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Revista Brasileira de Reumatologia

Print version ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.53 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0482-50042013000200008 

ARTIGO DE REVISÃO

 

O que o reumatologista deve saber sobre a vacina contra febre amarela

 

 

Ana Cristina Vanderley OliveiraI; Licia Maria Henrique da MotaI,II,*; Leopoldo Luiz dos Santos-NetoII; Pedro Luiz TauilIII

IPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Faculdade de Medicina, Universidade de Brasília (FMUnB), Brasília, DF, Brasil
IIDepartamento de Clínica Médica, Hospital das Forças Armadas, Brasília, DF, Brasil
IIIPrograma de Pós-Graduação em Medicina Tropical, Faculdade de Medicina, Universidade de Brasília (FMUnB), Brasília, DF, Brasil

 

 


RESUMO

Os pacientes portadores de doenças reumáticas são mais suscetíveis à infecção, quer seja pela própria doença de base ou pelo tratamento empregado. É papel do reumatologista prevenir as infecções nesse grupo de pacientes e, dentre as estratégias empregadas, encontra-se a vacinação. No grupo das doenças infecciosas que podem ser prevenidas está a febre amarela. Sua vacina é segura e eficaz na população em geral, mas, assim como as vacinas contendo organismos vivos atenuados, deve ser evitada sempre que possível em portadores de doenças reumáticas em uso de medicamentos imunossupressores. Sendo a febre amarela endêmica em grande parte do Brasil, e estando a vacinação contra essa doença indicada para a população residente em extensa parte do território nacional (além dos viajantes para essas regiões), torna-se essencial que o reumatologista tenha conhecimento da doença, das indicações e contraindicações da vacina contra a febre amarela. Nosso artigo tem o objetivo de destacar os principais aspectos que o reumatologista precisa conhecer sobre a vacina contra a febre amarela, para decidir por sua indicação ou contraindicação após avaliação do risco-benefício em situações específicas.

Palavras-chave: Febre amarela, Vacina contra febre amarela, Doenças reumáticas, Agentes imunossupressores


 

 

Introdução

O tratamento das doenças reumáticas tem sido aprimorado ao longo dos anos.1 A prescrição de drogas imunossupressoras, muitas vezes precoce ou mesmo agressiva, tem o objetivo de reduzir e eventualmente eliminar a atividade de doença.2 Essa manipulação do sistema imune inerente à terapia associada à disfunção própria da doença autoimune, pode aumentar o risco de infecções nesse grupo de pacientes.2,3 O risco de infecções graves nessa população é duas vezes maior que na população em geral.1

A vacinação é um dos métodos mais eficientes na prevenção de doenças infecciosas.2,4 No entanto, em pacientes reumáticos em uso de imunossupressores, a vacinação merece algumas considerações especiais. Sua eficácia pode estar comprometida em decorrência das alterações do sistema imune próprias desse grupo.4 Há também o risco de episódios de reagudização do quadro após a imunização.4,5

As vacinas contendo organismos vivos atenuados devem ser evitadas sempre que possível em portadores de doenças reumáticas em uso de imunossupressores.2,4 Tais vacinas representam risco aumentado em pacientes incapazes ou ineficientes em debelar infecções e podem levar a quadros semelhantes à doença primária.2 A vacina contra febre amarela enquadra-se nessa categoria.2,4

A febre amarela é endêmica em grande parte do Brasil, e a vacinação contra essa doença é indicada para a população residente em extensa parte do território nacional (além dos viajantes para tais regiões). Assim, torna-se essencial que o reumatologista tenha conhecimento da doença e das indicações e contraindicações da vacina contra a febre amarela, objetivo de nosso estudo, a fim de que possa decidir por sua indicação ou contraindicação em situações específicas.

