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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910versão On-line ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.43  supl.2 São Paulo nov. 2009

https://doi.org/10.1590/S0034-89102009000900014 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Prevalência de diagnóstico auto-referido de osteoporose, Brasil, 2006

 

Prevalencia de diagnóstico auto-referido de osteoporosis, Brasil, 2006

 

 

Lígia Araujo MartiniI; Erly Catarina de MouraII, III; Luana Caroline dos SantosIV; Deborah Carvalho MaltaIII, V; Marcelo de Medeiros PinheiroVI

IDepartamento de Nutrição. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
IINúcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde. Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
IIICoordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, DF, Brasil
IVCurso de Nutrição. Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Belo Horizonte, MG, Brasil
VDepartamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública. Escola de Enfermagem. UFMG. Belo Horizonte, MG, Brasil
VIDisciplina de Reumatologia. Departamento de Clinica Médica. Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Estimar a prevalência de osteoporose auto-referida (com diagnóstico médico prévio) e de fatores de risco e proteção associados.
MÉTODOS: Estudo transversal baseado em dados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL). Foram entrevistados 54.369 indivíduos com idade >18 anos residentes em domicílios servidos por pelo menos uma linha telefônica fixa nas capitais brasileiras e Distrito Federal em 2006. Estimativas de osteoporose segundo fatores socioeconômicos, comportamentais e índice de massa corporal foram estratificadas por sexo. Foram calculados riscos de ocorrência de osteoporose para cada variável individualmente, e em modelo multivariado, considerando-se odds ratio como proxy da razão de prevalência.
RESULTADOS: A prevalência de osteoporose referida foi de 4,4%, predominantemente entre mulheres (7,0%), com idade >45 anos, estado civil não solteiro e ex-fumante. Entre homens, ter mais de 65 anos, ser casado ou viúvo e sedentário associaram-se positivamente ao desfecho.
CONCLUSÕES: Dentre os fatores associados à osteoporose, destacam-se aspectos modificáveis relacionados com a prevenção da doença, como a atividade física e tabagismo.

Descritores: Osteoporose, epidemiologia. Fatores de Risco. Doença Crônica, prevenção & controle. Levantamentos Epidemiológicos. Brasil. Entrevista por telefone.


RESUMEN

OBJETIVO: Estimar la prevalencia de osteoporosis auto-referida (con diagnóstico médico previo) y de factores de riesgo y protección asociados.
MÉTODOS: Estudio transversal basado en datos del Sistema de Vigilancia de Factores de Riesgo y Protección para Enfermedades Crónicas por Pesquisa Telefónica (VIGITEL). Fueron entrevistados 54.369 individuos con edad >18 años residentes en domicilios servidos por al menos una línea telefónica fija en las capitales brasileras y Distrito Federal en 2006. Estimaciones de osteoporosis según factores socioeconómicos, de comportamiento e índice de masa corporal fueron estratificados por sexo. Fueron calculados riesgos de ocurrencia de osteoporosis para cada variable individualmente, y en modelo multivariado, considerándose odds ratio como proxy de la razón de prevalencia.
RESULTADOS: La prevalencia de osteoporosis referida fue de 4,4%, predominantemente entre mujeres (7,0%), con edad >45 años, estado civil no soltero y ex-fumador. Entre hombres, tener más de 65 años, ser casado o viudo y sedentario se asociaron positivamente a osteoporosis.
CONCLUSIONES: Entre los factores asociados a la osteoporosis, se destacan aspectos modificables relacionados con la prevención de la enfermedad, como la actividad física y tabaquismo.


 

 

INTRODUÇÃO

O envelhecimento da população brasileira reflete-se nos mais de 16 milhões de brasileiros com idade acima de 60 anos, com projeção para ultrapassar os 50 milhões em 2050.ª Conseqüentemente, aumentam as chances de ocorrência de doenças relacionadas ao envelhecimento da população, como a osteoporose.

