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Revista Ceres

Print version ISSN 0034-737X

Rev. Ceres vol.57 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2010

https://doi.org/10.1590/S0034-737X2010000200009 

FITOSSANIDADE
COMUNICAÇÃO

 

Comunidade de parasitóides associada à cultura do café em Piatã, Chapada Diamantina, BA1

 

Parasitoid community associated with coffee crop in Piatã, Chapada Diamantina, Brazil

 

 

Magno Clery da Palma-SantosI; Raquel Pérez-MalufII

IBiólogo, Mestre em Agronomia. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Departamento de Estudos Básicos e Instrumentais, BR 415, Km 03, s/nº, 45700-000, Itapetinga, Bahia, Brasil. clerypiata@gmail.com
IIBióloga, Doutora em Biologie Du Comportement. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Laboratório de Biodiversidade do Semi-Árido, Departamento de Ciências Naturais, Estrada do Bem Querer, Km 04 s/n, 45083-900, Vitória da Conquista, Bahia, raquelperezmaluf@gmail.com

 

 


RESUMO

Os himenópteros parasitoides são inimigos naturais de insetos-praga e têm demonstrado eficiência em estratégias de controle, contribuindo para a manutenção do equilíbrio ecológico de agroecossistemas. Esta pesquisa buscou identificar a diversidade de parasitoides associada a culturas de café em Piatã, BA. As coletas foram realizadas com armadilhas Malaise, que permaneceram no campo por sete dias em coletas mensais, de setembro de 2006 a agosto de 2007. Foram coletados 14.669 himenópteros, distribuídos em nove superfamílias, sendo elas Ceraphronoidea, Chalcidoidea, Chrysidoidea, Cynipoidea, Evanioidea, Ichneumonoidea, Mymarommatoidea, Platygastroidea e Proctotrupoidea, e 29 famílias. Coletaram-se 22 famílias constantes e 11 dominantes, destacando-se Ichneumonidae, Braconidae e Scelionidae como mais frequentes, totalizando 50,33% dos indivíduos coletados. As famílias Braconidae, Eulophidae e Bethylidae, indicadas como promissoras em programas de controle biológico no café, foram coletadas ao longo de todo o ciclo fenológico do café.

Palavras-chave: Agricultura orgânica, Coffeea arabica L., inimigos naturais, parasitica.


ABSTRACT

Hymenopteran parasitoids are natural enemies of insect pests and have demonstrated efficiency in strategies of biological control, contributing for the maintenance of the ecological balance in agroecosystems. The aim of this research was to identify the diversity of parasitoid wasps in coffee crops in Piatã, BA, Brazil. Malaise traps were installed in the plots and remained in the field for seven days in monthly samplings from September 2006 to August 2007. A total of 14.699 individuals were collected. The parasitoids were distributed through 9 superfamilies: Ceraphronoidea, Chalcidoidea, Chrysidoidea, Cynipoidea, Evanioidea, Ichneumonoidea, Mymarommatoidea, Platygastroidea, Proctotrupoidea and 29 families. Twenty two constant and 11 dominant families, standing out the families Ichneumonidae, Braconidae e Scelionidae as the most frequent. Families Braconidae, Eulophidae and Bethylidae indicated as promising biological control programs in coffee were collected throughout the phenological cycle of the crop.

Key words: Coffea arabica L., natural enemies, organic agroecosystems, parasitica


 

 

INTRODUÇÃO

A produção cafeeira na Chapada Diamantina é estimada em 500 mil sacas por ano, tendo na produção de cafés especiais um crescimento significativo, recebendo premiações desde 2003 e conquistando o titulo de melhor café do Brasil em 2009 pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) (Alves, 2009). Essa produção é baseada em práticas de manejo que produzem baixo impacto ao meio ambiente, com tendência à redução do uso de pesticidas para o controle de pragas e aumento em mecanismos de controle biológico com a utilização de parasitóides (IBD, 2007).

A relação estreita dos parasitóides com hospedeiros insetos, pragas comuns em culturas agrícolas, constitui uma atividade controladora que minimiza a população de herbívoros, contribuindo para a sustentabilidade do equilíbrio ecológico (Scatolini & Penteado-Dias, 2003).

Especificamente para algumas pragas-chave da cultura cafeeira, como o bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) (Guérin-Mèneville & Perrottet, 1842), a brocado-café (Hypothenemus hampei) (Ferrari, 1867) e a mosca-das-raízes (Chiromyza vittata) (Wieldman, 1820), já são indicadas espécies de parasitoides das famílias Braconidae, Eulophidae, Bethylidae e Monomachidae (Hymenoptera: Parasitica), que apresentam bom potencial para programas de controle biológico (Cure et al., 1998; Lima et al., 2000; Musetti & Johnson, 2004; Melo et al., 2007).

