RESUMO
A ocorrência de Coccotrypes palmarum Eggers (Coleoptera, Scolytidae) .é relatada pela primeira vez no Estado de São Paulo. Os insetos foram encontrados atacando sementes de Chamaedora elegans, sendo observados até cinco escolitídeos por semente. Verificou-se em campo que os frutos caídos de C. elegans e Phoenix sp. estavam completamente danificados pelos escolitídeos.
PALAVRAS-CHAVE:
Ocorrência; Coccotrypes palmarum; Chamaedora elegans; Phoenix sp.
ABSTRACT
The occurrence of Coccotrypes palmarum Eggers (Coleoptera, Scolytidae) is recorded for the first time in the state of São Paulo, Brazil. The insects were found attacking Chamaedora elegans seeds, up to five scolytids being observed per seed. It was observed, in the field, that the dropped fruits of C. elegans and Phoenix sp. were completely damaged by the scolyüds.
KEY WORDS:
Occurrence; Coccotrypes palmarum; Chamaedora elegans; Phoenix sp.
A produção de palmeiras, como as dos gêneros ChamaedoraePhoenix, vem aumentando nos últimos anos, no Brasil, em consequência da alta demanda na área de paisagismo. A palmeiraChamaedora elegans, conhecida vulgarmente por palmeira bambu, natural do México, é uma planta ornamental utilizada em ambientes internos, sendo uma das poucas que florescem dentro de casa. Possui crescimento lento, podendo atingir 2,5 m de altura em 10 anos. Segundo DOMINGUES (1995), esta palmeira costuma florescer aos 3 ou 4 anos de idade., possui inflorescência de cor amarela e pode ser propagada por sementes ou brotos laterais. As palmeiras do gênero Phoenix, conhecidas como tamareiras, apresentam folhas grandes em forma de pena, com estipe revestido pelas bainhas das folhas, que permanecem na planta mesmo depois de velhas. As flores são peq enas e de coloração amarela. O estipe é robusto e finalizado por folhas arqueadas. Podem atingir 18m de altura, sendo seu crescimento lento. Podem ser propagadas por sementes ou por botões laterais (DOMINGUES, 1995).
Na propriedade Plantas Exóticas do Brasil, município de Juquiá-SP, Vale do Ribeira, em dezembro de 1994, plantaram-se 40 kg de sementes de C. elegans, correspondentes a 174.000 sementes, das quais apenas 10% germinaram. Foi observado que nas estufas as sementes não germinadas encontravam-se infestadas por Coccotrypes palmarum (Coleoptera, Scolytidae), descrito por EGGERS em 1933. Havia até cinco escolitídeos por semente, os quais se alimentavam do endosperma e do embrião das mesmas, danificando-as totalmente (Fig.1). Na mesma propriedade, em áreas cultivadas comPhoenix sp. e C. elegans, foi observado o ataque do inseto em 100% dos frutos caídos no chão, junto à base dos estipes, sendo esta, a primeira constatação no Estado de São Paulo.
O inseto adulto de C.palmarum é pequeno, com 1,8 a 2,2mm de comprimento, de coloração marrom escura, antenas rudimentares, pêlos longos e eriçados, distribuídos por todo o corpo; pronoto tão longo quanto largo, élitros bem esclerotizados e fortemente pontuados, curvos, com declividade iniciada na metade anterior (Fig. 2). A larva é branca, ápoda, medindo no último estádio cerca de 2,6 mm de comprimento, ligeiramente afilada no terço anterior para a extremidade posterior.
No Brasil, segundo SILVA et al. (1968), foram relatadas as espécies C. circundatus em palmáceas, danificando Cocos conosa e C. weddeliana, em São Paulo e Pernambuco; C. aciculatus em nozes cumala; C. eggersi e C. moreirai em sementes de marfim vegetal, em Minas Gerais; C. pygmaeus em sementes de fruteira do conde, na Bahia; e C. rolliniae em sementes de biribá, no Pará.
Em outros países, espécies do gênero Coccotrypes foram observadas em diversos hospedeiros. A espécie C. dactyliperda foi encontrada em sementeiras de Howea fosteriana no Tenerife (SILVERIO & MONTESDEOCA, 1990) e em palmeira na Grécia (VASSILAINA - ALEXOPOULOU et al., 1986). BLUMBERG & KEHAT (1982) observaram que os adultos desta espécie faziam orifícios arredondados no fruto, ocasionando sua queda um ou dois dias mais tarde, a oviposição e o desenvolvimento dos estágios imaturos ocorriam dentro de galerias feitas pelas fêmeas. Segundo KEHAT et al. (1976), foi observado que C. dactyliperda era responsável pela queda de 30 a 40% dos frutos verdes de palmeira em Israel. Conforme BEAVER (1987), 17 espécies do gênero Coccotrypes foram encontradas em várias localidades de Mahe, principal ilha das Seychelles.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- BEAVER, R.A. Biological studies on bark beetles of the Seychelles (Col., Scolytidae). J. Appl. Entomol, v.104, p. 11-23, 1987.
- BLUMBERG, D. & KEHAT, M. Biological studies of the date stone beetle, Coccotrypes dactyliperda. Phytoparasitica, v.10, n.2, p.73-78, 1982.
- DOMINGUES, R.C. Palmeiras e palmeirinhas. Natureza,v. 5, n.89, p.14-24, 1995.
- EGGERS, H. Borkenkãfer (Ipidae, CoL) aus Südamerika, VI. Material des Muséum Paris aus Franz. Guayana und Venezuela. Trav. Lab. Entomol. Mus. Nat. Hist. Natur., v.1,n.1,p.1-37, 1933.
- KEHAT, M.; BLUMBERG, D.; GREENBERG, S. Fruit drop on darnage in dates: the role of Coccotrypes dactyliperda F. and nitidulid beetles, and prevention by rnechanical rneasures. Phytoparasitica, v.4, n.2, p. 93-99, 1976.
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- SILVERIO, A & MONTESDEOCA, M.Coccotrypes dactyliperda F. (Coleoptera} scolytid parasite of seed beds of Howea ( Kentia) fosteriana Becc. Bol. Sanid.Veg. Plagas, v.16, n.1, p.15-18, 1990.
- VASSILAINA-ALEXOPOULOU, P.; MOURIKIS, P.A.; BUCHELOS, C.T. Coccotrypes dactyliperda Fabr. a new species in the Greek fauna. Ann.Inst. Phytopathol.Benaki, v.15,n.1, p.87-89, 1986.