 

Febre amarela

A febre amarela é uma doença viral febril hemorrágica, infecciosa, não contagiosa, endêmica em regiões da África e da América do Sul, causada por vírus de RNA de fita simples.6 No Brasil, desde 2009, o Ministério da Saúde, baseando-se nas epizootias ocorridas em 2008 e 2009, dividiu as regiões consideradas para a transmissão em áreas com recomendação de vacina (ACRV), anteriormente chamadas de endêmicas e de transição, e áreas sem recomendação (ASRV), antes conhecidas como indenes. A ACRV compreende as regiões Norte e Centro-oeste, os estados do Maranhão e de Minas Gerais e parte de São Paulo, Piauí, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.7,8 A doença é transmitida pela picada de insetos hematófagos da família Culicidae, em especial dos gêneros Aedes e Haemagogus.6 A transmissão é classificada pelo meio em que ocorre: urbano ou silvestre.6 No Brasil, os últimos casos urbanos foram identificados em 1942. Desde então, os casos relatados da doença têm sido de transmissão por meio do ciclo silvestre.6

Sua suscetibilidade é geral, sem etnia ou faixa etária com maior ou menor suscetibilidade ao vírus.6 Os indivíduos mais acometidos são homens jovens, pela maior exposição ao agente transmissor.6 O período médio de incubação é de 3-6 dias.6

O quadro clínico pode variar desde quadros assintomáticos ou febris leves, de curta duração, a uma infecção grave e fulminante.6, 9 Nas formas moderada e grave, pode haver falência renal e hepática, dano cardíaco, hemorragia e choque.9 A taxa de letalidade global encontra-se entre 5%-10%.6 Estima-se que apenas 10% dos casos sejam de formas graves, associadas à elevada taxa de letalidade, variando de 40%-60% dos casos.6 Segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa de letalidade média é de 52,8%, com variação de 23%-100%.7

A febre amarela não pode ser erradicada, pois trata-se de uma zoonose.10 Os surtos da doença ocorrem a cada 5-7 anos.7 Não há tratamento específico para a doença.6 Quanto às medidas gerais a serem tomadas, o combate ao mosquito Aedes aegypiti é um dos principais aspectos a ser considerado no combate da forma urbana. Além disso, coleta de lixo e suprimento de água adequados, uso de larvicidas, educação em saúde por parte das instituições governamentais, aliada aos cuidados da população, que para diminuir a transmissão deve evitar situações em que a água fique parada, como em vasos de plantas, calhas ou piscinas não tratadas. Em relação à forma urbana, deve-se evitar viagens a áreas silvestres de regiões com recomendação de vacina em casos em que não se tenha feito a imunização 10 dias e por 10 anos em relação à viagem.6-8,10 A vacina antiamarílica é a principal forma de prevenção da doença.6

Vacina antiamarílica

A vacina 17D contra a febre amarela encontra-se disponível no Brasil desde 1937.10,11 Desde então, mais de 500 milhões de pessoas foram imunizadas, sendo considerada uma das mais eficazes e seguras vacinas do mundo.12 Oferece proteção por pelo menos 10 anos, e até mesmo para a vida toda.6,13 Dentro de 30 dias, mais de 90% dos vacinados desenvolvem anticorpos contra a febre amarela,9 e cerca de 98%-100% dos indivíduos tornam-se imunizados.13,14 Ainda assim, a Organização Mundial de Saúde recomenda o reforço a cada 10 anos.13 A vacinação deve ser realizada a partir dos 9 meses de idade nas ACRV, segundo o Ministério da Saúde. Em situações de epidemia ou surto, deve ser feita a partir de 6 meses de idade.7

A cepa 17D original foi desenvolvida a partir de 176 passagens da cepa selvagem Asabi em tecidos de murinos e galináceos.13 As vacinas utilizadas atualmente são derivadas de duas subcepas - 17DD e 17D204,11,13 obtidas a partir de 287-289 e 235-240 passagens, respectivamente.13 O objetivo das passagens é diminuir a virulência.11 No Brasil, a vacina utilizada é a 17DD, produzida em Biomanguinhos, órgão da Fundação Oswaldo Cruz.6

Após a imunização, uma baixa viremia é detectada em metade dos vacinados.13 Há rápida indução de resposta humoral, e a imunoglobulina M (IgM) pode ser detectada em 7-10 dias.13 Títulos de anticorpos neutralizantes tão baixos como 1:10 são suficientes para conferir proteção.13

