Open-access CAPACIDADE REPRODUTIVA DE MUSCIDIFURAX UNIRAPTOR KOGAN & LEGNER (HYMENOPTERA: PTEROMALIDAE) EM PUPAS REFRIGERADAS DE MUSCA DOMESTICA L. (DIPTERA: MUSCIDAE)

REPRODUCTIVE CAPACITY OF MUSCIDIFURAX UNIRAPTOR KOGAN & LEGNER (HYMENOPTERA: PTEROMALIDAE) ON REFRIGERATED PUPAE OF MUSCA DOMESTICA L. (DIPTERA: MUSCIDAE)

RESUMO

Lotes de pupas de mosca-doméstica com dois e três dias de idade foram armazenados em geladeira (7 a 10ºC) por um a cinco dias, para verificar a influência desse processo na capacidade reprodutiva de Muscidifurax uniraptor Kogan & Legner (Hymenoptera: Pteromalidae). Após 24h em contato com as pupas (25 ± 1ºC, 70 ± 10% U.R., fotofase de 14 h), os parasitóides foram retirados. A mortalidade de pupas e a emergência de descendentes foram avaliadas após 30 dias. Desse modo, a refrigeração do hospedeiro não afetou a capacidade reprodutiva do parasitóide quando foram utilizadas pupas com três dias de idade. Pupas com dois dias de idade, armazenadas em geladeira por três, quatro ou cinco dias e as não armazenadas, foram tão adequadas quanto as pupas com três dias de idade para a reprodução de M uniraptor.

PALAVRAS-CHAVE:
Muscidifurax uniraptor, parasitóide pupal; Musca domestica, parasitismo; refrigeração.

ABSTRACT

House fly pupae (2 and 3 days old) were refrigerated at 7 to 10ºC. From 1 to 5 days these pupae were exposed, during a 24-hour period, to Muscidifurax uniraptor, in laboratory conditions (25 ± lºC; 70 ± 10% R.H.; 14 hourphotophase), to observe the influence ofthis process on the reproduction ofthe parasitoid. The mortality ofhouse fly pupae and the emergence ofparasitoids were evaluated 30 days later. The results have indicated that the refrigerated 3-day-old pupae did not affect the parasitoid reproductive capacity. Two-day-old pupae stored in the refrigerator for 3, 4 or 5 days and the nonstored ones were as suitable as 3-day-old pupae for the reproduction of M uniraptor.

KEY WORDS:
Muscidifurax uniraptor, pupal parasitoid; Musca domestica, parasitism; refrigeration.

INTRODUÇÃO

A fauna de artrópodes que ocorre em esterco consiste de centenas de espécies, das quais os dípteros nocivos correspondem a cerca de 5% (LEGNER & OLTON, 1970). Entre as espécies mais freqüentemente associadas ao esterco em granjas de aves poedeiras destaca-se a moscadoméstica, Musca domestica L. (COSTA, 1989; BRUNO et al., 1993).

Com relação ao controle biológico, os parasitóides e predadores que ocorrem em esterco são responsáveis por mais de 95% de redução na população de dípteros nocivos (LEGNER & OLTON, 1968), sendo que os parasitóides pupais são os principais organismos benéficos atuando no controle de dípteros err/ viários (AXTELL & ARENDS, 1990).

Muscidifurax uniraptorKogan & Legner, 1970, é um pteromalídeo de reprodução partenogenética telítoca, descrito com base em exemplares coletados em Porto Rico, em 1969 (KOGAN & LEGNER, 1970). No Brasil, foi relatado por BERTI FILHO et al. (1989) em aviários do Estado de São Paulo. Esse parasitóide atua, assim como as outras espécies do gênero, principalmente na superficie do esterco acumulado, parasitando pupas de dípteros sinantrópicos, entre eles a mosca-doméstica (LEGNER, 1977).

Em criações de laboratório, que visem a produção e posterior liberação de parasitóides, a produção diária de hospedeiros é essencial e a possibilidade de conservar esses hospedeiros em baixas temperaturas para uso posterior, sem perda da capacidade reprodutiva do parasitóide, é uma questão muito importante. Assim, em momentos em que se necessite aumentar a produção do parasitóide, os hospedeiros armazenados poderão ser utilizados.

Desse modo, o objetivo deste trabalho foi de verificar o efeito da refrigeração de pupas de mosca-doméstica, .com dois e três dias de idade, no parasitismo total e na produção de descendentes de M uniraptor.

