Open-access AGLUTININAS PÓS VACINAIS EM BOVINOS IMUNIZADOS COM BACTERINA TETRAVALENTE CONTRA A LEPTOSPIROSE. INFLUÊNCIA DE REAÇÕES PRÉ-VACINAIS, HOMÓLOGAS EHETERÓLOGAS*

POST VACCINAL AGGLUTININES IN CATTLE IMMUNIZED AGAINST LEPTOSPIROSIS WITH A TETRAVALENT BACTERIN.INFLUENCE OF HOMOLOGOUS AND HETEROLOGOUS PREVACCINAL RESPONSES

RESUMO

Dezoito bovinos machos, com 1,5 a dois anos de idade, mestiços, sem antecedentes clínicos ou de vacinação contra a leptospirose, foram vacinados com uma dose de bacterina anti leptospirose, com adjuvante de hidróxido de alumínio e contendo as variantes sorológicas: icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolffi, respectivamente nas proporções de 14,28; 28,57; 28,57 e 28,57% e nas concentrações de 9,2.107 ; 9,8.10 5; 1,8.107 e 13,2.107 bactérias /mL. Os animais foram subdivididos em três grupos de igual tamanho, identificados pelas letras A, B e C. O grupo A foi constituído por animais não reagentes para 22 variantes sorológicas de leptospiras patogênicas e duas de leptospiras saprófitas, o grupo B por animais com aglutininas pré-vacinais para as variantes sorológicas hardjo e wolffi e o grupo C por animais com aglutininas pré-vacinais para a variante grippothyphosa. As colheitas de sangue foram executadas no ato da vacinação e aos sete; 15; 30; 45; 60; 75 e 90 dias pós-vacinação. A pesquisa de aglutininas foi efetuada através da microtécnica de soroaglutinação microscópica com antígenos vivos. Os exames efetuados após a vacinação foram realizados com as variantes bratislava, grippotyphosa, icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolffi. O grupo A apresentou as maiores concentrações de aglutininas aos 15 dias da vacinação. As colheitas subseqüentes revelaram níveis decrescentes para as diferentes variantes sorológicas, no entanto com a icterohaemorrhagiae (menor concentração na composição da vacina) os animais já foram classificados como não reagentes aos 60 dias da vacinação. Para as outras variantes ainda houve reações aos 90 dias pós vacinação. Também foram observadas reações com a variante sorológica bratislava, não incluída na vacina. O grupo B apresentou reações com a variante sorológica bratislava (não incluída na vacina) e com as variantes presentes na vacina, destas, com icterohaemorrhagiae e pomona os perfis foram semelhantes aos observados no grupo A; no entanto com hardjo e wolffi a magnitude das reações foi superior à verificada no grupo A. O grupo C não apresentou reações para a variante bratislava, porém foram observadas reações com as quatro variantes incluídas na vacina e,a partir do sétimo dia da vacinação, o perfil obtido com a variante grippotyphosa foi decrescente. Durante todo o período experimental os animais não apresentaram qualquer alteração clínica, sugestiva de leptospirose. Os resultados do teste de potência da bacterina em hamsters, desafiados apenas com a variante sorológica pomona; foram 100% de proteção contra a doença e 90% de proteção contra a infecção renal.

PALAVRAS-CHAVE:
Leptospirose; bovinos; aglutininas; vacinas; diagnóstico.

ABSTRACT

Eighteen cross-breed male cattle, with 18 to 24 months of age, with no history of clinical leptospirosis or vaccination against this disease, were vaccinated with an experimental inactivated tetravalent vaccine, produced with the serovars icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo and wolffi, in amounts respectively of 14.28; 28.57; 28.57 and 28.57%. The concentration of each serovar in the isolated cultures were respectively 9.2x107; 9.8x 105 ; 1.8xl 07 and 13.2x l 07 leptospires/m L. The animals were divided in three groups: A,B,C ( n=6). Group A animals with no reaction in the microscopic agglutinantion technic (MAT) with 22 serovars of pathogenic leptospires and two serovars of nonpathogenic leptospires. Group B, animals with pre-immunizing agglutinines against the serovars hardjo and wolffi. Group C, animals with pre-immunizing agglutinines against the serovar grippotyphosa, not included in the vaccine. The blood collections were performed at the moment of vaccination and at the seventh,15th,30th,45th,60thand 90thpost-vaccination day (pvd). The antibodies were measured by the MAT against live antigens of the serovars bratislava, grippotyphosa, icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo and wolffi. Group A presented higher levels of agglutinines at the 15th (pvd) but after this the antibodies showed decreasing levels with de other six serovars. At the 60th pvd the animals were classified as no reactors. with the serovar icterohaemorrhagiae (lower concentration in the vaccine), but with the other vaccinal serovars there were reactions untill the 90th (pvd). Crossed reactions with serovar bratistava, not included in the vaccine, were found between seventh and 90th (pvd) with higher levels at the 30rd (pvd). Group B presented results, similar to group A with the serovars bratislava, icterohaemorrhagiae and pomona, but with the serovars hardjo and wolffi, the agglutiriines reached levels higher than that found in group A, but with no statistical significance. Group Chave no reactors with the serovar bratislava, but there were some with the others. The agglutinines with the serovar grippotyphosa presented decreasing levels after the seventh (pvd). During the whole experiment the animals had no clinical signs of leptospirosis. The results of the potency test in hamsters, challenged, only, with the serovar pomona were 100% of protection against clinical disease and 90% of protection against kidney infection.

