RESUMO
Objetivo: O presente artigo objetiva analisar a atuação de docentes e preceptores do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde no desenvolvimento da colaboração interprofissional na Atenção Primária à Saúde.
Método: Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, do qual participaram docentes e preceptores do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde de cinco universidades federais do Nordeste brasileiro. Entre setembro e outubro de 2020, 44 trabalhadores responderam ao questionário on-line. Os dados foram tratados conforme procedimentos analíticos descritos por Bardin e interpretados à luz do Modelo quadridimensional da Colaboração Interprofissional com auxílio do software webQDA®.
Resultados: Foram identificadas três categorias: 1) Condução para o compartilhamento de objetivos comuns; 2) Mobilização para a internalização da interdependência entre profissionais e 3) Acompanhamento e ajuste para o desenvolvimento da colaboração interprofissional.
Conclusão: O estudo revelou que a atuação de docentes e preceptores para o desenvolvimento da colaboração interprofissional está centrada de modo relevante na conduta interativa entre profissionais de saúde e estudantes, bem como no desenvolvimento de ações e ajustes para o fazer colaborativo.
DESCRITORES
Educação Interprofissional; Equipe de Assistência ao Paciente; Preceptoria; Saúde; Atenção Primária à Saúde
ABSTRACT
Objective: This article aims to analyze the performance of professors and preceptors of the Education Program for Health Work in the development of interprofessional collaboration in Primary Health Care.
Method: Descriptive study, with a qualitative approach, in which professors and preceptors from the Education Program for Health Work of five federal universities in the Brazilian Northeast participated. Between September and October 2020, 44 workers responded to the online questionnaire. Data were processed according to analytical procedures described by Bardin and interpreted in light of the four-dimensional Model of Interprofessional Collaboration with the aid of webQDA® software.
Results: Three categories were identified: 1) Provision for sharing common goals; 2) Mobilization for internalization of interdependence between professionals, and 3) Monitoring and adjustment for the development of interprofessional collaboration.
Conclusion: The study revealed that the role of professors and preceptors in developing interprofessional collaboration is significantly focused on the interactive conduct between health professionals and students, as well as on the development of actions and adjustments for collaborative work.
DESCRIPTORS
Interprofessional Education; Patient Care Team; Preceptorship; Health; Primary Health Care
RESUMEN
Objetivo: Este artículo tiene como objetivo analizar la actuación de docentes y preceptores del Programa de Educación por el Trabajo para la Salud en el desarrollo de la colaboración interprofesional en la Atención Primaria de Salud.
Método: Estudio descriptivo, con abordaje cualitativo, en el que participaron docentes y preceptores del Programa de Educación por el Trabajo para la Salud de cinco universidades federales del Nordeste brasileño. Entre septiembre y octubre de 2020, 44 trabajadores respondieron al cuestionario en línea. Los datos fueron procesados de acuerdo con los procedimientos analíticos descritos por Bardin e interpretados a la luz del Modelo de Colaboración Interprofesional de cuatro dimensiones con la ayuda del software webQDA®.
Resultados: Se identificaron tres categorías: 1) Conducir hacia el intercambio de objetivos comunes; 2) Movilizar hacia la internalización de la interdependencia entre profesionales; y 3) Monitorear y ajustar hacia el desarrollo de la colaboración interprofesional.
Conclusión: El estudio reveló que el papel de los docentes y preceptores en el desarrollo de la colaboración interprofesional se centra significativamente en la conducta interactiva entre profesionales de la salud y estudiantes, así como en el desarrollo de acciones y ajustes para el trabajo colaborativo.
DESCRIPTORES
Educación Interprofesional; Equipo de Atención al Paciente; Preceptoría; Salud; Atención Primaria de Salud
INTRODUÇÃO
A colaboração interprofissional na Atenção Primária à Saúde (APS) é um elemento essencial para a qualificação do cuidado em saúde, uma vez que incentiva a integração de saberes e práticas entre diferentes profissionais. Fundamentada na Educação Interprofissional (EIP) e na prática interprofissional, essa abordagem torna-se um recurso estratégico para fortalecer o trabalho em equipe e potencializar os resultados em saúde, especialmente no enfrentamento de desafios como as condições crônicas e a vulnerabilidade social.
Definida como uma ação coletiva, a Colaboração Interprofissional (CIP) está pautada na parceria entre profissionais de saúde e usuários, no compartilhamento (planejamento, intervenção e responsabilidades), na interdependência (de um para com o outro) e no poder (compartilhado entre integrantes da equipe)(1). A adoção de estratégias que incentivem essa colaboração, como a educação pelo trabalho e a implementação de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, contribui significativamente para a transformação das práticas e a qualificação da assistência na APS(2).