A cepa 17D é um potente indutor de resposta T citotóxica CD4+ e CD8+.13 O sistema imune inato também é envolvido, pois a cepa 17D replica-se de forma mínima em células dendríticas, podendo levar à apoptose das mesmas.13 Os receptores toll like (TLR) 2, 3, 7, 8 e 9 são estimulados e há aumento de IFN-α/β/γ, TNF-α e IL-1β.13,15

Efeitos adversos

Embora seja uma vacina segura, a 17DD ainda apresenta efeitos adversos, em geral bem-tolerados. Dor local, inflamação, cefaleia de fraca intensidade, mialgia, dor lombar e elevação transitória de transaminases são efeitos considerados leves, que costumam ocorrer entre 2 e 11 dias da vacinação.13,16

A anafilaxia secundária à vacina contra febre amarela é outro aspecto relevante, e ocorre na frequência de 0,9-1,8 por 100.000 doses, sendo atribuída à alergia ao ovo ou à gelatina utilizada em sua produção.12,16,17

Em relação aos efeitos adversos graves (SAEs - serious adverse effects), os mais relevantes são a doença neurotrópica (YEL-AND) e a doença viscerotrópica (YEL-AVD) associadas à vacina contra febre amarela.6,13,18 De acordo com os dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, houve 1.994 efeitos adversos reportados no período de 2000-2008, quando 101.564.083 doses da 17DD foram aplicadas.17 Os SAEs ocorrem mais frequentemente após a administração da primeira dose. Houve 0,023 casos de choque anafilático, 9 casos de hipersensibilidade e 0,84 episódios de YEL-AND a cada 1.000.000 de doses. Foram identificados 26 casos de doença viscerotrópica. Nesse período, foi possível observar aumento das publicações sobre SAEs no país.17

Doença neurotrópica associada à vacina contra febre amarela (YEL-AND)

A incidência mundial de YEL-AND é estimada entre 0,4 e 9,9 a cada 100.000 doses.12 É mais frequente em menores de 6 meses de idade, com incidência nessa faixa etária de 0,5-4 casos a cada 1.000 vacinas.19 Portanto, sua ocorrência diminuiu após a suspensão da administração nesse grupo etário.20

A doença pode se manifestar como encefalite, meningite, neuropatia, mielite ou síndrome de Guillain-Barré.12,16,19 Seu quadro clínico é tipicamente brando, com recuperação completa.19

Doença viscerotrópica associada à vacina contra febre amarela (YEL-AVD)

Em 2001, foram relatados os primeiros casos de YEL-AVD,18,21,22 embora uma análise retrospectiva indique ocorrência na década de 1970.13 No Brasil, a frequência esperada é de 0,006- 1,32 casos por 100.000 doses.13 O risco de YEL-AVD aumenta com o passar da idade. O risco para pacientes entre 60 e 69 anos é de 4,2 a cada 100.000 doses, podendo chegar a 12,6 a cada 100.000 doses nos maiores de 75 anos.16

É um quadro grave, com taxa de letalidade esperada em torno de 60%.13 Os sintomas iniciam em média quatro dias após a vacinação, e o quadro é idêntico à infecção pelo vírus selvagem.6,23

Há poucos estudos sobre a YEL-AVD, devido ao pequeno número de casos.13 A maioria dos casos relatados, à exceção do surto em Ica (Peru), estão relacionados a lotes diferentes de vacinas.13,23 Thomas et al.,24 em uma revisão sistemática, estimaram entre 11,1 e 15,6 SAEs por milhão de doses aplicadas.