Diferenças raciais e genéticas, antropométricas, socioculturais e econômicas, nutricionais e de outros hábitos de vida, assim como a utilização de recursos públicos de saúde em diversos países do mundo contribuem para explicar as divergências na incidência e prevalência da osteoporose.

Levantamento realizado na América Latina estimou prevalências de osteoporose vertebral de 12% a 18% e no fêmur proximal de 8% a 22% das mulheres com mais de 50 anos de idade.9 Clark et al6 estimaram prevalência de 11,2% de fratura vertebral em amostra randômica de 1.922 mulheres com idade acima de 50 anos, provenientes de cinco países da América Latina, incluindo o Brasil.

Em São Paulo, em estudo com 301 indivíduos e idade acima de 70 anos, identificou-se a prevalência de osteoporose de 22% a 33% das mulheres e de 6% a 16% dos homens.3 Dentre os fatores de risco mais associados com a baixa densidade óssea, destacam-se a idade avançada, baixo consumo de derivados lácteos e consumo diário de bebidas alcoólicas. Por outro lado, elevado índice de massa corporal (IMC>30 kg/m2) e atividade física diária por mais de 30 min desempenharam papel protetor.b Entretanto, a prevalência e fatores associados à osteoporose não estão totalmente elucidados na população brasileira.

O objetivo do presente estudo foi estimar a freqüência de osteoporose auto-referida (com diagnóstico médico prévio) e de fatores associados.

 

MÉTODOS

Trata-se de estudo transversal baseado em dados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) de 2006, cujo delineamento, amostragem e detalhes metodológicos foram descritos em outros trabalhos.10,c

Os procedimentos de amostragem empregados pelo VIGITEL visaram a obter, nas capitais brasileiras e Distrito Federal, amostras probabilísticas de indivíduos com idade >18 anos, residentes em domicílios com linha telefônica fixa. Foram realizadas 54.369 (21.294 homens e 33.075 mulheres) entrevistas por telefone.c As entrevistas incluíram perguntas sobre características demográficas e socioeconômicas; padrão de alimentação e atividade física; ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Além disso, o peso e altura foram perguntados, assim como consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas, auto-avaliação do estado geral de saúde, e se o indivíduo tinha diagnóstico médico de hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e osteoporose.

No presente estudo foi estimada a freqüência de osteoporose, com base em diagnóstico médico prévio, e fatores associados. A seleção desses fatores considerou a definição proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças.b Dessa forma, foram incluídos: idade (18-24, 25-34, 35-44, 45-54, 55-64 ou >65 anos); cor da pele (branca ou não branca); peso aos 20 anos (quartil, cortes 58, 65 e 72 kg para os homens e 48, 52 e 58 kg para as mulheres); estatura (quartil, cortes 167, 172 e 177 cm para homens e 155, 160 e 165 cm para mulheres), estado nutricional aos 20 anos e atual (baixo peso, peso normal, pré-obesidade ou obesidade, conforme IMC); tabagismo (nunca fumou, ex-fumante ou fumante, independentemente do número de cigarros); sedentarismo (não ou sim) e atividade física de lazer (não ou sim); hábitos alimentares.

Sedentarismo foi definido conforme relato de não praticar atividade física de lazer nos últimos três meses, não realizar esforços físicos intensos no trabalho, não se deslocar ao trabalho caminhando ou de bicicleta e não realizar a limpeza pesada da casa. A prática de atividade física foi assim definida: atividade leve ou moderada (mínimo 30 min em cinco ou mais dias por semana) ou vigorosa (mínimo 20 min em três ou mais dias por semana).

Hábitos alimentares incluíram: consumo de leite e derivados, de carne vermelha com gordura ou frango com pele (categorizados em não ou sim); o consumo de sal foi definido em não, sim e sim, de vez em quando; consumo adequado de frutas e hortaliças (não ou sim, conforme relato de ingestão destes alimentos acima de cinco vezes ao dia), consumo regular de frutas e hortaliças (não ou sim, conforme relato de ingestão destes alimentos em cinco ou mais dias por semana). Adicionalmente, foram incluídos: anos de estudo (0-8, 9-11 ou 12 ou mais anos de estudo) e estado civil (solteiro; casado; separado ou divorciado; viúvo).

