RESUMO
Em ensaio da atividade micobactericida do hipoclorito de sódio (2,5% de cloro ativo) na diluição de 1:8 v/v e de uma combinação de aldeídos na diluição de 1:12,5 v/v, observou-se que a estirpe AN-5 de Mycobacterium bovis recém isolada dos órgãos de hamsters experimentalmente infectados foi mais resistente aos dois tipos de desinfetante ensaiados do que quando mantida por repiques sucessivos em meios de cultura artificiais. Foi analisada a possível interferência da presença de matéria orgânica edas variações de temperatura de contato (4 a 8ºC e 28 a 30°C) com um período de atuação de 60 minutos. A interrupção da ação dos desinfetantes foi estabelecida pelo emprego de inativantes. A recuperação dos microrganismos remanescentes foi obtida por cultivo em meio de Petragnani com quantificação do número de unidades formadoras de colônias (U.F.C.). Os dois produtos testados revelaram elevada atividade micobactericida; no entanto, os aldeídos apresentaram melhor comportamento que o hipoclorito. A ação dos aldeídos não foi prejudicada pela presença de matéria orgânica, no entanto, o hipoclorito de sódio foi menos ativo nos ensaios conduzidos entre 28 a 30º C. Com base nessas observações, concluiu-se que os ensaios "in vitro" confirmatórios para a avaliação da atividade micobactericida dos desinfetantes químicos deverão ser executados com amostras de M.bovis, recém isoladas de tecidos animais.
PALAVRAS-CHAVE:
Aldeídos; cloradas; desinfecção;
Mycobacterium bovis
; microrganismo teste
ABSTRACT
It was performed the assay ofthe mycobactericidal activity of sodium hypochlorite (2.5% of active chlorine) diluted at 1:8 v/ v and of a combination of aldehydes (1: 12.5 v/v). The results showed that when the testing strain comes from fresh tissues of experimentally infected hamsters, it was more resistant to both of the disinfectants tested than if the sarne strain was maintained "in vitro" by serial passages in artificially culture media. 1t was also investigated the influence of organic soil (cattle manure) and the contact temperature. At the end of the contact time the disinfectant action was blocked by chemical inactivants. The number of remaining colonyforming unity were counted in Petragnani medium. The two products showed high mycobactericidal activity but the aldehydes were stronger than the chlorine. The aldehydes were not affected by the presence of organic soil and the chlorine presented poor activity when in the presence of organic soil and at the temperature of 28 to 30º C. It was concluded that for confirmatory tests it is necessary the use of strains of M.bovis, recently isolated from animal tissues.
KEY WORDS:
Aldehydes; chlorines; disinfection;
Mycobacterium bovis
; testing microorganisms
INTRODUÇÃO
Dentre os diversos aspectos considerados nos testes indicados para a avaliação "in vitro" da atividade micobactericida dedesinfetantes químicos, a escolha da "estirpe teste" tem sido um ponto bastante controvertido (ASSOCIA TION FRANÇAISE DE NORMALIZATION, 1977; ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS, 1990; DEUTSCHE GESELLSCHAFT FÜR HYGIENE UND MIKROBIOLOGIE,1972; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1984).
Como as micobatérias patogênicas apresentam crescimento lento em meios de cultivo artificiais e são de risco ocupacional, a preferência tem recaído para as micobactérias ambientais, dotadas de rápido crescimento "in vitro", paraosensaios preliminares (WORLD HEALTHORGANIZATION, 1984);noentanto, ainda não foram conduzidas investigações científicas que analisassem estes aspectos de forma definitiva.
ALLEN (1986); LIND et al. (1986); SAURAT & LAUTIÉ (1960); WHITMORE & MINER (1976) admitem que a sensibilidade das estirpes empregadas em ensaios de desinfetantes químicos pode ser influenciada pelas condições de armazenagem e de preparo dos inóculos. Referem que a permanência por longos períodos de tempo em condições artificiais, pode induzir a um comportamento distinto do observado em condições naturais; no entanto, ainda não foi apresentado um protocolo detalhado para o preparo das estirpes testes a serem empregadas nos ensaios da atividade micobactericida de desinfetantes químicos de uso pecuário.
