do procedimento, os fatores fisiológicos envolvidos na CEC e as características clínicas dos pacientes(6).

Para gerenciar adequadamente a IRA associada à cirurgia cardíaca, tem-se utilizado modelos de predição ou sistemas de pontuação que, ao se revelarem promissores na identificação precoce de pacientes em risco, facilitam e otimizam as estratégias de tratamento no pós-operatório e, portanto, podem contribuir para melhorar o prognóstico(4). O prognóstico dos pacientes com IRA não depende apenas da etiologia da doença que a originou, mas também dos métodos diagnósticos e do manejo utilizados. O emprego de escores prognósticos, como o Simplified Acute Physiology Score 3 (SAPS 3)(7) e o Sequential Organ Failure Assessment (SOFA)(8), utilizados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para prever o risco de mortalidade, permite uma estimativa razoável do risco de morte para tomada de decisão clínica centrada no paciente, reduzindo a possibilidade de uma evolução complicada e piores desfechos.

A eficácia desses escores prognósticos parece ser bem aceita em pacientes de terapia intensiva, entretanto ainda há uma lacuna quando se tratam de estudos que evidenciam a relação entre SAPS 3 e SOFA no pós-operatório de CRM. O desempenho comparativo entre os escores SAPS 3 e SOFA na identificação de pacientes com maior risco de desfechos desfavoráveis permanece pouco explorado. Nessa perspectiva, o objetivo deste estudo é determinar o impacto do uso dos escores prognósticos SAPS 3 e SOFA na avaliação da gravidade de pacientes com IRA no pós-operatório de revascularização do miocárdio com CEC.

MÉTODO

Desenho, Período e Local do Estudo

Trata-se de estudo quantitativo, de coorte retrospectiva, realizado com base na diretriz STrengthening the Reporting of OBservational studies in Epidemiology (STROBE). Foi realizado em uma UTI adulto de um hospital público de ensino da região Centro-Oeste, Brasil. A coleta de dados foi realizada entre julho de 2023 e junho de 2024.

Definição da Amostra e Critérios de Seleção

A amostra foi do tipo não probabilística de conveniência, com pacientes que realizaram revascularização miocárdica com CEC. Foram incluídos pacientes com idade superior a 18 anos e pós-operatório de cirurgia de revascularização com CEC. Foram excluídos os que realizaram cirurgias combinadas, em cuidados paliativos, reoperações, com dados insuficientes no prontuário do paciente, taxa de filtração glomerular (TFG) estimada inferior a 30 mL/min/1,73 m2, conforme fórmula Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI)(9), ou em tratamento para doença renal crônica, como diálise no período pré-internação ou transplante renal. De 87 pacientes, dez foram excluídos por histórico de doença renal crônica, e três, por informações insuficientes para análise, constituindo, assim, uma amostra de 74 pacientes.

Protocolo do Estudo

Foram coletados dados de pacientes que realizaram CRM com CEC entre janeiro de 2021 e dezembro de 2023. O seguimento dos pacientes ocorreu durante 15 dias a partir da internação na UTI, desde o período de pós-operatório imediato e após de dez em dez dias até o desfecho hospitalar. Para coleta de dados, foi utilizado questionário com questões estruturadas contendo itens de caracterização clínica e cirúrgica, escores prognósticos (SAPS 3 e SOFA), comorbidades, parâmetros laboratoriais, hemodinâmicos e cirúrgicos (tempo de CEC, tempo de cirurgia, transfusão). A extração dos dados foi realizada a partir de prontuários físicos e eletrônicos. O escore SAPS 3 foi registrado na admissão na UTI, e o SOFA diário, para avaliação prognóstica e identificação do desfecho.

Os pacientes incluídos foram classificados com IRA e sem IRA no pós-operatório. A creatinina basal foi definida como a menor creatinina registrada no prontuário no período de sete até 365 dias antes da internação hospitalar. Quando ausente, registrou-se a menor creatinina dos primeiros sete dias de internação hospitalar(10).

