RESUMO
Um surto dequeratoconjuntiviteinfecciosa ocorreu em um rebanho de bovinos leiteiros da raça Holandesa Preta e Branca. Como essa enfermidade não é muito freqüente no Estado de São Paulo, os autores atribuem o seu aparecimento à introdução no rebanho de animais importados de país vizinho. Moraxella bovis foi isolada das secreções oculares.
PALAVRAS-CHAVE:
Queratoconjuntivite infecciosa; Moraxella bovis, bovino.
ABSTRACT
An outbreak of keratoconjunctivitis occurred in a HBW dairy herd. As this disease is not very frequent in this State, the authors attributed the infeccion to the introduction of new animais into the herd. Moraxella bovis was isólated.
KEY WORDS:
Keratoconjuntivitis; Moraxella bovis, pinkeye.
A queratoconjuntivite infecciosa foi assinalada pela primeira vez no.Brasil por CORRÊA et al. (3), em 1954. Posteriormente, outros relatos foram descritos, FREITAS,1964; BAPTISTA & RIBEIR0,1974;ALBUQUERQUE & MOTA, 1978 (4,2,1).
O presente surto ocorreu numa propriedade onde, cerca de um mês antes do aparecimento dos primeiros casos, foram introduzidos ao rebanho, alguns animais importados de país vizinho. Um total de 20 bovinos adultos da raça Holandesa Preta e Branca, manifestaram sintomas oculares, tais como discreta conjuntivite, lacrimejamento,fotofobia, blefaroespasmos, opacidade de córriea e cristalino, queratocônio, panoftalmia, ulcerações na córnea que, conforme a gravidade, . chegaram a cegueira com extrusão do cristalino. (Figuras 1,2).
Foram colhidas através de "swab," amostras de secreção ocular, para exame bacteriológico, que foram cultivadas em agar sangue e agar chocolate a 35°C por 48 horas, em atmosfera úmida. Dentre as colônias desenvolvidas em agar sangue, haviam algumas pequenas (1-2 mm de diâmetro), circulares, branco acinzentadas, beta hemolíticas. Em agar chocolate observou-se um halo escuro circundando as colônias suspeitas. O exame bacterioscópico revelou bacilos curtos, gram negativos, freqüentemente dispostos aos pares. Nas demais provas de identificação comportou-se como oxidase e catalase positivas, não produziu indol, D Nase, H2S e urease, fenilillanina desa minase negativa, não utilizou citrato como única fonte de carbono, não reduziu nitrato a nitrito, liquefez a gelatina após o 8° dia , coagulou e alcalinizou o leite tomassolado, não fermentou glicose, maltose e lactose, mostrou-se sensível àpenicilina (1UI/ml) e não cresceu a 42 ºC. Em gota pendente não apresentou motilidade propulsiva, embora pode-se reconhecer motilidade do tipo "twitching". Esses resultados permitiram caracterizar este agente bacteriano como Moraxella bovis.
O tratamento preconizado foi a limpeza freqüente com solução salina para remoção das secreções, seguidada aplicação de pomada de tetraciclina (5); alcançando-se a melhora dos animais sem lesões graves em duas semanas.
Dentro do gênero Moraxella, a espécie bovis tem sido responsabilizada por patologias oculares em bovinos. Alguns autores consideram que a exposição à radiação solar excessiva, à poeira constante, às substâncias voláteis irritantes de mucosa como certos desinfetantes, ou mesmo a ação de moscas são os agravantes e os veiculadores desta enfermidade (5,6,7). Neste relato, atribui-se o aparecimento da enfermidade à entrada de animais novos no rebanho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- 1 ALBUQUERQUE,A.J.D. & MOTA, T.M.B. Flora residual na queratoconjuntivite bovina. Rev. Cen. Cienc. Rurais, 8 (1):19-25,1978.
- 2 BAPTIST A,P.J.H.P. & RIBEIRO, L.A.O. Queratoconjuntivite infecciosa dos bovinos no Rio Grande do Sul.I. Epidemiologia. ln: CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINÁRIA, 14., São Paulo,1974. Anais. p.91
- 3 CORRÊA,R.; BELLEZA,W.; LIMA, R.C. Observações sobre a queratite infecciosa dos bovinos. Arq. lnst. Biol., São Paulo, 21:121-5,1954.
- 4 FREITAS, D.C. Contribuição ao estudo da cerato-conjuntivite infecciosa dos bovinos. São Paulo, 1964.6lp. [Tese - Faculdade de Medicina Veterinária - USP].
- 5 JONES,F.S. & LITTLE,R.B. The transmission and treatment of infectious ophthalmia of cattle. J. Exp.Med., 39:803-10,1924.
- 6 PUGH,G.H.; HUGHES, D, E. Keratoconjunctivitis induced by different experimental methods. Cornell Vet., 61(1): 23-44,1971.
- 7 STEVE,P.C. & LULLY,J.H. Investigation on transmissibility of Moraxella bovis by the face fly. J.Econ.Entomol., 58:444-6,1965.