Foram calculadas as freqüências de osteoporose auto-referida para cada categoria das variáveis estudadas. A seguir, calculou-se o risco de ocorrência de osteoporose para cada variável individualmente, usando o modelo de regressão logística. Todas as análises foram estratificadas por sexo e ajustadas para todas as variáveis que potencialmente interferem na ocorrência de osteoporose.

Todas as estimativas consideraram três fatores de ponderação: número de linhas telefônicas no domicílio, número de adultos no domicílio; e razão de determinadas categorias entre o Censo Demográfico de 2000 e o VIGITEL. Para o conjunto da população, acrescentou-se a razão entre proporção de adultos de cada cidade pelo Censo Demográfico e do VIGITEL.

Para o processamento de dados, utilizou-se o aplicativo SPSS versão 13.

Por se tratar de entrevista por telefone, o termo de consentimento livre e esclarecido foi substituído pelo consentimento verbal obtido por ocasião dos contatos telefônicos com os entrevistados. O VIGITEL foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Ministério da Saúde.

 

RESULTADOS

Dos 54.369 indivíduos entrevistados, 4,4% referiram ter o diagnóstico médico de osteoporose, especialmente as mulheres (7% versus 1,3% dos homens). O relato de osteoporose aumentou significantemente com a idade. Nos indivíduos com menor escolaridade, a osteoporose atingiu 6,1% do total e aproximadamente 10% das mulheres com até oito anos de estudo. Observou-se predominância do diagnóstico de osteoporose referida em indivíduos da cor branca, principalmente nas mulheres (7,9%); e entre viúvos, chegando a 25% nas mulheres (Tabela 1).

A maior freqüência de osteoporose foi observada no menor quartil de peso, estatura e estado nutricional aos 20 anos, assim como entre obesos atuais, ex-fumantes, sedentários e que não praticavam atividade física de lazer (Tabela 2). Além disso, entre as mulheres, a freqüência foi de 9,3% em ex-fumantes e 5,2% em fumantes.

Relato mais freqüente de osteoporose foi dado por mulheres que referiram: consumo habitual de leite, consumo adequado de frutas e hortaliças, e regular de frutas; e entre homens e mulheres que referiram não consumir habitualmente carne com gordura ou frango com pele e com consumo regular de legumes e verduras (Tabela 3).

Entre os homens, o odds ratio (OR) ajustado para as variáveis de confusão, mostra que ter 65 anos ou mais, ser casado ou viver em união estável, ser viúvo e sedentário associaram-se com o relato de osteoporose referida. Fator de proteção foi observado para maior nível de escolaridade, peso normal aos 20 anos, estatura no 3° quartil, estado nutricional atual de não baixo peso (Tabela 4).

Entre as mulheres, após ajustes estatísticos, os principais fatores associados com a osteoporose referida foram idade acima de 45 anos, não solteira, estatura no 3º quartil e ex-fumante. Com o avançar da idade, houve incremento gradativo do risco da doença. Como fatores de proteção foram identificados o maior nível de escolaridade e cor da pele não branca, negra e parda (Tabela 5).

 

DISCUSSÃO

O presente estudo atualiza a caracterização da osteoporose no Brasil, mostrando sua freqüência e fatores associados. Os dados apresentados são aproximações de prevalência, pois se basearam no relato de diagnóstico médico de osteoporose, representando mais o acesso aos serviços de saúde do que a prevalência real da enfermidade. Assim, a freqüência da doença pode estar subestimada.

