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Jornal Brasileiro de Psiquiatria

versão impressa ISSN 0047-2085

J. bras. psiquiatr. vol.58 no.4 Rio de Janeiro  2009

https://doi.org/10.1590/S0047-20852009000400003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Duração do sono em adolescentes de diferentes níveis socioeconômicos

 

Sleep duration in adolescents of different socioeconomic status

 

 

Maria Perpeto Socorro Leite BernardoI; Érico Felden PereiraII; Fernando Mazzilli LouzadaII; Vânia D'AlmeidaI

IUniversidade Federal de São Paulo (Unifesp)
IIUniversidade Federal do Paraná (UFPR)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Investigar a duração de sono na adolescência em diferentes níveis socioeconômicos.
MÉTODO: Foram investigados 863 adolescentes de 10 a 19 anos em duas escolas de São Paulo, SP, Brasil. As coletas foram realizadas por meio de questionários para identificação de informações sobre os hábitos de sono e nível socioeconômico.
RESULTADOS: A duração média de sono nos dias da semana foi de 8,83(1,87) horas e a prevalência de adolescentes com duração de sono de oito ou menos horas diárias foi de 39,0% nos dias com aula. Adolescentes da classe baixa apresentaram menor duração do sono (p = 0,043). Na análise ajustada, a idade, o nível socioeconômico e o hábito de tirar a sesta foram os principais fatores associados a poucas horas de sono. Os participantes de 18 a 19 anos apresentaram maior prevalência de poucas horas de sono em comparação aos de 10 a 11 anos (PR = 4,78; CI95%: 1,98-11,53), assim como os adolescentes da classe alta em comparação com a classe baixa (PR = 1,48; CI95%: 1,20-1,83).
CONCLUSÃO: Os resultados mostraram associações entre o nível socioeconômico e os hábitos de sono de adolescentes.

Palavras-chave: Sono, privação do sono, adolescente, saúde escolar.


ABSTRACT

OBJECTIVE: To investigate the sleep duration in adolescents of different socioeconomic status.
METHOD: We investigated 863 adolescents from 10 to 19 years in two schools in São Paulo, SP, Brazil. Sleep habits data and socioeconomic status were obtained by questionnaires.
RESULTS: Mean sleep duration on days of the week was 8.83(1.87) hours and the prevalence of adolescents with eight or fewer hours/day was 39.0% on school days (p = 0.043). On adjusted analysis, age, socioeconomic status and taking a nap habit were the main factors associated with few hours of sleep. Older students (aged 18 to 19 years) showed higher prevalence of few hours of sleep when compared to younger students (10 to 11 years) (RP = 4.78; IC95%: 1.98-11.53), as well as for upper class adolescents when compared to those with lower socioeconomic status.
CONCLUSION: Results showed the association between socioeconomic status and adolescents' sleep/wake habits.

Keywords: Sleep, sleep deprivation, adolescent, school health.


 

 

INTRODUÇÃO

As relações entre o contexto socioambiental com os diversos desfechos em saúde e o comportamento das variáveis biológicas é tema contemporâneo nas investigações em saúde coletiva. No Brasil, a discussão sobre as desigualdades em saúde vem ganhando destaque, principalmente, a partir de resultados de investigações populacionais que identificaram um aumento nas prevalências de doenças crônico-degenerativas, especialmente nas populações com baixo nível socioeconômico. A má alimentação, o baixo nível de atividade física e a dificuldade de acesso a serviços de saúde de qualidade, entre outros, são apontados como possíveis causas dessa associação1,2.

No contexto das desigualdades em saúde, os estudos sobre sono têm focado suas análises no comportamento de diferentes etnias, analisando, normalmente, a presença de dissonias3. Os principais estudos, neste contexto, foram realizados com crianças e adolescentes norte-americanos com diferentes origens étnicas, normalmente, comparando origens africanas e europeias e têm verificado uma tendência de jovens com menor nível socioeconômico apresentarem pior qualidade de sono, maiores prevalências de insônia, menor duração do sono, maior frequência de despertares noturnos e apneia4-11.

A adolescência é uma fase de vida marcada por mudanças biopsicossociais importantes, inclusive em relação ao padrão do ciclo vigília-sono. Na puberdade, pode ser identificado um atraso de fase, caracterizado por horários tardios de dormir e acordar que, somados aos horários sociais e de início das aulas pela manhã, levam a uma importante diminuição das horas de sono12-14. Por conseguinte, uma duração inadequada de sono está associada a um aumento da sonolência diurna, dificuldades de aprendizagem, diminuição da qualidade de vida e maiores prevalências de doenças como a obesidade7,15,16.

