Open-access Trinta anos da Revista Ciência & Saúde Coletiva e a Saúde do Trabalhador: características e desafios contemporâneos

Treinta años de la Revista Ciência & Saúde Coletiva y la Salud de los Trabajadores: características y desafíos contemporáneos

Resumo

A Revista Ciência & Saúde Coletiva (C&SC) consolidou-se como espaço de excelência na difusão do conhecimento científico em Saúde e Trabalho. No marco dos 30 anos da revista, este artigo apresenta uma reflexão crítica sobre os avanços, desafios e novos cenários para a Saúde do Trabalhador/a (ST), a partir de suas publicações. Foram analisados artigos entre 1998 e 2024, com base em dados do SciELO e dos arquivos da C&SC. No período analisado, foram publicados 292 artigos em ST, dos quais 171 consistem em estudos empíricos voltados a categorias ocupacionais específicas, com destaque para trabalhadores da indústria (14%), dos serviços de saúde (12,9%) e trabalhadores ru rais (9,9%). As publicações apresentam abordagens teórico-metodológicas diversas, com predomínio de estudos qualitativos (35,9%), epidemiológicos (32,7%) e em políticas de ST (17,1%). Observou-se ausência de estudos sobre temas recentes como trabalho remoto e gestão algorítmica, além da invisibilidade de grupos como quilombolas, povos originários, trabalhadores domésticos e LGBTQIA+. Tais lacunas evidenciam desigualdades étnico-raciais, de gênero e epistemológicas, refletidas na sub-representação de temas e grupos. A análise reafirma o papel da C&SC na valorização da ST e na promoção de conhecimento inclusivo e transformador.

Palavras-chave:
Saúde do Trabalhador; Produção Científica; Políticas de Saúde; Desigualdades em Saúde

Abstract

Ciência & Saúde Coletiva Journal (C&SC) has become a recognized reference in the dissemination of scientific knowledge in the field of Health and Work. As part of the journal’s 30th anniversary, this article presents a critical reflection on the advances, challenges, and emerging scenarios in Workers’ Health (WH), based on its publications. Articles published between 1998 and 2024 were analyzed using data from SciELO and C&SC archives. In this period, 292 articles on WH were published, of which 171 were empirical studies focused on specific occupational groups, with particular emphasis on industrial workers (14%), healthcare workers (12.9%), and rural workers (9.9%). The publications featured diverse theoretical and methodological approaches, with a predominance of qualitative studies (35.9%), epidemiological studies 32.7%), and studies on WH policies (17.1%). A lack of research on emerging topics such as remote work and algorithmic management was noted, along with the invisibility of groups such as quilombolas, Indigenous peoples, domestic workers, and LGBTQIA+ workers. These gaps highlight ethnic-racial, gender, and epistemological inequalities, reflected in the underrepresentation of specific topics and groups. The analysis reaffirms C&SC’s role in promoting the value of Workers’ Health and fostering inclusive and transformative knowledge.

Key words:
Workers’ Health; Scientific Production; Health Policies; Health Inequalities

Resumen

La Revista Ciência & Saúde Coletiva (C&SC) se ha consolidado como un espacio de excelencia para la difusión del conocimiento científico en Salud y Trabajo. En el marco del 30º aniversario de la revista, este artículo presenta una reflexión crítica sobre los avances, desafíos y nuevos escenarios para la Salud de los Trabajadores (ST), a partir de sus publicaciones. Se analizaron artículos de 1998 a 2024, con base en datos de SciELO y del archivo de C&SC. Durante el período analizado, se publicaron 292 artículos sobre ST, de los cuales 171 consistieron en estudios empíricos centrados en categorías ocupacionales específicas, con foco en trabajadores industriales (14%), servicios de salud (12,9%) y trabajadores rurales (9,9%). Las publicaciones presentaron diversos enfoques teóricos y metodológicos, con predominio de estudios cualitativos (35,9%), estudios epidemiológicos (32,7%) y estudios de políticas de ST (17,1%). Se observó una falta de estudios sobre temas recientes como el teletrabajo y la gestión algorítmica, así como la invisibilidad de grupos como quilombolas, pueblos indígenas, trabajadoras del hogar y personas LGBTQIA+. Estas brechas ponen de relieve las desigualdades etnoraciales, de género y epistemológicas, que se reflejan en la escasa representación de temas y grupos. El análisis reafirma el papel de la C&SC en la valoración de la salud laboral y la promoción del conocimiento inclusivo y transformador, con el potencial de fortalecer las políticas públicas y garantizar la equidad en la salud de los trabajadores.