A IRA foi definida segundo a classificação Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO), classificada em: KDIGO 1 (risco para injúria renal), na presença de aumento da creatinina sérica (Crs) em 0,3 mg/dL em 48 horas ou aumento de 1,5 vezes ou 1,9 vezes do valor basal em sete dias; KDIGO 2 (injúria renal), quando o aumento da Crs foi 2,0 a 2,9 vezes o valor basal; e KDIGO 3 (falência renal), quando o aumento da Crs foi de 3,0 vezes o valor basal ou quando houve necessidade de terapia de substituição renal (TSR). Somente pacientes classificados como estágio 3 têm indicação para iniciar tratamento de substituição renal. Foram classificados como ausência de agravo renal se a Crs e a TFG anterior se apresentassem maiores ou iguais a 60 mL/min/1,73 m2(11).

Os sistemas de predição prognóstica SAPS 3 e o SOFA têm seu uso comprovado no cenário clínico de pacientes em estado crítico internados em UTI. O SAPS 3 foi utilizado por ser um escore prognóstico para gravidade da doença, com a finalidade preditiva de mortalidade a partir de dados obtidos na admissão. O SOFA foi utilizado para identificar a disfunção orgânica, descrevendo alterações fisiológicas por sistema de órgãos(7,8). A IRA foi considerada precoce quando o paciente evoluiu com IRA em até 48 horas após internação na UTI, e a IRA tardia ocorreu quando a IRA acometeu os pacientes por períodos superiores a 48 horas(12).

Análise e Tratamento dos Dados

Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel 2021® com dupla conferência. A análise estatística foi realizada utilizando o software Statistical Package for the Social Sciences (IBM®SPSS®), versão 23. Houve análise descritiva com cálculo de frequências absolutas e relativas, média, mediana, desvio padrão, e intervalo interquartílico para descrever as características das variáveis e fornecer informações resumidas sobre os dados coletados.

Para análise inferencial, foi aplicado teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov, o qual não mostrou distribuição normal. Foram, então, realizados testes não paramétricos, como o teste qui-quadrado de Pearson e o teste exato de Fisher, para investigar a associação entre diferentes variáveis categóricas. O teste de Mann-Whitney foi empregado para comparar as medianas de duas amostras independentes em situações em que os dados não atendiam aos pressupostos de distribuição normal e homogeneidade de variâncias. O nível de significância adotado foi de 5%.

Aspectos Éticos

O estudo foi conduzido de acordo com as diretrizes de ética nacionais e internacionais, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde da Universidade de Brasília, sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética n° 61486022.0.0000.8093 e Parecer n° 5.740.310. Todos os pacientes incluídos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

Do total de 74 pacientes com e sem IRA, predominaram o sexo masculino (77,0%) e a etnia parda (67,6%). A idade acima de 60 anos foi similar entre ambos os grupos, assim como o Índice de Massa Corporal superior a 26 kg/m2. A maioria (74,3%) informou como comorbidades a hipertensão arterial e diabetes mellitus (43,2%). Todos necessitaram de antibióticos e drogas vasoativas, sendo a noradrenalina a mais frequente (81,1%). Além disso, 44,6% usaram diuréticos e 4,1% receberam TSR.

Quase todos (94,6%) evoluíram com alta da UTI. O tempo mediano de internação na UTI do grupo com IRA foi um pouco maior quando comparado ao sem IRA (8 (6–16) versus 6 (5–8) dias), assim como o tempo de internação hospitalar (22 (16–35) versus 16 (12–32) dias). O tempo mediano de cirurgia foi superior a 300 minutos, assim como o de CEC foi superior a 100 minutos em ambos os grupos. A gravidade dos pacientes com IRA representada pelo SAPS 3 foi de 58 (48-64), e pelo SOFA, foi de 7 (6–9), superior ao grupo sem IRA (Tabela 1).

Tabela 1
Caracterização demográfica e clínica dos pacientes em pós-operatório de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea – Brasília, DF, Brasil, 2021–2023.

