SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.71 issue4Knowledge about HIV/AIDS and implications of establishing partnerships among Hornet® usersHands hygiene and the use of gloves by nursing team in hemodialysis service author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.71 no.4 Brasília July/Aug. 2018

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0432 

PESQUISA

Projeto HOPE: atuação de enfermeiras norte-americanas no Brasil (1973)

Laís de Miranda Crispim CostaI  II 

Tânia Cristina Franco SantosI 

Luiz Otávio FerreiraIII 

Antônio José de Almeida FilhoI 

Regina Maria dos SantosII 

Elaine Lázaro AlcántaraIV 

IUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Anna Nery. Rio de Janeiro-RJ, Brasil.

IIUniversidade Federal de Alagoas, Escola de Enfermagem e Farmácia. Maceió-AL, Brasil.

IIIFundação Oswaldo Cruz, Casa Oswaldo Cruz, Departamento de Pesquisa. Rio de Janeiro-RJ, Brasil.

IVUniversidad Catolica Santo Toribio de Mogrovejo. Chiclayo, Peru.


RESUMO

Objetivo:

descrever as circusntâncias de atuação das enfermeiras do projeto HOPE e discutir as repercussões da atuação dessas enfermeiras em relação à reconfiguração da enfermagem alagoana.

Método:

estudo histórico-social, cujas fontes primárias foram documentos arquivados no Laboratório de Documentação e Pesquisa em História da Enfermagem, documentos cedidos pelo projeto HOPE, depoimentos orais resultantes da transcrição de entrevistas de enfermeiras norte-americanas e o diário de bordo da enfermeira VeNeta Masson, coordenadora de enfermagem do navio. A discussão dos dados teve como referencial a teoria de Pierre Bourdieu. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética e foi aprovado.

Resultados:

as ações das enfermeiras norte-americanas expuseram a escassez desse tipo de profissional na área, bem como as precárias condições de saúde na região.

Conclusão:

o capital simbólico dessas enfermeiras contribuiu para a reconfiguração do campo da enfermagem em Alagoas.

Descritores: Autonomia Profissional; Enfermeiras e Enfermeiros; Enfermagem; História da Enfermagem; Cuidados de Enfermagem

ABSTRACT

Objective:

to describe the reality of nurses of Project HOPE and discuss the repercussion of their performance in relation to the reconfiguration of nursing in Alagoas State.

Method:

social-historical study, whose primary sources were documents filed in the Laboratory of Documentation and Research in History of Nursing, granted by this project; oral testimonies resulting from the transcription of interviews of US nurses and the VeNeta Masson's'logbook, coordinator nurse of the ship. The discussion of the data was based on Pierre Bourdieu's theory. The project was submitted to the Ethics Committee and approved by it.

Results:

The actions of the American nurses exposed the shortage of this type of professional in the area, as well as the precarious health conditions in the region.

Conclusion:

the symbolic capital of these nurses has contributed to the reconfiguration of the nursing field in Alagoas State.

Descriptors: Professional Autonomy; Female and Male Nurses; Nursing; History of Nursing; Nursing Care

RESUMEN

Objetivo:

describir las circunstancias de actuación de las enfermeras del proyecto HOPE y discutir las repercusiones de la actuación de esas enfermeras en relación a la reconfiguración de la enfermería del estado de Alagoas, Brasil.

Método:

el estudio histórico-social, cuyas fuentes primarias fueron documentos archivados en el Laboratorio de Documentación e Investigación en Historia de la Enfermería, documentos cedidos por el proyecto HOPE, testimonios orales resultantes de la transcripción de entrevistas de enfermeras norteamericanas y el diario de a bordo de la enfermera VeNeta Masson, coordinadora de enfermería del buque. La discusión de los datos tuvo como referencia la teoría de Pierre Bourdieu. El proyecto fue sometido al Comité de Ética y fue aprobado.

Resultados:

las acciones de las enfermeras norteamericanas expusieron la escasez de ese tipo de profesional en el área, así como las precarias condiciones de salud en la región.

Conclusión:

el capital simbólico de esas enfermeras contribuyó a la reconfiguración del campo de la enfermería en Alagoas.

Descriptores: Autonomía Profesional; Enfermeras y Enfermeros; Enfermería; Historia de la Enfermería; Cuidados de Enfermería

INTRODUÇÃO

Este estudo tem por objeto a atuação de enfermeiras norte-americanas do projeto HOPE (Health Opportunity for People Everywhere) em Maceió no ano de 1973. A vinda da nau para a capital do Estado de Alagoas se deu a partir de um convênio celebrado no ano de 1972, entre o governo do estado, sob o mandato do governador Afrânio Lages, o Projeto HOPE e a Universidade Federal de Alagoas – UFAL. O navio-escola chegou ao porto de Maceió no dia 15 de fevereiro de 1973 e tinha como um dos seus principais objetivos o ensino de hodiernas técnicas da ciência médica norte-americana e a atuação dos profissionais no atendimento de casos especiais de saúde(1).

