Open-access DETERMINAÇÃO DO MANGANÊS EM FUNGICIDAS POR COMPLEXOMETRIA POTENCIOMÉTRICA

COMPLEXATION POTENCIOMETRIC DETERMINATION OF MANGANESE IN DITHIOCARBAMA TE FUNGICIDES

RESUMO

No presente trabalho é descrita a técnica analítica para determinar quantitativamente o manganês no maneb e no mancozeb pelo método de complexação potenciométrica empregando-se a voltametria (potenciometria por corrente constante). No mancozeb é necessária a separação do zinco, na forma de zincato, antes de se processar a análise do manganês. Essa técnica analítica apresentou grande precisão em seus resultados e facilidade na sua execução.

PALAVRAS-CHAVE:
Manganês; análise; técnica complexométrica.

ABSTRACT

A simple and rapid technique is described for quantitative determination of manganese in fungicides mancozeb and maneb by complexation potenciometric. Zinc is separated from mancozeb as zincate before manganese determination. This technique is precise, accurate, specific and rapid.

KEY WORDS:
Manganese; analyse; complexometric technique.

INTRODUÇÃO

Maneb e mancozeb são, respectivamente, os nomes comuns dos compostos etilenobisditiocarbamato de manganês e etilenobisditiocarbamato de manganês e zinco. Possuem ação fungicida forte contra grande número de doenças das hortaliças e algumas plantas frutíferas, dentre as quais se destacam a requeima do tomateiro e da batatinha (4).

São facilmente fitotóxicos epouco tóxicos para os mamíferos. São instáveis à ação da luz, umidade, ácidos e temperaturas elevadas (2).

O manganês, presente tanto no maneb como no mancozeb, tem como principais funções diminuir a fitotoxicidade, fornecer micronutrientes às plantas e auxiliar no desenvolvimento da cultura.

A determinação quantitativa do manganês em ditiocarbamatos era efetuada por colorimetria baseada na oxidação do manganês a permanganato (3), por espectrofotometria ultravioleta (5), ou por titulação complexométrica com o emprego da pastilha tampão indicador "MERK". Geralmente, os agrotóxicos que continham manganês eram analisados somente quanto ao íon etilenobisditiocarbamato (1).

Devido ao crescente número de análises quantitativas de manganês foi necessário o desenvolvimento de uma técnica analítica que possibilitasse sua determinação de uma forma rápida, segura e precisa.

O presente trabalho foi desenvolvido visandose a determinação do manganês contido em ditiocarbamatos, através da análise complexométrica por potenciometria, pela técnica da voltametria (6).

MATERIAL E MÉTODOS

Foram analisadas 2 amostras padrão de ditiocarbamatos contendo manganês (mancozeb e maneb) e um padrão de sulfato de manganês anidro com 99% de pureza. Todas as amostras padrão foram analisadas com 5 repetições cada uma.

O método empregado foi o da determinação por complexação do manganês por potenciometria com etilenodiaminotetraacetato dissódico (Titriplex III) O,1 M para macro determinação do manganês.

Utilizou-se para as determinações o potenciográfo Metrohm EA-436, equipado com o eletrodo duplo de platina (EA-235), usando-se os seguintes parâmetros: Voltametria (lpol) = + 0,1; mV = 50 ou 100;µ A .50 V= 500; velocidade= 4.

Os reativos empregados foram os seguintes: HCL cone. p.a.; HNO3 cone. p.a.; NHpH cone. p.a.; etilenodiaminotetraacetato dissódico (Titriplex III) 0,1 M; metanol p.a.; tampão acetato pH = 4,60; ZnSO4 O,1 M. Como substância padrão foi utilizado o sulfato de manganês anidro com 99% de pureza. Os defensivos utilizados foram os fungicidas mancozeb e maneb que contém 16,5% de manganês.

TÉCNICA DE ANÁLISE

Foi digerida O,1 g da amostra em 10 ml de HCL cone. e 5 ml de HNO3 concentrado. A solução resultante, após resfriamento, foi tratada com NaOH 30% até pH 8,0, e então filtrada, obtendo-se o manganês como resíduo e o zinco no filtrado, na forma de complexo solúvel. O resíduo foi lavado, várias vezes, com água bidestilada até pH 7,0, aproximadamente. Em seguida, adicionou-se HCL cone. com a finalidade de dissolver o resíduo de manganês. O filtrado obtido, na forma de MnC12 , foi tratado com NH4OH cone. até, aproximadamente, pH 7,5 e retomando o pH até 5 com HCL concentrado. Adicionou-se a seguir, volumetricamente 25,0 ml de etilenodiaminotetraacetato dissódico (Titriplex III) O,1 M e, após ligeira agitação, 25 ml de metanol e 1O ml de tampão acetato pH 4,6. A solução final foi titulada, potenciometricamente, com solução padronizada de ZnSO4 O,1 M. A partir dos volumes das soluções padronizadas de etilenodiaminotetraacetato dissódico (Titriplex III) e de ZnSO4 utilizadas, foi calculado o teor de manganês na amostra.

RESULTADOS

Os resultados das análises efetuadas encontram-se na tabela 1.

Os resultados obtidos na tabela 1, foram submetidos à análise estatística pelo método do "teste T"(7), não apresentando diferenças significativas.

Esta técnica dispensou o uso de pastilha.tampão acetato Merck, diminuiu o erro na titulação e aumentou a especificidade dos resultados.

Na determinação do manganês no mancozeb foi necessária a separação do manganês, como hidróxido de manganês, do zinco, na forma de zincato solúvel. Após esta separação o zinco foi analisado por potenciografia complexométrica e a seguir foi analisado o manganês. Em amostras que não possuam zinco não há necessidade do tratamento com hidróxido de sódio.

A técnica analítica desenvolvida apresentou resultados precisos, facilidade na sua execução e alta especificidade.

A curva potenciométrica obtida por esta técnica, encontra-se na fig. 1.

TABELA 1
Número de amostras e repetições com os teores de manganês declarados e encontrados

Figura 1
Gráfico ilustrando a forma e amplitude da curva obtida e a maneira de determinar-se o ponto de equivalência.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

A técnica desenvolvida permite determinar o Mn emcompostos orgânicos e inorgânicos. experimentalmente, foi verificado que a melhor curva potenciométrica foi obtida em pH próximo de 5,0 e com o emprego de tampão acetato de amônio em pH 4,6.

Esta técnica permite, ainda, determinar simultaneamente cátio Mn e Zn, empregando-se pH seletivo para cada cátion.

O presente método possui nítida vantagem em relação aos demais, seja pela segurança dos resultados obtidos ou pela facilidade na realização do processo analítico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • 1 ALMEIDA, J.B.; PIEDADE, J.R. & SILVA, L.P. Análise complexométrica de ditiocarbamatos por potenciografia.Arq. Inst. Biai., São Paulo, 41(2): 63-6, 1974.
  • 2 ALMEIDA, N.F. & PIEDADE, J.R. -Química dos pesticidas. São Paulo, Fundo de Pesquisas do Instituto Biológico, 1962.p. 164-5.
  • 3 KOLTHOFF, I.M. & SANDELL, E.B. -Textbook of quantitative inorganic analysis. New York. Macmillan Company, 1952.p.681, 720-21.
  • 4 SPENCER, E.Y. - Guide to the chemicals used in crop protection. Canada. Rechearch Center. University Sub Post Office, 1981.p.359-60.
  • 5 ZWEIG, G. & SHERMA, J. -Analytical methods for pesticides and plant growth regulators. New York, Academic Press, 1972.8, p.301-3.
  • 6 DELAHA Y, P.; CHARLOT, G. & LAITINEN, H.A. - Classification et nomenclature des méthods electrochimiques d' analyse. J. Eletroanal. Chem. 1, 425 (1959/60).
  • 7 BAUER, E.L. A statistical manual for chemists. New York, Academic Press, 1971,p. 30.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Dec 1993

Histórico

  • Recebido
    10 Maio 1991
  • Revisado
    Mar 1995
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