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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910versão On-line ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.52  supl.1 São Paulo  2018  Epub 17-Set-2018

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2018052000267 

Suplemento Saúde Rural

Artigos Originais

Fatores associados à qualidade da dieta de moradores da zona rural do Sul do Brasil

Mayra Pacheco FernandesI 

Renata Moraes BielemannI 

Anaclaudia Gastal FassaII 

I Universidade Federal de Pelotas. Faculdade de Medicina. Departamento de Medicina Social. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. Pelotas, RS, Brasil

IIUniversidade Federal de Pelotas. Faculdade de Medicina. Departamento de Medicina Social. Pelotas, RS, Brasil


RESUMO

OBJETIVO

Identificar fatores associados à melhor qualidade da dieta de moradores da zona rural do Sul do Brasil.

MÉTODOS

Foi realizado estudo transversal de base populacional com moradores de 18 anos ou mais, da zona rural de Pelotas, RS, Brasil. O consumo alimentar foi avaliado por um questionário de frequência alimentar de 13 itens, referente ao consumo da última semana. A qualidade da dieta foi avaliada pelo Índice de Qualidade da Dieta de Adultos (IQD-A). Os alimentos saudáveis receberam pontuação de forma crescente enquanto os alimentos não saudáveis receberam pontuação decrescente conforme a frequência de consumo, formando escores de zero a 30. A pontuação total foi dividida em tercis. Indivíduos do 3º tercil foram classificados com melhor qualidade da dieta. A associação entre a qualidade da dieta e as variáveis independentes foi investigada usando-se regressão logística multinomial.

RESULTADOS

Foram entrevistados 1.519 indivíduos com média de IQD-A de 17,1 pontos (DP = 3,3) e mediana de 17,0 (amplitude de 10 a 25 pontos). Embora a população estudada mantenha o consumo de alimentos básicos, a ingestão de alimentos industrializados como refrigerantes, sucos artificiais e de alimentos não saudáveis como doces foi alta. Indivíduos mais velhos apresentaram sete vezes (IC95% 4,20–12,48) mais chance de ter melhor qualidade da dieta. As mulheres, indivíduos com maior nível econômico, que trabalhavam com venda de animais ou que possuíam diabetes apresentaram cerca de duas vezes mais chance de estarem no grupo de melhor qualidade da dieta. Indivíduos cujas famílias trabalhavam com pesca apresentaram 70% menor chance de estar no grupo de melhor qualidade da dieta.

CONCLUSÕES

Identificou-se um grupo de maior vulnerabilidade ao consumo de dieta com pior qualidade, sendo esse constituído por homens, adultos mais jovens, indivíduos de menor nível econômico e de família de pescadores. Assim, são necessárias políticas públicas, especialmente educacionais, com o fim de promover uma alimentação saudável para esse grupo.

Palavras-Chave: Adulto; Idoso; Consumo de Alimentos; Comportamento Alimentar; Fatores Socioeconômicos; População Rural

ABSTRACT

OBJECTIVE

To identify factors associated with a better quality of the diet of residents of a rural area in Southern Brazil.

METHODS

This is a population-based, cross-sectional study with individuals aged 18 years or over living in the rural area of Pelotas, State of Rio Grande do Sul, Brazil. Food consumption was evaluated by a food frequency questionnaire of thirteen items, related to the consumption in the last week. We evaluated quality of the diet using the Adult Diet Quality Index (IQD-A). Healthy food received increasing scores while unhealthy food received decreasing scores, according to consumption frequency, amounting to scores from zero to 30. The total score was divided into tertiles. Individuals of the third tertile were classified with better quality of the diet. We investigated the association between quality of the diet and independent variables using multinomial logistic regression.

RESULTS

We interviewed 1,519 individuals with mean IQD-A of 17.1 points (SD = 3.3) and a median of 17.0 (range of 10 to 25 points). Although the population studied kept the consumption of staple foods, the intake of industrialized food such as soft drinks, artificial juices, and unhealthy foods such as sweets was high. Older individuals presented seven times (95%CI 4.20–12.48) more chance of having a better quality of the diet. Women, individuals with higher economic status, those who worked in the sale of animals, or those who had diabetes were approximately twice as likely to be in the group with the best quality of the diet. Individuals whose families worked with fishing presented a 70% lower chance of being in the group of better quality of the diet.

