Open-access CONTROLE QUÍMICO DA PODRIDÃO PARDA (MONILINIA FRUCTICOLA) EM NECTARINA (PRUNUS PERSICA VAR. NUCIPERSICA)

CHEMICAL CONTROL OF THE BROWN ROT (MONILINIA FRUCTICOLA) ON NECTARINES (PRUNUS PERSICA VAR. NUCIPERSICA).

RESUMO

O presente trabalho teve o objetivo de analisar o efeito de diferentes fungicidas no controle da podridão parda da nectarina através de experimento realizado em plantas da variedade Rosalina. Os produtos, na ordem seqüencial das aplicações, e doses em gde ingrediente ativo/100 L de água foram os seguintes: 1-tebuconazole (25), procimidone (50), tebuconazole(25), iprodione (75); 2- difeconazole (5), difeconazole (5), difeconazole (5), iprodione (75); 3-difeconazole (10), difeconazole (10), difeconazole (10), iprodione (75); 4-clorotalonil (150), clorotalonil (150), fluazinam (50), fluazinam (50); 5-testemunha. O período de aplicação foi de agosto a novembro, sendo quatro aplicações consecutivas em épocas distintas.. Duas avaliações foram realizadas em duas etapas, sendo que na primeira, foram contados todos os frutos da árvore útil (central) de cada tratamento, separando-os em sadios e doentes; a segunda, (etapa) consistiu da colheita de 20 frutos sadios por parcela, sendo estes frutos levados para laboratório para observações do desenvolvimento da doença em função do tempo. Na primeira etapa não houve diferença estatística entre os tratamentos, na segunda etapa o tratamento 1 foi superior aos demais no controle da doença, sendo que os tratamentos 2 e 3 apresentaram eficiência .· intermediária e o tratamento 4 não controlou a doença.

PALAVRAS-CHAVE:
Podridão parda; Moniliniafructicola, controle químico; fungicida.

ABSTRACT

The present work aimed to evaluate the effect of distinct fungicides in the control ofbrown rot on nectarine cv. Rosalina. Treatments products and dosages in g a.i.100 L Hp: 1 - tebuconazole (25), procimidone (50), tebuconazole (25), iprodione (75); 2 - difeconazole (5), difeconazole (5), difeconazole (5), iprodione (75); 3-difeconazole (10), difeconazole (10), difeconazole (10), iprodione (75); 4- chlorothalonil (150), chlorothalonil (150), fluazinam (50), fluazinam (50); 5 - nontreated control. Treatments were done from August to November, using 4 successive applications at different time intervals; evaluations were done as follows: 1 - fruits from the central tree (useful tree) of each treatrnent were counted, separating rotted fruits from healthy ones; 2- twenty healthy fruits per row were collected and kept under laboratory conditions in order to observe the development of the disease in function of time. The first evaluation did not show statistic differences among treatments and the second one showed that treatment 1 wás more efficient in the brown rot control and that treatments 2 and 3 were intemediate in efficiency while treatment 4 did not control the disease.

KEY WORDS:
Brown rot; Moniliniafructicola, chemical control; fungicide.

INTRODUÇÃO

O Brasil produz 200.000 t de nectarina, em fruta de caroço, sendo 60% no RS, 30% em SP, e o restante em MG, SC e PR.

A podridão parda, causada pelo fungo Monilinia spp, é uma doença de_grande importância, pois ataca frutos em pré colheita e pós colheita. Além disso, existem estruturas de resistência que podem permanecer viáveis por até quatro anos nos galhos das plantas. Esse fator faz com que o controle, tanto preventivo, como curativo; seja imprescindível para a obtenção de resultados econômicos e satisfatórios. É uma das principais doenças e ataca todas espécies do gênero Prunus, cultivadas com a finalidade comercial.

Os agentes patogênicos são três fungos: Monilinia fructicola (G. Wint.) Honey, M. laxa (Aderhold & Ruhland) Honey e Moniliafructigena Honey. O último foi erradicado da América do Norte e na Europa não se encontram relatos de ocorrência de Monilinia fructicola. A ocorrência de M. laxa é mais comum na região da Califórnia (Estados Unidos).