PINHEIRO etal.(1992)eCASTILLO GUERRERO etal.(1993) descreveram um ensaio "in vitro"utilizando oM.fortuitum onde foi verificada aexistência deintensa atividade micobactericida para o hipoclorito de sódio comercialcom 2,5% decloro ativo (água de lavadeira) e também para uma formulação comercial combinada de aldeídos edeamônia quaternária. Nestasobservações foi possível apadronizaçãodascondições experimentais que permitem a análise controlada de variáveis como a presença de matéria orgânica e atemperatura de contato. FERREIRA NETO et al(1994) padronizaram um modelo biológico representado por hamsters experimentalmente infectados com aestirpe AN-5 de M.bovis que possibilitou o estabelecimento do momento pós infecção experimental em que são obtidas concentrações conhecidas de microrganismos porquantidade de tecido processado.
Tendo em vistaqueadesinfecção química éum dos pontos vitais para a condução das ações de controle da tuberculose bovina e que, particularmenteno Brasil, as variações ambientais existentes afetam a eficiência deste tipo de recurso profilático, foi delineado opresente estudo. O objetivo foi o de propor uma forma de preparo da estirpe teste a ser empregada em ensaios de desinfetantes químicos de modo a reproduzir as características existentes em condições naturais quando do tratamento de ambientes ede equipamentos localizados em propriedades com rebanhos bovinos acometidos pela tuberculose e que estejam em processo de saneamento, com programas regulares deidentificação e eliminação das fontes de infecção.
MATERIAL E MÉTODOS
O microrganismo teste foi oMycobacteriumbovis estirpeAN-5, provenientedolnstitutoBiológicodeSão Paulo, com 32 dias de cultivo em meio de Petragnani.
O carreador foi representado por papel de filtro do tipo xarope, com 50 x 50cm, gramatura de 250g/m *, cortado em formato circular ecom diâmetro de9,5 cm; noqual foram desenhados com grafite, aleatoriamente, três círculos com dois centímetros de diâmetro.
A fonte de matéria orgânica utilizada para interferir com a ação do desinfetante foi fezes de bovinos colhidas diretamente do reto dos animais e armazenadas à temperatura de 20ºC negativos, em alíquotas de 0,5g, até o momento da utilização. A análise bromatológica das fezes empregadas apresentou o teor de 34,9% de matéria seca a 60ºC. A ausência de micobactérias, no lote de fezes trabalhado, foi controlada através do cultivo, segundo a técnica de MASAKI et al. (1982), em meio de Lowenstein-Jensen e de Stonebrink-Lesslie (CENTRO PANAMERICANO DE ZOONOSIS, 1985), tanto antes como após o processo de tratamento pelo calor (vapor fluente) que teve a duração de 60 minutos. Este tratamento térmico foi adotado pois em ensaios pilôto observou-se que quando do emprego da matéria orgânica em condições naturais, devido sua microbiota própria, havia a necessidade da descontaminação pré cultivo, segundo o método de Petroff (CENTRO PANAMERICANO DE ZOONOSIS, 1985), o que provocava resultados muito irregulares nos isolamentos das micobactérias.
Os animais utilizados para a obtenção de micobactérias recém isoladas de tecido animal foram 20 hamsters machos (Mesocricetus auratus) com 80 a l lüg de peso vivo.
O meio de cultura adotado para o cultivo de micobactérias foi o meio de Petragnani (FERREIRA NETO, 1992).
Os desinfetantes ensaiados foram: A) Hipoclorito de Sódio, produto comercial (água de lavadeira), com teor de cloro at_i vo de 2,5%, na diluição de 1:8 v/v. B) Aldeídos e Amônia Quaternária: formulação comercial com 30% de formaldeído a 37%; 15% de glutaraldeídoa25%;40% de glioxal a40%; 5,4% de cloreto de alquil-dimetil-benzil-amônio a 47,5% e 5% de poli-hexametilenobiguanidinaa 20% na diluição de trabalho de 1:12,5 v/v. O desinfetante A foi neutralizado com a solução de tiossulfato de sódio a 0,5% p/v acrescida de Tween 80** (polioxietilensorbitano mono-oleato) a 0,05% v/v (WORLDHEALTHORGANIZATION, 1984). O desinfetante B foi neutralizado com o caldo nutriente***, enriquecido com 5% de soro estéril de coelho, acrescido de 0,05% v/v de Tween 80. No momento do uso o soro foi inativado por 30 minutos a 56ºC positivos. Os desinfetantes foram diluídos em água colhida de fonte, não tratada, bidestilada em equipamento de vidro, autoclavada a 120ºC por 15 minutos e armazenada sob temperatura de refrigeração.
