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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. bras. enferm. vol.60 no.1 Brasília Jan./Feb. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672007000100005 

PESQUISA

 

Raízes da pré-institucionalização da enfermagem profissional na cidade do Recife (PE) - 1922-1938

 

Roots of the preinstitucionalization of professional nursing in Recife (PE),Brazil - 1922-1938

 

Raices de la pre-institucionalización de la enfermería profesional en la cuidad de Recife (PE), Brasil - 1922-1938

 

 

Fátima Maria da Silva AbrãoI; Maria Cecília Puntel de AlmeidaII

IDoutoranda do Programa Interunidades de Doutoramento em Enfermagem EERP/USP, Ribeirão Preto, SP. Enfermeira, docente FENSG/UPE. Membro do NUPHEBRAS. Bolsista PQI/CAPES
IIEnfermeira. Professora Titular da EERP, Doutora em Saúde Pública. Membro do Grupo de Pesquisa em Saúde Coletiva da EERP, Ribeirão Preto, SP

 

 


RESUMO

Estudo histórico-social realizado no sentido de compreender as raízes da pré-institucionalização da enfermagem profissional num dado campo organizacional. Contemplou os primórdios da enfermagem num contexto político-social da Primeira República, Segunda República, início do Estado Novo e período entre guerras. A teoria institucional e noção de campo de Bourdieu fundamentaram o estudo. O Hospital do Centenário como ambiente institucional, foi ponto de demarcação para o futuro campo organizacional da enfermagem profissional. No período de 1922 a 1938, evidenciou-se um campo organizacional emergente. Nele a Saúde Pública e o Estado tem presença marcante. Visitadoras de Saúde Pública, Educadoras Sanitárias despontam como as precursoras das bases profissionais da enfermagem. Há uma luta dos agentes envolvidos na formação desse campo, criando, desenvolvendo alianças e estratégias.

Descritores: Enfermagem em Saúde da Comunidade/história; Enfermagem em Saúde da Comunidade/organização & Administração; Enfermagem em Saúde da Comunidade/Tendências.


ABSTRACT

This historical-social study aimed to understand the roots of the preinstitutionalization of Professional nursing in a given organizational field. We considered the origins of nursing in the political-social context of the First Republic, Second Republic, beginning of the Estado Novo and the interwar period. The study rests on institutional theory and Bourdieu's notion of field. As an institutional environment, the Hospital do Centenário was a demarcation point for the future organizational field of professional nursing. In the period from 1922 to 1938, an emerging organizational field was evidenced, in which the presence of Public Health and the State stand out. Public Health Visitants and Sanitary Educators appear as the forerunners for the professional bases of nursing. We observed the fight of agents involved in the formation of this field, creating and developing alliances and strategies.

Descriptors: Community Health Nursing/history; Community Health Nursing/organization & administration; Community Health Nursing/Trends.


RESUMEN

La finalidad de este estudio histórico-social fue comprender las raíces de la pre-institucionalización de la enfermería profesional en un dato campo organizacional. Contempló los primordios de la enfermería en un contexto político-social de la Primera República, la Segunda República, el inicio del Estado Novo y el período entre guerras. La teoría institucional y noción de campo de Bourdieu fundamentaron el estudio. El Hospital de Centenário como ambiente institucional fue punte de demarcación para el futuro campo organizacional de la enfermería profesional. En el período de 1922 a1938, se evidenció un campo organizacional emergente. En ese, la presencia de la Salud Pública y del Estado se destaca. Visitadoras de Salud Pública y Educadoras Sanitarias aparecen como las precursoras de las bases profesionales de la enfermería. Hay una lucha de los agentes involucrados en la formación de ese campo, creando, desarrollando alianzas y estrategias.

Descriptores: Enfermería en Salud Comunitaria/historia; Enfermería en Salud Comunitaria/organización & administración; Enfermería en Salud Comunitaria/tendencias.


