Open-access GUAÍBA É UM RIO OU UM LAGO? UMA “QUESTÃO DE INTERESSE” PARA A PSICOLOGIA SOCIAL

¿ES GUAÍBA UN RÍO O UN LAGO? UNA “CUESTIÓN DE INTERÉS” PARA LA PSICOLOGÍA SOCIAL

IS GUAÍBA A RIVER OR A LAKE? A “MATTER OF INTEREST” FOR SOCIAL PSYCHOLOGY

Resumo

Este artigo parte da controvérsia em torno da classificação do Guaíba - se é um rio, um lago ou nenhum - para discutir como a construção de “verdades” científicas está imbricada em contextos sociais, políticos e culturais. Com base em uma cartografia das controvérsias, a partir de contribuições dos Estudos de Ciência e Tecnologia e da Psicologia Social, este artigo mapeia discursos midiáticos, populares, científicos e indígenas que deflagram disputas de tipificações do corpo hídrico. Situado no contexto das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, o texto provoca um olhar conectado à crise climática e ao Antropoceno, compreendido não apenas como uma era geológica, mas como uma virada epistemológica que tensiona a centralidade da análise para além do humano. Defende-se que a Psicologia Social deve estar atenta às controvérsias como formas de disputa por mundos possíveis, valorizando epistemologias plurais e práticas de cuidado.

Palavras-chave:
Mudanças Climáticas; Psicologia Social; Ciência; Tecnologia e Sociedade; Antropoceno; Estudos de Ciência e Tecnologia.

Resumen

Este artículo parte de la controversia en torno a la clasificación del río Guaíba -ya sea río, lago o ninguno de los dos - para analizar cómo la construcción de “verdades” científicas se entrelaza con los contextos sociales, políticos y culturales. A partir de una cartografía de controversias, con aportes de los Estudios de Ciencia y Tecnología y la Psicología Social, este artículo mapea los discursos mediáticos, populares, científicos e indígenas que generan disputas sobre la clasificación de este cuerpo de agua. Con las inundaciones de mayo de 2024 en Rio Grande do Sul como telón de fondo, el texto ofrece una perspectiva vinculada a la crisis climática y el Antropoceno, entendido no solo como una era geológica, sino como un cambio epistemológico que cuestiona la centralidad del análisis más allá de lo humano. Se argumenta que la Psicología Social debe estar atenta a las controversias científicas como formas de disputa sobre mundos posibles, valorando las epistemologías plurales y las prácticas de cuidado.

Palabras clave:
Cambio Climático; Psicología Social; Ciencia; Tecnología y Sociedad; Antropoceno; Estudios de Ciencia y Tecnología.

Abstract

This article draws on the controversy surrounding the classification of the Guaíba River - whether it is a river, a lake, or neither - to discuss how the construction of scientific “truths” is intertwined with social, political, and cultural contexts. Based on a cartography of controversies, drawing on contributions from Science and Technology Studies and Social Psychology, this article maps media, popular, scientific, and Indigenous discourses that spark disputes over the classification of water bodies. Set against the backdrop of the May 2024 floods in Rio Grande do Sul, the text offers a perspective connected to the climate crisis and the Anthropocene, understood not only as a geological era but as an epistemological shift that challenges the centrality of analysis beyond the human. It is argued that Social Psychology must be attentive to controversies as forms of dispute over possible worlds, valuing plural epistemologies and practices of care.

Keywords:
Climate Change; Social Psychology; Science; Technology and Society; Anthropocene; Science and Technology Studies.

1. Introdução

Este artigo parte de uma tensão que acompanha os porto-alegrenses e, a mim, desde a infância: o Guaíba é um rio ou um lago? Lembro-me de frequentar, com minha família, um clube cuja sede se localizava na Ilha do Pavão, situada no Guaíba, em que havia um mural com a seguinte frase: “Guaíba, o rio que não é rio”. Por mais que essa afirmação me intrigasse, seguíamos todos, cotidianamente, chamando-o de rio, mesmo que a nova tipologia, popularizada a partir da década de 90, o considerasse um lago. Anos depois, em uma aula de geografia no cursinho pré-vestibular nos anos 2000, uma professora fez uma observação que nunca esqueci: nenhum corpo hídrico no mundo tinha as mesmas características do Guaíba - por isso, não seria nem rio nem lago, e alguns pesquisadores já defendiam que sua classificação deveria assumir o nome próprio: “um Guaíba”.

No último ano, em maio de 2024, no Rio Grande do Sul (RS) vivenciamos a maior catástrofe climática da história do estado, um evento extremo que afetou mais de dois milhões de pessoas, deixou ao menos 172 mortos, atingiu mais de 400 municípios gaúchos e provocou o deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas (Marengo et al., 2024). Em Porto Alegre, a partir da cheia do Guaíba, 160.210 pessoas e 39.422 edificações foram afetadas, além de 160 unidades de ensino, 198 equipamentos públicos e 31 estabelecimentos de saúde, entre clínicas e hospitais (Prefeitura Municipal de Porto Alegre et al., 2024).

