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Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia

On-line version ISSN 1677-9487

Arq Bras Endocrinol Metab vol.57 no.3 São Paulo Apr. 2013

https://doi.org/10.1590/S0004-27302013000300004 

CONSENSO DE TIREOIDE

 

Hipotireoidismo congênito: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

 

 

Léa Maria Zanini MacielI; Edna Teruko KimuraII; Célia Regina NogueiraIII; Glaucia M. F. S. MazetoIII; Patrícia Künzle Ribeiro MagalhãesI; Marilza Leal NascimentoIV; Suzana Nesi-FrançaV; Sandra E. VieiraVI

IDivisão de Endocrinologia e Metabologia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
IIInstituto de Ciências Biomédicas, USP, São Paulo, SP, Brasil
IIIDivisão de Endocrinologia e Metabologia, Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Botucatu, SP, Brasil
IVUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil
VUnidade de Endocrinologia Pediátrica, Departamento de Pediatria, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, PR, Brasil
VIDepartamento de Pediatria, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), SP, Brasil

Correspondência para

 

 


RESUMO

O hipotireoidismo congênito (HC) é o distúrbio endócrino congênito mais frequente, com incidência variando de 1:2.000 a 1:4.000 crianças nascidas vivas e uma das principais causas de retardo mental que pode ser prevenida. Os Programas de Triagem Neonatal para a doença permitem a identificação precoce dos afetados e seu tratamento de modo a evitar as complicações da falta do hormônio. A maioria dos casos de hipotireoidismo congênito é decorrente de disgenesias tireoidianas (85%), entre elas a ectopia, hipoplasia ou agenesia tireoidianas, e os demais resultam de defeitos de síntese hormonal. As crianças afetadas (> 95%) geralmente não apresentam sintomas sugestivos da doença ao nascimento. Os sintomas e sinais mais comuns são: icterícia neonatal prolongada, choro rouco, letargia, movimentos lentos, constipação, macroglossia, hérnia umbilical, fontanelas amplas, hipotonia e pele seca. Várias estratégias são utilizadas para a triagem do HC. No Brasil, esta é obrigatória por lei e geralmente é feita com a dosagem de TSH em sangue seco coletado do calcanhar. A idade recomendada para sua realização é após as 48 horas de vida até o quarto dia. A confirmação diagnóstica é obrigatória com as dosagens de TSH e T4 livre ou T4 total.

Descritores: Hipotireoidismo congênito; triagem neonatal


 

 

INTRODUÇÃO

O hipotireoidismo congênito (HC) é o distúrbio endócrino congênito mais frequente e com incidência variando de 1:2.000 a 1:4.000 crianças nascidas vivas em países com suficiência iódica (1,2) (B). No Brasil, a prevalência de HC é aproximada a esses valores, variando de 1:2.595 a 1:4.795 (3,4) (D). Entretanto, estudos recentes apontam para uma maior incidência do HC nos Estados Unidos, de 1:4094 em 1987 para 1:2372 em 2002 (5) (B). As razões para isso não estão muito claras, mas é justificada por alguns pesquisadores pela maior detecção de casos subclínicos da doença devido à utilização de níveis de corte mais baixos para o teste de triagem com hormônio estimulante da tireoide (TSH) e pela inclusão de hipotireoidismos transitórios (6-9) (D).

A prevalência do HC é variável entre os grupos étnicos, sendo consideravelmente menos prevalente entre os negros americanos que entre os hispânicos (1:10.000 x 1:2.700), assim como é mais prevalente em mulheres (2:1). Crianças com síndrome de Down têm um risco 35 vezes maior para apresentar o HC que a população geral (10) (B).

Na ausência de um diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria das crianças desenvolverá vários graus de deficiências neurológicas, motoras e de crescimento, incluindo o retardo mental irreversível.

 

MÉTODOS

Foram realizadas buscas ativas nas bases de dados primárias MedLine e SciELO, utilizando os seguintes termos descritivos (MeSH Terms): congenital hypothyroidism; neonatal screening.

Grau de recomendação e força de evidência:

A: Estudos experimentais e/ou observacionais de melhor consistência.

B: Estudos experimentais e/ou observacionais de menor consistência.

C: Relato de casos.

D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais.

