Open-access Identificação e caracterização de terapeutas ocupacionais sobre ações relacionadas à escola 1

Resumo

Introdução  A educação é um dos campos de atuação da terapia ocupacional; no entanto, pouco se sabe sobre a realidade do Distrito Federal, Brasil, em relação à presença e às práticas de terapeutas ocupacionais no contexto escolar.

Objetivo  Identificar e caracterizar terapeutas ocupacionais do Distrito Federal, Brasil, que realizaram intervenções relacionadas à escola, além de conhecer os locais de atuação e as práticas desenvolvidas.

Método  Estudo transversal, descritivo e exploratório, de abordagem quantiqualitativa, com a participação de 40 terapeutas ocupacionais do Distrito Federal, Brasil, que responderam a um formulário online sobre informações socioeconômicas, formação acadêmica, experiência profissional e práticas no contexto escolar.

Resultados  A atuação dos terapeutas ocupacionais em relação ao contexto escolar ocorre, principalmente, a partir do contexto clínico, atendendo a demandas individuais. As práticas mais citadas envolvem orientações a professores e familiares, e indicação de tecnologias assistivas – práticas que contribuem para a melhoria da participação dos estudantes e da equipe na escola. Discute-se sobre a importância dessas práticas, que respondem a demandas necessárias, e o distanciamento entre os terapeutas ocupacionais e a escola, o que limita a identificação de demandas intrínsecas à diversidade desse ambiente e a articulação de práticas diretas no espaço escolar e em sua comunidade sob uma perspectiva mais ampla.

Conclusão  A ausência de terapeutas ocupacionais como profissionais atuantes no espaço escolar evidencia a urgência da discussão sobre a criação de tais oportunidades. Acredita-se que estudos dessa natureza podem fomentar reflexões e contribuir para o avanço das discussões sobre um campo ainda em aberto para a terapia ocupacional.

Palavras-chave:
Terapia Ocupacional; Contexto escolar; Escolas; Educação; Inclusão escolar

Abstract

Introduction  Education is one of the fields of occupational therapy practice; however, little is known about the reality of the Federal District, Brazil, regarding the presence and practices of occupational therapists within the school context.

Objective  To identify and characterize occupational therapists from the Federal District, Brazil, who have conducted interventions related to school, as well as to understand their workplace locations and the practices developed.

Method  This is a cross-sectional, descriptive, and exploratory study with a quantitative and qualitative approach, involving 40 occupational therapists from the Federal District, Brazil, who responded to an online questionnaire about socioeconomic information, academic background, professional experience, and practices within the school context.

Results  The work of occupational therapists in relation to the school context primarily occurs from a clinical standpoint, addressing individual demands. The most cited practices involve guidance for teachers and families, and indication of assistive technologies – practices that contribute to improving the participation of students and staff at school. It discusses the importance of these practices, which respond to necessary demands, and the distance between occupational therapists and the school, which limits the identification of demands intrinsic to the diversity of this environment and the articulation of direct practices in the school space and its surroundings. community from a broader perspective.

Conclusion  The absence of occupational therapists as professionals working within the school setting highlights the urgency of discussing the creation of such opportunities. It is believed that studies of this nature can foster reflection and contribute to advancing discussions about a field still open to occupational therapy.

Keywords:
Occupational Therapy; School context; Schools, Education; Mainstreaming; Education

Introdução

Um dos principais desafios da escola é efetivação da proposta de inclusão, que objetiva proporcionar uma educação acessível e equitativa para todos, demandando articulação interprofissional e intersetorial (Cardoso & Matsukura, 2012).

O terapeuta ocupacional é um dos profissionais que atuam nos contextos escolares e que acompanhou os movimentos em prol da inclusão escolar. Sua atuação, inicialmente, era voltada para pessoas com deficiência, consideradas público-alvo da educação especial, em instituições educacionais de caráter filantropo-assistencial e, posteriormente, em classes especiais integradas à rede regular de ensino (Rocha, 2007; Silva & Lourenço, 2016). Ao longo da história, essa atuação se ampliou, articulando-se também com diversos públicos vulneráveis à exclusão escolar, em diálogo com as políticas sociais (Pereira et al., 2021).

Em 2016, a criação do Grupo de Trabalho de Terapia Ocupacional e Educação, durante o IV Seminário Nacional de Pesquisa de Terapia Ocupacional, teve como objetivo apoiar a atuação do terapeuta ocupacional no âmbito da educação, da escola e nos processos de escolarização (Pereira et al., 2021). Posteriormente, a aprovação da Resolução n.º 500 do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional passou a reconhecer a especialidade de “Terapia Ocupacional no Contexto Escolar” e indicou que as práticas da profissão envolvem a atuação em diferentes ambientes e níveis educacionais, com os atores que compõem esses espaços, incluindo a comunidade educativa, estudantes e familiares, independentemente de suas condições de existência. Essas práticas podem demandar conhecimentos diversos da terapia ocupacional, com o intuito de viabilizar ou favorecer uma participação mais efetiva dos diversos sujeitos nas ocupações e atividades relacionadas a esses ambientes (Brasil, 2018).

