RESUMO
Objetivo: Descrever o desenvolvimento de uma cartilha educativa sobre ansiedade e depressão no puerpério.
Método: Trata-se de um estudo do tipo desenvolvimento tecnológico que teve como produto uma cartilha. A cartilha foi desenvolvida a partir de três etapas: elaboração de um estudo de revisão integrativa, elaboração da cartilha e avaliação com público-alvo. Foram incluídas para a avaliação gestantes no terceiro trimestre gestacional em acompanhamento de pré-natal na Atenção Primária à Saúde em um município do Rio Grande do Sul.
Resultados: A cartilha foi elaborada em formato impresso e digital e seu conteúdo aborda tópicos como ansiedade e depressão no puerpério, utilizando linguagem clara e ilustrações atrativas. A cartilha foi avaliada qualitativamente por 43 mulheres, e considerada adequada quanto ao objetivo, conteúdo, linguagem, ilustrações e compreensão, com um Índice de Validade de Conteúdo de 1,0 para todos os itens.
Conclusão: A cartilha avaliada junto ao público-alvo demonstrou aceitabilidade e potencial de uso. E, por ser uma tecnologia educacional prática e acessível contribui para as práticas de cuidados em saúde materno-infantil.
Descritores:
Saúde Materno-Infantil; Tecnologia educacional; Período pós-parto; Ansiedade; Depressão pós-parto
ABSTRACT
Objective: To describe the development of an educational booklet on anxiety and depression in the puerperium.
Method: This is a technological development study that resulted in a booklet. The booklet was developed in three stages: preparation of an integrative review study, preparation of the booklet, and evaluation with the target audience. Pregnant women in the third trimester of pregnancy undergoing prenatal care in Primary Health Care in a city in Rio Grande do Sul were included in the evaluation.
Results: The booklet was prepared in printed and digital formats and its content addresses topics such as anxiety and depression in the postpartum period, using clear language and attractive illustrations. The booklet was evaluated by 43 women and considered adequate in terms of its objective, content, language, illustrations and ease of comprehension, with a Content Validity Index of 1.0 for all items.
Conclusion: The booklet evaluated with the target audience demonstrated acceptability and potential for use. And, as it is a practical and accessible educational technology, it contributes to maternal and child health care practices.
Descriptors:
Maternal and Child Health; Educational technology; Postpartum Period; Anxiety; Postpartum Depression
RESUMEN
Objetivo: Describir el desarrollo de un folleto educativo sobre ansiedad y depresión en el posparto.
Método: Se trata de un estudio de tipo desarrollo tecnológico que produjo un folleto. Se lo elaboró en tres etapas: preparación de un estudio de revisión integradora, preparación del folleto, y evaluación con el público objetivo. Se incluyeron en la evaluación gestantes en el tercer trimestre de gestación en atención prenatal en la Atención Primaria de Salud de un municipio de Rio Grande do Sul.
Resultados: El folleto fue producido en formato impreso y digital y su contenido aborda temas como la ansiedad y la depresión en el posparto, utilizando un lenguaje claro e ilustraciones atractivas. El folleto fue evaluado por 43 mujeres y considerado adecuado con respecto a su objetivo, contenido, lenguaje, ilustraciones y comprensión, con un Índice de Validez de Contenido de 1,0 para todos los ítems.
Conclusión: El folleto evaluado con el público objetivo demostró aceptabilidad y potencial de uso. Como es una tecnología educativa práctica y accesible, contribuye a las prácticas de atención de la salud maternoinfantil.
Descriptores:
Salud materno-infantil; Tecnología educacional; Período pós-parto; Ansiedad; Depresión posparto
INTRODUÇÃO
Os períodos pré e pós-parto são fases da vida da mulher em que há o aumento do risco de desenvolvimento de alguns tipos de transtornos mentais. A gravidez e o tornar-se mãe faz com que ocorram mudanças significativas em vários aspectos da vida da mulher, como nas suas atividades sociais, nas formas de lazer e de trabalho. Essas transformações, somadas à necessidade de adaptação aos novos papéis exigidos pela maternidade, têm potencial de provocar instabilidades psicológicas1).
No puerpério ocorrem diversas mudanças físicas, hormonais e psicológicas, que podem ser consideradas fisiológicas ou até mesmo patológicas, dependendo da intensidade e do modo como essas transformações interferem na saúde e na vida da mulher. Também, a mulher assume o papel de “maternar”, que envolve ações essenciais para o desenvolvimento saudável da criança. Esse papel pode ser um fator preditivo para o surgimento de ansiedade, baby blues ou depressão pós-parto (DPP)2.
Eventos estressores tanto no período perinatal, quanto no puerpério são fatores que tem a capacidade de desencadear a manifestação de sintomas de DPP. Esse transtorno psiquiátrico traz consigo uma série de impactos negativos para as mulheres, para o recém-nascido e interfere nas relações interpessoais, com consequências de curto, médio e longo prazo. A depressão afeta negativamente na amamentação, na capacidade da mãe de responder às demandas de cuidado e de se envolver afetivamente com o bebê3.
No Brasil, a atenção ao pré-natal desempenha um papel crucial, não só na saúde física, mas também na saúde mental das gestantes. O período perinatal é uma fase sensível, transformadora e marcada por ansiedade na vida das mulheres, por isso essas questões devem ser mais exploradas nesse período. A prevalência de risco de depressão na gestação é alta, o que aponta para a importância da necessidade de planejamento, priorização e de integrar a saúde mental ao pré-natal nos serviços de saúde4.
O modo como a assistência é oferecida à mulher pode impactar profundamente no bem-estar emocional durante a gestação e no período pós-parto. As gestantes que recebem acompanhamento adequado durante o pré-natal tendem a apresentar melhores indicadores de saúde e resultados favoráveis no parto e pós-parto. Sendo assim, o cuidado contínuo e de qualidade torna-se um indicador promissor para a saúde materno-infantil5.
Para que o cuidado ofertado nos períodos pré-natais e puerperais seja de qualidade, é importante que haja abordagens colaborativas entre profissionais da saúde, por meio de metodologias participativas que capacitem e estimulem o protagonismo das gestantes e puérperas6. O desenvolvimento e utilização de cartilhas, promovem o protagonismo e a educação em saúde e tem a capacidade de modificar o contexto de vida das pessoas, por isso são importantes aliadas na criação e disseminação de orientações claras, objetivas e seguras7.
Estudos evidenciam a necessidade do desenvolvimento de mais pesquisas que aprofundam a saúde mental no puerpério, bem como a criação de estratégias que apoiem a saúde mental durante esse período8-10. O desenvolvimento de tecnologias educacionais direcionadas ao puerpério é uma estratégia importante que pode contribuir com a saúde materno infantil. Destarte, o estudo teve como objetivo descrever o desenvolvimento de uma cartilha educativa sobre ansiedade e depressão no puerpério.
MÉTODO
Estudo de desenvolvimento tecnológico que foi elaborado a partir de três etapas: elaboração de um estudo de revisão integrativa, elaboração da cartilha e avaliação com público-alvo, que foi realizada no período de julho a outubro de 2024. O estudo foi desenvolvido em serviços de saúde da Atenção Primária à Saúde de um município do estado do Rio Grande do Sul. Participaram da elaboração da cartilha um enfermeiro mestrando, duas professoras do curso de enfermagem e um estudante de design gráfico.
O desenvolvimento da cartilha ocorreu em três etapas conforme a Figura 1. As etapas estão descritas detalhadamente de acordo com a sequência em que foram realizadas.
Etapa 1: Revisão integrativa
Para a fundamentação teórica da cartilha realizou-se uma revisão integrativa da literatura. A revisão foi realizada nas bases e bibliotecas: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e SciVerce Scopus. As buscas e os estudos selecionados passaram por uma leitura crítica e análise de dois revisores independentes a fim de se extrair informações úteis para constar na cartilha, sendo definidos seus principais tópicos.
Foram selecionados artigos que se adequaram aos critérios de inclusão: artigos originais; temática compatível com o tema de saúde mental no puerpério; nos idiomas em português, inglês ou espanhol; publicação disponível gratuitamente na íntegra; e período de publicação nos anos de 2018 a 2023. Utilizaram-se os seguintes descritores/ Mesh Terms para a pesquisa: saúde da mulher (women’s health), depressão (depression), ansiedade (anxiety), e período pós-parto (postpartum period). Os descritores foram agrupados com o operador boleano AND. Encontrou-se um total de 33 artigos, sendo: MEDLINE: 29 artigos; LILACS: 3 artigos e BDENF: 1 artigo. E, a busca realizada no SciVerce, tendo como assuntos principais: Feminino; Humano, resultou em 11 artigos. Assim, foram analisados 44 artigos, no qual foram selecionados para embasamento teórico da cartilha 13 artigos.
Os 13 artigos que constituíram o corpus de análise estão representados no Quadro 1, que contém a referência do artigo, ano, país de publicação e objetivo.
Dos estudos 13 artigos incluídos, oito foram publicados em periódicos internacionais e cinco em periódicos nacionais. Com relação ao ano de publicação, os estudos foram publicados entre 2018 e 2023. O ano com maior publicação foi 2021 (n=4), seguido de 2018 e 2022 respectivamente com três estudos em cada ano (n=3), e os anos de 2019, 2020 e 2023 com um estudo cada ano (n=1). E no que se refere aos países de publicação, quatro foram no Brasil, dois nos Estados Unidos da América, dois no Canadá, um na Inglaterra, um na Índia, um na Dinamarca, um na China e um no Reino Unido.
Referente a análise dos conteúdos das produções selecionadas, os estudos abordaram predominantemente sobre a sintomatologia de ansiedade e depressão e fatores de risco durante o período perinatal 11-12,19,20,22, a prevalências e diagnósticos de transtornos mentais 11-13,17,19-20,22-23, e sobre o impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental perinatal14-16,18,21.
Etapa 2: Elaboração da cartilha
A elaboração da cartilha foi desenvolvida com o suporte de um estudante de design gráfico, contratado pelo pesquisador, para a criação das ilustrações e diagramação textual da cartilha. Um arquivo em PDF com todo o conteúdo do material didático foi encaminhado a ele, onde realizou a diagramação e estruturação a partir da solicitação do autor.
O conteúdo da cartilha foi estruturado baseado na experiência prática no grupo de gestantes, literatura científica e demandas observadas durante as consultas de pré-natal, relacionadas à saúde mental, ansiedade e depressão pós-parto. Mesmo passando por esse período, cada uma das mulheres o vive de uma determinada maneira, portanto, o material educativo foi estruturado didaticamente nos seguintes itens:
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1) Descobrindo o puerpério: onde contém informações do que se trata o puerpério e suas fases; um suporte emocional para que as mães compreendam esse período como um período passageiro, com as alterações de papéis e todas as mudanças que isso pode ocasionar.
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2) Mudanças e alterações que ocorrem durante o puerpério: informações relacionadas às mudanças físicas e psíquicas que podem ocorrer a partir do período perinatal até o puerpério. Desde a questão física, até a questão psicossocial.
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3) Puerpério e sexualidade: explica o porquê da baixa libido durante esse período e a importância do diálogo com o (a) parceiro (a).
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4) Ansiedade e amamentação: que explica o porquê de a amamentação deixar grande parte das gestantes e puérperas ansiosas e, também, informações de como amenizar as dificuldades caso ela não consiga amamentar.
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5) A mulher se torna mais vulnerável: momento de readaptação, seja ela metabólica, física, mental ou social e o que essas alterações podem ocasionar.
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6) Ansiedade e Baby blues: explicação do baby blues, sinais e sintomas, e o que pode ser feito caso ela venha a sentir essas sintomatologias.
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7) Depressão pós-parto: explicação da depressão pós-parto, sinais e sintomas, o que fazer caso sinta algum sintoma e a importância da rede de apoio.
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8) Estratégias de enfrentamento: dicas de atividade simples para que a mulher se reconecte a ela mesma.
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9) Saiba onde pedir ajuda: se sentir algum sintoma de ansiedade, babyblues ou depressão pós-parto para que ela saiba onde pode solicitar apoio profissional.
A Figura 2 ilustra algumas páginas da cartilha sobre as mudanças que ocorrem a partir do nascimento do bebê e alguns cuidados com a saúde.
A escolha das cores em tons de beges para a impressão da cartilha cria um ambiente visual calmante e acolhedor, que ajuda a reduzir a tensão visual e a fadiga na hora da leitura, proporcionando uma estética orgânica que torna o material mais pessoal e menos comercial. A técnica de ilustração em Line Art adotada em todo o material, busca criar uma narrativa visual contínua que simboliza a jornada fluída e interligada da maternidade. Cada ilustração captura momentos significativos e sentimentos comuns durante este período. As ilustrações foram pensadas de maneira que a linha “desaparece” em uma página e reaparece na seguinte, simbolizando a continuidade da experiência materna e a conexão entre diferentes mulheres que passam pelo mesmo período, o que denota uma conectividade com as mães.
Etapa 3: Avaliação com público-alvo
Para a avaliação com o público-alvo, foi utilizado um instrumento constituído por uma Escala do tipo Likert contendo 10 questões que foram organizadas do seguinte modo: quatro questões a respeito do conteúdo, três questões quanto à linguagem, duas questões quanto às ilustrações e uma questão sobre a compreensão. As opções de respostas para cada questão foram categorizadas como: respostas positivas (totalmente adequado/adequado), respostas negativas (parcialmente adequado/inadequado). As respostas para cada questão são do tipo Likert com pontuação de 1 a 4, sendo (1) inadequado, (2) parcialmente adequado, (3) adequado e (4) totalmente adequado. Inicialmente o pesquisador realizou o convite para participar da avaliação quando as gestantes aguardavam para a consulta de pré-natal ou grupo de gestantes. Após aceite, o pesquisador entregou para cada mulher a cartilha e o instrumento para avaliação, que além de conter a escala a Likert para a avaliação possuía questões relacionadas aos dados sociodemográficos. O questionário foi autoaplicável e respondido em uma sala do serviço de saúde onde estavam.
Optou-se por avaliar a cartilha exclusivamente junto ao público-alvo, com foco na aceitabilidade e compreensão do material tendo em vista que o produto será utilizado por esse público. Portanto, não se trata de uma validação clássica do material realizada com juízes especialistas.
Organização e análise dos dados
Para análise das respostas da Escala Likert foi utilizado uma análise descritiva e quantitativa considerando os itens adequado e totalmente adequado com o somatório dos itens que foram marcados com “3” ou “4” pelo público-alvo. Os itens que receberam notas “1” ou “2”, foram reorganizados e submetidos a nova avaliação descritiva pelo público-alvo.
Os dados foram tabulados em uma planilha do Programa Excel® e posteriormente analisados por meio de estatística descritiva simples.
Aspectos éticos
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição, no dia 28 de maio de 2024, sob o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética 79228924.1.0000.5306, número do parecer 6.854.806. Para o desenvolvimento da pesquisa foi preconizada a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde. Destaca-se que tocas as mulheres assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias.
RESULTADOS
Participaram da avaliação da cartilha 43 gestantes, das quais 21 são pardas, 15 brancas e 7 negras, e com idade média de 28 anos. Dessas mulheres, 17 (39,53%) eram primíparas e 26 (60,47%) multíparas. Quanto a escolaridade, 13 (30,23%) tinham Ensino Fundamental Completo, 6 (13,95%) Ensino Fundamental Incompleto, 9 (20,93%) Ensino Médio Completo, 8 (18,60%) Ensino Médio Incompleto, 4 (9,30%) Ensino Superior Completo e 3 (6,98%) Ensino Superior Incompleto. Quanto aos relacionamentos, 28 (65,12%) possuíam parceiros fixos, 9 (20,93%) estavam em um relacionamento estável e 6 (13,95%) estavam solteiras.
No processo de avaliação dos objetivos e conteúdo da cartilha, o item objetivo do material didático apresentou 43 (100%) respostas assinaladas como totalmente adequado, mantendo um IVC de 1.0. Dados representados na Tabela 1.
As participantes também avaliaram a linguagem, clareza e tamanho do texto. 39 (90,7%) responderam que a linguagem está totalmente adequada ao público-alvo e 4 (9,3%) responderam que a linguagem está adequada ao público-alvo. Na avaliação sobre o vocabulário 35 (81,4%) responderam que está totalmente adequado e 8 (18,6) adequado. Quanto ao tamanho do texto, 38 (88,4%) responderam que está totalmente adequado e 5 (11,6%) que está adequado. Nenhum item foi considerado irrelevante ou parcialmente relevante. Referente a avaliação inerente a linguagem da cartilha tem-se os resultados na Tabela 2.