No grupo de pacientes com IRA, predominaram KDIGO 1 (12,2%) e 2 (12,2%), ou seja, com risco e injúria renal. No entanto, mais da metade apresentou função renal preservada (68,9%). Do total de 23 pacientes com IRA, 20 (87,0%) foram diagnosticadas precocemente, e três (13,0%), tardiamente.

A ureia foi superior no grupo de pacientes com IRA (43 (37–66) mg/dL), como também a creatinina (1,00 (0,85–1,35)). Ambas foram significativamente diferentes entre os grupos, assim como o pH (valor de p = 0,001 versus 0,03). Hematócrito e hemoglobina foram significativamente reduzidos no grupo com IRA (valor de p < 0,001 versus 0,001). Os demais parâmetros bioquímicos e hemodinâmicos mostraram-se similares e na faixa tolerável de normalidade durante o período evolutivo dos pacientes (Tabela 2).

Tabela 2
Parâmetros hemodinâmicos e bioquímicos dos pacientes com e sem injúria renal aguda – Brasília, DF, Brasil, 2021–2023.

Conforme evidenciado na Tabela 3, independentemente do grupo, o sexo masculino foi predominante. A idade mediana acima de 60 anos caracterizou os dois grupos, assim como o sobrepeso e a etnia preta ou parda, ainda que sem diferença estatística. Em mais da metade de ambos os grupos, o motivo de internação foi cirúrgico. Antibióticos betalactâmicos, como cefuroxima, cefazolina e piperacilina, foram usados de forma significativa. O tempo de permanência na UTI foi significativamente superior no grupo com IRA (valor de p = 0,02), assim como o tempo de CEC (valor de p = 0,04). O SAPS 3 e o SOFA foram significativamente alterados no grupo com IRA (valor de p 0,02 versus 0,003).

Tabela 3
Associação de variáveis clínicas com a presença ou ausência de injúria renal aguda – Brasília, DF, Brasil, 2021–2023.

A Figura 1 mostra que aumentar o tempo de permanência hospitalar aumenta também a gravidade do paciente, conforme escore SAPS 3.

Figura 1
Correlação entre o escore SAPS 3 e tempo de internação hospitalar (Rho = 0,402; valor de p = 0,002). Brasília, DF, Brasil, 2021-2023.

A Figura 2 mostra que tanto o SAPS 3 quanto o SOFA se destacaram pela associação significativa com a IRA, com boa área sob a curva de 0,688 versus 0,737.

Figura 2
Correlação entre os escores SAPS 3 e SOFA e injúria renal aguda. Brasília, DF, Brasil, 2021–2023.

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo mostraram que, no pós-operatório de revascularização do miocárdio com CEC, aproximadamente um em cada três pacientes evoluiu com IRA de gravidade leve e moderada (KDIGO 1 e 2). O impacto dos escores SAPS 3 e SOFA na avaliação clínica do grupo com IRA mostrou elevada gravidade, se comparado ao grupo sem IRA, ainda que a mortalidade intra-hospitalar tenha acometido aproximadamente um em cada 12 pacientes e os desfechos da UTI e hospitalar predominantes tenham sido a alta, corroborado pela pequena necessidade de TSR e pela permanência de vários indicadores bioquímicos e hemodinâmicos, em geral, dentro da normalidade na população estudada, apesar do tempo de internação ser prolongado e associado a maior gravidade clínica e consequente risco de morte a longo prazo.

Resultados de evidências científicas demonstraram que, mesmo na IRA leve e reversível, como evidenciado na presente investigação, há risco contínuo de dano tecidual e orgânico e que, a priori, a IRA grave pode representar uma diminuição irreversível da função renal e, inclusive, insuficiência renal em estágio terminal(13,14). Estudos mostram maior probabilidade de IRA em idosos com insuficiência cardíaca e histórico de hipertensão, diabetes e outras doenças, consoante aos achados deste estudo. Altas expressões de nitrogênio ureico no sangue e de Crs, além de baixa expressão da TFG estimada, indicam função renal comprometida após cirurgia e, portanto, maior risco de IRA, ainda que de gravidade leve e moderada(14).

