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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.45 no.6 São Paulo Dec. 2011

https://doi.org/10.1590/S0080-62342011000600024 

ARTIGO ORIGINAL

 

Leucemia mieloide aguda versus ocupação profissional: perfil dos trabalhadores atendidos no Hospital de Hematologia de Recife*

 

Leucemia mieloide aguda versus ocupación profesional: perfil de los trabajadores atendidos en Hospital de Hematología de Recife

 

 

Queliane Gomes da Silva CarvalhoI; Wanessa de Aguiar PedrosaII; Quitéria Pereira SebastiãoIII

IEnfermeira Bacharel pela Universidade Federal de Sergipe. Especialista em Enfermagem do Trabalho pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão de Recife. Residente em Hematologia e Hemoterapia pela Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco. Recife, PE, Brasil. nealique@gmail.com
IIEnfermeira Bacharel pela Faculdade Santa Emilia de Rodat de João Pessoa. Especialista em Enfermagem do Trabalho pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão de Recife. Recife, PE, Brasil. wanessa_pedrosa@yahoo.com.br
IIIEnfermeira Bacharel pela Universidade Federal de Pernambuco. Especialista em Enfermagem do Trabalho pela Faculdade São Camilo. Enfermeira Assistencial da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco e Enfermeira do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho 6ª Região. Recife, PE, Brasil. qps@trt6.gov.br

Endereço para correspondência:

 

 


RESUMO

O estudo objetivou conhecer o perfil dos trabalhadores em faixa etária economicamente ativa admitidos de 1997 a 2007 em hospital de hematologia com diagnóstico de leucemia mieloide aguda (LMA); verificar as profissões com maior prevalência entre os trabalhadores atendidos que foram a óbito e identificar os riscos ocupacionais compatíveis com o aparecimento da LMA nas profissões prevalentes. Estudo exploratório de natureza quantitativa. A maior parte dos perfis caracterizou-se por ser procedente do agreste e da região metropolitana do estado, do sexo masculino, pertencente à raça branca e com grau de escolaridade fundamental incompleto. As ocupações de maior destaque foram aquelas relacionadas à agricultura e ao trabalho doméstico, sendo as substâncias químicas utilizadas no processo de trabalho de ambas, de acordo com a literatura, possíveis fatores envolvidos no desencadeamento da patologia.

DESCRITORES: Leucemia mielóide aguda; Risco ocupacionais; Trabalhadores; Saúde do trabalhador.


RESUMEN

Se objetivó conocer el perfil de trabajadores en faja etaria económicamente activa admitidos de 1997 a 2007 en hospital de hematología con diagnóstico de leucemia mieloide aguda (LMA); verificar las profesiones más prevalentes entre los pacientes atendidos que fallecieron e identificar los riesgos ocupacionales compatibles con la aparición de LMA en las profesiones predominantes. Estudio exploratorio, cuantitativo. Perfil encontrado: se caracterizó por la procedencia, en su mayoría de zonas agrestes y de regiones metropolitanas del estado, sexo masculino, raza blanca, fueron los más proclives a contraer la enfermedad. La enseñanza fundamental incompleta fue el grado educativo más recurrente. Las ocupaciones de prevalencia fueron aquellas relacionadas con el trabajo agrícola y el trabajo doméstico. Las substancias químicas utilizadas en el proceso de trabajo de ambas, de acuerdo a la literatura, son potenciales factores involucrados en el desencadenamiento de la patología.

DESCRIPTORES: Leucemia mieloide aguda; Riesgos laborales; Trabajadores; Salud laboral.


 

 

INTRODUÇÃO

A Leucemia Mielóide Aguda (LMA) é uma doença clonal do tecido hematopoético que se caracteriza pela proliferação anormal de células progenitoras da linhagem mielóide, ocasionando produção insuficiente de células sanguíneas maduras normais. Deste modo, a infiltração da medula é frequentemente acompanhada de neutropenia, anemia e plaquetopenia(1).

O estudo de doenças hematológicas e o estabelecimento de evidências de associação com exposições provenientes do ambiente, incluindo o do trabalho, além do consumo de produtos nocivos, obtiveram um grande aumento a partir do século XX, quando tais agravos revelaram-se um grave problema de saúde pública. Entre as patologias que apresentaram forte correlação com exposição a situações de risco ambiental destacam-se as leucemias, com alta letalidade(2).

Diante do fato das leucemias e mais especificamente da LMA ser o tipo de maior incidência entre os pacientes que dão entrada no serviço de tratamento hematológico do Estado de Pernambuco, desta patologia possuir alto índice de mortalidade (acima de 40%), além do fato das neoplasias serem a primeira causa de óbitos entre os trabalhadores(3), surgem alguns questionamentos: qual seria o perfil dos trabalhadores atendidos em serviço de hematologia de Pernambuco com diagnóstico de LMA? Existiria a prevalência de alguma profissão entre os trabalhadores atendidos? Haveria risco ocupacional compatíveis com o aparecimento da LMA nas profissões relatadas?

A relevância deste estudo está em fornecer subsídios para que haja maior atenção quanto aos possíveis riscos ocupacionais envolvidos no desencadeamento e desenvolvimento da LMA, buscando atentar, desta forma, para a preservação da saúde do trabalhador.

Os objetivos propostos foram: conhecer o perfil epidemiológico dos trabalhadores em faixa etária economicamente ativa admitidos no período de 1997 a 2007 em Hospital de Hematologia de Recife com diagnóstico de LMA, verificar as profissões com maior prevalência entre os trabalhadores atendidos que foram a óbito e identificar os riscos ocupacionais compatíveis com o aparecimento de LMA nas profissões de maior prevalência.

 

REVISÃO DE LITERATURA

A LMA é uma doença caracterizada pela proliferação clonal e maturação aberrante de um de seus precursores hematopoéticos da linhagem mielóide. A alteração neoplásica pode ocorrer em qualquer uma das diferentes linhagens celulares hematopoéticas, possibilitando assim a classificação dos vários tipos de leucemias mielóides agudas, sendo estes os tipos M0, M1, M2, M3, M4, M5, M6, M7(4).

A leucemia representa 2,5% de todos os cânceres e cerca de 3,5% da mortalidade por câncer nos Estados Unidos(5). A LMA é uma enfermidade de prognóstico obscuro e representa 1,2 % de todos os cânceres na maioria dos países ocidentais(5). Pode até mesmo ser considerada uma patologia rara; contudo possui representatividade para estudos por ser uma doença de curso rápido e em cerca de 40% ou mais dos casos fatais(5).

No estado de Pernambuco, a incidência de LMA é de 4,4 para cada 100.000 habitantes e de 3,8 para cada 100.000 mulheres, estimativas estas para o ano de 2008(6).

No hospital de hematologia em questão, a LMA representa cerca de 41% de todos os casos de leucemia recebidos no período em estudo (1997 a 2007). Um valor considerável dentro da amostra total do hospital neste período.

Os fatores etiológicos da LMA são variados, podendo ser relacionados desde translocações e mutações genéticas de genes responsáveis por correção de erros genéticos herdados até fatores extrínsecos que podem desencadear tais alterações, como exposição à radiações ionizantes, não ionozantes, organofosforados, entre outros agentes mielotóxicos e cancerígenos(7).

O diagnóstico geralmente se dá por meio de hemograma e mielograma e em caso específicos é necessário também a biopsia óssea. É através do diagnóstico inicial e classificação do tipo de leucemia que irá ocorrer a decisão sobre qual esquema quimioterápico iniciar, adequando sempre as doses de acordo com o organismo do indivíduo atingido pela patologia. O tratamento visa eliminar ou controlar a proliferação dos clones leucêmicos, baseia-se em poliquimioterapias, devido ao melhor prognóstico de remissão com seu uso, e pode ser dividido em duas fases: tratamento de indução da remissão e tratamento pós-indução(8).

A análise do processo saúde-doença deve, necessariamente, ser articulada à análise do processo de trabalho. As doenças e os agravos à saúde dos trabalhadores são expressões do desgaste destes pela exposição aos diversos riscos ocupacionais inerentes ao processo produtivo capitalista(9).

As doenças relacionadas ao trabalho têm um grande impacto não apenas na vida do indivíduo mas na a sociedade como um todo. Nas doenças profissionais, o trabalho ou as condições em que ele é realizado constituem causa direta para o desencadeamento de algum tipo de patologia. A relação causal ou nexo causal é direta e imediata. A eliminação do agente causal, por medidas de controle ou substituição, pode assegurar a prevenção, ou seja, sua eliminação ou erradicação(10).

A caracterização etiológica ou nexo causal será essencialmente de natureza epidemiológica, seja pela observação de um excesso de frequência em determinados grupos ocupacionais ou profissões ou seja pela ampliação quantitativa ou qualitativa do espectro de determinantes causais, que podem ser melhores conhecidos a partir do estudo dos ambientes de trabalho. A eliminação desses fatores de risco reduz a incidência ou modifica o curso evolutivo da doença ou agravo à saúde(11).

Para reconhecer as condições de risco é necessário investigar as possibilidades de geração e dispersão de agentes ou fatores nocivos associados aos diferentes processos de trabalho, às operações, às máquinas e a outros equipamentos, bem como às diferentes matérias-primas, aos produtos químicos utilizados, aos eventuais subprodutos e aos resíduos(11).

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 200 mil pessoas morrem a cada ano no mundo por algum tipo de câncer relacionado ao ambiente de trabalho(12).

Os seguintes agentes etiológicos e fatores de risco de natureza ocupacional devem ser considerados na investigação da etiologia de leucemia em trabalhadores: benzeno; radiações ionizantes; óxido de etileno; agentes antineoplásicos; campos eletromagnéticos (ainda em estudo); agrotóxicos clorados (clordane e heptaclor), entre outros(11).

As leucemias de uma forma geral, mas principalmente a LMA, podem ser classificadas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, sendo a atividade laboral considerada como fator de risco no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia multicausal dessas neoplasias(11).

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal e exploratório de natureza quantitativa. Foi realizado em Hospital de Hematologia e Hemoterapia, localizado no município do Recife, a saber, HEMOPE, centro de referência em Hematologia e Hemoterapia do Estado de Pernambuco.

A população do estudo foi composta pelos pacientes admitidos e diagnosticados com LMA, no período de 1997 a 2007.

A amostra foi composta pelos pacientes que vieram a falecer nesse período e encontravam-se na faixa etária economicamente ativa (16 a 65 anos), de acordo com o decreto-lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943, que aprova a consolidação das leis do trabalho e Lei do Aprendiz 10.097/00(13), totalizando 241 pacientes em estudo. Foi utilizada a ficha de admissão em prontuário eletrônico (Sistema Vida) destes pacientes, realizando assim um estudo retrospectivo.

Os resultados obtidos serão expressos em percentual e número absoluto, entre parênteses, a fim de uma melhor compreensão a cerca dos dados.

A pesquisa levou em consideração os aspectos éticos envolvendo seres humanos preconizados pelo Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, mediante a resolução 196/96. Uma cópia deste artigo foi enviada ao Comitê de Ética que, após avaliação, concedeu a liberação dos dados necessários para realização do estudo científico - Parecer nº 026/08.

Os dados foram coletados conforme cronograma estabelecido no estudo, mediante a utilização de um formulário, previamente elaborado, com vistas a alcançar o objetivo proposto pelo estudo, sendo analisados com base em um enfoque quantitativo, à luz da literatura pertinente.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após análise dos dados, foi observada uma predominância de casos de LMA provenientes do agreste 30,3% (73) e região metropolitana 25,7% (62) do Estado de Pernambuco. As outras regiões do estado apresentaram as seguintes porcentagens: São Francisco 7% (17), Zona da Mata 15% (36), Sertão 5% (12), não encontrado 12% (29), outros estados 5% (12).

O agreste caracteriza-se por uma economia diversificada, sendo a agricultura e pecuária seus destaques. A região metropolitana tem como destaque o setor terciário (comércio, indústria e serviços)(14), achados estes que serão ratificados durante a discussão.

 

 

A LMA é a leucemia mielóide mais comum, com prevalência de 3,8 casos por 100.000 nos Estados Unidos, chegando a 17,9 casos por 100.000 em adultos com 65 anos ou mais. Em crianças com menos de 15 anos, é responsável por 20% a 25% das leucemias, sendo a doença mais prevalente em pacientes idosos, com a mediana de idade à apresentação de 70 anos, o gênero mais atingido pela doença é o masculino(15-17).

Dados da literatura apontam que a incidência da LMA varia de acordo com gênero e etnia, sendo a etnia branca referida como prevalente na maioria dos estudos(18-19). No que se refere ao sexo, a doença na população mundial é mais frequente no sexo masculino(15-16), que apresenta a proporção de 1,3 homens para cada 1 mulher diagnosticada(4,8,14). Verificou-se em nossa amostra o predomínio da etnia branca 52,3% (126) e do sexo masculino 55% (133), o que corrobora os achados da literatura vigente. Reforçando esta ideia, sabe-se que no Estado de Pernambuco, na população geral, a etnia parda predomina, representando cerca de 59,5% da população do estado, bem como o sexo feminino (53%(20)), o que demonstra uma possível associação entre a doença, a etnia e o gênero mais acometido.

Quanto ao fator idade, estudo similar realizado com intervalo de tempo (1990-1999), encontrou um predomínio de casos no intervalo de 13 a 69 anos em detrimento aos extremos com uma média 27 a 29 anos(21). Os valores encontrados em nossa amostra se assemelham ao estudo em questão. Observou-se também que a porcentagem dos intervalos de idade de acometimento foram bastante similares, a saber: 16-25 anos: 24% (58), 26-35 anos: 17,8% (43), 36-45 anos : 23,2% (56), 46-55 anos: 15,4% (37), 56-65 anos: 19,5% (47).

 

 

 

Quanto ao grau de escolaridade, sobressaiu o ensino fundamental incompleto 47,7% (115). Em Pernambuco, observa-se que a população possui, como grau de escolaridade predominante, o ensino fundamental (completo e incompleto, 55%(20)), o que não pode ser considerado um dado discrepante e significativo se comparados ao encontrado em nossa amostra. Não foram encontrados estudos associando as variáveis grau de escolaridade e acometimento da LM.

Estudos epidemiológicos sugerem que fatores genéticos, ambientais e ocupacionais influenciam na patogênese da LMA(22).

Pesquisas apontam para a associação entre exposição a solventes orgânicos como benzeno e produtos derivados do petróleo e a LMA, demonstrando um risco de 2 a 4,5 vezes maior em pessoas expostas(23).

Os agrotóxicos estão entre os mais importantes fatores de risco para a saúde dos trabalhadores e para o meio ambiente. São usados em grande escala por vários setores produtivos e mais intensamente pelo setor agropecuário, são ainda utilizados na construção e manutenção de estradas, tratamento de madeiras para construção, armazenamento de grãos e sementes, produção de flores, combate a endemias e epidemias, uso doméstico, entre outros(24).

No nordeste o uso destas substâncias possuem importante relevância, caracterizada pela agricultura absolutamente químico-dependente, possuindo seu risco agravado pelo baixo grau de conhecimento sobre a correta forma de manipulação e os prejuízos à saúde advindos da manipulação destes produtos(25).

O setor terciário se sobressaiu em relação aos demais, representando 60% (144) da totalidade, sendo os setores primário, secundário e não-determinado 22% (52), 3% (8) e 15% (38), respectivamente. A maior representatividade do setor terciário se deve à diversidade de ocupações encontradas. Quando relacionado com as ocupações de maior prevalência por setor, o setor de destaque é o primário com o agricultor, representando 96% (50) de seu universo, e o terciário com a ocupação do lar representando 35% (50). Ambas as ocupações possuem uma representatividade de 21% (50 indivíduos cada) da amostra total.

Dentre as ocupações atuais observadas com maior frequência, as atividades de cunho doméstico e agropecuário são consideradas como envolvidas em exposição a diversos riscos, principalmente os de ordem química (solventes, inseticidas, outros agrotóxicos etc.), podendo ser estabelecido um nexo causal entre aqueles e a nocividade ao sistema hematopoiético(7).

 

 

 

Sabe-se que os trabalhadores domésticos lidam em suas tarefas com uma multiplicidade de produtos químicos, como detergentes, ceras, desinfetantes, sabões em pó, entre outros, compostos por substâncias as mais diversificadas, o que torna esta ocupação passível de riscos à saúde(26).

Na agricultura é vasta a utilização de substâncias químicas utilizadas no combate às pragas e controle do crescimento da vegetação. O pouco conhecimento quanto à correta utilização e armazenamanto destas substâncias, bem como a exposição prolongada a estes agentes, faz com que trabalhadores da agricultura estejam expostos a riscos de intoxicações agudas e crônicas, que podem desencadear processos mielotóxicos, neurodegenerativos e sintomatologias decorrentes de envenenamento(27).

 

CONCLUSÃO

A partir dos resultados obtidos, foi possível concluir que os pacientes que foram a óbito acometidos por Leucemia Mielóide Aguda no período de 1997 a 2007 no hospital em estudo caraterizam-se por serem procedentes, em sua maioria, do agreste e região metropolitana do Estado, o que possui íntima relação com as atividades desenvolvidas nos setores primário e terciário, que foram as mais significavas na população estudada.

O sexo masculino, bem como a etnia branca, foram os mais acometidos; dados concordantes com a epidemiologia da doença no mundo, contudo discordantes com as características gerais apresentadas pela população do Estado de Pernambuco, demonstrando a associação doença versus etnia e sexo.

As ocupações de maior destaque foram os trabalhadores da agricultura e domésticos, sendo vista a necessidade de notificação e estudos a fim de esclarecer a possibilidade de nexo causal entre as atividades e seus respectivos ambientes de trabalho, tempo de exposição e substâncias utilizadas nos seus processos produtivos, sendo imprecindível orientar a correta utilização dos equipamentos de proteção, dos produtos usados durante a atividade laboral e a possibilidade de substituí-los por outros menos nocivos á saude.

É notória a importância do profissional de saúde ter conhecimento acerca da possível relação entre certas patologias e o ambiente de trabalho, ocupações exercidas e história pregressa, bem como a notificação e preenchimento correto e completo das fichas de admissão e acompanhamento destes pacientes, diminuindo a quantidade de dados imprecisos e incompletos que podem mascarar realidades.

Estudos prospectivos e a elaboração de planilhas de acolhimento e acompanhamento se fazem importantes e essenciais visto o expressivo número de casos desta patologia em indivíduos jovens e em pessoas na faixa etária economicamente ativa. Cabe destacar também a importância do incremento da função preventiva e educativa dos profissionais de saúde da área, além do cumprimento do papel de referência e sentinela da instituição para este tipo de acometimento na saúde da população e do trabalhador.

 

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Endereço para correspondência:
Queliane Gomes da Silva Carvalho
Rua Prof. Chaves Batista, 262 - Apto. 201 - Bairro Várzea
CEP 50740-030 - Recife, PE, Brasil

Recebido: 06/11/2009
Aprovado: 24/03/2011

 

 

* Extraído do trabalho de conclusão de curso "Leucemia mielóide aguda X ocupação profissional: perfil dos trabalhadores atendidos em hospital de hematologia de Recife no período de 1997 a 2007", Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão, Recife, 2008.

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