KEY WORDS:
Leptospirosis; cattle; vaccine; agglutinines; diagnosis.

INTRODUÇÃO

A prova de soroaglutinação microscópica com antígenos vivos (SAM) é o procedimento laboratorial usualmente, empregado para o diagnóstico da leptospirose animal (FAINE, 1982; GALTON et al., 1965; SANTA ROSA, 1970); no entanto, o poder descriminador deste teste pode ser comprometido em rebanhos que adotem a imunização sistemática contra a doença (BRIHUEGA & HUTTER, 1995; DIESCH, 1989; HANSON etal.,1972; MADRUGA, etal.,1983. STALHEIM; et al.,1971; STRINGFELLOW et al.,1983; TRIPHATY et al.,1976).

Para que as vacinas atendam às exigências do teste de desafio (UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE AND PLANT HEALTH INSPECTION SERVICE, 1977) sem interferir com os resultados das reações diagnósticas é necessário que se procure o ajuste das suas concentrações antigênicas (BEY & JOHNSON, 1986) e que se estabeleça um critério especial para a interpretação do exame de animais vacinados (HANSON et al.,1972; HANSON, 1977).

STRINGFELLOW et al. (1983) verificaram que em bovinos livres de reações pré-vacinais e submetidos a duas aplicações, de uma bacterina comercial anti-leptospirose houve a persistência de aglutininas pós vacinais por até 95 dias da última vacinação; no entanto, nos animais que apresentavam reações pré-vacinais para a variante sorológica hardjo, houve respostas por até 203 dias. Salientese, contudo, que não foi analisada a hipótese da interferência de anticorpos pré-vacinais com yariantes não inlcluídas na vacina, bem como a possível existência de respostas pós-vacinais com variantes não incluídas na vacina.

SANDFORD & MORRIS (1990) analisaram a resposta pós vacinal de suínos tratados com uma bacterina pentavalente, constituída pelas variantes canicola, grippotyphosa, icterohaemorrhagiaee, pomona e hardjo e constataram aglutininas pósvacinais com a variante bratislava, não incluída na vacina. Talvez este tipo de interferência também venha a ocorrer em outras espécies animais.

Quando a reação de SAM é empregada para o diagnóstico da leptospirose animal adotando-se adiluição inicial dos soros de 1:100 (FAINE, 1982; SANTA ROSA, 1970), espera-se que aos 60 a 90 dias da vacinação os animais comportem-se como não reatores (BABUDIERI et al.,1973; BEY & JOHNSON, 1986; FAINE, 1982; FLINT & LIARDET, 1989; HANSON et al.,1972; HANSON, 1977; RIS & HAMOL, 1979), no entanto estes critérios não estão totalmente consolidados (BRIHUEGA & HUTTER, 1995; DIESCH, 1989; HANSON et al.,1972; STALHEIM, 1971; TRIPHATY, et al.,1976) e é possível que exposições prévias a antígenos homólogos ou heterólogos ocasionem interferências adicionais (BEY & JOHNSON, 1986; HANSON et al.,1972; SANDFORD & MORRIS, 1990).