O presente estudo confirma que a osteoporose acomete principalmente mulheres de cor branca, após a menopausa, com relato prévio de tabagismo e menor nível de escolaridade. 3,4,7

Na Europa, Estados Unidos e Japão, a osteoporose acomete cerca de 75 milhões de pessoas8 e estima-se que ocorrerão mais de 8 milhões de fraturas de quadril nos próximos 50 anos.8,b No Brasil, Siqueira et al,15 em amostra com mais de 3.000 indivíduos, verificaram prevalência de fraturas de 28,3% na população de Pelotas (RS).15 Recentemente, o estudo Brazilian Osteoporosis Study (BRAZOS)13 mostrou que cerca de 6% da população brasileira com mais de 40 anos referia ter o diagnóstico médico de osteoporose. No entanto, fratura por baixo impacto foi relatada por 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens, confirmando que a freqüência da osteoporose referida foi subestimada.

Cauley et al4 avaliaram o risco de fraturas em quase 160 mil mulheres que participaram do Women's Health Initiative e observaram que as etnias determinam fatores de risco diferentes. O principal preditor de fratura em mulheres negras foi ter completado pelo menos o segundo grau; nas hispânicas, foi baixa estatura; e nas asiáticas, idade avançada. Por outro lado, em mulheres brancas, diversos aspectos estavam associados, como a idade avançada, menor nível de escolaridade e tabagismo. O excesso de peso se associou negativamente com o risco de fraturas. Além disso, a presença de oito ou mais fatores de risco aumentava duas vezes a chance de fraturas quando comparada com as mulheres com quatro ou menos fatores de risco.4

No Brasil, fatores associados com a reduzida densidade mineral óssea foram avaliados em 413 mulheres brancas com mais de 59 anos, atendidas em um serviço de saúde em Santos (SP).7 Os autores mostraram que IMC, ingestão regular de leite e prática de atividade física no lazer desempenharam papel protetor sobre a densidade óssea. Pinheiro et al,12 ao estudarem 275 mulheres brancas na pós-menopausa, concluíram que os principais fatores de risco associados com fratura por baixo impacto foram a história familiar de fratura de quadril, baixo peso e idade avançada. No presente estudo, houve maior freqüência de osteoporose nos indivíduos no menor quartil de peso e estatura aos 20 anos, bem como naqueles classificados como baixo peso. Por outro lado, quando considerado o estado nutricional atual, houve maior prevalência entre os obesos.

A relação entre peso corporal e osteoporose é bastante discutida,11,14 pois a ação do peso sobre a massa óssea pode ser explicada por meio de seus principais componentes (massa magra e adiposa). A gordura corporal parece exercer fator de proteção para as fraturas e envolve, também, mecanismos hormonais. O aumento dos níveis séricos de estrogênio, leptina, insulina, preptina e amilina, em indivíduos obesos, pode atuar de forma direta e/ou indireta sobre a atividade de osteoblastos e osteoclastos, ocasionando incremento da massa óssea.11 A massa magra desempenha papel benéfico sobre a massa óssea, especialmente pelo efeito piezo-elétrico.14

A altura também é um fator freqüentemente associado à osteoporose e fraturas, pois é um indicador do tamanho dos ossos. Homens apresentam maior densidade mineral óssea e menor incidência de fraturas que as mulheres. Maior densidade mineral óssea pode ser atribuída ao maior diâmetro ósseo, principalmente no fêmur, e assim menor risco de fraturas comparado a um osso de menor diâmetro.2 No presente estudo a altura mediana, tanto em homens como em mulheres, associou-se à osteoporose.

Apesar da maioria dos indivíduos com relato prévio de osteoporose ser sedentária, apenas nos homens o sedentarismo foi associado a osteoporose. No estudo BRAZOS,13 o sedentarismo foi identificado em 76% da população e se associou significantemente com maior risco de fratura por fragilidade óssea em ambos os sexos.

