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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.53  São Paulo  2019  Epub Jan 31, 2019

http://dx.doi.org/10.11606/s1518-8787.2019053000586 

Artigo Original

WHODAS 2.0-BO: dados normativos para avaliação de incapacidade em idosos

Michele Lacerda Pereira FerrerI  II 
http://orcid.org/0000-0003-2984-0997

Monica Rodrigues PerraciniIII  IV 
http://orcid.org/0000-0001-9331-3820

Flávio RebustiniV  VI 
http://orcid.org/0000-0002-3746-3266

Cassia Maria BuchallaVII 
http://orcid.org/0000-0001-5169-5533

IUniversidade São Francisco. Faculdade de Fisioterapia. Bragança Paulista, SP, Brasil

IIUniversidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública. São Paulo, SP, Brasil

IIIUniversidade Cidade de São Paulo. Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia. São Paulo, SP, Brasil

IVUniversidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas. Programa de Pós-Graduação em Gerontologia. Campinas, SP, Brasil

VUniversidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Rio Claro, SP, Brasil

VIUniversidade de São Paulo. Escola de Artes, Ciências e Humanidades. Programa de Pós-Graduação em Gerontologia. São Paulo, SP, Brasil

VIIUniversidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. Departamento de Epidemiologia. São Paulo, SP, Brasil


RESUMO

OBJETIVO:

Examinar os dados de normatização do WHODAS 2.0-BO para idosos brasileiros (World Health Disability Assessment Schedule – Brazilian version for older people) e sua distribuição de acordo com sexo, idade, percepção subjetiva de saúde, desempenho em teste de mobilidade e presença de doenças crônicas e depressão.

MÉTODOS:

Estudo transversal, com 350 participantes com 60 anos ou mais, homens e mulheres, atendidos em um centro de referência secundário para consultas médicas ou de reabilitação. Os idosos foram avaliados por meio de um questionário semiestruturado, contendo dados sociodemográficos e clínicos, o WHODAS 2.0-BO e a escala de depressão geriátrica (EDG), e submetidos a um teste mobilidade, o Timed Up and Go. Os dados foram analisados por sua distribuição em percentis na população e por análise de variância.

RESULTADOS:

Duzentos e sessenta e seis (76%) participantes eram mulheres, a idade média foi de 71,8 (DP = 6,7) anos. O escore médio do WHODAS 2.0-BO foi de 4,3 (DP = 5,2) pontos, sendo o maior valor encontrado 33 pontos. O tempo para o Timed up and Go foi de 10,0 (DP = 3,2) segundos. Cerca de 30% dos idosos não relataram nenhuma dificuldade nas tarefas avaliadas pelo WHODAS 2.0-BO e metade da amostra alcançou até dois pontos.

CONCLUSÕES:

Observou-se um escore de 12 pontos no percentil 90 em uma escala de zero a 40, o que sugere incapacidade grave. O escore do WHODAS 2.0-BO aumentou com o avançar da idade, bem como na presença de comorbidades, de percepção subjetiva de saúde ruim, de depressão, de hipertensão arterial, de dificuldade para enxergar e escutar e de alteração da mobilidade.

DESCRITORES: Idoso; Avaliação da Deficiência; Classificação Internacional de Funcionalidade; Incapacidade e Saúde; Comorbidade; Fatores Socioeconômicos; Inquéritos e Questionários, normas

ABSTRACT

OBJECTIVE:

To examine the normative data of WHODAS 2.0-BO for older Brazilians (World Health Disability Assessment Schedule – Brazilian version for older people) and its distribution according to sex, age, health, subjective health perception, performance in a mobility test and presence of chronic diseases and depression.

METHODS:

Cross-sectional study, with 350 participants with 60 years of age or older, men and women, patients of a geriatric specialized center for medical consultations or rehabilitation. The older adults were evaluated using a semi-structured questionnaire containing demographic and clinical data (WHODAS 2.0-BO) and the geriatric depression scale (GDS), having been subsequently subjected to a mobility test (Timed Up and Go). The data were analyzed via their distribution in percentiles of the population and via analysis of variance.