 

 

1. INTRODUÇÃO

A pré-institucionalização da Enfermagem Profissional na cidade do Recife foi objeto deste estudo. O marco inicial do recorte temporal corresponde ao lançamento da pedra fundamental em 7 de setembro de 1922, do que seria um hospital modelo, inaugurado em 1925, denominado de Hospital do Centenário (HC). A pretensão era ter anexa uma Escola de Enfermeiras. Em 1938, tem-se o marco final que por sua vez, é quando se dá a saída do diretor desse hospital, o médico Fernando Simões Barbosa, um dos principais defensores da criação dessa Escola. A sua saída ocorreu em virtude da desapropriaçãoa·do próprio HC, ocorrido em 19 de dezembro de 1938, pelo Decreto 241, do Interventor Agamenon Magalhães, visando a solucionar problema de interesse coletivo, como local para hospitalização dos funcionários ligados ao Estado; situação esta acatada pelo Instituto de Assistência Hospitalar, pelo seu então presidente o médico, Dr. Barros Lima(1).

A Pré-institucionalização é um conceito utilizado por autoras neoinstitucionalistas como Pámela Tolbert e Lynne Zucker, que entendem a institucionalização como um processo que integra um dado contexto organizacional, bem como Walter Scott, Paul Dimaggio e Walter Powell os quais sugerem que a institucionalização acontece como algo no decurso do tempo, refletindo-se na própria história de uma organização, envolvendo as pessoas e grupos que a integram e que, ao se expressarem, exprimem interesses por eles criados e adaptados para o ambiente onde esta se insere.

Estudar a pré-institucionalização num dado campo organizacional significa, por sua vez, entendê-la na lógica das formas de organizações dispostas no processo de estruturação do campo organizacional, as quais quando agregadas, constituem uma vida institucional reconhecida(2).

Entretanto, em face da inexistência de um campo organizacional de Enfermagem à época do estudo, não obstante já existir o campo da saúde, tomou-se o HC, como referência, em razão de ele ser uma instituição idealizada como um empreendimento inovador, no qual deveria estar anexa uma Escola para Enfermeiras. Desse modo, a perspectiva de pré-institucionalização aqui focalizada elege o ambiente institucional do HC para demarcar a configuração do que viria a ser o futuro campo da Enfermagem no Recife (Pernambuco).

No pensamento de Bourdieu, o princípio de campo reside num movimento de lutas que "produzidas pelas estruturas constitutivas do campo reproduz as estruturas e as hierarquias deste"(3), e nas ações e reações dos agentes, que não têm outra escolha a não ser que se excluam do jogo. Assim, as crenças, as vontades, as intenções, e as aspirações, que são próprias do jogo é que dão vida aos agentes. O jogo só existe se houver o envolvimento dos agentes, mas sem que se deixem levar por ele. Os agentes para obter lucro necessitam dessas crenças e isto depende de sua posição no jogo e de "seu poder sobre os títulos objetivados do capital específico"(3).

Como a base teórica empregada nesta pesquisa está relacionada ao conceito de campo organizacional, vale salientar a importância que deve ser dada aos valores compartilhados pelos agentes em um determinado espaço social, sem os quais não se estimula a sobrevida da organização. Os valores, além de explicitarem em crenças, e convicções, são capazes de orientar os comportamentos das pessoas na configuração de uma dada instituição, a qual, ao estabelecer regras e normas, em decorrências dos valores existentes, impõe a instituição, esta impõe uma cultura, que por sua vez, dissemina-se e fortalece o próprio campo organizacional.

Os antecedentes levantados pelo estudo, analisados a partir de 1918, mostraram que já existiam na cidade do Recife, instituições como o Hospital Pedro IIb(4), ligada à Santa Casa de Misericórdia e à Sociedade de Medicinac(5) ambos com interesses voltados para a Enfermagem. Os agentes que eram neste caso os médicos declaravam em seus discursos ser necessária e importante a criação de cursos para enfermeiros, para que as pessoas fossem atendidas nos hospitais por profissionais preparados para exercerem a sua prática. No âmbito nacional, no mesmo período delimitado para o estudo sabe-se do movimento de ampliação da rede hospitalar, e de implantação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) pelo qual surge a Escola Ana Nery em 1923, ligada a ele.

No campo da saúde, observa-se que várias formas de organizações foram empreendidas sob a diversidade de escolasd(5,6) existentes não só no âmbito nacional, como também no âmbito local, para tentar suprir exigências de uma formação voltada para uma prática de enfermagem profissional. Sob esse aspecto, pressupõe-se que, conforme o campo da saúde evolui, com a ampliação de hospitais e serviços, e instituições de saúde, técnica e cientificamente também podem surgir e começar a incorporar valorese(7) compartilhados no campo onde se inserem, ensejando a necessidade de buscar pessoas mais capacitadas para exercer a prática de enfermagem, no caso antes exercida por pessoas leigas.