O sequenciamento genético de pessoas com YEL-AVD é idêntico ao das cepas vacinais correspondentes.12, 23 Isso sugere que a YEL-AVD parece estar mais relacionada às condições do hospedeiro, que não é capaz de controlar a replicação vacinal, do que às mutações do vírus vacinal.12

Considerando esses achados, alguns fatores de risco para SAEs já foram identificados: idade avançada (maior que 60 anos), gênero masculino, timectomia, uso de imunossupressores.13

Vacina antiamarílica e os pacientes reumáticos

Pacientes reumáticos crônicos em uso de imunossupressores são mais expostos à infecção e, por isso, a imunização nesse grupo tem sido cada vez mais estudada e recomendada.1 4

No entanto, segundo as recomendações vigentes, a vacina antiamarílica deve ser evitada ou até mesmo contraindicada nesse grupo de pacientes, por tratar-se de vacina de vírus vivo atenuado e haver risco de replicação viral vacinal descontrolada.4,13,25,26 O consenso europeu (European League Against Rheumatism - EULAR) postula que as vacinas de vírus vivo devem ser evitadas e o risco deve ser balanceado.4 Segundo o Grupo Britânico de Reumatologia Pediátrica, vacinas de vírus vivo são contraindicadas em todos os pacientes em uso de drogas citotóxicas.27 Já o Consenso de imunização para crianças e adolescentes com doenças reumatológicas traz a orientação que "crianças e adolescentes com doenças reumatológicas que recebem imunossupressores não devem receber vacinas com vírus vivo" ao tratar especificamente da febre amarela.26 Da Luz3 afirma que "não se deve administrar a vacina em pacientes imunocomprometidos, pois apresentam risco elevado de encefalite". Hayes12 contraindica a vacinação nesse grupo de pacientes e defende a criação de novas vacinas. Todavia, não há recomendações específicas em relação aos pacientes reumatológicos que se encontram em áreas de risco, temporariamente ou não, e que são suscetíveis à doença. Ainda em relação aos pacientes reumáticos, há casos de YEL-AVD relatados em portadores de lúpus eritematoso sistêmico e polimialgia reumática.17,22,23 Portanto, faz-se necessária uma análise do risco de infecção e dos possíveis SAEs associados à vacina nessa população.

O grau de imunossupressão deve ser avaliado e varia de acordo com a doença, as drogas imunossupressoras utilizadas, dose e tempo de medicação.26 A doença influencia na intensidade da imunodeficiência porque também define dose e duração do tratamento.28 Não há consenso sobre a dose mínima causadora de imunossupressão clínica, e há poucas evidências publicadas sobre a imunodeficiência conferida por drogas citotóxicas em doses usadas em doenças reumáticas.27 Em relação aos corticoides, o uso de prednisona em doses equivalentes a 10 mg/dia não está associado ao aumento de infecção.28 A prednisona em doses equivalentes a 2 mg/kg/dia por mais de uma semana ou 1 mg/kg/dia por mais de um mês contraindicam vacinas de vírus vivo nesses pacientes.27 O Grupo Britânico de Reumatologia Pediátrica admite a imunização com vírus vivo em pacientes portadores de artrite idiopática juvenil naqueles que não se encontram em uso de drogas imunodepressoras,27 indicando que a imunossupressão pode estar mais relacionada à terapêutica que à doença de base.

Outro fator a ser considerado é a capacidade de soroconversão desses pacientes, que é inversamente proporcional ao grau de imunossupressão.25 Em relação à resposta imune em pacientes reumáticos, há um estudo em que foram avaliados 17 pacientes portadores de artrite reumatoide em uso de terapia biológica que foram vacinados contra a febre amarela. Foram dosadas a IgG e IgM pré- e pós-vacinais, utilizando método com sensibilidade e especificidade semelhantes ao teste de neutralização por redução de placas (padrão ouro para avaliação da resposta imune protetora). A comparação entre os títulos de anticorpos de pacientes e controles mostrou uma tendência de resposta reduzida no grupo do estudo, embora não tenha sido possível análise estatística devido ao pequeno número de pacientes.29

Quanto aos efeitos adversos nessa população, o único estudo existente apresenta uma série de casos com 70 pacientes, com idade média de 46 anos, portadores de diversas doenças reumáticas que foram inadvertidamente vacinados com a vacina antiamarílica. Daqueles pacientes, 16 (22,5%) relataram efeitos adversos menores, dado compatível com o esperado para a população hígida.30