RESULTS:

Two-hundred and sixty-six (76%) participants were women, and the average age was 71.8 (DP = 6.7) years old. The average score in WHODAS 2.0-BO was 4.3 (DP = 5.2) points, the highest value found having corresponded to 33 points. The average time for the Timed Up and Go test was 10.0 (SD = 3.2) seconds. About 30% of the older adults did not report any difficulties in the tasks evaluated by WHODAS 2.0-BO and half of the sample scored up to two points.

CONCLUSIONS:

A score corresponding to 12 points in the 90 percentile on a scale from zero to 40 was observed, which suggests severe disability. The score in WHODAS 2.0-BO increased with the advance in age, as well as in the presence of comorbidities, negative health perception, depression, high blood pressure, visual and hearing impairment and mobility impairment.

DESCRIPTORS: Aged; Disability Evaluation; International Classification of Functioning, Disability and Health; Comorbidity; Socioeconomic Factors; Surveys and Questionnaires, standards

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é hoje uma realidade não só em países desenvolvidos, mas também em países em desenvolvimento como o Brasil. Embora tenha sido observada nas últimas décadas, em países de alta renda, uma diminuição na prevalência de incapacidade funcional na população idosa, esse cenário ainda é intangível para a maioria dos idosos1,2. O aumento da expectativa de vida verificado nos últimos anos não se refletiu em aumento de vida saudável, reconhecido como o bem-estar proporcionado pela manutenção da capacidade funcional na velhice, principalmente em países em desenvolvimento. O aumento da prevalência das doenças crônicas acrescido de estilos de vida pouco saudáveis e iniquidades em saúde têm impacto considerável sobre essa população, verificado pelo aumento dos indicadores de incapacidade1,3.

Medidas de avaliação funcional que possam identificar não somente comprometimentos nas atividades de vida diária, mas também restrição de participação na comunidade são desejáveis. A identificação precoce de perda de funcionalidade permite o direcionamento de estratégias preventivas, evitando o agravamento ou o aparecimento de uma incapacidade funcional maior4. A incapacidade funcional deve ser entendida como um conceito abrangente, dinâmico e multidimensional5.

A Classificação Internacional de Incapacidade, Funcionalidade e Saúde (CIF–OMS) determina os aspectos de função e de saúde dos indivíduos, independentemente de um instrumento de avaliação específico. Ela descreve a funcionalidade e a incapacidade relacionadas às condições de saúde e às funções dos órgãos ou sistemas e estruturas do corpo, além das limitações de atividades e da participação social no ambiente de vida do indivíduo6. Uma parte importante da classificação refere-se às atividades e à participação social. Define-se como atividade a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo. Esta representa a perspectiva individual da funcionalidade enquanto seu lado negativo refere-se à limitação de atividade, que é definida como a dificuldade que um indivíduo pode encontrar na execução de tal atividade. A participação é definida como o envolvimento em uma situação da vida, ou seja, representa a perspectiva social da funcionalidade, e seu lado negativo, a restrição da participação, pelos problemas que um indivíduo pode experimentar no envolvimento das situações da vida6.

Incapacidade é um termo genérico usado pela CIF para traduzir os aspectos negativos da interação entre um indivíduo com uma condição de saúde e os fatores contextuais, em uma relação dinâmica6. Entretanto, por sua multidimensionalidade, a CIF ainda não consegue identificar a incapacidade por meio de um único instrumento ou avaliação. Para a avaliação da incapacidade em atividades e participação, a OMS propôs o WHODAS 2.0 (World Health Disability Assessment Schedule). É um instrumento genérico, desenvolvido a partir de um conjunto de itens da CIF e que pode ser aplicado a diferentes populações tanto em âmbito clínico, para medir o impacto de uma dada intervenção, quanto no âmbito populacional em estudos epidemiológicos7,8.