Ainda que a idade média dos pacientes com IRA globalmente seja de 60 anos, com a diminuição do status socioeconômico, essa idade pode ser reduzida para em torno de 50 anos em países de baixa e média renda. Neste estudo, a idade média dos pacientes com IRA foi superior ao grupo sem IRA, sugerindo que a idade avançada aumenta o risco de IRA após CRM(15,16), corroborado o fato de a maioria ser do sexo masculino, haja vista que a evidência científica destaca que 60% dos pacientes com IRA são homens(16,17).

A CRM com CEC tem sido associada ao aumento significativo dos custos totais, custos pós-operatórios, tempo de internação na UTI e internação hospitalar pós-operatória. Assim, prever o estado de saúde futuro desses pacientes é crucial. Identificar mudanças em sua situação clínica o mais precoce possível pode contribuir para o ajuste do tratamento e, portanto, prevenção da falência de órgãos com resultados desfavoráveis, como o óbito(18). Neste estudo, quanto maior o tempo de internação, maior a gravidade do paciente segundo os escores prognósticos SAPS 3 e SOFA.

Apesar dos avanços científicos, a cirurgia cardiovascular ainda envolve risco para complicações graves no cenário dos cuidados críticos. A IRA representa uma complicação notável, com impacto significativo na evolução clínica dos pacientes, determinante de alta incidência de morbidade e mortalidade(19). Além disso, a IRA requer TSR em 2% a 5% dos pacientes afetados, condição que pode agravar ainda mais a mortalidade(19). Neste estudo, aproximadamente um em cada oito pacientes necessitou de TSR, ainda que a maioria tenha obtido alta hospitalar.

Devido à morbidade e à mortalidade associadas à piora da função renal, o diagnóstico precoce é importante e deve ser buscado em populações de risco(19), como os idosos, também presentes em maior parte deste estudo. Em estudo de coorte retrospectivo realizado com a população da China, as taxas de mortalidade hospitalar para pacientes sem IRA e com IRA estágios 1, 2 e 3 foram de 0%, 2,4%, 10,0% e 22,2%(15), respectivamente, similar aos achados da presente investigação.

Após a cirurgia, a IRA também pode afetar o prognóstico e reduzir a taxa de sobrevivência de longo prazo dos pacientes(1516). Entre os achados deste estudo, a maioria dos pacientes com IRA no pós-operatório de revascularização com CEC foi identificada precocemente, ou seja, nas primeiras 48 horas de pós-operatório, o que ressalta a importância de alertas eletrônicos em programas laboratoriais como mecanismo disparador para detecção precoce de IRA. Na prática clínica, ao reconhecer alterações na Crs, esses alertas incrementam a notificação e proporcionam iniciativas mais precoces. Com isso, é possível obter melhores resultados para os pacientes, assim como benefícios potenciais durante a hospitalização e em longo prazo(15,20).

Estudo retrospectivo, conduzido com dados de pacientes submetidos à cirurgia de coração aberto na Arábia Saudita, destacou que pacientes com tempos de bypass cardiopulmonar (CEC) maiores que 90 minutos apresentaram danos renais mais significativos(21). Os resultados do presente estudo mostraram que o tempo de CEC superior a 100 minutos impactou de forma significativa o comprometimento renal. A CEC pode produzir uma série de fatores inflamatórios e causar danos aos tecidos. O suporte prolongado da CEC pode aumentar a hemólise, a liberação de hemoglobina livre e danificar a função renal ao liberar ferro como uma toxina endógena(15).

A CEC isoladamente ou associada ao envelhecimento pode predispor à redução da massa renal, alteração tubular e esclerótica do rim. Esse processo causa redução do fluxo sanguíneo renal e declínio da TFG a uma taxa de 6,3 mL/min/1,73 m2 por década. Portanto, a capacidade fisiológica diminuída do rim aumenta o risco de IRA(19). Neste estudo, a amostra foi caracterizada principalmente por pacientes idosos, ainda que a idade isoladamente não tenha sido um fator significativo para ocorrência da IRA.