À época, do que se considera ser a pré-institucionalização, o campo da saúde fazia-se presente com a ascensão de agentes em busca de um padrão de assistência à população e de qualidade do ensino médico. Em entrevistaf para o Jornal do Comércio em 21 de novembro de 1920, Fernando Simões Barbosa demonstrava essa preocupação quando propunha já a fundação de um Instituto Policlínico para tratamento de doentes portadores de moléstias médicas e cirúrgicas, cujas enfermarias fossem confiadas aos professores das clínicas de ensino oficial, no caso a Faculdade de Medicina, e dizia: "é a fundação de um hospital inteiramente moderno e moldado nas rigorosas práticas de instituições modelares congêneres que se consagram ao ensino das clínicas".

Neste sentido, a Faculdade de Medicina do Recife instalada em 04 de maio de 1920, com o envolvimento da classe médica, trouxe a Pernambuco possibilidades de lutas e conquistas no campo da educação e saúde, que viriam a favorecer a organização futura do campo da enfermagem. Desperta o imaginário social a representação de uma profissão, à medida que se compartilha valores, entre os agentes. Foi o caso da enfermagem, em que um anjo de caridade é associado a imagem de enfermeiras profissionais, que são aquelas que quando exauridos os membros da família em casos de prolongados sofrimentos, surgem como figuras, dispostas a compartilharem da árdua tarefa, além de serem piedosas. Isto mostra a compreensão simbólica dos valores acerca de uma profissão. Mas a idéia de criar uma escola de enfermeiras partiu do beneditino Dom Pedro Roeser. Em seu discurso, quando da criação da Associação Mantenedora do Hospital do Centenário (AMHC) ao se expressar sobre a fundação do Hospital Modelo ainda deixa clara a sua intenção.

 

2. CAMINHO DO ESTUDO HISTÓRICO SOCIAL

O estudo da história como o de outros estudos, leva a se pensar acerca de sua importância que tem para o pesquisador as bases teóricas e também as metodológicas. Reis quando fala sobre a explicação histórica reconhece que "não é possível ser historiador sem tomar o conhecimento histórico como problema"(8).

O historiador, ao expandir o seu campo de atuação com o desenvolvimento de estudos voltados as tendências sociais e culturais, constrói explicação histórica com base nos acontecimentos, ampliados e refletidos em sua análise. Nela, o historiador cada vez mais se envolve com questões, que antes só interessavam aos sociólogos ou mesmo aos cientistas sociais. A intenção de acompanhá-la nos desenvolvimentos de estudos culturais e sociais, expressa tendências que a História Nova ou Nova História tenta esclarecer, das possibilidades de novas abordagens. Difícil é definir a Nova História, caracterizando-a como história total ou estrutural. Mas "a nova história é a história escrita como uma reação deliberada contra o `paradigma' tradicional (...)" Os estudos políticos, por exemplo, não podem ser analisados da mesma maneira que as questões sociais e culturais. Esses estudos requerem mais explicação histórica estrutural(9).

Tratando-se de interpretar o contexto social há duas formas possíveis de fazê-lo, como diz Levi, de um lado, como "um local que imputa significado a particulares supostamente `estranhos' ou `anômalos', revelando seu significado oculto e conseqüentemente seu ajustamento a um sistema; ou, por outro lado, como um ponto de descoberta do contexto social em que um fato aparentemente anômalo ou insignificante assume significado, quando incoerências ocultas são reveladas"(10). Quando um historiador como Revel considera ser a "mudança da escala de análise essencial para a definição da micro-história", significa dizer que não só os historiadores como os antropólogos procuram "trabalhar com conjuntos circunscritos, de tamanho reduzido"(11).

Da mesma forma, a base teórica empregada nesta pesquisa está fundamentada no conceito de campo organizacional, um dos elementos centrais da teoria institucional, focalizada na perspectiva dos neo-institucionalistas. A aplicação deste conceito se baseia na idéia de que "as organizações sobrevivem ao compartilharem valores em um determinado espaço social"(12) como dizem Vieira e Carvalho. Para esses autores, ainda, o relevante na configuração do campo é descobrir e analisar quais são os valores que os principais atores sociais compartilham nesse dado campo; que recursos de poder dispõem e como os utilizam para a consecução de seus objetivos.

