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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.11 no.4 São Paulo Dec. 1953

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1953000400005 

Estudo das relações entre as taxas de glicose no líqüido cefalorraqueano e no sangue

 

Study of the relations between blood and cerebrospinal fluid sugar contents

 

 

Horacio M. Canelas; A. Spina França Netto; Maria Trmina Valente; José Antonio Levy; J. M. T. Bittencourt

Assistentes

 

 


RESUMO

Com a finalidade de verificar a influência da administração intravenosa de glicose sôbre a glicorraquia, os autores, após avaliação do êrro do método de dosagem, estudaram particularmente os efeitos da injeção de glicose em três grupos de pacientes: grupo 1, constituído por 3 casos que serviram de contrôle dos resultados; grupo 2, compreendendo 5 casos com líquor normal e 5 com líquor alterado; grupo 3, composto de 10 casos com líquor normal e 10 com líquor alterado. Nos pacientes do grupo 1 não foi injetada glicose; nos do grupo 2 foram administradas 10 g de glicose; os do grupo 3 receberam 50 g de glicose. O método utilizado consistiu no seguinte: a) colheita simultânea de sangue e líquor, em jejum, para determinação dos valores iniciais; b) injeção intravenosa de glicose; c) 15, 30, 45, 60, 120, 180 e 240 minutos após a injeção, colheita de novas amostras de sangue e líquor em cada paciente. Os resultados foram submetidos à análise estatística.
Foi verificado, inicialmente, que as oscilações dos valores médios obtidos nos grupos 1 e 2 eram comparáveis às devidas ao êrro experimental. Não foram significantes as diferenças entre a média inicial e os valores médios obtidos 15 e 30 minutos após a injeção de 10 g de glicose; nos pacientes que receberam 50 g de glicose, apenas após 30 minutos foi obtido um valor médio que diferia significantemente do inicial. Foram calculadas as equações de regressão linear relacionando a taxa de glicose no líquor com o momento da colheita. Foram estudados os quocienles entre as taxas de glicose no líquor e no sangue (L/S). Foi estudada a duração do efeito da injeção de glicose no grupo 3.
Os autores chegaram às seguintes conclusões:
1. A injeção intravenosa de 10 g de glicose não determina alteração significativa da glicorraquia.
2. Após a administração intravenosa de 50 g de glicose, obtém-se, durante a primeira hora, uma elevação uniforme das taxas de glicorraquia, a qual é mais acentuada nos pacientes com líquor alterado, devido, provavelmente, à maior permeabilidade da barreira hemoliquórica.
3. Os quocientes L/S elevaram-se progressivamente, nos pacientes com líquor alterado, entre 15 e 120 minutos após a injeção de 10 g de glicose na veia.
4. Os quocientes L/S elevaram-se progressivamente, tanto nos pacientes com líquor normal como naqueles com líquor alterado, no período decorrente entre 15 e 120 minutos após a injeção intravenosa de 50 g de glicose; não foi significante a diferença de comportamento dos subgrupos.
5. O quociente médio entre as taxas iniciais de glicose no líquor e no sangue, em 29 casos, foi de 0,617 ± 0,129.
6. A elevação da glicorraquia após a injeção de 50 g de glicose persistiu durante 4 horas, pelo menos.
7. Não houve diferença entre os valores da glicemia e da glicorraquia obtidos antes e 24 horas após a administração intravenosa de 50 g de glicose.


SUMMARY

In order to know the influence of intravenous injection of 50 per cent glucose solutions on the sugar contents of the cerebrospinal fluid, after estimating the error of the laboratory method the authors studied in detail such effects in three groups of patients: group 1, for controlling the results (3 cases) ; group 2, including 5 patients with normal and 5 with abnormal (presenting meningitic and/or parenchymatous changes) fluids; group 3, including 10 patients with normal and 10 with abnormal fluids.
In group 1 no glucose was injected; in group 2, 10 gm were administered; in group 3, 50 gm were injected. The method of study consisted essentially of: a) simultaneous withdrawal of blood and fluid, in fasting conditions, for determination of the initial levels; b) intravenous injection of 50 percent glucose solution; c) 15, 30, 45, 60, 120, 180 and 240 minutes later, other samples of blood and fluid were withdrawn from each patient. The results were submitted to statistical analysis.
The oscilations of the average levels obtained in groups 1 and 2 were comparable to those due to the experimental error. The differences between the initial mean and the average contents 15 and 30 minutes after the injection of 10 gm glucose were not statistically significant; in the patients receiving 50 gm, only after 30 minutes the average content differed significantly from the initial mean. The linear regression equations relating time to the blood and cerebrospinal fluid sugar contents were calculated. The ratios between fluid and blood sugar contents were analysed. In 10 cases of group 3 the blood and fluid sugar contents before and 24 hours after the glucose injection were compared.
The authors draw the following conclusions:
1. The intravenous injection of 10 gm glucose does not influence significantly the cerebrospinal fluid sugar content.
2. After the intravenous injection of 50 gm glucose it is observed, during the first hour, a uniform increase of the fluid sugar contents, mostly in the patients with abnormal fluid, probably owing to greater permeability of the blood-brain barrier.
3. The ratios between cerebrospinal fluid and blood sugar contents (CSF/B) showed progressive increase in the patients with abnormal fluid 15 to 120 minutes after the injection of 10 gm glucose.
4. The CSF/B ratios showed progressive increase both in the patients with normal and abnormal fluid, 15 to 120 minutes after the injection of 50 gm glucose; the difference between the regression coefficientes of these two groups was not significant.
5. The average initial ratio between the cerebrospinal fluid and the blood sugar contents, in 29 patients, was 0.617 ± 0.129.
6. The increase of the cerebrospinal fluid sugar content after the intravenous injection of 50 gm glucose lasted 4 hours at least.
7. There was no significant difference between the blood and cerebrospinal fluid sugar contents before and 24 hours after the intravenous injection of 50 gm glucose.


 

 

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