O presente trabalho analisou os níveis de aglutininas pós-vacinais de bovinos tratados com uma bacterina experimental anti-leptospirose, preparada com adjuvante de hidróxido de alumínio e constituída das variantes sorológicas, icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolf.fi; considerou a influência de aglutininas pré-existentes para as variantes hardjo, wolf.fi (presentes na.vacina), grippothyposa (não incluída na vacina) e executou o teste de potência da bacterina em hamsters desafiados apenas com a variante pomona.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 18 bovinos machos com 18 a 24 meses de idade, mestiços, sem antecedentes clínicos ou de vacinação prévia contra a leptospirose, mantidos em regime de criação semi extensiva. O teste de potência foi efetuado em hamsters machos, com 80 a 120 gramas de peso vivo incluindo: dez animais vacinados e dez controles não vacinados. A titulação do inóculo de desafio utilizou outros 25 hamsters, com as mesmas características.

A partir dos resultados da primeira colheita de sangue (momento da vacinação), os animais foram subdividos em três grupos de igual tamanho. O grupo A foi constituído por indivíduos não reatores para 24 variantes sorológicas de leptóspiras; o grupo B por animais que apresentavam aglutininas para as variantes hardjo e wolffi com títulos situados entre 100 a 1600 e o grupo C por animais que reagiram com a variante grippotyphosa com títulos de 400 a 800.

O imunógeno foi uma bacterina experimental tetravalente, produzida em meio de cultivo de EMJH*, inativada pelo formol e acrescida de adjuvante de hidróxido de alumínio, na concentração final de 20,0%. As variantes sorológicas empregadas, foram gentilmente cedidas pelo Prof. Dr. Paulo H. Yasuda do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. As.concentrações de microrganismos por variante foram de 9,2.10 7; 9,8.105 ; 1,8.107 e 13,2.107, respectivamente, para icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolffi. O produto final incluiu volumes iguais das variantes pomona; hardjo e wolffi (28,57% por variante) e 14,28% da variante icterohaemorrhagiae.

O Teste de Potência da vacina foi executado conforme a metodologia preconizada pelo Ministério da Agricultura dos Estados Unidos da América (UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRILCULTURE ANIMAL AND PLANT HEALTH INSPECTION SERVICE, 1977), na qual a vacina é avaliada em hamsters imunizados com o imunógeno diluído a 1:800 da dose de bovinos. Além dos critérios de interpretação do teste, também foi introduzido o controle da infecção renal realizando-se cultivos em meio de Fletcher* dos animais que resistiram ao desafio e foram sacrificados aos 21 dias da infecção. O desafio foi efetivado com uma estirpe da variante sorológica pomona, tipificada pela prova de absorção de aglutininas (SANTA ROSA, 1970) e conservada em nitrogênio líquido. A diluição do inóculo de desafio foi a de 10_-3. Cada animal foi desafiado com 0,2 mL de cultivo virulento aplicado pela via intraperitonial. A DL50 deste inóculo, em hamsters, foi > 10-5 .

Os bovinos receberam individualmente uma única dose de cinco mililitros de vacina experimental, pela via subcutânea. Foram realizadas oito colheitas de sangue com o seguinte cronograma: momento davacinação, sete, 15, 30, 45, 60, 75 e 90 dias da vacinação. As alíquotas de soro foram congeladas a 20º C negativos até o momento do exame.

A microtécnica de soroaglutinação microscópica foi executada como preconizado por GALTON et al. (1965) com uma coleção de antígenos vivos constituída por 22 variantes sorológicas de leptospiras patogências (australis, brastislava, autumnallis, butembo, castellonis, bataviae, canicola, whitcombi, cinoptery, grippotyphosa, hebdomadis, copenhageni, icterohaemorrhagiae, javanica, panama, pomona, pyrogenes, hardjo, wolffi, shermani, tarassovi e sentot) e duas de leptospiras saprófitas (andamana e patoc). Os soros foram triados, na diluição de 1:100 e posteriormente titulados com as variantes reatoras em diluições geométricas de razão dois.

Os cultivos foram realizados em meio de Fletcher* com incubação à temperatura de 28 a 30ºC positivos e observação durante seis semanas, SANTA ROSA (1970).

As contagens de leptospiras foram efetuadas a partir do exame de um volume de 10 microlitros dos cultivos, em uma área delimitada por uma lamínula de 22 x 22 mm. Os exames foram realizados em microscopia de campo escuro, com o aumento de 200 vezes. A média aritmética das contagens de cinco campos microscópicos foi corrigida para o volume de um mililitro FAINE (1982).

A análise de variância das médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas entre os grupos experimentais foi efetuada através do programa Graph Pad Instat.