A CIP acontece em contextos dos serviços de saúde e comunitários(2,3) e, conforme a literatura, existem esforços das instituições de ensino em programas de educação interprofissional, reflexões frente às experiências exitosas no contexto da APS, com o intuito de preparar os futuros profissionais de saúde para o desenvolvimento da prática interprofissional(4,5). Estudo realizado em Singapura com médicos e enfermeiros concluiu que a CIP melhora os resultados das pessoas assistidas, bem como a satisfação dos profissionais e os custos em saúde(6). Pesquisas na Europa e América do Norte avançam na propagação de processos inovadores de formação em saúde voltados às necessidades de saúde do usuário(7,8).
No Brasil, pesquisas anunciam o apoio institucional restrito(9,10) para o ensino e a prática interprofissional, as intervenções em equipe(11,12), a flexibilidade no currículo, a inclusão de experiências interprofissionais(7,9), a articulação ensino-serviço(9) e a atuação profissional que se distancie da prática mecanizada e fragmentada(10). Outras pesquisas, a partir das ações desenvolvidas no Programa de Educação pelo Trabalho para saúde (PET-Saúde), destacam o desenvolvimento de atividades colaborativas, nas quais estudantes, docentes e profissionais de saúde, juntos, de modo interativo e interdependente, compartilharam aprendizagens, trocaram saberes entre diferentes cursos e profissões(11,13).
No entanto, na prática, ainda existe a fragmentação do cuidado em saúde, além de percepções distorcidas sobre as profissões(12). Investir no desenvolvimento de estudantes e profissionais de saúde(4), bem como no acolhimento, no trabalho em equipe(5), nas práticas de cuidado em saúde mais colaborativas e de base comunitária(10,12), pode contribuir para a reorientação da formação e da atuação na saúde.
Como proposto no programa mencionado, as universidades participantes desenvolvem suas ações fundamentadas nas bases teóricas e metodológicas da EIP(14,15) com o intuito de fomentar a interprofissionalidade, assim como formar profissionais aptos para o trabalho colaborativo. Isto posto, considera-se o PET-Saúde/Interprofissionalidade um espaço de interação entre profissionais de saúde que estimula mudanças curriculares alinhadas às diretrizes curriculares dos cursos de saúde e induz o trabalho multi e interprofissional nos cenários de ensino-serviço(16). No entanto, obstáculos para o avanço da EIP persistem nas universidades brasileiras(10), o que requer a continuidade de investimento na formação em saúde e a mobilização da investigação sobre a atuação de educadores na condução da CIP no PET-Saúde/Interprofissionalidade.
Ressalta-se a importância do protagonismo de professores e preceptores no planejamento, condução e execução da CIP desenvolvida no Programa, bem como nas dimensões do modelo quadridimensional elaborado por D’Amour e colaboradores(17). Conhecer como o processo formativo vem sendo desenvolvido em programas indutores da EIP, pautado em um modelo que analisa as dimensões relacionais e organizativas, pode contribuir para a avaliação e implementação do Programa e de currículos interprofissionais.
Esse modelo estrutura-se em quatro dimensões: objetivos comuns e visão compartilhada, internalização, formalização e governança. Tais dimensões interagem e influenciam-se mutuamente. Todas fundamentam a CIP(17).
As dimensões “Objetivos comuns” e “Visão compartilhada” relacionam-se com a interação entre os profissionais e a distribuição de responsabilidades. A dimensão “Internalização” está relacionada à consciência de interdependência com outros profissionais e à natureza do seu trabalho. Na “Formalização”, as regras são estabelecidas e relacionadas com as intervenções clínicas e as modalidades de interação são instituídas. E por fim, a dimensão da “Governança” diz respeito às organizações e seus fatores externos e internos de estrutura e poder(17).
Diante do exposto, delineou-se o seguinte objetivo: analisar a atuação dos docentes e preceptores do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde no desenvolvimento da CIP na Atenção Primária à Saúde.
MÉTODO
Desenho do Estudo
Pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, que integra a tese intitulada “Colaboração Interprofissional no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde/Interprofissionalidade”. Aplicou-se checklist do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ)(18) e foram observados os requisitos relacionados aos métodos e aos demais tópicos, os quais serão discutidos a seguir.
Local
Cinco universidades federais que desenvolvem atividades do PET-Saúde/Interprofissionalidade na APS do Nordeste do Brasil, as quais participaram do programa em duas edições anteriores (edital número 14/2013 – PET-Saúde/Redes de Atenção à Saúde e o edital número 13/2015 PET-Saúde/Gradua SUS) no mesmo campus.
