Open-access AVALIAÇÃO DE EXTRATOS VEGETAIS NO CONTROLE DE OPOGONA SACCHARIEM LABORATÓRIO

EVALUATION OF THE CONTROL OF OPOGONA SACCHARI (BOJER,1856) (LEPIDOPTERA: TINEIDAE) USING PLANT EXTRACTS IN LABORATORY CONDITIONS

RESUMO

O presente trabalho visa avaliar a atuação de extratos vegetais no controle da traça Opogona sacchari como uma alternativa ao controle químico, empregando-se extratos aquosos e acetônicos de 35 espécies vegetais, divididos em 2 ensaios com uma testemunha para cada um. Cada tratamento com 5 repetições, constou de 10 lagartas de 2º estádio alimentadas com discos de folhas de chuchu imersos em cada extrato por 5 segundos. As maiores taxas de mortalidade larval foram obtidas com os extratos de Annona squamosa, Ocimum basilicum, Dieffenbachia amoena, Ficus elastica, Cymbopogon citratus, Solanum americanum, Ruta graveolens e Rhododendron simsii. Os extratos abaixo relacionados interferiram no ciclo de desenvolvimento do inseto: Bauhinia variegata, Ocimum basilicum, Euphorbia heterophylla, Acacia sp., Cymbopogon citratus, Rhododendron simsii, Hibiscus rosa-sinensis, Allamanda cathartica, Tabebuia avellanedae, Euphorbia pulcherrima, Anthurium andreanum, Dieffenbachia amoena, Annona squamosa, Codiaeum variegatum, Andropogon bicornis, Cyperus rotundus, Baccharis trimera, Spathodea campanulata e Cassia occidentalis.

PALAVRAS-CHAVE:
Controle; extratos vegetais; Opogona sacchari.

ABSTRACT

This work was developed in order to evaluate plant extracts on the control of Opogona sacchari as an alternative to chemical control. Aqueous and acetonic extracts from 35 plant species divided in two groups with a control for each one were used. Each treatment, with five repetitions, had 10 secondinstar larvae fed with chayote disc leaves immersed in each extract for 5 seconds. Higher larval mortality rates were obstained with Annona squamosa, Ocimum basilicum, Dieffenbachia amoena, Ficus elastica, Cymbopogon citratus, Solanum americanum, Ruta graveolens and Rhododendron simsii. Extracts related below interferred with the development cycle of the insect: Bauhinia variegata, Ocimum basilicum, Euphorbia heterophylla, Acacia sp., Cymbopogon citratus, Rhododendron simsii, Hibiscus rosa-sinensis, Allamanda cathartica, Tabebuia avellanedae, Euphorbia pulcherrima, Anthurium andreanum, Dieffenbachia amoena, Annona squamosa, Codiaeum variegatum, Andropogon bicornis, Cyperus rotundus, Baccharis trimera, Spathodea campanulata and Cassia occidentalis.

KEY WORDS:
Control; vegetal extracts; Opogona sacchari.

INTRODUÇAO

A traça Opogona sacchari disseminou-se na década de 70 no Estado de São Paulo, ocorrendo na maioria dos bananais do Vale do Ribeira. BERGMANN et al. (1994) observaram infestações desta praga em cultiv_os de dracena, nesta mesma região, causando infestações em cerca de 80% das plantas. Observaram também a ocorrência desta praga em cultivos de Strelitzia reginae na região de Mogi das Cruzes, SP.

Trata-se de uma praga polífaga, nativa de zonas úmidastropicais e subtropicais da África. Vários autores observaram a presença de O. sacchari em diversas ornamentais e em diversos países (MOURIKIS & VASSILAINA-ALEXOPOULOU, 1981; D'AGUILAR & MARTINEZ, 1982; ROTUNDO & TREMBLAY, 1982 e PADRÓN & HERNANDEZ, 1984).

O controle químico de O. sacchari vem sendo efetuado por produtores dedracena utilizando-se grandes_ quantidades de produ os não específicos o que pode ocasionar a resistência da praga aos produtos, além de afetar a fauna benéfica da cultura.

