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Revista Brasileira de Oftalmologia

Print version ISSN 0034-7280

Rev. bras.oftalmol. vol.73 no.3 Rio de Janeiro May/June 2014

https://doi.org/10.5935/0034-7280.20140036 

Artigos originais

Achados epidemiológicos e alterações oftalmológicas em diabéticos atendidos em hospital geral secundário

Mariluce Silveira Vergara 1  

André Simoni de Jesus 1  

Lucia Campos Pellanda 2  

Manuel A P Vilela 2   3  

1Curso de Especialização em Oftalmologia "Prof. Ivo Corrêa-Meyer", Porto Alegre (RS) - Brasil

2Programa de Pós-Graduação, Instituto de Cardiologia, Fundação Universitária de Cardiologia, RS; Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA - Porto Alegre (RS) - Brasil;

3Universidade Federal de Pelotas - Pelotas (RS), Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Avaliar a associação entre alterações no exame oftalmológico, características epidemiológicas e controle metabólico em pacientes diabéticos.

Métodos:

Estudo transversal. Foram selecionados consecutivamante os diabéticos atendidos durante 2011 em um hospital secundário. Todos os pacientes responderam questionário e foram submetidos a exame oftalmológico.

Resultados:

Foram estudados 103 pacientes, dos quais 72 (69,9%) eram do sexo feminino e 66 (64%) da cor branca. A média de idade foi de 59 (+/- 9,21) anos. Sessenta e quatro por cento dos participantes referiram renda aproximada de até 1 salário mínimo, 58,2% tinham ensino fundamental incompleto, 75,7% com história de diabetes familiar, 45,6% informaram realizar controle metabólico regular, 54,3% não observavam cuidados nutricionais, 28% usavam insulina, 99% eram diabéticos do tipo-2. Ao exame, 72,8% apresentaram acuidade visual corrigida de 20/40. Foram estatisticamente significativas as relações entre complicações retinianas e o uso de insulina (OR=8,3; p=0,003) e da baixa acuidade visual com o uso de insulina (OR=5,48, p=0,021) e a idade (OR=11,8; p=0,003). Também foi observada relação entre a baixa de visão com escolaridade, idade e baixa renda

Conclusão:

Na população analisada, predominantemente de baixa renda e escolaridade, a condução inadequada da doença foi expressiva, o que se associou com a presença de complicações retinianas, reforçando a necessidade de adoção de medidas mais amplas para melhorar as estratégias de controle e prevenção do diabete mellitus.

Palavras-Chave: Diabetes mellitus; Retinopatia diabética; Cegueira

ABSTRACT

Objective:

To evaluate the association between epidemiological and ophtalmological findings in diabetic patients.

Methods:

Cross-sectional study. We selected consecutively diabetic patients examined during 2011 which responded to a questionnaire and examination.

Results:

The sample comprised 103 patients, of whom 72 (69.9%) were female, 66 (64%) were Caucasian, average age 59 (+/- 9,21) years, 64% reported minimum wages, 58.2% did not finish elementary school, 75.7% reported family history of diabetes, 45.6% reported regularly perform metabolic control, 54.3% did not receive special nutritional care. On examination, 72.8% had visual acuity of 20/40. There was a significant association between retinal complications and insulin usage (OR=8,3; p=0,003), and between low visual acuity and age (OR=11,8; p=0,003) and insulin (OR=5,48, p=0,021), as well with lower education and income.

Conclusion:

In this low-income and low-education population, glycemic control was poor, and related to the development of diabetic retinopathy and the consequent low vision. These findings emphasize the need to adopt broader strategies to improve control and prevention of diabetes mellitus.

Key words: Diabetes mellitus; Diabetic retinopathy; Blindness

INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus (DM) acomete, atualmente, aproximadamente 171 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde(1). Destes, provavelmente, 10 a 20% tem alguma forma de retinopatia e cerca de 1,78 milhões são cegos. Até 2030 projetase que 7,7% da população entre 20-70 anos (439 milhões) terá a doença, e destes, 70% ou mais estarão concentrados nos países em desenvolvimento(2). Esta diferença baseia-se em fatores como o crescimento populacional, envelhecimento, dietas inadequadas, obesidade e sedentarismo, além da redução nos valores da glicemia de jejum atualmente adotados para o diagnóstico de DM(1-5).

No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes(3), a prevalência de DM em indivíduos com idade entre 30 e 69 anos é de 7,6%, sendo São Paulo, Porto Alegre e João Pessoa as capitais com as maiores prevalências.

A maioria dos diabéticos, com raras exceções(4), não faz exames oftalmológicos preventivos numa periodicidade ideal, desconhecendo as conseqüências da doença e a importância de sua prevenção(5-13). O mais eficiente método de avaliação populacional utiliza as câmeras não midriáticas e centros especializados para o envio das imagens(14-33).

