RESUMO
The Piperaceae family has a wide distribution and species richness, mainly in the Amazonian and Atlantic forests. In Brazil, there are 474 registered species distributed in the genera Manekia Trel., Peperomia Ruiz & Pav., and Piper L. The fruits are arranged in spikes, racemes or umbels of spikes, with bats being their main dispersers. The present study aimed to morphologically describe the seeds of Piper in the Parque Estadual da Serra da Tiririca, located in the State of Rio de Janeiro, in the municipalities of Niterói and Maricá. Seeds from herbariums were analyzed after being extracted from the fruit, cleaned, and photographed. Morphological characteristics such as seed shape, symmetry, and color were considered in order to assist in species determination and contribute to studies on bat diet.
Palavras-chave:
Atlantic forest; bats; food; morphology; taxonomy
ABSTRACT
A família Piperaceae possui ampla distribuição e riqueza de espécies, principalmente nas florestas Amazônica e Atlântica. No Brasil são registradas 474 espécies distribuídas nos gêneros Manekia Trel., Peperomia Ruiz & Pav. e Piper L.; os frutos estão arranjados em espigas, racemos ou umbela de espigas, sendo os morcegos seus principais dispersores. O presente estudo possuiu como objetivo descrever morfologicamente as sementes de Piper no Parque Estadual da Serra da Tiririca, localizado no Estado do Rio de Janeiro nos municípios de Niterói e Maricá. Foram analisadas sementes oriundas de herbários após serem extraídas do fruto, limpas e fotografadas. Na caracterização morfológica foram consideradas características como a forma da semente, simetria e cor que reunidas, trazem subsídios para auxiliar na determinação das espécies e colaborar com estudos sobre a dieta dos morcegos.
Keywords:
alimento; Mata Atlântica; morcegos; morfologia; taxonomia
Introdução
A família Piperaceae tem ampla distribuição e grande diversidade principalmente nas florestas Amazônica e Atlântica (Callejas 2020, Guimarães et al. 2015). Para o Brasil foram registradas 474 espécies distribuídas nos gêneros Manekia Trel., Peperomia Ruiz & Pav. e Piper L. com ocorrência em todos os biomas, sendo facilmente registradas inclusive em ambientes antropizados (Guimarães et al. 2015).
Piper possui seus frutos arranjados em espigas, racemos ou umbela de espigas, sendo pouco atrativos visualmente (Guimarães et al. 2020). Frequentemente, quando desenvolvidos, apresentam cor verde, amarela ou marrom, liberando óleo essencial e odor forte que atrai os morcegos, seus principais dispersores (Bizerril 2000, Mikich et al. 2003). De modo geral, estes animais ao se alimentarem dos frutos, engolem as sementes que ao passar pela mastigação e pelo trato intestinal não são danificadas (Nogueira & Peracchi, 2003).
O conhecimento a respeito das sementes de Piper é reduzido, tendo em vista que apenas Callejas (1986) e Carvalho-Silva e colaboradores (2015) as descreveram, respectivamente, para Piper subgênero Ottonia e duas novas espécies.
Desta forma, o objetivo deste estudo foi descrever morfologicamente as sementes de Piper L. que ocorrem no Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) cujas características serão úteis para auxiliar na delimitação das espécies, contribuindo para a taxonomia do gênero e auxiliando nos estudos ecológicos na dieta dos morcegos.
Material e métodos
Área de estudo - O PESET está localizado no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, abrangendo os municípios de Niterói e Maricá (22º48’-23º00’S; 42º57’-43º02’W, datum WGS 84). Criado pela Lei Estadual nº 1901/1991 e com seus limites definitivos determinados pela Lei Estadual nº 5079, de 03 de setembro de 2007, contando com partes continentais (Serra da Tiririca, Morro das Andorinhas, Serra Grande e a laguna de Itaipu) e uma marinha (Enseada do Bananal), abrangendo uma área de 2.077 ha. Esses limites foram ampliados pelo Decreto-Lei nº 41.266 de 16 de abril de 2008, abrangendo uma área de 186 ha no entorno da Laguna de Itaipu, resultando na inclusão de três sítios arqueológicos: Duna Grande, Duna Pequena e Sambaqui Camboinhas. Tal área foi denominada Núcleo Restinga e Duna de Itaipu. Em 2012 o Parque passou por mais um processo de ampliação (Decreto nº 43.913 de 29 de outubro de 2012), onde cerca de 90% da Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, as Ilhas do Pai, Mãe e Menina e o Morro da Peça foram adicionados ao Parque, totalizando uma área de 3.514 ha. A precipitação média é de aproximadamente 1.172 mm anuais. A temperatura média anual fica em aproximadamente 23,7º C. A umidade relativa média anual é de 79,1%, e a direção predominante dos ventos é de sul-sudeste (SSE). A vegetação é de floresta ombrófila densa submontana em estágio secundário inicial e médio, com costões rochosos com vegetação rupícola. Ocorrência também de restinga herbácea e manguezal (INEA 2015).
Na análise das sementes de Piper L. o estudo teve por base consultas às coleções oriundas de herbários R, RB e RFFP e o estudo taxonômico abrangeu revisão bibliográfica sobre os táxons referentes a Piperaceae da Serra da Tiririca (Queiroz et al. 2020, Barros 2008).
Para extração de sementes foram selecionadas até três exsicatas da mesma espécie, conforme a disponibilidade, de frutos maduros, sendo extraídos cinco unidades de cada, a fim de obter um número mínimo para comparação e análise. Em seguida, foram fervidos em água para amolecimento do pericarpo durante 1 a 2 minutos para facilitar a limpeza manual com auxílio de pinça e estilete, posteriormente as sementes foram colocadas em imersão no hipoclorito de sódio 5% durante 30 min, seguindo as técnicas adaptadas para o beneficiamento de sementes utilizadas por Nobre (1994), e Gemaque et al. (2002) dando sequência com a imersão das sementes em ácido acético 1% por um minuto e emergindo em água para lavagem. Em seguida as sementes foram fotografadas, utilizando o microscópio estereoscópico Leica MZ75 acoplado à câmara clara.
Na caracterização morfológica das sementes foram consideradas a forma da testa e para descrição, teve como base Stearn (1995) e Yuncker (1972, 1973), simetria, forma do ápice e base, de acordo com Radford et al. (1974), a cor conforme o glossário Beentje (2010), as descrições dos arranjos da testa (tegumento) das sementes visualizada através do MEV, foram baseadas em Murley (1951) e Guimarães et al. (2007), as informações referentes às plantas, origem e distribuição (Guimarães et al. 2020, Tropicos.org 2023), a etimologia tomou como base (Rizzini 1978) e nas descrições geográficas (Guimarães et al. 2020, Tropicos.org, 2023). As métricas foram realizadas com o auxílio de lupa de mesa e régua milimetrada.
Resultados e Discussão
Para o PESET foram identificadas 12 espécies e uma variedade: Piper aduncum L., P. amalago L., P. anisum (Spreng.) Angely, P. arboreum Aubl. var. arboreum, P. arboreum var. hirtellum Yunck., P. divaricatum G. Mey., P. fluminense Raddi, P. grazielae Carv.-Silva & E.F.Guim., P. hoffmannseggianum Roem. & Schult., P. klotzschianum (Kunth) C. DC., P. mollicomum Kunth, P. rivinoides Kunth e P. tuberculatum Jacq.
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Tratamento TaxonômicoChave de identificação das Sementes de Piper L.
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1. Sementes 4-sulcadas
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2. Ápice agudo-apiculado não truncado ............................................................................................ P. anisum
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2. Ápice truncado-apiculado ou misto, truncado e agudo-apiculado ou obtuso apiculado
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3. Base truncada, margem enegrecida ........................................................................ P. hoffmannseggianum
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3. Base côncava, margem não enegrecidas
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4. Ápice truncado-apiculado ...................................................................................................... P. grazielae
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4. Ápice misto, truncado, agudo-apiculado ....................................................................... P. klotzschianum
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1. Sementes 1-3 sulcadas ou desprovidas de sulcos
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5. Sementes 3 sulcadas, obtriangulares
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6. Ápice truncado, raso depresso ....................................................................................... P. divaricatum
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6. Ápice obtuso apiculado, não raso depresso ...................................................................... P. rivinoides
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5. Sementes uni-sulcadas ou desprovidas de sulcos
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7. Sementes elípticas, obovado-elípticas
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8. Sementes obovado-elíptica, ápice truncado-raso-côncavo ............................................ P. aduncum
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8. Sementes elípticas, ápice obtuso-apiculado ou côncavo
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9. Ápice obtuso apiculado ................................................................................................ P. amalago
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9. Ápice côncavo não apiculado
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10. Ápice longo-côncavo, base assimétrica ............................................................ P. mollicomum
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10. Ápice curto-côncavo, base simétrica ............................................................... P. tuberculatum
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7. Sementes retangular-oblongas ou elíptico-transversas
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11. Sementes elíptico-transversas, ápice profundo-côncavo .................................... P. fluminense
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11. Sementes retangular-oblongas, ápice truncado ou obtuso, curto-côncavo
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12.Ápice truncado, curto-côncavo, coloração marrom avermelhada .................................................................................................................................................P. arboreum var. arboreum
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12. Ápice obtuso, curto-côncavo, coloração marrom escuro ............................................................................................................................................................P. arboreum var. hirtellum
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Descrição das sementes e distribuição geográfica
1. Piper aduncum L., Sp. Pl. 29. 1753
Sementes das espécies de Piper L. do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, Maricá, Estado do Rio de Janeiro, Sudeste do Brasil. a. P. aduncum L. b. P. amalago L. c. P. anisum (Spreng.) Angely. d. P. arboreum Aubl. var. arboreum. e. P. arboreum var. hirtellum Yunck.. f. P. divaricatum G. Mey. g. P. fluminense Raddi. h. P. grazielae Carv.-Silva & E.F.Guim. i. P. hoffmannseggianum Roem. & Schult. j. P. klotzschianum (Kunth) C. DC. k. P. mollicomum Kunth. l) P. rivinoides Kunth. m. P. tuberculatum Jacq. Estado do Rio de Janeiro, sudeste do Brasil.
Figure 1
Seeds of Piper L. species from Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, Maricá, State of Rio de Janeiro, Southeast Brazil. a. P. aduncum L. b. P. amalago L. c. P. anisum (Spreng.. Angely. d. P. arboreum Aubl. var. arboreum. e. P. arboreum var. hirtellum Yunck. f. P. divaricatum G. Mey. g. P. fluminense Raddi. h. P. grazielae Carv.-Silva & E.F.Guim. i. P. hoffmannseggianum Roem. & Schult. j. P. klotzschianum (Kunth) C. DC. k. P. mollicomum Kunth. l. P. rivinoides Kunth. m. P. tuberculatum Jacq. State of Rio de Janeiro, southeastern Brazil.
Sementes largo-transversas 1-1,5 × 1,3-1,5 mm, obovado-elípticas, assimétricas, desprovidas de sulcos e de gomos, paredes laterais uma reta e outra curva; margens não enegrecidas, base assimétrica, côncava, ápice truncado, obtuso, raso-côncavo, levemente depresso; cor marrom escura.
Etimologia: O epíteto deriva do latim “aduncus, a, um” que significa recurvado, em decorrência das inflorescências curvas.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO.Niterói, Córrego dos Colibris, Itaipú, 10-II-2017, fr., Y.J. Ramos, 14 (RB); Engenho do Mato, Morro do Cordovil, Sítio Lagoinha, 7-III-2007, fr., A.A.M. de Barros et al., 2747 (RB); Sítio do Acácio, 19-III-2016, fr., G.A. de Queiroz, D.N.S. Machado e E.S. Alves, 351 (RB, RFFP).
Distribuição Geográfica: Argentina, Belize, Bolívia, Caribe, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Peru, Suriname, Estados Unidos, Venezuela. No Brasil nos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Norte, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina (Guimarães; Medeiros; Queiroz, 2020; Tropicos.org, 2023).
2. Piper amalago L., Sp. Pl. 1: 29. 1753
Sementes largo transversas 1,2-1,5 × 1,2-1,5 mm, elípticas, simétricas, desprovidas de sulcos, paredes laterais curvas, margens não enegrecidas, base simétrica, truncado-obtusa, subcôncava, desprovida de gomos; ápice simétrico, obtuso-apiculado; cor marrom.
Etimologia: O epíteto corresponde ao nome popular na Jamaica que significa “pimenteira das Antilhas”.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO. Niterói, Itaipu, Morro das Andorinhas, 21-VIII-2002, fr., T.A.M. Muritiba et al., 35 (RB); Morro das Andorinhas, 18-VII-2015, fr., M.C.F. Santos et al., 232 (RB); Silvado, Maricá, 19-III-1999, fr., G.A. Queiroz & D.N.S. Machado 225 (RB, RFFP).
Distribuição Geográfica: Argentina, Belize, Bolívia, Caribe, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Peru, Suriname, Estados Unidos e Venezuela. No Brasil, nos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe, Santa Catarina.
3. Piper anisum (Spreng.) Angely, Flora Descritiva do Paraná 2: 387. 1978
Sementes largo-transversas 1,5-1,7 × 1,2-1,2 mm, elípticas, simétricas, provida de gomos não projetados e de sulcos, quatro-sulcadas, paredes laterais curvas; margens não enegrecidas, base simétrica, subcôncava, obtusa; ápice agudo-apiculado, não truncado; cor: marrom escura.
Etimologia: Epíteto oriundo do latim “anisum” que por sua vez deriva do grego “anisos”. O epíteto, provavelmente, está relacionado ao odor semelhante ao do anis, encontrado em Pimpinella anisum L. (Apiaceae).
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO.Niterói, Engenho do Mato, Morro do Telégrafo, Sítio Três Nascentes, 08.X.2000, fr., W.B. de Carvalho et al., 230 (RB).
Distribuição Geográfica: Brasil nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo.
4. Piper arboreum Aubl. var. arboreum Yunck., Hist. pl. Guiane 1: 23. 1775
Sementes largo-transversas, 1,5-2 × 1,5-1,5 mm, retangular-oblongas, simétricas ou subssimétricas, desprovidas de sulco e de gomos, paredes retas do ápice à base; margens não enegrecidas, base simétrica ou subssimétricas, retangular-transversas, truncada ou subtrucadas, ápice simétrico ou subsimétrico, truncado, curto côncavo, cor marrom avermelhada.
Etimologia: Do latim “arboreus, a, um” que se refere ao porte da espécie que se apresenta semelhante ao aspecto semelhante à árvore.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO.Niterói, Itaipu, Parque Estadual da Serra da Tiririca, Córrego dos Colibris, 28-XI-1997, fr., R. de C.C. Silva et al., 45 (RB); Engenho do Mato, Morro do Cordovil, Rua Itália, 5-VI-2015, fr., D.N.S. Machado, L.R. Caires & L.P.M. de Moraes 621 (RB); Itaipu, Serra Grande, 15-VIII-2015, fr., G.A. de Queiroz et al., 274 (RB).
Distribuição Geográfica: Belize, Bolívia, Caribe, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Suriname, Venezuela. Brasil nos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo, Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina.
4.1 Piper arboreum Aubl. var. hirtellum, Ann. Missouri Bot. Gard. 37 (1): 64. 1950
Sementes largo-transversas, 1,2-2 × 1,2-1,7 mm retangular-oblongas, assimétricas, desprovida de sulcos e de gomos, paredes laterais retas ou subretas; margens não enegrecidas, base assimétrica, truncada ou subtruncada, ápice subassimétrico ou assimétrico, obtuso, curto-côncavo; cor marrom escura.
Etimologia: Epíteto oriundo do latim “arboreus, a um” que se remete ao porte semelhante a árvore da espécie. O nome do epíteto é oriundo da folha, “hirtellus, a, um”, relacionado à pilosidade na face abaxial da folha.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO. Niterói, Engenho do Mato, Morro do Cordovil, Rua Itália, Parque Estadual da Serra da Tiririca 5-VII-2015, fr., D.N.S. Machado, L.R. Caires & L.P.M. de Moraes, 621 (RB); Morro do Cordovil, Vale das Borboletas, Trilha da Jararaca, 26-II-2013, fr., G.A. Queiroz, A.A.M. Barros & D.N.S. Machado, 105 (RB).
Distribuição Geográfica: Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Suriname, Venezuela. Brasil nos Estados do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Tocantins.
5. Piper divaricatum G. Mey., Prim. Fl. Esseq. 15, fig. 86. 1818
Sementes largo-transversas, 2,0-2,0 × 2,0-2,0 mm, obtriangulares, obpiramidais, levemente assimétricas ou simétricas, providas de sulcos e de gomos, três sulcada, paredes laterais curvas afuniladas em direção à base côncava com gomos sutis; ápice truncado, apiculado, raso depresso; cor marrom escura.
Etimologia: O epíteto específico vem do latim “divaricatus, a, um” que significa ramos muito abertos, largamente divergentes.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO. Magé, Nova Marília. Maringá. Próximo da BR-116, 30-VI-2012, fr., E.A. Ribeiro 330 (RB); Magé, Santo Aleixo, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, base avançada campo Coruja, trilha principal, 23k., 21-XII-2019, fr., E.A.Ribeiro et al., 633 (RFFP, RB).
Distribuição Geográfica: Brasil, Acre, Amazonas, Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe. Bolívia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, México, Suriname, Venezuela.
6. Piper fluminense Raddi, Nuovo Giorn. Lett., Sci. 17 (40): 4. 1828
Sementes largo-transversas, 1,5-1,5 × 1,7-2 mm, elíptico-transversas, assimétricas ou subssimétricas, desprovida de sulcos e de gomos projetados, paredes laterais curvas; margens não enegrecidas, base assimétrica, arredondada, obtuso-truncada, truncada ou subtruncada, ápice arredondado e profundo-côncavo, cor marrom escura.
Etimologia: O epíteto deriva do latim flumine - rio e rio - ensi, relacionado à localidade típica da espécie do Estado do Rio de Janeiro.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO, Niterói, Morro do Cordovil, Vale das Borboletas, Trilha da Jararaca, Parque Estadual da Serra da Tiririca, 26-II-2013, fr., G.A. Queiroz, A.A.M. Barros & D.N.S. Machado, 107 (RB); Engenho do Mato, Morro do Telégrafo, Sitio Três Nascentes, 8-X-2000, fr., W.B. de Carvalho et. al., 207 (RB); Itaipu, Córrego dos Colibris, parte baixa inicial, 24-IV-1997, fr., L.J.S. Pinto et al., 03 (RB).
Distribuição Geográfica: Guiana Francesa e Brasil nos Estados do Acre, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina.
7. Piper grazielae Carv.-Silva & E.F.Guim., Acta Bot. Brasil. 36: 11. 2022.
Sementes largo-transversas, 1,5-2, × 1,2-1,2 mm, elípticas, simétricas, sutilmente providas de gomos e de sulcos, projetados quatro-sulcadas, paredes levemente curvas, margens não enegrecidas, base subsimétrica, obtusa, côncava, ápice truncado-apiculado; cor vermelho acastanhado.
Etimologia: O epíteto foi em homenagem a botânica Dra. Graziela Maciel Barroso.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO.Niterói, Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, Serra do Malheiro, Sítio Pomar, 3-VI-2005, fr., N. Coqueiro et al., 119 (RB).
Distribuição Geográfica: Brasil nos Estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo Santa Catarina.
8. Piper hoffmannseggianum Roem. & Schult., Mant. 1: 242. 1822
Sementes largo-transversas, 1,5-1,5 × 1,2-1,5 mm, retangular-oblongas, simétricas ou subssimétricas, provida de gomos projetados e de sulcos, quatro-sulcadas, paredes laterais curvas, margens enegrecidas, base truncada simétrica, ápice obtuso-apiculado, cor marrom avermelhada.
Etimologia: O epíteto foi dado homenagem ao botânico e entomologista alemão Johann Centurius Hoffmann Graf von Hoffmannsegg (1766-1849).
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro.Niterói, Engenho do Mato, Morro do Telégrafo, Sítio Grotão de Manoel Bonfim, Trilha da Barreira. 14-III-2005, fr., A.A.M. de Barros et al., 2448 (RB); Engenho do Mato, Morro do Telégrafo, Trilha da Barreira, 4-XII-2002, fr., P. T. dos Santos et al., 87 (RB); Engenho do Mato, Morro do Telégrafo, Trilha da Barreira 7-III-2004, fr., A.A.M. de Barros et al., 2135 (RB).
Distribuição Geográfica: Brasil nos Estados do Acre, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo.
9. Piper klotzschianum (Kunth) C. DC., Prodr. 16 (1): 257. 1869.
Sementes largo-transversas 1,5-1,5 × 1,3-1,5 mm, retangular-oblongas, assimétricas ou subssimétrica, provida de sulcos e de gomos, quatro-sulcadas, paredes laterais curvas, margens não enegrecidas, base assimétrica, raso-côncava, desprovida de gomos projetados, ápice misto, truncadoe agudo-apiculado, cor marrom escura.
Etimologia: O epíteto foi dado em homenagem ao botânico alemão Johann Friedrich Klotzsch (1805-1860).
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO.Niterói, Morro do Telégrafo, Beira da Rua trinta e um, 5-X-2011, fr., G.A. de Queiroz et al., 3 (RB); Jacaré, Núcleo Darcy Ribeiro, Serra do Cantagalo, Estrada Frei Orlando, 11-X-2017, fr., A.A.M. Barros et al., 5510 (RB); Vale do Jacaré, Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, Serra do Cantagalo, Sítio do Acácio, 17-III-2012, fr., A.A.M. de Barros, E. Simonato & D.M.S. Nepomuceno 4549 (RB).
Distribuição Geográfica: Brasil nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro.
10. Piper mollicomum Kunth, Linnaea 13: 648. 1839.
Sementes não largo-transversas 1-1 × 1,2-1 mm larg., elípticas, desprovidas de sulcos e de gomos, paredes laterais levemente curvas, margens não enegrecidas, base assimétrica, curto-côncava; ápice longo-côncavo, não apiculado, simétrico ou subssimétrico, cor marrom escura.
Etimologia: O epíteto vem do latim “mollis, e” que significa macio, dotado de tricomas macios e “coma, ae” que é igual à cabeleira devido à pilosidade sedosa da face abaxial das folhas macias.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO. Niterói, Morro do Telégrafo, Córrego dos Colibris, 5-IV-2013, fr., G.A. de Queiroz et al., 112 (RB); Itaipuaçu, Morro do Telégrafo, Sítio do Céu, 19-II-2002, fr., A. A. M. de Barros, 1394 (RB); Itaipú, trilha B no Córrego dos Colibris, 10-II-2017, Y.J. Ramos 15 (RB).
Distribuição Geográfica: Colômbia e Venezuela. No Brasil, nos Estados Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Tocantins.
11. Piper rivinoides Kunth, Linnaea 13: 682. 1839.
Sementes largo-transversas 1,5-1,5 × 1,5-2,0 mm larg., obovadas, obtriangulares, obpiramidais, 3 sulcadas com gomos, simétricas ou subssimétrica, paredes laterais curvas, margens não enegrecidas, base simétrica, obtusa e truncada, ápice obtuso, apiculado, não raso depresso, cor marrom escura.
Etimologia: O epíteto está relacionado à Rivinia L. gênero de Phytolaccaceae e “oides, odes, oideus”, do grego, que significa assemelhando-se, devido à semelhança entre as espécies desse gênero.
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO.Niterói, Itacoatiara, Enseada do Bananal, 26-V-2000, fr., M.G. Santos et al., 1417 (RB); Itacoatiara, Enseada do Bananal, 29-V-2002, fr., A.A.M. de Barros, L.J.S. Pinto & H.P. Moreira, 1541 (RB); Itaipu, Morro do Telégrafo, Vale dos Córregos dos Colibris. 1-V-2014, G.A. de Queiroz et. al., 152 (RB).
Distribuição Geográfica: Brasil nos Estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina.
12. Piper tuberculatum Jacq., Icon. Pl. Rar.2(16): 2, t. 211. 1795.
Sementes largo-transversas 1,5-1,5 × 1,2-1,5 mm, elípticas, assimétricas, desprovidas de sulcos e de gomos, paredes laterais levemente curvas; margens não enegrecidas, base simétrica, obtusa, levemente côncava; ápice obtuso, curto-côncavo, não apiculado; cor marrom escura.
Etimologia: Epíteto deriva do latim “tuberculatus, a, um” dotado de tubérculos, está relacionado à presença destas estruturas, semelhantes a pequenas verrugas que estão dispostas no tronco, ramos e pecíolos (RIZZINI, 1978).
Material examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO. Niterói, Engenho do Mato, na confluência da Rua São Sebastião com a Rua 41, a Local da coleta 2-VI-2017, fr., D.N.S. Machado & T.S. Mendes 2118 (RB).
Distribuição Geográfica: Belize, Bolívia, Caribe, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Suriname, Estados Unidos, Venezuela. Brasil nos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins.
Conclusão
Trata-se de estudo pioneiro neste grupo de plantas e ressalta-se sua contribuição para a taxonomia do gênero. A pesquisa sobre as 13 sementes das espécies de Piper contendo uma variedade do Parque Estadual da Serra da Tiririca, permitiu observar diferentes formas em relação ao seu contorno como, elípticas, elíptico-transversas, obovado-elipticas, triangulares ou obpramidais, às vezes, retangulares ou oblongas, providas ou não de 1 a 4 sulcos, variáveis na base e ápice, como também nas cores, simetria e dimensões de comprimento e largura.
Vale mencionar que o mesmo dará grande apoio para a identificação dos táxons de Piper, além de auxiliar no melhor entendimento sobre a alimentação dos morcegos frugívoros.
Agradecimentos
Aos Curadores do Herbário RB, Doutores Rafaela C. Forzza e José Fernando Andrade Baumgratz do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
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Nelson Augusto dos Santos Júnior