Trata-se de um documento que contribuiu para as discussões, apresentou possibilidades de ações e suscitou reflexões sobre outras práticas voltadas a esses espaços. Nesse sentido, alguns pesquisadores brasileiros, inspirados em estudos sociológicos, apontam para a importância de uma atuação profissional que contemple a diversidade de demandas da educação (Lopes & Borba, 2022a).

Estudos recentes realizados em diversas regiões brasileiras abordam experiências de terapeutas ocupacionais em relação à educação – a maioria deles tendo a escola como foco – e revelam a diversidade de práticas profissionais, que podem envolver demandas de todos os atores presentes nesses espaços e estar articuladas a diferentes perspectivas teóricas e metodológicas (Squassoni et al., 2021; Folha & Monteiro, 2017; Marcelino et al., 2020; Nascimento et al., 2021; Lopes & Borba, 2022b; Farias et al., 2023). Tais elementos reforçam a amplitude e a complexidade da escola e do campo da educação.

Entre as práticas relatadas em estudos brasileiros, destacam-se: a capacitação de professores em relação a temas específicos, para instrumentalização, aprimoramento da prática cotidiana e redução dos sentimentos de insegurança (Squassoni et al., 2021); a intervenção via consultoria colaborativa por meio da utilização de estratégias construídas de forma articulada com todos os atores envolvidos no processo de inclusão, a saber: professor, aluno, família, entre outros (Fernandes et al., 2019; Folha & Monteiro, 2017); a indicação, produção e implementação de adaptações, ajustes e recursos de tecnologia assistiva para auxiliar os professores e viabilizar a participação de estudantes com deficiência nas escolas de ensino regular (Marcelino et al., 2020); a construção de espaços lúdicos e de convivência para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em instituições públicas, para promover a saúde mental infantojuvenil (Nascimento et al., 2021); a realização de oficinas de atividades, dinâmicas e projetos com jovens em situação de vulnerabilidade social e cultural em escolas públicas, para aproximação, acompanhamento de demandas e fortalecimento da participação social (Farias et al., 2023), entre outras possibilidades.

Apesar da diversidade de ações, a maioria dos estudos aponta para práticas pontuais, descrevendo intervenções realizadas em casos específicos, bem como para práticas de interface, o que parece indicar que os terapeutas ocupacionais realizam ações relacionadas à escola conforme as demandas apresentadas pelos atendidos, a partir de serviços como, clínicas, instituições da sociedade civil, serviços de saúde, de assistência social, dentre outros (Fernandes et al., 2019; Souto et al., 2018).

Mais recentemente, foi publicado um estudo (Lins et al., 2023a) que abordou as práticas e desafios de cinco terapeutas ocupacionais do Distrito Federal que realizaram ações relacionadas ao contexto escolar. Esse estudo revelou a realização de práticas como formação, orientação e capacitação de professores e auxiliares, adaptação curricular, de atividades e de mobiliário, realizadas em um contexto desafiador em razão, principalmente, da resistência das escolas e das atitudes sociais diante da inclusão. O estudo destacou o pouco conhecimento acerca da realidade do Distrito Federal e a importância de ampliar essas investigações.

Assim, os estudos supracitados sugerem que há pouca participação de terapeutas ocupacionais como profissionais contratados pela educação, atuando especificamente nesses espaços, e pouco se sabe acerca dessa realidade no Distrito Federal, inclusive sobre a existência de profissionais contratados pela educação. Isso revela a importância de investir em estudos que ampliem as discussões e busquem um melhor conhecimento sobre o tema. Diante desse cenário, este estudo identificou e caracterizou terapeutas ocupacionais do Distrito Federal que realizaram intervenção relacionada à escola, além de investigar os locais de atuação e as práticas realizadas por esses profissionais.

Método

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa e quantitativa (Sampieri et al., 2006), com a participação de 40 terapeutas ocupacionais inscritas no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional 11 (CREFITO-11), residentes e atuantes no Distrito Federal, que haviam realizado intervenções no contexto escolar ou em interface com a educação, e que tinham, no mínimo, seis meses de experiência profissional. Foram excluídos do presente estudo respondentes que não haviam realizado intervenção relacionada à educação, que representavam outros estados, que ainda não haviam concluído a graduação e que responderam ao questionário mais de uma vez.

