Open-access CONTROLE DO MOSAICO DOURADO DO FEIJOEIRO AI RA VES DE I XSETICIDAS, ÓLEO MINERAL E BORO.

Control of bean golden mosaic through insecticides, mineral Oil and boron.

RESUMO

Dois ensaios foram instalados em condições de campo no mês de fevereiro de 1989 em Campinas. São Paulo. conl o objetivo de se verificar a eficiência de alguns produtos no controle do mosaico dourado do feijoeiro ( V MDF) sobre os cultivares de feijão Carioca e Carioca 80, respectivamente. Ambos constituiram-se de tratamento de solo e ou tratannento de parte aérea, a saber: a)no solo - aldicarb e carbofuran, b) em parte aérea - fenpropathrin, metamidofós e óleo Illineral + fenpropathrin e c) no solo e em parte aérea - as combinações dos três últimos produtos com carbofuran: a) no solo-aldicarb e carbofuran, b) em parte aérea - boro, metamidofós e esfenvalerate e c) no solo e em parte aérea - as combinaçóes dos três últinnos produtos com aldicarb. Foram realizadas em cada ensaio quatro pulverizações, aos 9, 21 . 30 e 38 dias após a ennergência (DAE), e as avaliações efetuadas semanalmente entre os 20 e 45 DAE, através da porcentagem de plantas doentes. As parcelas testemunhas apresentaram 100% de incidência de mosaico na última avaliação. Os tratamentos que apresentaram melhor controle da doença e produtividade foram as combinações de carbofuran com os tratamentos de parte aérea. tendo uma eficiência média de controle de aproximadamente 80%. O boro não apresentou nenhum controle em relação à testemunha, desde o início do aparecimento da doença.

PALAVRAS-CHAVE
Tratamento de solo; pulverizações; feijão; mosaico dourado.

SUMMARY

Two experiments were carried out in field conditions in February 1989 in the region of Campinas, State of São Paulo, with the objective to verify wheter some products can control bean golden mosaic in Phaseolus plants cv. Carioca and Carioca 80. Treatments constituted of soil treatment and/or aerial part treatment as follows: a) in soil - aldicarb and carbofuran, b) in aerial part - fenpropathrin, metamidophos and mineral Oil + fenpropathrin and c) in soil and aerial part - the combinations of the three last products with carbofuram (firqt test); a) in soil - aldicarb and carbofuran, b) in aerial part - boron, metamidophos and esfenvalerate and c) in soil and aerial part - the combinations of the three last with aldicarb (second test). Four sprays *'ere applied at the 9, 21 , 30 and 38 days after the emergency (DAE). Evaluations were carried between 20 and 45 DAE, through the percentage of diseased plants. Controls showed 100% of mosaic incidence in the last evaluation. The treatments with best control of disease and yield were the combinations of carbofuran + the aerial part treatments, showing almost 80% of efficiency. Boron did not control the disease in comparison with control since the initial phase of the appearance.

KEY-WORDS
Soil treatment; sprays; bean; golden mosaic.

INTRODUÇÃO

O mosaico dourado do feijoeiro pode ser considerada a doença mais importante da cultura em vários estados brasileiros na safra da seca, registrando-se perdas de produtividade bastante elevadas (COSTA & CUPERTINO, 1976; MENTEN et alii, 1979; ISSA & WATANABE, 1982; ALMEIDA et alii, 1984).

As plantas infectadas pelo vírus do mosaico dourado (VMDF) são facilmente reconhecidas no campo pelo amarelecimento geral característico. Alguns cultivares podem se tornar raquíticos e produzir vagens doformadas (SCHWARTZ et alii, 1978).

Sabe-se que a ocorrência de epidemias do mosaico dourado do feijoeiro está relacionada a altas populações do inseto vetor (Bemisia tabaco e, este à presença de plantas coIonizadoras e condições climáticas adequadas. Em experimentos conduzidos por VICENTE et alii, 1988, foi verificado que no inverno a população do vetor e a incidência do mosaico foram menores e a produtividade maior quando comparado ao plantio de março. Também verificou-se um número de "moscas" brancas bem maior quando na presença de plantas colonizadoras do inseto vetor. GAMEZ, 1971 , testou muitas variedades de Phaseolus vulgaris, todas suscetíveis ao VMDF , sendo que a intensidade de sintomas diferiu consideravelmente entre elas.

As medidas de controle desta doença consistem basicamente no emprego de variedades resistentes ou tolerantes, as quais praticamente inexistem, no controle da população do inseto vetor através de inseticidas sistêmicos, além da indicação de época de cultivo e zoneamento agrícola. Dessas recomendações, o controle químico pode trazer resultados mais viáveis a curto prazo, embora nem sempre satisfatórios. O presente trabalho visou a obtenção do controle do mosaico dourado do feijoeiro através de alguns produtos químicos, sem a utilização de um grande número de aplicações, procurando combinar produtos de aplicação no solo com pulverização na parte aérea.

