RESUMO
São descritos os caracteres morfológicos e morfométricos de uma nova espécie de Dynaspidiotus Thiem & Gemeck,,1934 ocorrente em Araucaria angustifolia (Bertol.) "pinheiro brasileiro", próxima de Dynaspidiotus sanctadelaideLepage, 1942, no Rio Grande do Sul, Brasil. Apresentam-se fotos e desenhos de escudos e do corpo inteiro e pigídio de fêmea adulta em fase de postura.
PALAVRAS-CHAVE:
Araucaria angustifolia, Araucariaceae; Brasil; Diaspididae; Dynaspidiotus.
ABSTRACT
A new species of the Dynaspidiotus Thiem & Gemeck, 1934 is described and illustrated, this species is monophagous on Araucaria angustifolia (Bertol.) in Rio Grande do Sul, Brasil.
KEY WORDS:
Araucaria angustifolia, Araucariaceae; Brasil; Diaspididae; Dynaspidiotus.
INTRODUÇÃO
As florestas de araucária tem sido alvo de preservação tanto por sua importância econômica como também do ponto de vista ecológico. No primeiro aspecto, por serem uma das madeiras mais exploradas no Brasil, além de fonte de alimento. No segundo, por representarem um sistema único nos três estados do sul do Brasil, bem como manchas esparsas nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Província de Misiones na Argentina (REITZ et al., 1988).
No Brasil ocorrem em Araucaria angustifolía (Bertol.), "pinheiro brasileiro", três espécies de diaspidídeos: AonidiélÍa araucariaeLima, 1951, Dynaspidiotus sanctadelaideLepage, 1942 e Melanaspis araucariaeLepage,1942(LEPAGE, 1942;LIMA, 1951; SILVA et al., 1968; BORGES, 1990). O gênero Dynaspidiotus Thiem & Gemeck, 1934, possue 12 espécies (FERRIS, 1938; BORCHSENIUS, 1966).
O diaspidídeo encontrado agora aproxima-se muito de D. sanctadelaideLepage, 1942, porém, por apresentar uma série de caracteres distintos, é descrito a seguir como uma nova espécie.
MATERIAL E MÉTODOS
Folhas de A. angustifolia (Bertol.) foram coletadas em São Pedro da Serra, RS, Brasil, infestadas com diaspidídeos.
O material entomológico foi preparado e examinado no Laboratório de Entomologia, do Instituto de Biociências, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil (PUCRS) e no Instituto Miguel Lillo, Universidad Nacional de Tucumán, Argentina (IML).
Foram preparadas lâminas permanentes, com fêmeas adultas em fase de postura, usando solução de hidróxido de sódio 10% a frio, série alcóolica e bálsamo-do-Canadá.
O Holótipo encontra-se depositado na coleção de Entomologia do Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCTP), os parátipos estão nesta mesma coleção e também no IML.
Realizou-se o estudo dos caracteres morfológicos das fêmeas adultas, com trabalho morfométrico, utilizandose micrômetro ocular com tambor rotativo de escala centesimal acoplado ao microscópio óptico, aferido à lâmina micrométrica com precisão de 0,01 mm.
Os escudos de machos e fêmeas foram examinados e medidos em estereomicroscópio, também com micrômetro ocular.
Foi examinado material tipo de D. sanctadelaideLepage, 1942, para realizar a comparação com a espécie em estudo.
Foram fotografados os escudos de machos e fêmeas, corpo inteiro e o pigídio de fêmeas adultas utilizando-se câmeras fotográficas acopladas ao estereomicroscópio e ao microscópio óptico.
Os desenhos de corpo inteiro de fêmea adulta, detalhes de pigídio, antena e espiráculo foram realizados em microscópio óptico com câmera clara.
RESULTADOS
Dynaspidiotus riograndensis n. sp.
Descrição:
Escudo de macho: com 0,96 mm de comprimento e 0,50 mm de largura, semi-transparente, alongado, achatado, muito menor que o da fêmea, exúvia excêntrica (Fig. 1).
Escudo de fêmea adulta: com 2,16 mm de comprimento e 2,07 mm de largura, branco opaco, semicircular, muito convexo, formado externamente por camadas concêntricas com um aspecto de concha e exúvias amarelas na extremidade apical. Esta camada do escudo se destaca facilmente inteira, com o auxfüo de uma agulha histológica. Abaixo desta camada encontram-se flocos da secreção do escudo, e logo a seguir, ao redor da fêmea, uma camada mais espessa e dura, difícil de ser penetrada com a agulha histológica. Na face ventral há um véu branco, formado por mais de uma camada, entre o inseto e a folha onde este se alojac(Fig.2).