Com o intuito de disponibilizar informações sobre a fauna de parasitoides em regiões produtoras de café, o objetivo desta pesquisa foi identificar os parasitoides associados à cultura do café em Piatã, Chapada Diamantina, BA.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Esta pesquisa foi desenvolvida no município de Piatã, porção Sul da Chapada Diamantina, BA, em três áreas distintas, localizadas na posição geográfica, área 1 (13° 13' 22,3"S; 41° 46' 23,3 "W), área 2 (13° 13' 21,3"S; 41 ° 46' 19,8"W) e área 3 (13° 07' 03,7"S; 41° 46' 43,4"W). As coletas mensais foram feitas com armadilhas Malaise (Sääksjärvi et al., 2004), instaladas uma em cada área de amostragem, entre setembro de 2006 e agosto de 2007. As armadilhas permaneceram instaladas por sete dias, e os espécimes capturados foram submetidos a uma triagem, identificados em nível de família a partir das chaves propostas por Goulet & Huber (1993) e conservados em meio liquido (álcool 70%).

Para a caracterização da comunidade de famílias de parasitoides, foram estimados a riqueza de famílias (S), o índice de diversidade de Shannon (H'), a equitatividade (J), a frequência e a constância, sendo essas famílias clas sificadas em constantes (W), acessórias (Y) e acidentais (Z) (Silveira Neto et al.,1976) .

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram coletados 14.669 parasitóides, distribuídos em nove superfamílias e 29 famílias (Tabela I). Utilizando-se método semelhante em uma área de mata e com cultivo de café convencional em Vitória da Conquista (BA), Santos (2007) coletou oito superfamílias e 23 famílias de parasitoides.

O maior número de famílias coletadas pertence à superfamília Chalcidoidea, equiparando-se a diferentes trabalhos com amostragens de parasitoides em áreas de mata nativa e áreas agrícolas, com uso de armadilhas Malaise (Dall'Oglio et al., 2000; Marchiori & Penteado-Dias, 2002; Perioto & Lara, 2003). Tendo em vista as 20 famílias de Chalcidoidea propostas por Goulet & Huber (1993), 15 foram amostradas nesta pesquisa, indicando a importante diversidade dessa superfamília nos locais de coleta.

Entre os parasitoides coletados, foram encontrados representantes das famílias Agaonidae, Elasmidae, Eucharitidae, Gasteruptidae, Monomachidae e Perilampidae, que foram pouco frequentes em outras amostragens de parasitoides (Azevedo & Santos, 2000), cujo registro na Bahia ainda nao havia sido feito, o que também ocorreu com a família Mymarommatidae, que foi registrada em Sao Paulo, por Penteado-Dias (2002), e no Espiríto Santo e Tocantins, por Braganga et al. (2004).

Verificou-se a ocorrência de 22 famílias de parasitóides constantes, indicando a presença de muitas famílias com presença em mais de 50% das coletas e 11 dominantes (Tabela 1). Essas famílias foram coletadas em quase todos os meses de amostragem, e com raras exceções houve ausência em um mês ou dois de coleta, evidenciando possível atuação sobre as pragas pelas famílias indicadas para o controle biológico em café (Figura 1).

As famílias mais frequentes foram Ichneumonidae e Braconidae (Tabela 1). Elas estao amplamente distribuídas pelo mundo com 40.000, 60.000 e 3.000 espécies, respectivamente (Wahl, 1993; Sharkey, 1993). Tais famílias exploram diversos hospedeiros, tendo em comum as ordens Lepidoptera, Neuroptera, Diptera e Hemiptera.

Foram encontrados os valores dos índices de diversidade de Shannon (2,59) e eqüitatividade (0,77). Com método semelhante, Santos (2007) obteve os valores de Shannon (1,96) e a equitatividade (0,64). Os trabalhos de Dall'Oglio et al. (2003), Amaral et al. (2005), e Sperber et al. (2004) apresentaram os índices de diversidade de famílias de 2,15, 1,93 e 2,69, respectivamente. Para as últimas pesquisas foram calculados os índices de diversidade a partir dos dados de frequência apresentados nas tabelas.

 

CONCLUSÕES

As áreas cafeeiras estudadas são similares quanto à composição das famílias de parasitóides. Registra-se na a Bahia a presença das famílias Mymaromatidae, Agaonidae, Elasmidae, Eucharitidae, Gasteruptidae, Monomachidae e Perilampidae.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação em junho de 2008
Aprovado em fevereiro de 2010

 

 

1 Este trabalho é parte da dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

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