MATERIAL E MÉTODOS

Na Estação Experimental do Instituto Biológico em Campinas, na safra da seca de 1989, foram instalados dois experimentos com produtos químicos visando controle do mosaico dourado do feijoeiro. O primeiro foi realizado com o cv. Carioca e os seguintes tratamentos (doses em kg ou 1 p.c./ha): a) no solo - aldicarb (Temik, 15G-10kg) e carbofuran (Furadan 5G-20kg), b) em parte aérea - fenpropathrin (Danimcn 30CE - 0,21), metamidofós (Tamaron 60-0,51) e óleo mineral (lharol 1% - 1,01) + fenpropathrin (0, II) e c) no solo e em parte aérea - as combinações dos três últimos produtos com carbofuran (20kg). O segundo foi realizado com o cv. Carioca 80 e os seguintes tratamentos (doses em kg ou I p.c./ha): a) no solo - aldicarb (Temik 15G- IOkg) e carbofuran (Furadan 5G-20kg), b) em parte aérea - boro (Bórax comercial - 0,8kg), metamidofós (0,51) e esfenvalerate (Sumidan 2,5 CE - 0,61) e c) no solo e em parte aérea - as combinações dos três últimos produtos com aldicarb (10kg).

O delineamento estatístico utilizado foi o de blocos ao acaso com 9 tratamentos e 4 repetições, para cada ensaio. Para análise de variância foi utilizado o teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Os parâmetros avaliados foram a incidência de mosaico dourado aos 20, 30, 38 e 45 DAE e a pordutividade. As parcelas constituíram-se de 5 linhas de 5m de comprimento, espaçadas de 0,5m. Ao redor da área dos experimentos foi semeado feijão cv. Rosinha, onde não se fez controle das invasoras, favorecendo assim o aparecimento da doença.

As pulverizações foram realizadas aos 9, 21, 30 e 38 dias após a emergência (DAE) das plântulas, sendo que a primeira pulverização foi efetuada antes da ocorrência de sintomas do mosaico dourado, porém com a presença do vetor, e a última por ocasião da floração e formação das primeiras vagens. A partir dessa época considerou-se que os prejuízos peIa doença não seriam elevados, não justificando portanto mais aplicação dos produtos.

As avaliações da doença basearam-se na porcentagem de plantas doentes, através da contagem do número de plantas com sintomas de mosaico nas três linhas centrais de cada parcela, aproximadamente uma semana após cada pulverização, ou seja, entre 20 e 45 DAE.

Dados de precipitação pluviométrica e de temperatura foram coletados para auxiliar no acompanhamento do desenvolvimento da doença durante o período de avaliação (fevereiro a abril), uma vez que as condições climáticas determinam em grande parte o nível populacional de insetos vetores.

RESULTADOS

Houve, no campo de ensaio, a ocorrência de mancha angular e ferrugem, além do mosaico dourado, mas em quantidade bastante baixa, de maneira que não afetaram os resultados obtidos pela virose. O feijoeiro cv. Rosinha, presente ao redor da área experimental, manifestou os sintomas do VMDF antes dos cultivares em estudo, alcançando um índice de infecção de 100% de plantas doentes até o final do florescimento.

Para facilidade de interpretação, os resultados foram apresentados agrupando-se os 9 tratamentos em 4 grupos, de acordo com sua semelhança de eficiência que foi determinada pelos dados estatísticos de incidência de mosaico dourado e de produtividade. Os grupos estabelecidos estão indicados nas tabelas 1 e 2, respectivamente, para cada ensaio: A) tratamentos combinados solo + parte aérea, B) somente tratamento de solo, C) somente tratamentos de parte aérea e D) testemunha. Foi possível verificar diferenças entre os grupos de tratamentos, mas em geral os tratamentos dentro de cada grupo não diferiram entre si.

TABELA 1
Efeito dos produtos na incidência (%) de mosaico dourado do feijoeiro cv. Carioca e na produtividade. Campinas, 1989.
TABELA 2
Efeito dos produtos na incidência (%) de mosaico dourado do feijoeiro cv. Carioca 80 e na produtividade. Campinas, 1989.

As observações de clima revelaram condições bastante propícias ao aparecimento da doença, especialmente a partir do final de fevereiro até abril, quando as precipitações não foram elevadas diminuindo consideravelmente em relação a janeiro e início de fevereiro e, as temperaturas máximas alcançaram em média 33°C durante esse período, ficando a média entre 21 e 23°C.

Devido 4a suscetibilidade dos cultivares Carioca e Carioca 80 e às condições ambientes favoráveis (clima, ocorrência de plantas hospedeiras como Sida e Leonorus), a incidência da doença foi bastante elevada, chegando a 100% na testemunha aos 45 DAE.

Verificou-se, pelo primeiro ensaio, que os melhores tratamentos foram os do grupo A, quando se aplicou carbofuran no solo juntamente com fenpropathrin ou metamidofós ou óleo mineral + fenpropathrin em parte aérea, apresentando uma eficiência média de controle de 79,5%, seguido do tratamento de solo sozinho com carbofuran ou aldicarb, com 44,8% de eficiência e por último os tratamentos em parte aérea com fenpropathrin, metamidofós ou óleo mineral + fenpropathrin com uma eficiência bastante reduzida de 23,7%. Já no segundo ensaio, não houve diferença entre a eficiência dos tratamentos do grupo A e B (cerca de 40,0%). Os tratamentos de parte aérea, isto é, boro, metamidofós e esfenvalerate praticamente igualaram-se à testemunha, sendo inferiores aos do grupo A e B.

Os melhores reSultados de controle do mosaico dourado, obtidos pelos tratamentos citados , foram também aqueles com maiores resultados de produtividade: 882, 605 e 435kg no primeiro experimento e 578, 696 e 414kg/ha no segundo experimento, respectivamente, para os grupos A, B e C, enquanto as testemunhas apresentaram 302 e 472 kg/ha.

Observaram-se falhas no número de plântulas ("stand") em algumas parcelas que receberam tratamentos de solo, tanto com o produto aldicarb como carbofuran. No entanto, parece ter ocorrido um efeito de compensação das plantas, não afetando sua produtividade.

DISCUSSÃO

O maior problema do controle químico do VMDF é a necessidade de um grande número de aplicações de produtos, onerando muito o custo de produção. Por outro lado, não se tem até o presente momento, obtido maior sucesso com medidas alternativas de controle. BIANCHINI et alii. , 1986 obtiveram maior produção de feijão em cultivo intercalar com sorgo em relação ao feijoeiro solteiro, resultante de um retardamento na incidência de VMDF. Em outros anos, porém, não houve efeito positivo na produção. MARTINS et alii., 1985 avaliando o comportamento de 15 cultivares de feijoeiro quanto ao ataque de Bemisia tabaci, verificaram, apesar de níveis diferentes de infestação, que todos os cultivares mostraram-se suscetíveis.

Novas tentativas de controle da doença têm sido realizadas com agentes de produtos químicos não inseticidas, como ácido poliacrflico, aspirina, óleos mineral e vegetal, melaço, extratos de plantas e outros (CANER et alii., 1985; NARDO et alii., 1986; NARDO & COSTA, 1989). Essas substâncias podem retardar o aparecimento dos sintomas ou apresentar um índice de redução de infecção bastante satisfatório, mas necessitam de mais estudos para sua aplicação a nível de campo. Já o boro (Bórax), utilizado neste trabalho na parte aérea, não apresentou nenhuma eficiência, contrariando os resultados obtidos com ácido bórico por SALVO, 1986.

Ensaios de controle químico, semelhantes aos do presente trabalho, foram realizados por YUKI et alii., 1985 e BARBOSA et alii., 1989, aplicando-se inseticidas sistêmicos no solo. Os primeiros autores observaram efeito positivo na produção do feijoeiro com aldicarb ou carbofuran em combinação com metamidofós ou dimetoato, porém o mesmo não se verificou com os tratamentos em pulverização.

Os resultados destes experimentos de campo, evidenciaram também o efeito positivo dos inseticidas carbamatos de solo na produtividade e no controle, reduzindo o número de aplicações em parte aérea, podendo viabilizar o plantio de feijoeiro, na safra da seca, em determinadas regiões. Entretanto, estudos sobre resíduos desses inseticidas, com período de carência elevado, merecem ser realizados para assegurar sua ausência nas sementes de feijoeiro e ainda, obtservar os possíveis sinais de fitotoxicidade, já que se constatou uma tendência de redução no "stand" das plântulas.

CONCLUSÕES

a infecção do VMDF nos cv. Carioca e Carioca 80 foi precoce e a incidência da doença foi elevada chegando a 100% aos 45 DAE.

  • - carbofuran em combinação com fenpropathrin, metamidofós ou óleo mineral + fenpropathrin apresentaram o melhor nível de eficiência no controle do mosaico dourado (79,5%), e também maiores produtividades;

  • - com 4 aplicações não houve diferenças na incidência do mosaico dourado e na produtividade dos tratamentos de parte aérea quando comparados à testemunha;

  • - a utilização do boro (Bórax), na forma em que foi aplicado, não resultou em nenhum efeito positivo no controle da doença e nem na produtividade.

AGRADECIMENTO

Os autores agradecem ao Dr. Domingos de Azevedo Oliveira, da Seção de Bioestatística do Instituto Biológico, pela realização das análises estatísticas dos dados deste trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1989

Histórico

  • Recebido
    14 Dez 1989
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