CONCLUSIONS

We identified that men, younger adults, individuals of lower socioeconomic level, and fishing families were in the group of higher vulnerability for the consumption of a diet with worse quality. Thus, public policies, especially educational policies, are needed to promote healthy eating in this group.

Key words: Adult; Aged; Food Consumption; Feeding Behavior; Socioeconomic Factors; Rural Population

INTRODUÇÃO

A zona rural no Brasil está passando por um processo de envelhecimento populacional1, bem como de aumento da prevalência de excesso de peso2 e de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)3. A dieta inadequada é um importante fator de risco para as DCNT, estando também associada com incapacidade e morte prematura4. Uma revisão sistemática mostrou que a população brasileira necessita melhorar a qualidade da dieta, dado seu baixo consumo de frutas, verduras, legumes, leite e derivados e alto consumo de gordura5.

Avaliar a qualidade da dieta em estudos epidemiológicos é um desafio. Entre os métodos dietéticos mais acurados para avaliar o consumo ou hábito alimentar, têm-se o recordatório de 24 horas ou registro alimentar; porém, esses são complexos para uso em estudos populacionais. Nesse sentido, alguns estudos têm utilizado o Índice de Qualidade da Dieta (IQD). O IQD foi construído a partir de informações da ingestão alimentar por meio da aplicação de questionário de frequência alimentar (QFA), que, por sua vez, pode ser composto por uma lista de alimentos6 ou por marcadores do consumo alimentar7.

A zona rural, especialmente aquela voltada para agricultura familiar, caracterizava-se por produzir alimentos para subsistência8. Entretanto, esse cenário vem se modificando com a ampliação da monocultura9. Esse aspecto, somado às barreiras ao acesso a bens de consumo (como baixa renda e baixa escolaridade), as grandes distâncias e a dificuldade de acesso ao transporte público, comércio e serviços de saúde10 podem estar modificando a qualidade da dieta dessa população.

São escassos os estudos sobre qualidade da dieta na zona rural. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), a zona rural apresentou maior consumo de alimentos tradicionais, enquanto a zona urbana apresentou maior consumo de alimentos prontos para o consumo ou processados11. Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)3, a zona rural teve maior consumo de feijão e alimentos fontes de gordura, além de menor consumo de frutas, verduras, legumes, doces e refrigerantes em comparação com a zona urbana. Estudos sobre qualidade da dieta na zona urbana mostram que mulheres e pessoas mais velhas6,12, com maior escolaridade6,12 e maior nível econômico12 apresentam dieta de melhor qualidade. Entretanto, não existem estudos sobre os fatores associados à qualidade da dieta na zona rural no Brasil.

Considerando a importância de uma dieta adequada na promoção da saúde, bem como a escassez de informações sobre os fatores associados à qualidade da dieta na zona rural, este estudo objetivou identificar fatores socioeconômicos, demográficos e comorbidades associados à melhor qualidade da dieta de moradores da zona rural.

MÉTODOS

Entre janeiro e junho de 2016, foi realizado estudo transversal de base populacional, com residentes da zona rural de Pelotas, RS, com 18 anos ou mais. Esse estudo fez parte de um consórcio de pesquisa que visou a conhecer as características da saúde dessa população. Foram excluídos do estudo adultos ou idosos em nutrição enteral ou parenteral, indivíduos institucionalizados, pessoas com incapacidades mentais que as impossibilitasse de responder o questionário e indivíduos acamados sem possibilidade de se comunicar ou cujo cuidador ou responsável não soubesse relatar o consumo alimentar.

Para estimar a prevalência de consumo dos alimentos, utilizamos como referência a prevalência de 10,8% para o consumo de frango3. Assim, com nível de confiança de 95%, erro aceitável de 2,5 pontos percentuais, efeito de delineamento de 2,0 e 10% para perdas e recusas, a amostra necessária foi de 1.302 indivíduos.

A amostra foi selecionada em dois estágios, tendo como unidade amostral primária os setores censitários definidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram listados os 50 setores censitários da zona rural de acordo com a malha do Censo de 20101. Os setores que possuíam sete domicílios ou menos foram excluídos. Isso resultou em 45 setores censitários, dos quais 24 foram selecionados de forma sistemática. Em cada setor, foram selecionadas 30 residências, resultando em 720 domicílios.