Os dados foram coletados entre junho e setembro de 2022, em ambiente virtual, de forma não presencial, por meio de formulário elaborado no aplicativo gerenciamento de pesquisas Google forms. Foram coletadas informações sobre a caracterização dos participantes (gênero, faixa etária, ano de conclusão da graduação, instituição de formação e local de atuação profissional), a contratação pela educação para atuar como terapeuta ocupacional do serviço, o local de atuação nessa modalidade, e as práticas relacionadas à inclusão escolar realizadas como profissional da escola ou a partir de outros serviços.

Para recrutamento, um texto foi compartilhado nas redes sociais WhatsApp, Facebook e Instagram para divulgar o tema e os objetivos da pesquisa, e o link para os interessados poderem acessar as informações e iniciarem o processo de participação no estudo (detalhamentos da pesquisa, assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e, por último, acesso ao formulário de coleta de dados).

Os dados recolhidos foram organizados, quantificados e tabulados por meio do programa Excel ®, analisados de acordo com as categorias selecionadas a partir dos questionamentos que compuseram o formulário, e discutidos à luz do referencial teórico contemporâneo da terapia ocupacional no contexto escolar, documentos legislativos e políticas públicas voltadas à educação.

A presente pesquisa faz parte de um estudo mais amplo realizado no âmbito do grupo de pesquisa “Caminhos: formação, educação e terapia ocupacional”, vinculado ao curso de Terapia Ocupacional da Universidade de Brasília - Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde, foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Brasília sob o Parecer n.º 5.369.909 e seguiu as diretrizes e normas regulamentadoras da Resolução CNS n.º 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.

Resultados e Discussão

Para contextualizar as participantes, foram coletadas informações referentes a aspectos sociodemográficos, acadêmicos e profissionais.

Das 40 participantes, 36 (90%) eram mulheres e quatro (10%) homens. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos realizados em diferentes estados brasileiros, que indicam que mais de 80% dos terapeutas ocupacionais são mulheres (Mariotti et al., 2016; Krug, 2014; Souza et al., 2018). No Distrito Federal, a profissão também parece ter predominância feminina.

Considerando que a maioria dos participantes do presente estudo era do gênero feminino, optou-se por utilizar esse gênero para referir-se a esses profissionais.

Este estudo revelou que a maioria das participantes tinha entre 21 e 30 anos (n=30; 75%), seguidas por aquelas com idades entre 31 e 40 anos (n=7; 17%) e entre 41 e 50 anos (n=3; 18%). Outros estudos também contaram com amostras compostas por terapeutas ocupacionais jovens, com formação recente (Mariotti et al., 2016; Graeber et al., 2018).

É possível que essa informação seja resultado do método de coleta de dados deste estudo, que pode ter limitado o alcance a outros profissionais. Sugere-se que novos estudos utilizem outras formas de coleta de dados como, por exemplo, visita aos serviços que contam com terapeutas ocupacionais e/ou a ampliação da divulgação do estudo.

Com relação à instituição de formação das participantes, a maioria delas se formou na Universidade de Brasília (UnB) (n=36; 90%), seguida da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (n=2; 5%), Pontifícia Universidade Católica de Campinas (n=1; 2,5%) e Universidade Federal de São Carlos (n=1; 2,5%). Ressalta-se que esse resultado era esperado, uma vez que o recorte deste estudo envolveu terapeutas ocupacionais que atuavam no Distrito Federal, onde fica sediada a UnB, atualmente a única universidade pública da região Centro-Oeste que oferece curso de graduação em terapia ocupacional.

As participantes foram questionadas sobre seu local de atuação profissional e sinalizaram mais de um local de trabalho. Das 36 que responderam à essa pergunta, pouco mais da metade informou que atuava em contexto clínico na rede privada (n=24; 51%), conforme mostrado na Tabela 1.

Tabela 1
Local de atuação das participantes do estudo.

As terapeutas ocupacionais participantes deste estudo atuam em diversos locais; no entanto, verifica-se que a maioria está vinculada à área da saúde. Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Souza et al. (2018), que identificaram as áreas de atuação de terapeutas ocupacionais no estado do Sergipe e relataram que a maioria das profissionais atuava na área de neurodesenvolvimento infantil, em clínicas e consultórios privados ou hospitais. Nesse sentido, hipotetiza-se que essa seja também a realidade da profissão em outras regiões brasileiras, e sugere-se que outros estudos busquem identificar essas informações.

Em relação à atuação na educação, Souza et al. (2018) relatam que, em Sergipe, apenas 10% das terapeutas ocupacionais atuavam nesse campo. No presente estudo, apesar do foco na educação, identificou-se que apenas 6% (n=3) das participantes tinham vínculo empregatício com esse setor (duas em creche e uma em escola privada), e nenhuma delas indicou atuação na rede pública de ensino, o que sugere a possível ausência de terapeutas ocupacionais nesses espaços no Distrito Federal.

A terapia ocupacional desenvolve importantes ações na escola; no entanto, questiona-se se os obstáculos à contratação de terapeutas ocupacionais como integrantes de equipes escolares no Distrito Federal estão relacionados ao desinteresse por essa atuação, à ausência de oportunidades ou à existência de ofertas mais atrativas em outras áreas da profissão.

Além disso, considera-se que a falta de reconhecimento por boa parte do setor e a inexistência de documentos legais que prevejam essas contratações constituem um dos maiores obstáculos para o ingresso de terapeutas ocupacionais na escola e em outros contextos educacionais. Isso demanda investimentos em estudos, reflexões e mobilizações que evidenciem a necessidade desse profissional, visando garantir seu lugar nas equipes.

Realidade e práticas da terapia ocupacional em contextos escolares no Distrito Federal

Com intuito de conhecer a realidade da atuação de terapeutas ocupacionais no Distrito Federal, as participantes foram questionadas se já haviam sido contratadas pelo setor da educação; no entanto, das 40 participantes, apenas sete informaram que já haviam tido essa experiência, nos seguintes locais e formas de atuação: escola de ensino infantil e fundamental (n=4), consultoria para escolas (n=1), proprietária de creche e pré-escola onde também atua como terapeuta ocupacional (n=1) e empresa de material didático (n=1). Esse resultado sugere algumas ações das terapeutas ocupacionais em relação à educação, ao mesmo tempo em que aponta para a pouca inserção dessas profissionais nesses ambientes, limitando as possibilidades de intervenção.

Diferentemente, em outros países como os Estados Unidos, pioneiro na inserção da terapia ocupacional nas escolas, o profissional está regulamentado e sistematizado nos contextos educacionais (Borba et al., 2021; Souza, 2021). Em Portugal, a atuação do terapeuta ocupacional nas escolas também parece comum, com intervenções ocorrendo em vários espaços, como salas individuais e áreas externas à comunidade escolar (Maia et al., 2016).

No Brasil, até o momento, tem-se a Resolução n.º 500 do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Brasil, 2018), que reconhece essa especialidade da profissão e menciona os diversos espaços de atuação do profissional com relação ao contexto escolar, como em salas multifuncionais, universidades, centros sociais, escolas regulares, escolas especiais, hospitais, terceiro setor e domicílios. No entanto, essa resolução por si só pode não ser suficiente para garantir a participação de terapeutas ocupacionais nesses espaços, evidenciando a necessidade de reconhecimento por parte do setor educacional para a elaboração de políticas efetivas que prevejam a contratação e inserção de terapeutas ocupacionais de modo concreto.

Por outro lado, considerando as indicações das participantes sobre os locais e formas de atuação no contexto escolar, estudos nacionais também indicam atuação nos diversos contextos citados (escolas, creches e consultorias), e os colocam como possibilidades que avançam na proposta da inclusão de terapeutas ocupacionais na educação (Gebrael & Martinez, 2011; Marcelino et al., 2020; Baleotti & Zafani, 2017; Folha & Monteiro, 2017).

As creches, por exemplo, são reconhecidas como um espaço favorável ao desenvolvimento infantil, proporcionando menor vulnerabilidade e estimulação adequada para o bom desenvolvimento da criança (Jurdi et al., 2018). Logo, acredita-se que os conhecimentos da terapia ocupacional podem contribuir para os objetivos desses espaços.

Destaca-se, considerando a realidade revelada neste estudo, uma profissional que atua como proprietária e, também, como terapeuta ocupacional de uma creche escola, serviço que se tornou parceiro do curso de terapia ocupacional da Universidade de Brasília e que iniciou a oferta de estágio supervisionado em terapia ocupacional do curso voltado para o campo da educação. Esse estágio é considerado um avanço para a formação e para a profissão na região. Em complemento, é importante conhecer as práticas realizadas e os resultados obtidos a partir dessa experiência para refletir sobre novas possibilidades para o campo.

Informa-se que um dos critérios para a participação neste estudo foi a realização, atual ou passada, de intervenções na escola ou em interface com a educação. Embora apenas três participantes tenham sido contratadas diretamente pelo setor educacional, todas as 40 participantes haviam realizado práticas relacionadas ao contexto escolar, mesmo que a partir de outros espaços de trabalho.

Compreende-se a importância de as terapeutas ocupacionais realizarem ações a partir de outros contextos de atuação, no sentido de atender às demandas daqueles que as procuram, promover articulações intersetoriais e interprofissionais, suprir a lacuna de terapeutas ocupacionais no setor da educação, estabelecer parcerias e divulgar a atuação da profissão nessa área, ou até mesmo como um caminho para ingressar efetivamente como profissionais da educação. Por outro lado, reitera-se a importância de ampliar e inserir terapeutas ocupacionais em contextos escolares para a realização de ações a partir da educação, na educação e para a educação, visando, inclusive, à consolidação de um campo que continua em desenvolvimento no Brasil e no mundo.