Por tratar-se de um estudo que se insere no campo da história social, a opção pela teoria institucional, então, possibilitou conhecer o objeto situado no seu contexto de referência, ao mesmo tempo em que, ao se recorrer a essa abordagem, de caráter interdisciplinar, também analisá-lo por meio da construção da estrutura do campo organizacional. "Combinar disciplinas é um remédio para a fragmentação" diz Peter Burke ao ser entrevistado, acreditando que é possível, por meio de conexões, combinar também "amplitude com profundidade", ou seja, mostrar as ligações entre o "local" e o "global"(13).

Teóricos institucionais como Scott descrevem como o processo de institucionalização emerge da construção social da realidade, que não se dá por si só, mas é construída pelo homem em sua relação social com o meio ambiente(14). Mas para autores como Berger e Luckman essa relação indica uma ordem social que "existe unicamente como produto da atividade humana"(15). Enquanto Oliver sugere em seu artigo que a compreensão da institucionalização também depende de um processo de investigação pelo qual as organizações reconstroem a realidade quando existem valores e práticas não aceitas e não reconhecidas(16).

2.1. Procedimentos e Fontes da Pesquisa

A identificação das fontes foi feita através de visitas a arquivos, bibliotecas, escolas, entre outros locais sendo útil não só para que se percebesse a viabilidade do estudo, tendo sido esta a tarefa mais difícil, mas também para se fazer à listagem do que seria realmente pesquisado. A ordenação dos documentos, além de ser feita em arquivos digitalizados também foi organizada manualmente.

As fontes deste estudo foram extraídas de documentos oficiais, jornais e revistas da época, selecionadas de acordo com a crítica interna e externa, para atender aos objetivos propostos, tendo em mente que o "real se coloca de forma fragmentada, seja pela seleção feita pelo próprio passado, seja pela subjetividade do pesquisador e de sua capacidade de apreensão"(17). A pesquisa documental teve início em instituições cujos acervos estavam catalogados como Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (APEJE) e Biblioteca Nacional (BN)g.

2.2 Procedimentos Éticos e Análises dos dados

Quanto às questões éticas da pesquisa histórica, obedeceu-se a critérios e a normas específicas do Conselho Nacional de Arquivo e do Arquivo Nacional, referente ao manuseio do acervo e sua conservação. Para atendimento da legislação vigente do Comitê de Ética em Pesquisa, foi obedecido um protocolo de encaminhamento, para solicitação do Parecer. Houve autorizações das principais instituições envolvidas no estudo. O Projeto foi encaminhado para apreciação no Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), na cidade do Recife, Pernambuco, obtendo parecer final favorável em 11 de maio de 2005.

Por tratar-se de estudo histórico-social, os dados foram analisados após critérios metodológicos estabelecidos com base no processo de institucionalização, no caso em estudo do estágio da pré-institucionalização e a formação do campo organizacional, sendo que quanto a este último se contemplou a pré-formação do campo e o campo emergente. Após estabelecer recortes transversais no período do estudo, foi possível fazer uma análise e esquematizar a Formação do Campo Organizacional da Enfermagem. No período de 1922 a 1925 observa-se a presença de organizações isoladas configurando a Pré-formação do Campo Organizacional da Enfermagem Profissional. Os recortes que compreendem os períodos de 1925 a 1930 e 1930 a 1938 configuram o campo emergente da Enfermagem Profissional, pois os enlaces interorganizacionais e a concentração de organizações escolares são mais visíveis. Utilizou-se como técnica para a análise dos documentos a "análise de conteúdo"(18).

 

3. RESULTADOS

Observou-se que várias foram às relações de troca simbólica, na tentativa dos agentes de garantir a configuração do campo organizacional da Enfermagem Profissional na cidade do Recife (Pernambuco). Mas, mesmo assim essas relações não se consolidam em face de as bases cognitivas e normativas terem sido insuficientes, para a sua sobrevivência. O marco inicial, do estudo ocorreu com os desdobramentos da Primeira Guerra Mundial. Vale registrar que, na época da Primeira Guerra Mundial (1914 a 1917), uma pandemia de gripe disseminou-se, atingindo a Europa, EUA e Ásia, matando milhares de pessoas.