 

1. QUAIS SÃO AS CAUSAS DO HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO?

A causa mais frequente de HC permanente resulta de defeitos na formação glandular durante a embriogênese, denominados disgenesias tireoidianas, e representa 85% dos casos (Tabela 1). Esse grupo inclui a ectopia, a agenesia e a hipoplasia tireoidianas, que representam 30%-45%, 35%-45% e 5% dos casos, respectivamente (11) (D). O entendimento preciso dessas alterações permanece desconhecido, apesar de mutações em fatores transcricionais que regulam o desenvolvimento da glândula tireoide como o thyroid transcription factor 2 (TTF-2), NKX2.1 (também conhecido como TTF-1) e o PAX-8 tenham sido implicadas. Entretanto, somente 2% dos casos de disgenesias apresentam essas mutações genéticas (12) (B). Esses fatores de transcrição se manifestam em outros tecidos e estão associados com HC sindrômico. Assim, mutações no NKX2.1, gene que participa do desenvolvimento do pulmão e cérebro, leva o recém-nascido (RN) a apresentar insuficiência respiratória neonatal e coreoatetose. Pacientes com mutações no TTF-2 se apresentam com cabelo espetado, palato fendido, atresia de anus e agenesia tireoidiana (11) (D).

Outras etiologias de HC permanente são os defeitos na produção hormonal, denominados de disormonogênese, e representam cerca de 15% dos casos. São defeitos autossômicos recessivos e incluem mutações em genes que codificam o transportador de iodo-sódio (NIS) (gene SLC5A5), a tireoperoxidase (TPO), a geração de peróxido de hidrogênio [thyroid oxidase e dual oxidase maturation factors (genes DUOXA1 e DUOX2)], a tireoglobulina (Tg) e a iodotirosina deiodinase (13).

Causas incomuns de HC incluem defeitos no transporte de hormônio tireoidiano (HT), como mutações no gene MCT 8 (monocarboxylate transporter 8) (14) (C), a resistência à ação do HT (síndrome de resistência ao hormônio tireoidiano) (15) (D), a resistência ao TSH (16) (C) e o hipotireoidismo central (17,18) (B).

O hipotireoidismo central decorre da deficiência isolada de TSH ou, mais comumente, do hipopituitarismo resultando na deficiência de diversos hormônios da adeno-hipófise. Mutações de diversos genes envolvidos no desenvolvimento ou função hipofisária foram implicadas, entre eles HESX1, LHX4, PIT-1 e PROP1. A resistência ao hormônio liberador de tireotrofina (TRH) (mutação no gene do receptor do TRH) também pode causar hipotireoidismo central (18).

A síndrome de resistência ao hormônio tireoidiano é uma doença rara com espectro clínico variável decorrente de diminuição da responsividade aos HT.

A resistência ao TSH é definida quando as concentrações séricas de TSH são elevadas (hipertireotrofinemia) na ausência de bócio. Indivíduos afetados têm glândula tireoidiana normal ou hipoplásica e valores séricos de T4 e T3 normais ou baixos.

Defeitos no transporte de HT causados por mutações no gene MCT-8, localizado no cromossomo X, fazem com que o transporte de T3 fique prejudicado, levando ao retardo mental. A síndrome é caracterizada por concentrações séricas elevadas de T3, baixas de T4 e elevadas de TSH.

Recomendação 1

A causa mais frequente de hipotireoidismo congênito permanente é a disgenesia tireoidiana, que inclui agenesia, ectopia e hipoplasia de tecido tireoidiano (B). Em segundo lugar, estão as disormonogêneses (B). Causas raras de HC são: hipotireoidismo central (B), síndrome de resistência ao hormônio tireoidiano (D), síndrome de resistência ao TSH (C) e mutações no MCT-8 (C).

 

2. O HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO PODE SER TRANSITÓRIO?

O HC pode ser transitório e resultar de diversas causas:

• ingestão excessiva (ou deficiente) de iodo pela mãe;

• ingestão materna de drogas antitireoidianas em mães portadoras de hipertireoidismo;

• passagem placentária de anticorpos maternos bloqueadores do receptor de TSH. Esse diagnóstico deve ser considerado quando houver relato de mais de um filho com hipotireoidismo transitório detectado pela triagem neonatal. Geralmente perdura 1 a 3 meses até que os anticorpos desapareçam da circulação;

• mutações em heterozigose das enzimas DUOX1 (gene DUOXA1) e de DUOX2 ou THOX (gene DUOX2);

• hemangiomas hepáticos de grandes dimensões (aumento da atividade da desiodase do tipo 3) (7,8) (D).