O hábito alimentar mostrou efeito conhecido como causalidade reversa, no qual indivíduos que relataram presença de osteoporose referiram maior e mais adequada ingestão de leite e derivados e frutas e hortaliças. A principal explicação se baseia na mudança de hábitos de vida após o diagnóstico médico da osteoporose, provavelmente após orientação fornecida por profissionais de saúde. Deve-se considerar também que o estudo transversal não permite avaliar de forma precisa as questões relacionadas à causalidade reversa. Todavia, dados do presente estudo indicam que estas alterações no hábito alimentar podem ser benéficas, uma vez que o leite e derivados, devido ao conteúdo de cálcio, e as frutas e hortaliças são promotores da saúde óssea.1,5,16,17 As frutas e hortaliças são alimentos preconizados para a prevenção de várias DCNT, inclusive a osteoporose, principalmente devido ao maior conteúdo de vitaminas e minerais como: vitamina K, potássio e magnésio.17 De modo geral, dietas ricas em frutas e hortaliças promovem ambiente alcalino, reduzindo a demanda de íons cálcio do esqueleto para tamponar o efeito ácido causado pela ingestão protéica excessiva.1

Estudos em mulheres chinesas mostram a relação entre consumo de leite e prevenção de osteoporose e fraturas. No estudo de Chee et al, 5 mulheres chinesas com idade entre 55 e 65 anos receberam suplementação alimentar diária com leite em pó (equivalente a 1.200 mg de cálcio) durante 24 meses. Os autores observaram redução significante da perda óssea no grupo que recebeu suplementação.5 Posteriormente, Ting et al16 avaliaram a densidade óssea dessas mulheres após 21 meses do término do estudo e o grupo que recebeu suplementação não mostrou perda significante da densidade óssea comparada ao início do estudo, exceto para a coluna lombar. Ainda, as mulheres suplementadas mostravam maior ingestão diária de cálcio mesmo após o término do estudo.

Com relação ao hábito de fumar, em meta-análise envolvendo mais de 40 mil indivíduos,18 concluiu-se que os fumantes apresentavam redução significante da densidade óssea, bem como maior risco de fraturas vertebrais (13% nas mulheres e 32% nos homens).18 Nossos resultados reforçam o achado de que o tabagismo se associa com risco de fratura 30% maior em mulheres (OR=1,313, IC 95%: 1,093;1,577).

Uma limitação do estudo é não termos realizado a densitometria óssea e, assim, os dados de freqüência da doença podem estar subestimados. Além disso, não foi questionada sobre o relato de fratura prévia e história familiar de fratura, fatores de risco freqüentemente associados com a osteoporose e fraturas.

Em conclusão, o presente estudo, realizado em amostra representativa da população brasileira adulta, permitiu identificar aspectos modificáveis relacionados com a prevenção da osteoporose, como a alimentação, atividade física e hábitos de vida.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência | Correspondence:
Lígia Araujo Martini
Departamento de Nutrição
Faculdade de Saúde Pública - USP
Av. Dr. Arnaldo, 715
01246-904 São Paulo, SP, Brasil
E-mail: lmartini@usp.br

Recebido: 28/11/2008
Revisado: 29/7/2009
Aprovado: 27/8/2009

 

 

Artigo submetido ao processo de julgamento por pares adotado para qualquer outro manuscrito submetido a este periódico, com anonimato garantido entre autores e revisores. Editores e revisores declaram não haver conflito de interesses que pudesse afetar o processo de julgamento do artigo.
Os autores declaram não haver conflito de interesses.
a Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [homepage na internet]. População. Projeção da População. Brasília: 2007 [citado 2007 nov 12]. Disponível em: http:// http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2008/ default.shtm
b National Institute of Health. Osteoporosis prevention, diagnosis and therapy. Consensus Statement Online. USA. 2000 [Internet]. [citado 2007 nov 12]. Disponível em: http://www.micromri.com/uploads/File/Osteoporosis%20consensus%20statement%20by%20NIH.pdf
c Ministério da saúde. Secretaria de Vigilância à Saúde. VIGITEL: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília; 2007. (Série G. Estatística e Informação em Saúde).

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