A literatura17-18 aponta que as atividades sociais e hábitos em geral têm apresentado um deslocamento para horários cada vez mais noturnos, enquanto as aulas têm começado cada vez mais cedo, levando a uma importante diminuição das horas de sono e um persistente débito de sono no decorrer da semana. Além da escassez de estudos que tratem de comportamentos do sono relacionados aos fatores socioeconômicos em crianças e adolescentes nos países em desenvolvimento, não foram encontradas análises da tendência de duração do sono no decorrer da adolescência nos diferentes níveis socioeconômicos. Dessa forma, objetivou-se neste estudo investigar o comportamento da duração do sono de adolescentes de 10 a 19 anos de diferentes níveis socioeconômicos.

 

MÉTODOS

O estudo foi conduzido entre agosto e novembro de 2005 com adolescentes residentes em São Paulo, SP, Brasil, e trata-se de uma pesquisa de cunho transversal. A amostra foi composta de 863 crianças e adolescentes de área urbana, estudantes de duas escolas, uma no centro da cidade e outra em região periférica. Foram incluídos no estudo estudantes do sexo masculino e feminino das quatro últimas séries do ensino fundamental e das duas primeiras séries do ensino médio (idades entre 10 e 19 anos). Um total de 463 estudantes da Escola A (EECMA) e 400 da Escola B (EEMLAMR) participaram do estudo. Foram incluídos na amostra os alunos com idades de 10 a 19 anos, que estavam presentes em sala de aula no momento das coletas, preencheram adequadamente os instrumentos de pesquisa, aceitaram e foram autorizados a participar da amostra.

Procedimentos

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (CEP # 0857/04). Todos os estudantes das duas escolas foram convidados a participar das coletas de forma voluntária e com autorização dos responsáveis. Os participantes responderam a um questionário de hábitos de sono e um de avaliação socioeconômica. Os questionários foram aplicados dentro da sala de aula, depois de o consentimento ter sido obtido das autoridades escolares. Após uma breve explicação sobre o objetivo do estudo, os estudantes levaram entre 15 e 30 minutos para responder aos questionários.

Avaliações

Os comportamentos relacionados ao sono foram coletados por meio de um questionário19 com questões sobre a existência de algum problema de saúde e a ocorrência de um possível distúrbio de sono. A duração do sono foi identificada considerando os horários de dormir e acordar durante os dias com e sem aula. O nível socioeconômico foi avaliado seguindo as recomendações propostas pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP)20, que considera a posse de bens móveis e o grau de escolaridade do chefe da família, classificando os adolescentes nas classes A1, A2, B1, B2, C, D e E. Para esse estudo, considerou-se classe alta (A1, A2, B1 e B2), média (C) e baixa (D e E).

Análise estatística

As diferenças entre a duração do sono considerando idade, escolas, gênero e classes sociais foram analisadas por meio do teste Kruskal-Wallis, sendo complementado pelo teste de comparações múltiplas de Dunn, quando se observou diferença estatisticamente significante. Para a identificação de diferenças entre proporções nas variáveis categóricas, foi aplicado o teste Qui-Quadrado. Com o objetivo de analisar as variáveis associadas à duração de sono de oito ou menos horas, controlando possíveis fatores de confusão, foi utilizada a regressão de Poisson21 considerando como variáveis independentes: idade, sexo, escola, nível socioeconômico, turno escolar, trabalho e sesta. As variáveis selecionadas para o modelo ajustado foram aquelas que apresentaram p < 0,25 no teste do Qui-Quadrado22. Adotou-se, em todas as análises estatísticas, um nível de probabilidade de significância de 5%.

 

RESULTADOS

A duração média de sono nos dias com aula foi de 8,83(1,87) horas. A prevalência de participantes com duração de sono de oito ou menos horas foi de 39,0% nos dias com aula e 23,2% nos dias sem aula (Tabela 1). Não foram observadas diferenças significativas na duração do sono entre os sexos nos dias com aula (p = 0,111) e sem aula (p = 0,551). Da mesma forma, não foram observadas diferenças na duração do sono entre as escolas A e B nos dias com aula (p = 0,175) e nos dias sem aula (p = 0,177).

 

 

As comparações entre as classes socioeconômicas mostraram diferenças significativas na duração do sono nos dias com aula (p = 0,043), no horário de dormir nos dias sem aula (p = 0,033) e no horário de acordar nos dias com aula (p = 0,040) (Figuras 1, 2 e 3). As análises de comparações múltiplas mostraram diferenças na duração do sono entre as classes baixa e média e baixa e alta (p < 0,005) durante os dias com aula e a duração do sono apresentou tendência de diminuição com o aumento do nível socioeconômico (Figura 1). Os jovens da classe alta dormiam mais tarde em relação aos da classe baixa nos dias sem aula (p < 0,005), não sendo observadas diferenças considerando a classe média (Figura 2). As classes baixa e média apresentaram comportamentos diferenciados em relação ao horário de acordar nos dias com aula, sendo que os jovens de classe média acordam mais cedo (p < 0,005), conforme mostra a figura 3. Na comparação da duração do sono entre jovens trabalhadores e não trabalhadores (Figura 4) foram observadas diferenças significativas considerando as classes baixa (p < 0,001) e média (p = 0,011), e tais diferenças não se mantiveram analisando-se a duração do sono nos fins de semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