A conciência cada vez maior em se utilizar produtos que venham controlar as pragas, melhorando a produtividade e ao mesmo tempo a proteção ao meio ambiente e à saúde humana, tem incentivado pesquisadores a desenvolverem trabalhos na tentativa de sintetizar novas molécula_s com características mais específicas e mais seletivas, como os inseticidas carbamatos e piretróides(DANTAS,. 1993).

A utilização dos inseticidas vegetais merece, portanto, destaque entre os métodos alternativos ao controle químico convencional, pelos aspectos de segurança e pela conservação do equilíbrio do agroecossistema. Além disso, a flora brasileira é muito rica em espécies d plantas que encerram substâncias químicas com atividades inseticida (FERRACINI, 1990). JACO SON (1958 e 1975) fez revisões de literatura sobte espécies vegetais cujos extratos demonstram aç o inseticida. CRAVEIRO et al. (1981) relataram na região nordeste do Brasil, algumas plantas com atividades inseticida. SIMMONDS et al. (1992) citam em suas revisões diversas famílias ·de· plantas que contêm compostos com atividade inseticida.

Para lepidópteros, diversos trabalhos foram efetuados para comprovar a atividade inseticida de espécies vegetais (LONDERSHAUSEN et al., 1991; KLOCKE et al.,1991; KOLE et al., 1992; WU et al., 1992; MORALLO-REJESUS-eral., 1992; HERMAWAN et al., 1993 e FARAG et al., 1994).

Trabalhos de pesquisa sobre vegetais com atividade inseticida são bastante freqüentes na literatura mundial, sendo porém, escassos no Brasil. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o controle da traça O. sacchari através de extratos vegetais.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido nas dependências do Laboratório de Entomologia Geral do Instituto Biológico, São Paulo, SP.

Para a obtenção dos extratos aquosos utilizou-se o método adotado por ROBERT (1976), onde partes frescas da planta foram maceradas em água destilada, separando-se a massa vegetal com um coador e obtendose o extrato aquoso que foi armazenado em frascos de vidro e congelado para utilização no ensaio.

A obtenção dos extratos acetônicos fQi baseada em CONSOLI et al. (1988) e SU (1977) que consistiu na trituração do material vegetal fresco com acetona em liquidificador. A massa em suspensão foi colocada em um becker e agitada com bastão de vidro, permanecendo nestas condições por 24 horas. Após este período, a massa foi separada do solvente por meio de filtragem. A parte líquida foi concentrada em um evaporador em temperatura de 50ºC, resultando o extrato bruto que foi diluído em água.

Cada repetição do ensaio constituiu-se de um copinho de polietileno com tampa, medindo 4,5cm de diâmetro e 5cm de altura, no qual foi colocado urrí disco de.folha de chuchu com o mesmo diâmetrp do copinho. O disco foi anteriormente mergulhado .no extrato vegetal pelo período de 5 segundos, e então, sobre o disco foram colocadas 10 lagartas de segundo estádio. Foram realizados 2 ensaios, sendo um com 17 e outro com 18 extratos e uma testemunha em cada um; para cada tratamento houve 5 repetições. Segue abaixo a relação dos vegetais utilizados:

A primeira avaliação foi feita 72 h após o tratamento e as lagartas que se encontravam vivas foram acondicionadas em placas de Petri descartáveis, medindo 9cm de diâmetro e 1cm de altura, com dieta artificial a base de feijão. Foram colocadas 5 lagartas por placa para acompanhamento do ciclo de desenvolvimento e avaliação da mortalidade e emergência de adultos.

