Open-access FREQUÊNCIA DE ANTICORPOS ANTI-TOXOPLASMA GONDII EM PLANTÉIS DE SUÍNOS REPRODUTORES NO ESTADO DE SÃO PAULO, BRASIL

FREQUENCY OF ANTIBODIES FOR TOXOPIASMA GOND/1 IN REPRODUCER SWINE 1N THE STATE OF SÃO PAULO, BRAZIL

RESUMO

Os autores determinaram a frequência de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em suínos a partir de 249 amostras de soros, de fêmeas adultas, procedentes dos municípios de Pitangueiras, Cajamar, Itú, São Paulo, Jaguariúna, Baurú e Mogi-Guaçú, Estado de São Paulo. A técnica utilizada foi a reação de imunofluorescência indireta (RIFI) em diluições únicas de 1:16. Das 249 amostras de soros pesquisadas, 74 (29,72%) foram positivas e 175 (70,28%) negativas.

PALAVRAS-CHAVE:
Toxoplasma gondii, suínos; imunofluorescência indireta; freqüência de anticorpos.

ABSTRACT

The indirectimmunofluorescence test, in the single diluition of 1:16, was utilized to determine the frequency of antibodies to Toxoplasma gondii in reproducer swine from the state of São Paulo, Brazil. From 249 animal serum samples, 74 (29.72%) showed positive results and 175 (70.28%) were negative.

KEY WORDS:
Toxoplasma gondii, swine; indirect immunofluorencence; frequency of antibodies.

A infecção por Toxoplasma gondii em suínos pode ocorrer sob as formas sintomática e assintomática ou latente, sendo que a transmissão se verifica pelo consumo de alimentos contaminados por oocistos infectantes, por ingestão de roedores portadores da infecção ou por via transplacentária (AMARAL et al.,1978a).

Em porcas gestantes experimentalmente infectadas com T.gondii foram observados os seguintes sinais clínicos: hipertermia, anorexia, corrimento nasal, lacrimejamento, taquipnéia, prostação e aborto. Além dos casos de abortos também foram observados, à necrópsia, a presença de fetos mumificados. Entre os leitões que nasceram aparentemente normais foram observados níveis elevados de anticorpos (até 1:65.536) existindo, inclusive, uma associação entre esses títulos e aqueles de suas respectivas mães, no dia da necrópsia (VIDOTTO et al.,1987; VIDOTTO & COSTA,1987).

A toxoplasmose em suínos foi relatada pela primeira vez por FARREL et al. (1952), nos Estados Unidos, em um rebanho que apresentava elevada mortalidade em animais de diferentes faixas etárias. No Brasil, a primeira descrição dessa parasitose foi registrada por SILVA (1959) no Estado de Minas Gerais, que descreveu um caso espontâneo de toxoplasmose suína.

O primeiro isolamento de T.gondii em nosso país foi descrito por AMARAL & MACRUZ (1969), os quais isolaram 7 amostras a partir de 25 músculos diafragmáticos de suínos clinicamente sadios, abatidos em matadouros de São Paulo e destinados ao consumo humano.

Alguns estudos sorológicos realizados em animais provenientes do Estado de São Paulo (AMARAL et al., 1975;AMARAL et al.,1978b;ISHIZUKA, 1978; SANTOS et al.,1978;CORREA et a/.,1978) sugerem ser frequente a toxoplasmose na espécie suína. O presente trabalho teve a finalidade de determinar a frequência de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em plantéis reprodutores suínos, criados em granjas tecnificadas, no Estado de São Paulo.

O material constou de 249 amostras de soros, de fêmeas adultas, procedentes dos municípios de Pitangueiras, Cajamar, Itú, São Paulo, Jaguariúna, Bauru e Mogi-Guaçú. A detecção de anticorpos anti-Toxoplasma gondii foi obtida utilizando-se a reação de imunofluorescência indireta (RIFI) em diluições únicas de 1:16. O antígeno e o conjugado anti IgG suína (molécula total), marcado pelo isotiocianato de fluoresceína, foram produzidos segundo critérios empregados por CAMARGO, 1973.