Antes da chegada do navio, a sociedade alagoana só contava com uma enfermagem elementar, representada pelos auxiliares e atendentes de enfermagem que atuavam nos serviços de saúde e que exerciam uma enfermagem subordinada às ordens médicas(1). Isto porque, até o ano de 1973, não existia em Alagoas curso de graduação em enfermagem e as poucas enfermeiras existentes atuavam na Fundação Serviço Especial de Saúde Pública, na Secretaria Estadual de Saúde e na Escola de Auxiliares de Enfermagem de Alagoas – EAEA, única instituição formal de ensino existente na cidade, criada no ano de 1952(2-3).

Assim, o primeiro curso de graduação em enfermagem de Alagoas foi criado dentro da UFAL no mesmo ano da estadia do navio, que retornou para Filadelfia, Estados Unidos da América, em novembro de 1973. Cabe ressaltar que não era objetivo do prjeto HOPE a criação de um curso de enfermagem, uma vez que já fazia parte da política do Ministério da Educação e Cultura do Brasil a ampliação do número de escolas no país, sobretudo no âmbito das Universidades Federais. Logo, o que aconteceu foi um momento propício, visto que a atuação das enfermeiras norte-americanas possibilitou uma nova visão do potencial do trabalho da enfermeira e a grande necessidade de profissionais deste nível para o estado.

OBJETIVO

Descrever as circusntâncias de atuação das enfermeiras do projeto HOPE em Alagoas e discutir as repercussões da atuação destas enfermeiras na reconfiguração da enfermagem alagoana.

MÉTODO

Aspectos éticos

Foram respeitados os princípios éticos estabelecidos pela Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012 do Ministério da Saúde. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética na Plataforma Brasil e aprovado com Certificado de Apresentação para Apreciação Ética.

Tipo de estudo

Pesquisa histórico-social, a qual enfatiza a vida de pessoas comuns e preocupa-se com uma discusão mais crítica a partir de quadros de referências interpretativos(4), no presente caso foi utilizada a teoria do mundo social de Pierre Bourdieu. A busca pelo conhecimento através da pesquisa histórica é tão legítima quanto em qualquer outra área de conhecimento, onde o que difere é o assunto, a forma de apresentação dos dados e o método(4).

Neste sentido, os três passos do método histórico foram seguidos, quais sejam: levantamento de dados que tem relação com o passado; avaliação crítica destes dados; e apresentação dos fatos, interpretação de inferências e conclusões(5). O recorte social e temporal foi o município de Maceió, no ano de 1973, período que o navio HOPE ficou atracado no porto de Jaraguá, funcionando como hospital-escola.

Procedimentos metodológicos

As fontes primárias foram documentos referentes ao projeto HOPE, arquivados no Laboratório de Documentação e Pesquisa em História da Enfermagem – LADOPHE da UFAL; documentos cedidos pelo Projeto HOPE, tais como: fotografias, Relatório de comemoração de 50 anos do projeto e Relatório da estadia do navio em Maceió; depoimentos orais resultantes da transcrição de 2 entrevistas de enfermeiras norte-americanas pertencentes ao projeto; e o diário da enfermeira Veneta Masson, coordenadora de enfermagem do navio, publicado em forma de capítulo no livro intitulado “Internacional Nursing”(6). Este diário contém depoimentos de várias enfermeiras norte-americanas pertencentes ao projeto.

O critério de inclusão dos sujeitos foi ter pertencido ao staff de enfermagem do navio. Foi estabelecido apenas um critério de exclusão, qual seja, estar impossibilitado por qualquer razão de conceder entrevista, como problemas de saúde, memória prejudicada, etc. As fontes secundárias foram compostas por autores que abordaram a História do Brasil, de Alagoas e da Enfermagem, pelas quais foi possível triangular com as fontes primárias e o referencial teórico escolhido, no sentido de elucidar os objetivos propostos. Sobre este tipo de fonte, cabe enfatizar que, a busca em bancos de dados nacionais e internacionais permitiu encontrar apenas três artigos que tratam da atuação do projeto HOPE, evidenciando a necessidade de publicação desta temática que se refere ao desenvolvimento da enfermagem no mundo.

Todos os documentos foram submetidos à análise interna e externa. A primeira verificou a autenticidade da fonte e a segunda avaliou o conteúdo, no intuito de apreender o significado da sua declaração. Na análise dos dados, procedeu-se a triangulação do contexto histórico, com as estruturas sociais existentes no campo e com o universo simbólico dos depoimentos, a partir das opções teóricas, escolhas temáticas e hipóteses de investigação(7). A discussão dos dados foi orientada pela Teoria do Mundo Social do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual reconhece que as ações dos grupos sociais não podem ser explicadas apenas como uma junção de comportamentos individuais, mas sim como um conjunto de ações que incorporam influências de culturas, tradições e estruturas objetivas dentro da sociedade. “Essas influências são incorporadas em sua teoria através dos conceitos de campo, capital e habitus, a fim de garantir que a teoria seja totalmente representativa do mundo social”(8).

Bourdieu distingue quatro formas de capital: (1) capital econômico, que pode ser imediatamente convertido em dinheiro; (2) capital cultural, que tem maior relevância em seus estudos e que se refere a qualificação intelectual adquirida através do ambiente familiar e dos processos educacionais; (3) capital social, que é o capital das obrigações sociais e dos relacionamentos; e (4) capital simbólico, o estatus resultante da posse das formas de capital mencionadas acima(9).