Na época do estudo foi possível apreender, as tecnologias relativas às práticas de saúde, com destaque para as práticas médicas, indo desde os conhecimentos já existentes até os interesses dos agentes em desenvolvê-los através de cursos voltados para Enfermagem. Com efeito, observa-se que, esse evento ocorre no interior de um movimento geral de ampliação da rede hospitalar da cidade do Recife e no contexto nacional da criação e implantação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), na denominada Reforma Carlos Chagas. A Reforma Carlos Chagas(19,20) portanto, ensejou a ida de um grupo de enfermeiras norte-americanas à cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, integrante da Missão Parsons, com a finalidade de dar sustentação à Reforma em andamento.

Ao contrário do ocorrido no Rio de Janeiro com a Reforma Carlos Chagas, que trouxeram para o Hospital São Francisco de Assis, enfermeiras norte-americanas, a organização do HC, no Recife, tiveram como providências tomadas, a vinda de 11 enfermeiras diplomadas, integrantes da Cruz Vermelha Alemã, todas formadas por institutos alemães. No Recife, elas chegaram à cidade em 26 de dezembro de 1924(21) antes, portanto da formatura das pioneiras da Escola Anna Néri (EAN).

Quando se descreve os antecedentes do estudo neste contexto, é possível situar o campo político, em cujo espaço o jogo político ocorre, e onde as ações de saúde eram disputadas. O envolvimento da sociedade se faz presente e os profissionais como os da classe médica se destacavam à época. A pedra angular do futuro hospital modelo, lançada numa cruzada instituída em 1922, pelo abade Dom Pedro Roeser para ter anexo uma Escola de Enfermeiras e Casa de Saúde, foi fruto de um movimento de criação para construção do HC. Neste sentido, o que Ramos descreve sobre os agentes Pedro Roeser e Fernando Simões Barbosa no empenho(21) destes para que a Enfermagem seguisse um modelo profissional, com a vinda de enfermeiras diplomadas, e o esforço para trazer técnicos alemães ao invés de norte-americanos, foi importante para a compreensão da configuração de um futuro campo organizacional da Enfermagem Profissional.

À época da chegada de tais enfermeiras alemãs ao Recife, o Estado de Pernambuco encontrava-se sob intervenção federal, tendo como presidente do Estado Sérgio Loreto, que procurava mediar as disputas entre os políticos locais, principalmente as disputas em 1922 que foram provenientes de crises sucessivas surgidas após morte de um borbista. No campo da saúde, tendo no HC um ambiente institucional, os agentes em busca de tecnologias das práticas de saúde, apresentam um discurso que ressalta a cidade do Recife como palco para as grandes conquistas sanitárias e progresso na urbanização. Adolpho Simões Barbosa, Arsênio Tavares foram outros médicos que apoiou a idéia da criação de um hospital. Arsênio Tavares, atuava na Escola de Parteiras quando esta foi criada no Hospital Pedro II, dando aulas de Anatomia e Fisiologia e Adolpho Simões Barbosa era o diretor do HC. Fernando Simões Barbosa que era Vice-diretor do HC e Arsênio Tavares ensinavam na Faculdade de Medicina do Recife. Observa-se, nesta época, que já havia uma disputa, para a criação de uma Escola para Enfermeiras no Estado. A Santa Casa de Misericórdia do Recife também tinha intenção em criá-la com a Escola de Parteiras, devendo chamar-se Escola de Parteiras e Enfermeiros. Por outro lado Otávio de Freitas Diretor da Faculdade de Medicina (FM) que foi até 1935, impulsionava o campo. Surge então a Escola de Enfermeira Especializada em 1926, ligada a FM.