A OMS publicou o WHODAS 2.0 (2010) como atualização da versão WHODAS II que foi testada em estudos multicêntricos. O WHODAS 2.0 foi traduzido para 47 línguas e dialetos e tem sido utilizado em diferentes populações7. A ferramenta é apresentada em três versões: uma com 36 itens, uma resumida com 12 itens e uma combinando 12+24 itens. A versão completa, de 36 itens, tem sido a mais utilizada e estudada quanto às suas propriedades psicométricas e de invariância. A versão 12+24 é um híbrido simples das versões de 12 e 36 itens. A partir da resposta positiva aos 12 itens iniciais, são aplicadas 24 questões adicionais, completando a versão de 36 itens. No caso de repostas negativas às 12 questões iniciais, as demais não são aplicadas8. A versão de 12 itens é indicada para uso em estudos populacionais ou em situações em que o tempo não permite uma avaliação mais detalhada. Não existe consenso na literatura em relação à dimensionalidade da versão 12 itens quando analisadas suas propriedades psicométricas em diferentes amostras8,9. A mesma inconsistência é observada quando a ferramenta é aplicada em idosos9,10.

Um estudo de validação de construto da versão 12 itens aplicado em idosos brasileiros mostrou que 10 itens foram suficientes para medir a incapacidadea. No entanto, o significado dos escores não foi ainda apresentado. Tão importante quanto desenvolver ou adaptar um instrumento é interpretar seus escores e dar a eles significados, o que é possível por meio da normatização11.

A normatização se refere a padrões de interpretação quanto a um escore que um indivíduo recebeu em um determinado teste, indicando a posição relativa deste na amostra normativa e avaliando o seu desempenho em relação a outras pessoas12. Dado que o World Health Disability Assessment Schedule – Brazilian version for older people (WHODAS 2.0-BO) analisa diferentes dimensões de atividades e participação social e que estas influenciam o bem-estar e a funcionalidade de idosos, uma normatização de seu escore permitirá a comparação de um escore entre indivíduos ou em amostras com perfis similares, permitindo uma melhor análise tanto do ponto de vista clínico quanto epidemiológico.

Dados normativos da versão do WHODAS 2.0-BO para idosos brasileiros são necessários para que a utilização do instrumento seja viável, tenha significado clínico e os resultados obtidos sejam comparáveis. É importante também identificar se esse instrumento consegue reconhecer fatores associados com a incapacidade de idosos da comunidade para que medidas de prevenção possam ser propostas4.

Este estudo se propôs a examinar os dados normativos do WHODAS 2.0-BO entre idosos da comunidade e sua distribuição de acordo com sexo, idade, percepção subjetiva de saúde, desempenho em teste de mobilidade, presença de doenças crônicas e depressão.

MÉTODOS

Estudo transversal, com dados secundários de uma amostra de conveniência proveniente do estudo “Adaptação transcultural para o português brasileiro e validação concorrente do Incidental and Planned Exercise Questionnaire (IPEQ) para pessoas idosas”b. Essa amostra contou com entrevistas de 350 idosos da comunidade, atendidos em um centro de referência para idosos, em São Paulo, SP, no período de setembro de 2013 a maio de 2014. Esse local é um serviço de atenção secundária com especialistas na área de geriatria e gerontologia, com atendimento multiprofissional. Os idosos, de ambos os sexos, com idade superior a 60 anos, responderam ao WHODAS 2.0-BO em momento de espera para consulta médica e de atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional.

Foram excluídos do estudo idosos com comprometimento cognitivo evidenciado por pontuações no mini exame do estado mental (MEEM) < 19 para idosos analfabetos e ≤ 23 pontos para idosos com alguma escolaridade, com incapacidade para marcha ou ortostatismo (mesmo com ajuda de dispositivo de auxílio), com comprometimento severo em audição ou linguagem que comprometesse a comunicação. Todos os idosos que aceitaram participar do estudo base deste banco de dados assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (CAAE 09091712.3.0000.0064).