Pacientes considerados como sendo portadores de HC transitório foram acompanhados por três anos e apenas 47% evoluíram com hipotireoidismo permanente. Dessa forma, recomenda-se a reavaliação aos 3 anos para definir a permanência ou não da doença (19) (B).

Recomendação 2

O hipotireoidismo neonatal pode ser permanente ou transitório. Recomenda-se a reavaliação após os 3 anos de idade com a suspensão da levotiroxina (L-T4) nas crianças em tratamento, que não apresentem etiologia do hipotireoidismo estabelecida (B).

 

3. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DO HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO

A maioria das crianças com HC (> 95%) apresenta poucas ou nenhuma manifestação clínica da doença ao nascimento (20) (B). Isso se deve ao fato de o T4 materno passar a barreira placentária (21) (B) e também em função de a maioria das crianças afetadas apresentar algum tecido tireoidiano funcionante. Como o HT tem meia-vida de seis dias, por volta de 3-4 semanas de vida do RN, o hormônio materno será metabolizado e excretado.

As crianças afetadas, tipicamente, apresentam peso e estatura dentro da faixa de normalidade. Um dos primeiros sinais observados é a icterícia neonatal prolongada (22,23) (B). À medida que o tempo passa a criança sem diagnóstico se apresentará letárgica, com movimentos lentos, choro rouco, engasgos frequentes, constipação, macroglossia, hérnia umbilical, fontanela ampla, hipotonia, pele seca, cabelos ralos e adquire a fácies típica com nariz em sela. Poucos RN com disormonogênese apresentam bócio palpável ao nascimento, porém este pode aparecer mais tarde mesmo com tratamento (23). A radiografia de epífises do joelho poderá revelar atraso de ossificação, o que reflete a gravidade do hipotireoidismo fetal. Na tabela 2, encontram-se os sintomas ou sinais apresentados em crianças afetadas recém-diagnosticadas de acordo com a gravidade da doença (24) (B). Na triagem de neonatos brasileiros, o HC associou-se a hérnia umbilical (48,9%), base nasal alargada (46,6%) e icterícia prolongada além de 7 dias (44,4%); e 20% dos casos não tinham nenhuma manifestação clínica (25) (A).

 

 

Quando o diagnóstico etiológico do HC for hipopituitarismo, a criança terá tendência à hipoglicemia pela deficiência de hormônio do crescimento e do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)/cortisol e, se for do sexo masculino, apresentará micropênis. Essa criança corre risco de morte se não for detectada precocemente e geralmente não será detectada pela triagem neonatal quando esta é feita com a dosagem do TSH.

Recomendação 3

Apesar da possibilidade de ausência de manifestações clínicas em recém-nascidos com hipotireoidismo congênito, os sinais e sintomas descritos na tabela 2 devem servir de alerta (B).

 

4. O HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO PODE OCORRER EM ASSOCIAÇÃO A ANORMALIDADES CONGÊNITAS?

Crianças com HC têm risco adicional de apresentar malformações (10% vs. 3% nas crianças normais), afetando principalmente o coração (4 vezes mais), mas também os rins, o trato urinário e os sistemas gastrointestinal e esquelético (26,27) (B).

Crianças com HC e palato fendido podem apresentar mutações no TTF-2 (gene FOXE-1) (28) (C) e as com sintomas neurológicos persistentes, incluindo ataxia, são suspeitas de apresentarem mutações no gene NKX2 (29) (C).

Problemas auditivos ocorrem em até 20% das crianças com HC e todas as crianças afetadas deverão ser submetidas a teste de screening auditivo (30,31) (B).

Não existe um consenso para a realização de testes de screening para anomalias congênitas, entretanto, um exame físico cuidadoso é importante e, na presença de qualquer alteração ao exame, a criança deverá ser encaminhada para avaliação.

O conhecimento precoce de outras malformações em portadores de HC pode modificar o prognóstico dos pacientes (32) (B).

Recomendação 4

É recomendado o screening auditivo e um exame físico cuidadoso para a pesquisa de outras anormalidades congênitas em crianças com hipotireoidismo congênito (B).

 

5. A TRIAGEM NEONATAL É EFICAZ PARA O RASTREAMENTO PRECOCE DO HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO?

O principal objetivo da triagem neonatal para o HC é evitar as sequelas, principalmente o retardo mental secundário ao hipotiroidismo, o que pode ser conseguido com o início da terapêutica adequada nas duas primeiras semanas de vida (33) (B).

A triagem neonatal para o HC é rotina nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa, em Israel, no Japão, na Austrália e na Nova Zelândia e está em desenvolvimento no Leste Europeu, na América do Sul, na Ásia e na África.