ESPÉCIE_BOTÂNICA FAMÍLIA NOME POPULAR TIPO DE EXTRATO PARTE UTILIZADA ensaio 1 Ocimum basilicum Láoiatae aquoso_ folha Bidens pilosa Composita epicão preto aquoso folha Psidium guajava Myrtaceae goiabeira aquoso folha Euphorbia pulcherrima Euphorbiaceae bico-de-papagaio aquoso folha Ricinus communis Euphorbiaceae mamona aquoso folha Euphorbia milii Euphorbiaceae coroa-de-cristo aquoso folha Anthurium andreanum Araceae antúrio aquoso folha Dieffenbachia amoena Araceae comigo-ninguém-pode aquoso folha Annona squamosa Annonaceae pinha aquoso folha Tabebuia avellanedae Bignoniaceae ipê aquoso folha Persea americana Lauraceae abacateiro aquoso folha Bauhinia variegata Leguminosae unha-de-vaca aquoso folha Hibiscus rosa-sinensis Malvaceae hibisco aquoso folha Mangifera indica Anacardiaceae mangueira aquoso folha Ficus elastica Moraceae falsa-seringueira aquoso folha Allamanda cathartica Apocynaceae alamanda aquoso folha Ambrosia elatior Compositae losna aquoso folha ensaio 2 Rhododendron simsii Ericaceae azaléia aquoso folha Euphorbia heterophylla Euphorbiaceae amendoim-bravo acetónico folha Phyllanthus corcovadensis Euphorbiaceae quebra-pedra acetónico folha Codiaeum variegatum Euphorbiaceae crótona cetónico folha Acacia sp. Leguminosae acácia acetónico folha Cassia occidentalis Leguminosae cássia aquoso folha Phylodendron imbe Araceae filodendron aquoso folha Ruta graveolens Rutaceae arruda aquoso folha Cymbopogon citratus Gramineae erva-cidreira aquoso folha Andropogon bicornis Gramineae rabo-de-burro aquoso folha Bambusa vulgaris Gramineae bambu aquoso folha Solanum americanum Solanaceae maria-preta acetónico folha Spathodea campanulata Bignoniaceae bisnagueira aquoso folha Salvia splendens Labitae salvia aquoso folha Cyperus rotundus Cyperaceae tiririca acetónico rizoma Piper nigrum Piperaceae pimenta-do-reino acetónico semente Galinsoga parviflora Compositae botão-de-ouro aquoso folha Baccharis trimera Compositae carqueja aquoso folha

O delineamento estatístico foi inteiramente casualizado e os dados foram transformados em x+0,5 e submetidos ao teste F e Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS

O efeito dos extratos vegetais sobre as lagartas de O. sacchari e sobre o ciclo de desenvolvimento do inseto, juntamente com a porcentagem de redução encontram-se nas tabelas 1 e 2, para os ensaios 1 e 2 respectivamente.

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

Ensaio 1

Dentre os extratos avaliados para controle de lagartas de O. sacchari (Tabela 1), apenas quatro diferiram.estatisticamente da testemunha, sendo elas: O. basilicum com redução de 16,53%, D. amoena com 18,47%, A. squamosa com 22,65% e F. elastica com 24,70%. Apesar do extrato de F. elastica apresentar o melhor resultado, ainda é pouco significativo em termos de ação inseticida. SOLUNKE & DESHPANDE (1991) testaram o extrato aquoso de Ficus religiosa para controle de lagartas de Papilio demoleus, obtendo mortalidade de 85% depois de 72 h.

Tabela 1
Ensaio 1: Efeito de extratos vegetais sobre lagartas de Opogona sacchari e porcentagem de redução. (Red.1 ) São Paulo, SP. 1995.
Tabela 2
Ensaio 2: Efeito de extratos vegetais sobre lagartas de Opogona sacchari e porcentagem de redução (%Red.1 ) . São Paulo, SP. 1995.