População
Docentes e preceptores do PET/Interprofissionalidade. O critério de inclusão estabelecido foi estar atuante no Programa por um período superior a 12 meses. Foram convidadas por e-mail (carta-convite) 130 pessoas, entre docentes e preceptores do PET/Interprofissionalidade. Destas, 60 aceitaram o convite e 44 responderam aos formulários, resultando assim em uma taxa de resposta de 73%. Para os que aceitaram o convite, foi enviado por e-mail o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o link de acesso ao questionário. Estabeleceu-se o período de 30 dias como tempo médio entre o envio do convite e o recebimento das respostas on-line.
Coleta De Dados
Na fase da coleta de dados, foram realizados seis testes-pilotos com preceptoras e docentes do PET-Saúde/Interprofissionalidade de universidades estaduais, seguindo o seguinte protocolo de realização: convite, envio TCLE com link de acesso do questionário, recebimento e análise das respostas, com comentários finais.
Após o aprimoramento do instrumento de coleta, foi realizada a coleta de dados por questionário aberto on-line, com instrução sobre o preenchimento, contento 14 questões, sendo elaborado e aplicado por uma pesquisadora experiente, por meio do link de acesso disponibilizado via Google Forms® entre os meses de agosto e outubro de 2020. O tempo de preenchimento para o questionário foi de 10 a 12 minutos.
Das questões formuladas, foram selecionadas aquelas relacionadas à caracterização dos participantes (sexo, graduação) e resposta sobre as estratégias utilizadas para introdução e ajustes à CIP. Não houve recusa ou suspensão da participação na pesquisa. Todos os participantes receberam uma cópia das respostas, o que permitiu confirmá-las.
Análise e Tratamento de Dados
Os dados advindos do questionário via Google Forms® foram transportados para uma planilha de Excel e transpostos como fontes internas para o software webQDA®. Com auxílio desse software, as pesquisadoras construíram o corpus da pesquisa, realizaram as operações de codificação e análise dos dados, e estabeleceram os índices e a frequência absoluta das 50 palavras mais recorrentes relacionadas à CIP no PET-Saúde/Interprofissionalidade.
A árvore de codificação adotou o formato hierárquico, a partir da classificação das fontes em critérios nomeados a priori como: identificação e compartilhamento de objetivos comuns, internalização da interdependência de outro profissional de saúde e ajuste para o desenvolvimento da CIP.
A análise e o tratamento dos dados deram-se por análise de conteúdo(19), ancorada no quadro teórico do Modelo de Estruturação da CIP(17) que se baseia no princípio da CIP em contextos da Atenção Primária a Saúde e presente no processo de surgimento e estruturação, a partir da perspectiva das interações.
A categorização dos dados foi feita por agregação das unidades de registro pelo critério palavras-tema, ou seja, a partir de enunciado temático. Em seguida, foram feitas as inferências a partir dos dados.
Aspectos Éticos
A pesquisa foi aprovada em 01 de julho de 2020 pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, sob parecer de nº 4.127.223. Os compromissos éticos foram respeitados, conforme orientações do Conselho Nacional de Saúde, para procedimentos em pesquisas com seres humanos, em qualquer etapa e em ambiente virtual(20). Para garantir o anonimato dos entrevistados, utilizou-se o codinome Entrevistado com a letra E, seguido do numeral ordinal apresentado por ordem crescente, a citar E1, E2 e assim sucessivamente. Conforme preconizado pela Ciência Aberta, foi disponibilizado o link do repositório no qual os dados de pesquisa foram depositados.
RESULTADOS
O estudo foi realizado com 44 participantes (26 preceptores, 18 docentes do PET), a maioria do sexo feminino, com diferentes graduações em saúde, tais como Ciências Biológicas, Enfermagem, Fisioterapia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Serviço Social. Desses, o maior percentual (45,5%) foi da Enfermagem.
Para melhor compreensão, e à luz do Modelo de Estruturação da CIP(17), a atuação dos docentes e preceptores na condução da CIP está descrita em três das quatro dimensões expressas nos resultados, nas seguintes categorias estabelecidas: 1) Condução para o compartilhamento de objetivos comuns, 2) Mobilização para a internalização da interdependência entre profissionais e 3) Acompanhamento e ajuste para o desenvolvimento da colaboração interprofissional.
1) Condução para o Compartilhamento de Objetivos Comuns:
Durante as atividades realizadas no PET-Saúde/Interprofissionalidade, docentes e preceptores conduziram a inserção dos estudantes no serviço de saúde e no processo de trabalho da equipe de saúde.
A inserção na realidade do serviço e do processo de trabalho da equipe de saúde, a partir do planejamento, execução e discussão das ações realizadas dentro e fora da Unidade Básica de Saúde [...] de forma articulada com os serviços e gestão (E6).
[...] Através do Diagnóstico Situacional levantado, possibilitou-se averiguar os possíveis problemas e entraves a serem trabalhados para a melhoria da assistência (E12).
Dentre as ações desenvolvidas, destacaram-se as reuniões de equipe, nas quais motivaram a interação e o estabelecimento de objetivos em comum. Concomitantemente, houve estímulo à escuta de outros profissionais de saúde, bem como dos usuários e da comunidade, conforme apontado a seguir:
Reunir todos os membros das equipes na qual os grupos tutoriais atuam, realizar oficinas, reuniões, debates para conhecimento sobre as profissões e práticas, de identificação dos pontos comuns das profissões, realizar planejamento de atividades na perspectiva interprofissional, estimular a escuta do usuário e a reflexão sobre a resposta do serviço às demandas dos usuários [...] (E5).
Encontros de definição de prioridades, planejamento e programação, avaliação, construção de agendas de atividades, organização e realização das atividades, estudos temáticos, tudo feito conjuntamente (E39).
As respostas dos participantes revelaram que a interação dos sujeitos do Programa em pequenos grupos e o alinhamento conceitual constituem outras ações empreendidas pelos orientadores do PET-Saúde/Interprofissionalidade. Essas ações aconteceram no contexto pandêmico, vivenciado na época:
Durante esse período [...] temos investido na qualificação dos estudantes, preceptores e docentes, [...]. As reuniões e encontros continuam acontecendo remotamente (E6).
[...] buscamos manter a organização de atividades em pequenos grupos (preservando a composição multiprofissional) e encontros regulares com todos os participantes do Grupo de Aprendizagem Tutorial para compartilhar experiências e debatermos aspectos conceituais. [...] (E7).
2) Mobilização para a Internalização da interdependência entre profissionais:
Nesta categoria observou-se que as ações relacionadas à internalização da interdependência do outro partem de debates sobre as atribuições de cada profissão, discussão de casos, articulação centrada na comunidade e desenvolvimento do domínio das competências colaborativas, assim como descrito a seguir:
Debates que promovam o conhecimento do papel de cada profissão, discussão de casos/situações problemáticas para identificação do papel de cada profissão na resolução do problema, com discussão das competências específicas, comuns e colaborativas [...] (E7).
A concepção pedagógica das ações do PET-Saúde/Interprofissionalidade das quais participo teve como intencionalidade dois princípios: atenção centrada na comunidade e foco no indivíduo e quatro domínios de competências: comunicação interprofissional, papéis profissionais, trabalho em equipe, ética e valores interprofissionais (E18).
Ademais, os entrevistados demonstraram utilizar o fazer de modo conjunto, que pode acontecer durante a implementação de um projeto terapêutico, visita domiciliária ou execução de uma roda de conversa.
As atividades são desenvolvidas nas Unidades Básicas de Saúde, junto aos profissionais da equipe e comunidade [...] Educação permanente, projeto terapêutico singular, consultas e visitas domiciliares compartilhadas [...] (E8).
[...] divisão de grupos de trabalho, respeitando a diversidade dos cursos e profissionais, acompanhamento da execução das atividades, rodas de conversa com integrantes de diferentes profissões [...] (E26).
Segundo alguns participantes, as ações realizadas conjuntamente resultam em encadeamento de atividades estabelecidas para priorizar a necessidade de interdependência entre os participantes do Programa, usuários e equipe:
Com a equipe, o foco era a elaboração de estratégias para o trabalho colaborativo; com os usuários, o foco era identificar demandas do cuidado em saúde para fortalecimento de ações interprofissionais [...] (E11).
[...] São traçadas as atividades a serem desenvolvidas com cada família e a meta a ser alcançada. As atividades são desenvolvidas, avaliadas e aplicadas. Em seguida, é levado para uma discussão em grupo (alunos, preceptores e docentes) e avaliado o sucesso ou não da atividade/atendimento. Assim, as famílias vão sendo atendidas de forma interprofissional. Para resolver problemáticas presentes nessas famílias [...] (E25).
Em uma das entrevistas, foi feita menção a essa parceria por parte de um participante do PET-Saúde/Interprofissionalidade:
Participação dos alunos, profissionais e comunidade nas práticas diárias do Serviço, com oportunidade de participação de todos nos processos de cuidado em saúde [...] (E12).
[...] parceria com redes organizadas de pacientes, reuniões com pacientes e seus médicos assistentes, estudos individuais e em grupo, pesquisas sobre os atendimentos com os usuários do serviço por caixa de sugestões (E13).
3) Acompanhamento e ajuste para o desenvolvimento da colaboração interprofissional:
A terceira categoria está relacionada aos ajustes realizados por docentes e preceptoras do PET-Saúde/Interprofissionalidade para o desenvolvimento da CIP. Uma das ações foi a (re)condução do fazer colaborativo, por meio do diálogo e do feedback da comunidade:
O diálogo é sempre o primeiro passo. Os grupos e reuniões semanais auxiliam muito na organização das atividades e no alinhamento das ações de cuidado e estratégias de interação e intervenção (E22).