De todo modo, independentemente do contexto de partida, este estudo identificou as práticas realizadas pelas participantes em relação à escola. Para isso, foi solicitado que elas descrevessem uma situação de intervenção e apontassem: quem solicitou o terapeuta ocupacional, se houve deslocamento até a escola, as práticas realizadas nessa intervenção e os resultados obtidos.

Quando questionadas sobre os principais atores que solicitavam o terapeuta ocupacional para atender às demandas escolares, verificou-se que a maioria das solicitações partiram da escola/professor e da família, conforme indicado na Tabela 2.

Tabela 2
Atores que solicitam o terapeuta ocupacional para atender às demandas escolares (n=36).

O estudo de Duarte et al. (2018), realizado no Rio de Janeiro, revelou que a escola é a principal encaminhadora para os serviços do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij). Esse resultado indica que a escola tem um importante papel na detecção de demandas dos estudantes, e se torna um espaço fundamental e privilegiado de ações de promoção da inclusão escolar e social.

Nesse sentido, estudos envolvendo profissionais da rede pública de ensino apontam que os professores se sentem despreparados para identificar e lidar com as demandas do cotidiano, expressando um sentimento de insegurança e insuficiência, mesmo entre aqueles que fizeram cursos de especialização voltados para o público-lavo da educação especial, por exemplo (Rocha et al., 2022; Squassoni et al., 2021). Isso revela a importância da aproximação interprofissional para articular processos de inclusão, além de permitir reflexões sobre as ferramentas na prática dos professores, sua saúde mental e as condições de trabalho às quais estão submetidos.

O presente estudo não envolveu a escola ou os professores para obter um conhecimento mais aprofundado dessa realidade no Distrito Federal, e sugere-se que novos estudos considerem essa lacuna. De todo modo, considera-se que a atuação com os professores também faz parte da prática do terapeuta ocupacional no contexto escolar, que pode ser realizada por meio de orientações, palestras, capacitações, atuação em parceria, articuladamente, em prol da promoção da inclusão e da oferta de ferramentas para a prática, visando à redução do sentimento de impotência e ao encaminhamento mais efetivo das demandas (Lins et al., 2023b). Além disso, a terapia ocupacional pode contribuir com ações que promovam cuidado e saúde direcionadas aos professores, por meio da construção de espaços para trocas e compartilhamento, rodas de conversa, utilizando práticas integrativas e complementares, auxiliando a organização da rotina com orientações relacionadas ao descanso e ao sono, entre outras.

Este estudo indica, ainda, que os familiares estão entre os principais atores solicitantes dos serviços de terapia ocupacional para demandas relacionadas à escola, evidenciando a importância de articular as práticas com esses sujeitos. Eles desempenham um papel fundamental na efetivação dos encaminhamentos e outras ações necessárias para melhorar a participação na escola e promover a inclusão escolar e social. Além disso, a família pode ser alvo de intervenções por meio de escuta, orientações, esclarecimentos e acompanhamentos, entre outras.

Rocha et al. (2018) apresentaram uma ação intersetorial envolvendo profissionais de um serviço de saúde, da educação, estudantes e terapeuta ocupacional para a promoção da inclusão escolar de uma criança com paralisia cerebral e deficiência intelectual, que vivia em casa, em situação de vulnerabilidade socioeconômica e com redes sociais fragilizadas. Essas autoras apontam que a inclusão escolar dessa criança demandou ações que antecediam a esse processo, ou seja, a atuação iniciou-se por meio da viabilização do acesso a direitos básicos e do suporte de uma rede, efetivados por meio da oferta de cuidados clínicos aos pais da criança, do acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), da aquisição de uma cadeira de rodas e de banho feito pela Unidade Básica de Saúde e do acesso a um serviço de Equoterapia – ações que subsidiaram o acesso à escola. Posteriormente, foi realizada articulação com a escola que demandou por intensa participação dos profissionais para que a criança pudesse realizar as atividades de forma regular.

Ou seja, a atuação do terapeuta ocupacional na escola em prol da inclusão é complexa e pode demandar ações intersetoriais, exigindo que esses profissionais articulem a garantia de direitos, promovendo o exercício da cidadania e a participação social de estudantes, familiares e educadores, os quais podem subsidiar o acesso, a permanência e o sucesso da inclusão. Assim, ressalta-se a elaboração de estratégias para ampliar o diálogo intersetorial por meio de ações articuladas e em parceria com as redes de ensino, de saúde, de assistência social e outras que se fizerem necessárias.