A sensibilidade dos testes de triagem neonatal para HC é elevada, o que a torna eficaz para rastrear a doença. Estudos populacionais realizados na Europa e nos Estados Unidos relatam sensibilidades próximas de 97% a 100% e especificidades de 98% a 100% (34,35) (A).

Recomendação 5

A triagem neonatal é recomendada para o rastreamento do hipotireoidismo congênito (A).

 

6. QUANDO DEVEM SER FEITOS OS TESTES PARA TRIAGEM NEONATAL DO HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO?

Para o teste de triagem neonatal, o sangue do calcanhar é coletado em cartões nos quais são inseridos os dados da criança (data de nascimento, idade gestacional, sexo, peso, se houve transfusão ou não etc.) e como localizá-la. Nesse cartão de dados, é anexado o papel de filtro onde o sangue será impregnado e seco antes do envio para o laboratório de triagem. A idade do RN recomendada para essa coleta é após as 48 horas de vida até o quarto dia (36), quando já ocorreu a diminuição do pico pós-natal de elevação fisiológica do TSH. Idealmente, o teste deve ser colhido antes da alta da maternidade; no entanto, coletas em altas precoces (< 48 horas) podem resultar em resultados falso-positivos mais frequentes. Nas crianças criticamente doentes ou pré-termos, a recomendação é para a coleta ser realizada aos sete dias de vida; entretanto, é importante ter presente que as coletas obtidas após quatro dias de vida poderão ser tardias para as crianças portadoras de hiperplasia adrenal congênita ou doença metabólica (36). Devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal dos prematuros, alguns autores recomendam a repetição do teste de triagem nesses bebês com duas a quatro semanas de vida.

Quando houver necessidade de transfusão de sangue total, o teste deve ser coletado antes que a criança seja transfundida, independentemente da sua idade (37) (D).

Recomendação 6

A idade recomendada para a coleta de sangue do RN para a triagem neonatal é após as 48 horas de vida até o quarto dia ou antes que o RN deixe o hospital nas altas precoces e sempre antes de transfusões sanguíneas (D).

 

7. QUAIS OS EXAMES ADOTADOS NO BRASIL PARA A TRIAGEM DO HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO?

Existem diversas estratégias para a triagem do HC:

1. Dosagem de TSH.

2. Dosagens de TSH e T4 simultaneamente.

3. Dosagem inicial de T4 seguida da dosagem de TSH nas amostras com T4 abaixo de determinado limite (usualmente abaixo do percentil 10).

A dosagem de TSH tem maior especificidade em relação à dosagem isolada de T4. A dosagem simultânea de TSH e T4 tem maior sensibilidade em relação a todos os protocolos, mas também leva a maior número de falsos-positivos (38) (B). No Brasil, no sistema público, adota-se a triagem com TSH (TSHneo) apenas, com valores de corte de TSHneo variando de 5-20 µU/ml. Crianças com TSHneo elevado são convocadas para avaliação e confirmação (25) (A).

Em alguns centros de triagem neonatal, crianças com valores de TSHneo entre 10-20 µU/ml são reconvocadas para uma segunda coleta em papel-filtro e, somente após esse resultado - caso o TSH se apresente acima de 10 µU/ml -, a criança é convocada para a confirmação no soro.

Com a dosagem inicial de TSH apenas, crianças com hipotireoidismo central ou que apresentarem elevação tardia do TSH poderão ser perdidas. Elevações tardias de TSH são particularmente comuns nas crianças com baixo peso ao nascimento (PN < 2.500 g) e em prematuros (39) (B).

Quando a triagem é feita com a dosagem inicial de T4 seguida da dosagem de TSH, além de permitir a detecção dos casos de hipotireoidismo primário, poderá detectar o hipotireoidismo central e identificar crianças com deficiência de proteína transportadora de hormônio tireoidiano (TBG). Essas últimas apresentam T4 total (T4T) baixo e T4 livre (T4L) normal e não requererão tratamento para o HC. Entretanto, essa abordagem não detectará crianças com HC e que apresentam T4 normal por disfunções tireoidianas mais leves. Uma comparação entre as duas abordagens que envolvem as dosagens de TSH e T4 em sequências diferentes mostrou que 1 criança entre 93.000 triadas não seria diagnosticada com a abordagem inicial com T4, o que não aconteceria, caso se utilizasse o TSH como o exame inicial (40) (B).