As análises de atraso no horário de dormir e da diminuição das horas de sono com o avanço da idade na adolescência, considerando o nível socioeconômico, foram apresentadas nas figuras 5 e 6, que mostraram uma tendência de diminuição das horas de sono e um atraso no horário de dormir menos evidente, especialmente no final da puberdade, na classe baixa. A análise de razões de prevalências (Tabela 2) mostrou que os jovens da classe alta apresentaram prevalências de oito ou menos horas de sono 1,48 vez maior que os da classe baixa. Na análise ajustada, a idade, o nível socioeconômico, o turno escolar e o hábito de tirar a sesta apresentaram-se como fatores associados a poucas horas de sono. Os adolescentes de 18 a 19 anos apresentaram maior prevalência de poucas horas de sono em comparação aos de 10 a 11 anos (PR = 4,78; CI95%: 1,98-11,53), assim como os adolescentes da classe alta em comparação com a classe baixa (PR = 1,48; CI95%: 1,20-1,83).

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

As associações entre os padrões de sono, o nível socioeconômico e as condições de vida são relevantes, especialmente, para a formulação de políticas públicas e educacionais para saúde de crianças e adolescentes e carecem de melhores esclarecimentos. Apesar disso, a diminuição das horas de sono, independente da classe social, em crianças e adolescentes, é preocupante7,11,18. Javaheri et al.11, investigando jovens norte-americanos de 13 a 16 anos, verificaram que, mesmo após ajustes por sexo, estado nutricional, nível socioeconômico e comorbidades, a baixa duração do sono e a qualidade ruim do sono estiveram associadas, por exemplo, a maiores prevalências de hipertensão.

A duração média de sono observada neste estudo foi semelhante à da investigação com jovens de São Paulo realizada por Teixeira et al.23 que identificou uma duração média de sono de 8,8 horas para adolescentes não trabalhadores. Também foi semelhante à duração encontrada em estudantes do ensino médio da Nova Zelândia (8,6 horas)24. No entanto, a prevalência de indivíduos que dormem oito ou menos horas encontrada nos jovens de São Paulo (39,0%) foi menor que a observada em jovens argentinos (49,0%)18. Embora não se saiba, com precisão, qual a necessidade média de sono na adolescência, muitos jovens necessitam mais de 9 horas de sono25,26.

A principal variável associada a menos de 8 horas de sono nos adolescentes investigados foi a idade, e os jovens apresentaram uma diminuição das horas de sono com o avanço da adolescência. Mudanças nos comportamentos de sono na adolescência devem-se tanto a um aumento das obrigações escolares, atividades sociais e inserção do mundo do trabalho como atividades como televisão e internet que podem colaborar para que os adolescentes deitem-se mais tarde e fiquem mais sonolentos27. Além disso, fatores maturacionais levam os adolescentes a apresentarem uma diminuição nas horas de sono, em razão de uma maior lentidão na inibição da secreção de melatonina no início da fase clara do dia, especialmente, nas fases tardias da puberdade, bem como uma acumulação mais lenta da propensão para o sono durante o dia27.

Os dados analisados mostraram uma tendência menos evidente de diminuição de horas de sono durante a adolescência nas classes socioeconômicas mais baixas. Embora uma descrição semelhante não tenha sido encontrada na literatura consultada, Moore e Meltzer4 apontam que existe uma importante interdependência entre nível educacional e socioeconômico, qualidade do sono e indicadores gerais de saúde. Na literatura consultada, os estudos com diferentes etnias são os que mais se aproximaram desse contexto.

A literatura5,6 aponta que, de forma geral, os jovens menos favorecidos apresentaram uma tendência de pior qualidade do sono e isso está associado, entre outros fatores, às condições ruins do ambiente de morar e dormir. Por outro lado, estudos também apontam para a associação entre baixa duração do sono com mais horas em frente à televisão, assistir à televisão à noite, uso de videogame e internet que poderiam estar associados, em certas realidades, a um maior poder aquisitivo28, o que parece estar mais coerente com os resultados encontrados em São Paulo.

Os resultados com os jovens de São Paulo apontaram para uma duração do sono maior nas classes mais baixas, motivada, especialmente, pelos horários de dormir mais tarde e acordar mais cedo da classe alta. Além disso, independente da classe socioeconômica, o turno escolar mostrou-se uma variável fortemente associada à duração do sono, confirmando dados da literatura que apontam que os adolescentes em dias com aula, especialmente, quando estudam ou trabalham pela manhã, apresentam maior privação de sono14,18.