Nesse período, voltou a circular o questionamento a respeito se o Guaíba é um lago ou um rio, tanto nas redes sociais, na mídia e nos debates públicos (GZH, 2025; Agência Brasil, 2024; UOL, 2024). Um dos argumentos centrais para tal discussão diz respeito às implicações legais da classificação: de acordo com a legislação ambiental vigente, Lei nº 12.651/2012, o Novo Código Florestal Brasileiro, as margens de lagos têm uma faixa de proteção de 30 metros para dentro das cidades, já as de rio podem exigir até 500 metros de preservação (Brasil, 2012). Essa diferença impacta diretamente a ocupação do solo, as regularizações, os interesses imobiliários, a proteção ambiental e as políticas públicas, temática emergente frente à crise climática. Por isso, o debate extrapola a nomenclatura técnica e científica da área e envolve uma cena de interesses e ações movidas por ambientalistas, políticos e membros de movimentos sociais.

É justamente nesse ponto que a questão se torna relevante para a Psicologia Social: trata-se de compreender como as classificações que parecem neutras ou “apenas” científicas produzem efeitos sobre os modos de vida e o que está em jogo nesses campos de disputa. Este artigo se localiza a partir de reflexões de uma pesquisadora, porto-alegrense, que tem dedicado as suas pesquisas a partir da Psicologia Social conectada com os estudos contemporâneos das ciências, em especial a partir de autores como Bruno Latour, Donna Haraway e Maria Puig de la Bellacasa, de modo a descentralizar o humano da análise, a partir de uma ética ecológica e interdependente (Dell’Aglio, 2021; Dell’Aglio & Machado, 2025).

Esses questionamentos estão em diálogo a crise climática e o comprometimento das ciências com o Antropoceno: nomeação que tem se dado à nova era geológica marcada pelas consequências das ações humanas sobre o planeta1. O termo, originalmente cunhado pelo ecologista Eugene Stoermer, no início dos anos 1980, para se referir às crescentes evidências dos efeitos transformadores das atividades humanas na Terra, remete também a uma virada epistemológica, exigindo novas formas de pensar a coexistência e os modos de habitar o planeta, assim como sugere Haraway (2016). Portanto, pensar e falar sobre o Antropoceno é também refletir sobre qual ciência queremos fazer.

Latour (2020) faz o uso da categoria Antropoceno não para se referir a uma “crise” climática, mas sim para chamar de “mutação climática”, pois entende que a ideia de crise dá a sensação de que algo vai passar, enquanto a ideia de mutação dá a entender que estamos passando por um mundo novo. Essa mutação vai se manifestar tanto em questões ditas “da natureza”, quanto em questões políticas. E porque separamos o que seria, supostamente, da natureza de questões políticas? Quando pensamos em negacionismos, nacionalismos, autoritarismos, extremismos à direita estamos falando também de desastres ditos “naturais”, como desmatamento, enchentes, saúde, controle de pandemia, liberação de gases, efeito estufa. Não seria possível, portanto, pensar a crise/mutação “da natureza” de maneira separada do que seria a política, assim como do social.

E nesse campo de discussões, Latour (2019) propõe que, diante do Antropoceno torna-se imprescindível assumir responsabilidade com os modos de produção de conhecimento. Para o autor, as fronteiras rígidas entre ciências “humanas” versus “naturais” devem ser revistas a fim de encontrar mais aproximações e superar divisões herdadas da modernidade. Uma estratégia para romper com essa falsa dicotomia seria provocar o olhar ecológico nas ciências “humanas”, assim como “humanizar” as ciências “naturais”. E, em consonância, Maria Petrucci (2024) aponta que situar histórica e geograficamente o conceito de Natureza (com letra maiúscula para se referir a construção científica sobre ela), “seria o antídoto contra sua inevitabilidade ontológica” (Petrucci, 2024, p.65), referindo-se à “naturalização” da natureza como se fosse universal, atemporal e imutável.

Autores indígenas e decoloniais ampliam os debates contemporâneos ao questionar a concepção moderna de ciência da “natureza” como uma entidade. Davi Kopenawa, xamã e líder indígena, em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert (2016), apresentam como os Yanomami levam a sério a capacidade comunicativa de outros entes, como animais e espíritos, que se relacionam de modo sociopolítico. Ou seja, os entes não humanos têm capacidade de comunicação, intenção e ação com os quais os humanos estabelecem relações políticas e sociais. É social pois envolve vínculos, alianças e conflitos entre os agentes humanos e não humanos. É político pois envolve decisões, interesses e modos de organizar a vida.

