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Arquivos de Neuro-Psiquiatria

Print version ISSN 0004-282X

Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.34 no.2 São Paulo June 1976

https://doi.org/10.1590/S0004-282X1976000200004 

Recuperação da motricidade voluntária do membro superior de pacientes com hemiplegia após acidente vascular cerebral: avaliação prognostica

 

Recovery of voluntary motion in upper extremity following hemiplegia in patients with cerebrovascular accident: contribution to the prognosis

 

 

Abrão Anghinah

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Livre-Docente de Clínica Neurológica do Departamento de Neuropsiquiatria

 

 


RESUMO

O estudo tem por finalidade o registro e a análise dos principais fatos que ocorrem durante a recuperação da motricidade voluntária do membro superior em pacientes com hemiplegia após AVC, tendo por objetivo contribuir para a avaliação do prognóstico.
De particular interesse foi a observação comparativa do retorno espontâneo da motricidade voluntária nos vários segmentos do membro superior em 88 pacientes com hemiplegia após AVC hospitalizados na fase aguda da afecção.
Dos 88 pacientes hemiplégicos estudados, com diagnóstico suficientemente esclarecido e evolução acompanhada durante período satisfatório para permitir conclusões, 56 casos (grupo 1) atingiram melhora clínica, com remissão parcial ou completa da sintomatologia neurológica (discreto deficit de força, hiperreflexia e hipertonia) e recuperação de todos os movimentos voluntários nas várias articulações do membro superior, enquanto 32 pacientes (grupo 2) com persistência da sintomatologia neurológica, particularmente a hipertonia, apresentaram melhora clínica discreta e recuperação parcial de movimentos do membro superior.
A quantificação clínica de sinais neurológicos utilizada no presente estudo, tornou possível registrar as modificações mais importantes ocorridas durante a evolução dos 88 pacientes. Este critério permitiu destacar quantitativamente a regressão espontânea da sintomatologia e a determinação do nível crítico de estabilização (platô).
A análise dos dados fornecidos pelos dois grupos estudados permitiu concluir que: o ponto crítico de regressão da sintomatologia e recuperação da motricidade voluntária ocorre em média, 70 dias após ter-se instalado a hemiplegia; o cômputo médio de 256 pontos, que foi obtido 70 dias após a instalação da hemiplegia, representa o nível crítico de estabilização; embora a precocidade de aparecimento de movimentos iniciais logo após a instalação da hemiplegia seja dado importante para o prognóstico, o autor acredita ser de capital importância a caracterização dos tipos de movimentos iniciais.
Levando em conta os tipos de movimentos iniciais o autor observou que, quando nos pacientes com hemiplegia após AVC, os movimentos de flexo-extensão e oponência do polegar aparecem precocemente de forma isolada ou associada a movimentos da articulação proximal (ombro), ou central (cotovelo) é de esperar melhor prognóstico do que nos pacientes cujo movimento inicial é representado por flexão do cotovelo e/ou flexão-adução do braço.


SUMMARY

The study aims the registration and analysis of the main facts which occur during recovery of the voluntary movements in the upper extremity, in patients with hemiplegia following cerebrovascular accident, and it also intends to evaluate the prognosis.
Of particular interest was the comparative recognition of the spontaneous recovery of voluntary motricity in different segments of the upper extremity in 88 patients, not previously selected, with hemiplegia after cerebrovascular accident, admitted to the hospital at the acute stage.
Of the 88 hemiplegic patients studied whose further evolution has been fairly followed 56 cases (group 1) experienced clinical improvement, either with partial or total remission of neurological manifestations and complete recovery of all voluntary movements in the different upper extremity joints, while 32 patients (group 2) with persistent neurological symptoms, particularly spasticity, showed a slighter clinical improvement, as well as only partial recovery of upper extremity movements.
The clinical quantification of neurological signs applied in this study, has made possible to report the main significant changes developed during the 88 patients recovery. This criteria has allowed to enphasize the degree of the spontaneous remission of symptoms and the determination of the critical level of stabilization "plateau".
The analysis of the data supplied by the two groups led to the following conclusions: a) the critical level of remission of symptoms and the spontaneous recovery of voluntary movements ocurred around the 70th day after the installation of hemiplegia; b) the 256 average score acquired 70 days after the onset of the hemiplegia represents the critical level stabilization (plateau); c) although the presence of early initial movements, immediately after the installation of hemiplegia, is a valuable data for the prognosis, the characterization of early movement patterns is of most important meaning; d) patients with hemiplegia after cerebrovascular acident who present the thumb flexion-extension and opposition movements showed a better prognosis than those whose initial movements were represented by the elbow flexion and/or arm flexion-adduction.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

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Clínica Neurológica — Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo — Caixa Postal 3461 — 01000 São Paulo, SP — Brasil.
Tese (resumida) apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo para o obtenção do título de Livre-Docente de Clínica Neurológica do Departamento de Neuropsiquiatria.

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