Corpo de fêmea adulta: ovalado, com,- 1,09 mm de comprimento e 0,91 mm de largura, inicialmente apresenta coloração amarelo claro com pigídio mais escuro. Na fase mais madura o cefalotórax apresenta coloração laranja escuro devido estar fortemente esclerotinizado, como se fosse uma cápsula; os primeiros segmentos abdominais membranosos, e o pigídio mais claro (Fig. 3 e 5). Tubérculo antenal com uma seta longa e reta, espiráculos anteriores sem glândulas (Fig. 6 e 7). Primeiros segmentos abdominais apenas com leves saliências laterais. Grande quantidade de glândulas dorsais unibarradas, curtas, principalmente na margem do corpo, desde o cefalotórax até os primeiros segmentos abdominais. As demais glândulas dorsais são estreitas e longas, distribuídas em grupos no pigídio; uma série entre os segmentos III e V, outra entre V e VI, e mais uma entre VI e VII. Nenhum conduto de glândulas dorsais desemboca entre os lóbulos medianos. Abertura vulvar no centro do pigídio. Ânus grande, de forma circular, próximo a margem do pigídio. Não há glândulas circungenitais. Margem pigidial com três pares de lóbulos: lóbulos medianos bem desenvolvidos com largura e comprimento mais ou menos de mesmo tamanho, ápice arredondado e uma pequena reentrância de cada lado; segundo par de lóbulos com forma semelhante aos lóbulos medianos porém bem menores; terceiro par de lóbulos menores que o segundo par, ápice em ponta; algumas vezes pode ser observado uma pequena ponta esclerotinizada que poderia corresponder a um quarto par de lóbulos. Entre os lóbulos medianos há um par de placas de base larga e ápice bastante franjado; entre os lóbulos medianos e o segundo par há duas placas, de cada lado; entre o segundo e o terceiro par de lóbulos há três placas, de cada lado; todas as placas são semelhantes às primeiras. Antes do terceiro par de lóbulos há um número variável de placas estreitas na base e pouquíssima ou nenhuma ramificação no ápice, sendo que as primeiras são longas e as anteriores são mais curtas (Fig. 4 e 8).
Planta hospedeira: folhas deAraucaria angustifolia.
Etimologia: o nome específico faz referência ao Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, onde foi encontrada esta nova espécie.
Material estudado: Holótipo fêmea adulta BRASIL: Rio Grande do Sul, São Pedro da Serra, 25.XII.1997, sobre Araucaria angustifolia, A. Specht leg. (MCTP); Parátipos 10 fêmeas adultas em cinco lâminas, com mesmos dados que o Holótipo (MCTP) e 8 fêmeas em duas lâminas, mesmos dados do Holótipo (IML).
DISCUSSÃO
D. riograndensis n. sp. difere de D. sanctadelaideLepage, 1942, por apresentar tubérculo antenal com uma seta longa e reta enquanto na segunda é curva; lóbulos medianos com reentrâncias laterais menos acentuadas e ápice mais largo; segundo par de lóbulos bem menores do que os lóbulos medianos; terceiro par de lóbulos bem menores do que o segundo par; quatro a cinco placas longas pouco franjadas e três ou quatro curtas antes dos lóbulos medianos; não há abertura de conduto de glândula dorsal entre os lóbulos medianos; menor quantidade de condutos dorsais no pigídio; não possue glândulas circungenitais; o ânus é maior e a distância do ânus à margem é menor (Tabela 1).
Medidas (mm) do escudo de machos, de fêmeas e do corpo de fêmeas adultas de D.riograndensis n. sp. em comparação com D.sanctadelaideLepage, 1942.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- BORCHSENIUS, N.S. A Catalogue of the Armored Scale Insects (Diaspidoidea) of the World. Moscow: Zoologicheskii Institut, 1966.
- BORGES, J.D. Entomofauna do Pinheiro-do-Paraná. Pesq. Agropec. Eras., Brasília, v. 25, n. 2, p.201-206, 1990.
- FERRIS, G.F. Atlas of the Scale Insects of North America. Serie II. Stanford: Stanford University Press, 1938.
- LEPAGE, H.S. Descrição de onze espécies novas de coccídeos do Brasil (Homoptera - Coccoidea). Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.13, n.17, p.173-189, 1942.
- LIMA, A da C. Uma nova espécie de Aonidiella (Homoptera, Coccoidea, Diaspididae). Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.20, n.13, p.173-175, 1951.
- REITZ, R.; KLEIN, R.M.; REIS, A. Projeto Madeira do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Corag, 1988.
- SILVA, A.G.D' A; GONÇALVES, C.R.; GALVÃO, D.M.; GONÇALVES, A J. L; GOMES, J.; SILVA, M. N.; SIMONl, L. Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil. Seus parasitas e predadores. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1968.