Uma das demandas da comunidade era a implementação do grupo de mulheres. A cada ação realizada, era colhido o feedback da própria comunidade participante, com isso as próximas ações e participações podiam ser planejadas e ajustadas [...] (E37).
Outro aspecto oriundo dos depoimentos diz respeito ao alinhamento das condutas e redefinição das rotas de atividades:
Estudo de artigos científicos da Interprofissionalidade, reconhecimento da equipe multiprofissional e análise da consulta ampliada [...]. Construir projetos terapêuticos singulares (PTS) para alinhar condutas e encaminhamentos (E3).
Temos estimulado o debate sobre como tem sido realizado o trabalho em equipe, como tem sido a escuta entre os membros na realização das tarefas, quais estratégias eles têm utilizado na resolução de conflitos entre os membros e no equacionamento das decisões coletivas [...] para estimular a reflexão e a adoção de práticas solidárias e colaborativas (E44).
No que se refere aos ajustes para o desenvolvimento da CIP, os achados evidenciam a mobilização intra e interinstitucional em alguns setores da saúde e da educação:
[...] Envolvemos o (setor de recursos humanos) da Secretaria Municipal de Saúde em todas as etapas do projeto, mantendo-se cientes de todo planejamento e atividades realizadas; os professores pautam o tema da interprofissionalidade nas reuniões do Núcleo Docente Estruturante [...] (E5).
[...] Realização de encontros com os departamentos dos cursos de saúde, buscando sensibilizar os diversos atores da formação (E41).
DISCUSSÃO
É notória a representatividade das enfermeiras no que se refere à atuação dos docentes e preceptores do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde no desenvolvimento da CIP na APS, coerente com a representatividade da profissão nos diversos cenários. Autores argumentam que as enfermeiras têm atitudes mais positivas para a colaboração interprofissional(6).
Atuando como docentes ou preceptoras juntamente com outras categorias profissionais, as enfermeiras mobilizam ações para o compartilhamento de objetivos comuns, internalização da interdependência entre profissionais de saúde e acompanhamento e ajustes para o desenvolvimento da CIP. O conhecimento acerca das estratégias utilizadas pelas enfermeiras e demais profissionais de saúde evidencia a importância de investimento em experiências de aprendizado e cuidados interprofissionais, formação voltada para a experimentação, imersão e reflexão em contextos de trabalho em equipe de saúde da família e da comunidade.
No que diz respeito à condução para o compartilhamento de objetivos comuns - sendo este o ponto de partida em direção à CIP, ao inserirem os estudantes no cotidiano e processos de trabalho da equipe de saúde da família de modo interativo e em pequenos grupos, os facilitadores direcionam suas ações em convergência com o Modelo de Estruturação da CIP(17). Ao promoverem a escuta entre profissionais, usuários e comunidade, os estudantes são estimulados a tomar decisões compartilhadas. Dessa forma, buscam produzir respostas frente à realidade encontrada, assim como verificado em outros estudos desenvolvidos em contextos semelhantes(13,21). Contudo, embora o trabalho em equipe constitua uma realidade na APS(22), ainda se percebe a valorização da consulta individual(23).
No que se refere à mobilização para a internalização da interdependência entre profissionais de saúde, este estudo evidenciou que docentes e preceptoras do PET-Saúde/Interprofissionalidade têm disposição para investir na convivência mútua e na relação de confiança, elementos importantes na dimensão da Internalização da CIP. Os debates, as discussões de casos, as consultas e as visitas compartilhadas entre os participantes do PET-Saúde/Interprofissionalidade possibilitam saber sobre o outro profissional de saúde e influenciam as dimensões dos “Objetivos comuns” e das “Metas compartilhadas”, uma vez que se apropriam do cuidado colaborativo e do conhecimento do outro.
Quando os estudantes são estimulados a criar projetos terapêuticos, buscar articulação com pacientes e sua rede organizacional, potencializa-se o desenvolvimento da comunicação interprofissional e do cuidado centrado na pessoa, família e comunidade(8). Desenvolver tais competências é imprescindível para o desenvolvimento da colaboração interprofissional(24,25).
Embora se evidencie a potência de qualificar o cuidado em saúde por meio da atenção centrada no usuário, ainda é um desafio envolver os usuários na tomada de decisão sobre seus cuidados em saúde, conforme recomenda a Organização Mundial de Saúde(26,27).