Revisão sistemática de 13 estudos evidenciou que o tempo mediano de permanência na UTI de pacientes com IRA pelo critério de creatinina do KDIGO foi de 0,75 a 10 dias(22), semelhante aos achados do presente estudo, em que a mediana do tempo de internação nesse grupo de pacientes foi de oito dias.

A CRM impõe a necessidade de transfusão intraoperatória de hemácias, conforme destacado em estudo de coorte retrospectiva(15). No presente estudo, foi possível identificar diferença significativa nos níveis de hemoglobina entre pacientes com e sem IRA. Taxas diminuídas de hemoglobina são fatores determinantes de transfusão(23). Tanto a anemia quanto a transfusão de hemácias podem aumentar o risco de IRA perioperatória. A anemia causa aumento do estresse hipóxico renal e necessidade de transfusão de hemácias por aumento da resposta inflamatória e lesão relacionada aos radicais livres(23).

Meta-análise de ensaios clínicos constatou que pacientes com IRA são caracterizados por perda rápida da função renal, o que pode desencadear distúrbios eletrolíticos, acidose metabólica, sobrecarga de fluidos e aumento de toxinas urêmicas séricas(24). A uremia compreende um processo patológico que acompanha a IRA(24), como identificado entre os pacientes com IRA neste estudo. As doenças renais e cardíacas estão inter-relacionadas, e em ambos os distúrbios, verificam-se vários fatores de risco comuns, como hipertensão arterial e diabetes mellitus, também reconhecidos entre os achados deste estudo como as comorbidades mais frequentes.

O estabelecimento de escores prognósticos, como SOFA e SAPS 3, com base em funções sistêmicas de múltiplos órgãos, é uma estratégia de análise da gravidade prognóstica de pacientes críticos e uma das melhores formas de dirimir os riscos, subsidiando o cuidado centrado no paciente(25). É amplamente utilizado em terapia intensiva para nortear decisões clínicas e cuidados assistenciais(26). Conforme evidenciado nestes achados, com boa área sob a curva, escores prognósticos se mostraram confiáveis preditores da IRA no pós-operatório de revascularização do miocárdio com CEC.

Revisão sistemática incluindo 15 estudos concluiu que a toxicidade renal foi maior em pacientes em uso de vancomicina associado à piperacilina-tazobactam do que com qualquer outro agente isoladamente ou vancomicina associada a meropenem ou cefepima. Os presentes achados evidenciaram que antibióticos betalactâmicos, como os descritos, foram significativamente utilizados em pacientes que evoluíram com IRA no pós-operatório de CRM. A utilização de fármacos nefrotóxicos é um fator de risco modificável para IRA, e contribui em torno de 18,2% a 48,7% dos casos de IRA em pacientes críticos, em que os antibióticos atuam como gatilhos essenciais para IRA(27,28).

As opções de tratamento para IRA são muito limitadas. O diagnóstico clínico e o reconhecimento de sinais da IRA por profissionais como o enfermeiro podem contribuir para a implementação de medidas preventivas adequadas, baseadas em sistemas de pontuação/escores prognósticos, o que pode efetivamente favorecer a recuperação precoce da IRA, ainda que o diagnóstico dessa síndrome seja clinicamente tardio e norteado pela Crs.

As limitações deste estudo resultam da abordagem unicêntrica, com risco de viés de aferição relacionado ao registro de dados em prontuários, tamanho amostral limitado e emprego somente do critério de creatinina da classificação KDIGO, para avaliação da função renal, em razão da imprecisão do registro de volume urinário.

CONCLUSÃO

Escores prognósticos como SAPS 3 e SOFA mostraram bom desempenho e evidenciaram que o grupo com IRA foi clinicamente de maior gravidade. Entre os pacientes em pós-operatório de CRM, aproximadamente um em cada três evoluiu com IRA de gravidade leve e moderada (KDIGO 1 e 2) e maior tempo de permanência tanto na UTI quanto na unidade hospitalar.