Para o estágio de reconhecimentos dos domicílios utilizou-se o software Google Earth juntamente com um mapa virtual do estado do Rio Grande do Sul, fornecido pelo IBGE. A partir das imagens aéreas, determinou-se núcleos com maior aglomerado de domicílios, em cada setor, ordenados de maneira decrescente ao número de casas identificadas pelas imagens de satélite. Para a seleção dos domicílios amostrados foi realizado um sorteio aleatório no centro do primeiro núcleo (com mais aglomerado de casas) indicando a direção do início a ser percorrido, até selecionar as 30 casas. Quando se chegava ao fim da direção apontada sem que 30 casas fossem identificadas, reiniciava-se o processo pela próxima via, à direita da primeira. Após o rastreamento de todo o primeiro núcleo, caso não fosse alcançado o total de 30 residências, seguia-se em direção ao centro do segundo núcleo, repetindo-se o descrito anteriormente. O artigo metodológico deste estudo, disponível nesta mesma edição, apresenta mais detalhes da amostragem13.

Variáveis Dependentes

A qualidade da dieta foi avaliada pela metodologia proposta por Gomes et al.7, que realizou estudo com idosos da zona urbana do mesmo município. A versão adaptada de QFA foi composta por 13 marcadores do consumo alimentar, referente ao consumo na última semana, de legumes e verduras, frutas, feijão, leite, alimentos integrais, carne vermelha, frango ou galinha, frituras, alimentos em conservas ou enlatados, embutidos, alimentos congelados e prontos para consumo (alimentos industrializados), doces, refrigerantes ou sucos artificiais. O consumo de fast-food não foi questionado.

O consumo alimentar foi agrupado em quatro categorias: não comeu, 1–3 dias, 4–6 dias, e diariamente. Foram atribuídos pontos de acordo com as categorias de consumo e o tipo de alimento, variando de zero a três7. Assim, os alimentos considerados saudáveis receberam pontuação de forma crescente (não consumiram = zero pontos, consumiram todos os dias = três pontos), enquanto os alimentos considerados não saudáveis receberam pontuação decrescente (não consumiram = três pontos, consumiram todos os dias = zero pontos) (Quadro).

Quadro Descrição da pontuação utilizada para o cálculo do Índice de Qualidade da Dieta de Adultos (IQD-A). 

Componentes do IQD-A Pontuação por categoria de consumo
Saudáveisa – frutas, legumes ou verduras, feijão, leite, carne ou frango, alimentos integrais 0 – Não comeu na última semana
1 – Comeu 1–3 dias/semana
2 – Comeu 4–6 dias/semana
3 – Comeu todos os dias
Não saudáveisb – frituras, embutidos e/ou em conserva, congelados (industrializados), refrigerante, sucos artificiais ou doces 3 – Não comeu na última semana
2 – Comeu 1–3 dias/semana
1 – Comeu 4–6 dias/semana
0 – Comeu todos os dias

Fonte: adaptado de Gomes et al.7 (2016).

a Maiores médias do escore indicam maior frequência de consumo.

b Maiores médias do escore indicam menor frequência de consumo.

As somas dos pontos formaram uma pontuação total entre zero e 30, resultando no Índice de Qualidade da Dieta de Adultos (IQD-A). A pontuação total foi dividida em tercis, sendo considerados no 3º tercil os indivíduos com maior pontuação. A maior pontuação é indicativa de melhor qualidade da dieta, ou seja, de maior frequência de consumo de alimentos saudáveis e menor frequência de consumo de alimentos não saudáveis.

