RESUMO
Testou-se, em condições de laboratório, o efeito de diferentes inertes minerais e vegetais na atividade alimentar e mortalidade deAnticarsia gemmatalis e também a fagoestimulaçãode formulações de Baculovirus anticarsia na mortalidade dos insetos. Discos de folíolos de soja tratados com os inertes em suspensão aquosa foram oferecidos às lagartas. Após 24 horas determinou-se a área foliar consumida pelos insetos, a qual foi maior nos tratamentos com inertes vegetais, não havendo qualquer influência na mortalidade dos insetos. A formulação à base deóleo vegetal (óleo de milho) mostrou-se fagoestimulante, elevando em 10% o consumo alimentar em relação ao tratamento com o vírus não formulado. Isto refletiu-se no aumento da mortalidade em 20% em relação ao mesmo tratamento não formulado.
PALAVRAS-CHAVE:
Formulação; Baculovirus anticarsia; Anticarsia gemmatalis, consumo; entomopatógeno.
ABSTRACT
Laboratory tests were carried out aiming to evaluate the effect ofboth inerts (minerais and vegetables) andBaculovirus anticarsia formulation on the phagostimulation and mortality of Anticarsia gemmatalis larvae on the foliar application. The mineral inerts inhibited the fali consumption but all of them were nontoxic to the insects. The phagostimulant effect was verified for com oil formulation and the higher virus ingestion on the foliage caused more elevated mortality in this treatment in relation to the other virus preparation.
KEY WORS:
Formulation; Baculovirus anticarsia; Anticarsia gemmatalis, consumption; entomopathogen.
Autilização de um microrganismo entomopatogênico como um bioinseticida está vinculada, entre outros fatores, à capacidade deste em permanecer viável no ambiente pelo maior tempo possível a fim de garantir seu contato com o inseto hospedeiro. Submetem vírusa um processo de formulação tem sido a alternativa para se retardarsuadegradaçãocausadapelaradiaçãoultravioleta, que destrói os ácidos nucléicos (JAQUES et al.,1985).
A incorporação de certos adjuvantes vegetais ou minerais à formulação também pode contribuir para o aumento da eficiênia no campo, pois muitos podem apresentar característicasfagoestimulantese retardantes de evaporação (IGNOFFO et al., 1976).
O presente trabalho teve como objetivo verificar o efeitodeinertes mineraise vegetais naatividade alimentar e na mortalidade de lagartas deAnticarsia gemmatalis Hübner, 1818. Complementarmente, avaliou-se a relação entre oefeito fagoestimulantedeformulações de B. anticarsia na mortalidade de lagartas.
Média de consumo foliar e percentual de mortalidade de lagartas de Anticarsia gemmatalis em teste de confinamento com folíolos de soja, cultivar IAC-11, pulverizados com preparações de inertes constituintes das formulações.
Para o teste com inertes foram coletados folíolos de soja, cultivar IAC-11, de plantas com 30 dias, contados a partir da germinação. O material foi desinfestado em solução de hipoclorito de sódio a 2% durante 5 minutos elavadoemáguacorrente. Emseguida, comumvazador, fóram retirados da região central de cada folíolo, discos de 2,25 cm2 de área superficial. Esses discos foram submersos durante 2 minutos, sob agitação contínua, nos diferentes tratamentos, a saber: 2 preparados tipo Pó Molhável (caulim e leucita), na proporção de 95% de inerte mineral e 5% de agente suspensor; 2 preparações do tipo Óleo Emulsionável (óleo de soja e de milho), na proporção de 80% de óleo e 20% de emulsificante, além do tratamento testemunha (água destilada). Todos os tratamentos foram diluídos em água destilada (1:99). Após secagem sob ventilação, os discos foram individualizadosem células decâmara de poliestireno paraculturade tecido CellWellsTM de2cm de altura x 1,6 cm de diâmetro, juntamente com uma lagarta de A. gemmatalis com cerca de 1,5 cm de comprimento, sendo 30lagartas para cada tratamento.
Decorrida uma hora, substituíram-se as lagartas que não haviam consumido o folíolo e, após 2 horas; foi feita aavaliação final, medindo-se aárea consumida dos discos com um mdidor de área foliar Li-COR, Li-300. As lagartas foram então transferidas para tubos de vidro (8,5 cm de altura x 2,5 cm de diâmetro) alimen tadas com dieta artificial (GREENE et al., 1976). O ensaio foi conduzido a 26 ±1ºC, U.R. de 70 ± 5% e fotoperíodo de 14 horas. Diariamente procedeu-se a observação dos insetos anotando-se eventuais mortalidades e confirmando-se o agente causal.