O presente estudo tem por objetivo investigar o estado oftalmológico dos pacientes diabéticos provenientes de uma população do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de Viamão, um município limítrofe com Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo observacional com delineamento transversal. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Instituto de Cardiologia-Hospital de Viamão. Os critérios de inclusão foram: pacientes diabéticos atendidos em 2011 no ambulatório de oftalmologia do Instituto de Cardiologia-Hospital de Viamão, oriundos do SUS.

Todos os pacientes diabéticos atendidos foram consecutivamente convidados a participar do estudo, e, após esclarecidos sobre o mesmo, assinaram termo de consentimento, responderam questionário e realizaram exame oftalmológico completo.

O questionário foi elaborado para coletar informações sobre sexo, idade, cor, renda, escolaridade, histórico familiar de diabetes, presença de outras doenças sistêmicas, autoavaliação do controle realizado (boa, quando cumpriam todas as orientações rotineiramente; regular, traduzindo aderência parcial; ruim, quando não cumpriam o determinado), dieta (aderência, supervisão de nutricionista), frequência das revisões clínicas, conhecimento sobre sequelas potenciais do diabetes, periodicidade das glicemias de jejum (incluindo testes com glucômetros pessoais). Nos registros hospitalares foram levantadas informações sobre a hemoglobina glicosilada (último resultado disponível), e registros referentes a outras complicações não oculares associadas ao diabetes.

Todos foram submetidos à medida da acuidade visual (tabela logMAR) com a melhor correção, avaliação das motricidade intrínseca e extrínseca, tonometria de aplanação (Perkins), biomicroscopia anterior e oftalmoscopia binocular indireta sob midríase. Foram excluídos aqueles casos com preenchimento in- completo do consentimento, questionário, ou do exame oftalmológico.

Naqueles indivíduos que estavam em jejum superior a 2 h foi realizado o teste da glicemia capilar (glucômetro Accu-Chek Performa, Roche, Germany).

Todas as informações coletadas foram armazenados em banco de dados no programa Microsoft OfficeExcel 2003 e analisadas através do programa Stata 12.1.

A análise estatística incluiu descrição através de médias e desvios padrão ou proporções, correlações bivariadas de Pearson ou Spearman e análise multivariada (regressão logística). Foi considerado significativo um p alfa <0,05.

RESULTADOS

A amostra foi composta por 103 pacientes atendidos no período de março a dezembro de 2011. A média de idade dos entrevistados foi de 59, 6 (41-85) anos. Observou-se predomínio da cor branca (64%), sendo 26% negros e 10% mistos. Os dados completos encontram-se na tabela 1.

Tabela 1 Características epidemológicas da população estudada 

Variável   (%)
Sexo Feminino (69,9)
Cor Brancos (64)
  Negros (26)
  Mistos (10)
Renda mensal familiar Até 1 salário (64)
  >1 < 3 salários (30)
  > 3 salários (6)
Escolaridade Analfabetos (18,5)
  Fundamental incompleta (58)
  Fundamental completo (18,5)
  Segundo grau ou mais (5)
Histórico familiar de DM presente (76)
Tipo de diabetes tipo 2 (99)
Doenças associadas HAS (51)
  Cardiopatia isquêmica (7)
  IAM (9)
  AVC (7)
  Insuficiência renal (2)
Controle metabólico Bom (39)
  Regular (46)
  Ruim (15)
Dieta Adesão irregular (72)
Suporte nutricionista Nenhum (72)
Periodicidade consultas Semestral (48)
  Trimestral (35)
  Anual (17)
Periodicidade glicemias capilares 1x/semana (25,5)
1x/mês (36,5)
  1x/trimestre (31,5)
  Nunca (6,5)
Hemoglobina glicosilada média (8,3)
Tratamento Hipoglicemiante oral (71)
  Hipoglicemiante oral + insulina (28)
  Insulina (1)

Ao exame oftalmológico, a acuidade igual ou superior a 20/40 foi observada em 73%, entre 20/50 e ausência de percepção luminosa, em 27%. Exame fundoscopico normal em 53%, 32% com RD não proliferativa sem edema macular, 8% RD não proliferativa com edema macular, 6% RD proliferativa de alto risco.

O teste do glucômetro foi obtido em 60% da amostra, tendo os seguintes resultados: 31% até 200 mg/dl; 18%, entre 201 a 300 mg/dl; 9% de 301 a 400 mg/dl; 1% entre 401 a 500 mg/dl e 1% acima de 501 mg/dl (59% estavam com mais de 6h de jejum).

Foram estatisticamente significativas na regressão logística, controlando-se entre si as variáveis, as relações entre complicações retinianas e o uso de insulina (OR=8,3; p=0,003) e da baixa acuidade visual com o uso de insulina (OR=5,48, p=0,021) e a idade (OR=11,8; p=0,003) (tabela 2).

Tabela 2 Resultado da regressão logística entre perda de acuidade e demais variáveis 

Perda de Visão Odds ratio Erro padrão Valor p [95% IC]
Sexo 0,71 0,52 0,65 0,17-3,01
Cor 2,03 1,06 0,17 0,72-5,67
Renda 0,62 0,49 0,55 0,13-2,96
Escolaridade 0,51 0,30 0,25 0,16-1,62
História familiar 0,40 0,30 0,23 0,92-1,77
Controle 0,74 0,32 0,5 0,31-1,75
Complicações gerais 0,63 0,20 0,16 0,32-1,20
Glicemia 1,84 0,62 0,07 0,94-3,58
Insulina 5,48 4,03 0,02 1,3-23,2
Faixa etária 11,8 9,94 0,003 2,26-61,5
Hemoglogina glicada 1,23 1,01 0,8 0,24-6,16
Dieta 1,3 1,22 0,79 0,20-8,3

[IC 95% = intervalo de confiança 95%]

DISCUSSÃO

No presente estudo, o perfil mais prevalente é o de um indivíduo adulto, diabético-2, de baixa renda e escolaridade, usando hipoglicemiante oral, e em quase metade dos casos, com retinopatia. Observa-se que a maioria refere ter acesso ao atendimento médico de forma trimestral ou semestral, mas desconhece as doenças sistêmicas associadas e não segue, de forma adequada, as recomendações recebidas.

Os valores obtidos na testagem da glicemia capilar foram elevados em sua maioria, e considerados fidedignos neste propósito(34-36), indo de encontro aos resultados encontrados na hemoglobina glicosilada. Por estes dados verifica-se que o controle metabólico encontrado foi precário, ainda que estes doentes tenham acesso a atendimento especializado.

Relações estatísticas significantes foram detectadas, controlando-se as variáveis entre si, com o uso de insulina e a presença de retinopatia e da baixa de acuidade visual com a idade e a necessidade de insulinoterapia. Estes achados reproduzem as condições dos pacientes no SUS em nossa região(6,7) e convergem com a maioria dos estudos publicados em diferentes locais(5-13,24-29), onde se observa que quanto maior o tempo de doença, ou maiores as dificuldades de controle - exigindo o uso associado de insulina - piores as repercussões oculares.

Na média entre 50-90% dos diabéticos não são avaliados sob condições ideiais(1,2). Exceção deste fato encontra-se em Peto e Tadros(4), onde 78% da população de diabéticos do Reino Unido com mais de 15 anos de idade tiveram suas retinas registradas e analisadas com cameras não midriáticas. O maior acesso ao atendimento não significa necessariamente que exista disponibilização de todas as formas de tratamento(37). Este aspecto tem mostrado que é capaz de modular os resultados relacionados ao controle da doença(30-33). Em nosso meio, Guedes et al.(38) em levantamento feito num Programa de Saúde de Família, convergiram na constatação que se precisa mais insistência na disponibilização dos tratamentos e na educação dos diabéticos, ainda que numa amostra pequena e com elevado número de perdas.

A redução dos casos de cegueira e de seus custos passa pelo diagnóstico precoce, tratamento preventivo multidisciplinar rigoroso, universalizado e especializado30-33. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da RD são o tempo de evolução da doença, o controle metabólico, o tipo de diabetes e o tratamento (menor risco de RD em pacientes tratados com dieta e maior em usuários de insulina), além de outros fatores (genéticos, hipertensão arterial sistêmica (HAS), tabagismo, gravidez e nefropatia)(24-29). Considerando- se que o tempo de doença e o tipo de diabetes relacionam- se com a presença de RD(26-29), e que, em nosso sistema público de saúde prevalecem aqueles perfis de maior risco, a inclusão de programas educacionais direcionados e de sistemas digitalizados não midriáticos para a aquisição de imagens retinográficas com telemedicina precisam ser adotados visando reduzir as estimativas de cegueira.

CONCLUSÃO

O presente levantamento persiste demonstrando que as condições essenciais no manejo da RD nos pacientes de nosso Sistema de Saúde, como o autoconhecimento da doença, periodicidade dos controles, suporte nutricional e adesão ao tratamento clínico, seguem completamente distantes do necessário. Pacientes com maior tempo de doença ou necessitando de maior quantidade de medicações mostram chances muito elevadas de perda funcional e dano retiniano severo.

Trabalho realizado no Instituto de Cardiologia-Hospital de Viamão-RS e Universidade Federal de Pelotas, RS.

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Recebido: 18 de Outubro de 2012; Aceito: 23 de Junho de 2014

Autor correspondente: Manuel A P Vilela, Rua Félix da Cunha, 496, CEP 90570-000 - Porto Alegre (RS), Brasil. E-mail:vilela@vilelaoftalmologia.com.br

Os autores declaram não haver conflitos de interesses

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