Palabras clave:
Salud de los trabajadores; Producción científica; Políticas de salud; Desigualdades en salud

Introdução

Em 1986, durante a transição democrática no Brasil, movimentos sociais, sindicatos e entidades da sociedade civil ampliaram sua participação na formulação de políticas públicas. Nesse contexto, destacaram-se dois eventos: a VIII Conferência Nacional de Saúde, que consolidou os princípios do Movimento da Reforma Sanitária e defendeu a saúde como direito universal, e a 1ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, que incorporou as condições de trabalho como determinantes do processo saúde-doença. Em 1988, a Constituição Federal reconheceu a saúde como direito de todos e dever do Estado e direito do cidadão. Dois anos depois, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), em 1990, consolidando esses avanços e instituindo um modelo público, universal e participativo baseado nos princípios de universalidade, integralidade, equidade e controle social.

Nesse contexto, em 1996, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) criou a Revista Ciência & Saúde Coletiva (C&SC) como um “espaço científico para discussões, debates, apresentação de pesquisas, exposição de novas ideias e de controvérsias sobre a área”1. No campo científico, a Revista fortaleceu a produção crítica e interdisciplinar em saúde coletiva, promovendo o diálogo entre academia, serviços de saúde e movimentos sociais.

Em 2026 serão comemorados os trinta anos de fundação da revista - que se tornou uma das principais referências científicas do campo da Saúde Coletiva no Brasil e na América Latina. Ao longo de sua trajetória, a revista tem desempenhado papel fundamental na difusão do conhecimento crítico, propositivo, inovador e interdisciplinar, abrindo espaço para as mais diversas abordagens e áreas temáticas que compõem a saúde na atualidade. Dentre as áreas editoriais importantes da C&SC, está a saúde do trabalhador e da trabalhadora e a saúde ambiental, que vêm tendo participação significativa na construção dessa história.

Em 1977, na Itália, trabalhadores e assessorias sindicais de saúde desenvolveram sob a liderança de Ivar Oddone, estratégias inovadoras de lutas pela saúde que originaram o Modelo Operário Italiano (MOI)2. Esse Modelo teve grande impacto no Brasil, influenciando o debate em saúde e trabalho, fortalecendo o movimento sindical e contribuindo para a Reforma Sanitária Brasileira3,4. As experiências do MOI dialogaram com as demandas locais e estimularam propostas institucionais articuladas com o movimento sindical, culminando na 1ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador. Esse processo consolidou a noção de Saúde do Trabalhador como abordagem ampliada, interdisciplinar, superando os limites da saúde ocupacional tradicional5,6. Assim, favoreceu a compreensão interdisciplinar dos processos de adoecimento e cuidado, articulando ciências sociais e a tradição da saúde pública na proteção à saúde e ao ambiente de trabalho7.

Essa ação social e institucional consolidou a Saúde do Trabalhador (ST) como um componente do sistema público de saúde, ao ser formalmente incorporada na Constituição Federal de 1988. O inciso II do artigo 200 atribui ao Estado a responsabilidade de “executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador”8. Ressalta-se o caráter pioneiro do SUS, que incorporou a Saúde do Trabalhador como política estruturante quase duas décadas antes do reconhecimento internacional. Apenas em 2007, durante a Sexagésima Assembleia Mundial de Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou oficialmente o conceito de Saúde do Trabalhador em substituição a Saúde Ocupacional, ao lançar o Plano de Ação Global em Saúde do Trabalhador. Nesse documento, a OMS recomendou que todos os serviços de saúde pública do mundo incorporassem ações nesse campo9.

A institucionalização da Saúde do Trabalhador trouxe avanços significativos, como a criação, em 2002, da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renastt), que chegou a 215 centros de referência em 202210. Em 2012, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT) definiu princípios, diretrizes e estratégias para a promoção e a proteção da saúde e redução da morbimortalidade relacionada aos processos produtivos. Com base na universalidade, a PNSTT abrange toda a População Economicamente Empregada (PEA) - cerca de 104 milhões de pessoas em 202111 - o que impõe grandes desafios às políticas setoriais do SUS, dada a escala e complexidade das ações envolvidas.

Apesar dos avanços institucionais na consolidação da ST como política pública, observa-se, em paralelo, um processo de intensificação da precarização impulsionado pela perda de proteções sociais e trabalhistas. Essas mudanças decorrem da convergência de disrupções tecnológicas e políticas neoliberais que restringem - ou mesmo eliminam - direitos sociais, gerando processos de precarização do trabalho com impactos no agravamento das condições de trabalho e de desproteção da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. Trata-se de um cenário de crise do fordismo somado à difusão de novas tecnologias, como as tecnologias de informação e comunicação (TICs), que impulsionaram formas de precarização marcadas pela subordinação à modelos gerenciais de algoritmos. São técnicas de Inteligência Artificial que simulam habilidades humanas, especialmente as atividades cognitivas gerenciais associadas à gestão, programadas para reproduzir uma racionalidade intensificada dos princípios tayloristas de organização do trabalho, com impactos nocivos sobre a subjetividade e as condições laborais. Nestas relações sociais de trabalho, que se convencionou denominar de “uberização do trabalho”, as empresas não assumem responsabilidade trabalhista e promovem a sujeição extrema do trabalhador como uma espécie de servidão moderna12. No plano ideológico, as grandes empresas de tecnologia (“big-techs”) vêm promovendo um discurso que desloca a identidade dos seus milhões de trabalhadores para a figura irreal de “empreendedores”13 ou empreendedores de si mesmo14. Esse enquadramento simbólico dificulta o reconhecimento das relações laborais e enfraquece a organização sindical e a formulação de políticas públicas de Saúde do Trabalhador voltadas a esse setor emergente.