Instrumentos

Os idosos responderam às questões do WHODAS 2.0 sobre as dificuldades encontradas pelo indivíduo nos últimos 30 dias por meio de entrevista7. Para a análise deste estudo foi considerada a pontuação do WHODAS 2.0-BO por soma simples, com as categorias das variáveis variando de zero (nenhum problema) a quatro (problema grave ou incapaz de realizar). O escore total do WHODAS 2.0-BO pode variar de zero a 40 pontos (Tabela 1).

Tabela 1 Características sociodemográficas e de saúde, segundo frequência e escore do WHODAS 2.0-BO, da população estudada. 

Variável n % Escore do WHODAS 2.0-BO p
Média (DP) Mediana
Faixa etária (anos) 0,025a
60 |-| 69 136 38,9 3,7 (5,2) 2,0
70 |-| 79 170 48,6 4,4 (5,1) 3,0
80 ou mais 44 12,6 5,5 (5,2) 4,0
Gênero 0,982b
Masculino 84 24,0 3,7 (4,0) 3,0
Feminino 266 76,0 4,4 (5,5) 2,0
Estado civil 0,078a
Casado 148 42,3 4,0 (5,1) 2,0
Solteiro 29 8,3 2,3 (3,5) 1,0
Viúvo 142 40,6 4,7 (5,3) 3,0
Divorciado 31 8,9 5,1 (6,0) 3,0
Escolaridade 0,003a
Analfabetos 13 3,7 10,1 (7,2) 10,0
Ensino fundamental 267 76,3 4,2 (4,9) 3,0
Ensino médio 51 14,6 4,0 (5,4) 2,0
Superior 19 5,4 3,5 (4,8) 2,0
Mora sozinho 0,531b
Sim 101 28,9 3,9 (4,6) 2,0
Não 248 71,1 4,4 (5,4) 3,0
Doenças referidas
AVC 26 7,4 5,1 (4,8) 4,0 0,061b
Parkinson 11 3,1 5,1 (4,2) 5,0 0,244b
Depressão 83 23,7 6,3 (6,6) 3,0 < 0,001b
Hipertensão arterial 243 69,4 4,7 (5,1) 3,0 0,001b
Diabetes 144 41,1 4,4 (4,9) 3,0 0,190b
Incontinência urinária 76 21,7 5,2 (5,8) 4,0 0,061b
Utiliza dispositivo de auxílio a marcha
Sim 40 11,4 9,0 (5,5) 8,5 < 0,001b
Não 310 88,6 3,7 (4,8) 2,0
Dificuldade para enxergar < 0,001b
Sim 182 52,0 5,0 (5,3) 3,0
Não 168 48,0 3,5 (5,0) 2,0
Dificuldade para escutar 0,040b
Sim 112 32,0 5,0 (5,3) 3,0
Não 238 68,0 3,9 (5,1) 2,0
Percepção subjetiva de saúde < 0,001a
Muito boa 51 14,6 1,0 (2,0) 0,0
Boa 142 40,6 2,6 (3,0) 2,0
Média 131 37,4 6,1 (5,8) 5,0
Ruim 19 5,4 9,2 (6,5) 7,0
Muito ruim 7 2,0 12,3 (10,1) 9,0
EDG < 0,001b
Até 5 pontos 292 83,4 3,4 (4,2) 2,0
Acima de 5 pontos 58 16,6 8,4 (7,3) 7,0
TUGT
0–10 segundos 212 60,6 2,6 (3,9) 2,0
11 segundos ou mais 138 39,4 6,9 (5,8) 5,5 < 0,001b

AVC: acidente vascular cerebral; EDG: escala de depressão geriátrica; TUGT: timed up and go test

ap ≤ 0,05 pelo teste de Kruskal-Wallis.

bp ≤ 0,05 pelo teste de Mann-Whitney.

Foi aplicada a Escala de Depressão Geriátrica resumida (GDS – Geriatric Depression Scale) com 15 itens. O escore obtido pelas respostas negativas varia de zero a 15, sendo indicativo de estados depressivos resultados superiores a cinco pontos13; e o Timed Up and Go test (TUGT) que avalia mobilidade e consiste na tarefa do indivíduo em levantar-se de uma cadeira com braços, andar três metros, girar, retornar e sentar-se novamente o mais rápido possível, de forma segura14. É feita uma tentativa de familiarização e o tempo em segundos é computado.