Oensaio foi realizado em duas etapas, contemplando dez repetições cada. De acordo com a origem do inóculo, cada ensaio experimental avaliou, simultaneamente, os dois desinfetantes indicados, frente a um grupo controle, no qual o produto químico foi substituído pelo placebo (solução salina esterilizada); além destes grupos, houve também, um controle da matéria orgânica, onde a mesma foi substituída por solução salina esterilizada.
O inóculo utilizado na primeira etapa foi obtido de hamsters inoculados intraperitonealmente com 0,5mL de uma suspensão deM.bovis (AN-5) na diluição de 0,05g (peso úmido), em 25mL de solução salina com 0,05% de Tween 80. Estes animais foram sacrificados aos 30 dias pós-inoculação e os seus órgãos (fígado, baçoe pulmão) foram retirados epreparados conforme descrito por FERREIRA NETO et al(1994) de modo a ser obtida uma suspensão a 1:10 (peso/volume) em solução salina estéril.
O inóculo utilizado na segunda etapa foi representado por uma suspensão de M.bovis (AN-5) a 0,06g/ %(peso úmido) obtida raspando-se 0,06g de colônias da superfície do meio de Petragnani e adicionando-se lOOmL de salina com 0,05% de Tween 80. Estas colônias foram mantidas por repiques sucessivos em tubos com meio de Petragnani incubados em temperatura de 37ºC, com 30 a 32 dias de cultivo. Estas proporções foram determinadas para que as contagens finais nos controles fossem ajustadas na faixa de 300 a 400 U.F.C.
Sobre o papel de filtro, anteriormente referido, foram colocados 4 mL do respectivo inóculo os quais foram espalhados uniformemente por toda a área exposta. A seguir, distribuiu-se a matéria orgânica (0,5 g de fezes) com o auxílio de uma espátula estéril, sob condições usuais de assepsia, por toda a superfície da placa de Petri. Após a aplicação do inóculo e da matéria orgânica, ou do placebo, as placas foram armazenadas em câmaras climáticas calibradas para as respectivas faixas de temperatura testadas (4 a 8"C ou 28 a 30"C) durante 30 minutos. Uma vez concluído este período de contato, aplicou-se 4 mL do correspondente desinfetante na concentração anteriormente citada.
O período de atuação dos desinfetantes foi de 60 minutos. A seguir, em cada carreador, foram recortadas três amostras circulares com dois cm de diâmetro as quais foram maceradas em graal com pistilo (estéreis) e 10 mL da respectiva solução neutralizante. Após filtragem imediata em gaze. estéril, foi realizada uma nova diluição de razão 10, com a mesma solução neutralizante. Esta suspensão foi então centrifugada a 1000 G, durante 20 minutos e o sedimento foi ressuspenso em 2 mL de solução salina estéril e semeado em cinco tubos com o meio de cultivo de Petragnani. O volume de inóculo por tubo de meio de cultivo foi de 0,12 mL.
Os meios de cultura inoculados em cada etapa foram incubados horizontalmente a 37ºC por uma semana, até a secagem da porção líquida. Transcorrido este período, os tubos tiveram suas tampas de algodão queimadas em bico de Bunsen e foram fechados com rolhas de cortiça queimadas nomesmo momento; em seguida, os tubos foram incubados em posição horizontal a 37ºC durante 32 dias, quando foram realizadas as leituras.
A quantificação das Unidades Formadoras de Colônias (U.F.C.) foi efetuada em uma área da superfície do meio de cultura, delimitada por seis centímetros lineares medidos a partir da extremidade inferior da superfície exposta do meio de cultivo e adotando os seguintes critérios: nenhuma U.F.C.: -; abaixo de 50 U.F.C.: (númerodecolôniasefetivamentecontadas); de 50 a 100 U.F.C.: 1+; de 101 a 200 U.F.C.: 2+; de 201 a 500 U.F.C.: 3+ (colônias quase confluentes); acima de 500 U.F.C.: 4+ (toda a superfície do meio tomada por colônias.
A análise düs resultados obtidos foi efetuada através do teste não paramétrico para comparação de duas popu1ações independentes: Teste U de Mann-Whitney (SIEGEL, 1975). O nível de significância adotado foi de 0,05.
RESULTADOS
Os resultados obtidos estão condensados nas tabelas 1 a 4 e gráficos 1 a 4.
As tabelas 1 a4relacionam as contagens de U.F.C. de M. bovis obtidas nasvárias unidades experimentais, transformadas em valores médios.