No acompanhamento e ajustes para o desenvolvimento da CIP, esta faz conexão com duas dimensões do Modelo de Estruturação da CIP: Formalização e Governança(17). O alinhamento das condutas e a redefinição de rotas de atividades conduzidas pelos docentes e preceptores desse estudo alinham-se com a dimensão “Formalização”, uma vez que se apresentam sob a forma de troca de informações e formatação do processo de trabalho.
O diálogo entre os participantes do PET-Saúde/Interprofissionalidade e o feedback da comunidade na re(condução) do fazer colaborativo possibilitam valorizar e respeitar o usuário, esclarecer as responsabilidades e negociar como serão compartilhadas. Diante disso, é primordial superar as barreiras e desenvolver uma comunicação clara(10), uma vez que, segundo a pesquisa, o comprometimento da sinergia entre a equipe e a dificuldade na comunicação constituem obstáculos à colaboração interprofissional(4).
Outra ação identificada para o acompanhamento e o ajuste no desenvolvimento da CIP foi a mobilização intra e interinstitucional. Tal ação alinha-se com a dimensão “Governança” do Modelo de Estruturação da CIP. O papel político estratégico de docentes e preceptores do PET possibilitou uma direção clara para os estudantes, bem como um direcionamento para aprendizagem colaborativa.
Nos Estados Unidos da América, um programa de integração ensino-serviço semelhante ao PET-Saúde/Interprofissionalidade investiu na mobilização intra e interinstitucional para manutenção da CIP nos serviços de saúde(8). Além da experiência brasileira do PET-Saúde/Interprofissionalidade, outros países como a África do Sul(21) e Austrália(28) apostaram na criação de disciplinas e estágios interprofissionais como espaços para o desenvolvimento da CIP.
As experiências de aprendizagem interprofissional focadas na internalização da interdependência do outro revelam-se significativas enquanto estimulam a mudança, tanto na formação, como na atuação dos profissionais de saúde. Esse tipo de aprendizagem condiz com a andragogia, educação para adultos, e contribui para o desenvolvimento de habilidades direcionadas à tomada de decisão(29).
As limitações deste estudo residem na ausência de aprofundamento de questões relacionadas à influência dos fatores exógenos e estruturais, os quais interferem nos processos relacionais dos indivíduos. Assim, há necessidade de propostas investigativas sobre outros determinantes do processo colaborativo.
O avanço na área da saúde e da enfermagem também se relaciona com a mobilização continuada que o PET-Saúde/Interprofissionalidade tem para desenvolver práticas clínicas baseadas na colaboração e na interação entre profissionais, as quais permitem melhor integração para as práticas em saúde e contribuem para mudanças dos paradigmas para superar a fragmentação do cuidado e a supremacia do saber.
CONCLUSÃO
Os resultados do estudo permitiram identificar as ações norteadas realizadas no PET-Saúde/Interprofissionalidade, sob a ótica dos docentes e preceptores. A atuação de docentes e preceptores no Programa favoreceu aproximações com a colaboração interprofissional, ao possibilitar ao estudante a introdução de novas práticas no âmbito relacional e a estruturação de ação coletiva entre a universidade e os serviços de saúde. O estudo permitiu ainda constatar que existe disposição dos facilitadores para conduzir um projeto educacional interprofissional. Todavia, seu trabalho esbarra na informalidade do processo de trabalho colaborativo, na baixa governabilidade das ações colaborativas e na fraca coesão entre a universidade e o serviço de saúde, em direção à implantação da colaboração interprofissional na saúde.
Diante dos contributos e das limitações, constata-se a necessidade de investir no compartilhamento de saberes entre os envolvidos, no respeito à liberdade de decisão e no envolvimento das famílias e da comunidade. Além disso, são necessárias novas pesquisas que avaliem a colaboração na efetividade das mudanças comportamentais dos profissionais de saúde, em diferentes espaços de integração entre ensino, serviço e comunidade.
DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados do estudo foi publicado no próprio artigo.
Referências bibliográficas
-
1. D’Amour D, Ferrada-Videla M, San Martin Rodriguez L, Beaulieu M-D. The conceptual basis for interprofessional collaboration: core concepts and theoretical frameworks. J Interprof Care. 2005;19(Suppl 1):116–31. doi: http://doi.org/10.1080/13561820500082529. PubMed PMID: 16096150.
» https://doi.org/10.1080/13561820500082529 -
2. Organização Mundial de Saúde. Marco para ação em educação interprofissional e prática colaborativa [Internet]. Geneva: OMS; 2010. 62 p. (vol. 377) [cited 2019 May 21]. Available from: https://untref.edu.ar/uploads/Marco%20formacion%20interprofesional%20OMS-portugues.pdf.
