SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 issue91Morphometric characters of Difflugia corona (Testacea, Difflugidae) in lentic environments of Chaco, ArgentinaChaetogyne zoae sp. nov. (Diptera, Tachinidae author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721On-line version ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool.  no.91 Porto Alegre Nov. 2001

https://doi.org/10.1590/S0073-47212001000200012 

DESCRIÇÃO DE OROPEZELLA PSEUDOTETRAOCELLATA SP. NOV. (DIPTERA, EMPIDIDAE, OCYDROMIINAE)

 

Rosaly Ale-Rocha1

 

 

ABSTRACT

DESCRIPTION OF OROPEZELLA PSEUDOTETRAOCELLATA SP. NOV. (DIPTERA, EMPIDIDAE, OCYDROMIINAE). A new species from southeastern and southern of Brazil is described and illustrated, Oropezella pseudotetraocellata.

KEYWORDS. Diptera, Empididae, Oropezella, Taxonomy, Neotropical.

 

 

INTRODUÇÃO

O gênero Oropezella Collin tem uma larga distribuição incluindo as regiões Australiana, Neotropical e Paleártica. A espécie-tipo, O. sphenoptera (Loew, 1873) é paleártica. O gênero caracteriza-se pela asa estreita, célula dm com 2 nervuras, Rs longa surgindo próximo do meio da célula bm, lobo anal estreito, antenas localizadas acima do meio da cabeça, flagelo curto e arista longa. Na Região Neotropical são conhecidas sete espécies, uma chilena e seis brasileiras (Smith, 1962, 1967). As espécies brasileiras diferem da espécie-tipo, revisada por Chvála (1983), pelo par dorsocentral pré-escutelar diferenciado, provavelmente uma característica das espécies neotropicais deste gênero. A espécie chilena difere em vários aspectos de O. sphenoptera, como o flagelo longo, arista ausente, célula dm com 3 veias e provavelmente pertence a outro gênero.

Propõe-se mais uma espécie para o gênero Oropezella procedente do Brasil.

O material é proveniente das seguintes instituições: Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZSP), Coleção de Entomologia Padre Jesus Santiago Moure, Curitiba (UFPR) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus (INPA).

A terminologia adotada é a de McAlpine (1981), exceto para a terminália masculina que segue Cumming et al. (1995).

 

Oropezella pseudotetraocellata sp. nov.
(Figs. 1-11)

Diagnose. Antena localizada no alto da cabeça, à frente dos ocelos; fronte obliterada pela posição da antena; 4 ocelos aparentes; face longa; tórax pruinoso, castanho, exceto a propleura, catepisterno e catepímero amarelos; acrosticais e dorsocentrais unisseriadas; abdome castanho, brilhante; pernas amarelas, exceto 3 tarsômeros distais anteriores e médios, tarso posterior e 2/3 distais da tíbia posterior castanhos.

Holótipo . Corpo, 2,9 mm. Asa, 2,8 mm. Cabeça (figs. 1, 2): antena castanho-clara localizada no alto da cabeça, à frente dos ocelos; escapo tão longo quanto o pedicelo e flagelo juntos; flagelo oval, pouco mais longo que o pedicelo; arista 2 vezes o comprimento da antena. Fronte reduzida, obliterada pela posição da antena. Ocelos amarelos, ocelo mediano subdividido em 2 ocelos adjacentes, aparentando, portanto, 4 ocelos dispostos sobre pequena saliência; 2 pares de cerdas ocelares, sendo o par interno longo e o externo curto. Face longa, facetas anteriores alargadas. Peças bucais castanhas; palpo curto, oval, com 1 cerda pré-apical dorsal longa e delgada; palpífer com 2 cerdas longas e delgadas; probóscide com cerdas distintas. Pós-crânio castanho, com pruína castanha; pós-oculares unisseriadas, alongadas, as superiores mais longas que as demais; cerdas ocipitais irregularmente unisseriadas, mais abundantes e curtas que as pós-oculares. Tórax: castanho, exceto a propleura, catepisterno e catepímero amarelos; pruína castanha com tons de cinza; protórax com cerdas marginais curtas; escuto com cerdas curtas, esparsas, acrosticais e dorsocentrais unisseriadas. Cerdas destacadas: 1 notopleural, 1 dorsocentral pré-escutelar, 1 pós-alar, 2 pares escutelares. Abdome: castanho, brilhante; cerdas amarelas e delgadas, mais longas nas margens distais dos tergitos. Pernas: amarelas, exceto 3 tarsômeros distais anteriores e médios, tarso posterior e 2/3 distais da tíbia posterior castanhos; delgadas com cerdas amarelas. Cerdas destacadas: 1 anterior robusta próxima do ápice no fêmur médio e posterior; 1 póstero-dorsal no 1/3 basal, 1 anterior mediana e 1 anterior pré-apical, longas, na tíbia média; 1 ântero-dorsal mediana na tíbia posterior. Asa (fig. 3): suavemente acastanhada com nervuras castanhas e cerdas marginais amarelas; célula discal estreita. Haltere amarelo. Terminália (figs. 4-8): assimétrica, pruinosa; lamela epandrial esquerda mais curta que a direita; surstilo esquerdo longo e delgado com 1 cerda longa apical; surstilo direito mais curto e robusto que o esquerdo; falo cilíndrico, robusto, com apêndice distal bífido tão longo quanto o falo.

Fêmea similar ao macho. Ovipositor (figs. 9-11): tergito 10 projetando-se dorsolateralmente; esternito 10 pequeno; cercos pré-apicais.

Discussão. Oropezella pseudotetraocellata é facilmente distinguida das outras espécies conhecidas do gênero pelos ocelos aparentemente em número de 4 e antena localizada muito adiante do meio da cabeça, em posição quase vertical.

Material-tipo. BRASIL, São Paulo, Salesópolis (Est. Biol. Boracéia), holótipo , IX. 1948, M.P. Barreto (MZSP); Rio de Janeiro, Itatiaia (Maromba), alótipo , VIII.1946, Barreto col. (MZSP). Parátipos: São Paulo, São Paulo (Cidade Jardim), , XII.1945, Barreto col. (MZSP); Paraná, Antonina (Reserva Sapitanduva), , 29.IX.1986 (UFPR); , 12.X.1986, Equipe PROFAUPAR, Malaise (UFPR); Guarapuava (Est. Águas Sta. Clara), , 30.XI.1986, Equipe PROFAUPAR, Malaise (UFPR); Santa Catarina, Nova Teutônia (27o11'L), , IX.1964, Plaumann (MZSP); , XI.1964 (MZSP); , XI.1971 (MZSP); , XI.1972 (MZSP).

Etimologia. Grego, pseudo = falso, tetra = quatro, alusivo aos quatro ocelos aparentes.

Agradecimentos. Aos curadores das coleções responsáveis pelo empréstimo do material: José Albertino Rafael (INPA), Claudio José Barros de Carvalho (UFPR) e Ubirajara Martins (MZSP).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Chvála, M. 1983. The Empidoidea (Diptera) of Fennoscandia and Denmark. II. General Part. The families Hybotidae, Atelestidae and Microphoridae. Fauna ent. scand., Copenhagen, 12:1-279.         [ Links ]

Cumming, J. M.; Sinclair, B. J. & Wood, D. M. 1995. Homology and phylogenetic implications of male genitalia in Diptera-Eremoneura. Ent. scand., Copenhagen, 26:120-151.         [ Links ]

McAlpine, J. F. 1981. Morphology and terminology. In: McAlpine, J. F. et al. eds. Manual of Nearctic Diptera. Ottawa, Res. Branch, Agriculture Canada, v.1, p. 9-63. (Monograph nr 27).         [ Links ]

Smith, K. G. V. 1962. Studies on the Brazilian Empididae (Diptera). Trans. R. ent. Soc. Lond., London, 114:195-266.         [ Links ]

___. 1967. Family Empididae (Empidae, Hybotidae). In: A catalogue of Diptera of Americas South of the United States. São Paulo, Departamento de Zoologia, Secretaria de Agricultura. v. 39, 67 p.         [ Links ]

 

 

Recebido em 23.01.2001; aceito em 02.04.2001.

 

 

1. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Caixa Postal 478, CEP 69011-970, Manaus, Amazonas, Brasil. (alerocha@inpa.gov.br)

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License