Mas o campo sanitário toma forma nos governos de Sérgio Loreto (1923 a 1926), Estácio Coimbra (1926 a1930) e de Lima Cavalcanti (1930 a 1938). No governo de Sérgio Loreto, é criado o Departamento de Saúde e Assistência (DSA), tem a frente o médico sanitarista Amaury de Medeiros que faz uma Reforma Sanitária no Estado e cria uma Escola de Visitadoras de Saúde Pública. Por sua vez o governo de Estácio Coimbra dá continuidade ao DSA, mas cria uma Escola de Educação Sanitária, bem como Centros de Saúde. Mas é o governo de Lima Cavalcanti que em sua Reforma Sanitária dá ênfase na Assistência aos Alienados, criando um Serviço Aberto aos doentes psiquiátricos, e criando Distritos Sanitários. No entanto declara que o Serviço de Enfermagem tem prioridade e enfatiza a necessidade de criar no Departamento de Saúde Pública (DSP), que é chamado na Reforma, uma Escola de Enfermeira junto com o HC.

Entretanto, mesmo sabendo-se da existência de enfermeiras diplomadas, como as alemãs e as inglesash conforme referia Ramos permanecendo no HC durante quatorze anos desde 1925(21), a intenção declarada à época de se criar uma Escola de Enfermeiras no Recife, não chegaria a se concretizari. O acirramento das disputas no campo político que vem desde a Revolução de 30, dando início a Segunda República, sendo Getúlio Vargas, Presidente do Governo Provisório, culmina então com a intervenção no Estado de Pernambuco. Sendo assim, em 1937 ao começar o Estado Novo, Agamenon Magalhães é nomeado interventor estadual, e dá início a uma série de perseguições políticas. No âmbito internacional, os ânimos estão acirrados e o III Reich instalado com Hitler no poder desde 1933. Vargas, simpatizante que era à causa do nacionalismo, deixa-se envolver com as mudanças que estão ocorrendo na Europa. Começa a Segunda Guerra Mundial em 1939. O Brasil já era palco de idéias nazistas. O nazismo, e sua ideologia no Brasil sofreu forte influência, embora não totalmente, mas em parte na colônia alemã, no Rio Grande do Sul, ainda nos anos 20.

O integralismo também foi outro movimento da época, considerado como uma doutrina nacionalista, que se aproximava do fascismo e até quem o diga que tinha também a ideologia do nazismo alemão e era liderado por Plínio Salgado. Por sua vez o partido nazista fundado em Paulista, Pernambuco em 1933 difundia as idéias entre os súditos do Reich, até a polícia fazer apreensões e prisões. A Enfermeira Margareth Heck que fazia parte da Colônia Alemã, bem como o beneditino Pedro Roeser, foram censurados durante o Estado Novo. Margareth Heck era a única enfermeira existente do grupo de enfermeiras alemãs que vieram para trabalhar no HC em dezembro de 1924. Até 1943, ela se encontrava trabalhando na Maternidade do Recife, e como na desapropriação do HC a Escola de Enfermeira proposta inicialmente não foi criada, tudo leva a crer que as enfermeiras alemãs também nada fizeram para criar a pretensa Escola de Enfermeira.

No entanto, mesmo estando até a desapropriação o seu defensor Fernando Simões Barbosa, pois o beneditino Dom Pedro Roeser em 1930 é transferido para Sorocaba (São Paulo), nada também fizera para criação da Escola. Enquanto isto o campo da saúde e educação que existia na época vai se expandindo com a Faculdade de Medicina criando Curso de Enfermeira Especializada e o Hospital Pedro II, que no início do século XX despontou como um dos mais bem equipado, cria a Escola de Parteiras e Enfermeiros e de Enfermeiras Especializadas. Assim o campo organizacional da Enfermagem Profissional vai se configurando, com o surgimento de novas tecnologias em saúde e expansão do campo sanitário e ampliação da rede hospitalar.

No entanto, várias são as dimensões da Enfermagem Profissional e também as da prática de Enfermagem Profissional ao longo do processo histórico e social. É sabido que a vida social se apresenta em sua dinâmica num processo de interações e ou inter-relações, e neste sentido, os agentes atribuem valores à Enfermagem e suas práticas num dado espaço social. Pensar as ações dos agentes neste espaço, do social, é poder pensar também essas ações enquanto "práticas sociais", seja no campo da saúde ou no campo da Enfermagem, e isto, como consideram Almeida, Mishima e Peduzzi transcendem a sua dimensão meramente profissional ou técnica(22).

