SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.107 suppl.Checklist de Chironomidae para o estado de Mato Grosso do SulLista das espécies de Pantophthalmidae e Stratiomyidae (Diptera, Stratiomyioidea) do estado do Mato Grosso do Sul, Brasil índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721versão On-line ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.107  supl.0 Porto Alegre  2017  Epub 02-Maio-2017

https://doi.org/10.1590/1678-4766e2017129 

Articles

Checklist de Simuliidae (Insecta, Diptera) do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil

Checklist of Simuliidae (Insecta, Diptera) of state of Mato Grosso do Sul, Brazil

Nayara Karla Zampiva1  2 

Mateus Pepinelli3 

1Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Universidade Federal da Grande Dourados, Rod. Itahum-Dourados, Km 12, Unidade II, Dourados-MS, Brasil.

2Laboratório de Zoologia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, Brasil.

3Department of Natural History, Royal Ontario Museum, Toronto, Canadá. (mateuspepi@yahoo.com.br)


RESUMO

Este trabalho apresenta uma listagem de espécies de simulídeos no Mato Grosso do Sul e traz informações sobre a distribuição das espécies em 47 corpos d’água das duas grandes bacias hidrográficas do estado: Paraná e Paraguai. No total foram reportadas 18 espécies para o estado, incluindo dois novos registros: Simulium dinellii (Joan, 1912) e Simulium virescens Hamada, Silva & Pereira, 2012.

PALAVRAS-CHAVE Pium; Borrachudo; Distribuição geográfica; Novos registros; Programa Biota-MS

ABSTRACT

This study provides a checklist of Simuliidae species in the state of Mato Grosso do Sul along with information on distribution of species in 47 rivers and streams of the two major river basins in the State: Paraná and Paraguay. Eighteen species were reported to the state, including two new records: Simulium dinellii (Joan, 1912) and Simulium virescens Hamada, Silva & Pereira, 2012.

KEYWORDS Black flies; geographical distribution; new records; Biota-MS Program

Simuliidae, conhecidos popularmente como borrachudos, constituem um grupo de dípteros cosmopolita que possui reconhecida importância, devido principalmente aos adultos de algumas espécies serem vetores de doenças, tais como a oncocercose e mansonelose ( Shelley & Coscarón, 2001).

De acordo com Adler & Crosskey (2015) existem atualmente 2.177 espécies de Simuliidae válidas (incluindo 12 fósseis) das quais aproximadamente 360 são encontradas na Região Neotropical (Currie & Adler, 2008), sendo 92 ( Adler & Crosskey, 2015; Hamada et al., 2015) registradas para o Brasil. Três gêneros de Simuliidae estão registrados para o Brasil: Araucnephia Wygodzinsky & Coscarón, 1973 com duas espécies, Lutzsimulium d’Andreatta & d’ Andreatta, 1947 com quatro espécies e Simulium Latreille, 1802 com 86 espécies. No estado de Mato Grosso do Sul 14 espécies são registradas ( Eaton et al., 1998; Adler & Crosskey, 2015).

As larvas são aquáticas, reofílicas (dependem de correnteza) e filtradoras, alimentando-se de partículas orgânicas finas (FPOM) dissolvidas e suspensas na água ( Alencar et al., 2001). São comumente encontradas em corpos d’água com alto teor de oxigênio dissolvido e com variações na quantidade de matéria orgânica ( Strieder et al., 2002; Strieder et al., 2006). As larvas de último estádio constroem um casulo, produzido com seda secretada pelas glândulas salivares, para dar inicio ao estágio de pupação. Já os adultos são terrestres e ambos os sexos podem se alimentar de néctar e somente as fêmeas de algumas espécies são hematófogas, pois necessitam de sangue de vertebrados para completar o desenvolvimento dos ovos. Dependendo da preferência hematofágica, podem ser zoofílicas, ornitofílicas ou antropofílicas ( Crosskey, 1990; Coscarón & Coscarón-Arias, 2007).

A maioria dos registros de ocorrência de Simuliidae para o Mato Grosso do Sul foram realizados por Coscarón (1991), Coscarón & Coscarón-Arias (2007), Adler & Crosskey (2015), porém pouco se sabe sobre as localidades, as datas, os coletores das espécies e o material examinado proveniente desse estado. Dessa forma, neste trabalho apresentamos a lista de espécies de Simuliidae registrada e georreferenciada no estado de Mato Grosso do Sul.