Portanto, considera que o capital simbólico é o capital propriamente dito, seja ele de qualquer espécie: cultural, social, econômico, político, esportivo, artístico, etc. O volume de capital eficiente num campo determina qual agente exerce, de maneira dominante, o poder simbólico sobre o dominado(10).

RESULTADOS

A atuação das enfermeiras norte-americanas evidenciou a escassez deste tipo de profissional em Alagoas, bem como as condições precárias de saúde da região. É possível inferir que o capital simbólico destas enfermeiras contribuiu para a reconfiguração do campo da enfermagem na localidade.

No dia 15 de fevereiro de 1973 aportou no Porto de Jaraguá o navio-escola HOPE(2). Esse navio fazia parte de uma organização internacional de cuidados à saúde fundada em 1958(11), a qual era desejada e encorajada pelo então presidente dos Estados Unidos, General Dwight Eisenhower, como também pela Fundação Rockefeller, organização que já havia financiado outras atividades no Brasil, inclusive ligadas ao desenvolvimento de pessoal de enfermagem.

O navio, que antes pertencia à Marinha estadunidense, precisou ser reaparelhado para se tornar um hospital-escola e realizar suas viagens de ajuda humanitária aos povos menos desenvolvidos, que perduraram de 1960 a 1973(11), conforme Tabela 1:

Tabela 1 Viagens realizadas pelo navio do Projeto HOPE, Rio de Janeiro, Brasil, 2017 

Ordem País Ano
Indonesia 1960
Vietnam 1961
Peru 1962
Ecuador 1963
Guinea 1964
Nicaragua 1966
Colombia 1967
Sri Lanka 1968
Tunisia 1969
10ª West Indies 1971
11ª Brazil 1972
12ª Brazil 1973

O navio hospital HOPE saiu do Porto de Baltimore, nos Estados Unidos, em fevereiro de 1973. Segundo a coordenação do projeto, o navio contava com um total de 206 pessoas, sendo 60 enfermeiros, 30 técnicos, 6 médicos e 110 tripulantes, os quais, durante a viagem, tiveram aulas sobre a língua e os costumes brasileiros. Além deste quantitativo, outros profissionais de alta qualificação em seus campos de atividade no setor de saúde vieram de um avião especial da Varig até a cidade do Recife, de onde foram transportados de ônibus à capital do estado de Alagoas(2).

Neste período Alagoas não contava com nenhum curso de graduação em enfermagem e a única instituição formal existente era a EAEA, porém o seu rigor excessivo no processo de formação teve como consequência a lenta expansão de profissionais auxiliares de enfermagem nos serviços de saúde existentes na época e o fazer da enfermagem era implementado majoritariamente por pessoas sem formação específica, como no caso das atendentes de enfermagem(1).

Então não tinha uma enfermeira diplomada nos hospitais, todos os setores dos hospitais foram gerenciados pelos auxiliares de enfermagem, porque não tinha nem técnico e quem dava os cuidados eram os atendentes. Certo, essa aqui foi a realidade. (Enfermeira norte-americana 1)

Essa precária assistência à saúde acompanhava os índices alarmantes dos indicadores sociais, fato que obviamente foi percebido pelos integrantes do navio, conforme trecho do relatório de 50 anos do projeto HOPE:

Em algumas das regiões mais pobres do Brasil, crianças menores de cinco anos eran responsáveis por metade de todas as mortes, e uma escassez de pessoal médico que tentava fornecer os cuidados de saúde necessários. Projeto HOPE tocou nestes grandes problemas em sua décima e décima primeira viagem ao Brasil. O pessoal do projeto HOPE atendeu cada paciente em suas extremas necessidades. A bordo do navio eles realizaram o primeiro transplante de córnea, jamais realizado na região. Além de fornecer cuidados aos doentes, cada caso funcionava como meio de instrução, com o pessoal do projeto HOPE introduzindo seus métodos e tecnologias às suas contrapartes brasileiras. O projeto HOPE ajudou a criar novas instalações de atendimento, um curso de pós-graduação na área médico-cirúrgica para o corpo docente da universidade federal, e o primeiro programa de mestrado em odontologia do Brasil(12).

No caso da enfermagem, devido à escassez de enfermeiras, a interação se deu com auxiliares e atendentes de enfermagem de vários serviços de saúde, com ênfase na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, instituição onde os profissionais do HOPE também atuaram durante a estadia do navio, pois era o local onde funcionava o HU a partir de um convênio firmado com a Faculdade Medicina da UFAL. Neste entendimento, onde as enfermeiras norte-americanas atuaram em vários cenários de prática assistencial e com um sistema de contraparte, uma delas diz:

Mas a gente desde o início, até desde a época do navio, quando o navio veio aqui a gente sempre trabalhava, uma pessoa americana com um brasileiro, a gente nunca trabalhou só. (Enfermeira norte-americana 1)

O funcionamento do serviço de enfermagem na Santa Casa tinha características peculiares, uma vez que o hospital não contava com nenhuma enfermeira, acompanhando o que acontecia praticamente em todas as instituições hospitalares do estado. Deste modo, os atendentes, copeiros e serviçais, pessoal que realizava os cuidados de enfermagem aos pacientes internos, eram supervisionados por freiras. Para atenuar esta situação, a UFAL contratou uma enfermeira recém-formada em Recife para atuar em parceria com o serviço de enfermagem do navio durante todo o período em que ficou atracado no porto de Maceió(2).