Recomendação 7

No Brasil, a triagem neonatal para HC é realizada por meio da dosagem de TSH em papel-filtro, seguida de dosagem de T4 total e/ou livre no soro, quando necessária. Essa estratégia é eficaz e também adotada em outros países (A).

 

8. OS TESTES DE TRIAGEM COM RESULTADOS ALTERADOS DEVEM SER CONFIRMADOS?

Os testes de triagem neonatal para HC não são diagnósticos e os resultados alterados devem ser confirmados por métodos quantitativos de rotina para as dosagens de concentrações séricas de TSH e T4T ou T4L (41) (B). A maioria dos testes confirmatórios deve ocorrer por volta da primeira à segunda semana de vida do RN, quando a faixa superior de normalidade para o TSH caiu para 10 µU/mL. Deve-se ter presente que a faixa de normalidade é diferente da observada em adultos. Assim, entre 4 e 30 dias de vida do RN, a faixa normal de T4T é de 7-16 µg/dL e de T4L de 0,8 a 2,3 ng/dL (42). Valores de TSH acima de 10 µU/mL e T4L ou T4T baixos confirmam o diagnóstico do hipotireoidismo primário e as crianças deverão ser tratadas (36).

Crianças com TSH confirmatório entre 6-10 µU/mL e T4T/T4L normais deverão ser seguidas cuidadosamente com novas dosagens em uma semana. Caso o TSH persista discretamente elevado por volta de 1 mês de idade da criança, mesmo com T4 na faixa da normalidade, alguns pesquisadores sugerem o tratamento com reavaliação após os 3 anos (19,43) (B,D). Crianças prematuras e doentes de qualquer natureza (síndrome do doente eutireoidiano) poderão ter T4T/T4L baixos com TSH normal e não se recomenda o tratamento com L-T4, a não ser que apresentem evidências de doença hipotalâmica ou hipofisária (44).

Recomendação 8

Os testes de triagem para hipotireoidismo congênito com resultados alterados devem ser confirmados por meio da dosagem quantitativa venosa de TSH, T4T/T4L (B).

 

9. IDENTIFICAÇÃO DA ETIOLOGIA DO HIPOTIREOIDISMO

Se o diagnóstico de hipotireoidismo for confirmado, outros estudos serão necessários para a pesquisa da etiologia da doença; entretanto, a decisão de se tratar a doença é baseada nas dosagens hormonais e os exames adicionais são opcionais, não devendo ser motivo para o retardo do início do tratamento.

Os exames que podem ser solicitados para a elucidação etiológica do HC são:

• Ultrassonografia cervical - seria o principal exame inicial. Uma vez localizada a tireoide, a agenesia ou ectopia seriam descartadas. Entretanto, a ultrassonografia é menos sensível que a cintilografia tireoidiana para a detecção da glândula ectópica, apesar de a ultrassonografia com Doppler poder identificar 90% das glândulas ectópicas (45). A ultrassonografia apresenta sensibilidade e especificidade de 90,5% e 47,8%, respectivamente, para o diagnóstico de agenesia, e 100% e 80,4%, respectivamente, para hipoplasia, porém tem baixa sensibilidade para o diagnóstico de ectopia (somente 10%) (46) (B). Apresenta como vantagens evitar a exposição à radiação e ter menor custo (47) (B).

• Mapeamento com 99mTc - indicado quando a ultrassonografia não detecta a glândula ectópica. A cintilografia poderá ser feita com pertecnetato de tecnésio (99mTc) ou iodo (123I), em vez do 131I, devido à menor irradiação que proporciona à criança. Bócio pode ser observado quando existe um defeito enzimático. Possui sensibilidade e especificidade de 92% e 97,1%, respectivamente, nos casos de glândula ectópica (46) (B).

• Dosagem de tireoglobulina - existe uma grande sobreposição de valores de tireoglobulina nas diferentes etiologias de HC e, portanto, ela é utilizada em situações especiais. A associação entre o nível da tireoglobulina e a ultrassonografia pode distinguir entre atireose e ectopia glandular. Se não é visualizado nenhum tecido tireoidiano em localização normal e os níveis de T4 e tireoglobulina são mensuráveis, algum tecido funcional ectópico está presente (36,42).

• Dosagens de anticorpos antitireoidianos (anticorpo antiperoxidase [TPO] e anticorpo bloqueador do receptor do TSH [TRAb]) - podem ser úteis para justificar a presença de TSH elevado em filhos de mães com tireoidite de Hashimoto (hipotireoidismo transitório), assim como em filhos de mães com doença de Graves (36).