A observação das tabelas 1 e 2 demonstra que a variável matéria orgânica não influenciou as médias de U.F.C. obtidas, tanto nos grupos controle quanto naqueles que incluíram osdesinfetantes. As comparações das U.F.C. deM. bovis entre os grupos tratados e os respectivos controles apresentaram resultados estatisticamente significantes em todas as oportunidades; ressalte-se a marcante ação micobactericida do produto B, nos ensaios realizados à temperatura entre 28 e 30ºC. Para o produto A, as médias e os limites de confiança demonstraram uma tendência de maior efeito micobactericida nos ensaios conduzidos à temperatura de 4 a 8ºC.
As tabelas 3 e 4 apresentam os resultados dos ensaios realizados com a estirpe deM. bovismantida por repiques sucessivos em meio de cultura, merecendo destaque a inexistência de influência da variável matéria orgânica sobre a atividade micobactericida dos dois desinfetantes químicos ensaiados, exceto para o produtoA à temperatura de 4 a 8ºC (Tab. 3). Saliente-se, no entanto, que em valores absolutos há uma tendência de queda do poder micobactericida do produto A quando em presença de matéria orgânica.
Os gráficos de 1 a 4 apresentam os valores relacionados nas tabelas 1 a 4 após a transformação em percentuais de redução das contagens de U.F. C. e M. bovis em relação aos respectivos grupos controle para cada etapa experimental. O ponto de 70% foi considerado como o valor mínimo de ação micobactericida aceitável para um desinfetante químico de uso pecuário. Mediante este parâmetro, constata-se que o produto B revelou maior poder micobactericida que o produto A, particularmente quando os ensaios foram conduzidos em temperatura entre 28 e 30ºC. Também fica patente que a variabilidade dos resultados foi maior quando os ensaios foram conduzidos com as amostras provenientes dos órgãos de animais experimentalmente inoculados, sendo este efeito mais intenso para o hipoclorito de sódio.
A comparação cruzada do efeito da variável (origem do microrganismo teste) segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado é viável, uma vez que os resultados dos grupos controle, em ausência de desinfetante químico, foram estatisticamenteindistinguíveis nas duas etapas, com médias de U.F.C. de M. bovis situadas entre 315 a 355 (Tabs. 1 a 4). Tal análise demonstra a existência de significado estatístico em todos os ensaios realizados com o produto A, ou seja, a amostra originária de lesões de animais apresentou contagens mais elevadas que as obtidas com a amostra mantida em meio de cultura em todas as oportunidades (Tabs. 1 e 2 versus 3 e4). Noentanto, quandoomesmo tipo de raciocínio é aplicado parao produto B, encontrase ausência de significado estatístico apenas para os ensaios conduzidos à temperatura de 28 a 30ºC, onde todas ascontagens observadas apresentaram ausência de colônias de M. bovis (Tabs. 1 e 2 versus 3 e 4).
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Os resultados apresentados nas tabelas 1 e 2 demonstram a ação micobactericida dos desinfetantes químicos testados com a estirpe deM. bovis, oriunda de fragmentos de órgãos de hamsters experimentalmente infectados, tanto na presença quanto na ausência da matéria orgânica, sugerindo, entretanto, um melhor desempenho do produto B quando a temperatura esteve nafaixa de 28 a30ºC. Nas tabelas 3 e4, onde a estirpe teste não foi submetida à passagem por ànimais de laboratório, os dois produtos também revelam intensa atividade micobactericida, independentemente da interferência da matéria orgânica e das duas faixas de temperatura ensaiadas.
A observação das tabelas 1 a 4 demonstra que os dois produtos testados apresentaram resultados significantes quando comparados aos respectivos grupos controle, revelando que, tanto o produto clorado quantoa combinação dealdeídos e deamônia quaternária apresentam atividade micobactericida(BORICKetal.,1964; COSTIGAN, 1936; DYCHDALA, 1983; GORMAN et al., 1980; HUBER,1983; LINTON et al.,l987;PINHEIRO et al.,1992;RUBIN, 1983; VERA et al.,1985; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1984 e ZANON et al.,1973). Saliente-se, no entanto, que a despeito do produto B ser uma mistura de aldeídos com amônia quaternária admite-se que a responsabilidade pela sua ação micobactericida deva ser atribuída principalmente aos aldeídos, (BERGAN & LISTAD,1971b; SPAULDING,1967; WORLD HEALTHORGANIZATION, 1984).