  • Apoio financeiro O presente trabalho foi realizado em parte com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Brasil (CNPq) processo: 401923/2024-0 (versão em língua espanhola).

Referências bibliográficas

  • 1. Song Z, Yang Z, Hou M, Shi X. Machine learning in predicting cardiac surgery-associated acute kidney injury: a systemic review and meta-analysis. Front Cardiovasc Med. 2022;9:951881. doi: http://doi.org/10.3389/fcvm.2022.951881. PubMed PMID: 36186995.
    » https://doi.org/10.3389/fcvm.2022.951881
  • 2. Liu J, Xie H, Ye Z, Li F, Wang L. Rates, predictors, and mortality of sepsis-associated acute kidney injury: a systematic review and meta-analysis. BMC Nephrol. 2020;21(1):318. doi: http://doi.org/10.1186/s12882-020-01974-8. PubMed PMID: 32736541.
    » https://doi.org/10.1186/s12882-020-01974-8
  • 3. Huang H, Liu Y, Wu M, Gao Y, Yu X. Development and validation of a risk stratification model for predicting the mortality of acute kidney injury in critical care patients. Ann Transl Med. 2021;9(4):323–323. doi: http://doi.org/10.21037/atm-20-5723. PubMed PMID: 33708950.
    » https://doi.org/10.21037/atm-20-5723
  • 4. Alhulaibi AA, Alruwaili AM, Alotaibi AS, Nabih AF, Alramadhan HS, Koudieh MS. Validation of various prediction scores for cardiac surgery-associated acute kidney injury. J Saudi Heart Assoc. 2023;34(4):222–31. doi: http://doi.org/10.37616/2212-5043.1322. PubMed PMID: 36816793.
    » https://doi.org/10.37616/2212-5043.1322
  • 5. Vives M, Hernandez A, Parramon F, Estanyol N, Pardina B, Muñoz A, et al. Acute kidney injury after cardiac surgery: prevalence, impact and management challenges. Int J Nephrol Renovasc Dis. 2019;12:153–66. doi: http://doi.org/10.2147/IJNRD.S167477. PubMed PMID: 31303781.
    » https://doi.org/10.2147/IJNRD.S167477
  • 6. Maruniak S, Loskutov O, Swol J, Todurov B. Factors associated with acute kidney injury after on-pump coronary artery bypass grafting. J Cardiothorac Surg. 2024;19(1):598. doi: http://doi.org/10.1186/s13019-024-03103-0. PubMed PMID: 39380008.
    » https://doi.org/10.1186/s13019-024-03103-0
  • 7. Moreno RP, Metnitz PGH, Almeida E, Jordan B, Bauer P, Campos RA, et al. SAPS 3 - From evaluation of the patient to evaluation of the intensive care unit. Part 2: development of a prognostic model for hospital mortality at ICU admission. Intensive Care Med. 2005;31(10):1345–55. doi: http://doi.org/10.1007/s00134-005-2763-5. PubMed PMID: 16132892.
    » https://doi.org/10.1007/s00134-005-2763-5
  • 8. Ferreira FL, Bota DP, Bross A, Mélot C, Vincent JL. Serial evaluation of the SOFA score to predict outcome in Critically Ill patients. JAMA. 2001;286(14):1754–8. doi: http://doi.org/10.1001/jama.286.14.1754. PubMed PMID: 11594901.
    » https://doi.org/10.1001/jama.286.14.1754
  • 9. Levey AS, Stevens LA, Schmid CH, Zhang YL, Castro 3rd AF, Feldman HI, et al. A new equation to estimate glomerular filtration rate. Ann Intern Med. 2009;150(9):604–12. doi: http://doi.org/10.7326/0003-4819-150-9-200905050-00006. PubMed PMID: 19414839.
    » https://doi.org/10.7326/0003-4819-150-9-200905050-00006