MATERIAL E MÉTODOS

O estado de Mato Grosso do Sul possui uma área de 357.124,962 km², banhado por duas grandes bacias hidrográficas: (1) do Rio Paraná com uma área total de 169.488,662 km², a leste, que se destacam os rios: Aporé, Sucuriú, Verde, Brilhante, Pardo, Ivinhema, Amambai e Iguatemi e (2) do Rio Paraguai com área total de 187.636,300 km², ao lado oeste, com destaque para os rios Taquari, Miranda, Aquidauana, Negro e Apa ( ZEE-MS, 2007).

Para a elaboração dessa lista de espécies foram utilizadas duas fontes de informações, a primeira foi a identificação do material recentemente coletado dentro do projeto “Distribuição de Simuliidae do estado do Mato Grosso do Sul”, no programa Entomologia e Conservação da Biodiversidade (UFGD). As coletas ocorreram em 47 pontos abrangendo as seguintes sub-bacias do Mato Grosso do Sul: Rio Sucuriú, Rio Verde, Amambai, Brilhante, Aquidauana e Apa ( Fig. 1, Tab. II) durante os meses de setembro de 2011 a maio de 2012. Todos os pontos foram amostrados apenas uma vez, e os espécimes coletados manualmente em um trecho de 100 metros de cada corpo d’água. A segunda fonte de informação foi a consulta de trabalhos publicados ( Eaton et al., 1998; Hamada & Adler, 1999; Coscarón & Coscarón-Arias, 2007; Adler & Crosskey, 2015). Dada a importância de disponibilizar informações sobre a distribuição das espécies, foram incluídas no checklist todas as localidades de ocorrência dentro do estado.

Fig. 1 Mapa dos 47 pontos de coleta de similídeos (Diptera: Simuliidae) no estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. 

O material identificado está depositado na coleção entomológica, Museu da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram identificadas um total de 18 espécies de simulídeos, duas delas sendo novas ocorrências para o estado: S. dinellii (Joan, 1912) e S. virescens Hamada, Silva & Pereira, 2012 ( Tab. I). Entretanto, duas espécies que constam em nossa lista foram sinonimizadas por Hernandez et al. (2007, 2008): Simulium subclavibranchium Lutz, 1910 sinonimizada com Simulium subnigrum Lutz, 1910 e Simulium acarayense Coscarón & Wygodzinsky, 1972 sinonimizada com Simulium subpallidum Lutz, 1910, respectivamente. No entanto, corroborando Gil-Azevedo et al. (2012), consideramos que existem diferenças morfológicas e caracteres que diferenciam tais espécies, e que é necessário a utilização de outras abordagens e ferramentas para elucidar o status taxonômico dessas espécies, antes de ser realizada qualquer proposta de sinonimização.

Dentre os novos registros de espécies para o estado do Mato Grosso do Sul, S. dinellii possui ampla distribuição geográfica com registros nas regiões Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro) e Sul (Santa Catarina) ( Adler & Crosskey, 2015). Já S. virescens foi descrita recentemente por Hamada et al. (2012) com registro único no rio Correntina, na região Oeste da Bahia. Nosso dado amplia os registros de ocorrência da espécie em 5 graus de latitude em sentido sul do Brasil, uma vez que a coletamos no rio Sucuriú, município de Costa Rica, Mato Grosso do Sul, na divisa com o estado de Goiás.

Das espécies registradas, Simulium exiguum Rouband, 1906, S. incrustatum Lutz, 1910, S. oyapockense Floch & Abonnenc, 1946 são incriminadas como vetores da Onchocerca volvulus Leuckart na região da Amazônia e Roraima ( Cerqueira, 1959; Moraes & Chaves, 1974; Shelley & Shelley, 1976; Shelley et al., 1997; Shelley & Coscarón, 2001). Shelley et al. (2000, 2001) estudaram espécies que são vetores potenciais de O. volvulus no estado de Goiás e relataram um possível caso de oncocercose no município de Minaçu, no entanto é uma ocorrência isolada e não existem outros registros para a região ou para os estados vizinhos, como o estado de Mato Grosso do Sul. Com relação à S. nigrimanum Macquart, 1983, há indícios de alta incidência de antropofília desta espécie na região foco de Fogo Selvagem na Aldeia Limão Verde, Aquidauana, no Mato Grosso do Sul ( Eaton et al., 1998). No entanto, ainda é controverso a questão do Pênfigo folíaceo como doença e também quanto à disseminação por simulídeos.