Das 249 amostras de soros examinadas, 175 (70,28%) foram negativas e 74 (29,72%) positivas.

A Tabela 1 apresenta os resultados relativos à presença de anticorpos anti-T.gondii em soros de suínos dos sete municípios pesquisados.

Quando comparamos os nossos resultados com aqueles relatados em suínos no Estado de São Paulo, observamos que eles se assemelham aos consignados por AMARAL et al. (1975), AMARAL et al. (1978b), SANTOS et al. (1978), ISHIZUKA (1978) e CORREA et al. (1978), que encontraram 22,8%, 23,36%, 24,68%, 33% e 22,5%, respectivamente. Foram menores que os de VASCONCELOS et al. (1979) que relataram 46,94% entre os 409 suínos pesquisados, provavelmente por terem analisado soros de animais de diferentes faixas etárias (reprodutores, matrizes, "recria"e "acabamento").

Se ampliarmos para pesquisas realizadas em outros Estados do Brasil, os nossos resultados se assemelham aos descritos por SCHENK et al. (1976) e PASSOS et al. (1984) em suínos provenientes de Minas Gerais e os de VIDOTTO et al. (1986) no Paraná que apontaram, respectivamente, 29,9%, 33,4% e 34,6% de animais positivos. Foram maiores que os consignados por AMARAL et al. (1978a) em animais do Paraná, Santa Catarina, Ceará e Piauí (18,88%); NISHIKAWA et al. (1984), no Rio Grande do Sul (11,3%); WENTZ et al. (1986) em Santa Catarina (1,16%). Foram menores que o resultado assinalado por GUIMARÃES et al. (1992) que pesquisando 198 soros de suínos provenientes de Igarapé, Minas Gerais, obteve 90,4% de reagentes com títulos iguais ou maiores a 1:16. O alto indíce encontrado por GUIMARÃES (1992) foi atribuído à exposição dos suínos a fezes de gatos.

Tabela 1
Resultados obtidos pela reação de imunofluorescência indireta (RlFI) em 249 soros de suínos provenientes de 7 municípios do Estado de São Paulo, Brasil.