Na época, a dimensão técnica de Enfermagem, sob a influência da ideologia do sanitarismo e higienismo, que acompanhava a moderna medicina científica, já redefinia a natureza do seu trabalho, havendo a "evocação dos requisitos e competências"(23) o que lhe imprimia caráter técnico, como interpreta Lopes. Essas condições eram essenciais para a construção de uma identidade de enfermagem e porque não dizer também de suas práticas num dado campo organizacional. Assim por isso que o Estado e as profissões têm sido motivos de estudo desde a segunda metade do século XX. O apoio do Estado é fundamental na formação de uma profissão ele incide ao longo do processo institucional refletindo no controle do exercício profissional que ocorre por via de processos cognitivo e normativo.

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este estudo ao contemplar o objeto da Pré-institucionalização da Enfermagem Profissional num dado campo organizacional, vislumbrou-se que as lutas exercidas pelos agentes, as estratégias estabelecidas por eles para ter pessoas preparadas para atuar no campo foram desde os cursos ora oferecidos na época a expansão do campo sanitário.

Com esta expansão surge a necessidade de novos agentes sanitários, como foi o caso das visitadoras de saúde pública, visitadoras sanitárias e educadoras sanitárias. Na época elas atuavam em áreas junto ao Serviço de Higiene Infantil. Os programas sanitários eram voltados para a mulher e a criança. A preocupação maior dos governantes era com a prevenção da doença. Amaury de Medeiros, diretor do DSA, foi um dos que mais deu ênfase neste sentido. Na disputa no campo da enfermagem, surge, como opositor, às idéias de Fernando Simões Barbosa e Pedro Roeser e com isto este grupo de interesse ligado ao HC se retrai. Para ele ter visitadoras no lugar de enfermeiras significava não entrar em conflito com os colegas, pois sendo assim não criaria uma profissão cujo sentido servil o nome enfermeira daria.

Mas a sua visão de sanitarista e a sua Reforma Sanitária fizeram com que os outros governos tomassem medidas também neste sentido e com isto as práticas de saúde e enfermagem, que ora estavam ligadas aos serviços sanitários cada vez mais prevaleciam na época. As práticas de enfermagem que eram desenvolvidas em hospitais se configuram também no campo nas raízes da pré-institucionalização. Com efeito, o Estado exerce um poder no campo sanitário impulsionando Cursos de Enfermeiras Especializadas voltados par a mulher e criança.

Vale ressaltar, no entanto, que para a formação do campo é necessário que as bases cognitivas e normativas sejam suficientes e que os valores e crenças dos agentes sejam compartilhados. A presença constante das Visitadoras Sanitárias, e das Educadoras de Higiene como eram chamadas, as Educadoras Sanitárias mostra bem a vontade dos governantes em acertar uma profissão de enfermeira no campo da saúde e que nela pudesse contemplar além dos aspectos das doenças, os aspectos sanitários e de saúde pública. Para isto foram oferecidos desde aulas de parto a cursos de parteiras e enfermeiros e cursos de enfermeiras especializadas.

Considera-se neste estudo que o processo de institucionalização visando um campo profissional perpassa uma construção social, política e cultural que permeia a estrutura, podendo-se dizer que na institucionalização da enfermagem, isto também ocorre. Evidenciou-se que, nos discursos dos agentes encontrados nas fontes levantadas, e nos documentos examinados, houve uma preocupação e, ao mesmo tempo, um avanço no campo da saúde e educação, ao se deparar nesse período com os novos agentes sanitários como foi o caso das Visitadoras de Saúde Pública e das Educadoras Sanitárias. Sendo assim, pode-se inferir que elas foram às precursoras das bases profissionais da Enfermagem. Assim, pode-se dizer também que da concepção de enfermeiras especializadas a visitadoras e educadoras sanitárias o campo vai emergindo despontando uma prática profissional emergente com caráter de profissão feminina, fundadas em conhecimentos especializados e de saúde pública.