Dentre as espécies coletadas, oito possuem ampla distribuição no estado de Mato Grosso do Sul: Simulium pertinax Kollar, 1832, S. incrustatum, S. subnigrum, S. spinibranchium Lutz, 1910, S. subpallidum, S. hirtipupa Lutz, 1910, S. inaequale Paterson & Shanon, 1927 e S. nigrimanum, com ocorrência na maioria dos pontos amostrados ( Tab. I).

Tab. I Lista de espécies de Simulium Latreille, 1802 (Diptera: Simuliidae) do estado de Mato Grosso do Sul, Brasil e localidades de ocorrência (numeração das localidades correspondem àquelas constantes na tabela II) (*, espécie não coletada nesse estudo registrada em Adler & Crosskey, 2012). 

Subgênero Espécie Localidade de ocorrência
( Chirostilbia) Enderlein, 1821
S. dekeyseri Shelley & Py-Daniel, 1981 *
S. pertinax Kollar, 1832 01, 02, 03, 04, 05, 06, 10, 25, 33
S. spinibranchium Lutz, 1910 03, 05, 07, 14, 19, 30
S. subpallidum Lutz, 1910 05, 07, 08, 09, 12, 18, 20, 21, 31, 32, 33, 35, 36, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47
( Hemicnetha) Enderlein, 1934
S. rubrithorax Lutz, 1909 14, 15, 19, 23, 28, 30
( Inaequalium) Coscarón & Wygodzinsky, 1984
S. inaequale Paterson & Shanon, 1927 09, 29, 35, 39, 44, 46, 47
S. subnigrum Lutz, 1910 03, 04, 05, 06, 09, 12, 25, 28, 29, 33
( Notolepria) Enderlein, 1930
S. exiguum Roubaud, 1906 07
( Psaroniocompsa) Enderlein, 1934
S. incrustatum Lutz, 1910 01, 02, 04, 06, 10, 11, 13, 20, 32, 33, 34, 37, 38, 39, 43, 44
S. jujuyense Paterson & Shannon, 1927 *
S. oyapockense Floch & Abonnenc, 1946 38
S. siolii Py-Daniel, 1988 *
( Ectemnaspis) Enderlein, 1934 S. dinellii Joan, 1912 06, 09, 17, 37
S. perflavum Roubaud, 1906 09, 35, 36, 43, 46, 47
( Psilopelmia) Enderlein, 1934
S. virescens Hamada, Silva & Pereira, 2012 07
( Trichodagmia) Enderlein, 1934
S. nigrimanum Macquart, 1983 06, 11, 12, 15, 16, 20, 25, 32
( Thyrsopelma) Enderlein, 1934
S. hirtipupa Lutz, 1910 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27
S. orbitale Lutz, 1910 *

Tab. II Corpos d’água amostrados com código de localidades de coletas e coordenadas geográficas, Mato Grosso do Sul, Brasil. 

Municípios Corpos d’água Cód. Localidades de Coletas Coordenadas
Rio Verde do Mato Grosso Rio Verde 1 18°56’15.47”S, 54°53’55.32”W
Rio Verde do Mato Grosso Rio Verde 2 18°56’15.3”S, 54°54’07.3”W
Rio Verde do Mato Grosso Córrego Cachoeira Bonita 3 18°56’33.3”S, 54°53’54.3”W
Rio Verde do Mato Grosso Rio Verde 4 18°56’15.4”S, 54°54’55.0”W
Rio Verde do Mato Grosso Córrego Sossego 5 18°55’46.3”S, 54°54’39.8”W
Costa Rica Córrego Ribeirão de Baixo 6 18°33’51.13”S, 53°7’58.20”W
Costa Rica Rio Sucuriú 7 18°26’2.79”S, 53°2’22.54”W
Costa Rica Cachoeira da Lage 8 18°31’19.26”S, 53°0’42.74”W
Costa Rica Córrego Lage 9 18°31’20.44”S, 53°0’49.84”W
Itaquiraí Córrego São Luiz 10 23°29’55.59”S, 54°4’4.06”W
Itaquiraí Córrego Itaquiraizinho 11 23°30’36.5”S, 54°9’16.5”W
Aquidauana Córrego Fundo (APP UEMS) 12 20°26’5.4”S, 55°39’33.7”W
Aquidauana Rio Aquidauana 13 20°29’1.28”S, 55°38’28.92”W
Aquidauana Córrego Morcego 14 20°27’3.28”S, 55°37’18.49”W
Aquidauana Córrego Paxixi 15 20°29’25.9”S, 55°34’25.6”W
Aquidauana Córrego das Antas 16 20°29’14.1”S, 55°33’26.4”W
Aquidauana Córrego Acogo 17 20°30’15.8”S, 55°50’58.4”W
Aquidauana Córrego Boeiro 18 20°30’33.2”S, 55°39’27.3”W
Bonito Rio Formoso 19 21°9’30.4”S, 56°25’29”W
Bonito Rio Formosinho 20 21°10’2.45”S, 56°26’15.86”W
Jardim Rio da Prata 21 21°25’6.12”S, 56°23’25.19”W
Bonito Córrego Chapeninha 22 20°50’33.2”S, 56°35’25”W
Bonito Rio Chapena 23 20°49’57.8”S, 56°33’12.2”W
Bonito Rio Formoso 24 21°8’22.75”S, 56°27’5.10”W
Bonito Córrego Anhumas 25 21°11’21”S, 56°31’31.1”W
Bonito Rio Mimoso 26 20°59’17.8”S, 56°30’44.6”W
Bodoquena Rio Betione 27 20°34’56.28”S, 56°39’4.46”W
Bodoquena Córrego Gruta do Beija-flor 28 20°41’47.5”S, 56°51’54.04”W
Bodoquena Córrego afluente Ouro Fino 29 20°43’49.07”S, 56°51’2.14”W
Bodoquena Córrego da Caverna 30 20°42’15.4”S, 56°50’59.00”W
Taboco Córrego Gualheiros 31 19°46’24.3”S, 55°13’59.78”W
Maracajú Córrego Canindé 32 21°27’1.21”S, 55°47’44.65”W
Jutí Córrego Toco Seco 33 22°55’31.04”S, 54°30’10.8”W
Jutí Rio Bonito 34 22°53’54.2”S, 54°33’33.13”W
Dourados Pesqueiro Kanoas 35 22°14’51.9”S, 54°45’59.26”W
Itaquiraí Córrego Salvador 36 23°27’33.78”S, 54°0’1.47”W
Porto Murtinho Córrego Afluente do APA 37 22°10’5.30”S, 57°31’12.70”W
Porto Murtinho Cachoeira do APA 38 22°10’18.47”S, 57°31’4.36”W
Porto Murtinho Córrego Binguela 39 22° 9’49.09”S, 57°31’34.70”W
Porto Murtinho Córrego Jango Fundo 40 22° 4’59.14”S, 57°14’40.3”W
Porto Murtinho Córrego Mamonal 41 22°0’4.10”S, 57°34’24.80”W
Porto Murtinho Córrego Lapiá 42 21°57’12.7”S, 57°35’55.7”W
Porto Murtinho Córrego Piquenique 43 21°38’09”S, 57°18’07”W
Porto Murtinho Córrego Três Canos 44 21°40’30.6”S, 57°17’44.7”W
Porto Murtinho Córrego Cabrito 45 21°42’20.5”S, 57°25’27.91”W
Porto Murtinho Córrego Dobrado 46 21°42’23”S, 57°25’49.34”W
Porto Murtinho Córrego Triste 47 21°41’29.6”S, 57°23’47.61”W

O fato do presente estudo ter aumentado o número de espécies registradas pode ser explicado principalmente pela escassez de estudos realizados no estado de Mato Grosso do Sul. De acordo com Adler & Crosskey (2015), no Brasil a Região Sudeste possui o maior número de espécies registradas (58), seguida pelas regiões Sul (44), Norte (42), Centro-Oeste (32) que com este trabalho aumenta para 34 e Nordeste (30). Com os novos registros, o estado de Mato Grosso do Sul passa a ter a riqueza de espécies de Simuliidae semelhante ao estado de Espírito Santo, Amapá e Pará, mas ainda possui poucas espécies em comparação com os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, cada um com 35, 37 e 53 espécies respectivamente. Esperamos que com um maior esforço amostral, principalmente em áreas ainda não estudadas ou pouco amostradas, principalmente no centro do estado e no norte, onde está localizada a borda pantaneira (área de transição do Cerrado-Pantanal), aumente ainda mais a diversidade de Simuliidae conhecida para o estado.

