Open-access CONTROLE QUÍMICO DO ÁCARO DA LEPROSE-BREVIPALPUS PHOENICIS (GEIJSKES, 1939) (ACARI, TENUIPALPIDAE) - EM POMAR CÍTRICO DE PRESIDENTE PRUDENTE, ESTADO DE SÃO PAULO

CHEMICAL CONTROL OF BREVIPALPUS PHOENICIS (GEIJSKES2 1939) (ACARI, TENUIPALPIDAE) IN CITRUS ORCHARD AT PRESIDENTE PRUDENTE, SÃO PAULO STATE

RESUMO

Com o objetivo de avaliar o efeito de alguns acaricidas sobre o ácaro da leprose - Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari, Tenuipalpidae), foi realizado este experimento, em pomar de laranja, variedade Pêra Rio, no município de Presidente Prudente, SP. Os produtos e as dosagens (em g i.a./100 litros de água) testados foram: fenpropatrin (9,0), propargito (72,0), fenbutatin óxido (40,0), abamectin + óleo mineral (0,54 + 0,25) e diafentiuron (30,0). As avaliações foram realizadas 7 dias antes da aplicação e 7, 14, 28 e 58 dias após a mesma, no próprio campo, contando-se o número de ácaros da leprose nos frutos. Concluiu-se que todos os produtos diferiram significativamente da testemunha, destacando-se os produtos fenpropatrin, propargito e fenbutatin óxido, que apresentaram uma eficiência igual ou superior a 98%, aos 58 dias após a aplicação.

PALAVRAS-CHAVE:
Citrus; acaricidas; Brevipalpus phoenicis; controle químico.

SUMMARY

The experiment was carried out at Presidente Prudente, São Paulo State, Brazil, in order to evaluate the effect of some miticides on Brevipalpus phoenicis (Acari, Tenuipalpidae), in orange, "Pêra Rio" variety. The products and dosages (g a.i./100 1 water) used were: fenpropathrin (9.0), propargite (72.0), fenbutatin oxide (40.0), abamectin + mineral Oil (0.54 + 0.25) and diafenthiuron (30.0). Evaluations of the number of mites on the fruits were made in the orchard 7 days before and 7, 14, 28 and 58 days after application. All treatments were significantly different from the control, especially fenpropathrin, propargite and fenbutatin oxide, which caused reductions of mite density higher than 98% at 58 days after application.

KEY WORDS:
Citrus; miticides; Brevipalpus phoenicis; chemical control.

INTRODUÇÃO

A cultura dos citros é hoje de alto valor comercial, e a exportação de suco concentrado representa uma significativa parcela das exportações brasileiras.

A doença denominada leprose, transmitida pelo ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (3), tem sido um dos principais problemas nas regiões citrícolas paulistas. Esta doença causa prejuízos significativos, devido à queda acentuada de frutos e folhas, em pomares infestados.

Embora ocorra em frutos, ramos e folhas, o ácaro apresenta maiores infestações em frutos, nos locais com sintomas de verrugose (2).

Devido à importância da leprose, muitos trabalhos têm sido realizados visando o controle químico de B. phoenicis.

OLIVEIRA et al. (4), em dois experimentos realizados em Jaboticabal-SP e Guatapará-SP, concluíram que os produtos dicofol + tetradifon, bromopropilato, dicofol, quinometionato e flubenzimine foram os mais eficientes no controle do ácaro da leprose.

CALAFIORI et al. (1), conduzindo ensaios na região de Limeira-SP e Itajobi-SP, obtiveram um bom controle do B. phoenicis com o produto fenbutatin óxido, com um mínimo de 40g i.a./100 litros de água e gastando de 5 a 10 litros de calda por planta.

Segundo OLIVEIRA et ai. (5), 0 produto fenpropatrin, a partir de 7,5g i.a./100 litros de água, aplicado com um atomizador à base de 15 litros de calda por planta, apresentou ótima eficiência na região de Bebedouro-SP, mantendo a população do ácaro da leprose em níveis baixos até 95 dias após a aplicação.

O objetivo deste trabalho é avaliar a eficiência de acaricidas no controle do ácaro da leprose B. phoenicis, na região de Presidente Prudente, p>Estado de São Paulo.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi realizado no município de Presidente Prudente-SP, na Estação Experimental do Instituto Biológico, em pomar de laranja variedade Pêra Rio, de 5 anos de idade, medianamente enfolhado, com espaçamento de 4m entre ruas e 3m entre plantas.

O delineamento estatístico adotado foi inteiramente casualizado, com 6 tratamentos e 5 repetições. Os produtos e as dosagens são apresentados na tabela 1.

TABELA 1
Tratamentos: nomes técnicos e comerciais, dosagens dos ingredientes ativos

Cada parcela foi constituída de 3 plantas, mas considerou-se apenas a central para avaliação, sendo amostrados 10 frutos, previamente marcados no campo, para utilização em todo o experimento. Estes frutos foram escolhidos por ainda não estarem totalmente maduros e apresentarem verrugose. Quando ocorria a queda de qualquer um dos frutos marcados, era substituído por outro, com características semelhantes, na mesma planta.

Uma pulverização foi realizada em 20-06-89, através de um pulverizador costal motorizado, utilizando aproximadamente 6,5 litros de calda por planta, volume que correspondeu ao início do ponto de escorrimento.

Uma avaliação prévia da população de B. phoenicis foi efetuada em 13-06-89 e as demais avaliações foram realizadas aos 7, 14, 28 e 58 dias após a aplicação. O critério utilizado na contagem, baseado na metodologia usada por RAGA et al. (6), consistiu na observação do número de ácaros presentes, na área correspondente ao deslocamento da lupa .com aumento de IO vezes e campo visual de Icm2) desde o pedúncuIo até o extremo oposto do fruto.

Os dados foram inicialmente transformados em x+0,5 e depois analisados pelos testes F e Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se, pela tabela 2, que houve uma acentuada redução populacional de B. phoenicis, após 7 dias da aplicação. Nesta avaliação todos os produtos apresentaram eficiência superior a 98 % , com exceção do diafentiuron, que mostrou um valor de 83%.

Todos os acaricidas mostraram-se significativamente diferentes da testemunha, em todas as avaliações, destacando-se o fenpropatrin, propargito e fenbutatin óxido, aos 58 dias após a aplicação, com eficiências acima de 98%.

Estes resultados concordam com CALAFIORI et al. (l), que obtiveram bom controle do ácaro da leprose, utilizando o acaricida fenbutatin óxido em dosagens acima de 40g i.a./100 litros de água, e com OLIVEIRA et al. (5), que conseguiram ótimos resultados, até os 95 dias após a aplicação, com o produto fenpropatrin a partir de 7,5g i.a./10Q"litros de água.

Os acaricidas abamectin e diafentiuron apresentaram comportamento semelhante ao longo do ensaio, mostrando uma eficiência ligeiramente abaixo dos demais tratamentos, mas ainda acima de 72%.

O diafentiuron apresentou ligeiro aumento na eficiência aos 14 dias da aplicação, chegando a 89%, estatisticamente semelhante aos melhores tratamentos; porém, esta situação não foi mantida nas avaliações posteriores.

CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que os acaricidas fenpropatrin, propargito e fenbutatin óxido foram os mais eficientes no controle do ácaro da leprose B. phoenicis, com níveis de controle de 99, 99 e 98%, respectivamente, aos 58 dias após a pulverização.

TABELA 2
Efeito de acaricidas sobre o ácaro da leprose B. phoenicis - em citros; número médio de ácaros por fruto (o) e porcentagem de eficiência (%Ef) nas diversas avaliações realizadas. Presidente Prudente, São Paulo, junho a agosto de 1989

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 CALAFIORI, M.H.; ALVAREZ, E.J.•, FERRAZ, J.C.; GIORGETTI, c.L.; PALLINI FILHO, A MENDES, E.; COPTAS, M.P Controle do ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) em laranjeiras, Citrus spp., em duas regiões do Estado de São Paulo. Ecossistema, Espírito Santo do Pinhal, 11:53-60, 1986.
  • 2 MARTINELLI, N.M.; OLIVEIRA, C.A.L.; PERECIN, D. Conhecimentos básicos para estudos que envolvam levantamentos da população do ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) na cultura de citros. Científica, Jaboticabal, 4(3): 242-53, 1976.
  • 3 MUSUMECI, M.R. & ROSSETTI, V. Transmissão dos sintomas da leprose dos citros pelo ácaro Brevipalpus phoenicis. Ciênc. Cult. , São Paulo, 15(3): 228, 1963.
  • 4 OLIVEIRA, C.A.L.; SILVA, J.R.T.; RIGOTTO, E.L. Controle do ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari, Tenuipalpidae) com produtos químicos na cultura dos citros. An. Soc. Entomol. Bras., Jaboticabal, 12(2): 221-34, 1983.
  • 5 OLIVEIRA, w.p.•, FUDO, c.H.•, NAKANO, O. Controle do ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari, Tenuipalpidae) com o inseticida-acaricida Danimen 300. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, 12., Belo Horizonte, 1989. Resumos. Sociedade Entomológica do Brasil, 1989,p.267.
  • 6 RAGA, A.; SATO, M.E.•, CERAVOLO, L.c.; ROSSI, A.C.; SCARPELLINI, J.R. Ação de acaricidas sobre o ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) em pomar cítrico de Presidente Prudente-SP. Ecossistema, Espírito Santo do Pinhal, 15:98-103, 1990.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1991
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