Os sintomas típicos da podridão parda podem ser encontrados tanto nos frutos como nos galhos e nas flores. O primeiro sintoma encontrado nas flores é a necrose das anteras, que progride até que a flor resseque e tome-se de coloração marrom, pemanecendo presa ao galho e coberta de esporos.

Freqüentemente, após a colonização da flor, o fungo penetra nos ramos, permanecendo nos galhos formando cancros. As folhas desses galhos ressecam e adquirem coloração parda, não sofrendo abscisão.

A podridão parda ocorre em frutos maduros ou durante a maturação dos mesmos, sendo os sintomas visíveis em até 40 horas após a infecção. Em nossas condições climáticas devido a infecção dos frutos e sua mumificação nos galhos, os mesmos servirão de infecção constante para a planta.

A umidade excessiva e altas temperaturas, na época da maturação, favorece a multiplicação do agente, que é disseminado principalmente pelo vento.

Segundo FORTES (1992) o tratamento de inverno também é fundamental para reduzir o inóculo e o número de tratamentos ao longo do ciclo da planta.

BRACKMANN et al. (1984) avaliaram a eficiência de diferentes fungicidas no controle da doença, em pós colheita, sendo que a combinação de fungicidas vinclozolin + DCNA apresentou o melhor controle da podridão parda e podridão de Rhizopus.

FINARDI (1978), trabalhando com controle em pós colheita, avaliou o efeito de diferentes fungicidas, temperatura da suspensão e tempo de imersão no controle de podridões, verificando que os fungicidas benomil + DCNA e tiofanato metílico + DCNA foram eficientes. Quanto à temperatura, o melhor resultado obtido foi a 50ºC, não havendo diferenças no que se refere ao tempo de imersão.

BRACKMANN & VEIGA (1985) determinando épocas de controle da podridão parda, verificaram que as pulverizações no florescimento incrementaram em tomo de 50% a fixação de frutos. A podridão em pomar foi melhor controlada pelas pulverizações realizadas durante o florescimento e até 14 dias antes da maturação. Em pós colheita os melhores resultados foram obtidos com, no mínimo, duas aplicações, realizadas aos 7 e 14 dias antes do início da maturação.

SANTOS et al. (1992) avaliaram a eficiência de diversos produtos em campo, onde destacaram-se os fungicidas à base de carbendazin e pyrifenox, no controle da doença.

FORTES (1995) testando diferentes principios ativos contra a podridão parda, em flores inoculadas, observou um controle eficaz com os produtos fluquinconazole 0,0075%, imibenconazole 0,015%, iminoctadine 0,04%, piryfenox 0,028%, dithianon· 0,11%, triadimenol 0,17%, carbendazin 0,015% e mancozeb 0,2%.

O presente trabalho analisou o efeito de diferentes fungioidas no controle desta doença, para se evitar o surgimento de formas resistentes do fungo a um determinado princípio ativo.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na Cooperativa Agro-Industrial Holambra, município de Paranapanema, SP, na propriedade do Sr. Geraldo Adriano de Bruijn, em pomar de plantas de Nectarina, da variedade Rosalina, plantadas no espaçamento de 5,5 x 3,5 m. Esta variedade tem, como principais características, apresença de polpa amarela e caroço preso. Seu ciclo, da florada à época de colheita, está em tomo de 130 dias, sendo considerada uma variedade tardia para o clima da região.

Devido à falta de temperaturas baixas para a quebra de dormência da nectarina na região, faz-se necessário realizar este processo de forma artificial, através da utilização de cianamida hidrogenada (Dormex), aplicada através de um atomizador acoplado a um trator, gastando-se cerca de 1.000 litros de calda por hectare, para que todas as gemas sejam atingidas, devendo o produto ser aplicado no mesmo dia da preparação.

O pomar foi totalmente desfolhado uma semana antes da aplicação da cianamida hidrogenada, através da aplicação de sulfato de cobre. Esta técnica tem como principais objetivos a eliminação de folhas velhas que possam servir de foco de doenças e permitir que a cianamida hidrogenada atinja uniformemente todas as gemas da planta.