Ailton Krenak (2020) também contribui para essa perspectiva a partir da cosmovisão do “bem-viver”, termo que expressa uma ética relacional entre todos os seres que habitam o planeta. Trata-se de uma constelação dos seres que compartilham “o ar com a gente, que bebem água com a gente, que pisam nessa terra junto com a gente” (Krenak, 2020, p.6). A ideia do bem-viver entende que todos os seres vivos, incluindo os humanos, estão dentro de uma ecologia planetária, não sendo alguém que age “de fora”, ou seja, não existe uma humanidade superior à natureza. Assim, se rompe com uma relação utilitarista com a Terra, uma vez que permite pensar junto com o planeta, como sugere Krenak (2020) em uma espécie de troca, uma “dança cósmica” entre os entes.

Assim, mais do que tipificar o Guaíba ou querer falar o que ele é ou não é, este artigo parte de outra questão: o que ele pode nos ensinar? Como que essas tentativas de tipificação evidenciam a forma que estamos tratando as ciências na contemporaneidade? A partir dos pontos teóricos colocados, esse artigo busca, portanto, apresentar a discussão contemporânea, em relação à tipologia do Guaíba enquanto uma “questão de interesse” (Latour, 2004) também da Psicologia Social.

Como aporte metodológico, este artigo parte de uma “cartografia das controvérsias” (Venturini, 2009), estratégia voltada a mapear e documentar controvérsias científicas e sociais a partir do campo epistemológico dos Estudos de Ciência e Tecnologia. Para isso, iremos apresentar o Guaíba enquanto um corpo hídrico e discutir a respeito dos discursos de sua tipificação que aparecem na mídia e em documentos acadêmicos. Ainda serão resgatadas informações etimológicas em conjunto com saberes originários, provocando que a discussão tipológica, por mais que necessária frente às leis concedidas para cada nomenclatura, faz parte de um cenário moderno que, por vezes, deixa de lado os saberes ancestrais.

Este artigo tem como objetivo refletir sobre como a discussão tipológica acerca do Guaíba - enquanto rio, lago ou outra categoria - evidencia a construção das “verdades científicas” como fenômenos situados, que estão imbricados em contextos sociais, políticos e culturais, tendo como contexto histórico as discussões desencadeadas após as enchentes de maio de 2024 no RS, assim como a crise/mutação climática de modo mais amplo.

2. O Guaíba

O Guaíba é um corpo hídrico localizado no estado do RS, alimentado pelas águas dos rios Jacuí, Caí, Sinos e Gravataí. Ele possui 85 km de margem esquerda e 100 km de margem direita, com área média de 496 km2, banhando os municípios de Porto Alegre, Viamão, Eldorado do Sul, Guaíba e Barra do Ribeiro. O Guaíba possui ligação com o desenvolvimento de Porto Alegre e região metropolitana desde o período colonial brasileiro que chegaram no território através das vias navegáveis, entre o interior do estado e o mar, fixando suas residências nas margens (Andrade et al., 2019). Já no século XVIII, tornou-se fonte de abastecimento de água da capital, sendo que, em 1961, foi criado o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), responsável pela captação e distribuição de água potável na cidade (Andrade et al., 2019) até os dias atuais.

O Guaíba é um ponto turístico da cidade de Porto Alegre pelo seu famoso pôr-do-sol. A sua orla foi recentemente reformada e a população da cidade costuma se reunir em suas margens que conta com cafés, restaurantes, bares, pista de skate, pracinhas infantis, quadras de esportes, pista de corrida e espaço para andar de bicicleta. Carrega um grande símbolo da cidade que, mesmo não sendo diretamente banhável2 no espaço mais central, hospeda um ambiente de encontros, cultura e arte na cidade, mostrando a sua importância histórico-cultural. O Guaíba também recebe práticas de remo e vela, entre outros tipos de navegações.

Historicamente, segundo o documento publicado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (Hasenack et al., 2009), a temática de que o Guaíba não seria um rio começou a ser levantado em 1958, a partir de um questionamento realizado na XIII Assembleia da “Associação dos Geógrafos Brasileiros”. A defesa que surgiu de alguns pesquisadores é que o corpo hídrico fosse classificado como estuário. Por não haver consenso, enquanto isso, recomendava-se que nos mapas que fossem impressos usassem apenas o nome Guaíba sem a designação de rio ou de estuário, até que o assunto fosse satisfatoriamente esclarecido. Porém, foi apenas em 1998 que o governo do RS o renomeia oficialmente o Guaíba como lago (Governo do Estado do RS, 1998).