A enfermeira contratada foi Vera Lúcia Ferreira da Rocha, que passou a trabalhar diretamente com a coordenadora de enfermagem do projeto, Veneta Manson, materializando o sistema de contraparte. Como não era objetivo do projeto a criação de uma escola para formar enfermeiras, as primeiras providências tomadas pela equipe de enfermagem do navio foram a transferência do HU para a cidade universitária, local onde já havia um prédio em construção para essa destinação, bem como o treinamento do pessoal de enfermagem para trabalhar no hospital após a mudança.

Nossa prioridade naquela época foi montar o serviço de enfermagem do HU, foi uma coisa, o curso, na verdade, só começou um pouco depois, em 74. [...] Então a primeira coisa que a gente fez foi contratar os auxiliares de enfermagem para trabalhar no HU, fizemos todas as entrevistas, aula prática e nós selecionamos o pessoal de nível de médio. [...] A gente dava aulas, aulas e mais aulas, começando do absolutamente básico, como se verifica a temperatura do paciente, como você verifica todos os sinais vitais, banho no leito, tudo a gente começou, então quando o hospital abriu já estava com a equipe de enfermagem toda formada por nós. (Enfermeira norte-americana 1)

Sobre a organização da enfermagem do HU, o relatório da coordenadora de enfermagem do navio propunha, na época, oitos objetivos a serem implementados para melhorar a qualidade da assistência de enfermagem e ofertar cuidados de enfermagem eficazes. Esta coordenadora ocupava a condição de porta-voz autorizada, pois sua fala concentra o capital simbólico acumulado pelo grupo (equipe de enfermagem do navio) que lhe conferiu o mandato.

O objetivo número sete diz que a enfermagem, como uma profissão independente, tem que ser reconhecida, respeitada e ocupar um lugar de maior valor dentro daquele hospital, como se pode ver:

1. O Hospital Universitário (UH) terá um departamento de enfermagem com autoridade reconhecida por todos intra e interdepartamental. 2. HU terá um programa de orientação organizado para todo o pessoal de enfermagem adaptado às necessidades da equipe de enfermagem e das instalações disponíveis. 3. HU terá uma escola de graduação em enfermagem e terá concluída a primeira turma até o término do convênio com o projeto HOPE. 4. HU terá um programa contínuo de educação em serviço para todo o pessoal de enfermagem voltado para as necessidades dos vários níveis. 5. O pessoal de enfermagem terá valor e manifestará interesse em aprender. 6. HU terá pessoal treinado nos níveis de supervisora e enfermeira-chefe para planejar, implementar e avaliar o programa educacional. 7. A enfermagem, como profissão independente, será reconhecida, respeitada e confiada em maior grau no HU e na comunidade em geral. 8. O pessoal de enfermagem do HOPE será consultado e seus talentos utilizados por colegas do HU e na comunidade em geral(6).

Neste contexto, a categoria médica, por atuar também diretamente na assistência aos pacientes atendidos pelo projeto, pode perceber essa “nova forma de fazer” enfermagem que estava se inserindo no estado.

Médicos aqui não sabiam nem o que era enfermagem, eles só sabiam que enfermagem era o quê: o auxiliar de enfermagem, que dizia ‘sim, senhor, não senhor', pronto. Isso, só, não tinha ninguém para dizer ‘doutor, mas isso aqui eu acho que deve ser feito assim'. (Enfermeira norte-americana 1)

Naturalmente temos muitos problemas e um longo caminho a percorrer, mas o que é interessante é que nós estamos conseguindo ofertar um nível de cuidados de enfermagem que nunca existiu em Maceió. Não é apenas o nível da enfermagem que está se elevando, mas também o respeito do médico pelo pessoal de enfermagem. Por exemplo: quando a nossa chefe da pediatria viu nossa primeira admissão ela encontrou uma folha com informações precisas do paciente e anotações de enfermagem na admissão. Ela exclamou “Quem preencheu esta folha? Esta deve ser preenchida pelos médicos”. Nós mostramos-lhe como acontece na área da enfermagem e como esta pode ajudar o médico na obtenção do histórico do paciente. Ela ficou sem ação! (Enfermeira norte-americana 2)

O depoimento evidencia que realmente uma nova forma de fazer da enfermagem estava sendo introduzida no campo da saúde em Alagoas, elevando o nível da profissão, sobretudo capitalizando reconhecimento junto à categoria médica, que até então dominava a assistência à saúde no estado, como demonstra a seguinte fala:

Mais uma vez, o que foi uma das coisas que o projeto HOPE fez, foi mostrar o que é enfermagem e como enfermagem e medicina podem trabalhar juntas. [...] Eles começaram a trabalhar com os enfermeiros americanos e teve uma nova visão, o que é enfermagem como profissão e como podia trabalhar no mote profissional. (Enfermeira norte-americana 1)

Assim, percebe-se o exercício de uma enfermagem autônoma, levando a dedução de que a atuação das enfermeiras estrangeiras foi imprescindível para acelerar o processo de criação do primeiro curso de graduação em enfermagem de Alagoas e a colaboração na sua abertura “foi quase compulsória já que demonstravam em suas atuações a grande necessidade de se ter enfermeiras no estado”(2).