Com relação ao número de pupas (Tabela 1), obtiveram-se resultados com os extratos de O. basilicum e B. variegata apresentando redução de 26,35% e de A. andreanum com redução de 26,61%. Segundo REGO FILHO et al. (1993) o extrato de O. basilicum foi eficiente contra a praga do tomate Scrobipalpuloides absoluta. O extrato de Annona squamosa mostrou os melhores resultados deste ensaio reduzindo o número de pupas em 52,82% e o número de adultos em 64,40%. Muitos trabalhos já foram realizados com o gênero Annona, e seus efeitos contra muitas pragas é comprovado. SAITO et al. (1989) realizaram pesquisas com A. squamosa, que se encontrava entre as trinta espécies vegetais testadas quanto à atividade inseticida. Os testes foram efetuados contra vários insetos, incluindo Spodoptera frugiperda, no qual o melhor resultado foi obtido com o extrato etanólico de frutos e semente de A. squamosa.OHSAWA et al. (1990) testaram extratos de 10 espécies da familia Annonaceae, sendo que a A. squamosa demonstrou efeitos ovicida e inseticida contra Plutella xylostella.OHSAWA et al. (1991) estudaram o efeito de compostos fitoquírnicos em A. squamosa e demonstraram ação inseticida e inibidora do crescimento de lagartas de segundo estádio de P. xylostella.LONDERSHAUSEN et al. (1991) utilizaram extratos de sementes de A. squamosa revelando propriedade inseticida contra P. xylostella.PATEL et al. (1993) testaram extrato de A. squamosa contra lagarta de segundo estádio de Amsacta moorei obtendo mortalidade em tomo de 90%.

Reduções significativas no número de adultos tarnbém foram obtidos com os extratos de T. avellanedae (56,20%), A. andreanum (52,40%) e H. rosa-sinensis (40%) (Tabela 1). DONGRE & RAHALKAR (1992) demonstraram os efeitos anti-alimentar e ovicida do extrato de H.sabdariffa L. contra Earias vittella. Dieffenbachia brasiliensis apresentou redução de 33,40% dos adultos de O. sacchari.SHAARAWY et al. (1992) avaliaram o efeito das folhas de D. picta e D. maculata entre outras espécies vegetais, contra lagartas de Spodoptera littoralis, sendo que o máximo de mortalidade foi obtido com D. maculata. O extrato de E. pulcherrina e E. milii reduziram em 32,40% e 28,40% respectivamente a emergência de adultos. MORE et al. (1989) testaram e estudaram os extratos aquosos e alcoólicos de 10 espécies do gênero Euphorbia contra lagartas de Spodoptera litura, demonstrando que 7 delas apresentaram resultados satisfatórios.

Ensaio 2

Neste ensaio, diferiram estatisticamente da testemunha os extratos de C. citratus com redução de 11,01%, Solanum americanum e R. graveolens com 13,35% e R. simsii com 33,48% (Tabela 2).

Em relação a redução no número de pupas (Tabela 2), os melhores resultados foram obtidos com os seguintes extratos: R. simsii (38,77%), C. citratus (31,06%), E. heterophyla e Acacia sp. com 23,23%. SHIN-FOON & YU-TONG (1993) estudaram a eficiência de 5 espécies de plantas contra lagartas de P. xylostella, constatando que R. simsii apresentou efeito anti-alimentar contra lagartas de terceiro estádio.

Quanto à redução no número de adultos (Tabela 4) os melhores resultados foram obtidos com E. heterophyla e C. citratus, ambas com 54,26% de redução. Outros extratos também reduziram o número de adultos, diferindo estatisticamente da testemunha: Cyperus rotundus (43,57%), C. variegatum (40,60%), C. occidentallis (35,45%) e S. campanulata (35,18%).

Através dos ensaios efetuados concluiu-se que: - As maiores taxas de mortalidade larval foram obtidas com os extratos A. squamosa, O. basilicum, D. brasiliensis, F. elastica, C. citratus, S. americanum, R. graveolens e R. molle.

Com relação ao ciclo de desenvolvimento houve redução no número de pupas para os seguintes extratos: A. squamosa, D. brasiliensis, R. molle, C. citratus, B. variegata, O. basilicum, A. andreanum, E. heterophylla e A. mimosa.

- Os extratos que reduziram o número de adultos emergidos foram: H. rosa-sinensis, A. cathartica, T. avellanedae, E. pulcherrima, A. andreanum, D. amoena, A. squamosa, C. variegatum, A. bicornis, C. rotundus, B. trimera, S. campanulata, C. occidentalis, E. heterophylla, A. mimosa, C. citratus e R. simsii.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1998

Histórico

  • Recebido
    25 Set 1997
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