Após uma revisão histórica e técnica, os autores concluem que “o Guaíba foi um estuário no passado, é um lago no presente e será, num futuro remoto, um rio, pelo simples fato de que o destino dos lagos é o assoreamento de sua bacia” (Hasenack et al., 2009, s/p). Este assoreamento é o processo de acúmulo de sedimentos, como areia, lama, lixo e outros materiais que, segundo os autores, é um processo de evolução natural. Esse diagnóstico, ainda que baseado em argumentos científicos, desloca a ideia de uma natureza imutável, revelando que os próprios corpos d’água possuem história, tempo e transformação. Aí já podemos pensar que o Guaíba não apenas “é” algo - ele se torna, em um processo de coprodução entre dinâmicas geológicas, práticas humanas e regimes de conhecimento. Se a natureza está em movimento, as categorias que a tentam fixar também podem ser interrogadas.

A discussão sobre a tipologia do Guaíba foi tema do programa “Conversas Cruzadas” da RBS TV, exibido no dia 04 de junho de 2025, aproximadamente um ano após a enchente que atingiu o RS. Neste programa de televisão, foram convidados dois professores com posições divergentes: Elírio Ernestino Toldo Jr, do Centro de Pesquisas do Instituto de Geociências/ UFRGS, e o engenheiro civil com pós-doutorado em recursos hídricos e professor emérito do IPH/UFRGS, Carlos Tucci. A mediação televisiva construiu a narrativa por meio de uma polarização: - “é rio ou é lago?” - posicionando cada pesquisador como representante de uma das perspectivas. Essa abordagem midiática de tratar a questão expressa que o interesse não era apenas produzir conhecimento, e sim “polemizar” para promover a discussão para que o público se engajasse em uma enquete: “Como você chama o Guaíba: rio ou lago?”. O resultado indicou que 65% dos participantes o chamam de rio, reforçando a prevalência dessa designação no imaginário popular.

Dentre os posicionamentos, temos argumentos diferentes. De outro lado, o professor que defende que o Guaíba é um rio, aponta que esse é um trabalho eminentemente técnico e não um trabalho político, ou seja, não enxerga “polêmica” em tal discussão. Em sua manifestação, ele salienta que a dinâmica sedimentar do Guaíba faz parte da grande bacia hidrográfica que existe no estado, ou seja, o Guaíba não existe “sozinho”, uma vez que se conecta com a Lagoa dos Patos, assim como com os rios que desembocam. Por isso, o professor Elírio propõe que o Guaíba deva ser compreendido por “dentro”, ou seja, a partir da sua dinâmica interna de circulação hídrica e sedimentar. Para tanto, ele toma como referência os sedimentos do fundo da Lagoa dos Patos, um fundo lamoso. Essa lama, em forma de substrato lamoso, tem trânsito dentro do Guaíba. Ou seja, os sedimentos percorrem um trajeto, atravessando o Guaíba, com destino à Lagoa dos Patos e, posteriormente, ao Oceano Atlântico. Segundo o professor Elírio, esse padrão de circulação é de rio, especialmente até a região de Itapuã, onde desemboca na Lagoa dos Patos. Esse fluxo constante é também uma das razões para a coloração amarronzada: as partículas de lama em suspensão que dão a aparência de água parada. Porém, essa impressão se refere à camada superficial, pois a nível mais profundo, ou seja, de “dentro”, como o professor defende, tem um fluxo ativo e contínuo. Com base em cálculos que consideram essa lógica tridimensional da circulação hídrica - em profundidade, largura e extensão - o professor argumenta que o Guaíba se comporta como um rio.

Por outro lado, o professor Carlos se posiciona a partir de um ponto de vista hidráulico e hidrológico, defendendo que, quando analisado em suas três dimensões - longitudinal, transversal e vertical - o Guaíba apresenta um comportamento mais compatível com o de lago. Para ele, o tempo de renovação do volume de água estaria em uma zona intermediária entre sistemas lóticos (de águas correntes, como rios) e o lênticos (de correntes mais demoradas, como as de lago), aproximando-se mais deste último. Para o professor, se fossem aplicadas as escalas e parâmetros convencionais utilizados para caracterizar rios, o Guaíba não se ajustaria adequadamente, uma vez que os rios têm tempo de renovação de volume de, aproximadamente, dois dias, enquanto de lago de 40 dias. O Guaíba estaria nesse intermediário de, aproximadamente, 10 dias. Do outro lado, o professor Elírio justifica a classificação do Guaíba como rio, argumentando que, apesar de que a água leve mais tempo para atravessá-lo, isso se deve ao seu volume descomunal. Já o professor Carlos retoma que os sistemas de medição hidrológica não permitem simular o Guaíba enquanto um rio, aproximando-o de um lago.

Para além da discussão tipológica, o programa Conversas Cruzadas também abordou as implicações ambientais da classificação. Uma das principais consequências diz respeito à legislação ambiental: ao ser considerado lago, a sua margem de proteção é menor do que ao ser considerado rio, o que impacta diretamente a ocupação do entorno do Guaíba. Em um primeiro momento, essa informação pode sugerir que a classificação como lago implica menor proteção ambiental. No entanto, essa ideia é relativizada ao longo do debate. O professor que defende a nomenclatura “lago” argumenta que, paradoxalmente, a classificação como rio pode permitir um maior lançamento de fósforo e outros poluentes nos cursos d’água, uma vez que a legislação presume que a maior vazão fluvial possibilita maior diluição. Já o professor que defende a classificação como rio contesta esse ponto, afirmando que o Guaíba não enfrenta problemas críticos de poluição que justifiquem essa preocupação.

