RESUMO
Petunia integrifolia var. integrifolia, Solanácea, foi estudada como hospedeira experimental de vírus fitopatogênicos. Mostrou-se que a espécie respondeu a todos os vírus inoculados, com sintomas locais (PVX, Tswv, ToMV e BISV-soja), sistêmicos (CMV, EMV, VNBT, TMV e PVY), locais e sistêmicos (PVYn) ou reação latente (BISV-fumo). Considerando que P. integrifolia, além de apresentar sintomas característicos para a maioria dos vírus mencionados, é uma planta herbácea de fácil cultivo, sugere-se seu emprego rotineiro como hospedeira, fornecendo subsídios à identificação e manutenção destes vírus, em laboratório.
PALAVRAS-CHAVE:
Petunia integrifolia; Solanácea; hospedeira de vírus.
SUMMARY
Petunia integrifolia var. integrifolia (Solanaceae) is studied as an experimental host for plant viruses. Mechanically inoculated plants show various reactions: local lesions for PVX, TSWV, ToMV and BISV-soybean•, systemic symptoms for CMV, EMV, TWNV, TMV and PVY•, and local and systemic symptoms for PVYn . There is a latent reaction to BISV-tobacco. P. integrifolia shows characteristic symptoms for the viruses mentioned; it is a herbaceous plant, and easy to grow. It is suggested that it should be used as a routine test plant for virus identification and maintenance.
KEY WORDS:
Petunia integrifolia; Solanaceae; virus host.
Espécies da Solanácea são bastante sucetíveis a vírus. Diversas plantas desta famflia têm sido utilizadas em laboratórios de fitwirologia, como hospedeiras experimentais. Nos estudos de virologia de plantas, é importante acrescentar novas espécies ao círculo de hospedeiras dos vírus, procurando detectar reações características que tais plantas possam desenvolver, após a inoculação.
Petunia integrifolia (Hooke) Schinz et Thellung, variedade integrifolia (sinonímia = Petunia violacea) , espécie herbácea anual conhecida vulgarmente como "petúnia-do-campo", ocorre espontaneamente no Sul do Brasil e em Pernambuco, sendo utilizada como espécie ornamental (SMITH & DOWNS, 1966). As sementes foram obtidas c()mercialmente, em São Paulo, com o nome de Petunia nana. Posteriormente, após obtenção das plantas, o material foi herborizado e identificado, no Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da USP, como Petunia integrifolia var. integrifolia.
Dando seqüência aos estudos desenvolvidos na Seção de Virologia Fitopatológica e Fisiopatol(Y gia do Instituto Biológico, sobr hospedeiras experimentais de vírus, testou-se a suscetibilidade da espécie em questão aos seguintes vírus: mosaico do pepino, mosaico do fumo, mosaico do tomateiro, X da batata, Y da batata e sua estirpe necrótica, vira-cabeça do tomateiro, dois isolados brasileiros do "streak" do fumo e quatro isolados do vírus do mosaico da berinjela. O quadro 1 apresenta maiores informações sobre os vírus utilizados.
As inoculações foram feitas mecanicamente, utilizando, como fonte de vírus, folhas infectadas, maceradas com sulfito de sódio 0,5% em água. O extrato assim preparado foi friccionado na superfície adaxial de folhas das plantas a serem inoculadas.
Imediatamente após a inoculação, as folhas foram lavadas, para retirar o excesso de inóculo. Os controles constaram de plantas sadias, "inoculadas" apenas com solução aquosa de sulfito de sódio a 0,5%, mantidas nas mesmas condições. O experimento foi repetido duas vezes, utilizando-se 10 plantas para cada vírus, em cada teste.
Sintomatologia apresentada por Petunia integrifolia, em dias (d) após a inoculação e porcentageml de plantas com sintomas
Os resultados estão mostrados na tabela 1 e nas figuras 1-4.
Informação interessante diz respeito à reação das plantas ao TSWV: sintomas locais, caracterizados por anéis com halo escuro, induzidos 2 dias após a inoculação (fig. 2). Tais anéis tornam-se necróticos cerca de 3 dias mais tarde. Considerando que não há muitas espécies que respondem com sintomas locais ao vira-cabeça (COSTA, 1957; BEST, 1968; CHO ai. , 1986; BARRADAS, 1989), é importante a constatação de que P. integrifolia é uma nova planta teste que apresenta, ainda, a vantagem de manifestaç sintomas em tempo bastante curto (2 dias).
Nota-se, pela tabela 1, que a espécie P. integrifolia respondeu a todos os vírus inoculados, com exceção de BTSV-fumo. No caso deste isolado, as plantas apresentaram reação latente. Para a maioria dos vírus testados, as plantas responderam com sintomas sistêmicos. Para quatro vírus - pvx, BTSV-soja, ToMV e TSWV -, o sintoma foi apenas local.
A identificação de hospedeiras que respondem com sintomas característicos é uma das etapas do diagnóstico de doenças induzidas por vírus (REDDY, 1990). Tais plantas, quando reagem com lesões locais, são denominadas hospedeiras diagnósticas ou plantas-teste. No presente caso, a espécie estudada é hospedeira diagnóstica para alguns vírus (tab. 1).
Chama a atenção o fato de que R integrifolia se comportou como hospedeira diferencial para os vírus: BI'SV-fumo e BI'SV-soja•, PVY e PVYn •, isolados do EMV (ts, sc, AI e VNBT)•, TMV e ToMV. Este dado é importante, porque as hospedeiras diferenciais podem fornecer subsídios para o estudo de isolados de um mesmo vírus (os três primeiros exemplos aqui referidos) e também para vírus de um mesmo grupo taxonômico (TMV e ToMV, grupo Tobamovirus). A literatura científica é vasta neste assunto (NóBREGA & SILBERSCHMIDT, 1944; MUNRO, 1955; PROLL & AHRENS, 1978; SINGH et ai. , 1979; ALEXANDRE & BARRADAS, 1982; BARRADAS & FERRARI, 1987; VAN DIJK et al. , 1987) e o presente resultado vem se somar àqueles já existentes, fornecendo subsídios ao diagnóstico diferencial dos vírus.
E importante observar que, para a maioria dos vírus estudados, todas as plantas inoculadas manifestaram sintomas, isto é, houve 100% de infecção (tab. 1).
De acordo com THORNBERRY (1966), a espécie em questão, referida como Petunia violacea, já foi relatada como hospedeira dos vírus: CMV, pvx, PVY e TMV. HORVATH (1983), também com relação a esta espécie, menciona sua suscetibilidade aos seguintes vírus: AMV ("alfalfa mosaic virus"), BMV ("belladona mottle virus"), PAMV ("potato aucuba mosaic virus"), TNV ("tobacco necrosis virus") e TuMV ("turnip mosaic virus"). Entretanto, os autores não fornecem dados adicionais sobre o tipo de sintomatologia, o tempo de aparecimento dos sintomas e a porcentagem de plantas experimentalmente infectadas, como se mostra no presente trabalho.
Considerando que a espécie em questão: a) pode ser mantida com facilidade, em laboratório, e suas sementes germinam bem; b) apresenta desenvolvimento rápido (tempo necessário para que as plantas possam ser inoculadas, a partir de semeadura: 40-45 dias); c) responde com sintomas característicos a cada um dos vírus estudados, sugere-se sua inclusão na relação das hospedeiras experimentais e diferenciais destes vírus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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