Obviamente a necessidade foi vista imediatamente, Maceió não tem faculdade, não escola de enfermagem de nível superior, então as enfermeiras são poucas aqui, e todo mundo tem que vir de fora. A gente tem que montar a escola de enfermagem. (Enfermeira norte-americana 1)

A criação de novos cursos na UFAL é uma de nossas preocupações. Cabe porém lembrar que, dentro da racionalização implantada no país, cometimentos dessa natureza têm que ser precedidos de estudos de viabilidade acurados, que levam em conta diversos fatores de ordem técnica. [...] dos cursos novos sugeridos: Veterinária, Farmácia, Enfermagem, Agronomia, o mais viável, de imediato, é o de Enfermagem”. (Ofício nº 250/73-GR, de 17 de maio de 1973, do reitor da UFAL, Nabuco Lopes, ao Presidente da Câmara Municipal de Maceió, José Figueiredo dos Santos)

Nesse bojo, foi criado o curso de Graduação em Enfermagem da UFAL e no dia 19 de julho de 1973, o reitor à época, Professor Nabuco Lopes, designou uma comissão formada por dois professores médicos e uma enfermeira contratada pelo Hospital Universitário, a mesma que ficava como contraparte da enfermeira Veneta Mansson do projeto HOPE, através da Portaria nº 259, para propor um currículo para o curso que se pretendia implantar na UFAL no ano seguinte.

A composição do corpo docente preliminar deste curso estendeu-se para além da formatura da primeira turma, fato que aconteceu em junho de 1977, e também contou com a atuação das enfermeiras do Projeto HOPE, que mesmo após a partida do navio, permaneceu em terra por mais cinco anos, cumprindo um programa integrado junto ao Governo de Alagoas e a UFAL(2).

Segundo a coordenadora de enfermagem do projeto, ela e mais sete enfermeiras permaneceram em Maceió após a partida do navio para a Filadelfia:

Deveríamos ficar para ajudar no desenvolvimento do novo hospital universitário localizado nos arredores da cidade. Oito de nós éramos enfermeiras. (Enfermeira norte-americana 3)

Destas enfermeiras que permaneceram em Alagoas, duas atuaram na assistência na área de saúde pública: Rosemary Zink, de Nevada, e Angela Lu Tena, do Peru. As outras seis foram: Veneta Masson, da Califórnia, que trabalhou na área de educação; Dorothea Kipfer, da Suíça, que trabalhou na sala de operações do HU; Bárbara Allen, de Minessotta, que atuou tanto na Unidade de Cuidados Intensivos como na Sala de Recuperação do HU; Sheila Clarke, da Flórida, que trabalhou na pediatria; Irene Bolton, de Nevada, que atuou na Unidade Médico-cirúrgica; e Ada Schoch, da Califórnia, que lidava com pacientes não-internos(6).

DISCUSSÃO

O referencial teórico escolhido pressupõe uma teoria das estruturas sociais, que objetiva encontrar tramas lógicas ou problemáticas que demonstrem a presença de uma estrutura subjacente ao social, nas quais os agentes sociais constroem a realidade. Seu método se aplica à análise da produção das ideias, dos mecanismos de dominação e da gênese das condutas(13).

Para Bourdieu, todo real é relacional, pois nessa concepção, o particular não faz apenas parte do geral, mas existe uma inter-relação funcional ou dialética entre ambos. A partir deste entendimento, levando em consideração o trabalho das enfermeiras norte-americanas a bordo do navio HOPE em Maceió, poder-se-ia dizer que este processo não tem significado fora das suas relações com o todo(14).

A conjuntura sócio-política brasileira e a chegada do navio

No que tange ao arcabouço político brasileiro, o recorte deste estudo encontra-se no período da ditadura militar, a qual pode ser subdividida em quatros fases, a saber: 1) constituição do regime político ditatorial-militar (governos de Castello Branco e Costa e Silva – março de 1964 a dezembro de 1968); 2) consolidação do regime (governo Médici – 1969 a 1974); 3) transformação do regime (governo Geisel – 1974 a 1979); e 4) desagregação do regime (governo Figueiredo – 1979 a 1985)(15). Portanto, no recorte temporal (1973/1977) do presente estudo, temos dois governos distintos, o do general Emílio Garrastazu Médici e o do general Ernesto Geisel.

Associa-se a esta época a noção de autoritarismo, todavia, “há mesmo quem considere que, com exceção do período Médici, o Brasil pós-1964 se caracterizou mais por uma situação autoritária do que por um regime autoritário”(16). Certamente, a classe operária, os estudantes e os camponeses perderam força nesse período, ainda assim, a ideologia de esquerda permaneceu predominante nas universidades, em alguns meios culturais e nos sindicatos, mesmo com as medidas de repressão aos seus dirigentes.

Foi no período do governo Médici que o país viveu um dos seus momentos políticos mais tenebrosos(16). A repressão política se intensificou, com destaque para perseguição do movimento estudantil. No cenário alagoano não foi diferente, nesse período toda a diretoria do Diretório Central dos Estudantes – DCE da UFAL é indiciada e, com a prisão dos líderes estudantis em 1973, o Reitor da UFAL à época, Professor General Nabuco Lopes, determina o fechamento da sede do DCE, demonstrando a forte censura daquele momento(17).

É também neste governo que observamos o período conhecido como milagre econômico, caracterizado por altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), acompanhado de declínio da inflação e superávits no balanço de pagamentos. Apesar de existir uma gama de estudos sobre esse fenômeno, não se observa consenso entre os autores sobre os determinantes deste “milagre”(18).

Por outro lado, o processo que consubstanciou o “modelo econômico próprio do ciclo ditatorial, teve objetivos e causas bem definidas, sujeitos e beneficiários nitidamente identificados e também um enorme contingente de prejudicados suficientemente conhecidos”(19), literalmente a maior parte da população brasileira, pois não existia a preocupação com o atendimento das necessidades básicas dos cidadãos, mas sim a construção de um governo forte militarmente.

Na verdade, a intensificação do processo brasileiro de industrialização se dá a partir da década de 1950, e durante o período da ditadura militar o Estado induz uma transição dos incentivos fiscais e investimentos em vários setores econômicos do Sudeste para o Nordeste. Ainda assim, “devido ao seu desenvolvimento histórico, Alagoas continua submetida ao controle político das oligarquias rurais locais; e a ação do Estado a serviço dos interesses dessas oligarquias ainda hegemônicas tem se mantido”(20).

Acompanhando o desdobramento da economia nacional, o estado alagoano também foi beneficiado pelo ‘milagre', com a instalação de algumas indústrias, como a Mecânica Pesada Continental, a Fives Lille-Cail e a Salgema Indústrias Químicas S/A, movimentando o Porto de Jaraguá, que em 1974 foi considerado o segundo maior do Nordeste. Entretanto, este surto desenvolvimentista não conseguiu absorver todo o exército de reserva do Estado. “Era, lamentavelmente, a outra face – a face oculta – de um sistema selvagem e desumano, que privilegia o capital em detrimento do trabalho”(17). Neste sentido, não há como negar o desenvolvimento do país nesta fase e a expansão capitalista(21). No entanto, a maior parcela da sociedade brasileira não desfrutou deste processo de maneira ‘sustentável' e ‘equânime'.

Assim, no cenário internacional, o Doutor Williams B. Walsh, cardiologista em Washington, planejou um programa de assistência médica aos povos menos desenvolvidos e foi líder da equipe do navio por 34 anos, motivo pelo qual foi homenageado com vários prêmios honrosos(12), inclusive na UFAL, onde recebeu o título de professor “Honoris Causa”. A referida premiação conferiu prestígio ao outorgado, eis que tal distinção constitui ato de magia social capaz de criar diferenças, reconhecer competências, instituindo distinções sociais. Cabe ressaltar que no contexto da época, os Estados Unidos eram considerados uma superpotência em franca expansão, evidenciada pelo recorde de produção de suas indústrias, com ênfase no desenvolvimento armamentista.

O navio, denominado USS Consolation, com 15.000 toneladas “atua como veículo da People to People Health Foundation, um projeto patrocinado por particulares, fundado em 1958 pelo Dr. William Walsh, de Washington. A Fundação é financiada através de contribuições voluntárias da indústria e do povo americano”(22).

A Tabela 1 chama a atenção para o fato de que o único país visitado duas vezes pelo navio foi o Brasil, sendo que a primeira viagem ocorreu no ano de 1972, para a cidade de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte. Provavelmente por causa da experiência exitosa, houve uma intercessão do reitor Nabuco Lopes, no sentido de articular o deslocamento da nau também para Alagoas. Esse fato demonstra a visão prospectiva do reitor, que, de acordo com uma matéria publicada dia 17 de outubro de 1972 no principal jornal do Estado – Gazeta de Alagoas, recém-regressado dos Estados Unidos estabeleceu contato com o então governador de Alagoas, Afrânio Lages, para tratar da vinda da missão de assistência médico-hospitalar a partir de fevereiro do ano seguinte(2).

A estadia do navio em Maceió e o capital simbólico das enfermeiras norte-americanas

Com a chegada do navio e a atuação de toda a sua equipe na prestação de serviços de saúde e de ensino, a sociedade alagoana começa a conhecer uma nova forma de fazer da enfermagem, pautada no modelo nightingaleano vigente dos Estados Unidos na década de 1970. Isto porque, no que tange à enfermagem, o navio só contava com o trabalho de enfermeiras que exerciam a profissão com autonomia(1).

Provavelmente, um dos determinantes desta atuação profissional é o capital cultural herdado pela escola e/ou instituição de origem das enfermeiras estrangeiras. O capital cultural herdado, reconhecido como chancela, opera como ponte para a inserção e ocupação de espaços sociais, pois a posse de certos privilégios sociais é determinada por propriedades que não pertencem à ordem de mero projeto pessoal, mas que resultam de mecanismos distributivos bastante objetivos, como: escolaridade, renda e tradição familiar.

As fontes consultadas neste estudo ressaltam Alagoas como um local muito pobre, sem recursos de saúde e com alta taxa de mortalidade infantil. Assim, o projeto HOPE, além de prestar assistência à saúde, utilizava cada caso dos pacientes como uma forma de ensinar seus métodos e tecnologias, através de um sistema de contraparte, onde cada profissional americano, de qualquer área, atuou com um profissional brasileiro. “Ao aplicar a teoria de Bourdieu, o campo não deve ser percebido como uma estrutura única, mas sim como uma série de campos sociais menores”(23).

Certamente, o capital profissional das enfermeiras norte-americanas, possuidoras de conhecimentos científicos e detentoras da sistematização do seu processo de trabalho, ganhou visibilidade na sociedade alagoana, sobretudo no âmbito da universidade, que só contava com dois cursos na área da saúde, medicina e odontologia.

Portanto, com relação ao espanto da médica chefe descrito na fonte que diz que o prontuário deve ser preenchido pelo médico, pode-se inferir que nada aconteceu e a enfermeira realizou o registro de enfermagem corretamente, pois qualquer ordem só vai lograr êxito se a pessoa que fala tiver alguma autoridade sobre a quem se destina o chamamento. Portanto, “a eficácia mágica destes atos de instituição é inseparável da existência de uma instituição capaz de definir as condições (em matéria de agente, de lugar ou de momento, etc.) a serem cumpridas para que a magia das palavras possa operar”(24).

Depreende-se também que esse contexto, onde as enfermeiras norte-americanas desenvolviam o cuidado de enfermagem com autonomia, trabalhando como um membro da equipe de saúde e não subordinado à categoria médica preparou o cenário de lutas simbólicas que seriam travadas no decorrer da implantação do curso de graduação em enfermagem que viria a ser criado na UFAL.

Ademais, várias fotografias analisadas neste estudo demonstram a enfermeira como protagonista do cuidado de enfermagem, em alguns casos, executando procedimentos altamente complexos, em outros, realizando exame físico e sendo ladeada por médicos, e até mesmo fazendo educação em saúde com pacientes e familiares.

Por fim, a exemplo do que aconteceu na criação da Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública em 1922, hoje denominada Escola de Enfermagem Anna Nery, a presença americana acaba impondo um visão de mundo considerada legítima(25).

Isso porque, foi no interior desse campo, entendido aqui como o navio-escola e o HU da UFAL, que se desenvolveu a dinâmica de interação entre a enfermagem norte-americana e a brasileira, cujos agentes (indivíduos ou grupos) eram detentores de disposições específicas de pensar, compreender o mundo e de agir; ou seja, um habitus. O mencionado espaço manteve relação dialética (de mútua influência) com os valores ou formas de capital cultural e social de seus ocupantes.

Por conseguinte, a influência da enfermagem norte-americana também foi marcante nos primeiros anos de funcionamento do curso recém-criado em Alagoas, mas esta já é outra história.

Limitações do estudo

Como limitações do estudo, é possível citar a percepção dos autores, que escrevem a partir de um lugar social, de um ponto de vista que é atravessado por subjetividades. Portanto, a tarefa de produzir um estudo histórico considera múltiplas influências, relacionadas a uma determinada comunidade (universitária, como no presente caso) que é atualizada por seu próprio tempo.

Contribuições para a área de enfermagem, saúde ou políticas públicas

Como relevância social, o objetivo é contribuir para o registro e divulgação da História da Enfermagem Brasileira, particularmente sobre a inserção de enfermagem moderna em Alagoas/Brasil, com ênfase no encontro entre a enfermagem norte-americana e a brasileira. Desta forma, o ensino e difusão de aspectos importantes da história fornece, entre outras contribuições, o desenvolvimento de um compromisso permanente com a profissão.

CONCLUSÃO

Este trabalho tratou de questões, sobre a reconfiguração da enfermagem alagoana a partir da atuação de um grupo enfermeiras norte-americanas, vinculados ao Projeto HOPE.

Os documentos escritos e orais permitiram dizer que as enfermeiras estrangeiras, com traços culturais, pessoais e de enfermagem tão diferentes dos encontrados no Brasil, sobretudo em Maceió-Alagoas, conseguiram oprerar mudanças no que tange o exercício da profissão, com ênfase na autonomia do exercício do cuidado de enfermagem, no reconhecimento da enfermagem como uma profissão importante e imprescindível para o sucesso da atenção à saúde, na sistematização da assistência, na organização do serviço de enfermagem do Hospital Universitário e no recrutamento/treinamento/ensino dos auxiliares de enfermagem da localidade.

Por fim, a ancoragem da nau em Alagoas proporcionou uma disseminação do saber da enfermagem, onde o capital simbólico das enfermeiras norte-americanas reconfigurou o campo da enfermagem em Alagoas e compulsoriamente contribuiu para o processo de criação do primeiro curso de graduação em enfermagem do Estado, no âmbito da Universidade Federal de Alagoas.