Por terem sido significativos os nossos resultados, sugerimos a adoção de medidas de prevenção para a infecção por T.gondii nos plantéis de suínos reprodutores pesquisados neste trabalho. Essas medidas incluiram principalmente a ausência de gatos e roedores nos locais de permanência e alimentação dos suínos e cuidados para que não houvessem também atos de canibalismo entre os animais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • AMARAL, V. do & MACRUZ, R. Toxoplasma gondii:isolamento de amostras a partir de diafragmas de suínos clinicamente sadios, abatidos em matadouros de São Paulo, Brasil. Biológico, São Paulo, v.36, n.1, p.47-54, 1969.
  • AMARAL, V. do; SANTOS, S.M.; REBOUÇAS, M.M. Estudos preliminares sobre a prevalência de anticorpos antitoxoplasma, por hemaglutinação, em soros de suínos provenientes dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, Brasil. Biológico, São Paulo, v.41, p.105-107, 1975.
  • AMARAL V. do; SANTOS, S.M.; REBOUÇAS, M.M. Considerações sobre a prevalência de anticorpos antitoxoplasma em soros de suínos provenientes dos Estados do Paraná, Santa Catarina, Ceará e Piauí, Brasil. Biológico, São Paulo, v.44, p.117-120, 1978a.
  • AMARAL, V. do; SANTOS, S.M.; BELLA NETO, J.; REBOUÇAS, M.M. Levantamento sorológico da toxoplasmose suína latente, em alguns municípios do Estado de São Paulo, Brasil. Biológico, São Paulo, v.44, p.155-158, 1978b.
  • CAMARGO, M.E. Introdução às técnicas de imunofluorencência. São Paulo, Instituto de Medicina Tropical, 1973 (Apostila).
  • CORREA, F.M.A.; SALATA, E.; OLIVEIRA, M.R. Toxoplasma gondii: diagnóstico pela imunofluorencência indireta em suínos no Estado de São Paulo, Brasil. Arq.Inst.Biol., São Paulo, v.45, n.4, p.209-212, 1978.
  • FARREL, R.L.; DOCTON, F.L.; CHAMBERLAIN, D.M.; COLE, C.R. Toxoplasmosis. I. Toxoplasma isolated from swine. Am. J. Vet. Res., v.13, n.47, p.181-185, 1952.
  • GUIMARÃES, A.M.; RIBEIRO, M.F.B.; LIMA, J.D.; ALMEIDA, T.M.B. Freqüência de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em suínos da raça Piau. Arq. Eras. Med. Vet. Zoot., v.44, n.1, p.69-71, 1992.
  • ISHIZUKA, M.M. Avaliação da frequência de reagentes ao Toxoplasma gondii pela prova de imunofluorencência indireta, em suínos de matadouro do município de São Paulo. Rev. Fac. Med. Vet. Zoot. Univ. São Paulo, v.15, n.2, p.151-154, 1978.
  • NISHIKAWA, H.; ARNONI, J.V.; RASSIER, D.S.S.; PIVATO, 1.; SILVA, S.S. Prevalência de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em animais domésticos no Rio Grande do Sul. In: ENCONTRO DE PESQUISAS VETERINÁRIAS, 1., 1984, Londrina, PR. Resumos. p.62.
  • PASSOS, L.M.F.; LIMA, J.D.; FIGUEIREDO, B.L. Freqüência de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em suínos abatidos em Belo Horizonte, Minas Gerais. Arq. Eras. Med. Vet. Zootec., v.36, n.6, p.649-657, 1984.
  • SANTOS, S.M.; AMARAL, V. do; REBOUÇAS, M.M. Prevalência de anticorpos antitoxoplasma, por hemaglutinação indireta, em soros de suínos provenientes de diferentes municípios do Estado de São Paulo, Brasil. Biológico, São Paulo, v.44, p.149-153, 1978.
  • SCHENK, M.A.M.; LIMA, J.D.; VIANA, F.C. Freqüência da toxoplasmose em suínos abatidos em Belo Horizonte, Minas Gerais. Arq. Esc. Vet. Univ. Fed. Minas Gerais, v.28, n.3, p.261-266, 1976.
  • SILVA, J.M.L. Sobre um caso de toxoplasmose espontânea em suínos. Arq. Esc. Sup. Vet. Univ. Rural Est. Minas Gerais, v.12, p.425-428, 1959.
  • VASCONCELOS, O.T.; COSTA, A.J.; ÁVILA, F.A. Aspectos epidemiológicos da infecção por Toxoplasma gondii em suínos. Cientifica, v.6, n.7, p.83-87, 1979.
  • VIDOTTO, O.; NAVARRO, I.T.; MOCO, C.A.; NISHIMURA, M.F.C.; PINCELLI, C.A. Prevalência de Toxoplasma gondii em suínos abatidos em matadouros no norte do Paraná. In: ENCONTRO DE PESQUISAS VETERINÁRIAS, 2., 1986, Londrina, PR. Resumos. p-.23.
  • VIDOTTO, O.; COSTA, A.J.; BALARIN, M.R.S.; ROCHA, M.A. Toxoplasmose experimental em porcas gestantes. I. Observações clínicas e hematológicas. Arq. Eras. Med. Vet. Zootec., v.39, n.4, p.623-639, 1987.
  • VIDOTTO, O. & COSTA, A.J. Toxoplasmose experimental em porcas gestantes. II. Parasitemia e resposta imunitária humoral. Arq. Eras. Med. Vet. Zootec., v.39, n.5, p.783-794, 1987.
  • WENTZ, J.S. & CHAPLIN, E. Prevalência de anticorpos para Toxoplasma gondii em soros de suínos pedigree em Santa Catarina. Pesq. Agropecu. Eras., v.21, n.4, p.441-443, 1986.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    01 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1998

Histórico

  • Recebido
    06 Fev 1998
location_on
Instituto Biológico Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 - Vila Mariana - São Paulo - SP, 04014-002 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: arquivos@biologico.sp.gov.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro