RESUMO
Foi avaliado o efeito da concentração de íons hidrogênio (pH) sobre Baculovirus anticarsia semi-purificado e formulado em óleo vegetal. Para acidificação ou alcalinização das preparações do patógeno foram utilizados, respectivamente, HCl ou NaOH, ambos 0,5 e 1,0 N. Após ajustadas, as preparações foram avaliadas em diferentes épocas (O e 23 dias) através da inoculação do microrganismo sobre dieta artificial que era fornecida a lagartas de Anticarsia gemmatalis com aproximadamente 1,3 cm de comprimento. As condições extremamente ácidas e alcalinas provocaram uma drástica redução da atividade do entomopatógeno, nas duas épocas estudadas.
PALAVRAS-CHAVE:
Baculovirus anticarsia, pH.
ABSTRACT
This experiment was conducted to evaluate the effect of pH on nuclear polyhedrosis virus of Anticarsia gemmatalis. The results showed that pH 1, 11 e 13 reduced the activity of the entomopathogen.
KEY WORDS:
Baculovirus anticarsia, pH.
INTRODUÇÃO
Diversos são os fatores que podem determinar a eficiência ou não de um agente microbiano de controle de pragas. O efeito do pH sobre a atividade dos diferentes grupos de entomopatógenos tem sido objeto de investigação por estudiosos de controle microbiano de insetos. Assim, ANDREWS & SIKOROWSKI (1973) observaram que o orvalho depositado sobre as folhas de algodão possui pH alcalino (8,2 a 9,1) e que a exposição de Baculovirus heliothis ao orvalho dessas folhas resultou na perda de atividade do vírus.
O pH do solo pode afetar a persistência de alguns vírus. Assim, THOMAS et al. (1973) encontraram que o vírus de poliedrose nuclear (VPN) de Trichoplusia ni foi inativado mais rapidamente em solos de pH baixo do que em solos aproximadamente neutros.
A concentração de ions hidrogênio também é importante para a estabilidade das formulações de vírus durante o armazenamento. Alguns autores têm observado que Baculovirus é inativado por valores extremos de acidez ou alcalinidade e sugerem que o pH de uma formulação deveria ser próximo ao da neutralidade (IGNOFFO & GARCIA, 1966; GUDAUSKAS & CANERDAY, 1968; HARPAZ & RACCAH, 1978).
Os primeiros estudos mostraram que a atividade do VPN de Heliothis não foi afetada significativamente quando em suspensões com pH 4, 7 e 9 mas o vírus foi praticamente inativado quando exposto a pH 1,2 e 12,4 (IGNOFFO & GARCIA, 1966). GUDAUSKAS & CANERDAY (1968) observaram significativa perda de atividade para o mesmo patógeno mantido em suspensões com pH 2 e 12 enquanto considerável eficiência foi encontrada na faixa de pH variando de 5 a 9.
Diante do pouco conhecimento da influência do pH sobre Baculovirus anticarsia e a importância desse patógeno no controle da lagarta da soja, Anticarsia gemmatalis, procurou-se contribuir para o estudo dessa interação.
MATERIAL E MÉTODOS
Suspensões de B. anticarsia semi-purificadas através de centrifugação diferencial, contendo 2,0 X 105 corpos de Inclusão Poliédrica (CIP)/ mL, tiveram o pH ajustado para valores que variaram de 1 a 13. Para acidificação ou alcalinização das suspensões foram utilizados, respectivamente, HCl ou NaOH, ambos 0,5 e 1,0N, obtendo-se os seguintes valores: 1, 3, 5, 7, 9, 11 e 13. Como testemunha foi utilizada água destilada (pH 6,47), completando-se oito tratamentos. Cada tratamento foi repetido quatro vezes e em cada uma das repetições foram utilizadas 15 lagartas de A. gemmatalis com aproximadamente 1,3 cm de comprimento.
Após o ajuste das suspensões, amostras de 5 mL do material preparado foram acondicionadas em frascos de vidro transparente (capacidade 8 mL), lacrados com tampa plástica e armazenados em condições ambiente (temperatura= 27±1ºC; UR = 65±2% e fotofase de 14 horas). Imediatamente após o preparo das suspensões e 23 dias após o armazenamento, 4 frascos de cada tratamento foram retirados ao acaso e o conteúdo diluído em água destilada e aplicado com pipeta automática sobre a superfície de dieta artificial desprovida de formal e contida em tubo de vidro (2,5 cm de diâmetro x 8,5 cm de altura). O patógeno foi aplicado na dose de 1,0 x 104 corpos de inclusão poliédrica/tubo de dieta. Decorrido o tempo necessário para secagem, as lagartas foram individualmente transferidas para os tubos e mantidas à temperatura de 25±1ºC ; UR de 65% e fotofase de 14 horas.
O experimento foi realizado de forma inteiramente casualizada num delineamento fatorial, confrontando-se os diferentes valores de pH e a época de avaliação. Os dados de mortalidade foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas através do teste de Tukey ao nível de 5% de significância.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As condições extremamente ácidas ou alcalinas provocaram uma drástica redução da atividade do patógeno (Tabela 1), principalmente considerandose que o efeito destrutivo ocorreu logo após o preparo dos materiais, quando a eficiência foi reduzida para apenas 10% de mortalidade de lagartas de A. gemmatalis (pH 1) e 5% (pH 13). Resultado similar foi obtido por NEISESS (1980), ao estudar o comportamento de preparações comerciais de B. thuringiensis na mesma faixa de pH. Para a suspensão com pH 11 observou-se uma redução significativa de 25% na mortalidade dos insetos após 23 dias. Os pHs 3, 5, 7 e 9 não afetaram a patogenicidade do vúus de poliedrose nuclear. Observações semelhantes foram apresentadas por IGNOFFO & GARCIA (1966) e GUDAUSKAS & CANERDAY (1968), indicando redução significativa de atividade para o VPN de Helicoverpa zea exposto a pH 1,2; 2,0; 12,0 e 12,4. Os autores também não observaram diferenças significativas de atividade para os valores de pH situados entre 4,0 e 9,0. Contudo, HARPAZ & RACCAH (1978) não detectaram efeito negativo sobre o VPN de S. littoralis na faixa de pH 2,0 a 10,0 mas s.omente no pH 12,0 com p , çda de 75% de infectividade.
Porcentagem de mortalidade deAnticarsia gemmatalis submetidas às suspensões deBaculovirus anticarsia com diferentes pH.
Segundo GUDAUSKAS & CANNERDAY (1968) e BULL (1976), o VPN de Heliothis pode ser inativado, lentamente, entre pH 9 - 10, dependendo do tempo de exposição, o que provavelmente pode explicar a redução de 25% na atividade do patógeno (pH 11) após 23 dias de armazenamento. Outras pesquisas têm indicado que a remoção do vírus da superfície de plantas de algodão pela lavagem com água, resultou em dissolução dos poliedros devido às condições alcalinas da suspensão formada (pH 9,8) (YOUNG & YEARIAN, 1974, 1977). Estudos preliminares em nossas condições têm demonstrado a influência negativa dos pH 3 e 11, após 12 horas, com a diminuição do número de poliedros (BATISTA et al., 1996). Neste trabalho foi possível concluir que o pl:I,,, extremamente alcalino ou ácido desativou rapid nte preparações de B. anticarsia na forma semi-purificada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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