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Jornal de Pediatria

Print version ISSN 0021-7557

J. Pediatr. (Rio J.) vol.89 no.3 Porto Alegre May/June 2013

https://doi.org/10.1016/j.jped.2012.11.007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Composição de ácidos graxos do leite materno em mulheres residentes em área distante da costa litorânea brasileira

 

 

Renata Y. NishimuraI; Gabriela S. F. de CastroII; Alceu A. Jordão JuniorIII; Daniela S. SartorelliIV,*

IMestre, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil
IIDoutoranda, Departamento de Clínica Médica, FMRP, USP, SP, Brasil
IIIDoutor. Departamento de Medicina Social, FMRP, USP, SP, Brasil
IVDoutora. Departamento de Clínica Médica, FMRP, USP, SP, Brasil

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: Avaliar a composição de ácidos graxos do leite humano maduro de mulheres residentes em área distante da costa litorânea brasileira.
MÉTODOS: Amostras de leite materno maduro foram obtidas de 47 mulheres lactantes com idade entre 18 e 35 anos, que tiveram partos a termo e em aleitamento exclusivo ou predominante. A coleta de leite se deu a partir da 5ª semana pós-parto, por meio de ordenha manual. A composição de ácidos graxos do leite foi determinada por cromatografia gasosa.
RESULTADOS: Verificou-se que a concentração de eicosapentaenoico (0,08%) foi superior ao observado em estudos brasileiros prévios. Entretanto, o teor de docosahexaenoico (0,09%) encontrado no leite humano foi um dos menores já verificados no mundo. O teor de ácidos graxos trans (2,05%) foi similar ao relatado em estudos nacionais prévios à obrigatoriedade de declaração do teor deste em rótulos de alimentos, sugerindo que esta medida não surtiu efeito na redução de seu teor na dieta habitual das mulheres.
CONCLUSÕES: Baixo teor de docosahexaenoico e elevada concentração de ácidos graxos trans foram verificados no leite materno maduro de mulheres residentes em área distante da costa litorânea brasileira.

Palavras-chave: Ácidos graxos; Leite materno; Lactação


 

 

Introdução

O leite materno é o melhor alimento a ser oferecido para a criança nos primeiros meses de vida, exercendo efeito protetor com relação ao desenvolvimento de doenças na infância.1 Sua composição de ácidos graxos varia amplamente,2-6 o que possui papel relevante no crescimento e desenvolvimento infantis.

O ácido graxo docosahexaenoico (DHA, C22:6 n-3) influencia diretamente no desenvolvimento neuronal, acuidade visual7 e, conjuntamente com o ácido graxo eicosapentaenoico (EPA), atua no sistema imunológico infantil.8 Os peixes gordurosos, como o salmão e a sardinha, são as principais fontes alimentares destes ácidos graxos.

Em contrapartida, o elevado teor dos ácidos graxos trans no leite humano, decorrente do consumo materno de alimentos industrializados, pode afetar o crescimento e o desenvolvimento infantis de diversas maneiras: interferindo nas vias de dessaturação dos ácidos graxos essenciais (AGE) para os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (AGPI-LC) e em decorrência da conversão em ácidos graxos isoméricos não usuais de cadeia longa n-6 e n-3, prejudicando a síntese de eicosanoides e a função das membranas.9,10

O ácido graxo linoleico conjugado (CLA), também presente no leite materno, é sintetizado pela bio-hidrogenação no rúmen de animais e conversão endógena do trans-vacênico, cujas fontes alimentares são os laticínios e as carnes.11 Evidências sugerem um efeito positivo do CLA na composição corporal e na atividade anti-carcinogênica,12,13 embora seu efeito no desenvolvimento infantil seja desconhecido.