MATERIAL E MÉTODOS

Para este trabalho foram utilizadas pupas com dois (24-48 h) e três dias (48-72 h) e parasitóides com um dia (0-24 h) de idade. Lotes de pupas foram armazenados em geladeira, com temperatura variando de 7 a 10ºC, valores suficientes para paralisar o desenvolvimento do hospedeiro, pois COSTA et al. (1997) verificaram que a temperatura base para pupas de M. domestica é de 12,2ºC.

Os tempos de armazenamento variaram de um a cinco dias, sendo que as pupas com dois e três dias, sem armazenamento, foram usadas como tratamento comparativo. O número de repetições foi dez, onde cada repetição consistiu de uma fêmea do parasitóidé confinada em um frasco de vidro de 10 mL, tampado com algodão e contendo 15 pupas de um determinado tratamento. Essas pupas, quando armazenadas, eram retiradas da geladeira aproximadamente meia hora antes do início do experimento para estabilizar a temperatura com ado ambiente, sendo então expostas ao parasitismo.

Após 24 hem contato com as pupas, nas condições de 25 ± 1ºC, 70 ± 10% de umidade relativa e 14h de fotofase, os parasitóides foram retirados, sendo que após a emergência da progênie (25 a 30 dias), foram avaliados os seguintes parâmetros: porcentagem de mortalidade corrigida (parasitismo total), número de pupas mortas parasitadas, porcentagem de emergência de descendentes e número de descendentes. A mortalidade natural variou de 0-4% nos diferentes tratamentos, servindo para o cálculo da mortalidade corrigida.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA), sendo as médias de cada tratamento comparadas entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O armazenamento do hospedeiro em temperaturas variando de 7 a 10ºC, por até cinco dias, não afetou a capacidade reprodutiva do parasitóide quando foram utilizadas pupas de mosca-doméstica com três dias de idade. As pupas com dois dias de idade que não foram armazenadas, foram parasitadas na mesma intensidade que as com três dias de idade. Contudo, quando o armazenamento foi por um e dois dias, principalmente de dois, os resultados foram inferiores. Pupas com dois dias de idade, armazenadas em geladeira por três, quatro ou cinco dias, foram tão adequadas para a reprodução de M. uniraptor quanto as pupas com três dias de idade (Tabela 1).

Esses resultados concordam com as observações de LEGNER (1969) citando que a refrigeração mantém os hospedeiros em um estado adequado para o desenvolvimento dos parasitóides e que, em espécies ectófagas solitárias como é o caso de M. uniraptor, somente uma fração do alimento disponível é utilizada.

É interessante notar que houve uma tendência da capacidade reprodutiva decrescer em pupas armazenadas por um a dois dias, em relação às não armazenadas em geladeira. No entanto, a partir do terceiro dia na geladeira, as pupas de mosca-doméstica foram ficando mais propícias ao desenvolvimento do parasitóide, retomando aos valores obtidos nas testemunhas (Tabela 1).

Tabela 1
Capacidade reprodutiva de fêmeas de M. umí·aptor em pupas de diferentes idades de M. domestica, armazenadas em baixas temperaturas (7 a 10ºC) por um a cinco dias. Temperatura de 25 ± 1ºC, umidade relativa de 70 ± 10% e fotofase de 14 h.

É necessário saber se, após o quinto dia na geladeira, os valores do desempenho do parasitóide irão seguir essa tendência. A variação na faixa de temperatura estudada também deve ser alvo de novas pesquisas. Dentro desse enfoque, ressaltam-se trabalhos como o de LEGNER (1979), que verificou que temperaturas superiores a 10ºC e mais de 21 dias de refrigeração concorreram para uma quitinização pupal e um desenvolvimento do hospedeiro de modo a tomálo inadequado ao parasitismo. Assim sendo, para esse autor, a refrigeração de pupas de mosca-doméstica por 21 dias à 10ºC não afetou a biomassa dos descendentes e nem a capacidade de destruição hospedeira de M. raptor, M. zaraptor e S. endius, apesar dos parasitóides preferirem pupas frescas, com 24-30 h.

Visando otimizar a multiplicação de parasitóides em laboratório, onde a produção de hospedeiros deve ser contínua, esses resultados demonstraram que as pupas de mosca-doméstica, principalmente as com três dias de idade, podem ser armazenadas em geladeira (7 a 10ºC) até cinco dias, para posterior uso em situação que possa exigir uma demanda de produção de hospedeiros maior que a que normalmente poderia ocorrer, com objetivo de aumentar rapidamente a produção de parasitóides.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1998

Histórico

  • Recebido
    12 Jan 1998
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