Quando questionadas se haviam se deslocado até a escola para realizar intervenções, das 40 participantes, 33 (82,5%) responderam positivamente, seis (15%) responderam negativamente e uma (2,5%) não respondeu à pergunta.

Convém destacar que a maioria das profissionais que participaram deste estudo não foi contratada diretamente pelo setor da educação, sendo vinculadas a serviços clínicos e realizando ações pontuais na ou para a escola, em resposta a demandas específicas. Acredita-se que a atuação do terapeuta ocupacional pode demandar um contato mais próximo com a escola, o que pode contribuir para um diálogo mais aberto e fortalecer os vínculos com os atores envolvidos nas intervenções. Isso pode ocorrer por meio de orientações, treinamentos, ofertas de oficinas, bem como através de indicações e acompanhamento de adaptações, ajustes ou recursos de tecnologia assistiva, por exemplo.

Entende-se que ações pontuais realizadas a partir de outros contextos podem responder a demandas que emergem da escola e contribuir para viabilizar ou facilitar a participação do estudante nas atividades cotidianas. Entretanto, compreende-se que esse distanciamento pode excluir a identificação de demandas que só são percebidas quando o terapeuta ocupacional está inserido no contexto escolar, que vão além de necessidade individualizadas e consideram, também, o coletivo e as atividades que compõem a dinâmica desse espaço.

Em continuidade, todas as 40 participantes informaram as práticas realizadas em relação ao contexto escolar de forma livre, e sinalizaram mais de uma resposta. As práticas mais apontadas incluem orientações a pais e educadores (n=23; 28%) e adaptações/tecnologia assistiva (n=17; 21%), como mostrado na Tabela 3.

Tabela 3
Práticas realizadas pelas terapeutas ocupacionais relacionadas ao contexto escolar.

Os resultados apresentados na Tabela 3 corroboram os achados de outros estudos nacionais. Cunha (2017) conduziu um estudo no estado do Piauí e identificou que terapeutas ocupacionais realizam orientações gerais a professores sobre o uso de recursos de tecnologia assistiva e de adaptações de mobiliário como estratégias para a promoção da inclusão. No estado de São Paulo, Cardoso & Matsukura (2012) relataram que as práticas mais realizadas por terapeutas ocupacionais com relação à inclusão escolar eram orientações aos pais e professores, e Lins et al. (2023b) descreveram uma proposta de capacitação de professores do ensino público para promoção da inclusão de estudantes. Em Pernambuco, Marcelino et al. (2020) indicaram ações como análise de desempenho, reunião com pais e profissionais, avaliação da acessibilidade do ambiente, realização de palestras, confecção de recursos de tecnologia assistiva, entre outras. No Pará, Folha & Monteiro (2017) apresentam uma experiência de consultoria colaborativa na qual foram sugeridas adaptações de atividades e de materiais para a melhoria da escrita e orientações aos educadores sobre o uso dos recursos.

As práticas reveladas por este estudo também foram apontadas no estudo de Maia et al. (2016), que abordou a realidade de Portugal, relatando ações como sessões de culinária, atividades de vida diária, sessões de movimento, grupos de autonomia e funcionalidade, intervenções transdisciplinares, entre outras.

Autores brasileiros apontam a consultoria colaborativa como uma estratégia utilizada pelo terapeuta ocupacional no processo de inclusão escolar (Baleotti & Zafani, 2017; Gebrael & Martinez, 2011; Folha & Monteiro, 2017). Por meio da consultoria colaborativa, é possível reunir conhecimentos e esforços, de maneira não hierárquica, para a tomada de decisões e planejamento de intervenções a partir das necessidades subjetivas dos alunos (Baleotti & Zafani, 2017).

Sobre essa estratégia, o estudo realizado por Folha & Monteiro (2017) revelou que uma das demandas destacadas por uma educadora foi justamente a dificuldade no manuseio de materiais. Nesse sentido, a partir da consultoria colaborativa, as seguintes estratégias foram propostas: adaptações nas atividades e em materiais, orientação sobre como utilizar lápis com diâmetro, introdução de atividades que estimulam a coordenação motora fina e visomotora e adaptações nas atividades de escrita.

O estudo de Gebrael & Martinez (2011), realizado com 10 professores e 10 alunos com baixa visão da educação infantil regular traz um exemplo de consultoria colaborativa realizada por terapeutas ocupacionais com o objetivo de ampliar o repertório de estratégias e recursos de professores, a fim de fortalecer a independência dos alunos. Para tanto, foi realizado um estudo prévio das habilidades das crianças nas tarefas de autocuidado, como também do repertório dos educadores, a fim de elaborar um programa chamado PRÓ-AVD. Essa consultoria colaborativa resultou no aumento do repertório dos professores nas atividades de higiene e alimentação dos alunos com baixa visão.