Estudos que determinaram os teores de trans,4,5 ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (AGPI-LC)4-14 e CLA6,15 no leite materno de mulheres brasileiras são escassos. Como a composição de ácidos graxos do leite materno é diretamente influenciada pela alimentação da lactante e seus estoques corporais,16 sugere-se que o leite humano de mulheres residentes em distintas regiões geográficas do país, com acesso diferenciado aos alimentos fontes de EPA e DHA, pode variar quanto ao teor destes ácidos graxos. Além disso, os estudos que avaliaram o teor de trans no leite de mulheres brasileiras foram conduzidos previamente à Resolução RDC nº360/2003 determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no ano de 2006, e que tornou obrigatória a declaração nos rótulos sobre o teor de trans nos alimentos. Esta medida legislativa pode ter influenciado as indústrias alimentícias a produzir alimentos com menores teores de trans, repercutindo, assim, em um menor consumo materno e concentração no leite humano.

As hipóteses do presente estudo são de que o teor de EPA e DHA no leite de mulheres que habitam longe da costa seja inferior ao verificado em estudos conduzidos entre mulheres residentes na região litorânea,5,6,15 devido ao acesso distinto ao consumo de peixes. Além disso, espera-se que o teor de ácidos graxos trans no leite das mulheres seja inferior ao observado em estudos conduzidos previamente à Resolução RDC nº360/2003, pois após esta medida legislativa, os rótulos de grande parte dos produtos industrializados no país passaram a declarar isenção de ácidos graxos trans nos alimentos.

O presente estudo teve como objetivo avaliar a composição de ácidos graxos do leite humano maduro de mulheres residentes na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

 

Métodos

População do estudo

Um estudo prospectivo foi conduzido entre 103 gestantes usuárias de Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Ribeirão Preto, SP, cujo objetivo foi testar a acurácia de um questionário quantitativo de frequência alimentar para gestantes. A coleta de dados foi realizada em cinco UBSs, localizadas nas regiões central, sul, leste e oeste do município. Os critérios de inclusão foram: idade entre 18 e 35 anos; eutróficas no período pré-gestacional; e relato de ausência de patologias que pudessem alterar o consumo alimentar habitual. A amostra do estudo foi de conveniência, e a determinação do tamanho amostral baseou-se na recomendação de que 100 indivíduos são necessários para a apreciação da concordância entre os métodos de avaliação do consumo alimentar.17 A primeira avaliação do estudo prospectivo foi realizada entre setembro de 2009 e maio de 2010.

No presente estudo, foram incluídas 47 lactantes, que completaram aquele prospectivo, e que tiveram partos a termo e praticavam o aleitamento materno exclusivo (ingestão somente de leite materno, sem nenhum outro alimento líquido ou sólido), ou predominante (ingestão de leite materno e outros líquidos à base de água) a partir da 5ª semana pós-parto e que tiveram parto a termo (a partir da 37ª semana gestacional). A coleta de amostras de leite humano foi conduzida entre maio de 2010 e janeiro de 2011.

As mulheres concordaram em participar do estudo mediante informações sobre o estudo e posterior assinatura do Termo de Consentimento. A execução do presente estudo foi aprovada pela Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Saúde-Escola da FMRP, USP (Protocolo n.º 378/CEP-CSE/FMRP-USP).

Composição de ácidos graxos do leite humano

Amostras (5-10 ml) de leite materno maduro (entre a 5ª e 14ª semanas pós-parto) foram obtidas da mesma mamas oferecida ao bebê, por ordenha manual pela própria mulher, no período da manhã, imediatamente após a primeira mamada do bebê, antes do desjejum da mãe. O leite foi armazenado a -80ºC até a análise.