A segunda prática de manejo realizada foi o raleio dos frutos, deixando-os a uma distância de aproximadamente 10 cm, entre frutos no ramo, o que corresponde cerca de 700 frutos por planta. Os principais objetivos desta prática de manejo são: aumentar o tamanho médio dos frutos diminuindo a competição entre eles, melhorar a coloração dos frutos devido à maior exposição ao sol e melhorar o vigor da planta, evitando alternâncias de safra.

O experimento constou de 60 plantas. As parcelas foram constituídas de 3 plantas úteis, sendo a planta central usada para avaliação, num total de quatro repetições. As pulverizações foram iniciadas em agosto/97 e finalizadas em novembro/97.

Todos os produtos foram aplicados utilizando-se um pulverizador costal motorizado, sendo o volume de calda de aproximadamente 2,0 litros por planta.

Na primeira avaliação foram contados todos os frutos da árvore central da parcela de cada tratamento, nos dias 24, 25 e 26 de novembro, com o auxílio de um contador manual e separando-os em sadios e doentes, sendo estes separados em duas classes distintas (com menos de 50% e com mais de 50% de superfície atingida).

A segunda etapa da avaliação consistiu da colheita de 20 frutos sadios por parcela, sendo estes frutos deixados em laboratório para observação do desenvolvimento da doença em função do tempo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados coletados no ano agrícola de 1997 estão demostrados nas tabelas e figuras.

Nas análises da segunda etapa foram coletados 20 frutos sadios de cada tratamento, sendo que as avaliações foram feitas seguindo-se os mesmos padrões das análises realizadas na colheita. Os frutos contaminados em mais de 50% de sua superfície foram sendo descartados. As tabelas mostram' esses resultados e as datas das avaliações.

As seis avaliações (Fig. 2) foram realizadas no período compreendido entre o dia 26 de novembro (colheita) até o dia 9 de dezembro, as colunas na Figura 1 equivalem aos tratamentos de 1 a 5 indicados no Quadro I.

O experimento na 1ª etapa foi realizado segundo delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições utilizando-se os testes de Kruskal-Wallis e Cramer von Mises. As análises foram não paramétricas devido à alta variabilidade dos dados.

Fig. 1
Média do número de frutos por planta (sadios e doentes) entre os tratamentos.

Fig. 2
Número de frutos sadios encontrados nos diferentes tratamentos durante as seis avaliações realizadas.

Na segunda etapa, os resultados foram analisados segundo um esquema em parcelas subdivididas no tempo utilizando-se delineamento inteiramente casualizado. Como a interação tratamento-tempo foi significativa, foi feita a decomposição deste efeito empregando-se o teste de Tukey a 5% de probabilidade a fim de compará-los. Os resultados são apresentados nas tabelas 1 a 11.

Tabela 1
Comparação entre os tratamentos, na data 1/12, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 2
Comparação entre os tratamentos, na data 3/12, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 3
Comparação entre os tratamentos, na data 5/12, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 4
Comparação entre o tempo dentro dos tratamentos, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 5
Comparação entre o tempo dentro dos tratamentos, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 6
Comparação entre o tempo dentro dos tratamentos, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 7
Comparação entre o tempo dentro dos tratamentos, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 8
Comparação entre o tempo dentro dos tratamentos, (Tukey, DMS= 6,62 a 5% de significância)

As tabelas seguintes indicam as diferenças entre o número total de frutos nos tempos. Os tempos 1 e 2 não apresentaram diferenças estatísticas pois a maior parte dos frutos estava saudável e o tempo 6 não apresentou diferença, pois a maior parte dos frutos estava doente.