RESULTADOS

Os títulos das reações de SAM foram analisa dos segundo o grupo experimental; a variante sorológica reatora e o momento pós-vacinação em que foi efetuada a colheita de sangue. As médias aritméticas dos logaritmos dos títulos de aglutininas são apresentadas nas Tabelas de 1 a 3, e nos Gráficos de 1 a 6, onde os três grupos experimentais são cotejados simultaneamente. Os resultados da análise de variância das médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas, entre os grupos experimentais e por variante sorológica são apresentados nas Tabelas de 4 a 9.

O Gráfico 1, revela que, no dia da vacinação os animais do grupo C, já apresentavam um título médio pré-vacinai superior a 2,803 para a variante grippotyphosa, não incluída na vacina, e que durante o transcorrer da investigação o perfil de aglutininas apresentou valores médios decrescentes. No entanto, aos 90 dias da investigação ainda foi observada a média aritmética de 1,785. Para os animais do grupo B a média aritmética dos logarítmos dos títulos de aglutininas apresentou valores baixos e com tendência decrescente entre o 15º e o 90º dia da vacinação. Quanto ao grupo A, só houve reações no sétimo dia pós-vacinação com média aritmética de 0,383. Durante todo o período experimental os grupos A e B não apresentaram diferenças significativas. O grupo C só foi estatisticamente idêntico aos demais no 45º dia pós-vacinação.

O Gráfico 2, apresenta os resultados observados com a variante bratislava, não incluída navacina. Constata-se a ausência de reações para este sorotipo nos animais do grupo C e um perfil muito semelhante para os animais dos grupos A e B, com níveis crescentes nos primeiros 30 dias e decrescentes nas colheitas subsequentes. No entanto só houve diferença significante entre os grupos A e B na colheita realizada no sétimo dia pós-vacinação. O Gráfico 3, ilustra as reações obtidas com a variantepomona, incluída na formulação da vacina experimental, na proporção de 28,57% e na concentração de 9,8.105 bactérias por mililitro. Verifica-se que os três grupos experimentais passaram a apresentar reações a partir do sétimo dia pós-vacinação. O grupo A apresentou níveis mais elevados que os demais, com pico aos 15 dias da vacinação e com valores decrescentes nas colheitas subseqüentes. Aos 90 dias da vacinação a média aritmética dos logaritmos dos títulos dos animais do grupo A foi de 1,969. Houve diferenças significativas entre os grupos A e C no período compreendido entre o 15º e o 60º dia pós-vacinação. No 45º pós vacinação, os três grupos experimentais apresentaram títulos de aglutininas estatiscarnente diferenciados.

O Gráfico 4, reúne os resultados obtidos com a variante icterohaemorrhagiae, incluída na bacterina na proporção de 14,28% e na concentração de 9,2.107 bactérias por mililitro. Constata-se que as médias aritméticas dos logaritmos dos títulos dos animais dos grupos B e C foram superiores às obtidas com o grupo A e que entre o sétimo e o 30º dia da vacinação os valores médios apresentados pelo animais do grupo C foram superiores aos demais; no entanto, estas diferenças foram destituídas de significado estatístico ao nível de significância adotado. Aos 90 dias da vacinação os três grupos experimentais foram caracterizados corno não reatores.

O Gráfico 5, refere-se às médias aritméticas dos logaritmos dos títulos obtidos com a variante wol.ffi, presente na vacina na proporção de 28,57% e na concentração de 13,2.107 bactérias por mililitro. Verifica-se um perfil com níveis crescentes nos primeiros 30 dias pós-vacinação e decrescentes na etapa subseqüente. A despeito do grupo B possuir aglutininas pré-vacinais para esta variante, a partir do sétimo dia pós-vacinai, os três grupos passaram apresentar valores médios com diferenças destituídas de significado estatístico. Aos 90 dias da vacinação, os três grupos ainda apresentavam valores médios superiores a 1,685.

O Gráfico 6, destaca as reações obtidas com o sorotipo hardjo, incluído na vacina na proporção de 28,57% e na concentração de 1,8. 10: bactérias por mililitro. Há valores crescentes nos 15 dias que sucedem à vacinação e urna tendência de declínio nos exames subseqüentes. A despeito dos valores absolutos obtidos com o grupo B terem sido superiores aos demais só houve significado estatístico para a colheita realizada no 30º dia pós-vacinação. Aos 90 dias da vacinação as médias aritméticas dos logaritmos dos títulos foram iguais ou superiores 2,269.