O teor de ácidos graxos do leite foi determinado no laboratório de Nutrição e Metabolismo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Para esta análise, alíquotas de 0,8 ml foram utilizadas para a extração da gordura através do método de Bligh e Dyer, e metiladas com hidróxido de potássio em metanol a 0,5 M.18

Os ésteres metílicos de ácidos graxos do leite humano foram determinados por cromatografia gasosa utilizando o cromatógrafo gasoso SHIMADZU, GC-2014 (Shimadzu Europe, Duisburg, Germany) equipado com autoinjetor AOC-20i (Shimadzu Europe, Duisburg, Germany), com coluna capilar de polietileno glicol - Supelcowax 10 (30 m de comprimento, 0,25 mm de diâmetro interno; 0,25 µm de espessura do filme; Supelco Inc., Bellefonte, PA). O gás hélio foi utilizado como gás de arraste, com fluxo de 1,0 ml/min. O ar sintético foi utilizado para a ionização em chama com detecção a 280ºC. A separação dos ácidos graxos foi feita com um gradiente de temperatura em uma coluna capilar de polietileno glicol. A temperatura inicial da coluna foi de 100ºC, a qual foi mantida por um minuto,; logo após, essa temperatura foi acrescida na taxa de 13º C por minuto a 195º C, mantidos por cinco minutos e, posteriormente, elevada a 240º C, na taxa de 15º C por minutos, tendo sido mantida nessa temperatura por 30 minutos. As injeções de 1µl de amostras foram realizadas em modo split. As temperaturas do injetor e do detector foram de 250º C.

O padrão para identificação utilizado foi composto por um mix de ésteres metílicos de ácidos graxos da Supelco (Supelco 37 Component FAME Mix; Supelco Inc., Bellefonte, PA) com adição dos padrões de c9,t11-CLA e t10,c12-CLA. A quantificação foi feita por normalização de área e os resultados apresentados em porcentagem por peso.

 

Análise estatística

Média e desvio-padrão (DP) para variáveis contínuas e frequência de variáveis categóricas foram obtidos com o auxílio do Programa SPSS - StatisticalPackage for the Social Sciences, versão 17 (SPSS Inc., Chicago, USA).

 

Resultados

A maioria das participantes era da classe socioeconômica C, com escolaridade correspondente a mais de oito anos de estudo, e a idade média era de 25 anos, segundo apresentado na tabela 1.

 

 

As características antropométricas maternas e infantis, duração e tipo de parto estão descritos na tabela 2. Destaca-se que 60% das mulheres tiveram ganho de peso inadequado durante a gestação.

 

 

A tabela 3 descreve a composição de ácidos graxos do leite materno maduro de lactantes residentes na cidade de Ribeirão Preto, SP, Brasil. Dentre os ácidos graxos saturados e monoinsaturados, foram observados valores mais elevados para os ácidos graxos palmítico (C16:0) e oleico (C18:1n-9), respectivamente. Entre os ácidos graxos trans e AGPI-CL, verificou-se maior contribuição dos ácidos graxos vacênico (C18:1 11t) e araquidônico (ARA) (C20:4 n-6), respectivamente. O total de ácidos graxos essenciais (linoleico e α- linolênico) foi de 22,42%, de AGPI-CL (ARA, EPA e DHA) foi de 0,66% (0,08% de EPA e 0,09% de DHA) e de CLAs de 0,05%.

 

 

Discussão

No presente estudo, verificou-se que a concentração de EPA no leite materno maduro foi superior ao observado em estudos brasileiros (entre 11 e 38% maior).5,6,15 Entretanto, baixo teor de DHA foi encontrado, entre 36 a 70% inferior ao reportado no Brasil.5,6,15 O teor de ácidos graxos trans no leite humano foi similar ao relatado em estudos nacionais prévios à implementação da obrigatoriedade de declaração do teor deste ácido graxo em rótulos de alimentos.5,6

