RESUMO
Com a ocorrência do bicho cigarreiro Oiketicus geyeri, como praga de citros, na região de Bebedouro, SP, foram instalados ensaios, em safras agrícolas subsequentes (92 e 93), -com o objetivo de comparar a ação do inseticida biológico Bacillus thuringiensis (Agree) ao químico, no caso o Methidathion (Supracid 400 PM e Supracid 400 CE), muito utilizado em citros, sobre as populações desse inseto, na Fazenda São Paulo, município de Viradouro (SP). O cultivar utilizado foi 'Hamlin', com 4 anos (lQ ano) e 5 anos (2Q ano) de idade. A pulverização foi feita com motobomba (120 L de capacidade) munido de pistola com bico D6 e pressão de 300 lb/p9l2, utilizando-se volume de calda de 10 litros por planta. O B. thuringiensis foi utilizado nas doses de 40, 50 e 60 g p.c./100 L, o Methidathion CE a 100 mL p.c./100 L e Methidathion PM a 100 g p.c./100 L, comparados à testemunha, no primeiro ano; sendo no segundo ano, suprimida a dose de 40 g p.c./ 100 L de B. thuringiensis, acrescentando-se uma dose mais baixa de Methidathion (Supracid 400 CE a 75 mL p.c./100 L). Contou-se o número de indivíduos (lagartas) em 25 frutos e 10 ramos previamente marcados antes da pulverização e repetiu-se aconu, igem aos 5, lOe 15 dias após a pulverização (primeiro ano) e prévia, 5, 9, 14, 20e 27 dias após a pulverização (segundo ano). Concluiu-seque quanto menor o tamanho dos frutos à época do surgimento da praga, maiores serão os danos ocasionados aos frutos. Verificou-se queB. thuringiensis (50 e 60 g p.c./ 100 L), Methidathion CE (100 mL p.c./100 L) e Methidathion PM (100 g p.c./100 L) foram estatisticamente semelhantes nas avaliações realizadas, no primeiro ano, bem como mostraram bons percentuais de eficiência. No segundo ano observou-se resultados semelhantes, sendo o Methidathion CE a 75 mL p.c./100 L, pouco eficiente.
PALAVRAS-CHAVE:
Laranja; Oiketicus geyeri, methidathion; Bacillus thuringiensis,
ABSTRACT
With the generalised occurrence of Oiketicus geyeri (Lepidoptera: Psychidae) in the Bebedouro county, two tests in subsequent stations were carried out to observe the effect of biological productBacillus thuringiensis (Agree) on the pest, compared to the chemical insecticide Methidathion (Supracid 400 CE e Supracid 400 PM) in the control of this pest, in citrus orchard, in Viradouro county, São Paulo State. The 'hamlin' cultivar was used, with 4 and 5 years old. The experimental design was complete randomized block, with 6 treatments and 4 replicates. The treatments were: Bacillus thuringiensis (40; 50 and 60 g c. p./100 L water) compared to Methidathion CE (100mL c. p./100 L water); Methidathion PM (100 mL c. p./100 L water) and control in the first year. In the second year, theBacillus thuringiensis at 40 g p.c./100 L water was suppressed, changing to Methidathion CEat 75 mL p.c./100 L water. The evaluation was made by observing thenumberof insects alive in 25 fruits and 10 branches markeds and examined them if they present symptons of the pest. The results showed that B. thuringiensis (50 and 60 g c. p./100 L water) asso as Methidathion PM e Methidathion CE (100 g or mL c.p./100 L water) were efficient to contrai O. geyeri in citrus.
KEY WORDS:
Insecticides; Oiketicus geyeri, pest; orange.
INTRODUÇÃO
O Estado de São Paulo é o principal produtor de citros dentre os oito maiores estados produtores, respondendo por cerca de 80%.da produção nacional (IBGE, 1992). O município de Viradouro (SP), está inserido na principal região produtora do Estado e, consequentemente, do país (IEA, 1991). As plantas cítricas, geralmente são atacadas por pragas que exigem o seu controle, que quando não realizado, causam prejuízos elevados que podem chegar até 100 % da produção, segundo NAKANO et al. (1981).