Tabela 9
Comparação entre o número total de frutos nos tratamentos, na data 1/12, (Tukey, OMS= 6,62 a 5% de significância)
Tabela 10
Comparação entre o número total de frutos nos tratamentos, na data 3/12, (Tukey, OMS= 6,62 a 5% de significância)
Quadro I
Tratamentos e suas respectivas doses em ingrediente ativo e épocas de aplicação.
Tabela 11
Comparação entre o número total de frutos nos tratamentos, na data 5/12, (Tukey, DMS = 6,62 a 5% de significância)

Observando-se as tabelas de 1 a 3, pode-se visualizar a superioridade dos tratamentos 1, 2 e 3, onde as 4 aplicações dos produtos foram: na florada; 15 dias após a florada; 30 dias antes da colheita e 3 dias antes da colheita, em relação ao tratamento 4 que recebeu as mesmas aplicações nas mesmas épocas e a testemunha que não recebeu tratamento químico.

As Tabelas 4 a 8 demostram que os tratamentos 1, 2 e 3 com aplicações nas mesmas épocas acima, proporcionaram não só uma maior proteção aos frutos quanto ao ataque por Monilinia fructicola, como também proporcionou uma vida mais prolongada, quando comparados com o tratamento 4 e a testemunha.

Quanto às Tabelas de 9 a 11, pode-se intensificar as observações anteriores no que diz respeito a superioridade dos tratamentos, 1 - tebuconazole (25), procimidone (50), tebuconazole (25) e iprodione (75), 2 - difeconazole (5), difeconazole (5), difeconazole (5) e iprodione (75), 3 - difeconazole ·oo, difeconazole (10), difeconazole (10) e iprodione (75), quando aplicados, na florada, 15 dias após a florada, 30 dias antes da colheita e 3 dias antes da colheita.

Comparando as Tabelas 1 a 11, observa-se que os tratamentos 1, 2 e 3 foram superiores ao tratamento 4 e à testemunha em todas as situações do experimento.

Resultados obtidos por FORTES (1992), vêm confirmar que o tratamento de inverno é fundamental para reduzir o inóculo e o número de tratamentos durante o ciclo da planta. Disto conclui-se que as épocas de aplicações de fungicidas são extremamente importan tes para o controle da Monilinia fructicola, confirmando resultados obtidos por BRACKMANN & VEIGA (1985).

CONCLUSÕES

Nas condições em que foi conduzido o ensaio, pode-se concluir que:

  • - Os tratamentos 1, 2 e 3 foram eficientes no controle de Monilinia fructicola, agente causal da podridão parda da nectarina, sendo que o tratamento 1 foi superior aos demais.

  • - O tratamento 4 não foi eficiente no controle de Monilinia fructicola.

  • - Nenhum tratamento apresentou fitotoxicidade a nectarineira, nas doses testadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BRACKMANN, A.; GARIBALDI, N.; MAUCH, N. Avaliação da eficiência de fungicidas no controle de podridões, em pós colheita, em pêssego (Prunus persica (L.) Batch). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 7., 1984. Florianópolis, Anais. Florianópolis: SBF/ EMPASC, 1984. v.4, p.1029-1037.
  • BRACKMANN, A. & VEIGA, P. Determinação de épocas de controle da podridão parda (Monilinia Jructicola) em pessegueiro. Fitopatol. Eras., v.10, p.271, 1985.
  • FINARDI, N.L. Efeito de fungicida, período de imersão e temperatura da suspensão no controle de podridões, em pós-colheita, em pêssego Prumus persica (L) Batsch. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 4., Salvador, 1977, Cruz das Almas. Anais. Sociedade Brasileira de Fruticultura, 1 77. p. 297-304.
  • FORTES, J.L. Tratamento de inverno para controle da podridão parda em pessegueiro. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 17., 1992. Gramado. Resumos, Gramado: Fitopatol. Eras., 1992, p.174.
  • FORTES, J.L. Eficácia de diferentes princípios ativos contra podridão parda Monilinia Jructicola. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 20., 1995. Ilhéus. Resumos, Ilhéus: Fitopatol. Eras., 1995, p.317.
  • SANTOS, A.J.T.; NOGUEIRA, E.M.C.; CHIBA, S. Controle da podridão parda (Monilinia fructicola) em pessegueiro. In.: CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 17., 1992. Gramado, Resumos, Gramado: Fitopatol. Eras., 1992, p.151.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Mar 2025
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 1999

Histórico

  • Recebido
    25 Ago 1998
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