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Revista de Administração de Empresas

Print version ISSN 0034-7590

Rev. adm. empres. vol.23 no.2 São Paulo Apr./June 1983

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75901983000200008 

RESENHA BIBLIOGRÁFICA

 

 

Fernando Cláudio Prestes Motta

 

 

Bernoux, Philippe. Un travail a soi. Toulouse, Privat, 1982. 252 252 p.

"Je peux me contenter d'une
assiette de soupe par jour.
Mais je veux avoir le droit
de prende des décisions sur
les problèmes de l'entreprise."

(Lech Valesa, 27 août 1980)

O livro de Bernoux trata da reivindicação de apropriação entre os operários não qualificados. Entretanto, salienta que essa ambição torna-se, atualmente, universal, atingindo outras categorias da população. Na verdade, a apropriação é uma reação operária antiga. Os operários procuram, atualmente, na França, mais poder sobre o ambiente próximo, do que menos fadiga ou mais segurança.

Não é surpreendente observar a apropriação no universo operário: na fábrica a dominação dos sistemas industriais se faz sentir muito fortemente.

De qualquer modo, não é exclusivamente na fábrica que a dominação exerce seus constrangimentos. Esses também são sentido em outros campos. Na França, a reação a essa dominação se faz presente nas lutas dos movimentos regionais, nos movimentos feminista, ecológico e muitos outros. Mas, afinal, o que pretendem esses movimentos? Essencialmente, pretendem o direito de dar sua palavra na conduta de assuntos que lhes dizem respeito, de obter o reconhecimento de que um determinado domínio - o poder central - não pode mais legislar sozinho. O que torna o movimento ecológico forte, por exemplo, não é apenas a defesa da natureza e dos espaços verdes, mas a luta pelo reconhecimento do direito de expressão, ou mesmo de negociação, das populações a que tais questões se referem.

Na verdade, o termo apropriação tornou-se muito usado na França, o que segundo Bernoux é compreensível, já que um dos traços característicos das sociedades altamente burocratizadas é a exclusão do poder, levando à dependência. A apropriação é uma estratégia de conquista de um poder sobre o seu ambiente pelo grupo. Ela permite a esse grupo se definir pela luta contra a dominação. A apropriação postula, pois, a luta e o reconhecimento de um grupo. A autogestão está no estágio último da administração, mas se apóia na prática da apropriação. Ela, na verdade, a legitima. Na medida em que a autogestão implica a apropriação coletiva dos meios de poder por toda a sociedade, inclui a apropriação como caminho. Todavia, autogestão significa exercício concreto do poder; já a apropriação se manifesta no estágio de luta.

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