Variáveis Independentes

A amostra foi caracterizada quanto aos aspectos socioeconômicos, demográficos, ocupacionais e de saúde: sexo (observado); cor da pele (observada e posteriormente dicotomizada em branca e não branca); idade (anos completos, posteriormente classificados em 18 a 24 anos, 25 a 39 anos, 40 a 59 anos e 60 anos ou mais); escolaridade (em anos completos, posteriormente categorizada em zero a quatro anos, cinco a oito anos e nove anos ou mais); situação conjugal (com companheiro ou sem companheiro); nível econômico, coletado segundo instrumento proposto pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP)14, que considera a posse de bens (televisão, rádio, automóvel, máquina de lavar, videocassete ou DVD, geladeira e freezer), escolaridade do chefe da família, número de banheiros no domicílio e presença de empregada mensalista, e que foi posteriormente categorizado em A ou B (mais alto), C, e D ou E (mais baixo); e o número de moradores (categorizado em 1, 2, 3, e 4 ou mais).Também avaliamos as atividades rurais realizadas pelo próprio entrevistado ou por algum membro da família, como trabalho com pesca, venda de animais e venda de produtos agrícolas, com opções de respostas dicotômicas (não; sim). As morbidades hipertensão arterial e diabetes mellitus foram obtidas a partir de autorrelado de diagnóstico médico de cada uma das doenças. Para testar a concordância, utilizou-se a pergunta “O(A) Sr.(a) sabe ler e escrever?”, obtida a partir de um questionário reduzido do controle de qualidade, aplicado a 10% dos entrevistados. Por meio do teste Kappa, obteve-se um coeficiente de 0,76. Não foi possível utilizar questões sobre o consumo alimentar, pois as respostas poderiam variar ao longo do tempo.

Análise de Dados

Os dados foram coletados em tablets e inseridos diretamente em base eletrônica pelo questionário aplicado em RedCap (Research Eletronic Data Capture). As análises foram realizadas no programa Stata, versão 12.1 (Stata Corp, College Station, Estados Unidos). A caracterização da amostra foi obtida por análise descritiva. Com o objetivo de avaliar quais grupos ou combinações de alimentos contribuíram para a categoria de melhor qualidade da dieta, calculamos a média de escore de cada grupo de acordo com os tercis de qualidade da dieta. As medidas de efeito foram estimadas por regressão logística multinomial, de forma a obter o odds ratio bruto e ajustado conforme as categorias do IQD-A, sendo a baixa qualidade de dieta a categoria de referência. A análise ajustada considerou dois níveis hierárquicos. No primeiro nível, foram incluídas as variáveis demográficas e socioeconômicas (sexo, idade, cor da pele, situação conjugal, escolaridade, número de moradores, trabalho com pesca, venda de animais e venda de produtos agrícolas) que apresentaram p < 0,20 na análise bruta. No segundo nível, foram acrescentadas hipertensão e diabetes mellitus. Variáveis com p < 0,20 foram mantidas no modelo final. As associações estatísticas com p ≤ 0,05 foram consideradas significativas. O efeito de delineamento amostral foi considerado em todas as análises, pelo uso do comando svy. Também utilizamos ponderação considerando o número de domicílios fixos de acordo com dados do IBGE e os amostrados dentro dos distritos da zona rural de Pelotas.

Aspectos Éticos

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicinada Universidade Federal de Pelotas (Protocolo 51399615.7.0000.5317). Os sujeitos da pesquisa ou responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

Foram amostrados 1.697 indivíduos elegíveis para o estudo. As perdas e recusas totalizaram 178 pessoas (10,5%), das quais a maioria do sexo masculino (70,8%) e com idade entre 40 e 59 anos (7,6%). Assim, entrevistamos 1.519 adultos. Todos os participantes responderam ao QFA.

A maior parte da amostra foi composta por mulheres (51,7%) e indivíduos com mais de 40 anos (66,0%), tinha cor da pele branca 85,1% e não tinha companheiro (60,3%). Quanto aos aspectos socioeconômicos, 75,6% dos participantes tinham menos de oito anos de estudo e um quarto pertencia à classe D ou E; adicionalmente, quase metade dos domicílios tinha quatro ou mais moradores. Acerca das atividades econômicas realizadas pelo próprio entrevistado ou por algum membro da família, um terço vendia produto agrícola, 11% vendiam animais e 4,9% trabalhavam com pesca (Tabela 1).

Tabela 1 Descrição da amostra conforme as variáveis demográficas, socioeconômicas e de saúde. Pelotas, RS, Brasil, 2016. (n = 1.519) 

Variável n % (IC95%)
Sexo
Masculino 734 48,3 (46,2–50,3)
Feminino 785 51,7 (49,7–53,7)
Idade (anos)
18–24 174 11,4 (10,0–12,9)
25–39 341 22,6 (18,9–26,1)
40–59 593 39,2 (36,8–41,6)
60 ou mais 411 26,8 (23,4–30,2)
Cor da pele
Branca 1.296 85,1 (79,6–90,6)
Não branca 223 14,9 (9,4–20,4)
Situação conjugal
Sem companheiro 920 60,3 (55,9–64,6)
Com companheiro 599 39,7 (35,4–44,1)
Escolaridade (anos completos)
0–4 582 38,7 (32,2–45,1)
5–8 558 36,9 (32,6–41,2)
9 ou mais 369 24,4 (18,0–30,9)
Nº de moradores
1 94 6,2 (4,5–7,9)
2 388 25,6 (20,2–31,1)
3 395 26,4 (22,1–30,6)
4 ou mais 635 41,8 (33,7–49,9)
Nível econômico (ABEP)
A ou B 301 20,0 (14,3–25,7)
C 814 53,7 (48,2–59,3)
D ou E 388 26,3 (20,1–32,4)
Trabalha com pesca
Não 1.448 95,1 (88,4–101,7)
Sim 64 4,9 (-1,7–11,6)
Vende animais
Não 1.341 89,0 (84,4–93,6)
Sim 171 11,0 (6,4–15,6)
Vende produto agrícola
Não 1.010 67,3 (52,7–82,0)
Sim 502 32,7 (18,0–47,3)
HAS
Não 994 65,7 (62,2–69,2)
Sim 522 34,3 (30,8–37,8)
DM
Não 1.363 89,8 (88,3–91,3)
Sim 153 10,2 (8,7–11,7)

ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa; HAS: hipertensão arterial sistêmica; DM: diabetes mellitus

A média de pontos do IQD-A foi de 17,1 (DP = 3,3) e a mediana foi de 17,0, com amplitude de valores entre 10 e 25 pontos. A média de pontos de cada componente (grupo ou combinação de alimentos) do IQD-A de acordo com os tercis de qualidade da dieta pode ser observada na Figura. No tercil de melhor qualidade da dieta, encontraram-se as maiores médias para os alimentos saudáveis, indicando maior consumo, e para os não saudáveis, indicando menor consumo. Entretanto, a média de escore do consumo de carnes ou frango e alimentos integrais é menor que dois, o que indica menor frequência de consumo do que a dos outros alimentos saudáveis. A média de escore do consumo de refrigerantes, sucos artificiais ou doce também é menor que dois, indicando maior frequência de consumo do que dos outros alimentos não saudáveis nesse tercil. Em todos os tercis de qualidade da dieta, observou-se baixa frequência de consumo de alimentos congelados ou industrializados, tendo em vista que esse componente do IQD-A se aproximou do escore três, o qual se refere ao escore máximo da pontuação atribuída de acordo com a frequência de consumo (Quadro).

Figura Média de cada componente de acordo com as categorias do IQD-A. Pelotas, RS, Brasil, 2016. (n = 1.519)IQD-A: Índice de Qualidade da Dieta de Adultos(A) Maiores médias indicam maior frequência de consumo.(B) Maiores médias indicam menor frequência de consumo. 

Na análise bruta, sexo, idade, situação conjugal, número de moradores, nível econômico, trabalhar com pesca e referir diagnóstico médico de hipertensão ou diabetes estiveram significativamente associados com alta qualidade da dieta (Tabela 2). Após análise ajustada (Tabela 3), situação conjugal, número de moradores e diagnóstico médico de hipertensão perderam a significância e a venda de animais passou a estar associada ao desfecho. Mulheres apresentaram 2,4 vezes mais chance (IC95% 1,61–3,44) de ter melhor qualidade da dieta do que os homens. A idade está diretamente associada à melhor qualidade da dieta; indivíduos com 60 anos ou mais tiveram sete vezes mais chance (IC95% 4,20–12,48) de enquadrarem-se no tercil de melhor qualidade da dieta que os de 18 a 24 anos. Indivíduos pertencentes à classe A ou B apresentaram 2,4 vezes mais chance (IC95% 1,49–3,76) de estar na categoria de melhor qualidade da dieta do que indivíduos da classe D ou E.