• Iodúria - poderá confirmar a falta ou excesso de iodo em casos suspeitos, e o tratamento com L-T4 deverá ser instituído por vários meses até ser gradualmente reduzido.

Recomendação 9

Exames complementares são utilizados para estudar a etiologia do hipotireoidismo congênito (B), mas nunca devem postergar o início do tratamento.

 

10. QUANDO O TRATAMENTO DEVE SER INICIADO?

A idade de início do tratamento, a dose de L-T4 administrada e o monitoramento do tratamento são essenciais para o desenvolvimento cerebral do paciente com HC. Existe uma relação inversa entre a idade do diagnóstico/tratamento e o quociente de inteligência (QI). Crianças detectadas pelos programas de triagem neonatal e tratadas nas primeiras semanas de vida geralmente têm QI normal, embora alguns estudos mostrem alguns déficits cognitivos (48,49) (B).

Recomendação 10

O início do tratamento deve ser o mais precoce possível, preferencialmente nas duas primeiras semanas de vida (B).

 

11. A TERAPÊUTICA COM L-T4 SÓDICA É EFICAZ PARA A NORMALIZAÇÃO DOS NÍVEIS HORMONAIS NA CRIANÇA COM HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO?

A administração oral de L-T4 sódica é o tratamento de escolha para o HC. A dose recomendada pela Academia Americana de Pediatria é de 10-15 µg/kg/dia e deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente até 14 dias de vida, mesmo na ausência de sintomas (36) (D). Estudos mostram que com essas doses as concentrações de T4L ou T4T se normalizarão em três dias e as de TSH, em duas a quatro semanas (50) (A).

Devem ser utilizados comprimidos de L-T4, uma vez que não existe aprovação de soluções líquidas do hormônio. O comprimido deve ser macerado e dissolvido com pequena quantidade de água e administrado pela manhã, idealmente em jejum. Manter 30 minutos sem alimentação. Em caso de vômitos imediatos, repetir a mesma dose. Com boa absorção por via oral, e com meia-vida de aproximadamente sete dias, a L-T4 é administrada em dose única diária (36) (D). Apesar de ser recomendada a administração com estômago vazio e evitar alimentação após 30-60 minutos, isso não é prático em uma criança. Assim, a L-T4 poderá ser administrada no intervalo entre as mamadas e as doses devem ser ajustadas baseando-se nas concentrações séricas dos hormônios. A L-T4 não pode ser administrada com outras substâncias que interferem na sua absorção, como soja, ferro ou cálcio.

Recomendação 11

O tratamento do HC deve se iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente antes de 15 dias de vida. É recomendada levotiroxina por via oral, na dose inicial de 10-15 µg/kg/dia (A).

 

12. COMO DEVE SER MONITORADO O TRATAMENTO?

O desenvolvimento do cérebro tem uma dependência importante dos hormônios tireoidianos nos primeiros dois a três anos. Existem estudos que mostram que concentrações persistentemente baixas de T4 sérico (T4T abaixo de 10 µU/mL) no primeiro ano de vida foram associadas à QI inferior a 18 pontos (51) (B). As recomendações da Academia Americana de Pediatria (36) (D) quanto ao tratamento e monitoramento das crianças estão na tabela 3 (43).

 

 

Testes laboratoriais mais frequentes poderão ser necessários quando não há boa aderência ao tratamento, valores anormais observados ou nas mudanças de posologias.

A meta do tratamento é assegurar à criança o crescimento adequado e o desenvolvimento psicomotor mais próximo possível do seu potencial genético.

Cuidado terá que se ter para evitar tratamento excessivo por período prolongado, pois isso poderá levar a craniossinostose e alterações no temperamento da criança (51).

Recomendação 12

A monitorização do tratamento do hipotireoidismo congênito necessita ser mais frequente nos primeiros anos da vida, pois o desenvolvimento cerebral é dependente da reposição hormonal, mas o acompanhamento deverá ser mantido até a idade de adulto (B).

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência para:
Léa Maria Zanini Maciel
Departamento de Clínica Médica
Av. Bandeirantes, 3900
14049-900 - Ribeirão Preto, SP, Brasil
lmzmacie@fmrp.usp.br

Recebido em 19/Mar/2013
Aceito em 19/Mar/2013
Declaração: os autores declaram não haver conflitos de interesse científico neste estudo.

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