O bicho cigarreiro Oiketicus geyeri (Berg, 1877) (Lepidoptera, Psychidae) embora sendo considerado uma praga esporádica nessa cultura (LIMA, 1945), tem em vários anos ocorrido em elevados índices nessa região, necessitando-se medidas para o seu controle. As fêmeas neotênicas são fecundadas nos próprios cestos (onde passam a vida toda em forma larval) pelos machos voadores e realizam a postura dentro dos cestos (cerca de 300 ovos) e após 15 a 20 dias eclodem as lagartinhas que abandonam o cesto e vão confeccionar novos cestos (GALLO et al.,1988). O período larval é de cerca de cinco meses. As larvas jovens espalham-se pela planta, fixando-se nos frutos novos (azeitona) alimentando-se de sua casca, dando origem a depressões que depreciam o fruto para mesa e podendo provocar até a queda do fruto. Depois de algumas semanas, as larvas passam para os ramos frutíferos onde alimentam-se de folhas novas e depois para os ramos verticais (Fig. 3). Após essa fase, fixam o cesto a um ramo, por sua parte mais dilatada, permanecendo de cabeça para baixo (Fig. 4). O estágio pupal dura de 35 a 42 dias, após o que emergem os adultos machos (as fêmeas continuam no casulo). A ocorrência desta praga tem sido observada em algumas propriedades da região de Bebedouro (SP), causando danos à cultura, e portanto, esses experimentos são importantes para observação de sua ocorrência e indicação de produtos eficientes no seu controle.
MATERIAL E MÉTODOS
Os experimentos foram realizados na Fazenda São Paulo, no município de Viradouro (SP), em um pomar de laranja 'Hamlin', de 4 anos de idade (no primeiro ano), com espaçamento de 6 x 7 m, na fase de frutos em tamanho "azeitona" no período de 4 a 18/12/1992 e 5 anos de idade (no segundo ano), no período de 10/11 a 7/12/1993, na fase de frutos "chumbinho" (mesmo pomar). Odelineamento estatístico utilizado foi o de blocos ao acaso com 6 tratamentos e 4 repetições sendo cada parcela constituída por 2 plantas. Os produtos e as dosagens utilizadas são apresentadas nas Tabelas 1 e 2.
Foi realizada apenas uma pulverização, em cada um dos ensaios, utilizando-se um pulverizador motorizado, de pressão constante (300 lbs/poF) munido de pistola com bico D6, utilizando-se um volume de calda de 10 litros por planta, no dia 4/12/1992 e 10/11/1993.
As avaliações foram realizadas previamente à pulverização e aos 5, 10 e 15 dias após (primeiro ano), e previamente, e aos 5, 9, 14, 20 e 27 dias após o tratamento (DAT), no segundo ano, contando-se o número de lagartas vivas (cestos) em 25 frutos e 10 ramos previamente marcados, por parcela.
Os resultados obtidos (somado número de lagartas nos frutos e ramos) foram transformados em x + 0,5, sendo então analisados através do teste F e de TUKEY. Os cálculos dos percentuais de eficiência foram efetuados pela fórmula de HENDERSON & TILTON (1955), citado por NAKANO et al.,1981.
Nomes comerciais, técnicos e dosagens do produto comercial utilizados no experimento emViradouro (SP) realizado no período de 4 a 18/12/1992.
Nomes comerciais, técnicos e dosagens do produto comercial utilizados no experimento em Viradouro (SP) realizado no período de 10/11 a 7/12/1993.
RESULTADOS
Conforme observado na Tabela 3, a infestação inicial do bicho cigarreiro estava relativamente alta e uniforme, com 1 casulo a cada 2 estruturas (fruto ou ramo.) Aos 5 DAT (dias após o tratamento) observou-se que apenas o B. thuringiensis a 600 g p.c/100 L, Methidathion 400 CE a 100 mL p.c/ 100 L e Methidathion 400 PM a 100 g p.c./100 L diferiram estatisticamente da testemunha e apresentaram percentuais de eficiência próxima à satisfatória.
Aos 10 DAT, o B. thuringiensis a 50 e 60 g p.c./100 L, Methidathion 400 CE a 100 mL p.c./ 100 L e Methidathion 400 PM a 100 g p.c./100 L apresentaram eficiência satisfatória e não diferiram estatisticamente entre si, mas foram significativamente diferentes da menor dosagem do B. thuringiensis e da testemunha. Aos 15 DAT todos os produtos foram significativamente semelhantes entre si, diferenciando-se apenas da testemunha.
Como houve uma redução gradual de casulos na testemunha (Fig. 1) , a dosagem de B. thuringiensis a 50 g p.c./100 L não propiciou uma eficiência satisfatória nesta avaliação. Esta redução é devido à tendência do bicho cigarreiro em subir nos galhos, com o crescimento do casulo, abandonando os frutos e ramos. Desta forma, o B. thuringiensis a partir de 50 g p.c./100 L, Methidathion 400 CE a 100 mL p.c./100 L e Methidathion 400 PM a 100 g p.c./100 L, controlaram eficientemente o bicho cigarreiro Oiketicus geyeri.
Na Tabela 4 estão os resultados do experimento do segundo ano, observando-se que eles são muito semelhantes aos obtidos no ano anterior, tendo-se diminuido a dose de Methidathion 400 CE para 75 mL p.c./100 L de água, e suprimido o B. thuringiensis a 40 g p.c./100 L, que não havia mostrado boa eficiência no ano anterior. Os tratamentos apresentaram eficiência de controle até aos 20 DAT, com exceção do Methidathion 400 CE para 75 mL p.c./100 L de água, o qual se não mostrou eficiente nesta dosagem, apesar de apresentar boa diferença populacional com relação ao tratamento testemunha (Fig. 2).
Número de casulos vivos (Nº) encontrados por tratamento no decorrer das avaliações realizadas aos 5, 10 e 15 dias após o tratamento (DAT). Teste de Tukey a 5% (t), e porcentagem de eficiência de controle (Ef). Viradouro (SP), 411? a 18/12/1992.
Número de casulos vivos (Nº) encontrados por tratamento no decorrer das avaliações realizadas aos 5, 10 e 15 dias após o tratamento (DAT); Teste de Tukey a 5 % (t), e Porcentagem de Eficiência de Controle (Ef). Viradouro (SP), 10/11 a 7/12/1993.
No segundo ano, o ataque do bicho cigarreiro Oiketicus geyeri foi mais prejudicial aos frutos, pois com o atraso da florada os frutos estavam menores, quando do surgimento da praga, que os devoravam praticamente inteiros (Fig. 3).
CONCLUSÕES
B. thuringiensis controlou eficientemente o bicho cigarreiro Oiketicus geyeri a partir de 50 g p.c./100 L. A dosagem de 60 g p.c./100 L propiciou maior porcentagem de eficiência em todas as avaliações. O Methidathion (400 CE) a 100 rnL p.c./100 L e o Methidathion (400 PM) a 100 g p.c./100 L também foram eficientes no controle do bicho cigarreiro, tanto no primeiro como no segundo ano.
Quanto menor o tamanho dos frutos na época do aparecimento da praga, maiores os danos ocasionados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- BRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGB). Anuário Estatistico do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 1992.
- GALLO, D.; NAKAN0, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.P.L.; BATISTA, G.C. de; BERTI F::LH0, E.; PAR..1<A, J.R.P.; ZUCHI, R.A.; ALVES, S. B. & VENDRAMIN, J.D. Manual de Entomologia Agrícola, Ed. Agr. Ceres, São Paulo, 531 p., 1988.
- NAKAN0, O.; SILVEIRA NETO, S. & ZUCHI, R.A. Entomologia Econômica; São Paulo, Livroceres, 1981, 314 p.
- LIMA, A.C. Insetos do Brasil, 5o. Tomo-Lepidópteros, la. parte. Escola Nacional de Agronomia, Série Didática no. 7, 1945.
- SÃO PAULO. Instituto de 3conomia Agrícola (IEA) Informações Econômicas. Previsão de safras: Listagem por produtos, São Paulo, v 21 n 12, Dezembro/ 1991.