Os idosos foram questionados quanto à sua percepção subjetiva de saúde, o quanto as dificuldades levantadas prejudicavam sua rotina diária e as doenças que foram diagnosticadas por um médico nos últimos três meses. Dados sociodemográficos como idade, sexo, renda, escolaridade e atividade ocupacional também foram levantados.

Análise Estatística

As características da amostra são apresentadas em frequência para as variáveis nominais e em média, desvio-padrão e mediana para as variáveis numéricas. A distribuição do escore do WHODAS 2.0-BO foi calculada pelos percentis 25, 50, 75 e 90. Para verificar a diferença média do escore do WHODAS 2.0-BO segundo variáveis qualitativas de interesse, foram realizados o teste de Mann-Whitney para variáveis dicotômicas e de Kruskal-Wallis para as variáveis com mais de duas categorias, devido à distribuição não paramétrica dos dados. Para a análise do perfil da amostra segundo os pontos de corte, foi utilizada a análise dos percentis12.

RESULTADOS

Dentre os 350 idosos entrevistados, 76% (266) eram do sexo feminino, apresentando as seguintes médias: idade de 71,8 (DP = 6,7) anos; escolaridade de 5,8 (DP = 3,8) anos; renda de R$1.050,00 (DP = 654,7); escore de MEEM 25,8 (DP = 3,1) pontos. Em relação à incapacidade, os idosos apresentaram escore do WHODAS 2.0-BO de 4,3 (DP = 5,2) pontos e realizaram o TUGT em 10 (DP = 3,2) segundos.

Os idosos avaliados referiram 2,3 doenças crônicas em média e somente 10,6% (n = 37) não relataram nenhuma doença (Tabela 1).

Ao analisarmos a distribuição do escore do WHODAS 2.0-BO na amostra, observamos que quase um terço desta (n = 102) não relatou dificuldade alguma nas tarefas elencadas. Metade da amostra alcançou até dois pontos e, no percentil 90, 12 pontos, em uma escala de zero a 40 (Tabela 2). A máxima pontuação foi de 33. A frequência das respostas dos entrevistados para cada categoria está apresentada na Tabela 3.

Tabela 2 Distribuição do escore do WHODAS 2.0-BO na população de estudo. 

Escore n % % acumulada
0,0 102 29,1 29,1
1,0 29 8,3 37,4
2,0 45 12,9 50,3
3,0 32 9,1 59,4
4,0 24 6,9 66,3
5,0 19 5,4 71,7
6,0 14 4,0 75,7
7,0 20 5,7 81,4
8,0 9 2,6 84,0
9,0 5 1,4 85,4
10,0 8 2,3 87,7
11,0 4 1,1 88,9
12,0 10 2,9 91,7
13,0 5 1,4 93,1
14,0 5 1,4 94,6
15,0 2 0,6 95,1
16,0 4 1,1 96,3
17,0 2 0,6 96,9
18,0 1 0,3 97,1
19,0 1 0,3 97,4
20,0 4 1,1 98,6
21,0 1 0,3 98,9
22,0 1 0,3 99,1
23,0 1 0,3 99,4
24,0 1 0,3 99,7
33,0 1 0,3 100,0
Total 350 100,0

Tabela 3 Distribuição das respostas dos participantes ao WHODAS 2.0-BO, n (%), segundo cada item do instrumento. 