» https://untref.edu.ar/uploads/Marco%20formacion%20interprofesional%20OMS-portugues.pdf. -
3. World Health Organization. Framework for action on interprofessional education and collaborative practice [Internet]. Geneva: WHO; 2010. 64 p. [cited 2018 Oct 1]. Available from: https://www.who.int/hrh/resources/framework_action/en/.
» https://www.who.int/hrh/resources/framework_action/en/. -
4. Fonseca CL, Costa LA, Freitas BHBM, Alencasteo LCS, Mizoguchi MV. Cuidado interprofissional à criança e ao adolescente: revisão de escopo. Rev Conex UEPG. 2021;17:1–24. doi: http://doi.org/10.5212/Rev.Conexao.v.17.17377.24.
» https://doi.org/10.5212/Rev.Conexao.v.17.17377.24 -
5. Queiroz DM, Oliveira LC, Araújo Fo PA, Silva MRF. Challenges and potentials of the production of comprehensive care in Primary Health Care in Brazil. Rev Bras Enferm. 2021;74(5):e20210008. doi: http://doi.org/10.1590/0034-7167-2021-0008. PubMed PMID: 34320156.
» https://doi.org/10.1590/0034-7167-2021-0008 -
6. Zheng RM, Sim YF, Koh GC-H. Attitudes towards interprofessional collaboration among primary care physicians and nurses in Singapore. J Interprof Care. 2016;30(4):505–11. doi: http://doi.org/10.3109/13561820.2016.1160039. PubMed PMID: 27269233.
» https://doi.org/10.3109/13561820.2016.1160039 -
7. Sunguya BF, Hinthong W, Jimba M, Yasuoka J. Interprofessional education for whom? Challenges and lessons learned from its implementation in developed countries and their application to developing countries: a systematic review. PLoS One. 2014;9(5):e96724. doi: http://doi.org/10.1371/journal.pone.0096724. PubMed PMID: 24809509.
» https://doi.org/10.1371/journal.pone.0096724 -
8. Banister G, Portney LG, Vega-barachowitz C, Jampel A, Schnider ME, Inzana R, et al. The interprofessional dedicated education unit: design, implementation and evaluation of an innovative model for fostering interprofessional collaborative practice. J Interprof Educ Pract. 2019;19:100308. doi: http://doi.org/10.1016/j.xjep.2019.100308.
» https://doi.org/10.1016/j.xjep.2019.100308 -
9. Silva JAM, Peduzzi M, Orchard C, Leonello VM. Educação interprofissional e prática colaborativa na Atenção Primária à Saúde. Rev Esc Enferm USP. 2015;49(spe 2):16–24. doi: http://doi.org/10.1590/S0080-623420150000800003. PubMed PMID: 26959149.
» https://doi.org/10.1590/S0080-623420150000800003 -
10. Tonin CF, Souza JM, Manfrini GC, Heidemann ITSB, Durand MK, Arakawa-Belaunde AM. How’s mental health? Dialogues and reflections on care strategies in Primary Health Care Care. Strategies in APS in Mental Health. Res Soc Dev. 2021;10(8):e5810817050. doi: http://doi.org/10.33448/rsd-v10i8.17050.
» https://doi.org/10.33448/rsd-v10i8.17050 -
11. Busse ACS, Ferreira FG, Mendes GF, Evangelista RA, Matos SQS, Anjos WBA. The interface between Education through Work for Health Program/Interprofessionality and the National Policy of Permanent Education in Health. Rev Ibero-Americana Humanidades. Ciênc Educ. 2021;7(2):17. doi: http://doi.org/10.51891/rease.v7i2.580.
» https://doi.org/10.51891/rease.v7i2.580 -
12. Villela EFM, Diniz TM, Ferreira BR, Rocha MGS, Garcia LPRR, Zanuzzi TRL. O papel da educação interprofissional no processo de reorientação da formação em saúde. NTQR. 2021;8:313–22. doi: http://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.313-322.
» https://doi.org/10.36367/ntqr.8.2021.313-322 - 13. Brasil, Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Edital nº 10, 23 de Julho de 2018. Seleção para o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde PET-Saúde/Interprofissionalidade. Brasília: Ministério da Saúde; 2018.
-
14. Barr H. Towards a competency-based model for interprofessional education. J Interprof Care. 1998;12(2):181–7. doi: http://doi.org/10.3109/13561829809014104.
» https://doi.org/10.3109/13561829809014104 -
15. Silva EAL, Silva RMO, Cordeiro ALAO, Silva GTR, Velôso RBP, Silva MES. Interprofessional collaboration in the program for education at work for health. Cienc Cuid Saude. 2023 [cited 2018 Oct 1];22:e65847. Available from: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/65847.