Outra variável importante ao se analisar o sono dos adolescentes em diferentes níveis socioeconômicos é o envolvimento com o mundo do trabalho. Embora o trabalho não tenha sido uma variável significativa na análise ajustada e não terem sido analisados o turno e a duração deste, houve uma tendência de menor duração do sono nos adolescentes trabalhadores em todas as classes sociais, confirmando dados da literatura23,29. Além disso, o envolvimento com o trabalho pode ter levado os adolescentes da classe baixa, por exemplo, a manterem certa regularidade no horário de dormir no final da adolescência.

Em amostras brasileiras, não foram encontrados dados populacionais sobre a quantidade de sono em diferentes níveis socioeconômicos. O estudo de Petry et al.30 se propôs a analisar questões relacionadas ao sono em jovens de classes baixas. Os autores discutiram, com base nos resultados de análises de jovens do município de Uruguaiana, RS, que baixos níveis socioeconômicos podem estar associados a maiores aglomerações familiares, tabagismo passivo e maiores incidências de infecções de vias aéreas, podendo aumentar a chance de surgimento de problemas respiratórios e do sono. Entretanto, o estudo não apresentou o controle da classe socioeconômica ou renda familiar e os autores partiram do pressuposto de que a população do município, no geral, apresentava baixo nível socioeconômico.

Os estudos com amostras estrangeiras apontaram, de forma geral, para o contrário do observado em São Paulo, um maior risco de diminuição da duração e da qualidade de sono nas classes menos favorecidas. Roberts et al.5,6, investigando adolescentes norte-americanos de diferentes origens étnicas, verificaram, por exemplo, que jovens com nível socioeconômico baixo apresentaram prevalências superiores de sonolência.

Segundo Buckhalt et al.3, crianças e adolescentes com menor nível socioeconômico apresentam maiores chances de dividir o quarto, maior número de pessoas morando na residência, dieta ruim e ambiente de dormir inadequado, o que pode levar a uma pior qualidade do sono. Neste mesmo contexto, DeSantis et al.10 sugerem que, além dos fatores genéticos, uma maior exposição ao estresse pré-natal, baixo peso ao nascer, experiências adversas na infância, experiências com racismo e discriminação podem ser fatores relevantes para o comportamento dos ritmos biológicos.

De forma geral, embora não se tenha encontrado uma descrição da duração de sono e do atraso de fase em diferentes níveis socioeconômicos, os resultados do presente trabalho apontam para possíveis particularidades dos jovens brasileiros quando comparados, especialmente, com populações norte-americanas em estudos que, normalmente, associam um nível socioeconômico mais baixo às etnias de origens africanas. Possíveis causas dessas diferenças podem estar relacionadas a uma menor segregação racial nas escolas públicas em que foram conduzidas as coletas e, também, ao menor percentual de jovens da classe alta nessas escolas.

Além da idade, do nível socioeconômico e do turno escolar, o hábito da sesta também se apresentou como um fator importante para a diminuição da quantidade de sono noturno. Uma diminuição das horas de sono, neste caso, pode ser explicada pelos mecanismos homeostáticos de regulação do sono12. A ocorrência da sesta atrasaria a propensão ao sono noturno, retardando seu início.

As principais limitações deste estudo referem-se ao desenho da investigação e à análise de algumas variáveis. O não acompanhamento longitudinal dos hábitos de sono impede possíveis análises de causa e efeito, permitindo apenas uma discussão de associações. Além disso, inúmeras variáveis, como problemas psiquiátricos e clínicos, utilização de medicamentos, ingestão de alguns alimentos, o turno e a duração do trabalho, entre outras, podem influenciar nos comportamentos de sono dos adolescentes e devem ser analisadas com maior profundidade em futuros estudos.

 

CONCLUSÕES

Das variáveis investigadas, os principais fatores associados a oito ou menos horas de sono na adolescência foram a idade, o nível socioeconômico, o turno escolar e o hábito da sesta. Os adolescentes com maior nível socioeconômico apresentaram uma tendência de menor duração do sono, dormindo mais tarde e acordando mais cedo que os demais grupos. Os jovens dos níveis socioeconômicos mais baixos apresentaram um atraso nos horários de dormir menos evidente com o avanço da adolescência. Recomendam-se análises mais detalhadas sobre os padrões de sono no decorrer da adolescência em jovens de diferentes níveis socioeconômicos, especialmente, com análises de fatores de confusão como raça, número de pessoas no quarto e na casa, hábitos alimentares, estado nutricional, problemas respiratórios e psiquiátricos, entre outros.

 

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Endereço para correspondência:
Érico Felden Pereira
Rua Otacílio Chaves, 253
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – 97045-360 – Santa Maria, RS
E-mail: ericofelden@gmail.com

Recebido em 2/10/2009
Aprovado em 10/12/2009

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