 

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Submissão: 03/07/2006
Aprovação: 23/10/2006

 

 

a No resultado da Comissão instituída pelo Ato n.1874 de 19 de setembro de 1938, encaminhado ao Exmo. Sr. Dr. Sérgio de Godoy Magalhães, datado em 8 de novembro de 1938, a comissão foi favorável à desapropriação. O despacho foi dado em 26 de novembro por Agamenon Magalhães para publicar. Localização: APEJE/DOPS, Fundo: SSP, 4441, 280D. D.21.
b O interesse de curso para enfermeiros era visível desde 1989. Estava explicitado no Regulamento para o Serviço Sanitário do Hospital Pedro II e dos Estabelecimentos a cargo da Santa Casa de Misericórdia do Recife. Este Regulamento foi aprovado pela Junta Administrativa em 8 de março de 1898, na p.36, em seu Cap. XXVII, diz: "Do Curso de Enfermeiros. Art. 136: Fica creado um curso mixto de enfermeiros no Hospital Pedro II a cargo do médico Assistente.
c Foi instalada em 1841 no Recife. Em 1909, foi realizado o 1º. Congresso Médico, quando foi proposto à Santa Casa de Misericórdia do Recife o restabelecimento da escola de enfermeiros mantida no Hospital Pedro II, de acordo com as bases apresentadas pelo Congresso.
d As primeiras escolas consideradas profissionais no âmbito nacional surgiram entre 1890 a 1919, e foram a Escola de Enfermeiros e Enfermeiras do Hospício Nacional de Alienados criada em 1890, atual Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade do Rio e as Escolas práticas de enfermeiras da Cruz Vermelha Brasileira em 1914 e 1916 em São Paulo e Brasília respectivamente . No âmbito local as primeiras iniciativas foram através do Hospital Pedro II com a criação de um Curso de Enfermeiros em 1898 e também a criação de um Curso de Obstetrícia.
e· Estes podem ser oriundos de outras instituições tidas como referência no país e no exterior, impulsionando o ambiente em sua nova estrutura. Valores, crenças, padrões de significados compartilhados orientam a vida organizacional, enquanto conjunto de interesses, conflitos, jogo do poder moldamas atividades organizacionais.
f· Dada ao Jornal do Comércio, 21 de novembro de 1920. O artigo intitulava-se: "Um grave Problema do Momento. A assistência hospitalar em Pernambuco". APEJE. Microfilme.
g A inclusão desta instituição aconteceu em face de estadas no Rio de Janeiro para realizar estudos na Escola de Enfermagem Ana Nery/UFRJ. Outros Arquivos como: da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, Santa Casa de Misericórdia do Recife, da Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças da UPE, do Departamento da Escola de Enfermagem da UFPE, bem como Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, da Academia Santa Gertrudes, do Mosteiro de São Bento em Olinda, Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco, Academia de Medicina, e o Memorial de Medicina foram locais onde a pesquisa foi realizada. Os dados extraídos das fontes foram coletados utilizando-se um Roteiro Matricial de Coleta elaborado para este fim destinado para Exame de Periódico e para Exame de Documentação.
·h Em 1936, o Jornal do Sindicato dos Enfermeiros, noticiava: "No Hospital Centenário. Entrou no exercicio de suas atividades, desde o dia 1º. do corrente a D. Directora do Hospital do Centenário Madame Ellen Small Pedra, que achava-se em gozo de férias". Publicado no Jornal dos Enfermeiros, Anno1, n.3, dez., 1936. Depositado no Arquivo Público de Pernambuco- APEJE. Em 1938, também foi citada como Administradora em lista de funcionários do referido hospital, sua sobrinha Isabel Small. Localização: APEJE/DOPS, Fundo SSP, 280 D., n. 4441-HC.
·i Na Edição do Almanak Laemmert para 1929, obra de consulta estatística de informações gerais acerca dos estados brasileiros, constava na pág. 829 que, no HC era ainda o diretor Dr Adolpho Simões Barbosa, o vice-diretor Dr Fernando Simões Barbosa e também chefe da clínica médica de Homens. No corpo de Enfermagem, outras enfermeiras existiam. Eram enfermeiras da Cruz Vermelha Alemã (CVA): Administradora: Elisabeth Rorth. Enfermeiras: Anni Hoffmann; Kathe Tomalla; Angelika Kutschera. Continuaram desde 1925 as enfermeiras Bertha Licht, Eva Brunnengraber e como Pharmaceutica: Elisabeth Popp. O enfermeiro e Gerente: Herbért Holoch também constava do corpo da CVA (22:829).

 

 

Trabalho extraído da Tese de Doutorado do Programa Interunidades de Doutoramento em Enfermagem da EERP/USP.

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