Já em reportagem (Jacobsen, 2025), a respeito da audiência pública que aconteceu em maio de 2025, um ano após as enchentes, com o objetivo de ouvir a comunidade científica a respeito desta polarização, a mídia parece operar de um modo que soa enquanto deboche. No próprio título da reportagem aparece: Guaíba, rio, lago ou “não binário”, entre aspas, fazendo alusão, claramente, às discussões de gênero e sexualidade. Essa analogia, embora aparentemente irreverente, não dialoga com a fala do geógrafo e professor do Departamento Interdisciplinar da UFRGS, Dilermando Cattaneo da Silveira, que, justamente, problematiza quem tenta debochar ou minimizar a relevância da discussão:

“Será que a gente sempre tem que se adaptar aos guias ou os próprios guias podem se adaptar ao que é a natureza? Considero que o Guaíba é rio e lago! E não é nem como alguns colegas brincam: “nossa, ele é não binário, é um Guaíbe”. Não, não se trata disso, mas de entender que talvez essas denominações para este complexo todo não caibam. Por isso, inspirado em colegas do Litoral Norte, minha proposição é de um complexo fluvio-deltaico-lacustre - disse Silveira.” (Jacobsen, 2025, s/p)

O que essa controvérsia revela, relacionando com os Estudos da Ciência e da Tecnologia: é que ambos os pesquisadores do programa de televisão Conversas Cruzadas estão partindo de sistemas de referência e métricas previamente definidos, ou seja, parâmetros classificatórios construídos a priori para caracterizar um corpo hídrico. Inclusive, o professor Dilermando pontua essa tensão quando questiona sobre qual motivo os guias não podem se adaptar à natureza. Dessa forma, por serem de áreas acadêmicas relativamente diferentes que estão em discussão, o que parece estar em disputa, no debate apresentado, é quais dispositivos de medição e classificação são legitimados. Inclusive, no debate, o professor Elírio reforça que é “só” medir: “vamos demonstrar com dados medidos que é um rio”.

3. Questões de fato, interesse e cuidado

A noção de Bruno Latour (2004, 2019) de matters of concern (questões de interesse), compõe-se a de matters of fact (questões de fato), que buscam deslocar a compreensão da ciência como produtora de verdades absolutas e neutras. Ao introduzir essa distinção, no contexto da teoria ator-rede (actor-network theory - ANT), Latour (2004) propõe que os fatos científicos devem ser compreendidos como resultados de processos complexos, nos quais múltiplos atores - humanos e não humanos - estão envolvidos. Matters of fact significa uma verdade objetiva a ser definida tecnicamente, um dado, um objeto, uma “descoberta” científica que existe na natureza e pode ser constatado. Já o conceito de matters of concern reconhece que todo fato é composto por redes de relações e negociações. Isso não significa dizer que uma “questão de interesse” é menos real, mas sim apontar que é um fato que importa, que mobiliza atores e está entrelaçada em disputas - assim como a discussão do corpo hídrico do Guaíba.

Latour (2004) objetiva, com esses dois conceitos, provocar o construcionismo social absoluto e “puro”. Ou seja, a discussão aqui é também epistemológica - como queremos produzir conhecimento e ciência, tanto nas ciências ditas sociais, quanto naturais - polarização que também pode ser questionada. O construcionismo social absoluto, por um momento, defendeu que “tudo” seria construção social. Para o autor, se “tudo” é construído, “nada” existe, o que se cria uma guerra científica perigosa: o fortalecimento de discursos negacionistas, que se apropriam da crítica à ciência para desacreditar até mesmo fatos amplamente estabelecidos, como a forma da Terra ou as leis da gravidade. Diante disso, o autor sugere que é preciso repensar a relação entre as ciências naturais e sociais, reconhecendo que os fatos não são dados brutos, mas também não são inteiramente arbitrários - eles se estabilizam por meio de redes de mediação, disputa e negociação.

Tratar o Guaíba como uma “questão de fato” é assumir que ele é ou um rio ou um lago, bastando uma análise técnica e de medição para determinar sua “verdadeira” natureza. Já, tratar o Guaíba como uma “questão de interesse” é reconhecer que sua classificação envolve muito mais do que hidrologia: inclui disputas territoriais, direitos ambientais, legislações urbanas, saberes indígenas, interesses econômicos e consequências ecológicas. Ou seja, é uma questão que importa - e que não pode ser resolvida de forma simples.

