Resumo
Introdução: Alterações fisiológicas do envelhecimento contribuem para osteoporose e fraturas relacionadas à baixa concentração sérica de 25(OH)D.
Objetivo: Investigar a associação entre concentração sérica de 25(OH)D, ingestão de alimentos fonte de vitamina D e cálcio, condições de saúde e presença de osteoporose e fraturas em idosos.
Método: Estudo transversal com 274 idosos do Piauí. Realizado em duas etapas: questionário sobre ingestão de alimentos fonte de vitamina D, cálcio e condições de saúde (incluindo a variável desfecho, presença de osteoporose e fraturas) e coleta de sangue para exame bioquímico de concentração sérica de 25(OH)D. Realizou-se análise descritiva, inferencial e regressão logística.
Resultados: A maioria dos idosos apresentava comorbidades (86,4%). A prevalência dos desfechos foi de 23,7% e 14,6%, respectivamente. Na análise múltipla, ingerir bebidas alcoólicas (OR=6,58; IC95% 1,88–23) e reposição com cálcio (OR=2,87; IC95% 1,25–6,61) mostraram-se associados às fraturas, enquanto sexo feminino (OR=5,69; IC95% 1,12–28,9) e reposição com cálcio (OR=5,62; IC95% 1,62–19,5) mostraram-se associados à osteoporose. As maiores medianas de 25(OH)D foram encontradas naqueles que consumiam queijo e iogurte regularmente (p=0,021).
Conclusão: A análise das concentrações séricas de 25(OH)D apontou insuficiência, indicando a necessidade de intervenções para a mudança do estilo de vida.
Palavras chave:
envelhecimento; estilo de vida; fraturas ósseas; osteoporose; vitamina D
Abstract
Background: Physiological alterations of aging contribute to osteoporosis and fractures, related to low serum 25(OH)D concentration.
Objective: To investigate the association between serum 25(OH)D concentration, intake of foods source of vitamin D and calcium, health conditions and the presence of osteoporosis and fractures in seniors.
Method: A cross-sectional study with 274 older adults from Piauí was carried out in two stages: a questionnaire on intake of food sources of vitamin D, calcium and health conditions (including the outcome variable, presence of osteoporosis and fractures), and blood collection for biochemical examination of serum 25(OH)D concentration. Descriptive and inferential analysis and logistic regression were performed.
Results: Most participants had comorbidities (86.4%). The outcomes prevalence was 23.7 and 14.6%, respectively. In the multiple analysis, drinking alcoholic beverages (odds ratio — OR=6.58; 95% confidence interval — 95%CI 1.88–23) and calcium replacement (OR=2.87; 95%CI 1.25–6.61) were associated with fractures, while female (OR=5.69; 95%CI 1.12–28.9) and calcium replacement (OR=5.62; 95%CI:1.62–19.5) were associated with osteoporosis. The highest medians of 25(OH)D were found in those who regularly consumed cheese and yogurt (p=0.021).
Conclusion: The analysis of serum concentrations of 25(OH)D indicated insufficiency, which suggests the need for interventions to change lifestyle.
Keywords:
aging; life style; fractures, bone; osteoporosis; vitamin D
INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é um fenômeno universal. Sabe-se que o aumento da proporção de pessoas com sessenta anos ou mais tem ocorrido de forma significativa e acelerada no mundo. Projeções indicam que, em 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos, com mais de 30 milhões de pessoas nessa faixa etária1.
Em resposta às mudanças demográficas relacionadas à idade, estratégias de assistência à saúde que promovam o envelhecimento saudável vêm sendo implementadas, tais como o incentivo à prática de atividades físicas e as intervenções para a promoção de uma alimentação de boa qualidade e da manutenção do peso corporal adequado2,3.
As alterações fisiológicas inerentes ao envelhecimento contribuem para o desenvolvimento da osteoporose e para a ocorrência de fraturas, que são complicações clínicas relacionadas à baixa concentração sérica de 25-Hidróxi-colecalciferol [25(OH)D ou vitamina D]. Em idosos, ocorre uma redução da capacidade de gerar o precursor da 25(OH)D na pele, o 7-de-hidrocolesterol, que se transforma em vitamina D3 pela ação dos raios ultravioleta B, por fatores como uso diário e necessário do protetor solar, mudanças no estilo de vida e redução de atividades físicas ao ar livre. Consequentemente, a insuficiência de 25(OH)D é muito comum e de alta prevalência nesse grupo populacional4. Nesse contexto, abordar fatores de risco para osteoporose e fraturas, inclusive fatores dietéticos, é de extrema importância.
Ademais, a deficiência de 25(OH)D é comum em pacientes com osteoporose e fraturas de quadril, pois exerce importantes funções, como auxílio no metabolismo ósseo, modulação da secreção de paratormônio (PTH), estímulo às funções da musculatura periférica e equilíbrio, podendo interferir no risco de quedas5,6,7. Soma-se a isso a deficiência de cálcio, outro elemento crucial para a prevenção e o tratamento da osteoporose, bem como para a saúde óssea geral em qualquer fase da vida.
A nutrição desempenha um importante papel na vida do idoso, exercendo um grande impacto sobre o seu bem-estar físico e psicológico. No Brasil, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) há vários anos demonstra que a ingestão de lácteos, principais fontes de cálcio, e de alimentos que possam contribuir para a ingestão de vitamina D, como peixes, é aquém do preconizado para diferetnes populaçoes8. Uma ingestão inadequada de vitamina D e cálcio constitui fator de risco para a ocorrência de fraturas, as quais resultam em deformidade, mobilidade restrita e perda da independência9.
Pesquisas brasileiras sobre fatores de risco para osteoporose e fraturas osteoporóticas em idosos têm se concentrado na região Sudeste do Brasil4,10,11. A região Nordeste carece de estudos na temática, em partes pela falsa ideia de que sua população residente se expõe regularmente ao sol e, portanto, não apresenta déficit de 25(OH)D. Diante do exposto, observa-se a necessidade de investigar a associação entre cocentração sérica de 25(OH)D, ingestão de alimentos fonte de vitamina D e cálcio, condições de saúde e presença de osteoporose e fraturas em idosos, sendo esse o objetivo do presente estudo.
MÉTODOS
Estudo transversal realizado com idosos acompanhados em duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade de Picos (Piauí, Brasil). A escolha dos locais deu-se em vista de sua utilização como campos de estágio da instituição de origem da presente pesquisa, bem como pela participação da população-alvo em projetos de extensão desenvolvidos nas unidades. Esas duas unidades de saúde têm, somadas, 4.650 pessoas cadastradas e, por projeção, 4.400 pessoas atendidas.
A coleta de dados se deu em dois momentos: entrevista e coleta de sangue para o exame bioquímico de concentração sérica de 25(OH)D. As entrevistas ocorreram entre os meses de junho e dezembro de 2017 e a coleta de sangue foi realizada nos meses de janeiro e fevereiro de 2019 com uma subamostra (informações referentes à coleta de dados são apresentadas a posteriori).
Os critérios de inclusão foram: ter 60 anos ou mais e ser cadastrado em uma das unidades de saúde selecionadas para o estudo. Foram excluídos os idosos que apresentavam comprometimento físico, cognitivo ou mental que impedisse a participação no estudo, detectado por meio de relato de um familiar ou cuidador do idoso ou por avaliação geral de um dos autores do estudo, responsável pela coleta de dados. Devido a limitações de tempo e recursos, utilizou-se amostragem por conveniência, sendo incluídos os idosos presentes nas unidades no momento da coleta e os participantes das atividades de extensão que eram desenvolvidas, resultando em uma amostra de 274 participantes.
Para a coleta de dados foi utilizado um formulário contendo variáveis sociodemográficas, clínicas (incluindo a variável desfecho, isto é, presença de osteoporose, fraturas após os 45 anos — idade estipulada a partir de estudos anteriores12 e de comorbidades, por auto-relato), variáveis relacionadas ao estilo de vida (consumo de álcool e cigarro, prática de atividades físicas e exposição solar) e referentes à avaliação nutricional (peso, altura e Índice de Massa Corporal – IMC). A classificação do estado nutricional foi feita de acordo com o IMC13: ≤22 kg/ m2 — baixo peso; >22 e <27 kg/m2 — adequado/eutrófico; ≥27 kg/m2 — sobrepeso.
O instrumento também abrangeu o Questionário de Frequência Alimentar Semiquantitativo (QFASQ)12 adaptado para o estudo, o qual inclui questões acerca da ingestão de alimentos fonte de vitamina D e cálcio. Ele é composto de 67 alimentos distribuídos em 11 grupos. Para cada alimento, há três opções para marcar: frequência semanal, possuindo oito opções (não consome, consome uma, duas, três, quatro, cinco, seis ou sete vezes por semana); frequência diária, possuindo três opções (consome uma, duas ou três vezes ao dia); e, por último, frequência mensal, que possui opção única, compreendendo a ingestão de uma a três vezes ao mês.
O formulário foi aplicado nas unidades de saúde selecionadas com cada participante, individualmente e em uma sala privativa, antes ou após o atendimento do idoso nas unidades de saúde. A coleta de dados, neste momento, foi realizada por acadêmicos de enfermagem treinados previamente.
A coleta de sangue, realizada, em um segundo momento, no domicílio dos participantes, abrangeu uma subamostra de 67 idosos que participaram do primeiro momento de coleta, concordaram em ser a ela submetidos e ainda residiam nos endereços indicados no primeiro contato. Estses 67 participantes já haviam respondido o formulário e o QFASQ. A impossibilidade de realizar a coleta com a totalidade da amostra se deu devido a limitações financeiras.
Para a análise da concentração sérica de 25(OH)D, foram considerados os valores de referência adotados pelo laboratório — foram utilizados os da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e os da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), sendo: acima de 20 ng/mL — valor desejável para uma população saudável (até 60 anos de idade); entre 30 e 60 ng/mL — valor recomendado para risco de alguns grupos, dentre eles os idosos; acima de 100 ng/mL — risco de toxicidade e hipercalemia6.
O projeto de pesquisa que originou este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade na qual o estudo foi desenvolvido (parecer consubstanciado nº 1.977.297).
Os dados foram digitados em planilhas do Microsoft Excel e, após correções, analisados no programa STATA (https://www.stata-brasil.com/) por meio de análise descritiva e inferencial. Foram aplicados os testes χ2 ou teste exato de Fisher, Mann-Whitney ou Kruskal-Wallis, Post-roc de Bonferroni (comparações múltiplas) e modelos múltiplos de regressão logística. Para os modelos, todas as covariáveis com valor p<0,20 na análise univariada foram selecionadas e incluídas pelo procedimentostepwise forward. Para a a escolha do modelo final, considerou o Critério de Informação de Akaike (AIC) e o resultado do teste de qualidade de ajuste de Hosmer-Lemeshow. Os modelos finais foram ajustados pelas variáves sexo, ser fumante e escolaridade. Em todas as análises, foi considerado o nível de significância de 5%.
RESULTADOS
Na amostra de 274 idosos, houve predomínio do sexo feminino (66,1%), cor parda autodeclarada (61,7%) e aposentados (87,6%). A média de idade foi de 70,7 anos (DP±7,4). A maioria dos idosos tinha doenças diagnosticadas (86,5%), com destaque para a hipertensão arterial sistêmica (59,1%), não praticava atividades físicas (62,7%), não consumia bebidas alcoólicas (94,5%) e não fumava (87,5%). As prevalências de osteoporose e fraturas após os 45 anos, segundo autorrelato, foram de 23,7% e 14,6%, respectivamente. Quanto ao IMC, houve predomínio da classificação “adequado” (22 a 26 kg/m2; 47%). A Tabela 1 mostra a associação significativa entre as variáveis sexo e estado civil e sexo feminino e osteoporose (p<0,001).
Quanto à relação entre fatores independentes e desfechos, as razões de chances indicaram que os participantes que ingeriam bebidas alcoólicas (OR=6,58) e faziam suplementação de cálcio (OR=2,87) tiveram mais chance de ter fraturas após os 45 anos, tanto no modelo bruto quanto no ajustado. Por sua vez, mulheres (OR=5,69) e participantes que faziam suplementação de cálcio (OR=5,62) tiveram mais chances de ter osteoporose nos modelos bruto e ajustado (Tabela 2).
Modelo de regressão logística para os fatores independentes associados a fratura após 45 anos e osteoporose (n=274). Picos (PI), Brasil, 2020
A concentração sérica de 25(OH)D teve mediana de 24,5 ng/mL, considerada insuficiente (valor de referência para idosos: 30-60 ng/mL) (Tabela 3).
Análise descritiva dos valores da concentração sérica da 25(OH)D da subamostra (n=67). Picos (PI), Brasil, 2020
Quanto à relação entre alimentos fonte de vitamina D e cálcio com a concentração sérica de 25(OH)D, foram encontradas medianas significativamente maiores de 25(OH)D entre os participantes que consumiam queijo (29,2 ng/mL; p=0,021) e iogurte (38,8 ng/mL; p=0,021) na frequência de 4 a 7 dias por semana (Tabela 4).
Análise comparativa da concentração sérica de 25(OH)D com os alimentos fonte de vitamina D e cálcio da subamostra (n=67). Picos (PI), Brasil, 2020
DISCUSSÃO
predominância de doenças crônicas não transmissíveis na amostra;
baixa adesão à prática de atividades físicas;
concentração sérica de 25(OH)D predominantemente insuficiente;
maior mediana de 25(OH)D sérica entre aqueles que consomem queijo e iogurte regularmente;
maior prevalência de osteoporose no sexo feminino, em idosos com comorbidades e que fazem suplementação de cálcio;
maior prevalência de fraturas após os 45 anos em idosos que consomem bebidas alcoólicas e que fazem suplementação de cálcio.
A maioria dos idosos apresentou insuficiência de 25(OH)D sérica. É bem estabelecido que a adequação dessa vitamina é crucial para a prevenção de osteoporose, fraturas e outras patologias. Resultados similares foram reportados em estudos conduzidos nas cidades de Teresina (PI)12,14, João Pessoa (PB)15 e Cascavel (PR)16. Além disso, um estudo realizado em São Paulo analisou 8.366 amostras de sangue e encontrou deficiência de 25(OH)D em 70,7% das amostras4. Essas evidências indicam que a deficiência de 25(OH)D é um problema com abrangência nacional.
As diretrizes daEndocrine Society e do Institute of Medicine recomendam que a triagem da hipovitaminose D seja realizada apenas em populações de risco17. Concomitantemente, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) considera que idosos estão no grupo de risco para a deficiência de 25(OH)D18 e autores reforçam que tal deficiência, em idosos, está relacionada ao desenvolvimento de hiperparatireoidismo secundário e ao risco de fraturas19. Portanto, são necessárias a realização de acompanhamento através de exames de rotina e a suplementação ou o incremento das fontes dietéticas de vitamina D em idosos.
Quanto à relação entre alimentos fonte de vitamina D e cálcio com a concentração sérica de 25(OH)D, foram encontradas medianas significativamente maiores em idosos que ingeriam queijo e iogurte regularmente. Esses resultados devem ser vistos com cautela, tendo em vista que se passou mais de um ano entre a aplicação do inquérito alimentar e a coleta de sangue dos participantes, uma fragilidade metodológica do presente estudo decorrente da liberação tardia de recursos financeiros para a pesquisa. Os benefícios associados ao consumo dos alimentos lácteos incluem a manutenção do peso corporal, o aumento da massa magra, a redução da gordura corporal e a diminuição do risco de doenças cardiovasculares20. Porém, ressalta-se que as diretrizes alimentares devem incorporar evidências científicas a respeito dos efeitos dos diferentes produtos lácteos na saúde da população idosa.
Sabe-se que a sociedade contemporânea tem adotado hábitos alimentares não saudáveis, o que constitui um fator de risco relevante para a hipovitaminose D e, consequentemente, para osteoporose e fraturas21. A pouca variedade e a menor quantidade de alimentos fonte de vitamina D na dieta podem interferir nas concentrações séricas de 25(OH)D22, assim como na redução da ação intestinal da 1,25-hidroxivitamina D ou calcitriol, que é a forma biologicamente ativa da vitamina D23. Portanto, faz-se necessário promover ações de orientação para que a população idosa consuma, com maior frequência, alimentos que minimizem a chance de hipovitaminose D como estratégia de prevenção da osteoporose e das fraturas21.
Uma alternativa para minimizar os efeitos negativos da deficiência de 25(OH)D na população brasileira é a fortificação de alimentos. Estudos recentes desenvolvidos na Grécia e na India têm evidenciado que o uso de alimentos enriquecidos em vitamina D3 (tais como queijo, leite, margarina e outros laticínios) é eficaz no aumento da concentração sérica de 25(OH)D24,25.
No Brasil, ainda não há evidências da necessidade de fortificação de alimentos com a vitamina D. Apesar disso, uma investigação mostrou que, de 76 produtos lácteos enriquecidos, 37 continham vitamina D26. A fortificação de alimentos é uma estratégia importante para resolver problemas de deficiência nutricional, porém deve ser considerada com cautela, tendo em vista a possibilidade de ocasionar danos à saúde.
A relação entre sexo feminino e osteoporose é explicada pelo fato de o sexo feminino ser um fator de risco não modificável forte para a ocorrência de osteoporose, devido à diminuição do estrogênio após a menopausa, levando a um predomínio da fase de reabsorção em relação à de formação óssea27,28.
A associação entre osteoporose e comorbidades pode ter ocorrido em decorrência da alta prevalência das doenças crônicas em idosos, população-alvo do estudo. Os fatores de risco e de proteção para doenças como hipertensão arterial e diabetes mellitus coincidem com os da osteoporose, o que pode explicar esse achado29.
As associações encontradas entre osteoporose e fraturas com a suplementação de cálcio provavelmente decorrem de uma causalidade reversa, isto é, a presença dos referidos desfechos levou à utilização da suplementação. Este mesmo fenômeno foi observado em outro estudo30.
A suplementação é relevante e promove benefícios como a diminuição da perda da massa óssea e o aumento da sua densidade óssea31,32,33. Em contrapartida, a utilidade da suplementação de cálcio (sozinha ou com vitamina D concomitante) na redução do risco de fraturas por fragilidade tem sido questionada, uma vez que alguns estudos relataram uma fraca eficácia34. Dessa forma, sugere-se que a suplementação de cálcio seja feita de forma racional e individualizada, monitorando-se os pacientes em suplementação, sobretudo idosos.
A ingestão de bebidas alcoolicas foi associada a um maior risco de fraturas após os 45 anos. O consumo excessivo de álcool está associado à diminuição da densidade mineral óssea e da qualidade óssea devido à estimulação do estresse oxidativo provocado pelo álcool35,36. Além disso, durante o período de intoxicação, há uma maior probabilidade de quedas, o que pode explicar as relações encontradas no presente estudo.
Este resultado sinaliza a importância de se investigar como se dá o consumo de álcool pelos idosos nas consultas realizadas na atenção primária, visto que, muitas vezes, questões relacionadas a esse hábito não são abordadas.
O presente estudo teve como limitações: o fato de as comorbidades terem sido autorreferidas, a análise da concentração sérica de 25(OH)D em um quantitativo pequeno de idosos devido à insuficiência de recursos finaceiros (o que limita o poder estatístico) e o desenho transversal, que impede um acompanhamento a longo prazo que permitiria elucidar relações de causa e efeito. Além disso, a distância temporal entre a realização das etapas de coleta constitui uma limitação.
Embora o estudo tenha sido desenvolvido em uma região semiária e ensolarada durante o ano inteiro, o resultado da análise das concentrações séricas de 25(OH)D apontou insuficiência. Nesse contexto, intervenções para a mudança do estilo de vida relacionado a fatores que levam à insuficiência de 25(OH)D são necessárias.
Espera-se que a publicação dos resultados do presente estudo chame a atenção dos profissionais da área da saúde que atuam junto ao público idoso, principalmente na atenção primária, para a necessidade de intervir sobre os fatores de risco identificados como forma de prevenir a ocorrência de osteoporose e fraturas ou minimizar suas repercussões.
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