  • 10. Chawla LS, Bellomo R, Bihorac A, Goldstein SL, Siew ED, Bagshaw SM, et al. Acute kidney disease and renal recovery: consensus report of the Acute Disease Quality Initiative (ADQI) 16 Workgroup. Nat Rev Nephrol. 2017;13(4):241–57. doi: http://doi.org/10.1038/nrneph.2017.2. PubMed PMID: 28239173.
    » https://doi.org/10.1038/nrneph.2017.2
  • 11. Kellum JA, Lameire N, Aspelin P, Barsoum RS, Burdmann EA, Goldstein SL, et al. Kidney disease: improving global outcomes (KDIGO) acute kidney injury work group. KDIGO clinical practiceguideline for acute kidney injury. Kidney Int Suppl. 2012 [cited 2024 Dec 5]; 2:1–138. Available from: https://kdigo.org/wp-content/uploads/2016/10/KDIGO-2012-AKI-Guideline-English.pdf
    » https://kdigo.org/wp-content/uploads/2016/10/KDIGO-2012-AKI-Guideline-English.pdf
  • 12. Li S, Liu M, Liu X, Yang D, Dong N, Li F. Associated factors and short-term mortality of early versus late acute kidney injury following on-pump cardiac surgery. Interact Cardiovasc Thorac Surg. 2022;35(3):ivac118. doi: http://doi.org/10.1093/icvts/ivac118. PubMed PMID: 35575352.
    » https://doi.org/10.1093/icvts/ivac118
  • 13. Lindhardt RB, Rasmussen SB, Riber LP, Lassen JF, Ravn HB. The Impact of acute kidney injury on chronic kidney disease after cardiac surgery: a systematic review and meta-analysis. J Cardiothorac Vasc Anesth. 2024;38(8):1760–8. doi: http://doi.org/10.1053/j.jvca.2024.03.044. PubMed PMID: 38879369.
    » https://doi.org/10.1053/j.jvca.2024.03.044
  • 14. Ru S, Lv S, Li Z. Incidence, mortality, and predictors of acute kidney injury in patients with heart failure: a systematic review. ESC Hear Fail. 2023;10(6):3237–49. doi: http://doi.org/10.1002/ehf2.14520.
    » https://doi.org/10.1002/ehf2.14520
  • 15. Li Y, Hou XJ, Liu TS, Xu SJ, Huang ZH, Yan PY, et al. Risk factors for acute kidney injury following coronary artery bypass graft surgery in a Chinese population and development of a prediction model. J Geriatr Cardiol. 2021;18(9):711–9. PubMed PMID: 34659377.
  • 16. Sun C, Chen D, Jin X, Xu G, Tang C, Guo X, et al. Association between acute kidney injury and prognoses of cardiac surgery patients: analysis of the MIMIC-III database. Front Surg. 2023;9:1044937. doi: http://doi.org/10.3389/fsurg.2022.1044937. PubMed PMID: 36684234.
    » https://doi.org/10.3389/fsurg.2022.1044937
  • 17. Kellum JA, Romagnani P, Ashuntantang G, Ronco C, Zarbock A, Anders H-J. Acute kidney injury. Nat Rev Dis Prim. 2021;7(1):52. doi: http://doi.org/10.1038/s41572-021-00284-z.
    » https://doi.org/10.1038/s41572-021-00284-z
  • 18. Gong H, Zhang T, Dong H, Lei C. Association of cardiopulmonary bypass with acute kidney injury in patients undergoing coronary artery bypass grafting: a retrospective cohort study. Chin Med J (Engl). 2023;136(23):2889–91. doi: http://doi.org/10.1097/CM9.0000000000002465. PubMed PMID: 36804463.
    » https://doi.org/10.1097/CM9.0000000000002465
  • 19. Wittlinger T, Maus M, Kutschka I, Baraki H, Friedrich MG. Identification of risk factors for renal failure after cardiac surgery by RFILE classification. Am J Cardiovasc Dis. 2021;11(1):155–63. PubMed PMID: 33815931.
  • 20. Scurt FG, Bose K, Mertens PR, Chatzikyrkou C, Herzog C. Cardiac Surgery-Associated Acute Kidney Injury. Kidney360. 2024; 5(6):909–26. doi:. http://doi.org/10.34067/KID.0000000000000466.