E esse é um motivo pelo qual é tão importante que a Psicologia Social se aproprie dessa discussão. Aqui, estamos provocando que aquele objeto da ciência dita “natural”, como um lago ou um rio, é também objeto de reflexão e conhecimento das ciências ditas “sociais”, uma vez que essas polarizações entre natureza e cultura, sujeito e objeto, humano e não humano têm sido crescentemente questionadas por abordagens contemporâneas. Ao assumir que entidades como o Guaíba são constituídas por redes de mediações, abrimos espaço para que a Psicologia Social contribua com a análise dos modos como esses objetos são nomeados e disputados no tecido social. Trata-se de pensar os modos de existência que estão em jogo na classificação de um corpo d’água, assim como os efeitos subjetivos, coletivos e institucionais dessas classificações.

O diálogo entre os conceitos de matters of fact e matters of concern dá a entender que as verdades dialogam com interesses contemporâneos, com necessidades, com controvérsias. Latour (2004) desenvolve a ideia, portanto, de que nunca mais será construcionista: “Isso não significa para nós, (...) estávamos errados, mas apenas que a história muda rapidamente, e que não há crime intelectual maior do que enfrentar os desafios do presente com equipamentos feitos para uma época mais antiga.” (Latour, 2004, p.231, tradução livre). O autor sugere que os fenômenos contemporâneos não devem mais ser analisados por meio da desconstrução ou da denúncia, mas sim de maneira agregada - em “rede”, acoplados, conectados, tentaculares e com um olhar para os agentes humanos e não humanos. Ou seja, para Latour (2004), o papel do crítico já não é mais o que desmascara, mas aquele que reúne. Isso significa dizer que olhar para a discussão sobre o Guaíba ser um rio ou lago, de forma crítica, não significa dizer que essa discussão não importa ou que ela é apenas resultado puro de uma construção social colonialista. Ao contrário, implica reconhecer a potência das controvérsias, como oportunidade de reunir saberes, práticas e agentes, de modo cuidadoso e aprofundado.

As “questões de interesse”, como apontam Carlos Baum, Cleci Maraschin e Erika Neres Markuart (2019), se movem, transbordando suas fronteiras, incluindo gradualmente novos elementos e, para elas existirem, devem ser desejadas, criadas e formuladas. Elas devem ser, ainda, experienciadas e vividas. As consequências dessas definições podem ser desencadeadas ao longo prazo - e aí está a responsabilidade científica. Ao reconhecer que toda questão que importa é também uma questão situada e afetivamente atravessada, desloca-se a ideia de neutralidade científica para uma ética da implicação. Em outras palavras, ao formular uma “questão de interesse”, o/a cientista ou o/a pesquisador/a não está apenas investigando algo “fora de si”, mas está coproduzindo mundos possíveis, afetando e sendo afetado/a por eles. A responsabilidade, portanto, não se restringe à exatidão dos dados, mas envolve também as consequências ético-políticas dos mundos que ajudamos a instaurar com nossas perguntas, nossos recortes e nossas escolhas teóricas.

Aqui falo do Guaíba porque ele me atravessa, ele faz parte do meu mundo, e me coloca em uma posição que me possibilita pensar sobre (Haraway, 1995). De um lugar de quem sempre frequentou e amou esse corpo hídrico de forma relacional - um final de tarde sempre acaba melhor depois de um pôr-do-sol no Guaíba. Do mesmo modo, a enchente de maio de 2024 atravessou nossos cotidianos de forma avassaladora. Não somos mais os mesmos depois dessa experiência que impactou a cidade e o Estado de modo tão profundo. A cheia do Guaíba convocou estratégias de cuidado: emergencial, político, reparador. E, após o susto do colapso catastrófico, seguem se criando estratégias de cuidado possíveis frente ao contexto climático, da mesma forma que seguem sendo negligenciados os mesmos grupos, uma vez que enchentes de menor proporção seguem acontecendo (Rocha, 2025).

Pensar, assim, o Guaíba como uma “questão de interesse” é reconhecer que os modos de o nomear se relacionam também com decisões que configuram práticas de cuidado. E ao falar em práticas de cuidado, podemos ampliar o debate a partir da proposta de Maria Puig de la Bellacasa (2017), que introduz a noção de matters of care (questões de cuidado) como um deslocamento das “questões de interesse” propostas por Latour (2004). Se este último nos convida a observar os agenciamentos que sustentam os fatos e os tornam relevantes socialmente, Puig de la Bellacasa (2017) nos convoca a olhar para os afetos, interdependências e responsabilidades que atravessam tais agenciamentos. Como ela afirma, é necessário desenvolver “mais consciência sobre o que cuidamos e como isso contribui para se importar/construir/transformar (mattering) o mundo” (Puig de la Bellacasa, 2017, p. 41, tradução livre). Ao propor que nossas preocupações sejam também práticas de cuidado, a autora nos provoca a pensar as relações entre conhecimento, ética e manutenção da vida de maneira situada, relacional e material.