Cabe ainda lembrar que as vacinas em geral podem estar relacionadas ao desenvolvimento de doenças autoimunes. Estruturas moleculares virais são capazes de induzir a ativação imune de células do sistema de defesa inato, podendo levar à inflamação crônica autossustentada.31 O tempo entre a vacinação e a ocorrência de autoimunidade pode variar de dias a anos, o que dificulta sua identificação.5 Há relatos de caso em que a vacina contra a febre amarela desencadeou doenças autoimunes como esclerose múltipla, mielite transversa e doença de Kawasaki.32-34 Em associação com a vacina da hepatite A, já foram descritos casos de hepatite autoimune e a síndrome dos múltiplos pontos brancos evanescentes.35,36 Infecções e imunizações também podem promover a imunomodulação, levando à redução da atividade inflamatória exarcebada.31 Células T reguladoras ativadas nesse processo podem ser exploradas no controle da inflamação e autoimunidade.31 A "hipótese higiênica", semelhante à utilizada na alergologia, sugere que a relativa ausência de infecções seria responsável pela incidência de doenças autoimunes.31

 

Considerações finais

A recomendação atual é que pacientes em uso de imunossupressores não devem ser vacinados contra a doença.2,4 A vacina com o vírus inativado está em desenvolvimento e apresenta boa resposta imune protetora em murinos.37 No entanto, a ocorrência de surtos periódicos traz a possibilidade de novos casos antes da disponibilização da vacina à população.

O que fazer, então, em casos de pacientes moradores de áreas endêmicas, próximos a ambientes silvestres ou que precisem se expor durante o trabalho?

Não há outros estudos que avaliem a resposta ou os efeitos adversos após a vacinação contra a febre amarela em pacientes reumáticos em uso de imunossupressores. Por motivos éticos, a vacinação não pode ser aplicada nesses pacientes com fins de pesquisa científica. Além disso, resultados conclusivos só podem ser fornecidos a partir da avaliação de grande número de pacientes, pois os efeitos adversos parecem ser raros, mesmo nessa população. Para uma avaliação custo-benefício, é preciso considerar se o risco de contrair a infecção é maior que o risco de contrair a doença.25

A dose de imunossupressor utilizada é fundamental para tomada de decisão do médico. Segundo a American Academy of Pediatrics, prednisona em doses equivalentes ou maiores que 2 mg/kg/dia ou 20 mg por dia contraindicam a vacinação com vacinas de vírus vivo (Varicella Zoster).38 O Consenso de imunização para crianças e adolescentes com doenças reumatológicas, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, afirma que a população abordada não deve receber vacinas com vírus vivo ao tratar sobre vacina antiamarílica, e que esse tipo de vacina é habitualmente contraindicado em imunossuprimidos.26

Em casos específicos, pode haver uma janela de oportunidade antes do início do uso de drogas imunossupressoras, em que as vacinas de vírus vivo podem ser administradas.27 De acordo com a British Society of Rheumatology, a vacinação deve ocorrer duas semanas antes do início do tratamento.27 Segundo o mesmo grupo, o prazo a ser aguardado para imunização com tais vacinas é de pelo menos três meses.27 Os especialistas argumentam a favor da análise do risco/benefício em usuários de corticoides e/ou drogas citotóxicas. Os especialistas do EULAR afirmam que tais vacinas devem ser evitadas, mas que os riscos e benefícios devem ser balanceados.

Cabe ao médico a orientação quanto às ACRV, epidemias e surtos, bem como a avaliação do risco individualizado de infecção e do grau de imunossupressão de cada paciente para que se possa indicar ou não a vacina nessa população.

 

Suporte financeiro

A autora Ana Cristina Vanderley Oliveira recebeu bolsa da CAPES-CNPq.

 

Conflitos de interesse

Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse.

 

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Recebido em 2 de dezembro de 2011
Aceito em 13 de dezembro de 2012

 

 

* Autor para correspondência. E-mail: liciamhmota@yahoo.com.br (L.M.H. Mota).

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