No experimento com as formulações, adotou-se o mesmo procedimento descrito anteriormente, sendo que os preparados constaram da incorporação de B. anticarsia aos inertes citados, excetuando-se a leucita e o óleo de soja, que foram dentro de cada um dos 2 grupos de inertes, os que levaram ao menor consumo. Incluiu-se, também, um tratamento com o patógeno concentrado. A calda para cada umdos tratamentos foi preparada na mesma diluição do ensaio anterior, sendo que as suspensões para imersão dos folíolos apresentava 1,4 x 106 CIP/mL.
Verificou-se que os insetos que receberam discos tratados com produtos vegetais apresentaram consumo superior em relação à testemunha quefoi de 37,7%, principalmenteoóleo de milho (consumo de 44,88%). Os inertes minerais foram inibidores da alimentação, notadamente a leucita que provocou redução de 10% no consumo de alimento quando comparado a Testemunha (Tabela 1). De forma semelhante, BATISTA FILHO et al(1992) observaram redução na área foliar consumida por lagartas deA. gemmatalis alimentadas com folhas de soja tratadas com a formulação de B. anticarsia em pó molhável (leucità). Constatou-se também que todos os inertes testados não apresentaram efeito tóxico sobre os insetos.
Efeito de Baculovirus anticarsia formulado sobre o consumo foliar e mortalidade de lagartas de Anticarsia gemmatalis em teste de confinamento com folíolos de soja, cultivar IAC-11, pulverizados com as diferentes preparações.
No teste com as formulações, atendência observada anteriormente repetiu-se: o preparado pó molhável inibiu a alimentação e a formulação apresentou nítida ação fagoestimulante, elevando em 10% o consumo de alimento (Tabela 2). Este efeito refletiu-se diretamente na mortalidade, pois onde o consumo esteve próximo de 30%, a mortalidade foi de cerca de 40%, enquanto no maior consumo (40%) a mortalidade alcançou 60%.
LUTTREL et al. (1983) testaram diferentes adjuvantes para formulações deB. heliothis e verificaram sensível efeito fagoestimulanteem alguns deles. Contudo, não conseguiram estabelecer a relação consumo-mortalidade, provavelmente porque o aumento na ingestão de partículas virais não foi representativo para afetar a mortalidade.
Por outro lado, ALVES etal. (1992) testaram um adjuvante àbase de óleo de soja em pulverização deB. anticarsia em campo. Os resultados comprovaram a fagoestimulação provocada por inertes vegetais, o que garantiu a ingestão de 1,4 x 104 PIB amais pelos insetos tratados com este material, antecipando em 1 diao pico de mortalidade, ou seja, 60% ao sexto dia, contra 20% no mesmo período no tratamento com o patógeno em suspensão aquosa.
Existem, também, estudos semelhantes com outros entomopatógenos, caso de Bacillus thuringiensis var. kurstaki formulado como pó molhável, ao qual foi incorporado um adjuvante composto por óleo de farinha de semente de algodão e sacarose. Nos diferentes tratamentos em que o produto (Coax™) foi utilizado, o consumo aumentou e a mortalidade foi significativamente elevada em cerca de 25% em relação aos tratamentos sem o produto (MEISNER et al. 1990).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- ALVES, L.F.A.;LEITÃO, A.E.F.;AUGUSTO;N.T.; LEITE, L.G.; BATISTA FILHO, A. Utilização de um adjuvante protetor contra a radiação solar e fagoestimulante, em mistura com um vírus de poliedrose nuclear de Anticarsia gemmatalis (Lepidoptera: Noctuidae). Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.59, n.1/2, p.23-27, 1992.
- BATISTAFILHO, A.;ALVES, L.F.A.;AUGUSTO, N.T.; CRUZ, B.P.B. Efeito de duas formulações deBaculovirus anticarsia sobre o consumo foliar de Anticarsia gemmatalis Hübner, 1818. Ecossistema, Espírito Santo do Pinhal, v.17, p.73-78, 1992.
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- MEISNER, J.;HADAR, D.;WYSOKI, M.;HARPAZ, I. Phagostimulants enhancing the efficacy of Bacillus thuringiensis formulations agaisnt the giant looper Boarmia (Ascotis) selenaria, in avocado. Phytoparasitica,v.18, n.2, p.107-115, 1990.