Dessa forma, observa-se que a atuação do terapeuta ocupacional no contexto escolar parece ocorrer, sobretudo, possibilitando aos educandos a participação mais efetiva por meio de adaptações necessárias, como também com os profissionais da escola por meio do aprimoramento de condutas e estratégias.

As práticas relatadas tanto neste estudo como nos estudos supracitados buscam sobrepor barreiras que possam impedir ou dificultar a participação plena e efetiva nas escolas e, portanto, estão em consonância com políticas públicas da área (Baleotti & Zafani, 2017; Brasil, 2007, 2015, 2018).

Estas práticas são importantes e devem compor o repertório do terapeuta ocupacional nos espaços escolares; no entanto, elas revelam dois pontos que merecem atenção. Um deles é que a maioria das práticas citadas envolvem orientações e realização de ações pontuais, revelando o distanciamento do profissional do espaço escolar e dos atores que o frequentam, o que é compreensível uma vez que a maioria das participantes deste estudo atua em contexto clínico. Porém, esse distanciamento limita a percepção de outras demandas que podem emergir da escola, como barreiras relacionadas à convivência com as diferentes pessoas e culturas, aos diversos marcadores sociais da diferença (classe, raça/etnia, gênero, sexualidade, deficiência, etc.), às dificuldades de acesso e permanência, a impasses relacionados à equipe escolar, inclusive em relação a sentimento de impotência e frustração, ao preparo para transição e outras etapas de vida, entre outros. Essas demandas poderiam ser identificadas a partir da integração do terapeuta ocupacional como um dos profissionais da equipe escolar.

O outro ponto a considerar é que, possivelmente, pelo fato de as práticas apontadas neste estudo partirem, na maioria das vezes, do contexto clínico, algumas delas parecem direcionadas a públicos específicos e de modo individualizado, remetendo às ações realizadas no início da atuação da profissão na escola, especialmente com pessoas com deficiência (Rocha, 2007).

O público-alvo da educação especial é um foco das ações do terapeuta ocupacional na escola, mas não o único. Considera-se a escola um contexto amplo e complexo, composto por um público diverso que pode apresentar demandas relacionadas ou não a condições de existência e que, interferindo na participação escolar, podem ser foco de ações da terapia ocupacional, individual e coletivamente. Uma inserção mais efetiva na escola poderia fomentar ações mais coletivas, fortalecer os vínculos com a comunidade escolar, possibilitar uma compreensão mais detalhada do cotidiano e promover um diálogo mais alinhado aos referenciais teóricos e metodológicos do campo da educação.

A atuação a partir da clínica continua sendo importante; porém, considera-se que a profissão investiu e ampliou suas possibilidades, agregando práticas que envolvem todos os que apresentam demandas que comprometem ou impedem sua participação plena nas atividades que compõem a dinâmica escolar, sejam elas relacionadas ao aprendizado de conteúdos formais, à participação nas atividades acadêmicas, profissionais, e dinâmicas culturais da escola, a períodos de transição entre ciclos de vida ou não, independentemente de diagnósticos ou aspectos similares. Além disso, tais práticas devem alcançar não somente estudantes, mas também professores e profissionais que atuam no contexto escolar e familiares e comunidades do território onde a escola se encontra, individual ou coletivamente.

Nesse sentido, acredita-se que a atuação do terapeuta ocupacional como profissional da escola pode contribuir para a percepção dessas e de outras demandas próprias desse contexto. Por outro lado, destaca-se que a formação do terapeuta ocupacional ainda está fortemente vinculada a ações em saúde. Embora isso também possa ser um desafio para a apropriação de práticas voltadas à educação, considera-se que o investimento em uma formação específica na área da educação pode contribuir para a oferta de práticas que atendam aos objetivos da profissão em relação à educação, envolvendo a viabilização/ aprimoramento de ocupações escolares, desempenho ocupacional, participação social, exercício da cidadania, autonomia e inclusão.

Ainda, as participantes foram questionadas sobre os resultados obtidos a partir de suas práticas, e 31 delas relataram informações positivas, enquanto duas apresentaram outros relatos sobre essas intervenções. Entre aquelas que relataram resultados positivos, podendo fornecer mais de uma resposta, os dados revelaram que houve melhoria na participação e no desempenho escolar (n=13), conforme indicado na Tabela 4.

Tabela 4
Resultados obtidos a partir das práticas relacionadas às demandas da escola.

Nota-se que as terapeutas ocupacionais percebem que suas práticas contribuem para a melhoria da participação do aluno nas atividades que compõem a dinâmica do contexto escolar, para o melhor preparo da equipe para lidar com situações do cotidiano e para a redução de frustrações. Algumas participantes (n=7; 20%) informaram apenas que os resultados foram satisfatórios, sem oferecer maiores detalhes.

