Open-access Episódio depressivo e fatores associados entre estudantes do ensino médio: uma análise hierarquizada

Depressive episode and associated factors among high school students: a hierarchical analysis

Resumo

Introdução:  O episódio depressivo tem se tornado frequente entre os adolescentes e tem aumentado nas últimas décadas.

Objetivo:  Verificar a prevalência e os fatores associados ao episódio depressivo em estudantes do ensino médio da cidade de Montes Claros (MG).

Método:  Estudo epidemiológico, transversal, analítico, realizado com 966 estudantes do ensino médio de escolas públicas e privadas. Utilizou-se questionário sobre características sociodemográficas, escolares, ocupacionais, estilo de vida, relações socioafetivas e condições psíquicas. O episódio depressivo foi avaliado por meio do Inventário de Depressão de Beck. Realizou-se estatística descritiva e regressão de Poisson hierarquizada.

Resultados:  Verificou-se que 27,1% dos pesquisados apresentaram episódio depressivo e este se associou a sexo feminino (RP 1,91; IC95% 1,50-2,45), consumo de uma ou mais doses de álcool (RP 1,30; IC95% 1,05-1,61), sono prejudicado (RP 1,40; IC95% 1,10-1,78), qualidade de vida insatisfatória no domínio físico (RP 1,51; IC95% 1,10-1,78) e mental (RP 2,86; IC95% 1,23-1,83), interação afetiva prejudicada (RP 1,90; IC95% 1,51-2,38), uso problemático da internet (RP 1,39; IC95% 1,05-1,83), adicção à internet (RP 1,44; IC95% 1,01-2,03) e Síndrome de Burnout (RP 1,40; IC95% 1,10-1,78).

Conclusão:  O episódio depressivo acometeu parte expressiva dos estudantes. Medidas de promoção e proteção da saúde mental precisam ser implementadas, considerando sexo, estilo de vida, relações socioafetivas e condições psíquicas.

Palavras-chave:
saúde mental; depressão; estudantes; adolescente; saúde do estudante

Abstract

Background:  Depressive episodes have become frequent among adolescents and have increased in recent decades.

Objective:  To verify the prevalence and the factors associated with depressive episodes in high school students in the city of Montes Claros/MG.

Method:  Epidemiological, cross-sectional, analytical study of 966 high school students from public and private schools. We used a questionnaire about socio-demographic, school, occupational, lifestyle, social-affective relationships, and psychological conditions. The depressive episode was assessed using the Beck Depression Inventory. Descriptive statistics and the hierarchical Poisson regression were performed.

Results:  It was verified that 27.1% of the respondents had a depressive episode and it was associated with the female sex (prevalence ratio - PR 1.91; 95% confidence interval - CI 1.50-2.45), consumption of one or more doses of alcohol (PR 1.30; 95%CI 1.05-1.61), impaired sleep (PR 1.40; 95%CI 1.10-1.78), unsatisfactory quality of life in the physical (PR 1.51; 95%CI 1.10-1.78) and mental (PR 2.86; 95%CI 1.23-1.83) domains, impaired affective interaction (PR 1.90; 95%CI 1.51-2.38), problematic internet usage (PR 1.39; 95%CI 1.05-1.83), internet addiction (PR 1.44; 95%CI 1.01-2.03) and burnout syndrome (PR 1.40; 95%CI 1.10-1.78).

Conclusion:  The depressive episode affected a significant part of the students. Actions for promotion and protection of mental health need to be implemented, considering sex, lifestyle, socio-affective relations and psychic conditions.

Keywords:
mental health; depression; students; adolescent; student health

INTRODUÇÃO

Os quadros depressivos constituem um importante problema no cenário mundial. Essa condição atinge mais de 322 milhões de pessoas em todo o mundo, contribui para a carga global de doenças e para o desenvolvimento de incapacidade nos indivíduos1. A evolução clínica do transtorno depressivo pode tender para uma forma extremamente grave, com ideação e atos suicidas, sentimento de menos valia e culpa excessiva, em alguns casos pensamentos delirantes. Esse conjunto de sintomas compromete o pragmatismo do indivíduo2,3. Tal transtorno se caracteriza por humor triste, vazio ou irritável, associado a manifestações somáticas e/ou cognitivas, que afetam significativamente a capacidade de desempenho da pessoa. A distinção do quadro é feita por meio de características como a duração, a idade ou a etiologia presumida3.

O episódio depressivo tem se torando um quadro comum entre os adolescentes4 e aumentado nas últimas décadas5. Tal condição na fase escolar merece destaque, devido às suas repercussões e à sua incidência nessa etapa da vida6. Os adolescentes que estão no ensino médio vivenciam as mudanças do período do adolescer: alterações físicas, comportamentais e emocionais. Ainda, enfrentam situações estressantes, resultantes das demandas sociais e escolares, além da pressão por escolhas que impactarão o seu futuro7,8. Lidam com diversos sentimentos, inclusive o temor e a angústia de frustrar as expectativas da família e da sociedade. Isso pode repercutir em sua saúde mental e produzir o episódio depressivo9,10, cuja ocorrência na fase escolar pode levar à insatisfação, ao comprometimento do desempenho e até mesmo ao abandono dos estudos11,12.

Nessa fase, há, ainda, o maior risco para complicações como a ideação e as tentativas de suicídio e para o uso abusivo de substâncias lícitas e ilícitas, bem como para sua recorrência ao longo da vida11. O episódio depressivo pode ser associado à Síndrome de Burnout, como consequência do estresse exaustivo vivenciado na fase estudantil, com mudanças na vida social em prol de um bom rendimento escolar13. O estudante tem vivido, no novo contexto tecnológico, um padrão de comportamento mal adaptativo de uso da internet, definido como adicção em internet, que resulta em consequências negativas na vida pessoal e acadêmica dos usuários14. Deve-se considerar a dificuldade em reconhecer o episódio depressivo na adolescência ou o diagnóstico errôneo, que, muitas vezes, contribui para a falta de tratamento15,16.

Estudos internacionais mostraram prevalências do episódio depressivo entre estudantes de 54,4% na China17, 41,1% no Vietnã18, 24,9% no Japão19 e 17,4% na Grécia4. No Brasil, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) evidenciou a prevalência de transtornos mentais comuns de 30,0%, sendo mais elevada entre meninas (38,4%), em relação aos meninos (21,6%); e entre os adolescentes de 15 a 17 anos (33,6%), quando comparados àqueles entre 12 e 14 anos (26,7%)8. Uma pesquisa com coortes de nascimentos demonstrou que o episódio depressivo maior atual afetou 6,8% dos adolescentes de Pelotas (RS) e 15,8% dos de São Luís (MA)20. Outros trabalhos de rastreio de episódio depressivo mostraram prevalências de 7,72% em Salvador (BA)21 e 8,3% em João Pessoa (PB)22.

No contexto epidemiológico da pandemia do novo Coronavírus (COVID-19), decretada em março de 2020, o medo relacionado a uma nova doença e as limitações das relações sociais influenciaram a vida dos adolescentes, que passaram por um período de maior vulnerabilidade emocional. Com as medidas de distanciamento social e o fechamento das escolas, houve a diminuição das atividades rotineiras e da interação social. Isso pode ter contribuído para uma tensão psicológica nos níveis pessoal, familiar, escolar e social, com o aumento e agravamento dos quadros de depressão23. Em investigação em Bangladesh, os sintomas depressivos foram identificados em 67,08% dos adolescentes24.

Em diversos cenários globais verificou-se que os fatores de risco associados ao episódio depressivo em adolescentes são sexo, situação econômica, estado de saúde, ambiente familiar negativo, baixa autoestima, isolamento social, estresse acadêmico, exposição ao bullying, histórico familiar de depressão, alterações do sono, tendências suicidas25 e abuso de substâncias26. A identificação de fatores relacionados ao desenvolvimento do episódio depressivo é necessária para garantir a sua prevenção, seu diagnóstico e o tratamento precoce e, ainda, para evitar o seu agravamento, tendo em vista as repercussões danosas para a vida da pessoa5, inclusive escolar12.

A triagem do episódio depressivo em adolescentes deve acontecer especialmente no contexto estudantil, a fim de se evitar que o sofrimento psíquico continue até a idade adulta19. No entanto, os estudos de detecção precoce e sobre fatores de risco são escassos em países em desenvolvimento25. A depressão em diferentes populações pode variar conforme as especificidades relacionadas à etnia, à cultura, a fatores sociodemográficos e econômicos, além de conforme diferentes critérios metodológicos utilizados no rastreamento dessa condição. Inquéritos epidemiológicos de base domiciliar ou escolar que abordam a temática ainda são incipientes no Brasil, principalmente em regiões interioranas, como no Norte de Minas Gerais (MG). Diante disso, este estudo teve como objetivo verificar a prevalência e os fatores associados ao episódio depressivo em estudantes do ensino médio da cidade de Montes Claros (MG).

MÉTODOS

Este trabalho faz parte de uma pesquisa maior intitulada “Estudantes online: uso e dependência da internet”.

Desenho e cenário do estudo

Trata-se de um inquérito epidemiológico de base escolar, transversal e analítico, realizado na zona urbana do município de Montes Claros (MG), Brasil, em escolas públicas e privadas, com estudantes matriculados no ensino médio.

População e amostra

À época do estudo, perfazia um total de 16.216 discentes do ensino médio: 12.839 de escolas públicas estaduais e 3.377 de escolas particulares.

O tamanho amostral foi definido considerando a prevalência do evento de 50% (devido ao estudo maior contemplar diversos eventos e para maximizar o tamanho amostral), o nível de confiança de 95% e o erro padrão de 5%. Foi adotada a correção para o efeito de delineamento (deff=2,0) e se estabeleceu um acréscimo de 15% como taxa de não resposta. Estimou-se que seriam necessários para o estrato de ensino médio no mínimo 884 estudantes.

A seleção da amostra foi do tipo probabilística por conglomerados. No primeiro estágio, por probabilidade proporcional ao tamanho, foi feito o sorteio das escolas. No segundo estágio, foi realizado o sorteio das turmas por amostragem aleatória simples. Foram incluídos na pesquisa os alunos regularmente matriculados na instituição de ensino e na turma selecionada e excluídos aqueles que não conseguiram responder os questionários por dificuldade de interpretação.

Coleta de dados e variáveis

Foi realizada uma capacitação com os entrevistadores e conduzido um estudo piloto com estudantes pertencentes a instituições de ensino não selecionadas, a fim de padronizar os procedimentos da pesquisa. Os dados foram coletados entre o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017, em quatro escolas públicas e em uma escola privada, em sala de aula. Uma equipe multiprofissional, composta por profissionais das áreas de medicina, psicologia, enfermagem, nutrição, de exatas e por estudantes de iniciação científica (dos cursos de medicina, enfermagem e engenharia civil), foi responsável pela coleta.

Utilizou-se para a coleta de dados um questionário que contemplava as seguintes variáveis:

  • Sociodemográficas: sexo, idade, classe econômica e escolaridade dos pais;

  • Escolares: série, turno de estudo e tipo de instituição de ensino;

  • Ocupacionais: trabalho extracurricular;

  • Estilo de vida: atividade física, consumo de alimentação balanceada, consumo de tabaco e/ou de álcool, lazer, sono, qualidade de vida;

  • Relações socioafetivas: uso das redes sociais, interação dialogada, interação afetiva; e

  • Condições psíquicas: adicção em internet, Síndrome de Burnout em estudantes e episódio depressivo).

No Quadro 1 13,14,27,28,29,30,31,32,33,34 estão descritas as variáveis, as medidas, os instrumentos e os respectivos pontos de corte.

Quadro 1.
Variáveis sociodemográficas, escolares, ocupacionais, de estilo de vida, de relações socioafetivas e de condições psíquicas; medidas; categorias e instrumentos adotados em amostra de estudantes do ensino médio de Montes Claros (MG), Brasil, 2016/2017.

Foi aplicada a versão brasileira do questionário “Estilo de Vida Fantástico”, traduzido e validado para adultos jovens, para investigar as seguintes variáveis relacionadas ao estilo de vida e às relações socioafetivas: prática de atividade física; consumo de alimentação balanceada; consumo de tabaco e de álcool; lazer; sono; interação dialogada; e interação afetiva. Esse instrumento avalia o comportamento dos indivíduos no último mês27. Na presente pesquisa, foram utilizadas apenas as questões de interesse que englobavam os aspectos das variáveis supracitadas.

Para mensuração da qualidade de vida aplicou-se o instrumento 12-Item Health Survey (Sf-12)28. A análise das propriedades psicométricas do SF-12 em uma população de adolescentes no norte de MG evidenciou que esse é um instrumento sensível para a avaliação de diferentes níveis de qualidade de vida e que é confiável, tem consistência interna satisfatória e rápida e fácil aplicação29.

A adicção em internet foi avaliada por meio da versão traduzida para o português do Internet Addiction Test (IAT)30. No Brasil esse instrumento foi validado em adolescentes escolares com níveis satisfatórios de validade, confiabilidade e estabilidade14, enquanto a Síndrome de Burnout foi analisada mediante a versão nacional do Maslach Burnout Inventory - Student Survey (MBI-SS) para estudantes. Essa escala apresentou adequada confiabilidade e validade em discentes brasileiros31.

A variável dependente episódio depressivo foi avaliada por meio do Inventário de Depressão de Beck (BDI). Esse instrumento apresenta propriedades psicométricas confiáveis em um amplo espectro de populações clínicas e não clínicas, com resultados adequados de validade (fatorial, convergente, discriminante) e de confiabilidade (consistência interna e reprodutibilidade)32.

Análise estatística

Os dados foram digitados em duplicata, organizados e analisados por meio do software estatístico IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 22.0. As variáveis investigadas foram descritas por meio de sua distribuição de frequência absoluta e percentual com correção pelo efeito do desenho (deff) e medidas de tendência central. Em seguida, foram realizadas as análises bivariadas entre a variável desfecho (episódio depressivo) e cada variável independente (características sociodemográficas, escolares, ocupacionais, comportamentais, socioafetivas e psíquicas), adotando-se o modelo de regressão de Poisson com variância robusta. Foram estimadas as Razões de Prevalência (RP) brutas, com seus respectivos intervalos de confiança de 95%. As variáveis que apresentaram nível descritivo (valor-p) de até 20% foram selecionadas para análise múltipla. Nessa análise, utilizou-se o modelo de regressão de Poisson hierarquizado. Para esse modelo, foi seguido o esquema apresentado na Figura 1, composto por blocos de variáveis em níveis distal (variáveis sociodemográficas, escolares e ocupacionais), intermediário (estilo de vida e relações socioafetivas) e proximal (condições psíquicas).

Figura 1.
Modelo teórico hierarquizado dos possíveis fatores associados ao episódio depressivo entre estudantes do ensino médio.

A organização dos possíveis fatores associados ao episódio depressivo de forma sistemática possibilitou hierarquizá-los segundo a maior associação com o desfecho. Assim, condições emocionais como adicção em internet e Síndrome de Burnout, que possuem maior relação e, consequentemente, podem repercutir em maior prevalência do citado evento, foram alocadas de forma proximal ao desfecho. Ademais, esse nível hierárquico, além de influir no desfecho, sofre influência das condições posicionadas no nível intermediário, como estilo de vida e aspectos socioafetivos, e de forma indireta pelo nível distal. Portanto, o desfecho pode se associar de forma distinta aos fatores de cada nível hierárquico. Dessa maneira, foi feita essa hipotetização dos fatores que influenciam no episódio depressivo, embora seja uma atividade complexa em virtude da subjetividade dos aspectos mentais. A estruturação do modelo teórico hierarquizado foi inspirada nas determinações da Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS)35, considerando a natureza complexa e multifatorial do assunto investigado.

O bloco das características sociodemográficas, escolares e ocupacionais foi o primeiro a ser incluído no modelo, permanecendo como fator de ajuste para os determinantes intermediários e proximais. Posteriormente, foram incluídas as variáveis do nível intermediário (características de estilo de vida e de relações socioafetivas), permanecendo como fator de ajuste para as variáveis do nível proximal. Por último, foram incluídas as variáveis do nível proximal (condições psíquicas). Em todos os níveis permaneceram no modelo somente aquelas variáveis que apresentaram nível descritivo p<0,05, após ajuste para as variáveis dos níveis anteriores. Foram estimadas RPs ajustadas com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%).

Aspectos éticos

O estudo atendeu os princípios éticos, e o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) Unimontes (Parecer no 1.520.173). O estudante com idade inferior a 18 anos e o seu responsável assinaram, respectivamente, o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os participantes com idade a partir de 18 anos assinaram o TCLE.

RESULTADOS

Participaram do estudo 966 estudantes do ensino médio, sendo a maioria do sexo feminino (53%), com idade média de 16,6 anos (DP±1,26) e pertencentes à classe econômica B ou C (78,7%). Quanto às características escolares e ocupacionais, 42,9% cursavam o primeiro ano, 85,9% estudavam em instituição pública de ensino e 17,4% trabalhavam. Em relação aos aspectos de estilo de vida, 55,9% praticavam atividade física vigorosa menos de três vezes por semana e 25,5% consumiam uma ou mais doses de álcool semanalmente. No que diz respeito às relações socioafetivas, 88,5% faziam uso frequentemente ou quase sempre das redes sociais e 39,9% possuíam interação afetiva prejudicada. Quanto às condições psíquicas, 62,2% foram classificados como usuário problemático ou adicto em internet e 12,4% apresentaram Síndrome de Burnout (Tabela 1).

Tabela 1.
Análise segundo caracterização da amostra, prevalência do episódio depressivo e variáveis associadas entre estudantes do ensino médio. Montes Claros (MG), Brasil, 2016/2017 (n=966).

Ao analisar a associação do episódio depressivo com as variáveis pesquisadas, observou-se que o sexo (p<0,001), a idade (p=0,187), a escolaridade dos pais (p=0,189), a série (p=0,183), o trabalho extracurricular (p=0,200), a prática de atividade física (p<0,001), o consumo de alimentação balanceada (p=0,006), o consumo de tabaco (p=0,021), o consumo de álcool (p=0,001), o lazer (p<0,001), o sono (p<0,001), a qualidade de vida, incluindo domínio físico (p<0,001) e mental (p<0,001), a interação dialogada (p<0,001), a interação afetiva (p<0,001), o uso problemático da internet (p<0,001), a adicção em internet (p<0,001) e a Síndrome de Burnout (p<0,001) foram significativos ao nível de 20% (Tabela 1).

A avaliação do episódio depressivo mostrou um escore médio de 8,2 pontos, com valor mínimo de zero e máximo de 47 pontos (±7,9). A classificação dos níveis desse desfecho é vista na Tabela 2. A prevalência do episódio depressivo clinicamente significativo foi observada em 27,1% dos pesquisados.

Tabela 2.
Classificação do episódio depressivo em estudantes do ensino médio. Montes Claros (MG), Brasil, 2016/2017 (n=966).

Os resultados da análise múltipla estão apresentados na Tabela 3. Foram identificados os seguintes fatores associados ao desfecho após ajuste pelas variáveis dos blocos hierarquicamente anteriores: no bloco do nível distal, sexo feminino (RP 1,91; IC95% 1,50-2,45); no intermediário, consumo de álcool (RP 1,30; IC95% 1,05-1,61), sono prejudicado (RP 1,40; IC95% 1,10-1,78), qualidade de vida insatisfatória no domínio físico (RP 1,51; IC95% 1,10-1,78) e no domínio mental (RP 2,86; IC95% 1,23-1,83) e interação afetiva prejudicada (RP 1,90; IC95% 1,51-2,38). No nível proximal, verificou-se uso problemático da internet (RP 1,39; IC95% 1,05-1,83), adicção à internet (RP 1,44; IC95% 1,01-2,03) e presença da Síndrome de Burnout (RP 1,40; IC95% 1,10-1,78).

Tabela 3.
Modelo ajustado dos fatores associados ao episódio depressivo em estudantes do ensino médio. Montes Claros (MG), Brasil, 2016/2017 (n=966).

DISCUSSÃO

Neste estudo verificou-se que uma parcela importante dos estudantes do ensino médio da cidade de Montes Claros apresentou episódio depressivo, desfecho que esteve associado aos seguintes fatores: sexo feminino, consumo de álcool, sono prejudicado, qualidade de vida insatisfatória nos domínios físico e mental, baixa interação afetiva, adição em internet e presença da Síndrome de Burnout.

A prevalência do episódio depressivo na presente investigação foi semelhante à encontrada no Japão (24,9%)19 e na capital de Laos (24%)36. Resultado superior foi encontrado em um município do Vietnã (41,1%)18 e em Portugal (31,2%)37. Prevalências menores foram observadas na Coreia do Sul (16,19 %) e na Grécia (17,43%)4. As pesquisas realizadas no cenário nacional, em Salvador (7,72%)21 e em João Pessoa (8,3%)22, apresentaram prevalências menores. No que diz respeito à classificação do episódio depressivo, observou-se que menos de 10% dos pesquisados foram classificados com sintomas moderados ou graves, achado inferior a estudo prévio37. Em estudantes canadenses, mais de 10% apresentaram um nível moderado ou alto de sintomas de depressão ou ansiedade38. Há que se ponderar que tais diferenças de prevalências do evento em distintas populações podem ser atribuídas às especificidades relacionadas à etnia, à cultura, a fatores sociais e econômicos, à variação demográfica e aos diferentes critérios metodológicos utilizados no rastreamento dessa condição.

A ocorrência da depressão durante as primeiras fases do ciclo de vida é preocupante devido ao comprometimento da qualidade de vida, por possuir um curso crônico e por se relacionar a várias condições de risco à saúde, como os sintomas ansiosos, os transtornos de personalidade, as dependências químicas, a ideação e as tentativas de suicídio5,6,11,39,40. Na vida estudantil, o episódio depressivo pode comprometer as relações sociais, o rendimento escolar, a satisfação com a escola, com a turma, com os amigos do colégio e com os professores, fomentando o absenteísmo escolar11,12. A presença do quadro depressivo nesse público pode ter repercussões no estado de saúde dos seus familiares e de pessoas do seu convívio próximo11.

A presença do episódio depressivo nos estudantes investigados associou-se estatisticamente ao sexo feminino, o que está em consonância ao verificado na literatura4,7,16,22,38,41,42,43,44,45. Razões que podem explicar esse achado envolvem fatores biológicos, genéticos, psicossociais (como baixa autoestima, sintomas ansiosos e insatisfação com a imagem corporal), hormonais e familiares que se apresentam diferentemente entre os sexos22,45. Apesar da etiologia multifatorial para essa associação, ações específicas no contexto social podem ser desenvolvidas, principalmente no ambiente escolar, por meio de atividades que equiparem o papel social entre os gêneros, diminuindo estigmas e preconceitos sobre o sexo feminino43,45.

No tocante aos aspectos socioeconômicos, não foi registrada associação de variáveis desse grupo com o evento averiguado. Os adolescentes podem ter tido dificuldade em informar o nível de escolaridade dos pais, assim como bens materiais, o que pode ter prejudicado a aferição dessas variáveis neste inquérito, mas é pertinente uma ponderação a respeito, pois os determinantes socioeconômicos desfavoráveis são importantes preditores da saúde mental, especialmente em países de média e baixa renda20. Baixa renda, pouca escolaridade dos pais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e dificuldade material dos pais no nascimento dos filhos podem implicar em aumento da incidência precoce de sintomas depressivos na adolescência. Piores condições de vida proporcionam exclusão social, estresse, diminuição do capital social e risco de violência para os adolescentes. A posição socioeconômica é uma construção social e multidimensional, difícil de ser definida e mensurada, o que requer prudência na análise da relação entre pobreza e saúde mental8,20.

O consumo de álcool se relacionou à presença do episódio depressivo entre os pesquisados, em consonância com pesquisas na Grécia4, na China46 e no estado de São Paulo47. O consumo de álcool é utilizado como marcador da iniciação social do jovem e é culturalmente aceito, pode estar atrelado à necessidade de aceitação social e à influência de amigos. Percebe-se que as políticas públicas direcionam ações para o combate ao consumo do tabaco, mas, quanto ao uso de álcool, há um comportamento permissivo. Medidas para a prevenção desse hábito e a conscientização dos seus riscos precisam ser implementadas no público adolescente48.

O sono prejudicado foi outra variável que apresentou associação significante com o episódio depressivo, de forma semelhante ao observado em investigações internacionais19,49,50,51. Esse achado pode ter como base um desequilíbrio neuro-hormonal, envolvendo, principalmente, as substâncias melatonina e serotonina16. Ressalta-se que o sono insuficiente pode levar à fadiga e à apatia na escola, ao funcionamento social prejudicado e à redução da capacidade de regular o humor e as respostas emocionais52.

A qualidade de vida insatisfatória, tanto referente à dimensão física quanto à mental, também se associou ao episódio depressivo nos pesquisados, similarmente a trabalhos prévios22,44. Trata-se de uma relação plausível, uma vez que adolescentes acometidos pela depressão apresentam diminuição significativa do seu bem-estar físico e psicológico e menor suporte familiar afetivo22. Uma boa qualidade de vida pode ser um fator de proteção para a saúde mental44. Entretanto, não é possível atestar uma causalidade para o achado constatado devido à provável causalidade reversa presente no delineamento transversal.

Observou-se, na presente investigação, que a interação afetiva prejudicada esteve associada ao episódio depressivo. Pesquisa realizada com 2.466 alunos japoneses do ensino médio verificou a presença de relação significativa entre tal desfecho e não possuir um melhor amigo42. A frequência do episódio depressivo foi menor em discentes gregos que relataram não ter problemas com seus amigos44. A influência, percebida pelo estudante, do apoio parental e do apoio social dos seus pares em relação ao episódio depressivo foi verificada em investigação realizada em Quebec, no Canadá38. A qualidade das relações de amizades pode estar associada ao ajustamento psicossocial dos adolescentes e, quando prejudicada, pode ter repercussões na sua saúde mental. A maior rede de apoio contribui para a obtenção de ajuda e afeto e, por conseguinte, proteção contra o episódio depressivo53.

O uso problemático e a adicção em internet também foram fatores associados ao evento analisado neste inquérito, de maneira análoga a pesquisas realizadas na Jordânia54, na capital de Taiwan55, na China17,49 e na Tailândia56. O uso da internet tem crescido entre adolescentes, o que pode ser justificado pela necessidade de autoafirmação, que ocorre também de forma virtual. Tal uso, quando descontrolado, pode se tornar prejudicial e repercutir nos padrões de comportamento. Porém, desde que empregada conscientemente, a internet pode ser uma aliada na promoção da saúde por propiciar acesso às informações desse campo57. Ainda não há consenso sobre os critérios diagnósticos para os transtornos relacionados ao uso da internet e, consequentemente, inconsistência em possíveis recomendações e políticas58. Contudo, ressalta-se a importância de supervisão e monitoramento adequados do uso da internet pelos pais, professores11 e profissionais da saúde durante suas consultas59.

Outra condição que se associou ao episódio depressivo foi a presença da Síndrome de Burnout. A depressão tem sido relacionada como uma consequência negativa dessa condição60. Essa é uma constatação esperada, pois o desgaste gerado por essa síndrome pode estar diretamente atrelado ao sofrimento psíquico, mesmo que de forma precoce, ainda na adolescência57. O ambiente escolar pode se tornar um dos mais importantes fatores indutores de estresse, diante de um fardo excessivo das tarefas escolares, com a simultânea falta de resultados satisfatórios, o que pode levar a repercussões emocionais41.

A prevalência expressiva do episódio depressivo em estudantes e os fatores associados examinados neste estudo revelam a necessidade de implementar medidas de promoção e proteção da saúde mental infanto-juvenil, considerando políticas públicas que devem abarcar as famílias e os grupos mais vulneráveis ao episódio depressivo. É fundamental que os gestores da área de educação e os professores sejam sensibilizados sobre essa realidade e capacitados para reconhecer os primeiros sinais e sintomas, provendo o suporte necessário12,15. Os adolescentes também devem ser alvo de intervenções para aumentar a conscientização sobre as condições de saúde mental. O crescimento da literácia em saúde mental pode propiciar os comportamentos de busca de ajuda, facilitar os primeiros cuidados, reduzir o atraso entre o início dos sinais e sintomas e a assistência profissional15. Isso porque o conhecimento em saúde mental, especificamente sobre os transtornos depressivos, é pequeno entre os estudantes15,36. Para tanto, estratégias de educação em saúde sobre essa temática podem ser realizadas em parceria com os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), como preconizado no Programa Saúde na Escola (PSE)7,57. O processo de integração das escolas com o sistema de saúde pode ser subsidiado por equipes multiprofissionais e da saúde mental, mediante os programas de matriciamento existentes na rede de atenção psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS)61.

É importante a expansão e qualificação dos serviços de saúde mental20, bem como a atuação do PSE na prevenção dos comportamentos de risco à saúde dos adolescentes, no estímulo à melhoria da qualidade de vida e das relações familiares e sociais. Igualmente necessária é a promoção do uso apropriado dos recursos tecnológicos, principalmente da internet. Atividades com essa finalidade devem ser realizadas no ambiente escolar e podem ser incluídas na grade curricular e nos territórios de abrangência das equipes da Estratégia Saúde da Família, a partir de parcerias intersetoriais7,57.

Por fim, informa-se que este inquérito apresenta algumas limitações. Uma delas foi o uso do autorrelato para mensurar as variáveis. A utilização de questionário autoaplicado no ambiente escolar pode ter sofrido influências do local e dos pares. Tal fato foi minimizado pela aplicação de instrumentos validados. Os resultados foram estimados para uma população de adolescentes escolares do ensino médio, então não podem ser extrapolados para outros domínios. Há que se considerar os adolescentes evadidos do sistema escolar, entre os quais estão aqueles com condições mais graves de saúde mental, o que pode ter subestimado as estimativas registradas. Sugere-se a realização de outras pesquisas sobre o tema, como as de coorte, a fim de melhor elucidar os fatores de risco.

REFERÊNCIAS

  • 1 World Health Organization. Depression and other common mental disorders [Internet]. Geneva: WHO; 2017 [acessado 2020 dez 2]. Disponível em: Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf
    » http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf
  • 2 World Health Organization. Group interpersonal therapy (IPT) for depression: Geneva: WHO; 2016.
  • 3 American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Porto Alegre: Artmed; 2014.
  • 4 Magklara K, Bellos S, Niakas D, Stylianidis S, Kolaitis G, Mavreas V, et al. Depression in late adolescence: a cross-sectional study in senior high schools in Greece. BMC Psychiatry. 2015;15:199. https://doi.org/10.1186/s12888-015-0584-9
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1186/s12888-015-0584-9
  • 5 Melo AK, Siebra AJ, Moreira V. Depressão em adolescentes: revisão da literatura e o lugar da pesquisa fenomenológica. Psicol Ciênc Prof. 2017;37(1):18-34. https://doi.org/10.1590/1982-37030001712014
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/1982-37030001712014
  • 6 Bevans KB, Diamond G, Levy S. Screening for adolescents’ internalizing symptoms in primary care: item responde theory analysis of the behavior health screen depression, anxiety, and suicidal risk scales. J Dev Behav Pediatr. 2012;33(4):283-90. https://doi.org/10.1097/DBP.0b013e31824eaa9a
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1097/DBP.0b013e31824eaa9a
  • 7 Brito M, Lima C, Messias R, Brito A, Pinho L, Silveira M. Prevalência de sintomas depressivos entre adolescentes escolares em município do Norte de Minas Gerais, Brasil. Revista Portuguesa de Enfermagem e Saúde Mental. 2020;24:17-24.
  • 8 Lopes CS, Abreu GA, Santos DF, Menezes PR, Carvalho KMB, Cunha CF, et al. ERICA: prevalência de transtornos mentais comuns em adolescentes brasileiros. Rev Saúde Pública. 2016;50(supl. 1):14s. https://doi.org/10.1590/S01518-8787.2016050006690
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S01518-8787.2016050006690
  • 9 Soares AB, Martins JSR. Ansiedade dos estudantes diante da expectativa do exame vestibular. Paidéia. 2010;20(45):57-62. https://doi.org/10.1590/S0103-863X2010000100008
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S0103-863X2010000100008
  • 10 Thapar A, Collishaw S, Pine DS, Thapar AK. Depression in adolescent. Lancet. 2012;379(9820):1056-67. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60871-4
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60871-4
  • 11 Boulard A, Quertemont E, Gauthier JM, Born M. Social context in school: its relation to adolescents’ depressive mood. J Adolesc. 2012;35(1):143-52. https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2011.04.002
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2011.04.002
  • 12 Benevides J, Sousa M, Barreto-Carvalho C, Nunes-Caldeira S. Sintomatologia depressiva e (in)satisfação escolar. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación. 2015;5:013-018. https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.05.109
    » https://doi.org/https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.05.109
  • 13 Santos A, Mineiro H, Cruz L, Santos L, Silveira M, Pinho L. Síndrome de Burnout e estilo de vida em estudantes de ensino médio. Revista Portuguesa de Enfermagem e Saúde Mental. 2019;21:16-22.
  • 14 Brito AB, Pinho L, Brito MFSF, Messias RB, Brito KDP, Rodrigues CAO, et al. Propriedades psicométricas do Internet Addiction Test em estudantes de Montes Claros, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública. 2021;37(5):e00212619. https://doi.org/10.1590/0102-311X00212619
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/0102-311X00212619
  • 15 Aluh DO, Anyachebelu OC, Anosike C, Anizoba EL. Mental health literacy: what do Nigerian adolescents know about depression? Int J Ment Health Syst. 2018;12:8. https://doi.org/10.1186/s13033-018-0186-2
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1186/s13033-018-0186-2
  • 16 Chinawa JM, Manyike PC, Obu HA, Aronu AE, Odutola O, Chinawa AT. Depression among adolescents attending secondary schools in South East Nigeria. Ann Afr Med. 2015;14(1):46-51. https://doi.org/10.4103/1596-3519.148737
    » https://doi.org/https://doi.org/10.4103/1596-3519.148737
  • 17 Tan Y, Chen Y, Lu Y, Li L. Exploring associations between problematic internet use, depressive symp-toms and sleep disturbance among southern Chinese adolescents. Int J Environ Res Public Health. 2016;13(3):313. https://doi.org/10.3390/ijerph13030313
    » https://doi.org/https://doi.org/10.3390/ijerph13030313
  • 18 Nguyen DT, Dedding C, Pham TT, Wright P, Bunders J. Depression, anxiety, and suicidal ideation among Vietnamese secondary school students and proposed solutions: a cross-sectional study. BMC Public Health. 2013;13:1195. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-1195
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-1195
  • 19 Hyakutake A, Kamijo T, Misawa Y, Washizuka S, Inaba Y, Tsukahara T, et al. Cross-sectional observation of the relationship of depressive symptoms with lifestyles and parents’ status among Japanese junior high school students. Environ Health Prev Med. 2016;21(4):265-73. https://doi.org/10.1007/s12199-016-0522-6
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1007/s12199-016-0522-6
  • 20 Orellana JDY, Ribeiro MRC, Barbieri MA, Saraiva MC, Cardoso VC, Bettiol H, et al. Mental disorders in adolescents, youth, and adults in the RPS Birth Cohort Consortium (Ribeirão Preto, Pelotas and São Luís), Brazil. Cad Saude Publica. 2020;36(2):e00154319. https://doi.org/10.1590/0102-311X00154319
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/0102-311X00154319
  • 21 Couto ISL, Reis DML, Oliveira IR. Prevalência de sintomas de depressão em estudantes de 11 a 17 anos da rede pública de ensino de Salvador. Rev Ciênc Méd Biol. 2016;15(3):370-4. https://doi.org/10.9771/cmbio.v15i3.18205
    » https://doi.org/https://doi.org/10.9771/cmbio.v15i3.18205
  • 22 Coutinho MPL, Pinto AVL, Cavalcanti JG, Araújo LS, Coutinho ML. Relação entre depressão e qualidade de vida de adolescentes no contexto escolar. Psicologia, Saúde & Doenças. 2016;17(3):338-51. https://doi.org/10.15309/16psd170303
    » https://doi.org/https://doi.org/10.15309/16psd170303
  • 23 Brasso C, Bellino S, Blua C, Bozzatello P, Rocca P. The impact of SARS-CoV-2 infection on youth mental health: a narrative review. Biomedicines. 2022;1094):772. https://doi.org/10.3390/biomedicines10040772
    » https://doi.org/https://doi.org/10.3390/biomedicines10040772
  • 24 Afrin S, Nasrullah SM, Dalal K, Tasnim Z, Benzadid M, Humayra F, et al. Mental health status of adolescents in-home quarantine: a multi-region, cross-sectional study during COVID-19 pandemic in Bangladesh. BMC Psychol. 2022;10(1):116. https://doi.org/10.1186/s40359-022-00819-3
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1186/s40359-022-00819-3
  • 25 Wahid SS, Ottman K, Hudhud R, Gautam K, Fisher HL, Kieling C, et al. Identifying risk factors and detection strategies for adolescent depression in diverse global settings: a Delphi consensus study. J Affect Disord. 2021;279:66-74. https://doi.org/10.1016/j.jad.2020.09.098
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.jad.2020.09.098
  • 26 Madruga CS, Laranjeira R, Caetano R, Pinsky I, Zaleski M, Ferri CP. Use of licit and illicit substances among adolescents in Brazil--a national survey. Addict Behav. 2012;37(10):1171-5. https://doi.org/10.1016/j.addbeh.2012.05.008
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.addbeh.2012.05.008
  • 27 Añez CRR, Reis RS, Petroski EL. Versão brasileira do questionário “estilo de vida fantástico”: tradução e validação para adultos jovens. Arq Bras Cardiol. 2008;91(2):102-9. https://doi.org/10.1590/S0066-782X2008001400006
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S0066-782X2008001400006
  • 28 Ware Jr J, Kosinski M, Keller SD. A 12-item short-form health survey: construction of scales and preliminary tests of reliability and validity. Med Care.1996;34(3):220-33. https://doi.org/10.1097/00005650-199603000-00003
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1097/00005650-199603000-00003
  • 29 Silveira MF, Almeida JC, Freire RS, Haikal DSA, Martins AEBL. Propriedades psicométricas do instrumento de avaliação da qualidade de vida: 12-item health survey (SF-12). Ciênc Saúde Coletiva. 2013;18(7):1923-31. https://doi.org/10.1590/S1413-81232013000700007
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S1413-81232013000700007
  • 30 Young KS. Internet addiction: the emergence of a new clinical disorder. Cyberpsychology Behav.1996;1(3):237-44. https://doi.org/10.1089/cpb.1998.1.237
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1089/cpb.1998.1.237
  • 31 Campos JADB, Maroco J. Adaptação transcultural Portugal-Brasil do Inventário de Burnout de Maslach para estudantes. Rev Saúde Pública. 2012;46(5):816-24. https://doi.org/10.1590/S0034-89102012000500008
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S0034-89102012000500008
  • 32 Beck AT, Steer RA, Carbin MG. Psychometric properties of the Beck Depression Inventory: twenty-five years of evaluation. Clin Psychol Rev. 1988;8(1):77-100. https://doi.org/10.1016/0272-7358(88)90050-5
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/0272-7358(88)90050-5
  • 33 Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Critério de Classificação Econômica Brasil. Critério Brasil 2015 e atualização da distribuição de classes para 2016 [Internet]. São Paulo: ABEP 2016 [acessado 2020 jun 12]. Disponível em: Disponível em: https://abep.org/wp-content/uploads/2024/02/01_cceb_2016_11_04_16_final.pdf
    » https://abep.org/wp-content/uploads/2024/02/01_cceb_2016_11_04_16_final.pdf
  • 34 Cunha JA. Manual da versão em português das Escalas Beck. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2001.
  • 35 Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde. As causas sociais das iniquidades em saúde no Brasil: relatório final da Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS). Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ; 2008.
  • 36 Phanthavong P, Naphayvong P, Reinharz D. Depression among last-year high school students in Vientiane, capital city of Lao PDR. Asia Pac J Public Health. 2015;27(2):NP1995-8. https://doi.org/10.1177/1010539513489135
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1177/1010539513489135
  • 37 Erse MPQA, Simões RMP, Façanha JDN, Marques LAFA, Loureiro CREC, Matos METS, et al. Depressão em adolescentes em meio escolar: Projeto + Contigo. Rev Enf Ref. 2016;4(9):37-45.
  • 38 Germain F, Marcotte D. Sintomas de depressão e ansiedade na transição do ensino secundário ao ensino médio: evolução e fatores influentes. Rev Adolesc Saúde. 2016;13(1):19-28.
  • 39 Claumann GS, Pinto AA, Silva DAS, Pelegrini A. Prevalência de pensamentos e comportamentos suicidas e associação com a insatisfação corporal em adolescentes. J Bras Psiquiatr. 2018;67(1):3-9. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000177
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/0047-2085000000177
  • 40 Garcia FD. Juventude, família e o uso abusivo de drogas. Educar em Revista. 2017;11(49):49-58.
  • 41 Mazur J, Nał˛ecz H, Kleszczewska D, Małkowska-Szkutnik A, Borraccino A. Behavioural factors enhancing mental health-preliminary results of the study on its association with physial activity in 15 to 16 year olds. Dev Period Med. 2016;20(4):315-24. PMID: 28216486.
  • 42 Mizuta A, Suzuki K, Yamagata Z, Ojima T. Teachers’ support and depression among Japanese adolescents: a multilevel analysis. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. 2017;52(2):211-9. https://doi.org/10.1007/s00127-016-1320-6
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1007/s00127-016-1320-6
  • 43 Rentz-Fernandes AR, Silveira-Viana M, Liz CM, Andrade A. Autoestima, imagem corporal e depressão de adolescentes em diferentes estados nutricionais. Rev Salud Pública. 2017;19(1):66-72. https://doi.org/10.15446/rsap.v19n1.47697
    » https://doi.org/https://doi.org/10.15446/rsap.v19n1.47697
  • 44 Zacharopoulou V, Tsironi M, Zyga S, Gialama F, Zacharopoulou G, Grammatikopoulos I, et al. Depressive symptoms among adolescent students in Greek High Schools. Health Psychol Res. 2014;2(3):1962. https://doi.org/10.4081/hpr.2014.1962
    » https://doi.org/https://doi.org/10.4081/hpr.2014.1962
  • 45 Piccinelli M, Wilkinson G. Gender differences in depression. Critical review. Br J Psychiatry. 2000;177:486-92. https://doi.org/10.1192/bjp.177.6.486
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1192/bjp.177.6.486
  • 46 Guo L, Deng J, He Y, Deng X, Huang J, Huang G, et al. Alcohol use and alcohol-related problems among adolescents in China: a large-scale cross-sectional study. Medicine (Baltimore). 2016;95(38):e4533. https://doi.org/10.1097/MD.0000000000004533
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1097/MD.0000000000004533
  • 47 Fidalgo TM, Sanchez ZM, Caetano SC, Maia LO, Carlini EA, Martins SS. The association of psychiatric symptomatology with patterns of alcohol, tobacco, and marijuana use among Brazilian high school students. Am J Addict. 2016;25(5):416-25. https://doi.org/10.1111/ajad.12407
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1111/ajad.12407
  • 48 Nader L, Aerts D, Alves G, Câmara S, Palazzo L, Pimentel Z. Consumo de álcool e tabaco em escolares da rede pública de Santarém-PA. Aletheia. 2013;41:95-108.
  • 49 Li JB, Lau JTF, Mo PKH, Su XF, Tang J, Qin ZG, et al. Insomnia partially mediated the association between problematic Internet use and depression among secondary school students in China. J Behav Addict. 2017;6(4):554-63. https://doi.org/10.1556/2006.6.2017.085
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1556/2006.6.2017.085
  • 50 Ojio Y, Nishida A, Shimodera S, Togo F, Sasaki T. Sleep duration associated with the lowest risk of depression/anxiety in adolescents. Sleep. 2016;39(8):1555-62. https://doi.org/10.5665/sleep.6020
    » https://doi.org/https://doi.org/10.5665/sleep.6020
  • 51 Stheneur C, Sznajder M, Spiry C, Marin MM, Ghout I, Samb P, et al. Sleep duration, quality of life and depression in adolescents: a school-based survey. Minerva Pediatr. 2019;71(2):125-34. https://doi.org/10.23736/S0026-4946.17.04818-6
    » https://doi.org/https://doi.org/10.23736/S0026-4946.17.04818-6
  • 52 Chorney DB, Detweiler MF, Morris TL, Kuhn BR. The interplay of sleep disturbance, anxiety, and depression in children. J Pediatr Psychol. 2008;33(4):339-48. https://doi.org/10.1093/jpepsy/jsm105
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1093/jpepsy/jsm105
  • 53 Freitas M, Santos AJ, Ribeiro O, Pimenta M, Rubin KH. Qualidade da amizade na adolescência e ajustamento social no grupo de pares. Análise Psicológica. 2018;2(36):219-34. https://doi.org/10.14417/ap.1551
    » https://doi.org/https://doi.org/10.14417/ap.1551
  • 54 Alzayyat A, Al-Gamal E, Ahmad MM. Psychosocial correlates of internet addiction among jordanian university students. J Psychosoc Nurs Ment Health Serv. 2015;53(4):43-51. https://doi.org/10.3928/02793695-20150309-02
    » https://doi.org/https://doi.org/10.3928/02793695-20150309-02
  • 55 Liu HC, Liu SI, Tjung JJ, Sun FJ, Huang HC, Fang CK. Self-harm and its association with internet addiction and internet exposure to suicidal thought in adolescents. J Formos Med Assoc. 2017;116(3):153-60. https://doi.org/10.1016/j.jfma.2016.03.010
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.jfma.2016.03.010
  • 56 Hanprathet N, Manwong M, Khumsri J, Yingyeun R, Phanasathit M. Facebook addiction and its relationship with mental health among Thai High School Students. J Med Assoc Thai. 2015;98(Suppl 3):S81-90. PMID: 26387393.
  • 57 Lima CA, Messias RB, Brito AB, Ferreira TB, Barbosa MS, Pinho L, et al. Ideação suicida e fatores associados entre estudantes de ensino médio e superior: uma análise hierarquizada. J Bras Psiquiatr. 2021;70(3):211-23. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000342
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/0047-2085000000342
  • 58 Machado MR, Bruck I, Antoniuk SA, Cat MNL, Soares MC, Silva AF. Internet addiction and its correlation with behavioral problems and functional impairments - a cross-sectional study. J Bras Psiquiatr. 2018;67(1):34-8. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000181
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/0047-2085000000181
  • 59 Abreu CN, Karam RG, Góes DS, Spritzer DT. Dependência de internet e de jogos eletrônicos: uma revisão. Rev Bras Psiquiatr. 2008;30(2):156-67. https://doi.org/10.1590/S1516-44462008000200014
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S1516-44462008000200014
  • 60 Ahola K, Honkonen T, Isometsä E, Kalimo R, Nykyri E, Aromaa U, et al. The relationship between job-related burnout and depressive disorders--results from the Finnish Health 2000 Study. J Affect Disord. 2005;88(1):55-62. https://doi.org/10.1016/j.jad.2005.06.004
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.jad.2005.06.004
  • 61 Iglesias A, Avellar LZ. Matriciamento em saúde mental: práticas e concepções trazidas por equipes de referência, matriciadores e gestores. Ciênc Saúde Coletiva. 2019;24(4):1247-54. https://doi.org/10.1590/1413-81232018244.05362017
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/1413-81232018244.05362017
  • Fonte de financiamento:
    Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Processo APQ-02197-17, Edital 01/2017 - Demanda Universal. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - Bolsa de Produtividade em Pesquisa nível 2, de Silveira MF (processo no 18/2024). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Bolsa de Doutorado de Lima CA.
  • Como citar:
    Messias RB, Brito AB, Volker V, Santos VM, Lima CA, Silveira MF, et al. Episódio depressivo e fatores associados entre estudantes do ensino médio: uma análise hierarquizada. Cad Saúde Colet. 2025;33(2):e33020219. https://doi.org/10.1590/1414-462X202533020219
  • DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
    Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo estão disponíveis com o autor correspondente mediante solicitação.

Disponibilidade de dados

Os conjuntos de dados gerados e/ou analisados durante o estudo estão disponíveis com o autor correspondente mediante solicitação.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Jul 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    17 Nov 2021
  • Aceito
    25 Set 2022
location_on
Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro Avenida Horácio Macedo, S/N, CEP: 21941-598, Tel.: (55 21) 3938 9494 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: cadernos@iesc.ufrj.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro