Open-access ENSAIO DE CAMPO, COM INSETICIDAS PIRETRÓIDES VISANDO O CONTROLE DO BICUDO DO ALGODOEIRO, ANTHONOMUS GRANDIS BOHEMAN, 1843 (COLEOPTERA: CURCULIONIDAE)

FIELD TEST WITH PYRETHROID INSECTICIDES AIMING AT THE CONTROL OF THE BOLL WEEVIL, ANTHONOMUS GRANDIS BOHEMAN, 1843 (COLEOPTERA:CURCULIONIDAE)

RESUMO

A eficiência dos piretróides: RIPCORD loosc (cypermethrina), FASTAC loosc (alfa-cypermethrina), POLYTRIN 400/40CE (cypermethrina + profenofos), SUMICIDIN 200 (fenvalerate), KARATE 50CE (lambdacyalothrina) e DECIS 50SC (deltamethrina) foi avaliada sob condições de campo, no município de Artur Nogueira-SP, no controle do bicudo do algodoeiro, Anthonomus grandis Boheman, 1843. No início da ocorrência dos danos ocasionados pelo bicudo em botões florais, apenas os piretróides RIPCORD loosc e POLYTRIN 400/40CE foram altamente eficientes, sendo que o DECIS 50SC e o FASTAC 100SC destacaram-se na fase final do ciclo do algodoeiro. Apesar da redução na eficiência de controle, todos os piretróides testados mantiveram os níveis de danos, por ocasião da pressão populacional de A. grandis, bem inferiores aos registrados nas parcelas testemunhas, porém, somente DECIS 50SC e FASTAC 100SC foram estatisticamente significativos.

PALAVRAS-CHAVE:
Anthonomus grandis; controle; piretróides; algodão.

SUMMARY

The efficiency of the pyrethroid insecticides: RIPCORD loosc (cypermethrin), FASTAC loosc (alfa-cypermethrin), POLYTRIN 400/40CE (cypermethrin profenofos), SUMICIDIN 200 (fenvalerate) , KARATE 50CE (lambdacyalothrin) and DECIS 50SC (deltamethrin), were evaluated under field conditions, in Artur Nogueira-SP-Brazil, in the control ofthe boll weevil, Anthonomus grandis Boheman, 1843. At the beginning ofthe damage caused by the boll weevil during the floral blooming, only the pyrethroids RIPCORD 100SC and POLYTRIN 400/40CE were efficients, but the DECIS 50SC and FASTAC loosc stood out best until the end of the cotton crop. Despite the reduction in the control efficiency, all pyrethroid insecticides tested, kept the damage level during the A. grandis season pressure, bellow than the occurred in the control area and DECIS 50SC e FASTAC 100SC were significant statistically.

KEY WORDS:
Anthonomus grandis; control; pyrethroid; cotton.

INTRODUÇÃO

No Estado de São Paulo são registradas 16 espécies de insetos e 3 de ácaros, consideradas pragas da cultura do algodoeiro (GALLO et al. 1988). Até a safra agrícola de 1982/83, o complexo dessas pragas, apesar da diversificação de espécies e de épocas de ocorrência, vinha sendo controlado dentro das recomendações do Manejo Integrado de Pragas, com reduções significativas no número de aplicações de inseticidas (BLEICHER et ai. , 1981; SILVA et ai. , 1981; GRAVENA et ai. , 1983; GRAVENA et ai. , 1987; GRAVENA et ai. , 1988). No entanto, após esta safra, a ocorrência do bicudo, Anthonomus grandis Boheman, 1843, fez com que o controle químico retornasse a ser mais utilizado na cultura do algodoeiro, tendo em vista ser o único método, comprovadamente, eficiente no combate da referida praga.

Segundo PARENCIA (1986) não havia métodos de controle do bicudo em que se pudesse confiar, até que os primeiros inseticidas foram desenvolvidos na década de 1920.

Devido ao aparecimento de problemas decorrentes do uso intensivo de um número restrito de ingredientes ativos, principalmente o desenvolvimento de resistência de pragas aos inseticidas organoclorados e organofosforados, outras técnicas de controle foram recomendadas para o bicudo, porém sempre aliadas a um determinado número de aplicações de inseticidas, destacando-se, nos últimos anos, o uso dos piretróides.

De acordo com SANTOS (1989) os piretróides apresentam algumas vantagens, tais como: baixa toxicidade, ação residual mais prolongada, repelência e economicidade, porém, provocam desequillbrios que podem incrementar as populações de ácaros fitófagos. Por este motivo, são recomendados para controlar o bicudo somente em aplicações dos 80 aos 120 dias da germinação, conforme este autor, CRUZ (1989) e BALDWIN et ai. (1985).

A eficiência dos piretróides no controle de A. grandis tem sido comprovada por diversos autores. HOPKINS & TAFT (1967) obtiveram bons resultados em testes de campo nos quais avaliaram a eficiência de piretróides no complexo de pragas do algodão, inclusive o bicudo. WOLFENBARGER & HARDING (1982) estudando, no Texas, os efeitos dos inseticidas piretróides, sobre vários insetos na cultura do algodoeiro, constataram a eficiência da permethrina sobre A. grandis. DURANT (1984) obteve controle significativo com diferentes piretróides, puros ou em misturas com inseticidas organofosforados. BLEICHER & ALMEIDA (1988), utilizando a metodologia de Manejo Integrado de Pragas, obtiveram controle do bicudo, com menor número de aplicações de piretróides do que com o produto não piretróide utilizado no ensaio. GABRIEL et al. (1990a) concluíram que os inseticidas piretróides, aplicados através do pulverizador Electrodyn a intervalo não superior a 5 dias, apresentavam melhor eficiência no controle do bicudo do algodoeiro, quando comparados ao produto não piretróide utilizado em pulverização convencional. GABRIEL et al. (1990b), em ensaio de campo com inseticidas organofosforados, carbamatos e piretróides, concluíram que estes últimos foram mais efetivos no controle do bicudo.

Os piretróides têm sido relatados como eficientes no controle de outras pragas, de importância econômica, do algodoeiro (SANTOS & PIRES, 1979; MARTINS et ai. , 1986 e 1988).

Além das informações a respeito da eficiência no controle de pragas, HOUSE et al. (1985), estudando o impacto dos piretróides sobre a entomofauna benéfica que ocorre em culturas de algodão, constataram que estes produtos reduzem as populações de predadores e parasitas, porém não as eliminam completamente da cultura.

Face às vantagens do controle do bicudo através da utilização de piretróides e, considerando-se a necessidade de diversificação dos ingredientes ativos a fim de não ocorrerem proble mas resultantes do uso contínuo de um determinado produto, há necessidade de ampliar o número de pesquisas para que diferentes piretróides possam ser incluídos dentro dos programas de manejo. Com este objetivo foi desenvolvido o presente trabalho, no qual comparou-se a eficiência de piretróides recomendados para o controle do bicudo com piretróides não relacionados para este fim e produto não piretróide.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi realizado no Sítio Bom Jesus, de propriedade do Sr. Munir Salim Mansur, localizado no município de Artur Nogueira-SP, em área plantada com o cultivar de algodão IAC-20, em 5-11-89. Os tratamentos constituíram-se dos seguintes piretróides e respectivas dosagens em litros/hectare: RIPCORD loosc (cypermethrina) 0,5; FASTAC 100SC (alfa-cypermethrina) 0,3; POLYTRIN 400/40CE (cypermethrina + profenofos) 1,0; SUMICIDIN 200 (fenvalerate) 0,4; KARATE 50CE (lambdacyalothrina) 0,3; DECIS 50SC (deltamethrina) 0,2; e o não piretróide DELTANET 400SC (furathiocarb) 1,0. O campo foi instalado obedecendo o delineamento estatístico de blocos ao acaso, com oito tratamentos (sete inseticidas e uma testemunha), em quatro repetições. As parcelas foram constituídas por 8 linhas de plantas com IO metros de comprimento, com espaçamento entre linhas de 0,85m deixando-se carreadores entre as mesmas de 5 metros e os blocos separados por 1 rua de citrus. As avaliações foram iniciadas a partir do aparecimento dos primeiros botões florais, amostrando-se 50 botões por parcela, sendo 5 por planta em IO plantas tomadas ao acaso nas seis ruas centrais da parcela, anotando-se o número de botões com sintomas dos danos ocasionados pela postura e/ou alimentação do A. grandis e, observando-se a presença ou não de adultos.

As aplicações dos inseticidas foram realizadas em função da presença de adultos, de botões caídos no chão contendo larvas do bicudo ou do nível de danos registrados nos levantamentos, considerando-se, neste caso, os dois tipos de danos.

Foram realizadas três baterias de aplicação dos inseticidas, sendo a primeira, com duas aplicações, dias 21 e 27-12-89, respectivamente, e as seguintes, constituídas de três aplicações, dias: 5, 11 e 17-1-90, a segunda; 30/1, 6 e 13/2, a terceira.

As porcentagens de botões com danos de postura elou alimentação foram analisadas pelo teste de significância F, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey e, as porcentagens de eficiência calculadas pela fórmula de Henderson e Tilton.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos nas avaliações das porcentagens de botões, com danos de postura elou alimentação, ocasionados pelo bicudo A. grandis, e a eficiência dos inseticidas testados encontram-se na tabela 1 e os resumos da análise estatística na tabela 2.

De acordo com os dados da tabela l, constata-se que no dia 5-1-90, nove dias após a primeira bateria, a maioria dos piretróides não foi eficiente, destacando-se apenas a cypermethrina e a cypermethrina + profenofos, que diferiram da testemunha (tab. 2). Os demais piretróides, apesar de semelhantes à testemunha, não diferiram destes dois defensivos.

A eficiência da cypermethrina após duas pulverizações, no início da ocorrência dos danos do bicudo, foi registrada por NAKANO et ai. (1984) e PENNINSON et ai. (1984).

Na avaliação realizada nove dias após as três aplicações da segunda bateria, em 26-1-91, nenhum dos inseticidas testados apresentou resultado de controle da praga; entretanto nas avaliações executadas sete dias após a segunda aplicação e sete dias após a terceira aplicação da última bateria, dias 13 e 20-2-90, respectivamente, somente a deltamethrina e a alfa-cypermethrina mantiveram-se altamente eficientes (tab. l).

A análise estatística (tab. 2) comprovou o efeito de todos os produtos testados, sete dias após a 2 aplicações da segunda bateria, 13-2-90, ocasião em que diferiram da testemunha. Por ocasião da última avaliação, 20-2-90, quando o campo apresentava-se altamente danificado e os algodoeiros em fase final de frutificação, destacaram-se da testemunha a deltamethrina e a alfa-cypermethrina e, com exceção do não piretróide, furathiocarb, que foi semelhante à testemunha e não apresentou controle eficiente (tab. l), os demais inseticidas, apesar de semelhantes à testemunha, não diferiram destes dois produtos.

A lambdacyalothrina não teve maior eficiência no controle da praga no presente ensaio. No entanto, melhores resultados foram obtidos com este produto por PENNINSON et ai. (1984) e IHA et al. (1991) na mesma formulação utilizada no presente trabalho e por diversos autores em formulação ED (GABRIEL et ai. 1990a; BLEICHER & ALMEIDA, 1988; JESUS & RAMALHO, 1987; FENNIMORE et ai. 1988).

A alfa-cypermethrina manteve até o início da terceira bateria o nível de danos em torno de IO por cento, comprovando os dados obtidos por IHA et al. (1991), destacando-se da testemunha nas épocas de maior incidência de botões com danos.

DURANT (1984) obteve controle significativo do A. grandis com vários piretróides, entre os quais o fenvalerate puro e em mistura com monocrotofós. Os resultados obtidos neste trabalho com este piretróide não foram significativos, o mesmo ocorrendo com os referidos por BELLETTINI et ai. (1991), que não incluíram este produto entre os mais eficientes em ensaio de campo, no qual utilizaram este inseticida, carbaril, endosulfan e deltamethrina.

CONCLUSÕES

Nas condições nas quais foi realizado o presente trabalho, os resultados obtidos permitem concluir:

1. Os inseticidas: RIPCORD 100SC (cypermethrina)•, POLYTRIN 400CE (cypermethrina + profenofos) são altamente eficientes no controle de Anthonomus grandis, no início da ocorrência de danos nos botões florais do algodoeiro.

2. O DECIS 50SC (deitamethrina) e 0 FASTAC 100SC (alfa-cypermethrina) foram os únicos piretróides que mantiveram alta eficiência de controle por ocasião de pressão de danos ocasionados pelo A. grandis.

3. Com exceção do DELTANET 400SC (furathiocarb) e do KARATE 50CE (lambdacyalothrina), os demais inseticidas testados, apesar das porcentagens de eficiência inferiores a 80%, mantiveram no final do ciclo do algodoeiro níveis de danos nos botões florais bem inferiores aos registrados na testemunha.

TABELA 1
Porcentagens de danos (% ocasionados pelo bicudo do algodoeiro, Anthonomus grandis Boheman, 1843 e de eficiência de inseticidas, obtidas no ensaio com piretróides na safra de 1989-90, Artur Nogueira-SP

(l) Danos de postura elou alimentação em 200 botões por tratamento

(2) Calculada pela fórmula de Henderson & Tilton

TABELA 2
Resumo da análise estatística dos danos(l) ocasionados pelo bicudo do algodoeiro, Anthonomus grandis Boheman, 1843, no ensaio realizado com piretróides na safra de 1989-90, Artur Nogueira - SP

AGRADECIMENTO

Os autores agradecem a valiosa colaboração prestada durante o desenvolvimento dos trabalhos ao sr. Munir Salim Mansur.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1991
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