Também verificou-se que as práticas podem se desdobrar em outras iniciativas que apoiam as ações do terapeuta ocupacional na escola, como a realização de encaminhamentos e o agendamento de outros acompanhamentos.

Diversos estudos relatam resultados importantes advindos de práticas da terapia ocupacional nos contextos escolares, reforçando a importância da atuação dessas profissionais nesses espaços (Cardoso & Matsukura, 2012; Fonseca et al., 2018; Lins et al., 2023a).

Cardoso & Matsukura (2012) apresentaram resultados semelhantes aos do presente estudo, destacando como ações bem-sucedidas a preparação e/ou capacitação da escola e dos professores e a maior participação e autonomia nas atividades escolares dos alunos. Esses dados demonstram o potencial da atuação do terapeuta ocupacional na escola, em sinergia com a equipe escolar e os alunos. A intersecção entre a terapia ocupacional e a equipe escolar amplia as oportunidades de abordagem da equipe, além de maximizar o aprendizado e permanência do aluno na escola (Squassoni et al., 2021).

Por outro lado, duas participantes apresentaram outros relatos sobre suas práticas. Uma das terapeutas ocupacionais informou que a escola fez as adaptações solicitadas por ela, mas não soube conduzi-la de forma satisfatória, o que causou constrangimento ao aluno e o abandono da adaptação. A outra participante informou que não houve tempo para visualizar os resultados.

A falta de preparo da equipe escolar para o processo de inclusão escolar é uma das principais barreiras para a atuação da terapia ocupacional no contexto escolar, e a presença de terapeutas ocupacionais na escola pode viabilizar a implementação de projetos (Fonseca et al., 2018). Os relatos aqui apresentados reforçam a premissa da relevância da presença de terapeutas ocupacionais nos contextos escolares no Distrito Federal, tanto para a identificação de demandas, conforme já discutido, como para uma melhor adesão e compreensão das propostas, além de assegurar acompanhamento, continuidade e resultados mais eficazes.

Considerações Finais

Este estudo apresentou aspectos da realidade e das práticas das terapeutas ocupacionais em relação aos contextos escolares, constatando que, na maioria das vezes, essas práticas são voltadas para a escola, mas direcionadas às demandas individuais dos estudantes e realizadas a partir do contexto clínico.

As principais ações realizadas pelas terapeutas ocupacionais envolvem orientações a professores e familiares, além da indicação de adaptações e recursos de tecnologia assistiva, que são percebidas pelas profissionais como contribuições importantes para a melhoria da participação dos estudantes nas atividades escolares, para o melhor preparo da equipe quanto ao cotidiano escolar e para a redução de frustrações.

Considera-se que a realidade identificada aponta para práticas importantes que atendem demandas necessárias, mas evidencia-se que o distanciamento do terapeuta ocupacional da escola dificulta a identificação e atuação em relação a demandas individuais e coletivas, que são intrínsecas ao público diverso e ao próprio espaço onde as práticas escolares ocorrem, especialmente nas instituições públicas. Esses resultados destacam a lacuna de terapeutas ocupacionais no setor da educação no Distrito Federal, foco do presente estudo, assim como em outras regiões do Brasil.

Reafirmamos a importância desta pesquisa por abordar sobre uma realidade pouco explorada e por apresentar elementos relevantes para discussão, além de contribuir para pensar as possibilidades da terapia ocupacional na educação no Distrito Federal, somando-se a outros estudos sobre o tema.

Sugere-se que novos estudos envolvam um número maior de profissionais, incluindo aqueles que já foram ou são contratadas pelo setor de educação da região, para compreender melhor aspectos como o período de contratação, sua duração, entre outros detalhes.

Considera-se que o desenvolvimento de estudos semelhantes em outras regiões do país pode contribuir para um melhor entendimento da articulação entre terapia ocupacional e escola, além de promover o avanço das discussões sobre as diversas possibilidades de atuação da profissão nesse contexto.

  • 1
    O presente estudo é parte de pesquisa mais ampla intitulada “Terapia Ocupacional no contexto escolar: realidade, desafios e potencialidades”, sob responsabilidade da primeira autora.
  • Como citar:
    Lins, S. R. A., Correia, R. S., & Farias, M. N. (2024). Identificação e caracterização de terapeutas ocupacionais sobre ações relacionadas à escola. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, 32(spe), e3681. https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoAO283236811
  • Fonte de Financiamento
    Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).

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Editado por

  • Editora de seção
    Profa. Dra. Beatriz Prado Pereira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Dez 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    16 Nov 2023
  • Revisado
    24 Maio 2024
  • Aceito
    20 Ago 2024
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