No debate sobre a classificação científica do Guaíba, a proposta do olhar a partir das “questões de cuidado” permite deslocar o foco para além da nomeação técnica, convidando-nos a reconhecer o Guaíba como um corpo vivo, que deve ser objeto de cuidado - demanda cuidado - ao mesmo tempo que cuida. Ou seja, quem se importa com o Guaíba e quais são as consequências disso? Como ele importa? De que formas ele convoca práticas de responsabilização e de reconstrução? Diante de eventos extremos, as práticas de cuidado nos dizem sobre formas de atenção que devemos ter com as águas, com os territórios alagados, nos convocando a pensar em outras formas de habitar. Nesse sentido, a Psicologia Social, ao articular-se com os Estudos da Ciência e da Tecnologia e com os feminismos do cuidado, pode contribuir para uma política do conhecimento mais sensível à vida das coisas, às suas interdependências e às consequências que delas decorrem.

4. Conhecimentos ancestrais a respeito do Guaíba

Ao fazermos o questionamento se o Guaíba é um rio, um lago ou nenhuma dessas categorias, é crucial considerar isso se apresenta como problema porque parte de uma lógica classificatória moderna, colonial, assentada na necessidade de nomear, delimitar a natureza para fins de controle e gestão. No entanto, como sugere Latour (2004), essas classificações não são apenas construções sociais ou imposições arbitrárias: elas operam em meio a uma rede de relações que se constituem. Ao somar diversos agentes nas análises, é fundamental levar em consideração os conhecimentos ancestrais que conseguimos alcançar.

O Guaíba carrega em si outras possibilidades de existência e de nomeação. Segundo o professor Rualdo Menegat, em entrevista para UOL (2024), o nome Guaíba é de origem tupi-guarani e significa “encontro das águas”. O mesmo significado é encontrado em artigo Andrade et al. (2019), que apresenta outros dois significados: “baía de todas as águas” ou “ponto de encontro”, similar como apresentado no site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (n.d), com o significado de “lugar onde o rio se alarga”. Ao mesmo tempo, é possível encontrar outras definições: Gua significaria enseada, vale, recôncavo, baixada, enquanto ybá, corresponderia a fruto, configurando assim o sentido de “rio do vale das frutas”. Outras variações apontam para ybá como ruim, difícil, sem peixe, não navegável, sugerindo o significado de “enseada não navegável” ou “de difícil navegação” (Ramírez, 1997). Uma interpretação semelhante aparece no site Dicionário Tupi (n.d): “Brejo, pântano - gua (lagoa) + aíba (ruim)”.

Por mais que não haja um consenso no seu significado de origem, é indiscutível a presença indígena nesse território. Em um horizonte histórico mais longínquo, grupos Guarani teriam migrado da Amazônia para a bacia platina há cerca de dois mil anos, alcançando o rio Jacuí através de seus afluentes Paraguai, Paraná e Uruguai. Ocuparam as margens dos rios, atraídos pela cobertura da mata atlântica. Hoje, o contexto hidrográfico do Guaíba continua sendo tão povoado pelos Mbyá quanto já foram em outros momentos da história, juntamente com outros grupos como Kaingang, Charrua e Minuano (Prates, 2013).

Petry, Tettamanzy e Freitas (2007), ao investigarem o papel do mito nas narrativas orais dos Kaingang na bacia Guaíba, trazem a narrativa mitológica de Zílio Jagtyg Salvador, xamã da comunidade Kaingang Lomba do Pinheiro. Sua história apresenta as águas como elemento central na paisagem dos Kaingang situados na margem leste do Guaíba. Essas águas, não apenas compõem o território, mas são acionadas como elemento fundante do pertencimento Kaingang a essa região. Zílio Salvador narra a origem de seu povo a partir de um casal que emergem juntos da água, na mesma canoa. Ainda, do alto do Morro do Osso - espaço reivindicado pelos Kaingang como terra tradicionalmente ocupada - o Guaíba é visto como o Goy kafun tun, “a grande água sem margem”, entendido como limite do mundo.

Dessa forma, ao pensar sobre o que o Guaíba nos ensina, ou sobre o que o Guaíba nos comunica, é necessário considerar os diferentes conhecimentos sobre este ente. Em diálogo, Krenak (2022) provoca que o “futuro é ancestral”, sugerindo que um futuro possível está nas mãos daqueles que têm a memória da sua ancestralidade, cosmologias, sem a obsessão por um progresso que devasta. Ainda, o autor evoca os rios como entidades anteriores à existência humana, que estão em todo lugar e que “atraem” os humanos como condição para a sobrevivência. Para os povos indígenas, a relação com as águas é de comunhão: “(...) forma corredeiras que fazem música e, nessa hora, a pedra e água nos implicam de maneira tão maravilhosa que nos permitem conjugar o nós: nós-rio, nós-montanha, nós-terra.” (Krenak, 2022, p. 14). É a partir dessa relação que se inventam formas de existir, não no sentido de se apropriar, mas de se envolver, sentir, viver em harmonia onde todos os entes estão envolvidos. Assim, torna-se possível criar, ouvir, cuidar.