Dificuldades nos últimos 30 dias para Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
1 - Ficar em pé por períodos tão longos como 30 minutos? 217 (62,0) 57 (16,3) 59 (16,9) 14 (4,0) 3 (0,9)
2 - Cuidar das suas responsabilidades com seu lar? 244 (69,7) 53 (15,1) 39 (11,1) 13 (3,7) 1 (0,3)
3 - Aprender uma nova tarefa, por exemplo, como chegar a um lugar novo? 243 (69,4) 52 (14,9) 42 (12,0) 7 (2,0) 6 (1,7)
4 - Você teve problema para se engajar (participar) em atividades da comunidade (por exemplo, festividades, atividades religiosas ou outra atividade) da mesma forma que qualquer outra pessoa consegue? 298 (85,1) 33 (9,4) 15 (4,3) 4 (1,1) 0 (0,0)
5 - Você foi emocionalmente afetado por seus problemas de saúde? 261 (74,6) 47 (13,4) 29 (8,3) 11 (3,1) 2 (0,6)
6 - Caminhar uma grande distância, tal como um quilômetro (cerca de 10 quadras)? 170 (48,6) 51 (14,6) 72 (20,6) 43 (12,3) 14 (4,0)
7 - Lavar seu corpo todo? 310 (88,6) 21 (6,0) 18 (5,1) 0 (0,0) 1 (0,3)
8 - Vestir-se? 287 (82,0) 36 (10,3) 24 (6,9) 3 (0,9) 0 (0,0)
9 - Manter uma amizade? 303 (82,6) 31 (8,9) 15 (4,3) 1 (0,3) 0 (0,0)
10 - Seu trabalho no dia a dia? 289 (82,6) 37 (10,6) 19 (5,4) 4 (1,1) 1 (0,3)

Observamos que a distribuição do escore do WHODAS 2.0-BO em percentis aumentou com o avanço da idade, na presença de três ou mais doenças crônicas e quando se percebe uma interferência muito grande das dificuldades funcionais na rotina diária. As mulheres se diferenciam dos homens com escores mais altos, a partir do percentil 75 (Tabela 4). Entretanto, a análise realizada por teste não paramétrico U de Mann-Whitney entre WHODAS 2.0-BO e sexo não mostrou diferença estatisticamente significante (p = 0,982).

Tabela 4 Distribuição do escore do WHODAS-BO em percentis (pela média ponderada), com 10 itens, segundo faixa etária, sexo, número de doenças crônicas e percepção de interferência das dificuldades funcionais na rotina diária. 

Variável Percentis
25 50 75 90
Amostra total - Sexo 0,0 2,0 6,0 12,0
Homens 0,2 3,0 5,0 9,0
Mulheres 0,0 2,0 7,0 12,0
Faixa etária (anos)
60–69 0,0 2,0 5,0 10,3
70–79 0,0 3,0 7,0 12,0
80 ou mais 2,0 4,0 7,0 14,5
Número de doenças
0 0,0 0,0 2,0 7,0
1–2 0,0 2,0 5,0 10,0
3 ou mais 2,0 4,0 8,0 14,0
Quanto as dificuldades interferem na sua vida
Nada 2,0 3,0 4,0 7,0
Leve 0,0 1,0 3,0 5,0
Médio 2,0 4,0 7,5 13,6
Muito 6,0 10,0 14,0 18,3
Totalmente 7,5 11,0 17,0

Dentre as faixas etárias, foram observadas diferenças estatisticamente significantes no escore do WHODAS 2.0-BO (teste de Kruskal-Wallis, p = 0,025), assim como para número de doenças crônicas, percepção subjetiva de saúde e interferência das dificuldades relatadas na rotina diária (p < 0,001) (Quadro).

Quadro WHODAS 2.0- BO (Brazilian version for older people)*

Nos últimos 30 dias, quanta dificuldade você teve em (ou para):
1 - Ficar em pé por períodos tão longos como 30 minutos? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
2 - Cuidar das suas responsabilidades com seu lar? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
3 - Aprender uma nova tarefa, por exemplo, como chegar a um lugar novo? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
4 - Você teve problema para se engajar (participar) em atividades da comunidade (por exemplo, festividades, atividades religiosas ou outra atividade) da mesma forma que qualquer outra pessoa consegue? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
5 - Você foi emocionalmente afetado por seus problemas de saúde? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
6 - Caminhar uma grande distância, tal como um quilômetro (cerca de 10 quadras)? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
7 - Lavar seu corpo todo? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
8 - Vestir-se? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
9 - Manter uma amizade? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo
10 - Seu trabalho no dia a dia? Nenhum Leve Médio Grave Extremo/Não consigo