REFERENCES

1 Costa LMC, Santos RM, Santos TCF, Trezza MCSF, Leite JL. Project HOPE contribution to the setting up of the professional identity of the first nurses from Alagoas, 1973-1977. Rev Bras Enferm[Internet]. 2014 [cited 2017 Jun 19]; 67(4):535-42. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reben/v67n4/0034-7167-reben-67-04-0535.pdfLinks ]

2 Santos RM, Lira YCMS, Nascimento RF. O navio HOPE: um novo encontro entre a enfermagem brasileira e a norte-americana. Maceió: Edufal; 2009. [ Links ]

3 Silva NAR, Santos RMS, Macedo AC, Costa LMC, Santos JFE. The struggle for civil organization of nursing of the Alagoas: the creation of Brazilian Association of Nursing-AL (1962-1965). Hist Enferm Rev Eletr[Internet]. 2015 [cited 2017 Jun 19]; 6(1):21-36. Available from: http://here.abennacional.org.br/here/2_AO_05015_MM. pdf Links ]

4 Fealy GM. Historical Research. In: Watson R, McKenna H, Cowman S, Keady J, (Eds.). Nursing Research: designs and methods. New York: Churchill Livingstone Elsevier; 2008. p. 45-54. [ Links ]

5 Padilha MICS, Borenstein MS. The methodology of historic research in the nursing. Texto Contexto Enferm[Internet]. 2005 [cited 2017 Jun 18]; 14(4):575-84. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v14n4/a15v14n4.pdfLinks ]

6 Masson V. Internacional Nursing. New York: Springer Publishing Compan; 1981. [ Links ]

7 Cardoso CF, Vainfas R. Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus; 1997. [ Links ]

8 Rhynas SJ. Bourdieu's theory of practice and its potential in nursing research. J Adv Nurs[Internet]. 2005 [cited 2017 Jun 18];(50)2:179-86. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15788082Links ]

9 Sieger M, Fritz E, Them C. In discourse: Bourdieu's theory of practice and habitus in the context of a communication-oriented nursing interaction model. J Adv Nurs[Internet]. 2012 [cited 2017 Jun 18];(68)2:480-9. Available from: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/j.1365-2648.2011.05783.xLinks ]

10 Bourdieu P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva; 1999. [ Links ]

11 Thiry-Cherques HR. Pierre Bourdieu: the theory in practice. Rev Adm Pública[Internet]. 2006 [cited 2017 Jun 16]; 40(1)27-55. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rap/v40n1/v40n1a03.pdfLinks ]

12 Bourdieu P. O poder simbólico. 15th ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; 2011. [ Links ]

13 Codato AN. Uma história política da transição brasileira: da ditadura militar à democracia. Rev Soc Pol[Internet]. 2005 [cited 2017 Jun 16];25:83-106. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/n25/31113.pdf Links ]

14 Fausto B. História do Brasil.13th ed. São Paulo: Edusp; 2010. [ Links ]

15 Queiroz A. Episódios da História de Alagoas. 2ª ed. Maceió: Edições Catavento; 1999. [ Links ]

16 Veloso FA, Villela A, Giambiag F. Determinantes do "milagre" econômico brasileiro (1968-19732): uma análise empírica. Rev Bras Econ[Internet]. 2008 [cited 2017 Jun 16]; 62(2):221-46. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rbe/v62n2/06.pdfLinks ]

17 Netto JP. Pequena história da ditadura brasileira, 1964-1985. São Paulo: Cortez; 2014. [ Links ]

18 Lira S. Alagoas 2000-2013. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo; 2014. [ Links ]

19 Napolitano M. 1964: História do Regime Militar Brasileiro. 1th ed. São Paulo: Contexto; 2014. [ Links ]

20 Rominski SD, Yakubu J, Oteng RA, Peterson M, Tagoe N, Bell SA. The role of short-term volunteers in a global health capacity building effort: the Project HOPE-GEMC experience. Int J Emerg Med[Internet]. 2015 [cited 2017 Jun 15]; 23(8)1-5. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4508279/pdf/12245_2015_Article_71.pdfLinks ]

21 Fifty years of Project HOPE. Virginia: International Headquarters-Project HOPE; 2007. [ Links ]

22 Shepherd RW. The SS HOPE in Peru. Canad Med Ass J[Internet]. 1963 [cited 2017 Jun 15];15:1201-4. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1921395/pdf/canmedaj01000-0028.pdfLinks ]

23 Petit-dit-Dariel O, Wharrad H, Windle R. Using Bourdieu's theory of practice to understand ICT use amongst nurse educators. Nurse Educ Today[Internet]. 2014 [cited 2017 Jun 15];34(11):1368-74. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0260-6917(14)00046-XLinks ]

24 Bourdieu P. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. 2th ed. São Paulo: EDUSP; 1998. [ Links ]

25 Santos TCF, Lopes GT, Porto F, Fonte AS. Opposition to the american leadership by brazilian nurses(1934-1938). Rev Latino-Am Enfermagem[Internet]. 2008 [cited 2017 Jun 19]; 16(1):130-5. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v16n1/19.pdfLinks ]

Recebido: 18 de Junho de 2017; Aceito: 31 de Agosto de 2017

AUTOR CORRESPONDENTE: Laís de Miranda Crispim Costa E-mail: lais.costa@esenfar.ufal.br

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.