O teor de DHA encontrado no presente estudo (0,09%) foi inferior ao valor relatado em estudos conduzidos em cidades litorâneas (Rio de Janeiro) por Tinoco et al. no leite maduro de mulheres adultas (0,30%)5, Meneses et al. no leite maduro de adolescentes (0,20%)6, e Torres et al. no leite maduro de mulheres adultas (0,22%),15 e também em estudo realizado em uma cidade distante do litoral do Brasil no leite maduro de mulheres adultas (Viçosa-MG) (0,14%).4 O valor de DHA no leite foi inferior ao verificado em mulheres residentes nos Estados Unidos, Israel, Tanzânia, Holanda, Austrália, China, Caribe, Itália, Filipinas e Japão,2 e semelhante ao observado em mulheres residentes na Índia (0,09%), Malásia (0,09%) e região rural da África do Sul, (0,10%), sendo consideradas as menores concentrações já verificadas no mundo,3 podendo acarretar em um prejuízo no desenvolvimento infantil, uma vez que estes ácidos graxos possuem baixos níveis de síntese endógena em recém-nascidos.19

Torres e Trugo,19 em revisão da literatura, identificaram quatro estudos nacionais que determinaram o teor de DHA em membrana eritrocitária de gestantes e lactentes. Os dados revelam que as mulheres brasileiras possuem estado nutricional deficiente deste ácido graxo, quando comparado com outros países. O que pode ser igualmente evidenciado por meio dos resultados de estudos que avaliaram o teor de DHA no leite materno.4-6,15 Os autores sugerem que a dieta das brasileiras, caracterizada pelo baixo consumo de peixes e elevado consumo de óleos vegetais (especialmente o óleo de soja, rico em n-6 PUFA), promoveria maior razão n-6/n-3, afetando a conversão endógena do ácido graxo alfa-linolênico em EPA e DHA, uma vez que o acido linoleico (n-6) compete com o alfa-linolênico (n-3) pela conversão endógena de EPA e DHA.20

Dados recentes sobre a disponibilidade alimentar domiciliar no Brasil (POF 2008-2009)21 reforçam a hipótese do consumo deficiente de alimentos que são fontes de DHA. Os dados sugerem um consumo médio de peixes per capita de 24,1 g/dia nas mulheres em idade fértil. Destaca-se que, para se atingir a recomendação de 0,2 g/d de DHA (National Academy of Sciences) para gestantes e lactantes, seria necessário um consumo diário de 43 g de sardinha ou pescada branca.19

O teor de EPA do leite materno verificado no presente estudo (0,08%) foi superior ao observado em estudos conduzido em regiões litorâneas por Torres et al. (0,071%),15 Meneses et al. (0,05%)6 e Tinoco et al. (0,05%).5 Entretanto, inferior ao verificado em estudo conduzido na capital do Brasil (0,17%).14 Neste último estudo, conduzido em 77 mães que tiveram o parto a termo, o leite de transição foi empregado para a determinação de EPA, que tende a apresentar maiores concentrações de AGPI-CL, quando comparado ao leite materno maduro.22,23

Arterburn et al.,2 em estudo de revisão sobre o teor de EPA e DHA do leite de mulheres de vários países (Estados Unidos, Canadá, Itália, China, Japão, Austrália, Caribe, Israel, Filipinas, Holanda), concluíram que o teor de EPA no leite materno é menor que o de DHA, porém mais constante, sendo o DHA altamente sensível à dieta materna, variando principalmente em relação ao consumo de alimentos de origem marinha. No plasma, a suplementação de DHA mostrou um aumento linear nas concentrações de EPA, provavelmente devido à retroconversão. Porém, não houve aumento nas concentrações de DHA após a suplementação com EPA, possivelmente decorrente da baixa conversão de EPA em DHA. Dados provenientes de diversos estudos sugerem que a suplementação com acido α-linolênico repercute no aumento da concentração de EPA em fosfolipídios do plasma, mas não resulta em aumento de DHA. Estes dados sugerem que o teor de EPA no plasma e no leite materno sofre influência de outros ácidos graxos, aumentando assim sua concentração.2

Conforme o esperado, o teor de trans no leite materno observado no presente estudo (2,05%) foi inferior ao verificado em lactantes dos Estados Unidos (7% de trans)24 e Canadá (7,1%),25 onde o consumo de alimentos processados, fast-foods e produtos de panificação é elevado. O teor de trans observado no presente estudo foi semelhante aos valores encontrados em países da Europa, como Alemanha (3,81%)26 e França (1,9%).27

Uma das hipóteses do estudo era de que o teor de trans seria inferior ao relatado em estudos brasileiros prévios à Resolução que tornou obrigatória a declaração do teor deste ácido graxo nos rótulos de alimentos. Porém, observou-se que o teor de trans encontrado no presente estudo (2,05%) foi semelhante ao verificado nestes anteriores. Tinoco et al., em estudo conduzido no Rio de Janeiro e cuja coleta de dados ocorreu entre 2001 e 2003, verificou um teor de trans de 2,19% no leite materno maduro.5 Silva et al., em estudo conduzido previamente à Resolução no município de Viçosa, verificou uma concentração de 2,36% de trans no leite materno.4 Desta forma, os dados sugerem que esta medida regulatória não impactou no teor de trans da dieta das lactantes. Uma possível explicação seria o fato de que o teor de trans declarado nos rótulos dos alimentos corresponde ao valor por porção de alimento. Os fabricantes não são obrigados a declarar o nutriente quando os alimentos contêm teores inferiores a 0,2 g de trans por porção, sendo expressas como "zero" ou "não contém" na tabela de composição nutricional, podendo, assim, criar uma ideia equivocada de que o alimento é isento de trans.

Sabe-se que o alto teor de trans está associado ao baixo teor de AGPI-CL no leite. Possíveis explicações apontam para o fato de o trans interferir no metabolismo dos AGE, atuando na inibição da dessaturação do alfa-linolênico e linoleico em AGPI-CL, pela baixa ingestão de AGE - uma vez que alimentos ricos em trans possuem menores quantidades de AGE -, e por afetar as estruturas e o metabolismo de membranas,10 resultando, assim, em um possível prejuízo no crescimento e desenvolvimento infantis.

Poucos estudos investigaram o teor de CLA no leite materno. O teor observado no presente estudo (0,49%) foi semelhante ao observado por Torres et al. (0,54%) no leite de mulheres do Rio de Janeiro,15 assim como por Mosley et al. no leite de mulheres americanas (0,52%).24 As principais fontes alimentares desses ácidos graxos são os laticínios, porém, o teor destes pode variar segundo a forma de criação do gado.28

Os isômeros cis9, 11trans (c9t11) e trans10, cis12 (t10c12) dos CLA, estão associados aos possíveis efeitos benéficos para a saúde humana, como na prevenção do câncer29 e redução da gordura corporal.13 Ainda não existem recomendações sobre a ingestão de CLA e seu efeito em crianças.

Uma das limitações do presente estudo foi a adoção de uma amostra de conveniência, impossibilitando a extrapolação dos dados para a população. Além disso, somente uma única amostra de leite foi coletada de cada mulher, não considerando a variabilidade do teor da composição de ácidos graxos.

Baixo teor de DHA no leite materno em mulheres residentes na cidade de Ribeirão Preto foi verificado. Entretanto, a concentração de eicosapentanoico foi superior à observada em estudos brasileiros prévios. O teor de trans no leite maduro foi semelhante ao de estudos conduzidos previamente à obrigatoriedade de declaração do teor deste ácido graxo nos rótulos de alimentos, sugerindo que tal medida não alterou o seu teor na dieta materna habitual.

 

Financiamento

O estudo recebeu auxílio à pesquisa da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FAEPA). RYN é bolsista de mestrado da FAPESP (2010/12320-1) e GSFC é bolsista de doutorado da FAPESP (2010/00408-1).

 

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

 

Referências

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Recebido em 23 de agosto de 2012; aceito em 9 de novembro de 2012

 

 

* Autor para correspondência. E-mail: daniss@fmrp.usp.br (D.S. Sartorelli).

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