» https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/65847. -
16. França T, Magnago C, Santos MR, Belisário SA, Silva CBG. PET-Saúde/GraduaSUS: retrospectiva, diferenciais e panorama de distribuição dos projetos. Saúde Debate. 2018;42(spe 2):286–301. doi: http://doi.org/10.1590/0103-11042018s220.
» https://doi.org/10.1590/0103-11042018s220 -
17. D’Amour D, Goulet L, Labadie J-F, Martín-Rodriguez LS, Pineault R. A model and typology of collaboration between professionals in healthcare organizations. BMC Health Serv Res. 2008;8(1):188. doi: http://doi.org/10.1186/1472-6963-8-188. PubMed PMID: 18803881.
» https://doi.org/10.1186/1472-6963-8-188 -
18. Santos Souza VR, Marziale MHP, Silva GTR, Nascimento PL. Translation and validation into Brazilian Portuguese and assessment of the COREQ checklist. Acta Paul Enferm. 2021;34. doi: http://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO02631.
» https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO02631 - 19. Bardin L. Análise de conteúdo. 1. ed. São Paulo: Edições 70; 2016. 279 p.
-
20. Brasil, Ministério da Saúde. Orientações para procedimentos em pesquisas com qualquer etapa em ambiente virtual, de 24 de fevereiro de 2021 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021 [cited 2018 Oct 1]. Available from: https://www.ee.usp.br/wp-content/uploads/2023/03/Orientacoes_CONEP_procedimentos_ambiente_virtual.pdf.
» https://www.ee.usp.br/wp-content/uploads/2023/03/Orientacoes_CONEP_procedimentos_ambiente_virtual.pdf. -
21. Snyman S, Geldenhuys M. Exposing an interprofessional class of first years to an underserved community contributed to students’ contextualisation of the determinants of health. J Interprof Care. 2019;33(3):280–90. doi: http://doi.org/10.1080/13561820.2019.1566219. PubMed PMID: 30664385.
» https://doi.org/10.1080/13561820.2019.1566219 -
22. Peduzzi M, Agreli HF. Teamwork and collaborative practice in primary health care. Interface Commun Heal Educ. 2018;22:1525–34. doi: http://doi.org/10.1590/1807.57622017.0827.
» https://doi.org/10.1590/1807.57622017.0827 -
23. Monteiro PN, Pícoli RP, Souza GRM. Scope of practices of the Extended Family Health Center (NASF): perspective of professionals from NASF and the Family. Brazilian J Dev. 2021;7(6):55005–23. doi: http://doi.org/10.34117/bjdv7n6-076.
» https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-076 -
24. Canadian Interprofessional Health Collaborative. A national interprofessional competency framework [Internet]. Victoria: Public Health Association of BC; 2010. 32 p. [cited 2018 Oct 1]. Available from: https://phabc.org/public-health-core-competency-development/resources/cihc-national-interprofessional-competency-framework/.
» https://phabc.org/public-health-core-competency-development/resources/cihc-national-interprofessional-competency-framework/. -
25. Barr H, Low H. Introdução à Educação Interprofissional [Internet]. Fareham: Centro para o Avanço da Educação Interprofissional; 2013. 40 p. [cited 2018 Oct 1]. Available from: https://www.observatoriorh.org/sites/default/files/webfiles/fulltext/2018/pub_caipe_intro_eip_po.pdf.
» https://www.observatoriorh.org/sites/default/files/webfiles/fulltext/2018/pub_caipe_intro_eip_po.pdf. -
26. World Health Organization, United Nations Children’s Fund. A vision for health care in the 21st Century [Internet]. Geneva: WHO; 2018. 64 p. [cited 2018 Oct 1]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/WHO-HIS-SDS-2018.15.
» https://www.who.int/publications/i/item/WHO-HIS-SDS-2018.15. -
27. Silva IS, Arantes CIS, Fortuna CM. Conflict as a possible catalyst for democratic relations in the work of the Family Health team. Rev Esc Enferm USP. 2019;53:1–8. doi: http://doi.org/10.1590/s1980-220x2018003403455. PubMed PMID: 30942297.
» https://doi.org/10.1590/s1980-220x2018003403455 -
28. Brewer ML, Flavell HL, Jordon J. Interprofessional team-based placements: the importance of space, place, and facilitation. J Interprof Care. 2017;31(4):429–37. doi: http://doi.org/10.1080/13561820.2017.1308318. PubMed PMID: 28467132.
» https://doi.org/10.1080/13561820.2017.1308318 -
29. Oandasan I, Reeves S. Key elements for interprofessional education. Part 1: the learner, the educator and the learning context. J Interprof Care. 2005;19(Suppl 1):21–38. doi: http://doi.org/10.1080/13561820500083550. PubMed PMID: 16096143.
» https://doi.org/10.1080/13561820500083550
