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Neotropical Ichthyology

versão impressa ISSN 1679-6225versão On-line ISSN 1982-0224

Resumo

DAGOSTA, Fernando C. P.  e  PINNA, Mário C. C. de. A history of the biogeography of Amazonian fishes. Neotrop. ichthyol. [online]. 2018, vol.16, n.3, e180023.  Epub 11-Out-2018. ISSN 1982-0224.  https://doi.org/10.1590/1982-0224-20180023.

A história do conhecimento da biogeografia amazônica é tão rica quanto sua comunidade de peixes e um tema fascinante de estudo em si. Vários paradigmas e controvérsias atuais sobre a biogeografia de peixes amazônicos estão enraizados em princípios que datam da segunda metade do século 18 até a primeira metade do século 19. O presente trabalho estabelece uma relação entre as idéias biogeográficas atuais e seus antecessores antigos a partir de uma análise histórica cronologicamente orientada. O advento da teoria evolutiva não contribuiu significativamente para a transformação do conhecimento sobre a biogeografia dos peixes amazônicos. Por outro lado, as duas principais escolas de pensamento biogeográfico (dispersalista e vicariante) tiveram grandes implicações sobre a interpretação da distribuição de peixes amazônicos. O processo foi gradual e muitas hipóteses combinaram elementos de cada uma das duas tradições. Cronologicamente, praticamente toda a história da biogeografia amazônica ocorre dentro do paradigma evolutivo, embora seu fundador Louis Agassiz fosse ele próprio um anti-evolucionista. O nascimento da biogeografia amazônica é o relatório de viagem de Agassiz na Amazônia. Esse documento deixa claro que o autor não considerou o dispersalismo como uma explicação válida para os padrões biogeográficos que encontrou. Mais tarde, Carl Eigenmann ajuda a disseminar a tradição dispersalista como modelo para explicações biogeográficas na distribuição de peixes, uma fase que perdurou até o final do século 20. Uma grande mudança ocorre com as contribuições de Marylin Weitzman, Stanley Weitzman e Richard Vari, que associaram a dimensão temporal de hipóteses filogenéticas com padrões de distribuição, revelando o poder preditivo da biogeografia vicariante. O paradigma atual começa com o trabalho de John Lundberg e busca incorporar informações geomorfológicas e filogenéticas em hipóteses biogeográficas integrativas. Alguns problemas emblemáticos atrasaram a proposição de hipóteses gerais sobre a biogeografia vicariante de peixes da América do Sul, como o mau estado de conhecimento de sua sistemática em nível de espécie; o registro de distribuição geográfica incompleto para a maioria das espécies e dados escassos ou inexistentes sobre a história filogenética da maioria dos táxons supraespecíficos. Essas desvantagens agora estão sendo corrigidas em um ritmo acelerado. Avanços recentes na distribuição geográfica e um número crescente de hipóteses filogenéticas permitirão inéditas análises biogeográficas de grande escala, inclusive aquelas baseadas em modelos de eventos e inferência bayesiana. Assim, a biogeografia dos peixes sul-americanos, especialmente os amazônicos, deve experimentar em breve uma nova era de progresso. O sucesso dessa nova fase dependerá de sua capacidade de reconhecer e segregar múltiplas camadas temporais sobrepostas de mudanças hidrológicas e desenvolver ferramentas analíticas que possam lidar com a mistura temporal.

Palavras-chave : Amazonas; América do Sul; Biodiversidade; Ictiologia; Neotropical.

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