Tabela 2 Análise bruta entre qualidade da dieta e as variáveis demográficas, econômicas e de saúde. Pelotas, RS, Brasil, 2016. (n = 1.519) 

Variável Qualidade da dietaa

Intermediária Melhor


OR (bruto) pc OR (bruto) pc
Sexo 0,142 < 0,001
Masculino 1,00 1,00
Feminino 1,21 (0,93–1,59) 2,23 (1,62–3,07)
Idade (anos) < 0,001d < 0,001d
18–24 1,00 1,00
25–39 1,54 (1,00–2,39) 1,78 (1,10–2,90)
40–59 2,24 (1,54–3,26) 2,79 (1,85–4,19)
60 ou mais 2,87 (1,97–4,17) 7,49 (4,51–12,44)
Cor da pele 0,320 0,126
Branca 1,00 1,00
Não branca 0,82 (0,55–1,23) 0,74 (0,50–1,09)
Situação conjugal 0,011 0,047
Sem companheiro 1,00 1,00
Com companheiro 0,70 (0,54–0,92) 0,77 (0,59–0,99)
Escolaridade (anos completos) 0.161 0.161
0–4 1,00 1,00
5–8 0,72 (0,52–0,99) 0,67 (0,49–0,92)
9 ou mais 0,80 (0,58–1,09) 0,93 (0,68–1,29)
Nº de moradores 0,698d 0,001d
1 1,22 (0,91–1,64) 2,67 (1,51–4,72)
2 1,08 (0,74–1,57) 2,10 (1,33–3,30)
3 1,01 (0,51–2,00) 1,71 (1,19–2,48)
4 ou mais 1,00 1,00
Nível econômico (ABEP)b 0,545d 0,049d
A ou B 1,18 (0,71–1,94) 1,83 (0,99–3,4)
C 1,05 (0,67–1,65) 1,08 (0,74–1,58)
D ou E 1,00 1,00
Trabalha com pesca 0,001 0,018
Não 1,00 1,00
Sim 0,48 (0,32–0,71) 0,27 (0,09–0,78)
Vende animais 0,158 0,053
Não 1,00 1,00
Sim 1,33 (0,88–2,01) 1,55 (0,99–2,41)
Vende produto agrícola 0,552 0,098
Não 1,00 1,00
Sim 1,11 (0,78–1,58) 0,61 (0,34–1,10)
HAS 0,133 < 0,001
Não 1,00 1,00
Sim 1,21 (0,94–1,56) 1,91 (0,54–1,04)
DM 0,038 < 0,001
Não 1,00 1,00
Sim 1,78 (1,03–3,07) 3,34 (1,96–5,69)

ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa; HAS: hipertensão arterial sistêmica; DM: diabetes mellitus

a Categoria de referência: pior qualidade da dieta.

b Maior número de dados faltantes (missings): 32.

c Regressão logística multinomial.

d Tendência linear.

Tabela 3 Fatores associados à melhor qualidade da dieta entre adultos moradores da zona rural. Pelotas, RS, Brasil, 2016. (n = 1.519) 

Variável Qualidade da dietaa

Intermediária Melhor


OR (ajustado) pb OR (ajustado) pb
Sexo 0,129 < 0,001
Masculino 1,00 1,00
Feminino 1,25 (0,93–1,69) 2,35 (1,61–3,44)
Idade (anos) < 0,001c < 0,001c
18–24 1,00 1,00
25–39 1,57 (1,02–2,42) 1,82 (1,18–2,80)
40–59 2,37 (1,64–3,42) 2,86 (1,86–4,39)
60 ou mais 3,19 (2,12–4,80) 7,23 (4,20–12,48)
Nível econômico (ABEP) 0,769c 0,001c
A ou B 1,08 (0,67–1,76) 2,37 (1,49–3,76)
C 0,97 (0,60–1,57) 1,34 (1,01–1,78)
D ou E 1,00 1,00
Nº de moradores 0,056 0,056
1 0,83 (0,39–1,74) 1,78 (1,22–2,58)
2 0,85 (0,55–1,31) 1,40 (0,87–2,26)
3 1,25 (0,92–1,70) 1,90 (1,01–3,59)
4 ou mais 1,00 1,00
Trabalha com pesca < 0,001 0,005
Não 1,00 1,00
Sim 0,48 (0,33–0,70) 0,30 (0,14–0,67)
Vende animais 0,193 0,020
Não 1,00 1,00
Sim 1,33 (0,86–2,05) 1,84 (1,11–3,06)
Vende produto agrícola 0,937 0,051
Não 1,00 1,00
Sim 0,99 (0,67–1,44) 0,57 (0,32–1,00)
DM 0,199 0,003
Não 1,00 1,00
Sim 1,41 (0,82–2,40) 2,13 (1,33–3,42)

ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa; DM: diabetes mellitus

a Categoria de referência: pior qualidade da dieta.

b Regressão logística multinomial.

c Tendência linear.

Em relação às variáveis de atividade rural, indivíduos que possuíam membros da família trabalhando com pesca apresentaram 70% menor chance de estarem na categoria de melhor qualidade da dieta (p = 0,005). Porém, indivíduos que tinham membros da família trabalhando com venda de animais mostraram 84% maior chance de estarem na categoria de melhor qualidade da dieta (p = 0,020). Indivíduos que relataram diagnóstico médico de diabetes mellitus apresentaram duas vezes mais chance (IC95% 1,33–3,42) de ter uma melhor qualidade da dieta.

DISCUSSÃO

Com relação à qualidade da dieta, quase 50% dos adultos e idosos da zona rural de Pelotas alcançaram apenas metade da pontuação máxima a ser obtida. Entre os alimentos avaliados, os que menos contribuíram para o tercil de melhor qualidade da dieta foram as carnes ou frango e os alimentos integrais, por apresentarem frequência de consumo menor que os outros alimentos saudáveis, e os refrigerantes, sucos artificiais ou doces, por apresentarem frequência de consumo maior que os demais alimentos não saudáveis. Mulheres, diabéticos e pessoas mais velhas, com maior nível econômico, que trabalhavam ou tinham familiar que trabalhava com venda de animais apresentaram maior chance de se enquadrarem no tercil de melhor qualidade da dieta. Em contrapartida, indivíduos cujas famílias trabalhavam com pesca apresentaram menor chance de ter uma melhor qualidade da dieta.

A maior concentração de mulheres e indivíduos mais velhos no grupo de melhor qualidade da dieta é consistente com os estudos realizados na zona urbana6,12, enquanto a associação com nível econômico é controversa6,12. As mulheres geralmente possuem melhor alimentação, cuidam mais da saúde e do corpo, têm maior conhecimento nutricional e incluem alimentos mais saudáveis na dieta do que os homens15,16. A melhor qualidade da alimentação dos indivíduos mais velhos pode ter relação com a formação de hábitos alimentares em uma época em que havia baixa oferta de alimentos processados ou ultraprocessados17. O aumento da prevalência de doenças crônicas nos mais velhos aumenta a busca por serviços de saúde, ampliando a oportunidade de recebimento de orientações que contribuem para melhores escolhas alimentares18 e torna a adesão a um estilo de vida saudável necessária para a própria sobrevivência. Há também, nos mais velhos, viés de sobrevivência, uma vez que idosos com pior qualidade da dieta tem maior risco de morte e, assim, os sobreviventes podem concentrar indivíduos com melhor qualidade da dieta.

Indivíduos com maior poder aquisitivo possuem maior acesso à compra de alimentos mais saudáveis19, o que pode explicar a maior proporção de pessoas das classes econômicas mais altas no tercil de melhor qualidade da dieta. O gasto com alimentação é o segundo mais importante na participação das despesas familiares e o de maior peso no orçamento para famílias da zona rural e para as de baixa renda20. Porém, essa relação não foi completamente elucidada, tendo em vista que os estudos mostram um efeito positivo do nível econômico na qualidade da dieta com aumento de consumo de frutas, verduras ou legumes17,21, mas também alto consumo de alimentos ricos em gordura saturada e carboidratos simples. Assim, a renda pode influenciar o consumo alimentar, sem que isso se reflita necessariamente na qualidade da alimentação21.

Vários estudos encontram associação positiva entre escolaridade e qualidade da dieta6,12,22. Neste estudo, escolaridade foi correlacionada ao nível econômico e, por isso, foi excluída do modelo final. Indivíduos com maior escolaridade possuem mais informação sobre como e porque ter uma dieta saudável12. Consistente com outros estudos conduzidos na zona urbana de municípios, a cor da pele e a situação conjugal não tiveram associadas à qualidade da dieta6,12.

Quanto às atividades rurais, a maior proporção de indivíduos que possuem membros da família trabalhando com pesca no grupo de pior qualidade da dieta e maior proporção de indivíduos que possuem membros da família trabalhando com venda de animais no tercil de melhor qualidade da dieta pode dever-se à confusão residual do nível econômico. A organização de vias e acesso a serviços e a qualidade da dieta no distrito rural de Pelotas, onde a principal atividade econômica é a pesca, é similar à zona urbana periférica e menos abastada. Além disso, o trabalho na pesca exige longas jornadas de trabalho, podendo dificultar o acesso à alimentação saudável. Já a venda de animais poderia estar relacionada a uma maior diversificação de atividade econômica.

Consistente com a literatura23, maior proporção de indivíduos diabéticos estavam no grupo de melhor qualidade da dieta, mas essa associação é afetada por causalidade reversa, uma vez que, após diagnóstico da doença, os indivíduos são orientados a reduzir o consumo de carboidratos simples24. Entretanto, indivíduos diagnosticados com hipertensão não apresentaram melhor qualidade da dieta. Isso poderia estar relacionado a uma ênfase maior na orientação para reduzir o sal do que para reduzir o consumo de gorduras25, ou a uma menor adesão dos hipertensos a esse aspecto do tratamento.

Este é o primeiro estudo de base populacional sobre a qualidade da dieta em moradores da zona rural. O percentual baixo de perdas e recusas reforça a representatividade da amostra estudada. Entretanto, o estudo apresenta limitações relacionadas à aferição do desfecho. A maior pontuação do índice de qualidade da dieta indica maior frequência de consumo de alimentos saudáveis e menor frequência de consumo de alimentos não saudáveis. Entretanto, não há validação do método que permita atribuir pontos de corte para o IQD-A caracterizando a dieta como de alta ou de baixa qualidade. Para ampliar a comparabilidade com o estudo de Gomes et al.7, optou-se por não considerar o teor de gordura no leite e na carne, o que pode causar erro de classificação dos sujeitos, superestimando o tercil de melhor qualidade da dieta. Também deve-se considerar que, devido ao agrupamento de alguns alimentos para constituir o componente para o escore, ocorreu a perda de informação específica de cada alimento. O QFA é um instrumento de fácil aplicação e compreensão pelos entrevistados; porém, o recordatório de uma semana, se por um lado minimiza o viés de memória, por outro não reflete o hábito alimentar de longo prazo, incluindo as variabilidades sazonais. Outra limitação está relacionada a potenciais imprecisões na classificação de nível econômico pelo critério da ABEP14, uma vez que essa classificação foi desenvolvida para a zona urbana.

Conclui-se que são necessárias políticas públicas que promovam a manutenção do baixo consumo de alimentos industrializados e incentive a diminuição do consumo de refrigerantes, sucos artificiais ou doces e aumento do consumo de frutas, verduras e legumes. Isso pode ser inserido no contexto de políticas para diversificação de culturas, incluindo o cultivo para o próprio consumo. Essas políticas devem priorizar famílias de baixo nível econômico.

A transição nutricional parece mais avançada nos adultos mais jovens. Considerando que os hábitos alimentares são formados na infância e o papel das crianças na transformação dos hábitos familiares, é importante incluir atividades de educação alimentar e nutricional nas escolas. As unidades básicas de saúde também são espaços privilegiados para atividades de educação alimentar e nutricional, sendo fundamental incluir pessoas portadoras de hipertensão, já que essas parecem não estar aderindo a uma dieta mais saudável. Atenção especial deve ser dispensada aos pescadores e, além das atividades educacionais, é imprescindível o apoio para que acessem as políticas de renda mínima.

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Financiamento: Programa de Excelência Acadêmica da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES/PROEX – Processo 23038.002445/2015-97, número do auxílio 1012/2015).

Recebido: 31 de Maio de 2017; Aceito: 2 de Novembro de 2017

Correspondência: Mayra Pacheco Fernandes. Rua Marechal Deodoro, 1160 3º piso Centro Caixa Postal 464. 96020-220 Pelotas, RS, Brasil. E-mail: pfmayra@hotmail.com

Contribuições dos Autores: Concepção e planejamento do estudo: MPF, AGF. Análise e interpretação dos dados, elaboração do manuscrito: MPF, RMB, AGF. Revisão crítica do manuscrito: RMB, AGF. Aprovação da versão final: RMB, AGF. Responsabilidade pública pelo conteúdo do artigo: MPF, RMB, AGF.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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