SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.10 issue2Intrigas e questões: vingança de família e tramas sociais no sertão de PernambucoVoices of The Magi: enchanted journeys in Southeast Brazil author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Mana

Print version ISSN 0104-9313On-line version ISSN 1678-4944

Mana vol.10 no.2 Rio de Janeiro Oct. 2004

https://doi.org/10.1590/S0104-93132004000200013 

RESENHAS

 

 

MONTOYA, Antonio Ruiz de. 2002. Vocabulario de la lengua guaraní (1640). Transcrição e transliteração por Antonio Caballos. Introdução por Bartomeu Melià. Asunción: CEPAG. 407 pp.

__ . 1993. Arte de la lengua guaraní (1640). Edição fac-similar. Transcrição por Antonio Caballos. Introdução por Bartomeu Melià. Asunción: CEPAG, 307 pp.

Francisco Silva Noelli
Universidade Estadual de Maringá

A reedição de obras raras sempre é um grande acontecimento literário e científico, especialmente pela possibilidade de aquecer o interesse acadêmico nos seus conteúdos. É o caso do vocabulário e da gramática guarani, publicados originalmente como um único livro em 1640, compostos pelo jesuíta e missionário peruano Antonio Ruiz de Montoya no primeiro quartel do século XVII.

Depois de vultoso trabalho de preparação, eles foram reeditados em separado em 1993 e 2002. Trata-se de uma edição primorosa, lingüisticamente correta dentro dos melhores padrões da atualidade. É muito provável que os próprios Guarani comemorem este feito, que facilita o acesso ao conhecimento sobre os seus antepassados e, ao menos em parte, ao modo como eles falavam no início do século XVII. A Arte foi publicada como fac-símile, seguida pela transcrição e transliteração por Antonio Caballos. Bartomeu Melià elaborou uma introdução que apresenta um resumo do processo histórico da redução da língua guarani para a gramática entre as décadas de 1570 e 1640, a história das edições dessas obras e uma breve mas importante análise da gramática propriamente dita. O Vocabulário também vem transcrito e transliterado por Caballos, que atualizou a grafia de uma forma "inteiramente fiel ao original" com vistas a recuperar "uma forma de guarani antigo" (:XVIII). Além disso, como resultado de laborioso trabalho, o texto original vem acrescido de "numerosas entradas remissivas a palavras castelhanas a modo de 'vozes ocultas' que só figuram no interior das frases empregadas por Montoya, mas não como entradas autônomas" (:XVIII). Dessa forma, o leitor poderá encontrar com maior facilidade muitas palavras que Montoya não ordenou alfabeticamente em separado. Melià também laborou na transliteração e realizou outra curta, mas brilhante introdução sobre a história do trabalho de Montoya entre 1613 e 1640. Aliás, Melià, o grande especialista na língua guarani antiga e nas suas variantes contemporâneas, traduziu recentemente sua tese de doutorado defendida na Université de Strasbourg em 1969, outra obra de grande interesse lingüístico, La lengua guaraní en el Paraguay colonial (Asunción: CEPAG, 2002), na qual analisa detalhadamente o processo histórico da redução da língua guarani para a gramática entre os séculos XVI e XVIII.

O conteúdo e a qualidade ímpar destes livros abrem um imenso leque de possibilidades de pesquisa para lingüistas, etnólogos, historiadores, biólogos, médicos, arqueólogos, teólogos, geógrafos etc. Junto com outra grandiosa obra de Montoya, o Tesoro de la lengua guarani (1639), atualmente em preparação para publicação por Caballos e Melià, a Arte e o Vocabulário constituem o maior corpus sobre a língua e a cultura guarani no período colonial, cuja extensão não foi alcançada por nenhum outro trabalho antigo ou contemporâneo.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License