5. Considerações finais

A pergunta que este artigo buscou percorrer - se o Guaíba é um rio, um lago, ou nenhum - mostrou que isso vai além de uma nomenclatura, pois explicita disputas que mobilizam implicações importantes - não apenas conceituais ou técnicas, mas também legais, territoriais, epistemológicas, ecológicas e políticas. No contexto das enchentes de maio de 2024 e suas reverberações, essa discussão adquiriu um sentido ainda mais urgente. A Psicologia Social se apresenta em conjunto com o desafio de dialogar com os conflitos sociais contemporâneos sem restringir-se à fronteira do exclusivamente humano. Em tempos de crise/mutação climática, se mostra mais do que necessário operar com conceitos capazes de acolher a multiplicidade de agentes - humanos e não humanos - e de saberes - científicos, ancestrais, indígenas e populares. Isso implica reconhecer os limites dos paradigmas modernos e buscar a pluralidade dos saberes que nos permita reconstruir formas de coexistência com mais responsabilidade.

Não se trata de negar os fatos científicos, mas de expandir nossa capacidade de compreender os modos como tais fatos são produzidos e disputados. Isso pede com que a Psicologia Social se implique nesse campo de disputa, afirmando-se enquanto um campo científico sensível aos acontecimentos contemporâneos de modo situado e com a disposição de reinventar-se constantemente. A ciência sempre está em movimento - e assim também está a Psicologia Social: aberta a operar com novas perspectivas, conceitos, autoras(es) e materialidades. A partir dessa implicação, espera-se que a Psicologia Social possa produzir ferramentas e modos de cuidado que atendam às populações, aos territórios, às águas.

Por fim, o Guaíba, mais do que um corpo hídrico categorizável, é um corpo relacional que participa da vida da cidade - mesmo entre aqueles que não o frequentam diretamente. Nós, porto-alegrenses, somos também o Guaíba, bebemos e nos banhamos em nossas casas de suas águas, somos atravessados por sua paisagem, por seus cheiros, por sua memória, assim como seus traumas, como na última enchente. Esse reconhecimento mostra que as disputas sobre o Guaíba são também disputas sobre quais mundos queremos viver e sobre como podemos existir neles.

Notas
  • 1
    Importante situar que existem autores/as que tensionam o conceito de “Antropoceno”, por considerarem que pode homogeneizar responsabilidades históricas e políticas pela destruição ambiental, ao atribuí-las de forma genérica à “humanidade”. Haraway (2016) provoca que, ao centralizar a ideia de “antropo” nas práticas de destruição do planeta, se igualaria aqueles que exploraram e os que foram explorados, não diferencia brancos de indígenas quando se fala na destruição das matas, não se diferencia pessoas que foram escravizadas de grandes fazendeiros, não se diferencia relações de classe, de raça e de gênero. A autora desenvolve outra nomenclatura que daria conta desse fenômeno, a qual diz ser o seu preferido: a ideia de Chthuluceno, que remete não apenas a um tempo geológico, mas a uma teia de inter-relações multiespécies que atravessa passado, presente e futuro. Anda, Jason W. Moore (2022) propõe o conceito de Capitaloceno, que destaca o papel do sistema capitalista na crise ecológica, articulando com as estruturas econômicas e geopolíticas.
  • 2
    As praias do Guaíba, como apontado por Andrade et al. (2019), já foram frequentadas por banhistas, entre as décadas de 1940 e 1970 - histórias que sempre escutamos das antigas gerações. Apesar da ligação cultural com o Guaíba, Andrade et al. (2019) apontam que houve certa aceitação da população com a perda das praias, uma vez que a poluição foi vista como algo relativamente “natural” devido ao crescimento da cidade. Apesar dessas impressões, temos ativistas ambientais que pautaram a luta contra a poluição do Guaíba, como o agrônomo José Lutzenberger, grande nome ambientalista da cidade de Porto Alegre, o que tem sido retomado pelos movimentos sociais contemporâneos. Ainda, existem regiões banháveis mais afastadas do centro da cidade, como no Parque de Itapuã e na Praia do Lami.
  • Financiamento Não houve financiamento
  • Consentimento de uso de imagem Não se aplica
  • Aprovação, ética e consentimento Não se aplica

DISPONIBILIDADE DE DADOS E MATERIAIS

Os conjuntos de dados utilizados ou analisados durante o estudo atual estão disponíveis junto ao autor correspondente mediante solicitação razoável.

Referências

  • Editor científico
    Dr. Cristiano Hamann

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Dez 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    28 Jul 2025
  • Revisado
    12 Out 2025
  • Aceito
    12 Out 2025
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