Nesse sentido, se verifica intenso crescimento de categorias de trabalhadores desprotegidos de serviços de promoção, proteção e de assistência à ST. Aprofundam, assim, contradições que mudam a vida e as relações de trabalho na sociedade e, ao mesmo tempo, revelam cenários preocupantes que comprometem drasticamente as condições de trabalho e saúde14,15, perpetuando e convivendo com formas cruéis de exploração, como o trabalho infantil e o trabalho escravizado contemporâneo.

Outro fato marcante e extremamente desafiador para a ST neste período foi a propagação e a instalação da maior crise sanitária dos últimos 100 anos, com a Pandemia da COVID-19. A pandemia, iniciada em 2020, durou aproximadamente três anos e foi caracterizada como emergência sanitária internacional pela OMS, e, no Brasil, afetou mais de 39 milhões de pessoas e foi responsável por 716.238 óbitos16. Esta situação foi agravada de forma contundente pela política negacionista, gerida e planejada pelo grupo militarizado que assumiu o Ministério da Saúde entre 2019 e 2022. Durante esse período crítico, a pandemia atingiu de maneira severa os trabalhadores, principalmente os trabalhadores de saúde e trabalhadores informais, vulnerabilizados e precarizados. Também remodelou diversos processos laborais, a partir da adoção, em escala inédita, das modalidades de trabalho remoto - prática que se intensificou durante a pandemia de COVID-19 e que, posteriormente, foi incorporada de forma permanente à rotina de milhões de trabalhadores. Tal reconfiguração contribuiu para o esmaecimento das fronteiras entre o espaço doméstico e o ambiente profissional17, instaurando novos paradigmas nas relações de trabalho e exigindo adaptações tanto tecnológicas quanto subjetivas.

Somada à exploração do trabalho, avançam processos impulsionados por interesses capitalistas que degradam a natureza e aprofundam a crise ambiental, evidenciada pelo aquecimento global e pela destruição da biodiversidade planetária. A crise ambiental, dada a sua magnitude sem precedentes, desdobra-se em previsões de catástrofes colossais e mesmo apocalíticas que ameaçam o futuro da humanidade. Essa realidade impõe um novo paradigma para a pesquisa, associado também ao campo da Saúde do Trabalhador, que deve se dedicar não apenas à compreensão dos impactos diretos sobre os processos laborais, mas também ao desenvolvimento de estratégias para mitigar os efeitos dos piores cenários ambientais sobre a saúde as condições de trabalho.

Por outro lado, o avanço das políticas sociais voltadas à saúde do trabalhador evidenciou a necessidade de incorporar dimensões historicamente invisibilizadas, relativas a categorias de trabalhadores submetidos a condições de precariedade estrutural. Trata-se das práticas junto às comunidades tradicionais - como a agricultura familiar, povos originários, os remanescentes de quilombolas e os trabalhadores extrativistas -, cujas especificidades demandam abordagens interseccionais e territorializadas.

Nesse contexto, emergem estudos que resgatam a história dos trabalhadores do Brasil e a violência fundante do período colonial, marcado por aproximadamente quatro séculos de escravização de pessoas negras nas Américas. Essa herança escravocrata permanece como um dos determinantes estruturantes do mundo do trabalho no país, perpetuando formas de racialização, desigualdade e exclusão. O racismo - em suas dimensões estrutural, sistêmica, comportamental, institucional, cultural, ambiental, recreativa e epistêmica - configura-se como um determinante social da saúde que impõe, à população negra, maior exposição a situações de risco e vulnerabilidade. Isso se traduz em indicadores perversos, como a maior prevalência de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho entre trabalhadores negros, além de múltiplas formas de violência física e psíquica a que estão submetidos18.

Os aspectos tratados acima destacam pontos relevantes para o campo de saúde e trabalho no Brasil ao longo de sua história. Essa trajetória histórica se entrelaça com os 30 anos da C&SC. Ao incluir de forma consistente a área editorial da “Saúde e Trabalho”, a revista esteve presente nesta história, contribuindo de maneira significativa para a difusão da produção científica relacionada aos temas centrais de saúde do trabalhador e da trabalhadora. O percurso delineado pelos artigos publicados entre 1998 e 2024 evidencia uma produção científica extremamente pujante. Esses artigos abordam a contextualização do campo da Saúde do Trabalhador, exploram diversas correntes e abordagens teóricas e estratégias metodológicas oriundas de múltiplas áreas disciplinares, analisam as políticas implementadas no SUS e em outras esferas intersetoriais que se articulam com a ST, além de trazerem reflexões críticas e apontarem desafios enfrentados nesse conturbado recorte histórico.