*Michele LPF. O impacto dos fatores ambientais na incapacidade funcional de idosos: a importância de políticas públicas que valorizem o Aging in place [Tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública; 2018 [citado 16 dez 2018]. https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-23032018-094707

DISCUSSÃO

Ao examinar os dados normativos do WHODAS 2.0-BO entre idosos da comunidade, identificamos que não houve diferença estatisticamente significante entre homens e mulheres15,16. O escore de incapacidade, medido pelo WHODAS 2.0-BO, foi maior para os idosos mais velhos, analfabetos, com presença de três ou mais doenças crônicas, especialmente associadas à depressão e à hipertensão arterial. Também foi maior entre aqueles que precisavam utilizar dispositivos de auxílio à marcha, que necessitaram de mais de 10 segundos para a realização do TUGT, e que tinham dificuldade para enxergar ou escutar. Além disso, a percepção subjetiva de saúde ruim ou muito ruim e a percepção de prejuízo nas atividades rotineiras por conta das dificuldades nas tarefas avaliadas foram fortemente associadas a um escore mais alto no WHODAS 2.0-BO.

Observamos que o escore do WHODAS 2.0-BO apresentou uma grande concentração de respostas “nenhuma dificuldade” (escore 0), o que corrobora com dados de outros artigos que analisaram a distribuição do escore do WHODAS 2.0 com 12 itens15,17. Essa característica do instrumento reforça sua capacidade para medir a incapacidade, e não a funcionalidade, uma vez que não consegue ter especificidade para indicar pequenas diferenças entre indivíduos com dificuldades mínimas ou menor funcionalidade9,18.

Propusemos neste estudo pontos de corte baseados na distribuição por percentis na amostra geral. No percentil 90, espera-se encontrar idosos com muita incapacidade; neste estudo, os idosos pontuaram acima de 12 no WHODAS 2.0-BO e, portanto, podem ser classificados com incapacidade grave. Incapacidade moderada seria encontrada entre aqueles que pontuam entre seis a 11 e incapacidade leve, entre os que pontuam entre dois e cinco.

Ao usar a versão de 12 itens, o escore por pontuação simples (cuja soma pode variar entre zero – sem incapacidade – a 48 pontos – com incapacidade completa) ou o escore por teoria item-resposta (0–100), produzem escores similares sem alterações substanciais de interpretação dos resultados17. Em dados normativos populacionais da versão 12 itens apresentados pela OMS, 50% da população pontuou zero (nenhuma dificuldade). No percentil 90 da população, ficaram aqueles que pontuaram 17 (de uma métrica de zero a 100)7. Em outro estudo, com dados normativos da população australiana17, 45% da população teve escore zero (sem nenhuma dificuldade). As pessoas mais prováveis de experimentar incapacidade (percentil 90) pontuaram acima de 10 (escala de 0–48 pontos). Os escores aumentaram à medida que houve aumento da idade (quando controlado por sexo), o que sugere um escore baseado na faixa etária: para as pessoas com 65 a 74 anos de idade, a média de escores foi de 3,7 (DP = 5,5) pontos, um indicativo de incapacidade leve; para aqueles com 75 a 85 anos, a média foi de 5,7 (DP = 7,1) pontos, indicando incapacidade moderada. Moreira et al.19, que também utilizaram a soma simples para os resultados em 144 idosos em Portugal, encontraram como valor médio do WHODAS 2.0 12 itens 2,5 (DP = 4,45) pontos, que também aumentou com a idade. Idosos com 74 a 85 anos pontuaram 3,4 (DP = 3,2) em média.

O aumento do escore do WHODAS 2.0-BO foi associado ao aumento de comorbidades, especialmente as relacionadas à função de saúde mental (depressão) e física. Isso pode ser atribuído não somente ao desenho do instrumento que agrega o levantamento de tarefas que consideram a questão emocional e de desempenho físico, mas também à evidência de que tais doenças tenham uma característica mais incapacitante entre idosos do que outras20-22.

O escore do WHODAS 2.0-BO foi maior com o aumento da idade, o que indica que esse aumento está associado com a incapacidade23. Esse achado corrobora outros estudos brasileiros que associam o peso do envelhecimento à funcionalidade. É importante ressaltar, entretanto, que a maioria desses estudos utilizou como medidas a avaliação de dependência para atividades instrumentais e básicas da vida diária5,21,24,25. Não encontramos nenhum estudo populacional que tenha analisado incapacidade de idosos brasileiros com a utilização do WHODAS 2.0.

Observamos que os idosos que percebiam a saúde como muito ruim apresentaram escores muito altos no WHODAS 2.0-BO (média de 12 pontos), reforçando achados que indicam a autoavaliação de saúde como um bom preditor de mortalidade e incapacidade entre idosos. A autoavaliação de saúde reflete a percepção integrada entre as dimensões física, psicológica e social de saúde do indivíduo, o que reforça o conceito de saúde da OMS quanto à importância do bem-estar multidimensional, e não somente da ausência de doenças26-28. Neste estudo, a presença de pelo menos uma doença crônica foi indicada por 89% da amostra, mas somente 7,4% desta referiu a própria saúde como ruim ou muito ruim26.

Dificuldade de mobilidade, evidenciada pelo desempenho no TUGT e pela necessidade de uso de dispositivos de auxílio à marcha, foi fortemente associada com maior escore do WHODAS 2.0-BO. Dificuldades em mobilidade são frequentemente citadas como os primeiros sinais de incapacidade, fragilidade e quedas29,30. Esses dados são tão importantes na funcionalidade do idoso que já têm sido identificados como preditores de mortalidade, como o encontrado no estudo longitudinal de 11 anos de Bergland et al. em 201730.

Este estudo apresenta limitações nos achados referentes ao tamanho da amostra e sua representatividade, uma vez que incluímos uma amostra de conveniência e não foram incluídos idosos institucionalizados (que, provavelmente, seriam mais incapacitados). Não foi realizada também a validade de critério, devido à ausência de um instrumento padrão ouro na coleta de dados que pudesse ser utilizado para esse fim. Futuras análises de invariância devem ser realizadas com amostras maiores para a verificação da adequação do escore aqui sugerido. Também são necessários mais estudos transversais para comparabilidade com outras populações, assim como estudos longitudinais para comparabilidade ao longo do tempo.

CONCLUSÃO

Este estudo indicou escores normativos por meio de percentis para a aplicação do WHODAS 2.0-BO em idosos da comunidade. A partir desse critério, foram considerados com incapacidade grave idosos que alcançaram acima de 12 pontos. Ressalta-se, no entanto, a importância de considerar as diferenças de escore segundo a faixa etária. Por meio do escore do WHODAS 2.0-BO, foi identificada uma associação importante entre incapacidade e idade avançada, percepção subjetiva de saúde ruim, desempenho mais lento no teste de mobilidade pelo TUGT, deficiências sensoriais na visão ou audição e presença de doenças crônicas e de depressão. A intervenção precoce sobre esses fatores de risco, facilmente detectáveis, pode prevenir o avanço da incapacidade em idosos.

aMichele LPF. O impacto dos fatores ambientais na incapacidade funcional de idosos: a importância de políticas públicas que valorizem o Aging in place [Tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública; 2018 [citado 16 dez 2018]. https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-23032018-094707

bLima WP. Adaptação cultural para o português falado no Brasil e validação concorrente do Incidental and Planned Exercise Questionnaire (IPEQ) para pessoas idosas [dissertação]. São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo; 2014.

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Recebido: 23 de Novembro de 2017; Aceito: 23 de Março de 2018

Correspondência: Michele L P Ferrer, Rua Afonso de Freitas, 523/73 Paraíso 04006-052 São Paulo, SP, Brasil, E-mail: michele.ferrer@hotmail.com

Contribuição dos Autores: Todos os autores participaram de todas as etapas do artigo, aprovaram a versão final do manuscrito e assumem a responsabilidade pública pelo seu conteúdo.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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