Principais grupos de pesquisa e acervos. Dra. Neusa Hamada e Dr. Victor Py-Daniel, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); Dra. Marilza Maia-Herzog da FIOCRUZ do Rio de Janeiro; Dr. Mateus Pepinelli, Department of Natural History, Royal Ontario Museum, Canadá; Dr. Leonardo Gil Azevedo, Departamento de Entomologia, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Destacam-se os seguintes acervos: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); Coleção do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP); Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP); Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brazil (CSIOC antiga CLSO/IOC); Museu de História Natural de Londres (Department of Entomology, Natural History Museum, London, United Kingdom - BMNH).

Principais lacunas do conhecimento. As principais lacunas do conhecimento citadas por Pepinelli (2011) ainda são válidas. Ainda faltam estudos para elucidar as relações evolutivas e os mecanismos de especiação de espécies próximas e isso reflete em uma série de dificuldades para identificação e classificação de Simuliidae no Brasil. Somente uma abordagem múltipla, com uso de marcadores moleculares, cromossomos politênicos, morfologia, ferramentas morfométricas, entre outros, poderá elucidar a história evolutiva de espécies próximas, que muitas vezes são tratadas como complexos de espécies, ou sinonimizadas baseadas em carateres morfológicos altamente varíaveis.

Perspectivas de pesquisa para o grupo nos próximos 10 anos. Necessidade de formação de jovens especialistas no grupo. É fundamental que os pesquisadores de Simuliidae no Brasil cheguem a um consenso com relação à classificação do grupo e, para isso, serão necessários estudos filogenéticos mais completos, com uso de vários marcadores moleculares e caracteres morfológicos. Simuliidae é um grupo com elevado potencial para o biomonitoramento e existe uma grande perspectiva de pesquisa para utilização de espécies de Simuliidae para índices bióticos de qualidade ambiental e da água de córregos e rios.

Agradecimentos.

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Adler, P. H. & Crosskey, R. W. 2015. World Black Flies (Diptera: Simuliidae): a comprehensive revision of the taxonomic and geographical inventory. Disponível em < Disponível em http://entweb.clemson.edu/biomia/pdfs/blackflyinventory.pdf >. Acessado em 27/04/2015. [ Links ]

Adler, P. H.; Currie, D. C. & Wood, D. M. 2004. The Black Flies (Simuliidae) of North America. Ithaca, Cornell University Press. 941p. [ Links ]

Alencar, Y. B.; Ludwig, T. A. V.; Soares, C. C. & Hamada, N. 2001. Stomach content analyses of Simulium perflavum Roubaud 1906 (Diptera: Simuliidae) larvae from streams in Central Amazônia, Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 96:561-576. [ Links ]

Cerqueira, N. L. 1959. Sobre a transmissão de Mansonella ozzardi (I e II notas). Jornal Brasileiro de Medicina 1: 885-914. [ Links ]

Coscarón, S. 1991. Fauna de água dulce de la República Argentina. Insecta, Diptera, Simuliidae. FECIC, Buenos. Aires, Argentina. [ Links ]

Coscarón, S. & Coscarón-Arias, C. L. 2007. Neotropical Simuliidae (Diptera: Simuliidae). In: Adis, J.; Arias, J. R.; Rueda-Delgado, G. & Wantzen, K. M. eds. Aquatic Biodiversity in Latin America (ABLA). Vol.3. Sofia-Moscow, Pensoft. 685p. [ Links ]

Crosskey, R. W. 1990. The Natural History of Blackflies. London, The British Museum of Natural History. 711p. [ Links ]

Eaton, D. P.; Diaz, L. A.; Hans-Filho, G.; Santos, V.; Aoki, V.; Friedman, H.; Rivitti, E. A.; Sampaio, S. A. P.; Gottlieb, M. S.; Giudice, G. J.; Lopez, A.; Cupp, E. W. & The Cooperative Group on Fogo Selvagem Research. 1998. Comparison of black fly species (Diptera: Simuliidae) on an Amerindian reservation with a high prevalence of Fogo Selvagem to neighboring disease-free sites in the state of Mato Grosso do Sul, Brazil. Journal of Medical Entomology 35(2):120-131. [ Links ]

Gil-Azevedo, L. H.; Coscarón, S. & Maia-Herzog, M. 2012. The phylogeny of Simulium ( Chirostilbia) (Diptera: Simuliidae) and perspectives on the systematics of the genus in the Neotropical Region. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz107(2):178-185. [ Links ]

Hamada, N. & Adler, P. H. 1999. Cytotaxonomy of four species in the Simulium perflavum species group (Diptera: Simuliidae) from Brazilian Amazonia. Systematic Entomology 24:273-288. [ Links ]

Hamada, N.; Silva, N. G. & Pereira, E. S. 2012. Simulium ( Psilopelmia) virescens, a new black-fly species (Diptera: Simuliidae) from the southwestern region of the state of Bahia, Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz107(1):102-110. [ Links ]

Hamada, N.; Nascimento, J. M. C. & Pepinelli, M. 2015. A new species of Simulium ( Chirostilbia) (Diptera: Simuliidae) from Mantiqueira mountain range, southeastern Brazil. Acta Tropica 150:143-158. [ Links ]

Hernández, L. M.; Shelley, A. J.; Luna-Dias, A. P. A. & Maia-Herzog, M.2007. Review of the Neotropical blackfly subgenus Inaequalium Coscarón & Wygodzinsky (Diptera: Simuliidae) based on adults and pupal morphology. Zootaxa 1649:1-96. [ Links ]

Hernández, L. M.; Shelley, A. J.; Luna-Dias, A. P. A. & Maia-Herzog, M.2008. Review of the Neotropical blackfly subgenus Chirostilbia Enderlein (Diptera: Simuliidae) based on adults and pupal morphology. Zootaxa 1834:1-100. [ Links ]

Moraes, M. A. P. & Chaves, G. M. 1974. Oncocercose no Brasil. Novos achados entre os índios Ynanomamas. Boletín de la Oficina Sanitária Panamericana 76:48-54. [ Links ]

Pepinelli, M. 2011. Checklist de Simuliidae (Insecta, Diptera) do Estado de São Paulo, Brasil. Biota Neotropica 11(1a). Disponível em < Disponível em http://www.biotaneotropica.org.br/v11n1a/en/abstract?inventory+bn0341101a2011 >. Acessado em 5/5/2013. [ Links ]

Shelley, A. J. & Coscarón, S.2001. Simuliid Blackflies (Diptera: Simuliidae) and ceratopogonid midges (Diptera: Ceratopogonidae) as vectors of Mansonella ozzardi (Nematoda: Onchocercidae) in northern Argentina. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz96(4):451-458. [ Links ]

Shelley, A. J.; Lowry, C. A.; Maia-Herzog, M.; Luna-Dias, A. P. A. & Moraes, M. A. P. 1997. Biosystematic studies on the Simuliidae (Diptera) of the Amazonia onchocerciasis focus. Bulletin of the Natural History Museum 66(1):1-120. [ Links ]

Shelley, A. J.; Luna-Dias, A. P. A.; Maia-Herzog, M.; Lowry, C. A.; Guarritano, P. R.; Penn, M. & Camargo, M. 2001. Simiulim cuasiexiguum, a new blackfly species (Diptera: Simuliidae) from the Minaçu Area in the State of Goiás, Central Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz96:483-496. [ Links ]

Shelley, A. J.; Maia-Herzog, M.; Lowry, C. A.; Luna-Dias, A. P. A.; Guarritano, P. R.; Shelley, A.; Camargo, M. & Carter, H. G. 2000. The Simuliidae (Diptera) of the secondary onchocerciasis focus at Minaçu in central Brazil. Bulletin of Natural History Museum, Entomology ser. 69:171-221. [ Links ]

Shelley, A. J. & Shelley, A. 1976. Further evidence for the transmission of Mansonella ozzardi by Simulium amazonicum in Brazil. Annals of Tropical Medicine and Parasitology 70(2):213-217. [ Links ]

Strieder, M. N.; Santos, J. E. & Pês, A. M. O. 2002. Diversidade e distribuição de Simuliidae (Diptera, Nematocera) no gradiente longitudinal da bacia do rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, Brasil. Entomología y Vectores 9(4):527-540. [ Links ]

Strieder, M. N.; Santos, J. E. & Vieira, E. M. 2006. Distribuição, abundância e diversidade de Simuliidae (Diptera) em uma bacia hidrográfica impactada no sul do Brasil. Revista Brasileira de Entomologia 50(1):119-124. [ Links ]

ZEE-MS - Zoneamento Ecológico-Econômico do Mato Grosso do Sul. 2007. Contribuições Técnicas, Teóricas, Jurídicas e Metodológicas. Vol. I-III. Disponível em < Disponível em http://www.semac.ms.gov.br/zeems >. Acessado em 30/11/2012. [ Links ]

Recebido: 28 de Novembro de 2016; Aceito: 06 de Fevereiro de 2017

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons