Open-access TOXICIDADE RESIDUAL DE ACARICIDAS A IPHISEIODES ZULUAGAI DENMARK & MUMA, 1972 (ACARI: PHYTOSEIIDAE)

RESIDUAL TOXICITY OF ACARICIDES TO IPHISEIODES ZULUAGAI DENMARK & MUMA, 1972 (ACARI: PHYTOSEIIDAE)

RESUMO

O trabalho foi conduzido com o objetivo de medir o efeito da toxicidade residual de seis acaricidas alphiseiodes zuluagai Denmark & Muma, realizando-se a aplicação em plantas cítricas. Os tratamentos e as dosagens em g i.a./ lO0L de água foram: abamectin (0,54) + óleo mineral (189), fenpyroximate (5,0), bifenthrin (2,0), fenpropathrin (15,0), propargite (72,0), cyhexatin (25,0) e testemunha. Após a aplicação, foram realizadas coletas de folhas após 2 horas e 1, 4, 10, 17, 24, 31, 38, 45 e 52 dias, infestando-as cornos ácaros predadores. As avaliações de mortalidade foram feitas 72 horas após as respectivas infestações. O abamectin mostrou-se tóxico até 1 dia após a aplicação,

com reduções populacionais inferiores a 62%. Os demais acaricidas causaram reduções iniciais acima de 79%. Fenpyroximate, cyhexatin e propargite induziram reduções significativas da população até 4, 4 e 10 dias da pulverização, respectivamente. Os piretróides bifenthrin e fenpropathrin foram os mais prejudiciais com reduções significativas até 38 e 45 dias após a aplicação, respectivamente.

PALAVRAS-CHAVE:
Acari; ácaro predador; seletividade; citros.

ABSTRACT

The experiment was carried out to observe the residual toxicity of six acaricides to lphiseiodes zuluagai Denmark & Muma, 1972. The products were applied on citrus plants using the following dosages in g AI/ lO0L of water: abamectin (0.54) + mineral oil (189), fenpyroximate (5.0), bifenthrin (2.0), fenpropathrin (15.0), propargite (72.0) and cyhexatin (25.0). Foliage samples were collected at 2 hours and 1,4, 10, 17, 24, 31, 38, 45 and 52 days after application. In laboratory, the leaves were infested with predacious mites. Mortality evaluations were made 72 hours after infestations. Abamectin showed to be toxic up to 1 day after application with populational reductions below 62%. The remaining products caused inicial reductions above 79%. Fenpyroximate, cyhexatin and propargite induced significantly reductions up to 4, 4 and 10 days after treatment, respectively. The pyrethroids bifentrin and fenpropathrin were the most harmful, with significantly reductions up to 38 and 45 days posttreatment, respectively.

KEY WORDS:
Acari; predatory mite; pesticide seletivity; citrus.

INTRODUÇÃO

A failll1ia Phytoseiidae é caracterizada por.possuir os principais predadores de ácaros fitófagos. As espécies desta família são comumente encontradas em plantas cultivadas ou não, principalmente nas folhas, podendo, entretanto, também serem

encontradas em outras partes da planta (MORAES & SÁ, 1995). Os fitoseídeos destacam-se entre os inimigos naturais presentes ern pomar cítrico, pois exercem o controle biológico sobre os ácaros fitófagos chaves - ácaro-da-leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes) e ácaro-da-ferrugem Phyllocoptruta oleivora (Ash.) (GRAVENA, 1990).

MORAES et al. (1986) catalogaram os fitoseídeos encontrados em todo o mundo, mencionando a presença de mais de 200 espécies, em citros. SATO et al. (1994a) encontraram seis espécies de ácaros predadores em pomar cítrico de Presidente Prudente, SP, com predominância das espécies Jphiseiodes zuluagai Denmark & Muma, Euseius citrifolius Denmark & Muma e Euseius concordis Chant. I. zuluagai foi mais abundante nos meses com menores médias de temperatura e precipitação pluviométrica, registrandose as maiores incidências em junho e julho.

O principal componente do manejo integrado de pragas (MIP), responsável pelo seu sucesso, é o controle biológico exercido pelos inimigos naturais das pragas (YAMAMOTO et al., 1995). Neste aspecto, a escolha de produtos seletivos é indispensável para minimizar os efeitos prejudiciais sobre a fauna e a flora beí, éficas e para manter o equilíbrio biológico do ecossistema citrícola (BUSOLI, 1992).

Diversos trabalh2s sobre seletividade de pesticidas, para ácaros predadores, têm sido realizados (GRAFTON-CARDWELL & HOY, 1983; ELBANHAWY & EL-BAGOURY, 1985; MORSE et al., 1987; BITTENCOURT & CRUZ, 1988; KOMATSU, 1988;MALEZIEUX et al., 1992;SATO etal., 1992; YAMAMOTO et al., 1992; SATO et al., 1993; COSTA-COMELLES et al., 1994; SATO et al., 1994b; SATO et al., 1995), visando à preservação destes inimigos naturais, em diferentes culturas comerciais, que recebem tratamento químico.

O objetivo do presente experimento foi medir o efeito da toxicidade residual de alguns acaricidas a I. zuluagai, realizando-se a aplicação em plantas cítricas.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Instituto Biológico, em São Paulo, SP. Os ácaros predadores utilizados na pesquisa foram oriundos de pomar de laranja, variedade Pêra Rio (Citrus sinensis L. Osbeck), existente na Estação Experimental do Instituto Biológico, em Presidente Prudente, SP, sendo o talhão mantido há vários meses sem qualquer pulverização. Após a coleta, os ácaros foram conduzidos para o laboratório do Instituto Biológico, em São Paulo, SP, sendo mantidos e multiplicados através do fornecimento alimentar de pólen de mamona. A metodologia de criação do fitoseídeo foi baseada em KOMATSU (1988).

Os tratamentos e as dosagens em g i.a./ lO0L de água foram: abamectin (Vertimec 18CE) a 0,54 + óleo mineral (Assist) a 189; fenpyroximate (Kendo 50SC) a 5,0; bifenthrin (Talstar 100CE) a 2,0; fenpropathrin (Danimen 300CE) a 15,0; propargite (Omite 720CE) a 72,0; cyhexatin (Hokko Cyhexatin 500PM) a 25,0; e testemunha. Em cada tratamento, foram utilizadas 2 plantas não consecutivas, escolhidas ao acaso no campo.O tamanho das plantas era de 2,5m de altura e 2,0m de diâmetro de copa, com espaçamento de 4m x 5m. A aplicação foi realizada em 08/06/93, em plantas cítricas (variedade 'Pêra Rio'), com o uso de pulverizador costal motorizado, gastando-se 12 litros de calda por planta.

As folhas foram coletadas após 2 horas e 1, 4, 10, 17, 24, 31, 38, 45 e 52 dias da pulverização (DAP), sendo retiradas da região mediana e externa da copa. De cada folha coletada, recortou-se uma área circular de 3,9cm de diâmetro. Esta folha foi acondicionada em uma placa de Petri de 9cm de diâmetro e 1,7cm de altura. No interior da placa e abaixo da folha, foi colocada uma fina camada de algodão hidrófilo. Também, uma pequena barreira com o próprio algodão foi feita ao redor da folha de citros, para evitar a fuga dos ácaros predadores. O algodão do fundo da placa, assim como da barreira, era mantido sempre encharcado com água destilada.

Cada folha foi infestada com 10 ácaros adultos de I. zuluagai, constituindo uma parcela. Em cada folha, ficaram disponíveis grãos de pólen para alimentação. Foram utilizadas 4 folhas por coleta (2 de cada planta), totalizando 4 repetições. Após as infestações, os ácaros foram mantidos em condições de laboratório a 25 ± 4º C e 70% ± 10% UR. As avaliações foram conduzidas 72 horas após as respectivas infestações, contando-se o número de ácaros vivos, em cada parcela.

O delineamento adotado para o experimento foi o inteiramente casualizado. O número de ácaros predadores vivos, por parcela, foi transformado em (x + 0,5) e analisado através dos testes F e Tukey a 5% de probabilidade. As porcentagens de redução populacional foram calculadas pela fórmula de ABBOTT, 1925.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Todos os acaricidas testados apresentaram toxicidade residual significativa a/. zuluagai, quando aplicados em laranjeiras (Tabelas 1 e 2 e Figura 1). O abamectin foi o acaricida menos tóxico (efeito significativo até 1 dia), com reduções populacionais de 61,5% e 42,1%, após 2 horas e 1 DAP, respectivamente. Nas avaliações realizadas a partir de 4 DAP, as porcentagens de redução por abamectin foram inferiores a 3%, o que o indica como produto seletivo para uso no MIP dos citros.

A baixa toxicidade residual do abamectin também foi observada por KOMATSU (1988) que testou o produto em E. concordis, em laboratório. Os ácaros apresentaram sobrevivência igual ou superior a 65% após 3 DAP. Este produto também mostrou-se pouco tóxico aos fitoseídeosPhytoseiulus persimilis (Athias-Henriot) (MALEZIEUX et al., 1992) e Phytoseius finitimus Ri baga (EL-BANHA WY & ELBAGOURY, 1985).

Os demais acaricidas apresentaram toxicidade inicial supelior a 79%. Fenpyroximate e cyhexatin apresentaram, com 1 DAP, reduções de 84,2% e 78,9%, respectivamente, e efeito tóxico significativo até 4 DAP. Estes resultados estão de acordo com os obtidos por MORSE et al. (1987), que observaram toxicidade inicial acima de 80% para Euseius stipulatus Athias-Henriot, quando o cyhexatin foi aplicado em citros, na Califórnia. A elevada toxicidade do cyhexatin aos fitoseídeos também foi mencionada por KOMATSU (1988). Em relação ao fenpyroximate, SATO et al. (1993) também encontraram mortalidades iniciais elevadas de fitoseídeos, em condições de campo.

TABELA 1
Toxicidade residual de acaricidas a Iphiseiodes zuluagai, avaliada 72 horas após a transferência dos ácaros: número médio de ácaros vivos por parcela.
TABELA 2
Toxicidade residual de acaricidas a Iphiseiodes zuluagai, avaliada 72 horas após a transferência dos ácaros: porcentagem de redução populacional.

Fig. 1
Toxicidade residual de acaricidas alphiseiodes zuluagai: porcentagem de redução populacional.

O propargite provocou reduções acima de 90%, nos primeiros 4 DAP, afetando siginificativamente a população de I. zuluagai até o décimo dia. Este produto tem se mostrado bastante prejudicial a nível de campo (SATO et al., 1995). Porém, MORSE et al. (1987) verificaram uma toxicidade mais baixa do propargite ao fitoseídeo E. stipulatus, reportando que os resíduos do pesticida provocaram mortalidades entre 30 e 40%, nos primeiros 13 DAP.

Os piretróides bifenthrin e fenpropathrin foram os mais tóxicos para /. zuluagai, com 100% de mortalidade até 10 DAP. As reduções populacionais mantiveram-se significativas até 38 dias para o bifenthrin, e até 45 dias para o fenpropathrin. Em Jaboticabal, SP, YAMAMOTO et al. (1992) demonstraram a alta toxicidade de bifenthrin, para a mesma espécie de predador.

O longo período necessário para o fenpropathrin tomar-se não tóxico aos fitoseídeos também foi citado por MALEZIEUX et al. (1992), que observaram que o piretróide aplicado em roseira permanecia tóxico a P. persimilis por 35 dias ou mais, para as formas jovens, e por 18 dias para adultos.

CONCLUSÕES

O abamectin foi o acaricida menos prejudicial a/. zuluagai, mostrando-se tóxico até 1 dia após a aplicação.

Fenpyroximate e cyhexatin apresentaram, com 1 dia após a pulverização, reduções de 84,2% e 78,9%, respectivamente, e efeito tóxico significativo até 4 dias. O propargite causou reduções acima de 90%, nos primeiros 4 dias, afetando significativamente a população do predador até 10 dias da aplicação.

Os piretróides bifenthrin e fenpropathrin foram os mais tóxicos e com efeito residual mais longo, alcançando 100% de mortalidade até os 10 dias da pulverização.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1996

Histórico

  • Recebido
    16 Jan 1996
  • Aceito
    09 Abr 1996
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