O teste de potência da bacterina experimental em hamster teve como resultado a proteção dos dez animais vacinados e o óbito, por leptospirose, dos dez animais controles. Aos 21 dias do desafio os dez hamsters protegidos pela vacina foram sacrificados e obteve-se cultivo de tecido renal positivo em apenas um animal

DISCUSSÃO

Os elementos destacados no Gráfico 1 revelam que as reações com a variante sorológica grippotyphosa foram, praticamente, restritas ao grupo C composto por animais que apresentavam reações pré-vacinais para esta variante. Admite-se que esta reatividade tenha sido decorrente de urna exposição natural, pois estes animais não haviam sido vacinados contra a leptospirose. Constata-se que os nívei de aglutininas para a variante grippotyphosa, não foram influenciados pela vacinação. O perfil apresentado com valores decrescentes sucessivos, sugere que neste espaço de tempo não devem ter ocorrido novas exposições com esta variante. No grupo B, constituído por animais com reações pré-vacinais para as variantes hardjo e woljfi, verifica-se que a vacinação provocou algumas reações cruzadas com a variante grippotyphosa (heterológa), não incluída na vacina, mas que, no entanto, esta interferência foi muito menos intensa no grupo A, livre da aglutininas prévacinais, do que no grupo B que já possuía-resposta pré-vacinai para os sorotipos hardjo e wol.ffi.

Os valores apresentados no Gráfico 2 indicam a ausência de reações cruzadas entre as variantes sorológicas bratislava e grippotyphosa (grupo C) mas demonstram a existência de uma parcela de reações cruzadas entre as variantes incluídas na vacina e a bratislava. Provavelmente esta reação deva ter ocorrido com as variantes hardjo ou wol.ffi, uma vez que as médias aritméticas dos logaritmos dos títulos foram mais elevadas com o grupo B composto por animais portadores de reações prévacinais para estas variantes. SANFORD & MORRIS (1990) encontraram resultados semelhantes em suínos.

No Gráfico 3, que reúne as informações relacionadas com a variante sorológica pomona, podee observar que as aglutininas pós-vacinais foram mr.1s intensas no grupo A indicando que os anticorpos pré-vacinais para as variantes hardjo ou wolffi (grupo B) e grippotyphosa (grupo C) parecem ter inibido a produção de aglutininas pósvacinais reveláveis pela variante pomona, sugerindo inclusive, que esta inibição tenha sido mais in-tensa aos 15 dias da vacinação.

No Gráfico 4, verifica-se a existência de uma parcela de reações cruzadas entre as variantes icterohaemorrhagiae e grippotyphosa (grupo C), e também entre hardjo m wolffi e icteroharmorrhagiae, (grupo B), porém em menor intensidade. Para o grupo A, as respostas apresentadas com a variante icterohaemorrhagiae foram de menor intensidade e duração do que as obtidas frente às outras variantes presentes na vacina. Como a variante icterohaemorrhagiae participou da formulação da vacina experimental em menor proporção que as demais, fica reforçada a idéia de que a concentração antigénica da vacina exerce grande influência nas aglutininas pós-vacinais.

Nos Gráficos 5 e 6 são apresentados, respectivamente, os resultados obtidos com as variantes hardjo e wolffi, duas componentes do sorogrupo sejroe. O efeito dos anticorpos pré-vacinais foi mais marcante nos exames realizados com a variante sorológica hardjo (Gráfico 6). Esta constatação permite que se avente a hipótese de que a exposição pré-vacinal tenha ocorrido com a variante hardjo e não com a wolffi e que a memória imunológica tenha sido mais específica, a despeito da concentração antigénica da variante wolffi na vacina experimental, ter sido mais elevada do que a encontrada para variante hardjo. Aos 90 dias da vacinação os animais ainda apresentaram títulos elevados ao teste de SAM.

Os altos títulos verificados aos 90 dias da vacinação para as variantes hardjo e wolffi, concordam com o encontrado por STRINGFELLOW et al. (1983) e talvez esta persistência não tenha sido conseqüência apenas das características aglutinogênicas ou da concentração dos antígenos presentes na vacina, mas pode, inclusive, ter sido decorrente do tipo de adjuvante empregado navacina (BEY & JOHNSON, 1986).

O conjunto dos resultados obtidos revelou que a presença de aglutininas pré-vacinais exerceu pequena influência no perfil de aglutininas pósvacinais obtidos com as variantes, hardjo, wolffi, e icterohaemorrhagiae, no entanto, houve uma redução significativa dos níveis de aglutininas pósvacinais para a variante pomona. As aglutininas prévacinais heterólogas (grippotyphosa), foram pouco afetadas pela vacinação. Foram registradas reações pós-vacinais, heterológas (bratislava), no grupo livre de reações pré-vacinais e no que apresentava reações pré-vacinais para as variantes hardjo e wolffi.