Com relação às ilustrações da cartilha, 41 (95%) responderam que a capa está totalmente adequada com o contexto e 2 (5%) responderam que a capa está adequada. Referente às ilustrações internas, 38 (89%) responderam totalmente adequada que as ilustrações estão atrativas e 5 (11%) respondeu adequado para as ilustrações, conforme mostra a Tabela 3.
Quanto à compreensão da cartilha, 41 (95%) responderam que a cartilha está totalmente adequada para compreensão e 2 (5%) que a cartilha está adequada para compreensão, mantendo um IVC de 1,0 conforme a Tabela 4.
Quanto à compreensão da cartilha, 41 (95%) responderam que a cartilha está totalmente adequada para compreensão e 2 (5%) que a cartilha está adequada para compreensão, mantendo um IVC de 1,0 conforme a Tabela 4.
O produto educacional desenvolvido tem acesso aberto ao público e pode ser acessado em: http://www.ufn.edu.br/Arquivos/vue/Portfolio/a42d5374-983f-4131-b7f0-6d209cbcac6f.pdf
DISCUSSÃO
A criação da cartilha foi fundamentada em literatura especializada e avaliada junto ao público-alvo, na qual teve uma boa avaliação de conteúdo e aceitabilidade, que denota que a oferta de informações sobre ansiedade e depressão no puerpério, por meio do uso de tecnologia educacional, possui por si só relevância e consequentemente contribui para a educação em saúde. Também, favorece uma gestação mais tranquila e um puerpério mais saudável24.
As tecnologias educacionais vão além de simples ferramentas de ensino, pois, ao promoverem autonomia e autocuidado, auxiliam no desenvolvimento integral das pessoas. Elas incentivam a busca ativa por conhecimento, e inserem as pessoas de forma mais significativa nos processos de cuidado25. Para garantir que as ações educativas sejam eficazes, é fundamental que atendam às necessidades específicas de cada mulher, de forma individualizada. Essa abordagem personalizada, aumenta a capacidade de autoanálise e confiança, o que lhes proporciona maior autonomia e tranquilidade no processo gravídico-puerperal26.
O corpo da mulher passa por adaptações significativas para acolher um novo ser, o que desencadeia uma série de mudanças hormonais e psicológicas. Essa jornada única é marcada por uma montanha-russa de sentimentos, que oscilam entre a alegria da maternidade, a ansiedade diante do desconhecido e a insegurança diante de tantas mudanças27.
Estudos indicam que o terceiro trimestre de gestação é particularmente intenso, com emoções frequentemente ambivalente. Medo, ansiedade e insegurança são sentimentos comuns que podem impactar de forma significativa o bem-estar da gestante. Por isso, o acompanhamento multi/interdisciplinar se torna essencial, ao englobar os aspectos físicos, emocionais e sociais dessa fase. Uma equipe capacitada pode fornecer informações claras, esclarecer dúvidas e ajudar a gestante a enfrentar esse período de maneira mais segura e tranquila28.
Além da ansiedade ser o transtorno que mais acomete as gestantes e puérperas, a DPP também é uma preocupação relevante. A DPP caracterizada como uma das manifestações psíquicas mais comuns no puerpério, provoca uma intensa instabilidade emocional, falta de confiança, sentimentos de incapacidade, anedonia e, em casos mais graves, ideação suicida29.
Os motivos que contribuem para o surgimento de algum grau de ansiedade ou DPP são variados. Embora os aspectos emocionais sejam fundamentais, a literatura também enfatiza a importância dos determinantes sociais. Mulheres em contextos sociais desfavoráveis, com menor escolaridade e renda, sem apoio emocional do (a) parceiro (a), que enfrentam gravidez não planejada, violência doméstica, perdas fetais ou luto, são mais suscetíveis a vivenciar maiores desafios, como a ansiedade, o que pode afetar suas expectativas em relação à maternidade30. Nesse cenário, oferecer informações adequadas e acessíveis torna-se essencial para reduzir o impacto desses fatores de risco.
A cartilha aborda estratégias de enfrentamento para que as mulheres possam vivenciar o puerpério de maneira tranquila, reconhecendo sinais e sintomas de ansiedade, baby blues e DPP, facilitando o acesso à informação. No entanto, o acesso limitado aos serviços de saúde, o estigma social, a falta de recursos e o subdiagnóstico anda são barreiras significativas. Para superá-las, a implementação de intervenções de baixo custo e fácil acesso, como as cartilhas, materiais informativos, grupos de apoio, retorno gradual às atividades cotidianas e programas de educação em saúde mental, torna essencial para prevenir e manejar a DPP e promover o bem-estar das mulheres31.
É importante que as tecnologias educacionais sejam submetidas à validação por juízes ou especialistas ou avaliadas pelo público-alvo, que avaliam cada item para determinar se ele representa adequadamente o domínio de interesse. O processo de avaliação visa garantir a qualidade da cartilha destinada ao público-alvo, com foco na clareza e precisão das informações. Assim, ao participarem do estudo, as gestantes concordaram com a aplicabilidade dessa tecnologia educacional para promover um puerpério saudável. Neste estudo, as participantes avaliaram a cartilha em quatro aspectos principais: conteúdo, linguagem, ilustrações e compreensão. Todos os itens foram considerados relevantes, não havendo sugestões referentes às modificações.
A avaliação de tecnologia educacional junto ao público-alvo é recomendada, pois permite que os pesquisadores identifiquem lacunas, dificuldades de compreensão e discrepâncias entre o que foi escrito e o que foi entendido. Isso é especialmente importante considerando a diversidade do letramento em saúde do público. Além disso, a apresentação organizada e atrativa do conteúdo contribui para uma leitura eficaz, desde que haja coerência entre as informações fornecidas e aquelas percebidas como relevantes e interessantes por parte das participantes32.
Uma cartilha educativa bem elaborada é um recurso informativo valioso em estratégias de educação em saúde, principalmente na APS, pois facilita a compreensão, é de fácil acesso e reforça as orientações transmitidas verbalmente pela equipe de saúde. O benefício do formato impresso está na possibilidade de a mulher levá-la consigo, permitindo tirar dúvidas que possam surgir e atua como um apoio às orientações recebidas durante as consultas de pré-natal e puerpério. Para que esse recurso seja eficaz, é essencial que os profissionais estejam atentos às questões relacionadas ao letramento em saúde, garantindo que as orientações sejam coerentes com a realidade e as necessidades de cada gestante ou puérpera.
A principal limitação do estudo foi a ausência de validação da cartilha por juízes, que compromete a validade formal do conteúdo para aplicação em contextos clínicos mais amplos. A avaliação foi centrada apenas na aceitabilidade pelo público-alvo, no entanto, teve uma boa avaliação e aceitabilidade pelo público-alvo, o que afirma a sua relevância.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo descrever o desenvolvimento de uma cartilha educativa sobre ansiedade e depressão no puerpério, com vistas a oferecer uma tecnologia educacional prática e acessível para as gestantes e puérperas. Os resultados obtidos demonstraram que foi bem avaliada pelas participantes em relação ao conteúdo, à linguagem e à organização.
O produto tecnológico gerado abordou sobre a importância da identificação precoce dos sinais e sintomas, acesso ao tratamento e fortalecimento dos vínculos familiares. Sendo assim, são necessárias mais pesquisas para avaliar o impacto da cartilha a longo prazo e para adaptar o material a diferentes contextos culturais. Também, ressalta-se a necessidade de validação por especialistas em estudos futuros.
Acredita-se que a disseminação e replicabilidade da cartilha, a capacitação de profissionais para reconhecerem sinais e sintomas, a importância da saúde mental durante esse período e a implementação de políticas públicas que priorizem a saúde mental das mulheres durante o período perinatal e durante o puerpério são fundamentais para garantir o bem-estar materno e infantil.
Como contribuições, tem-se que a cartilha poderá contribuir com a educação em saúde haja vista que fornece informações importantes acerca da saúde mental e das alterações que ocorrem nesse período, o fortalecimento do vínculo com as usuárias e a promoção da saúde materno-infantil. Ao utilizar essa ferramenta, os enfermeiros podem desempenhar um papel fundamental na identificação precoce prevenção e tratamento dos transtornos psiquiátricos no puerpério, promovendo a saúde e o bem-estar do binômio mãe-bebê e de suas famílias.
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Fonte: elaborada pelos autores, 2024.
Fonte: elaborada pelos autores, 2024.