Os desafios contemporâneos são múltiplos e interdependentes, exigindo uma compreensão aprofundada de suas múltiplas dimensões e de seus impactos sobre os processos de trabalho e saúde. Nesse contexto, destaca-se a importância de uma produção científica sólida, crítica e interdisciplinar, capaz de subsidiar ações de enfrentamento qualificadas no campo da ST. A C&SC tem desempenhado papel relevante nesse processo, ao difundir conhecimentos que articulam diferentes campos disciplinares e perspectivas teórico-metodológicas, contribuindo para o avanço das políticas públicas e o fortalecimento das práticas em saúde19.

Dessa forma, a C&SC se configura, sobretudo, em espaço constituído para difusão do conhecimento científico e do estado da arte, com base em rigorosos critérios científicos que asseguraram a qualidade técnica e científica dos artigos publicados. Como decorrência, torna-se relevante conhecer a expressiva produção existente que inclui: concepções e modelos teóricos, condições de trabalho e suas transformações; processos produtivos; formação e respectivas estratégias pedagógicas; situações e mudanças no perfil epidemiológico dos agravos à saúde, dentre outros temas, expressos na robusta base de dados das publicações da revista.

Nesse sentido, este artigo tem como objetivo analisar a produção científica no campo da Saúde do Trabalhador/a, com base nas publicações realizadas entre 1998 e 2024 na Revista Ciência & Saúde Coletiva, no contexto das comemorações pelos 30 anos de sua fundação. A partir dessa análise, propõe-se uma reflexão crítica sobre os avanços, desafios e novos cenários que se desenham para a Saúde do Trabalhador/a no Brasil.

Métodos

Para sistematizar as informações sobre a produção científica publicada na C&SC, foi criado um banco de dados a partir de informações fornecidas pela Secretaria da Revista. Inicialmente, nos foi fornecida uma planilha com a listagem de todos os artigos publicados no período de estudo. Com base nessa listagem, foi consultada a base de dados do SciELO. O SciELO (Scientific Electronic Library Online), é uma biblioteca eletrônica que reúne periódicos científicos de diversos países, especialmente da América Latina, Caribe e Espanha. A C&SC foi incluída na coleção SciELO em 2002, mas oferece acesso aos artigos publicados desde a sua criação (1996).

Do SciELO, foram extraídas as seguintes informações: título, palavras-chave, ano, instituição do primeiro(a) autor(a), estado do(a) primeiro(a), resumo e o link para acesso ao artigo completo. Essas informações foram armazenadas em planilhas eletrônicas do Excel.

Em seguida, procedeu-se à leitura dos resumos e classificação dos artigos segundo: i) Enfoques em ST: Epidemiologia, Ciências Sociais, Políticas, Gestão e Avaliação, Aspectos teóricos, conceituais e metodológicos; Revisão de literatura e Saúde Ambiental/Toxicologia/); ii) estratégias metodológicas utilizadas; iii) temas/grupos de enfoque principal. A versão completa dos artigos foi consultada para essa classificação.

A classificação adotada para organizar os artigos segundo os enfoques - Epidemiologia, Ciências Sociais em Saúde, Políticas, Gestão e Avaliação - foi motivada pela necessidade de abarcar as principais dimensões que constituem o campo da saúde do trabalhador/saúde coletiva. Na saúde coletiva reconhecem-se três grandes áreas de produção de conhecimento. Essa estruturação permitiu mapear a produção científica de forma coerente, valorizando a interdisciplinaridade e a complexidade da ST. Optou-se ainda por especificar os estudos de saúde ambiental e toxicologia, posto que são estudos inaugurais do campo e utilizam métodos específicos de mensuração, nem sempre integralmente aderentes ao método epidemiológico. Adicionalmente, a categoria de Aspectos teóricos, conceituais e metodológicos ressalta a importância da reflexão crítica e do desenvolvimento epistemológico, fundamentais ao aprimoramento das práticas de pesquisa e intervenção. Dessa forma, a classificação adotada buscou refletir a diversidade e a integração dos saberes e práticas no campo da saúde coletiva aplicada à saúde do trabalhador.

Para a classificação das metodologias, dois grandes grupos foram definidos: investigações de base empírica e artigos de reflexões teóricas/conceituais/metodológicas. Essa distinção permitiu identificar os estudos baseados na coleta e análise de dados em campo e os trabalhos com foco em aspectos teóricos, metodológicos e críticos da área e de sistematização do conhecimento produzido. Destacaram-se abordagens específicas do campo com o objetivo de dar visibilidade a essas contribuições.

Na descrição da produção segundo área geográfica e instituição de vinculação tomou como referência as informações relativas ao primeiro(a) autor(a).

Foram excluídos os artigos provenientes de editais temáticos, por apresentarem indução temática - comprometendo a heterogeneidade dos dados analisados. Nos últimos anos, foram três editais nessa categoria: “Saúde do Trabalhador em Tempos de Mudanças Sociais e Ambientais” (2019), “Desafios Contemporâneos da Saúde do Trabalhador” (2021) e “Condições de Trabalho e Saúde Mental dos Trabalhadores da Saúde no Contexto da COVID-19 no Brasil” (2022).

Os dados foram sistematizados em gráficos e tabelas. Na análise foi utilizado o Programa SPSS, versão 24.0.

Resultados e discussão

Características gerais da produção

O artigo inaugural na área temática de Saúde e Trabalho foi publicado em 1998. Entre 1998-2024 foram publicados 292 artigos. A análise na produção evidencia flutuação em determinados períodos, com maior concentração de artigos entre 2010 e 2013 (Gráfico 1). Após queda significativa entre 2015 e 2017, que interrompeu o crescimento anterior, observa-se novo incremento a partir de 2018.

Gráfico 1
Distribuição do número de artigos por ano no período 1998-2024. Revista Ciência & Saúde Coletiva, 2025.

A classificação do local de publicação baseou-se na filiação do(a) primeiro(a) autor(a), utilizada para identificar região, estado e instituição responsável. O Sudeste concentrou 53,1% das publicações, seguido pelo Nordeste (24,3%). Não houve publicações da região Norte. Rio de Janeiro (24%), São e Paulo (16,1%) e Bahia (12%) foram os estados com maior participação percentual considerando os estados brasileiros (Tabela 1).

Tabela 1
Distribuição dos artigos publicados na Revista Ciência & Saúde Coletiva segundo área geográfica. Brasil, 2025.

Com relação às instituições responsáveis pela produção, destacaram-se a Fiocruz/RJ (16,1%), UFBA (7,9%) e USP (6,2%) (Tabela 2). No total, mais de cem instituições estiveram identificadas. Essa diversidade institucional evidencia a abrangência da C&SC como plataforma essencial para a produção científica colaborativa e o fortalecimento da Saúde do Trabalhador no Brasil.

Tabela 2
Distribuição dos artigos publicados na Revista Ciência & Saúde Coletiva segundo instituições do/a primeiro/a autor/a. Brasil, 2025.

As universidades e centros de pesquisa responderam por 87,7% das publicações. Apesar da ampla rede de CEREST no país, os serviços de saúde contribuíram com apenas 9,2%, evidenciando uma lacuna significativa na reflexão e produção de conhecimento sobre as ações nesses serviços.

Considerando o enfoque, destacaram-se as contribuições dos estudos epidemiológicos (36,2%) e das ciências sociais (34,8%), evidenciando a coexistência de diferentes paradigmas investigativos na área. As Políticas, Gestão e Avaliação em ST representaram 14,5% da produção, enquanto enfoques teóricos/conceituais/metodológicos corresponderam a 6,2% (Tabela 3). Considerando as metodologias empregadas, os métodos qualitativos foram empregados em aproximadamente 30% dos artigos. Ensaios representaram 22,1% dos artigos. Entre estudos epidemiológicos, os de corte transversal (16,3%) e inquéritos (13,1%) foram os mais utilizados, com menor presença de estudos de coorte (1,4%). Outras abordagens metodológicas incluíram revisões de literatura (8,3%), métodos mistos (2,4%) e estudos de validação de instrumentos de pesquisa (2,1%). Na saúde ambiental, destacaram-se o monitoramento biológico e ambiental (1,7%) e análise espacial (1,1%). Abordagens psicossociais e ergonômicas, como a psicodinâmica do trabalho (1,0%) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) (0,7%), também foram identificadas, ainda que de forma pontual. Essa distribuição revela uma diversidade de enfoques e estratégias de investigação, refletindo a complexidade dos objetos de estudo no campo da Saúde do Trabalhador.

Tabela 3
Principais enfoques e metodologias utilizadas na produção científica em Saúde e Trabalho publicada na Revista Ciência & Saúde Coletiva, 1998-2024.

Estudos empíricos: a produção com foco em contextos de trabalho específicos

Com base na leitura dos resumos dos 292 artigos publicados, selecionaram-se aqueles com informações sobre as categorias de trabalhadores(as) investigados(as) (objetos da pesquisa). Foram identificadas 171 publicações (58,5% - mais da metade da produção), com foco em estudos empíricos sobre condições de trabalho e saúde de grupos ocupacionais, indicando predominância de investigações voltadas à realidade concreta vivida pelos trabalhadores e seus impactos sobre a saúde. Além disso, a análise evidenciou aspectos relevantes da evolução das pesquisas ao longo dos últimos 30 anos.

Entre as categorias específicas ou agrupadas por setor, destacaram-se os(as) trabalhadores(as) da indústria, com 24 publicações (14% do total) (Tabela 4). As primeiras publicações voltadas a essa categoria emergiram no final da década de 1990 e se intensificaram entre 2000 e 2020. Contudo, chama atenção a ausência de publicações sobre esse grupo na década atual, indicando uma possível lacuna na continuidade das pesquisas.

Tabela 4
Distribuição das categorias de trabalhadores agrupadas em setores ou especificadas nos objetos de pesquisas segundo ano de publicação.

Estudos realizados junto às categorias que atuam na Atenção Primária ocupam a segunda posição, com 22 artigos (12,9%). Também tiveram destaque as categorias de trabalhadores rurais, com 17 artigos, representando 9,9% do total.

O conjunto das categorias investigadas no setor saúde - Unidades Básicas de Saúde (UBS), Estratégia de Saúde da Família (ESF), saúde em geral, CAPS e categorias específicas como agentes comunitários de saúde, médicos, dentistas, gerentes de UBS/ESF, fisioterapeutas, nutricionistas e farmacêuticos - totalizou 86 publicações (50,3%); evidenciando expressiva produção de estudos nesse setor.

As categorias e setores econômicos citados na Tabela 4 revelam uma significativa e diversa produção científica no campo de ST e permitem elaborar aproximações hipotéticas sobre as áreas de maior interesse e lacunas existentes na pesquisa, considerando o volume expressivo de publicações. Nessa perspectiva, fez-se a opção de realizar reflexões destacadas em aspectos analíticos. Categorizar ocupações, frutos da intensa divisão do trabalho e da natureza mutável do trabalho20 representa tarefa difícil, tendo em vista que, no Brasil, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) descreve 2.741 ocupações na última atualização, em 2023. Assim, os dados apresentados na Tabela 4 refletem as categorias prioritariamente estudadas pelos centros de pesquisas que publicaram na revista e não o perfil ocupacional do país.

A construção do campo da ST no Brasil foi fortemente influenciada pelo Movimento Operário Italiano (MOI)2. A partir dos anos 1980, a experiência do MOI se difundiu entre os metalúrgicos do ABC paulista e região21, e, associada ao fortalecimento do movimento sindical, resultou na criação de assessorias sindicais técnicas e de pesquisas e do Departamento Intersindical em Saúde do Trabalhador nos moldes do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Nessa fase histórica, expressa nos dados da Tabela 4, a luta pela saúde foi incorporada aos sindicatos, ampliando o foco até então restrito às reivindicações econômicas, o que foi fundamental para a constituição do campo da ST no Brasil. Essa dinâmica, articulada ao movimento da reforma sanitária levou à realização de 1ª Conferência Nacional em Saúde do Trabalhador (1986), e ao surgimento de experiências pioneiras na área, especialmente nas zonas industriais de Cubatão e no ABC paulista3.

As pesquisas nessas categorias industriais tornaram-se objetos no campo da ST em um período de afirmação do fordismo no Sudeste do país, onde também se concentrava um forte movimento sindical com expressivas pautas reivindicativas de melhorias das condições de trabalho e saúde4. Esses antecedentes influenciaram a produção de pesquisas voltadas primordialmente para o setor industrial, com resultados mais expressivos na década de 2010 e redução persistente até a ausência de registros nos anos 2020. Essa redução pode estar relacionada à crise do modelo fordista, à terciarização das economias nos países desenvolvidos e emergentes, ao declínio da força do sindicalismo20 e ao decréscimo dos postos de trabalho industriais.

Conjunturas posteriores agravaram esse cenário com o aprofundamento da precarização das relações de trabalho e aumento do desemprego, impulsionados pela lógica neoliberal de fragmentação das conquistas trabalhistas e sociais, em curso desde a segunda metade do século XX13. Tais condicionantes e determinantes têm mudado o perfil epidemiológico dos agravos à ST, destacando-se, entre os principais indicativos dessa mudança, o aumento vertiginoso dos transtornos mentais relacionados ao trabalho22,23. Essa transformação se refletiu na expressiva presença da temática da saúde mental entre as publicações da C&SC nos últimos anos.

Apesar das consequências evidenciadas pelos agravos à saúde do trabalhador - amplamente documentados e analisados pela produção científica nas últimas décadas - observa-se, paralelamente, uma mudança de foco nas pautas sindicais. As lutas por melhores condições de trabalho e saúde perderam centralidade frente a demandas econômicas mais urgentes, como o combate às perdas salariais, à precarização e ao desemprego. Esse deslocamento pode, em parte, explicar a redução recente na publicação de artigos voltados a essas problemáticas.

Outro aspecto de destaque na evolução dos resultados das publicações traz a evidência da forte predominância de categorias do setor terciário a partir da primeira década do século XXI, conforme se observa nas Tabelas 1 e 4. Desse modo, o conjunto de categorias individualizadas ou agrupadas na Tabela 4 mostra que 70,3% dos artigos referem-se ao setor terciário. A denominada terciarização da sociedade indica que as economias e consequentemente o trabalho dos países desenvolvidos e emergentes se baseiam cada vez mais nas atividades econômicas do setor de serviços24. No início deste século, o setor terciário, também denominado setor de serviços, respondia por mais de dois terços do PIB nos países desenvolvidos e no Brasil, empregando cerca de – da população economicamente ativa25,26. Para Freyssinet27, os serviços tornaram-se o principal criador de emprego a partir do final do século passado, evidenciando um gigantismo diversificado e associado aos diversos setores primários e secundários da economia. Esse quadro representa 62,7% do emprego no setor terciário em 201826 e nas atividades econômicas, o que se aproxima da proporção de 70,3% de artigos encontrados das publicações analisadas.

Entretanto, no conjunto das categorias do setor de serviços, observa-se predominância dos estudos voltados às atividades de saúde pública em geral, com 50,3% das publicações. Este quadro não reflete a realidade do setor terciário, como discutido anteriormente. A predominância de estudos em categorias do setor público de saúde, principalmente na Atenção Primária à Saúde, pode ser explicada por fatores como o acesso facilitado e a vinculação institucional entre os profissionais do setor público e os centros de pesquisa que atuam na área de ST no Brasil. Além disso, contribuem para esse cenário o crescimento das ações de formação em ST, sobretudo no setor serviço, a criação da RENAST em 2005 e a ampla expansão dos Cerest28.

A formação de pesquisadores provenientes dos CEREST provavelmente fortaleceu a concentração de estudos no setor público, especialmente na área da saúde, devido à facilidade de acesso e à inserção institucional. Esse viés também se manifesta no número expressivo de pesquisas em universidades e escolas públicas. Como resultado, a produção acadêmica reflete uma visão parcial do setor terciário, condicionada mais pela acessibilidade dos contextos investigados do que pela representatividade da realidade ocupacional no país. As dificuldades de acesso às empresas e instituições privadas no Brasil é outro fator que justifica essa concentração em serviços públicos.

No que se refere ao setor privado, é sabido que muitas empresas impõem obstáculos ou restrições ao acesso de pesquisadores interessados em realizar estudos em seus ambientes de trabalho. Evitam, com isso, desvelar condições de trabalho precárias e situações de elevadas taxas de agravos à saúde dos trabalhadores. Ademais, a expressiva perda de direitos trabalhistas, iniciada com a crise do fordismo e acentuada no século XXI, gerou uma variedade de formas de trabalho - terceirizados, temporários, contratados por prazo determinado, intermitentes, parcerias rurais, parassubordinados, autônomos, pejotizados (contratação de empregados por meio de falsas pessoas jurídicas)12,29. Essa diversidade dificulta as notificações e o acesso a dados para pesquisas em bancos institucionais ou diretamente com os trabalhadores. Assim, as barreiras na produção de dados e no acesso aos bancos existentes limitam a abrangência e diversidade das categorias ocupacionais investigadas nesse setor.

Considerações finais

Lacunas identificadas e perspectivas de desenvolvimento

No recorte temático das categorias analisadas, se observa a ausência de estudos sobre fenômenos recentes relacionados ao avanço tecnológico, como o trabalho remoto e a gestão algorítmica em plataformas digitais. Essa lacuna evidencia a dificuldade da produção científica em acompanhar as rápidas transformações nas formas de organização do trabalho, sobretudo fora dos vínculos formais. A emergência de novas configurações laborais, muitas vezes marcadas pela invisibilidade estatística e pela fragmentação de direitos, desafia os marcos consolidados da ST e aponta para a necessidade de atualização metodológica e política do campo.

Evidentemente, essa disrupção tecnológica é fenômeno recente, que se intensificou nos últimos dez anos, e se manifesta, sobretudo, por meio da chamada uberização do trabalho12. Esse processo tem provocado mudanças profundas nas relações laborais, agravando a precarização, fragmentando os vínculos empregatícios e enfraquecendo os mecanismos de proteção social, assim como o acesso aos serviços de proteção à saúde dos trabalhadores. Como consequência, os trabalhadores enfrentam maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde e aos instrumentos institucionais de proteção e vigilância, o que contribui para a ampliação da sua invisibilidade no campo da Saúde do Trabalhador. Além disso, o avanço da informatização e a predominância de algoritmos gerenciais, especialmente nas empresas baseadas em plataformas digitais, inviabilizam o conhecimento dos trabalhadores a elas vinculados, não apenas para fins de pesquisa, mas também para as instituições de fiscalização e controle, como a Inspeção do trabalho do Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e os CEREST, assim como para os próprios sindicatos das categorias, quando há organização sindical instituída. As empresas de plataformas impõem, assim, um paradigma perverso da desinformação e ocultação de dados, dificultando a visibilidade e a proteção desses trabalhadores, o que agrava ainda mais as vulnerabilidades em ST.

O exemplo emblemático é o dos trabalhadores da Uber, cujo número exato é desconhecido e estimado em cifras díspares, variando de 1,5 até 5 milhões, com uma média aproximada de 3 milhões. Essa categoria coloca o Brasil como o país com o maior contingente de condutores de veículos de empresas plataformizadas do mundo. Não há acesso público aos registros desses trabalhadores, que são mantidos sob segredo empresarial, tornando-se intransponíveis e fora do alcance do controle soberano das instituições públicas do Brasil. A precarização extrema, característica desta fase denominada de “uberização do trabalho”, incorpora esse componente de ocultação dos trabalhadores dos sistemas de regulação das relações e condições de trabalho - algo sem precedentes na história desde a Revolução Industrial. Em relação à pesquisa, essa situação dificulta principalmente a realização de estudos epidemiológicos, embora não impeça a aplicação de metodologias quantitativas e qualitativas junto a essas categorias, que possivelmente devem aumentar nos próximos anos. É provável que os centros de pesquisas estejam atentos a essas transformações, e espera-se a publicação de artigos abordando essa problemática nos próximos anos.

Os dados da Tabela 4 mostraram o crescimento de estudos que ampliam o campo de atuação da ST para um grupo maior de categorias, além dos trabalhadores industriais e do setor terciário formal. A ST, como parte do campo da Saúde Coletiva, iniciou seu processo de institucionalização com a Constituição Federal de 1988, principalmente com o artigo 200, seguida da Lei 8.080/1990 que asseguram a saúde como direito e dever do Estado, como princípio universal. Isto leva a ampliação do universo de ação setorial da ST para além das relações formais de trabalho, também explicitada na Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora promulgada em 2012. Com isso, as ações da ST alcançam a totalidade da população economicamente ativa e não mais apenas o mercado formal de trabalho.

No escopo dessa política ampla, foram observadas publicações que abordaram diversos segmentos de trabalhadores rurais, incluindo assentados e pequenos agricultores, pescadores artesanais, bem como categorias de reciclável de resíduos urbanos e de limpeza, os quais, em conjunto, corresponderam a 18,2% das publicações, como descrito na Tabela 4. Esses estudos elucidam realidades de saúde e agravos em categorias que não possuem acesso aos serviços de ST por, tradicionalmente, estarem fora do mercado formal, e a produção de pesquisas espelhou essa situação com considerável número de artigos que abordam essas categorias invisibilizadas.

Apesar disso, os resultados dessa revisão indicam a necessidade de ampliar publicações voltadas às categorias invisibilizadas e discriminadas pela sociedade, o que revela lacunas no conhecimento existente. Os dados analisados evidenciam a ausência de estudos de populações remanescentes de quilombolas, povos originários, categorias expressivas na nossa realidade - como trabalhadores domésticas, com aproximadamente 6 milhões de empregadas, sendo a maioria composta por pessoas negras30, dentre outras.

Essas lacunas desvelam uma discriminação étnico-racial e de gênero de natureza epistemológica, que evidenciam a necessidade urgente dos centros de pesquisas superarem esse quadro. É fundamental investir em áreas temáticas relacionadas ao racismo, às relações desiguais de gênero no mundo do trabalho e da saúde, à interseccionalidade, aos trabalhadores LGBTQIA+ e a outras categorias historicamente marginalizadas. Somente assim será possível construir um conhecimento inclusivo e transformador, capaz de promover justiça social e equidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras.

A análise dos artigos publicados entre 1998 e 2024, incluindo os enfoques temáticos, métodos e grupos investigados, evidenciou a diversidade e a riqueza do conhecimento veiculado, promovendo a interdisciplinaridade na área da ST. Os resultados orientam ações de vigilância, políticas públicas e intervenções no trabalho, além de apoiar a formação crítica de profissionais e fortalecer a produção científica no campo.

Ao longo desses 30 anos, a Revista desempenhou papel essencial no enfrentamento dos desafios da ST, contribuindo significativamente para a ampliação do conhecimento, a visibilidade das categorias mais vulneráveis e o fortalecimento das políticas públicas na área. No seu compromisso constante com a qualidade e a diversidade temática, certamente continuará sendo uma plataforma essencial para a produção científica e o debate crítico, acompanhando e impulsionando as transformações necessárias para a proteção e promoção da saúde da população trabalhadora.

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  • Editores-chefes:
    Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva, Vânia de Matos Fonseca

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Out 2025
  • Data do Fascículo
    Set 2025

Histórico

  • Recebido
    26 Jul 2025
  • Aceito
    28 Jul 2025
  • Publicado
    30 Jul 2025
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