A análise das tabelas 1 a 4 revela a inexistência de diferença significante quando da avaliação da interferência da matéria orgânica na atividade dos dois produtos químicos ensaiados exceto para o hipoclorito de sódio frente aoM. bovis mantido em meio de cultura. Este resultado confirma o obtido por PINHEIRO et al. (1992), com M.fortuitum, o qual apresentou significância para o produto A e ausência de significância para o produto B à temperatura de 4 a 8ºC. A influência negativa da matéria orgânica na atividade de hipoclorito de sódio já confirmada (GÉLINAS & GOULET, 1983: HEKMATI & BRADLEY, 1979 e SAKO et al. 1988) só ocorreu no presente estudo, nos ensaios conduzidos à temperatura de 4 a 8ºC, no entanto TILLEY (1942) afirmou que a influência da temperatura sobre a atividade bactericida dos desinfetantes pode variar de acordo com o tipo de desinfetante e com o microrganismo "teste".
A constatação de que o aumento da temperatura ocasiona um aumento da atividade bactericida dos produtos clorados (COSTIGAN, 1936; RUDOLPH & LEVINE, 1941 e DYCHDALA, 1983) discorda do observado no presente estudo pois houve menor poder micobactericida nos ensaios conduzidos à temperatura de 28 a 30ºC doquenaqueles executados na faixa de 4 a 8ºC (Tab. 2 versus 1), particularmente nas unidades experimentais que incluíram fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica. Saliente-se, contudo, que esta aparente contradição ao conceito já estabelecido pode er atribuída a alguma interferência não controlada do modelo experimental adotado, uma vez que no tratamento analisado houve uma unidade experimental prejudicada devido à contaminação (número 1) e outra com valor médio aberrante, 230 (número 3) o qual influenciou todo o conjunto de resultados obtidos.
Quando o produto A foi testado frente àestirpe deM. bovis originária dos órgãos de hamsters experimentalmente inoculados, nãohouve influência significante das variáveis matéria orgânica e temperatura; no entanto, os limites de confiança observados revelaram uma ação mais intensa deste produto quando a estirpe teste foi M. bovis mantida permanentemente em meio de cultura. Estas variações de resultados na dependência da estirpe de microrganismo teste confirmam as afirmações de ALLEN (1986) ;CHRISTENSEN etal.(1982); LIND et al (1986); MEIRELLES NETO & GONTIJO FILHO (1983); SAURÁT & LAUTIÉ(1960);TILLEY (1942) e WHITMORE & MINER (1976).
Com referência ao produto B, os resultados obtidos à temperatura de 4 a 8ºC reforçam a não interferência da matéria orgânica, o que concorda com GÉLINAS & GOULET (1983) e PINHEIRO et al. (1992). Entretanto, quando os limites de confiança das tabelas 1 e 3 são comparados, evidencia-se a superioridade do produto B quando a estirpe de M. bovis é a mantida em laboratório.
A observação do efeito da temperatura sobre o comportamento da estirpe animalizada tratada pelo produto A (Tab. 1 e 2) revela limites de confiança superponíveis demonstrando a ausência de significado estatístico; no entanto, para o produto B, constata-se a presença de uma marcante diferença para os ensaios conduzidos à temperatura de 28 a 30ºC . O encaminhamento do mesmo tipo de raciocínio para os resultados apresentados nas tabelas 3 e 4 (estirpe de meio de cultura) possibilita a constatação da ausência de diferença significante para os dois produtos estudados. POLIAKOV (1975) relatou a interferência do fator temperatura sobre a atividade dos desinfetantes químicos os quais, de um modo geral, apresentam diminuição de sua efetividade à temperatura de 0ºC e aumento da mesma, em temperaturas superiores a este valor. WHITMORE & MINER (1976) propuseram um teste padronizado para a avaliação de desinfetantes químicos em presença de matéria orgânica, no qual a temperatura ótima foi fixada em 25ºC.
A visualização dográfico 1 revela queos resultados observados ultrapassaram o limiar de 70% em todas as unidades experimentais parao produto B, o mesmo não ocorrendo para o produto A. Tal constatação sugere a realização de novos estudos, com quantidades variáveise crescentes de matéria orgânica como o executado por WHITMORE & MINER (1976) e CASTILLO GUERRERO et al. (1993), o que tornaria possível a melhor avaliação desta variável particularmente no relativo aos aldeídos.
O gráfico 2 representa os ensaios conduzidos à temperatura de 28 a 30ºC revelando a evidente superioridade deproduto Bem relação ao produto Ae, também, maior variabilidade de resultados para a atividade micobactericida do produto A na presença da matéria orgânica; este tipo decomportamento também foi encontrado por CASTILLO GUERRERO et al. (1993) nas concentrações limítrofes dohipoclorito de sódio.
Os gráficos 3 e 4 demonstram que os dois produtos testados apresentavam atividade micobactericidapróxima a 90%, reforçando a hipótese de que as amostras de micobactérias conservadas em meios de culturas são menos resistentes à ação de produtos químicos. Destaque-se contudo que, adespeitodagrande homogeneidade obtida, a presença de matéria orgânica continua adeterminar maior variabilidade no comportamento do hipoclorito de sódio, que talvez pudesse ficar mais evidente caso houvesse um incremento nas concentrações de matéria orgânica, como o executado por CASTILLOGUERRERO et al.(1993).
A despeito de não ter sido possível a demonstração qualitativa e quantitativa da localização intra ou extracelular das preparações deM. bovis, provenientes de tecido animal, a constatação de contagens homogêneas nos grupos controle subsidiou a pressuposição de queos espécimens provenientes de animais experimentalmente infectados foram mais resistentes aos desinfetantes testados doque as mesmas estirpes permanentemente conservadas em meios de cultura.
A despeito das micobactérias ambientais (M. fortuitum e M. smegmatis) apresentarem rápido crescimento em meios de cultura, o comportamento das mesmas em inoculações experimentais é muito irregular(GOOD, 1985; THOEN & HIMES, 1986); deste modo, a sua utilização como microrganismo "teste" nos ensaios de atividade micobactericida dos desinfetantes de uso pecuário (que objetivam combaterM. bovis) deve ser aceita com ressalva, como o proposto por BEST et al. (1990), recomendandose o seu uso apenas nos estudos preliminares, os quais deverão ser confirmados em ensaios que empreguem estirpes de M. bovis recém isoladas de tecido animal; no entanto, ressalte-se que o ensaio "10 vitro" proposto é um indicador que deverá ser confirmado por investigações a campo pois no presente estudo alguns fatores existentes em condições naturais não foram experimentalmente reproduzidos, destacando-se a alteração das características da matéria orgânica induzida pelo tratamento térmico adotado e a ausência damicrobiota competidora natural.
Médias aritméticas de unidades formadoras de colônias (U.F.C.) de M. bovis originário dos órgãos de hamsters experimentalmente inoculados, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 4 a 8ºC), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Percentagem de redução de unidades formadoras de colônias (U.F.C.) de M. bovis originário dos órgãos de hamsters experimentalmente inoculados, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 4 a 8°C), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Médias aritméticas de unidades formadoras de colônias (U.F.C.) de M. bovis originário dos órgãos de hamsters experimentalmente inoculados, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 28 a 30ºC), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Percentagem de redução de Unidades Formadoras de Colônias (U.F.C.) de M. bovis originário dos órgãos de hamsters experimentalmente inoculados, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 28 a 30ºC ), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Médias aritméticas de unidades formadoras de colônias (U.F.C.)de M. bovis originário de amostra mantida permanentemente em meio de cultura, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 4 a 8ºC), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Percentagem de redução de Unidades Formadoras de Colônias (U.F.C.) de M. bovis originário de amostra mantida permanentemente em meio de cultura, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 4 a 8ºC), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Médias aritméticas de unidades formadoras de colônias (U.F.C.) de M. bovis originário de amostra mantida permanentemente em meio de cultura, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 28 a 30ºC), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
Percentagem de redução de Unidades Formadoras de Colônias (U.F.C.) deM. bovis originário de amostra mantida permanentemente em meio de cultura, segundo o tipo de desinfetante químico ensaiado (temperatura entre 28 a 30ºC), a presença de fezes de bovinos como fonte de matéria orgânica e a unidade experimental. São Paulo - 1997.
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Parte Tese de Doutoramento defendida por PINHEIRO, S.R. junto à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo em 1994.
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Trabalho apresentado no CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINÁRIA, 23.0linda, PB, 1994.
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Trabalho executado com apoio financeiro da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pesssoal de Nível Superior (CAPES)
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MOSER LTDA.
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MERCK
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DIFCO
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A: hipoclorito de sódioB: aldeídos e amônia quaternária* ausência de matéria orgânica** presença de matéria orgânica
A: hipoclorito de sódioB: aldeídos e amônia quaternária* ausência de matéria orgânica** presença de matéria orgânica
A: hipoclorito de sódioB: aldeídos e amônia quaternária* ausência de matéria orgânica** presença de matéria orgânica
A: hipoclorito de sódioB: aldeídos e amônia quaternária* ausência de matéria orgânica** presença de matéria orgânica