    » https://doi.org/10.34067/KID.0000000000000466
  • 21. Al-Githmi IS, Abdulqader AA, Alotaibi A, Aldughather BA, Alsulami OA, Wali SM, et al. Acute Kidney Injury After Open Heart Surgery. Cureus. 2022;14(6):e25899. doi: http://doi.org/10.7759/cureus.25899. PubMed PMID: 35844317.
    » https://doi.org/10.7759/cureus.25899
  • 22. Malbrain MLNG, Tantakoun K, Zara AT, Ferko NC, Kelly T, Dabrowski W. Urine output is an early and strong predictor of acute kidney injury and associated mortality: a systematic literature review of 50 clinical studies. Ann Intensive Care. 2024;14(1):110. doi: http://doi.org/10.1186/s13613-024-01342-x. PubMed PMID: 38980557.
    » https://doi.org/10.1186/s13613-024-01342-x
  • 23. Fisher L-A, Stephenson S, Reid MT, Anderson SG. Acute kidney injury following cardiopulmonary bypass in Jamaica. JTCVS Open. 2022;11:161–75. doi: http://doi.org/10.1016/j.xjon.2022.05.012.
    » https://doi.org/10.1016/j.xjon.2022.05.012
  • 24. Meijers B, Zadora W, Lowenstein J. A historical perspective on uremia and uremic toxins. Toxins (Basel). 2024;16(5):227. doi: http://doi.org/10.3390/toxins16050227. PubMed PMID: 38787079.
    » https://doi.org/10.3390/toxins16050227
  • 25. Li X, Liu C, Mao Z, Li Q, Zhou F. Timing of renal replacement therapy initiation for acute kidney injury in critically ill patients: a systematic review of randomized clinical trials with meta-analysis and trial sequential analysis. Crit Care. 2021;25(1):15. doi: http://doi.org/10.1186/s13054-020-03451-y. PubMed PMID: 33407756.
    » https://doi.org/10.1186/s13054-020-03451-y
  • 26. Luo X-Q, Yan P, Duan S-B, Kang Y-X, Deng Y-H, Liu Q, et al. Development and validation of machine learning models for real-time mortality prediction in critically ill patients with sepsis-associated acute kidney injury. Front Med. 2022;9:853102. doi: http://doi.org/10.3389/fmed.2022.853102. PubMed PMID: 35783603.
    » https://doi.org/10.3389/fmed.2022.853102
  • 27. Petejova N, Martinek A, Zadrazil J, Kanova M, Klementa V, Sigutova R, et al. Acute kidney injury in septic patients treated by selected nephrotoxic antibiotic agents—pathophysiology and biomarkers—a review. Int J Mol Sci. 2020;21(19):7115. doi: http://doi.org/10.3390/ijms21197115. PubMed PMID: 32993185.
    » https://doi.org/10.3390/ijms21197115
  • 28. Yousif ZK, Koola JD, Macedo E, Cerda J, Goldstein SL, Chakravarthi R, et al. Clinical characteristics and outcomes of drug-induced acute kidney injury cases. Kidney Int Rep. 2023;8(11):2333–44. doi: http://doi.org/10.1016/j.ekir.2023.07.037. PubMed PMID: 38025217.
    » https://doi.org/10.1016/j.ekir.2023.07.037

Editado por

  • EDITORA ASOCIADA
    Vanessa de Brito Poveda

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Abr 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    05 Dez 2024
  • Aceito
    06 Fev 2025
location_on
Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 , 05403-000 São Paulo - SP/ Brasil, Tel./Fax: (55 11) 3061-7553, - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: reeusp@usp.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro