Open-access SINCÍCIOS E PARTÍCULAS VIRAIS EM CÉLULAS DE LINHAGEM SUÍNA IB-RS-2 INFECTADAS POR AMOSTRAS DO VÍRUS DA DOENÇA DE NEWCASTLE

RESUMO

Foi estudada a formação de sincícios e partículas do vírus da doença de Newcastle em células da linhagem sufna IB-RS-2, infectadas por amostras velogênica e lentogênica. Todas as amostras induziram a formação de sincícios, em períodos variados de incubação. Com a amostra lentogênica, tratada com tripsina, sincfcios foram observados em um período menor de incubação. O estudo ultra-estrutural revelou a presença de partículas pleomórficas, protrusões filamentosas e inclusões citoplasmáticas.

PALAVRAS-CHAVE:
Linhagem celular IB-RS-2; sincícios; tripsina; vírus da doença de Newcastle.

SUMMARY

Syncytia and virus particles in IB-RS2 swine cell line infected by Newcastle disease virus strains.

Syncytia and virus particles of Newcastle disease were studied in infected IB-RS-2 swine cell line by velogenic and lentogenic strains. All viral samples induced syncytia at different incubation time. The lentogenic strain rapidly induced syncytia under trypsin treatment Ultrastructural study revelead pleomorphic particles, filamentous protrusions and cytoplasmic inclusions.

KEY-WORDS:
IB-RS-2 cells; syncytia; trypsin; Newcastle disease virus.

Amostras velogênicas e lentogênicas do vfrus da doença de Newcastle apresentam diferenças marcantes na suscetibilidade da clivagem de suas glicoprotefnas HON e FO em e F, por enzimas proteolfticas (98. Além do genoma 'ó ral, essas diferenças podem ser determinadas peIa presença ou não da protease apropriada na célula hospedeira (9, 10). Segundo NAGAI et alii (10), a incapacidade de cepas lentogênicas produzirem vírus ativo é um fenômeno específico da célula hospedeira, pois, dentre vários sistemas celulares pesquisados, somente células da membrana cório-alantóide produziram partícuIas virais, altamente infecciosas, com teínas clivadas como as de cepas velogênicas. Esses autores constataram, também, que o tratamento com tripsina, durante a incubação das partículas virais lentogênicas nos sistemas celulares BHK-21 F, MDBK e células de embrião de galinha, induziu a clivagem da glicoprotefna FO em F, tornando o comportamento dessas partfculas virais semelhante ao de amostras velogênicas, com relação à formação de placas de lise celular e da fusão de células.

Neste trabalho, estudou-se a relação vírus célula de uma cepa velogênica e de uma gênica do vírus da doença de Newcastle em células da linhagem suína IB-RS-2, clone C-26-3, na formação de sincícios e de partículas virais sob ação da tripsina.

Foi uülizada a cepa velogênica, São João do Meriti (SJM), com 5 passagens em células da linhagem IB-RS2 clone C-26-3 (5), e duas amostras da cepa lentogênica LaSota, uma das quais, LSBA, também com 5 passagens nessa linhagem celular (5) e, a outra, uma amostra vacinal, liofilizada.

Para o estudo ultra-estrutural, culturas celulares, lavadas com solução fisiológica de Hanks, foram inoculadas com 0,3ml/frasco de suspensão viral e incubadas durante 1 hora a 37-38°C para a adsorção do vírus. A seguir, foram lavadas com solução fisiológica e reincubadas à mesma temperatura, com meio Tris (5), salvo uma das séries de culturas celulares inoculadas com a amostra LaSota, a qual foi acrescida ao meio, tripsina DIFCO 1 :250, na concentração final de 1 Oμg/ml. As culturas celulares foram incubadas por um período de 20 a 28 horas. Para o teste de hemadsorção, uma série destas culturas celulares foi lavada com a solução fisiológica e incubada com uma suspensão de hemácias de cobaia a 1% em lução tamponada, durante 10 minutos a OO C. A seguir, foram lavadas duas vezes com solução fisiológica.

As culturas celulares foram fixadas em glutaraldeído, segundo método já descrito (3), exceto a emblocagem, que foi feita segundo SPURR (14). A observação foi feita ao micros cópio eletrônico Philips EM-300.

Para o estudo citológico, os monoestratos celulares que cresceram sobre lamínulas em tubos de Leighton sofreram o mesmo processo acima descrito, até a incubação final, com exceção do inóculo, que foi 0, lml/tubo. Os mo noestratos celulares foram fixados e corados em solução de Giemsa, quando eram visíveis focos de efeito citopático.

Após o período de incubação, quando culturas celulares foram examinadas ao nível de microscopia fotônica, constatou-se que naqueIas infectadas pela amostra LaSota, incubadas com tripsina, as células mostravam aspecto granuloso e muitos focos de efeito citopático, com células retraídas, gigantes e pleomórficas, mo as infectadas com amostra velogênica SJM, Porém, nas culturas celulares infectadas por LaSota, sem tripsina, as células estavam arredondadas e sem focos visíveis de efeito citopático, aspecto semelhante às inoculadas com a amostra LSBA.

Nas preparações citológicas de todos os monoestratos celulares infectados, constatou-se a presença de corpúsculos eosinófilos de inclusões citoplasmáticas e de sincícios com núcleos em diferentes estágios de hipercromasia da membrana nuclear chegando à cariorrexis (Fig. I.A-B). Porém, a indução de formação de sincícios pelas amostras SJM e LaSota, esta com tripsina, foi mais rápida do que as LS-BA e LaSota, sem tripsina, as quais necessitaram de maior tempo de incubação. Sincícios, segundo REEVE e (11), eram mais freqüentemente induzidos por vírus virulento do que avirulento, pois a fusão celular depende da formação de vírus ativo; o referido comportamento foi similar ao observado com a amostra velogênica SJM e pela amostra lentogênica LaSota, que se comportou como virulenta na presença da tripsina, pois esta induziu a clivagem da glicoproteína FO em F, imprescindível para a expressão da fusão celular (10). Independente do fator glicoprotefna F das partículas virais das amostras LS-BA, LaSota e SJM, a replicação destas partículas pode ter sido exaltada nas céluIas do clone 026-3 da linhagem suína IB-RS-2, pela presença do vírus da peste suína clássica (8, 12), semelhante à exaltação do vírus da doença de Newcastle por esse vírus, descrita por KUMAGAI et alii (7).

FIGURA I
A-B - Aspecto geral de sincfcio com vários núcleos - Giemsa. Aumentos: A = 1.123x. B = 2.872x.

A capacidade hemaglutinante induzida pela glicoprotefna H, presente em cepas velogênicas, e na lentogênica LaSota (10), foi mostrada pela hemadsorção de hemácias de cobaia à membrana das células da linhagem suína IB-RS-2, clone C26-3, infectadas pelas amostras virais (Fig. 2.A). Hemadsorção deste tipo foi descrita por HOTCIDN et a/ii (2), em células de macaco inoculadas com vírus da influenza.

FIGURA 2
Aspectos ultra-estruturais: A - Cito-hemadsorção de hemácias de cobaia à membrana de células infectadas. B - Partículas virais pleomórficas. C - Protrusão filamentosa com nucleocápsides aparentemente ordenados. D-E - Inclusões citoplasmáticas.

O exame ultra-estrutural revelou a presença de partículas virais pleomórficas globosas, globo-filamentosas e filamentosas (Fig. 2.B) em células infectadas por SJM, l.S-BA e LaSota, com ou sem tripsina Estruturas semelhantes a essas foram também observadas em alguns sistemas celulares que permitem ou não a replicação de múltiplos ciclos virais, pois a ativação das glicoproteínas não é necessária para a formação do vírus, embora possa reduzir a infectividade de cepas atenuadas (4). Contudo, protrusões filamentosas com nucleocápsides aparentemente ordenados (Fig. 2.C) foram constatadas apenas em células inoculadas com SJM e l.S-BA, como as observadas em células infectadas por vírus paramixo PMY (13) e por parainfluenza SV5 (1).

Além dessas estruturas, observou-se, na região perinuclear de células inoculadas com a amostra LaSota, tratada com tripsina, áreas densas, como inclusões citoplasmáticas (Fig. 2.D-E). Estas formações, provavelmente, nucleocápsides irregularmente arranjados e acumulados na matriz citoplasmática, · também tinham sido constatadas em células de membrana cório-alantóide infectadas pelo vírus da doença de Newcastle de baixa patogenicidade (13), e em células BHK infectadas pelo vírus da parainfluenza (i). Estas estruturas corresponderiam aos corpúsculos eosinófilos de inclusão citoplasmática (6).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1985

Histórico

  • Recebido
    25 Maio 1984
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Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: arquivos@biologico.sp.gov.br
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