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Cadernos de Saúde Pública

versão On-line ISSN 1678-4464

Resumo

BRILHANTE, Aline Veras Morais; NATIONS, Marilyn Kay  e  CATRIB, Ana Maria Fontenelle.Taca cachaça que ela libera”: violência de gênero nas letras e festas de forró no Nordeste do Brasil. Cad. Saúde Pública [online]. 2018, vol.34, n.3, e00009317.  Epub 08-Mar-2018. ISSN 1678-4464.  http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00009317.

A violência contra a mulher é, antes de tudo, uma questão de valores culturais hierárquicos de gênero produzidos socialmente. Desse modo, esta pesquisa buscou compreender os sentidos atribuídos à violência sexual contra a mulher expressa nas letras de forró por rapazes adolescentes residentes na periferia de Fortaleza, Ceará, Brasil. Partimos da etnomusicologia, cuja teoria considera que estudos de músicas regionais e suas performances transpõem o espaço geográfico de sua execução, na medida em que descortinam práticas universalmente disseminadas de legitimação de violências. A pesquisa foi realizada em escolas estaduais do bairro Bom Jardim, na periferia de Fortaleza. Esse bairro registra os piores índices de violências contra as mulheres do município. Foram realizados grupos focais com seis a oito participantes, em que foram debatidas três músicas de forró cujas letras remetiam à violência sexual. Os resultados demonstraram como as músicas reproduzem e influenciam ideologias patriarcais entre os jovens nordestinos. Observa-se nas falas o discurso do “estupro reverso”, que busca justificar a violência sexual por meio da inversão de papeis de gênero, ignorando assimetrias socialmente construídas. O forró se demonstra uma arena de gênero, onde gladiadores competem para registrar ideias de masculinidade, sexualidade e relações de gênero, replicando o sexismo dominante na sociedade contemporânea e contribuindo para a perpetuação da violência contra a mulher.

Palavras-chave : Cultura; Música; Violência Contra a Mulher; Gênero e Saúde; Etnologia.

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