Os resultados do teste de potência em hamsters demonstraram que a proteção obtida para a variante sorológica pomona, foi muito elevada, particularmente devido a concentração do inóculo de desafio ter sido muito elevado. Destaque-se também, a marcante proteção obtida em termos de infecção renal, pois houve apenas um cultivo renal positivo entre os dez animais desafiados.

A análise simultânea dos resultados do teste de potência e do perfil de anticorpos obtidos com a variante sorológicapomona (Gráfico 3), indica que ajustes na concentração antigénica das bacterinas anti-leptospirose deverão possibilitar a obtenção de imunógenos eficientes e que determinem pouca interferência nos resultados dos testes diagnósticos. Nas condições do presente estudo, as concentrações dos antígenos pomona, hardjo e wolffi parecem ter sido excessivas; com relação à variante icterohaemorrhagiae, os resultados sorológicos foram promissores mas deverão ser confirmados com testes de potência específicos. Destaque-se inclusive que a despeito do método de contagem de leptospiras adotado no presente estudo não ser tão preciso quanto o da utilização de câmaras especiais (FAINE, 1982), os valores intrínsecos obtidos são comparáveis entre si, pois todos os cultivos foram submetidos à mesma metodologia.

Tabela 1
Médias aritméticas dos logaritmos dos títulos de aglutininas pós-vacinais, dos bovinos do grupo A*, vacinados com bacterina tetravalente anti-leptospirose, (icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolffi) segundo a variante sorológica empregada como antígeno (reação SAM)** e o dia pós-vacinação em que foi realizada a colheita de sangue. São Paulo, 1996.
Tabela 2
Médias aritméticas dos logaritmos dos títulos de aglutininas pós-vacinais, dos bovinos do grupo B*, vacinados com bacterina tetravalente antileptospirose, (icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolffi), segundo a variante sorológica empregada como antígeno (reação SAM)** e o dia pós-vacinação em que foi realizada a colheita de sangue. São Paulo, 1996.
Tabela 3
Médias aritméticas dos logaritmos dos títulos de aglutininas pós vacinais dos anirriais do grupo C*, vacinados com bacterina tetravalente contra a leptospirose, (icterohaemorrhagiae, pomona, hardjo e wolffi), segundo a variante sorológica empregada como antígeno (reação SAM)** e o dia pós-vacinação em que foi realizada a colheita de sangue. São Paulo, 1996.

Gráfico 1
Médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas anti grippotyphosa , segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais. São Paulo, 1997

Tabela 4
Valores de p resultantes da comparação dos logaritmos dos títulos pós vacinais anti grippotyphosa, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais comparados. São Paulo, 1997.

Gráfico 2
Médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas anti bratislava , segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais. São Paulo, 1997.

Tabela 5
Valores de p resultantes da comparação dos logaritmos dos títulos pós vacinais anti bratislava, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais comparados. São Paulo, 1997.

Gráfico 3
Médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas anti pomona, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais. São Paulo, 1997.

Tabela 6
Valores de p resultantes da comparação dos logaritmos dos títulos pós vacinais anti pomona, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais comparados. São Paulo, 1997+Al 10.

Gráfico 4
Médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas anti icterohaemorrhagiae, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais. São Paulo, 1997.

Tabela 7
Valores de p resultantes da comparação dos logaritmos dos títulos pós vacinais anti icterohaemorrhagiae, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais comparados. São Paulo, 1997+Al41.

Gráfico 5
Médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas anti wolffi, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais. São Paulo, 1997.

Tabela 8
Valores de p resultantes da comparação dos logaritmos dos títulos pós vacinais anti wolffi, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais comparados. São Paulo, l 997+A146.

Gráfico 6
Médias aritméticas dos logarítmos dos títulos de aglutininas anti hardjo, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais. São Paulo, 1997.

Tabela 9
Valores de p resultantes da comparação dos logaritmos dos títulos pós vacinais anti hardjo, segundo os dias após a vacinação e os grupos experimentais comparados. São Paulo, 1997.
  • *
    Trabalho apresentado no Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, 24., Goiânia, GO; realizado em parceria com o Laboratório Vallée.
  • *
    =DIFCO
  • *
    =DIFCO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jul-Dec 1997

Histórico

  • Recebido
    09 Set 1997
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